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ESTOICISMO

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Coleção de citações encontradas em meus estudos. estoicismo@protonmail.com

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📈 تحلیل کانال تلگرام ESTOICISMO

کانال ESTOICISMO (@estoicismo) در بخش زبانی پرتغالی بازیگری فعال است. در حال حاضر جامعه شامل 10 371 مشترک است و جایگاه 2 316 را در دسته انگیزه و نقل قول‌ها و رتبه 4 101 را در منطقه البرازيل دارد.

📊 شاخص‌های مخاطب و پویایی

از زمان ایجاد در невідомо، پروژه رشد سریعی داشته و 10 371 مشترک جذب کرده است.

بر اساس آخرین داده‌ها در تاریخ 20 سپتامبر, 2026، کانال فعالیت پایداری دارد. در ۳۰ روز گذشته تغییر اعضا برابر -7 و در ۲۴ ساعت گذشته برابر 1 بوده و همچنان دسترسی گسترده‌ای حفظ شده است.

  • وضعیت تأیید: تأیید نشده
  • نرخ تعامل (ER): میانگین تعامل مخاطب 7.81% است و در ۲۴ ساعت نخست پس از انتشار، محتوا معمولاً 2.64% واکنش نسبت به کل مشترکان کسب می‌کند.
  • دسترسی پست‌ها: هر پست به طور میانگین 810 بازدید دریافت می‌کند. در اولین روز معمولاً 274 بازدید جمع‌آوری می‌شود.
  • واکنش‌ها و تعامل: مخاطبان به‌طور فعال حمایت می‌کنند؛ میانگین واکنش به هر پست 33 است.
  • علایق موضوعی: محتوا بر موضوعات کلیدی مانند marco, aplicação, aurélio, escolha, controle تمرکز دارد.

📝 توضیح و سیاست محتوایی

نویسنده این فضا را محل بیان دیدگاه‌های شخصی توصیف می‌کند:
Coleção de citações encontradas em meus estudos. estoicismo@protonmail.com

به لطف به‌روزرسانی‌های پرتکرار (آخرین داده در تاریخ 21 سپتامبر, 2026)، کانال همواره به‌روز و دارای دسترسی بالاست. تحلیل‌ها نشان می‌دهد مخاطبان به‌طور فعال با محتوا تعامل دارند و آن را به نقطه اثرگذاری مهم در دسته انگیزه و نقل قول‌ها تبدیل کرده‌اند.

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#264 — Sobre eventos inesperados (Como impedir o trem de descarrilhar completamente) "Quando as circunstâncias o forçarem à confusão, volte ao controle rapidamente. Não seja tirado do ritmo mais tempo do que necessário. Você conseguirá voltar à batida se constantemente se guiar de volta ao seu som." — Marco Aurélio Cisnes Negros, na definição de Nassim Taleb, são eventos incomuns que: primeiro, são outliers porque não estão no âmbito das expectativas comuns; depois, exercem um impacto extremo; e por fim a natureza humana faz com que desenvolvamos explicações para sua ocorrência após o evento. Ataques terroristas e pânico financeiro configuram Cisnes Negros. Mas existe o outro lado da moeda: eventos ordinários que também desafiam as expectativas. A bateria do carro que morre quando você precisa sair para trabalhar. Uma amiga que cancela o compromisso no último minuto. A resposta do email que não chegou quando você precisava. Em ambos os casos, fazemos suposições sobre como o mundo deveria funcionar e criamos planos em cima dessas suposições. Quando a suposição é falha (algo dá errado), nosso planejamento e entendimento sobre a situação também entra em colapso. Nesse momento temos a tendência de nos entregar ao caos interior, quando, na verdade, está tudo OK. Se a bateria do carro morreu, chame um táxi ou Uber. Se cancelarem o compromisso, ou você sai sozinho(a) ou fica em casa relaxando. Se o email não chegar, você põe seus conhecimentos em prática e encontra uma solução. Trata-se de voltar aos trilhos o mais rápido possível ao invés de deixar o trem descarrilhar completamente. Hoje as coisas vão dar errado. O que você vai fazer: se adaptar ou entrar em desespero? Aplicação pessoal Preciso fazer uma separação entre dois tipos de caos: o interno e o externo. O caos externo sempre existirá porque é assim que o mundo funciona, não aceitá-lo é viver em estado de frustração. O caos interno, contudo, é onde reside o problema. Caos interno é uma confusão de emoções e sensações que prejudicam a capacidade de raciocinar e atrapalham o desempenho. Pense em uma musicista que está en tournée. Ela fez seus shows no Brasil, passou pela Argentina e se dirigiu para Guadalajara. Ao chegar na casa de shows, verificou que nenhum instrumento e nenhum jogo de luzes foi reservado! Ela simplesmente não tinha o material necessário. Como musicista, a Zaz sabe que essas coisas são incidentes que podem acontecer e ela não tinha como solucionar o problema em menos de 10 horas. Podia apenas se desculpar com todos os fãs, aproveitar os dias em Guadalajara e continuar a turnê. A ordem e a paz podem ser perturbados por uma nova circunstância. Isso pode lhe irritar, mas você não deve se deixar dominar pela irritação e dar espaço ao caos, como fez a Amy Winehouse ao abandonar o palco no meio do show que fez aqui em Recife. Imprevistos fazem parte da vida. Xingue algumas vezes se for preciso, mas não reclame mais tempo do que o necessário (na verdade, não reclame). Adapte-se à situação e volte ao caminho. Quanto mais você praticar, mais fácil será se manter no controle. @estoicismo | texto por Sabrina A. (2017)

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#263 — A vida não é uma dança "A arte de viver é mais como uma luta do que uma dança, porque ser astuto na vida requer estar preparado para encontrar e resistir a ataques repentinos e inesperados." — Marco Aurélio Usar a dança como uma metáfora para a vida é praticamente um clichê. Você precisa ser flexível e ágil e dançar no ritmo da música. Você precisa sentir a pessoa com quem você dança e segui-la. Mas se você tentou fazer algo difícil, dançar é uma metáfora insuficiente. Ninguém sobe em um palco ou entra em uma pista de dança e tenta derrubar os outros dançarinos. Você também não corre o risco de ser estrangulado(a) pelos competidores. (Assim espero, nunca se sabe.) Por outro lado, um lutador precisa saber lidar com adversidade e com o inesperado. É parte do que eles fazem. O esporte que eles escolheram é uma batalha — assim como a vida. E em uma batalha, você não luta apenas contra o oponente. Também luta contra suas limitações, emoções e contra seu próprio treinamento (o ambiente controlado da aula não é o mesmo que a vida real). Destreza e graça não são suficientes. Também precisamos treinar e cultivar a vontade de prevalecer. Nesse aspecto, a filosofia é pedra que usamos para afiar essas habilidades. Aplicação pessoal Sejamos sinceros(as), evitamos os treinos difíceis, as questões mais complicadas da lista de exercícios, qualquer coisa que não esteja em um ambiente controlado ou não tenha um passo-a-passo. Mas como você desenvolveu a confiança e os reflexos necessários para dirigir? Não nas ruas vazias praticando balizas com cones, mas no dia-a-dia, dirigindo nas ruas com pessoas insanas ao seu redor — pedestres suicidas, motoristas de ônibus enfurecidos e motociclistas aventureiros. Por essa razão, não devemos esquecer as palavras de Marco Aurélio: “Porque ser astuto na vida requer estar preparado para encontrar e resistir a ataques repentinos e inesperados. A vida não é um ambiente controlado com cientistas observando por trás do vidro (oi, doutor!). A vida real é uma puta de uma bagunça. Por isso um artista marcial faz sparring. Um gerente precisa sentar e ponderar sobre como aplicar a teoria no seu departamento. Um estudante precisa fazer um projeto com os conceitos que o professor apresentou e se preparar para tudo dar errado. Você precisa do caos. Caso contrário, significa que você espera que tudo seja uma pista de dança livre. Em outras palavras: a expectativa que apenas gera decepção. @estoicismo | texto por Sabrina A. (2017)
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#262 — A flexibilidade da mente (ou como não ser um robô e aproveitar as oportunidades) "Lembre-se que mudar sua mente e seguir com a correção de alguém é consistente com o livre arbítrio. Porque a ação é sua, e apenas sua — para cumprir seu propósito de acordo com seu impulso e seu julgamento, e sim, sua inteligência." — Marco Aurélio Quando você diz que vai fazer algo, você faz? Você vai até o fim? Se consegue, é algo impressionante. A maioria das pessoas não consegue se comprometer por mais de uma semana. Mas essa determinação nem sempre é útil. Ela pode criar um tipo de escravidão: o de jamais reconsiderar as situações e o contexto. Cedo ou tarde, a determinação de ferro pode virar um risco. Condições mudam. Novos fatos se tornam conhecidos. Circunstâncias surgem. Se você não se adapta ao novo cenário, se você segue em frente, incapaz de se ajustar a essa informação adicional, você é tão bom quanto um robô. Robôs recebem ordens e as seguem estritamente. Humanos têm plasticidade neural, são adaptáveis. A questão não é ter vontade de ferro, mas uma vontade adaptável — reconhecer as mudanças e usar a razão, dado o novo cenário, para clarificar percepções, impulsos e julgamentos (e jogar fora o que não serve mais). Antifragilidade é resistir a algo e melhorar após o impacto (algo além da resiliência). Mas como você pode melhorar se decidir marcar tudo em pedra? Aplicação pessoal "Quando eu considerar X, é porque minhas outras opções se esgotaram", afirmei categoricamente, há alguns anos, enquanto conversava com minha mãe. Hoje, me pergunto porque relutei tanto em considerar a sugestão. Talvez, no passado, eu tivesse me considerado um fracasso se tivesse logo aceitado a opinião dela — na verdade, provavelmente me sentiria assim. Devo me considerar um fracasso hoje por ter aceitado mudar meus objetivos? Claro que não. As condições eram outras, as expectativas também. O contexto mudou, assim como a coisa mais lógica a ser feita. Não existe fraqueza alguma ou covardia em admitir o erro. Precisamente o contrário. (Ninguém gosta de admitir que está errado, não faz bem para o ego.) Covardia é persistir com algo que não faz mais sentido para não reconhecer a falha no julgamento. Como diria Charlie Munger, "é mais fácil evitar a estupidez do que surgir com uma ideia genial". Se é estúpido continuar fazendo X, então faça Y, mesmo que Y não vá mudar o mundo. @estoicismo | texto por Sabrina A. (2017)
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#261 — Lidando com a dor "Para quando você sentir dor: Veja que ela não o desonra nem degrada sua inteligência — não lhe impede de agir racionalmente ou de forma altruísta. E na maior parte dos casos, o que Epicurus disse deve ajudar: a dor não é insuportável ou sem fim, desde que você mantenha em mente os limites que ela possui e não os aumente em sua imaginação. E mantenha em mente também que a dor normalmente se disfarça — febre, perda de apetite, sonolência… Quando você estiver incomodado por coisas como essas, lembre-se: 'Estou me entregando à dor.'" — Marco Aurélio Em 1931, Winston Churchill estava na Cidade de Nova Iorque e foi vítima de um acidente. Um motorista a 50km/h o acertou enquanto atravessava a rua. Testemunhas afirmaram que ele tinha morrido. Felizmente, Churchill não morreu. Ele passou oito dias em um hospital com várias costelas quebradas e uma ferida severa na cabeça. De alguma forma, Churchill conseguiu manter a consciência e falar com a polícia. Em momento algum ele culpou o motorista. Ele disse que a culpa pelo atropelamento tinha sido exclusivamente dele. Depois de descobrir que o motorista que o havia acertado estava desempregado, Churchill ofereceu dinheiro ao homem que lhe atropelou — não para comprá-lo, mas para ajudá-lo. Apesar da dor, ele tentou reduzir a publicidade do acidente para que isso não impactasse a vida profissional do motorista. Anos depois ele escreveu, "A natureza é misericordiosa, ela não tenta um homem, criança ou besta além do que podem aguentar." O mesmo homem que resistiu e impediu a Inglaterra de ruir com os avanços de Hitler durante a Segunda Guerra Mundial. Não importa quão horrível uma situação seja, eventualmente tudo estará bem de novo. Você só precisa aguentar. Aplicação pessoal Em A Divina Comédia, Dante descreve uma jornada espiritual. Primeiro, ele se encontra no Inferno, uma área com nove círculos. Em cada círculo, vários tipos de pecadores são condenados a sofrer eternamente. Dante e Virgílio (autor de Eneida e seu guia) atravessam todos os círculos infernais, chegando à saída. Mas a saída leva ao Purgatório e não ao Paraíso. Então, eles precisam cruzar o Purgatório para chegar às portas dos céus. Mas o que é o Purgatório para quem já passou pelo Inferno? Quando você está passando pelo inferno, disse Winston Churchill, continue andando. Churchill resumiu os cantos do poema de Dante, ao mesmo tempo que concorda com Epicuro. Nenhum sofrimento é eterno. Cedo ou tarde, ele chega ao fim. Uma dor persistente que eventualmente desaparece. Um ciclo de eventos negativos que se encerra com alguma boa notícia. A dor de perder alguém, que não desaparece realmente, mas é substituída pelas boas lembranças. E se tudo parecer impossível de suportar, não tente a saída mais fácil, lembre-se de Sêneca e Epictetus: "você quebrou um dedo? Podia ter sido o braço. Você perdeu a carteira? Podia ter sido sua integridade. Você perdeu seus bens? Podia ter sido sua vida." As coisas sempre podem ser piores, então agradeça porque a sua situação não é o pior que poderia ter acontecido. @estoicismo | texto por Sabrina A. (2017)
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#260 — Como lidar com quem não gosta de você "Alguém me menospreza. É problema dele. Meu problema: não fazer ou dizer algo desprezível. Alguém me odeia. É problema dele. Meu problema: ser paciente e alegre com todos, incluindo os que me odeiam. Estar pronto para lhes mostrar seu erro. Não de forma rancorosa, ou para me gabar do meu auto-controle, mas de uma forma honesta e correta. (…) É assim que deveríamos ser internamente e jamais deixar que os deuses nos encontrem sentindo raiva ou ressentimento." — Marco Aurélio Marco Aurélio, sendo imperador, provavelmente tinha uma legião de opositores. Pessoas que não concordavam com suas escolhas, que não gostavam dele, políticos que tentavam invalidar suas decisões e inimigos entre seus amigos. Um dos amigos-que-viraram-inimigos de Marco Aurélio tentou matá-lo para tomar o trono do império Romano, afirmando que merecia a coroa mais do que o próprio Marco. Marco conteve sua investida e… o perdoou. Ele não odiou quem o odiava, enquanto o resto da sociedade romana esperava uma condenação. Quando alguém tem uma opinião forte sobre algo, normalmente essa opinião diz mais a respeito da pessoa do que sobre o objeto da opinião. Especialmente quando se trata de preconceito ou ódio em relação a outros. Por essa razão, o Estóico adota a seguinte postura ao encontrar alguém pregando o ódio, expondo uma opinião prejudicial ou falando mal deles: eles se perguntam "essa opinião está no meu controle?", se existe uma chance de influenciá-la, eles educadamente apresentam fatos que mostram o erro na lógica alheia. Caso não possam fazer algo, eles aceitam a pessoa como ela é. Nossa vida já é difícil o bastante. Não temos tempo a perder pensando sobre o que os outros estão pensando, mesmo que seja sobre nós. Aplicação pessoal A atitude estóica em relação aos outros pode parecer passiva, mas é uma lógica simples Se você tenta convencer alguém de que algo não está correto, essa pessoa não aceita seus argumentos nem os fatos e também direciona a raiva a você por ter uma opinião contrária, vale a pena continuar insistindo? Não. A tentativa não foi desperdício de tempo, mas insistir na discussão seria. Pessoas que têm algum tipo de preconceito fecharam a mente. Elas acreditam apenas naquilo que percebem como sendo verdade. Mas para cada trouxa de mente fechada, você pode encontrar dezenas de pessoas de mente aberta. Um bom exemplo sobre como lidar com opositores é o autor Neil Strauss. Sempre que ele começa a escrever um livro, ele pensa em todos os possíveis contra-argumentos serão usados para invalidar suas afirmações e apresenta as respostas no próprio livro. Se não adiantar e alguém surgir afirmando que ele escreveu 400 páginas de besteiras, ele vai ficar perturbado? Não, ele aceita que existem pessoas incapazes de aceitar outros pontos de vista. Essas pessoas vão dar uma estrelinha na Amazon, mas muitas outras vão achar utilidade naquilo que ele escreveu. Não perca seu tempo se preocupando com o que os outros pensam de você ou deixam de pensar, mas não perca a chance de mostrar a verdade a alguém sempre que for possível — seja a acusação a respeito de você ou não. Porque mesmo que não seja a vítima do preconceito ou do ódio, você pode ajudar a contê-los. @estoicismo | texto por Sabrina A. (2017)
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#259 — Resiliência é mais importante do que ter sorte "Sucesso vem ao encontro do humilde e do pobre em talento, mas a característica especial de uma grande pessoa é saber triunfar sobre os desastres e pânicos da vida humana." — Sêneca Eu conheço pessoas que ganharam na loteria da vida. Você também deve conhecer alguém assim. Pessoas que, desde o nascimento, tiveram uma sorte impossível de conceber, que, apesar de imprudentes, terem o costume de fazer péssimas escolhas, jamais se planejarem, conseguiram sobreviver sem um arranhão e com algumas conquistas nas costas. É natural sentir um pouco de inveja. Quem não quer uma vida fácil? Mas uma vida fácil é tão invejável assim? Qualquer idiota pode ter sorte. Podemos criar a própria sorte. Não é uma habilidade paranormal. Desenvolver resiliência (ou se tornar antifrágil), contudo, é algo admirável. Nesse caso, a sobrevivência não é fruto de circunstâncias ou de um berço de ouro, mas de superar as dificuldades e continuar quando outros desistem. Como bônus, essa pessoa também aprende a controlar as próprias emoções. Nas palavras de Bruce Lee, "não peça por uma vida fácil, peça pela força para superar uma difícil". Aplicação pessoal Joe De Sena, criador da Spartan Race, tem o costume de dizer que as pessoas precisam sofrer mais. Traduzindo: elas precisam desafiar as próprias expectativas. Quando você força o corpo (ou a mente) além do que acreditava ser seu limite, seu padrão de referência para coisas ruins muda. Você cria um novo conjunto de padrões e os problemas do dia-a-dia assumem uma nova proporção — eles se tornam insignificantes. Meu dia pode ter sido estressante, mas nada parece tão ruim depois de três séries na hack machine com carga de 50kg. (Só falto morrer). Agora, imagine uma pessoa que sempre conseguiu o que quis sem muito esforço, alguém que não precisou lidar com obstáculos. Os pequenos problemas do dia-a-dia se tornarão monstros inomináveis, enquanto, para você, eles são o equivalente a insetos zumbindo. Como disse Sêneca, "ninguém é destruído pela Sorte, exceto quando, primeiro, são enganados por ela". @estoicismo | texto por Sabrina A. (2017)
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#258 — Nós não somos Estóicos "Primeiro pratique não contar as pessoas quem você é — mantenha sua filosofia para você por um tempo. Da mesma maneira que uma fruta é produzida — a semente é enterrada em uma estação, escondida, crescendo gradualmente de forma a chegar à maturidade. Mas se os grãos brotarem antes que o caule esteja completamente desenvolvido, jamais serão colhidos… Este é o tipo de planta que você é, apresente o fruto cedo demais e o inverno o matará." — Epictetus Em A Lógica do Cisne Negro, Nassim Taleb fala da Antibiblioteca de Umberto Eco. Os visitantes do signore Eco podiam ser divididos em dois grupos: 1. O grupo que, ao ver a biblioteca, perguntava: “Uau, professore dottore Eco, que biblioteca o senhor tem! Quantos desses livros o senhor já leu?”. 2. O outro grupo entendia que a biblioteca particular não é um apêndice para elevar o ego, e sim uma ferramenta de pesquisa. Afirmar que somos estóicos porque gostamos das ideias, brincar com livros de retórica complexa, ou possuir uma biblioteca intimidante que de nada serve é como ter um jardim com intuito de impressionar os vizinhos — o propósito oposto ao da biblioteca de signore Eco. A biblioteca de Umberto Eco não era uma propriedade pessoal com intuito de impressionar as pessoas, da mesma forma que Eco não escrevia para parecer inteligente. Ele entendia que filosofia (no caso, a semiótica) precisava ser estudada, compreendida e aplicada e, para isso, ele também precisava dessa biblioteca extensa. As raízes da filosofia levam tempo para se espalhar e dependem da prática, não de apenas conhecer a teoria e acumular livros. Livros são uma ferramenta, mas por si só não são o bastante. Entender isso é começar a criar um jardim cujos frutos têm utilidade, ao invés de ser apenas decoração. Aplicação pessoal Você não é uma pessoa estóica. Eu não sou uma pessoa estóica. Ainda estamos no processo vegetativo. Mas, neste momento, posso parecer hipócrita. Você pode afirmar que estou indo contra as palavras de Epictetus. Em minha defesa, escrever é uma forma de refletir sobre o que aprendi. Da mesma forma que Meditações era um exercício espiritual de Marco Aurélio para ele mesmo, meus textos tendem a ser uma reflexão pessoal, uma tentativa de transpor o que li em algo mais prático — lembretes que poderei usar nos momentos que sair do caminho. (Poderia escrever e não publicar, mas ao tornar os textos públicos, sou obrigada a continuar a escrevê-los). É uma das formas que tenho para cuidar das sementes. Mas fazer uso daquilo que escrevo sempre será mais eficaz que escrever. No seu caso, fazer uso daquilo que lê, ou encontrar sua forma de aplicar. Filosofia não é uma roupa que você coloca ou um discurso que profere quando for conveniente. Utilizando as palavras de Sêneca para resumir as de Epictetus: filosofia é para agir, não para falar. @estoicismo | texto por Sabrina A. (2017)
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#257 — Peça por aquilo que está em seu poder "Ou os deuses existem ou eles não existem. Se eles não existem, por que rezar? Se existem, por que não rezar por algo diferente do que coisas acontecerem ou não? Reze para não sentir medo. Ou desejo, ou tristeza. Se os deuses podem fazer algo, eles podem fazer isso por nós." — Marco Aurélio Se você deseja que algo aconteça (ou não aconteça), o ato de pedir por isso a uma entidade invisível é uma prece. Ou seja, rezamos bem mais do que achamos. Nesses momentos, quando estamos sozinhos e pedimos por algo, revelamos quão egoístas e preguiçosos realmente somos. Esperamos que uma entidade superior provoque uma intervenção divina e resolva nossos problemas. Que ela forneça os números da Mega Sena para não termos que juntar o dinheiro nós mesmos. Que ela faça aquela pessoa vir a nós, ao invés de ter coragem e abordá-la (correndo o risco de sermos rejeitados). Em raros momentos pedimos por coragem para agir, força para suportar algo ruim, sabedoria para não escolhermos mal ou senso de justiça para sabermos como lidar com os outros — as próprias características que deveríamos desenvolver sem ajuda divina. Não é melhor pedir por algo que nós mesmos podemos desenvolver? Caso os deuses não existam, temos como resolver a situação. Se existem, eles não terão problemas em reforçar nossas virtudes. Aplicação pessoal Bruce Lee uma vez disse, "não peça por uma vida fácil, peça pela força para suportar uma difícil". As palavras de Bruce Lee são uma releitura das palavras de Marco Aurélio. Se existe um plano divino, então tudo acontece como deveria — de forma a nos ensinar alguma coisa. Se não existe, tudo é fruto do acaso. Em ambos os casos, não importa quão intensa seja nossa prece, as coisas irão acontecer como devem. Ao invés pedir para que as coisas sejam diferentes (viagem no tempo ainda não é possível), devemos nos perguntar: o que é necessário para conduzir a situação sem grandes problemas? A resposta dessa pergunta é o que devemos pedir que nos seja concedido. Se um dos seus melhores amigos se suicidar, não peça aos céus para que seja mentira ou recrimine os deuses pelo que houve. Peça por auto-controle e capacidade para suportar a realidade. Se você perder seu dinheiro, não peça para que o número da Mega Sena apareça em sonhos. Peça por discernimento e sabedoria para que esse erro não seja repetido. Desenvolva clareza e procure por aquilo que está em seu poder. Talvez suas preces já tenham sido atendidas. @estoicismo | texto por Sabrina A. (2017)
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#256 — Como se proteger do medo "Não, são os eventos que provocam medo — quando outro tem poder sobre eles ou pode preveni-los, essa pessoa se torna capaz de inspirar o medo. Como a fortaleza é destruída? Não por ferro ou fogo, mas por julgamentos… Aqui é onde devemos começar e a partir daqui devemos aproveitar a fortaleza e depor os tiranos." — Epictetus Os estóicos possuem um conceito chamado de Cidadela Interior. Na sua concepção, essa fortaleza é o que protege a alma. Podemos estar fisicamente vulneráveis ou à mercê do destino, mas nosso interior permanece impenetrável. Pense em James Stockdale preso no Vietnã por quase 8 anos e sendo capaz de manter a sanidade. Contudo, todo sistema é tão forte quanto seu elemento mais fraco. Neste caso, vamos assumir que, se existe uma fortaleza inexpugnável, alguém habita esta fortaleza. Nenhuma defesa será útil se uma entidade de caráter questionável resolver abrir os portões. Entregar-se ao medo (ou à raiva) provoca a abertura dos portões para outras emoções e impressões negativas. Você tem uma fortaleza a defender, não deixe qualquer um que bater à porta entrar. Nem todas as impressões são verdadeiras. Aplicação pessoal Um dos pontos principais do estoicismo é aprender a diferença entre aquilo que está na nossa esfera de controle e aquilo que não está. Cientificamente falando, esse princípio também ajuda a controlar o medo. Quando nos sentimos no controle, ficamos menos propensos a nos apavorar. Por essa razão, algumas pessoas perderam a cabeça com o surto de Ebola, mas continuaram a não usar cinto de segurança — mesmo que a chance de morrer em um acidente de carro seja maior à de morrer por causa de Ebola. Felizmente sempre temos oportunidade de exercer controle. Se não temos como controlar ou influenciar o evento, podemos controlar nossa percepção sobre ele. Mesmo que algo pareça, inicialmente, aterrorizante, podemos escolher analisá-lo racionalmente ao invés de se deixar levar pela primeira impressão. Voltamos ao velho: pare, respire e não adicione juízo de valor. Analise os fatos pelo que eles são, não pelo que eles parecem. @estoicismo | texto por Sabrina A. (2017)
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#255 —Como não ser um idiota arrogante "Zenão sempre dizia que nada é mais inconveniente do que arrogância, especialmente com os jovens." — Diógenes Isócrates escreveu uma carta para Demonicus de forma a orientar o jovem que havia perdido o pai. Em um trecho da carta, ele diz: Seja amável em suas relações com aqueles que se aproximarem de você e jamais altivo; porque o orgulho do arrogante nem mesmo os escravos conseguem tolerar. Na arte, um tema comum é o pirralho mimado e super confiante que precisa aprender algumas lições com um mestre sábio. É um cliché porque é um fato. As pessoas tendem a colocar o carro na frente dos bois acreditando que possuem todas as respostas. Até o momento em que sofrem uma queda assustadora — cuja origem tende a ser sua própria arrogância ou o mestre sábio que precisa forçar algum conhecimento. Isócrates advertiu Demonicus sobre esse comportamento, sobre acreditar em excesso e supervalorizar a própria capacidade. Demonicus pode ter seguido, ou não, o conselho do amigo de seu pai. Você tem a mesma escolha. Aplicação pessoal D'Artagnan se enquadra perfeitamente na definição de pivete insuportável. Sua arrogância o levou a ser ridicularizado, espancado e ter sua carta de recomendação roubada. Mas não foi o suficiente para ele deixar de ser babaca. A personagem de Dumàs fez uma escolha. Você pode escolher algo diferente. Ralph Waldo Emerson uma vez disse: "todo homem que conheci, em algum momento, foi meu mestre". E Sócrates afirmou: "só sei que nada sei". Se essas duas afirmações fossem mantidas em mente, a bolha do ego jamais seria inflada — logo, não precisaria ser estourada e, consequentemente, ninguém precisaria passar vergonha. Você não têm todas as respostas (nem eu, nem Sócrates, nem Emerson) e alguém sempre saberá mais do que você. Aceitar isso significa eliminar o excesso de confiança — o que lhe tornará uma pessoa mais simpática e com pés no chão. Em outras palavras: seja realista e você não terá tantas surpresas desagradáveis. @estoicismo | texto por Sabrina A. (2017)
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#254 — Com o que “menos” se parece? “Nos acostumemos a jantar sem as multidões, a ser um escravo de poucos escravos, a adquirir roupas pelo seu propósito real e a viver em acomodações mais modestas.” — Sêneca Em 41 DC, Sêneca foi exilado para a Córsega. Como consequência foi desprovido do seu título e das suas posses, vivendo em condições precárias até ser chamado de volta a Roma. Apesar das dificuldades da situação e alguns momentos de desespero, Sêneca suportou seu exílio com a conhecida resiliência estóica. Não corremos o risco de sermos exilados como Sêneca, mas em qualquer momento podemos encontrar uma situação que nos forçará a ter menos. Menos dinheiro, menos liberdade, menos reconhecimento, menos recursos, menos acesso, menos oportunidades. A própria idade também irá impor suas limitações — menos energia, menos mobilidade. Uma forma de se proteger das oscilações do destino é viver dentro das suas possibilidades agora. Você pode viver com menos do que acredita ser necessário. Aplicação pessoal Por que pessoas com salários altos continuam se afogando em dívidas? Enquanto isso, existem outros como Mr. e Mrs. Money Mustache que, em apenas 9 anos de trabalho, juntaram dinheiro suficiente para se aposentar. Os dois grupos (endividados e Mustachians) têm acesso aos mesmos recursos, ao mesmo conhecimento e poderiam ter uma condição financeira similar. Por que, então, configuram extremos de um mesmo espectro? Porque um desses grupos não aprendeu a viver dentro das próprias possibilidades. Foram ensinados que devem viver acima delas. Enquanto isso, Mustachians vivem abaixo das possibilidades — eles não fazem sacrifícios, apenas escolhas conscientes. Se você decidisse viver com menos do que acha que precisa, como seu dia seria? Talvez abdicasse de um pouco de conforto. Fora isso, tudo seria praticamente igual. Faça o teste: por um mês, tente viver com no máximo 60% de tudo o que receber. (Pense na possibilidade de se aposentar mais cedo). O choque inicial rapidamente dará lugar à sensação de normalidade. @estoicismo | texto por Sabrina A. (2017)
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#253 — Praticando o infortúnio (Roubando o poder das adversidades) "Aqui está uma lição para testar sua mente: defina uma semana na qual você terá apenas a comida mais barata, se vestirá com roupas grossas e ásperas e se perguntará se era isso o que você temia. Quando os tempos são bons você deveria se preparar para os momentos difíceis que virão porque quando a Sorte é gentil, a alma pode construir defesas contra a devastação. Por isso os soldados praticam as manobras de batalha durante os tempos de paz, erguem defesas quando não existe inimigo à vista e se exaurem enquanto nenhum ataque existe. Quando o inimigo vier, eles não se cansarão." — Sêneca O que aconteceria se você passasse um mês vivendo os efeitos da pobreza, fome, solidão ou qualquer outro tipo de medo? Primeiro, um choque. Depois, a sensação de normalidade. Seguindo o conselho de Sêneca, durante alguns dias, Tim Ferriss decide abandonar todo o luxo e vive atendendo apenas as necessidades básicas. Mas por que alguém como Tim Ferriss iria se sujeitar a isso? Nas próprias palavras de Sêneca, "Se você deseja que um homem não trema perante a crise, treine-o antes que ela chegue." Ferriss não pode contar com a boa sorte para sempre. Existe a possibilidade dele fazer um mau investimento, de magicamente seus livros pararem de vender, dele se tornar incapaz de continuar seu podcast e outros programas. Por isso ele decide sofrer voluntariamente por alguns dias, para compreender que aquilo que ele teme não é o fim do mundo e para desenvolver as habilidades necessárias caso o mau momento venha. Aplicação pessoal Durante alguns dias a cada dois ou três meses, Sêneca incentiva o sofrimento voluntário. Durma no chão. Use transporte público. Tome banhos frios. Saia sem o celular. Alimente-se apenas com grãos. Abdique de alguma refeição diária. Lave suas roupas na mão. Abdique do secador/da chapinha. Não use maquiagem. Não vá a restaurantes. Não assista TV. Use internet apenas em locais públicos que possuam wi-fi. Não use ar-condicionado. Vista-se com roupas simples. Limite o dinheiro que tem para gastar. Existem centenas de coisas que você pode praticar, centenas de problemas que você pode resolver antecipadamente. Nos acostumamos à sorte da mesma forma que podemos nos acostumar à má sorte. E quando nos preparamos para a adversidade, roubamos seu poder de nos machucar. @estoicismo | texto por Sabrina A. (2017)
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#252 — Nada a temer, exceto o medo "Mas não existe nenhuma razão para viver e nenhum limite para nossas misérias se deixarmos nossos medos predominarem." — Sêneca "Nada a temer, exceto o medo" parece uma frase saída de biscoito da sorte, mas fez parte de um discurso de Franklin D. Roosevelt: "Deixe-me afirmar minha crença que a única coisa que devemos temer é o próprio medo — sem nome, sem razão, terror injustificado que paralisa os esforços necessários para converter retrocesso em avanço." Os estóicos sabiam que o medo era o que deveria ser temido. Marco Aurélio afirmou que os efeitos da raiva e da agressividade são piores do que as emoções em si e o mesmo vale para o temor. Aquilo que tememos é algo ínfimo perto dos efeitos colaterais que o próprio medo cria. Uma situação difícil não é aliviada pelo medo, ela apenas se torna mais difícil. Medo, assim como ansiedade, é uma reação natural. Em ambos os casos, resistir e rejeitar tornará tudo pior, assim como se deixar dominar. Aplicação pessoal Em A Lógica do Cisne Negro, Nassim Taleb conta sobre a maior baixa que o mercado de ações sofreu na história (isso em 1987). Ele relata como viu adultos soluçando e pessoas nervosas na cidade sem entender o que estava acontecendo. Um primo seu telefonou para informar que o vizinho do andar de cima, Jimmy P., se suicidou jogando-se da janela do apartamento. A queda do mercado de ações é algo ruim, mas o descontrole e o medo que deram origem ao pânico que jogou a população no caos é muito pior. Perder todo o dinheiro é algo desesperador, mas se jogar da varanda não é um efeito colateral pior do que tentar reconstruir o patrimônio? Jimmy P. talvez ainda estivesse vivo hoje se, ao invés de se apavorar e aceitar a janela como a única solução, ele tivesse refletido sobre como entrar em desespero não ajudaria na hora de recuperar o que perdeu. Reconheça o problema e suas implicações, mas não deixe o medo decidir por você. @estoicismo | texto por Sabrina A. (2017)
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#251 — Não confie na sorte (Como treinar para os momentos de adversidade) "Ninguém é destruído pela Sorte, exceto quando, primeiro, são enganados por ela… aqueles que não são pomposos nos bons momentos não têm suas bolhas estouradas com a mudança. Contra todas as circunstâncias, uma pessoa estável mantém sua alma racional invencível, porque é precisamente nos bons tempos que ela prova sua força contra a adversidade." — Sêneca No ano 41, Sêneca foi exilado de Roma. Não se sabe exatamente o porquê, existem apenas rumores sobre um possível caso dele com a irmã do imperador. Ele era um homem bem sucedido, com uma excelente posição na sociedade romana. Até o momento em que tudo isso lhe foi tirado. Ele foi mandado para a ilha de Córsega onde viveu em privação por anos. Durante seu exílio, os instintos de Sêneca o fizeram escrever uma carta para sua mãe, Hélvia, conhecida como De Consolatione ad Helviam Matrem. Uma carta com intenção de confortá-la, ao invés de ressaltar sua própria miséria. Apesar de, em algumas cartas, ele implorar para retornar a Roma (pedido que foi atendido pela mãe de Nero), de modo geral ele lidou bem com seu exílio. A filosofia que ele estudou por tantos anos mostrou sua utilidade frente à adversidade e lhe deu determinação e paciência, além de guiar a própria mãe durante o sofrimento. Quando finalmente recuperou sua posição em Roma, a mesma filosofia o impediu de considerar a sorte como certa. O impediu de se tornar dependente dela. Quando a sorte fornece favores, eles não devem ser considerados como eternos. Nestes momentos devemos nos preparar para quando ela nos abandonar. Aplicação pessoal Na carta Sobre Festivais e Jejum, Sêneca sugere um exercício ao seu amigo Lucílio: Eu estou firmemente determinado, contudo, a testar a constância da sua mente que, inspirado pelos ensinamentos de grandes homens, eu lhe darei, também, uma lição: defina uma quantidade de dias na qual você se tornará contente com as coisas mais baratas, com roupas grossas e ásperas, e dirá para si enquanto isso: "Esta era a condição que eu temia?" Quando as coisas acontecem de forma favorável, nos acostumamos às vantagens que temos e as consideramos como certas. Até o momento que a sorte as leva embora. Infelizmente, nesse momento, já nos tornamos dependentes daquilo que possuíamos. O exercício que Sêneca sugere a Lucílio serve especificamente para evitar esse tipo de dependência. O que você considera como certo em sua vida? Durante alguns dias, abdique disso e se pergunte se essa perda é realmente tão assustadora quanto parecia na sua mente. Durma em um saco de dormir no chão da sala. Use roupas mais simples do que as que você usa diariamente. Adore o transporte público ao invés do seu carro. Como disse Sêneca, quando nos preparamos para a adversidade, roubamos seu poder de nos machucar. Aproveite a sorte, mas não dependa dela. Ela é tão volátil quanto temperamento de pré-adolescente. @estoicismo | texto por Sabrina A. (2017)
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#250 — O poder oculto "Considere quem você é. Acima de tudo, um ser humano, carregando nenhum poder superior à nossa capacidade de raciocinar, que rege todas as outras coisas e é livre de qualquer mestre." — Epictetus Durante a Segunda Guerra Mundial, o psicólogo Viktor Frankl passou três anos preso nos campos de concentração, incluindo Auschwitz. Durante esse período, sua família foi assassinada, seu trabalho destruído, sua liberdade revogada. Literalmente, ele não tinha nada — exceto a capacidade de decidir o que esse sofrimento significaria. Nem mesmo os nazistas poderiam tirar isso. Frankl percebeu que poderia encontrar alguma coisa positiva nessa situação. Era uma oportunidade de continuar a testar e explorar suas teorias psicológicas. Ele ainda poderia servir aos outros, mesmo encarcerado. Viktor Frankl acessou uma habilidade oculta existente em todo ser humano: a capacidade de raciocinar e fazer escolhas, não importa quão pequena ou limitada. Aplicação pessoal Todos nós temos obrigações. Algumas causam um peso terrível nos nossos ombros, outras são difíceis de levar adiante e parecem tarefas hercúleas. Não se sinta especial achando que seus problemas são únicos. Na verdade, boa parte dos seus problemas não são problemas. É somente sua preguiça falando mais alto e você pode deixá-la de lado. Você tem escolhas disponíveis em todos os momentos. Mesmo que seja apenas a de perceber o evento de forma diferente — não como um monstro saído da ficção de Lovecraft, mas algo que, se você dedicar o tempo necessário e não criar problemas, rapidamente vai ser finalizado. Você pode escolher ver qualquer situação como quiser, seja de forma positiva ou negativa. Ninguém pôde impedir Viktor Frankl e ninguém pode impedir você. (Mas, por favor, faça a escolha certa.) @estoicismo | texto por Sabrina A. (2017)
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#249 — Ninguém pode lhe impedir de escolher "Você pode acorrentar minha perna, mas nem mesmo Zeus pode me impedir de escolher." — Epictetus James Stockdale, ao se tornar prisioneiro no Vietnã, foi acorrentado pelas pernas e teve seus braços amarrados atrás das costas (que eram repetidamente puxados por uma corrente presa ao teto). O senador John McCain esteve na mesma prisão que Stockdale, sujeito aos mesmos maus tratos. Durante seu período como prisioneiro, os captores ofereceram liberdade a McCain por causa da fama do seu pai. McCain negou. Apesar da dor insuportável fruto da tortura contínua, ele preferiu permanecer preso a voltar aos EUA. McCain permaneceu no Vietnã porque ninguém poderia mudar seus princípios. Ninguém tem o poder de mudar quem McCain é (ou Stockdale ou Epictetus). Ele escolheu não abandonar seus companheiros. Fim. Não importa a tortura ou a crueldade que alguém inflija contra você. Nada disso pode remover seu poder de escolha. Aplicação pessoal Stephen Hawking é um físico teórico e cosmólogo, e vive confinado a uma cadeira de rodas por sofrer de esclerose lateral amiotrófica. Sua doença, contudo, não o impediu de se tornar um dos mais aclamados cientistas da atualidade. Hawking é um dos melhores exemplos do que Epictetus afirmou: acorrente o corpo, mas nada pode remover o poder de escolha. O controle que todo ser racional tem sobre a própria mente. Ninguém pode lhe impedir de escolher. Ninguém pode lhe forçar a agir contra o que acredita. Ninguém pode mudar quem você é, apenas você. @estoicismo | texto por Sabrina A. (2017)
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#248 — Foque naquilo que é seu "Lembre-se, então, se você considerar livre o que por natureza é servil e possuir o que não é seu para possuir, você será algemado e miserável, culpando tanto os deuses quanto as pessoas. Mas se você considerar como seu apenas o que lhe cabe e o que pertence aos outros como não sendo seu, então ninguém jamais terá o poder de lhe coagir ou lhe parar, você não encontrará alguém para acusar ou culpar, não fará coisa alguma contra sua vontade, não terá inimigos, ninguém irá lhe ferir porque nenhum mal poderá lhe afetar." — Epictetus Depois que o avião do Capitão James Stockdale foi derrubado no Vietnã, ele suportou sete anos e meio de tortura em várias prisões. Ao ejetar do avião, enquanto observava o chão se aproximar, Stockdale disse a si mesmo: "estou saindo do mundo da tecnologia e entrando no mundo de Epictetus". Ele não afirmou isso de forma leviana. Stockdale sabia que não seria fácil sobreviver. Em busca de um alicerce para aguentar o tempo que viria, ele se voltou para um único conceito: controle aquilo que você pode e deixe o resto acontecer. Anos depois, quando foi entrevistado por Jim Collins, Stockdale afirmou que aqueles que sofreram mais foram os otimistas, aqueles que diziam "sairemos no Natal", então o Natal chegava e ia e continuavam presos. Os otimistas esperavam algo que não podiam controlar. Morreram encarcerados e com o coração partido. Stockdale voltou-se para a única coisa que podia controlar — ele mesmo. E sobreviveu para relatar o que houve. Aplicação pessoal A maior parte das nossas frustrações ocorre porque criamos expectativas sobre coisas que não podemos controlar. Você não controla o resultado da prova. O professor que atribui a nota. Você só pode se preparar. Mesmo estudando e praticando por horas, sua nota ainda pode ser ruim. Sua entrevista pode ter sido excelente e seu currículo pode ser perfeito para o cargo. Mas o entrevistador/gerente que decide se você se enquadra ou não no perfil que desejam. Isso significa que todo o esforço é inútil? Pelo contrário. Você pode controlar o esforço que emprega em tudo o que faz. O resultado não lhe cabe, mas é sua obrigação agir com diligência — seja em uma prisão no Vietnã ou na sua casa. Seja como Stockdale: foque no que você pode controlar. Mesmo que esteja algemado(a), você ainda tem poder de escolher como reagir. Não jogue isso fora se entregando a sentimentos ruins. No fim, a capacidade de não se entregar ao desespero é o que fará você se destacar de todo o resto. @estoicismo | texto por Sabrina A. (2017)
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#247 — Como descobrir os próprios limites "Eu lhe considero desafortunado porque você nunca viveu um infortúnio. Você passou pela vida sem um oponente — ninguém pode saber do que você é capaz, nem mesmo você." — Sêneca "Eu não mudaria nada." "Foi uma das melhores coisas que me aconteceu." Pode ser absurdo alguém dizer isso sobre um dos piores momentos da própria vida. Essas afirmações, contudo, não são raras. Esses períodos foram experiências formativas, eles transformaram as pessoas no que elas são hoje. Apesar de sofrimentos e infortúnios serem evitados como uma praga, eles são a única forma de descobrirmos a nossa capacidade e nossos limites. Quando o infortúnio é uma escolha ou quando ultrapassamos o problema, como disse Nietzsche, "o que não me mata, me fortalece". Se tudo parecer à beira do colapso ou sua sorte se tornar desfavorável, não se preocupe. Talvez essa situação seja a experiência formativa pela qual você será grato(a) depois. Aplicação pessoal O psiquiatra Viktor Frankl foi prisioneiro em campos de concentração durante a Segunda Guerra Mundial. Esse período foi o catalisador para que, anos depois, ele pudesse montar as bases da logoterapia. Todo ano eventos como a Spartan Race e a Death Race são realizados no mundo inteiro. São corridas que fariam alguém chorar de desespero nos primeiros quilômetros. E milhares de pessoas se inscrevem para participar. Frankl não teve escolha, ele foi preso e mantido cativo. Os participantes das corridas fizeram uma escolha. Em ambos os casos, o sofrimento mostrou os limites percebidos e os verdadeiros limites. E segundo um capitão da United States Navy SEALs, nosso limite percebido não chega nem mesmo a 50% da verdadeira capacidade. Se acordar e levantar é o pior obstáculo do seu dia, esse é o nível de dificuldade que você está preparado(a) para sobreviver. Não é à toa que tudo parece tão difícil. Sofrimento não deve ser evitado — mas não seja idiota ao ponto de se propor a coisas absurdas. Dica: faça algumas dezenas de burpees toda manhã, seu corpo não vai ficar feliz. @estoicismo | texto por Sabrina A. (2017)
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#246 — Na guerra ou na paz, continue treinando "Nós devemos nos submeter a um treinamento árduo no inverno e não nos apressarmos a fazer aquilo para o qual não nos preparamos." — Epictetus No passado, era comum os exércitos se desmembrarem ao final de uma guerra, quase como soldados de meio-período. Quando Epictetus disse "um treinamento árduo no inverno", ele usou a palavra grega cheimaskêsai. Cheimaskêsai indica que não existe algo de “meio-período”, seja no exército ou em qualquer outra atividade. Ele afirma que, para conseguir uma vitória, você precisa se dedicar integralmente. O tempo de preparação para o grande momento é tão importante (ou talvez mais) do que o grande momento. Hoje, você acha que um exército que só se reunisse em períodos de guerra conseguiria neutralizar o inimigo? Não. Por isso os soldados treinam durante os períodos de paz. E quando o momento decisivo chega, eles estão preparados. Não podemos passar pela vida como humanos de meio-período. Devemos nos preparar para o que a vida reservou. E quando o momento chegar, conseguiremos uma vitória. Aplicação pessoal A ideia de viver em treinamento (aprendendo) pode parecer árdua. Horas de exercícios, mentais ou físicos, que levam à exaustão. Mas aprender não se resume a absorver livros, praticar movimentos ou repetir um conceito até que o cérebro vire geléia. Aprender também engloba usar as percepções do dia-a-dia. Enquanto tem todos os amigos ao seu redor, aprecie o momento, mas lembre-se que esse pode ser o último dia com algum deles. Enquanto esse momento não chegar, você continuará a coletar memórias. Quando chegar, não terá arrependimentos. Apesar do choque e do vazio, lidar com o obstáculo será mais fácil do que se tivesse passado por todos os momentos de olhos vendados. É isto que Epictetus pede: dedique-se integralmente a tudo o que fizer, desde uma cerveja com os colegas de trabalho ao estudo para alguma prova. Quando um obstáculo surgir, superá-lo será mais fácil. @estoicismo | texto por Sabrina A. (2017)
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#245 — O que dói, fortalece "Homens, a escola de um filósofo é um hospital — você não deveria sair sentindo prazer, mas dor, porque não estão bem quando entram." — Epictetus Alguém que já passou por reabilitação física ou fisioterapia sabe que não se trata de uma sessão de massagem. Reabilitação não é algo legal. Ela dói. O profissional precisa estressar os pontos que necessitam de fortalecimento ou os músculos que atrofiaram. Em outras palavras: são horas com os dentes rangendo por causa da dor. A filosofia estóica é a mesma coisa. Ela pressiona os pontos em que temos menor resistência. Ela trata dos temas que evitamos todos os dias. Ela deve doer. Ela deve fazer você continuar, mesmo com o sofrimento. Caso contrário, você não está fortalecendo o que deveria. Mas lembre-se: isso significa que não basta apenas acreditar que você pode superar algo, você precisa efetivamente superar a adversidade. Aplicação pessoal O processo de cura não é algo fácil. Ele dói. Muito. É preciso pressionar, puxar, flexionar, esticar. Vai incomodar. Vai doer. Mas se não fizer, não haverá melhora. Eu sei porque sofri durante 8 meses, 8 horas por semana. Apesar de toda a dor, recuperei quase 100% dos meus movimentos. Resistência só pode ser desenvolvida quando algo dói. Você não deve fugir da dor, se esconder ou ignorá-la, mas lembrar-se que, se dói e você continua, isso está lhe fortalecendo de alguma forma — mesmo que a situação seja algo que você gostaria de evitar a todo custo. @estoicismo | texto por Sabrina A. (2017)
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