ESTOICISMO
Coleção de citações encontradas em meus estudos. estoicismo@protonmail.com
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کانال ESTOICISMO (@estoicismo) در بخش زبانی پرتغالی بازیگری فعال است. در حال حاضر جامعه شامل 10 370 مشترک است و جایگاه 2 372 را در دسته انگیزه و نقل قولها و رتبه 4 162 را در منطقه البرازيل دارد.
📊 شاخصهای مخاطب و پویایی
از زمان ایجاد در невідомо، پروژه رشد سریعی داشته و 10 370 مشترک جذب کرده است.
بر اساس آخرین دادهها در تاریخ 27 اوت, 2026، کانال فعالیت پایداری دارد. در ۳۰ روز گذشته تغییر اعضا برابر -18 و در ۲۴ ساعت گذشته برابر -2 بوده و همچنان دسترسی گستردهای حفظ شده است.
- وضعیت تأیید: تأیید نشده
- نرخ تعامل (ER): میانگین تعامل مخاطب 7.95% است و در ۲۴ ساعت نخست پس از انتشار، محتوا معمولاً 2.67% واکنش نسبت به کل مشترکان کسب میکند.
- دسترسی پستها: هر پست به طور میانگین 825 بازدید دریافت میکند. در اولین روز معمولاً 277 بازدید جمعآوری میشود.
- واکنشها و تعامل: مخاطبان بهطور فعال حمایت میکنند؛ میانگین واکنش به هر پست 32 است.
- علایق موضوعی: محتوا بر موضوعات کلیدی مانند marco, aplicação, aurélio, escolha, controle تمرکز دارد.
📝 توضیح و سیاست محتوایی
نویسنده این فضا را محل بیان دیدگاههای شخصی توصیف میکند:
“Coleção de citações encontradas em meus estudos.
estoicismo@protonmail.com”
به لطف بهروزرسانیهای پرتکرار (آخرین داده در تاریخ 28 اوت, 2026)، کانال همواره بهروز و دارای دسترسی بالاست. تحلیلها نشان میدهد مخاطبان بهطور فعال با محتوا تعامل دارند و آن را به نقطه اثرگذاری مهم در دسته انگیزه و نقل قولها تبدیل کردهاند.
در حال بارگیری داده...
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| 2 | #239 — Rir ou chorar (ou como diminuir o peso da vida)?
"Heráclito derramava lágrimas todas as vezes que fazia uma aparição pública, Demócrito ria. Uma via o todo como um desfile de misérias, o outro de tolices. E assim, nós devemos olhar as coisas de forma mais leve e suportá-las com um espírito tranquilo, porque é mais humano rir da vida do que lamentá-la."
— Sêneca
Os estoicos viam pouca utilidade em sentir irritação, raiva ou tristeza em relação a coisas que são indiferentes aos nossos sentimentos. Especialmente quando se trata de sentimentos que fazem com que fiquemos piores.
Pensar sobre a raiva traz mais raiva. Pensar sobre a tristeza traz mais tristeza. Pensar sobre o que lhe irritou traz mais irritação. Logo, nenhum desses pensamentos é útil.
Em vez disso, os estóicos escolhiam rir, mesmo que tudo estivesse dando errado. Eles escolhiam ver o lado mais leve da situação. A ironia, as possibilidades, a diversão.
Nós também podemos fazer a mesma escolha. É melhor olhar para a vida como uma tragicomédia do que como um filme de terror.
Aplicação pessoal
Eu tive um professor de Cálculo 1 que dizia: "Não sabe o que fazer? Senta e chora." Todos os alunos ficavam chocados e em desespero. Até que ele começava a rir, o pessoal percebia que era uma piada e relaxava.
Foi com esse professor que aprendi Cálculo 1. Apesar de gostar de chocar os alunos, ele transformava aqueles limites filhos da puta em alguma piada porque é mais simples fazer algo quando não existe pressão envolvida.
Faça a mesma escolha de Demócrito: escolha rir. Sempre podemos encontrar mais humor do que ódio em todas as situações. E pelo menos o humor é produtivo.
@estoicismo | texto por Sabrina A. (2017) | 347 |
| 3 | #238 — Em busca de naufrágios (ou como perceber o que é necessário)
"Fui vítima de um naufrágio antes mesmo de embarcar… A jornada me mostrou isto: quanto do que eu possuo é desnecessário e quão facilmente podemos escolher nos livrar de todas essas coisas sempre que for necessário, jamais sofrendo com a perda."
— Sêneca
Zenão, creditado como o fundador da escola estóica, era um comerciante antes de ser filósofo.
Em uma viagem, seu navio afundou e ele perdeu todos os seus bens. Então, foi parar em Atenas, onde entrou em uma livraria e conheceu a filosofia de Sócrates. Essa influência, assim como de outros filósofos, mudou sua vida de forma drástica, levando-o a criar sua própria escola.
Depois, quando perguntado sobre o naufrágio, ele respondia: "A sorte desejou que eu fosse um filósofo com menos coisas a carregar."
Às vezes precisamos de um naufrágio para perceber o que é ou não necessário e, talvez, encontrar um novo caminho. Se Zenão não tivesse perdido todos os seus bens, talvez ele jamais tivesse se voltado para a filosofia.
Não é à toa que a filosofia estóica inteira foi construída em cima da seguinte ideia: todo obstáculo cria um caminho.
Felizmente, Sêneca não precisou de um naufrágio para perceber o quanto ele possuía que não adicionava nenhum valor à sua vida.
Aplicação pessoal
Olhe ao seu redor, quantas coisas você possui e acha que são necessárias? Provavelmente a maioria. Mas se você perdesse tudo em um naufrágio, perceberia o contrário.
Não precisamos de algo tão drástico, podemos simular um naufrágio ao usar a técnica do Ryan Nicodemus, do blog The Minimalists, chamada de Packing Party.
Ryan embalou tudo o que possuía em casa como se fosse se mudar. Durante três semanas, quando ele precisava de algo, ele abria a caixa e retirava o item. Depois desse tempo, o que permaneceu embalado eram as coisas desnecessárias — cerca de 80% de tudo que possuía.
Você não precisa esperar os piores momentos para descobrir o que é importante ou não. Você só precisa criar uma condição para que possa analisar o que existe ao seu redor.
@estoicismo | texto por Sabrina A. (2017) | 436 |
| 4 | #237 — Respeite o passado, mas não se apegue
"Você não caminhará no mesmo caminho dos seus predecessores? Eu certamente irei seguir o caminho antigo, mas se eu encontrar um caminho menor e mais suave, criei uma nova trilha. Aqueles que foram os primeiros nesses caminhos não são nossos mestres, mas nossos guias. A verdade existe para todos, ela não foi monopolizada."
— Sêneca
Tradições costumam ser práticas que se mostram atemporais. Mas lembre que as ideias conservadoras de hoje foram inovadoras em algum momento. Um novo caminho que alguém começou a percorrer — e que talvez o levou à fogueira.
Sêneca poderia estar estudando outros conceitos filosóficos para melhorar os de Zenão. Talvez a psicologia encontre resultados que levem as ideias de Sêneca e Marco Aurélio adiante.
Ou talvez você faça uma descoberta (breakthrough) a respeito de si.
Se as ideias forem boas ou melhores, aceite-as e use-as. Não seja prisioneira(o) de ideias com alguns milhares de anos de idade.
Não tenha medo de experimentar até encontrar o que funciona — ou melhorar o que já existe.
Aplicação pessoal
James Altucher diz que em todas as manhãs ele escreve dez ideias diferentes em um caderno. Nos dias que não está criativo, ele escreve vinte (porque é mais fácil surgir com 20 ideias ruins do que 10 ideias boas).
Hoje ele pode escrever ideias sobre novos textos, amanhã sobre novas jogadas para testar no tabuleiro de xadrez, ou talvez sobre investimentos. Não importa, mas ele escreve pelo menos dez ideias por dia.
No tempo de Giordano Bruno, teólogo e frade dominicano condenado à morte por pensamentos como universo infinito e teoria da relatividade, experimentar com ideias (ou até mesmo expressá-las) era perigoso. Mas não hoje.
Então, o que lhe impede de experimentar com suas ideias? Talvez você encontre um caminho mais curto e com menos pedras.
@estoicismo | texto por Sabrina A. (2017) | 512 |
| 5 | #236 — Absorva o que funciona, não importa a origem (Esquecendo preconceitos em prol da sabedoria)
"Jamais ficarei envergonhado de citar um autor ruim se a frase for boa."
— Sêneca
Nas cartas de Sêneca, é comum encontrar referências a Epicuro ou citações. Esse fato não teria a menor importância se a filosofia estóica e a epicurista não fossem completamente diferentes.
Não importava se Epicuro dizia coisas completamente opostas ao que o estoicismo incentivava. Para Sêneca, o que importava era a sabedoria, fim. E mesmo em uma filosofia tão oposta ele poderia encontrar algo que funcionaria em sua vida.
Nas próprias palavras de Sêneca para Lucílio:
"'De Epicuro', dizes, 'é essa afirmação. O que tem uma outra escola a ver com a nossa?'
Tudo o que é verdadeiro também é meu."
Não importa de onde vem a sabedoria, o que importa é que ela deixe sua vida melhor.
Aplicação pessoal
Toda vez que menciono a Bíblia Satânica, escrita por Anton LaVey, minha mãe tem calafrios. Esse foi um dos livros que li por curiosidade e não esperava encontrar algo útil.
Esperava encontrar apenas rituais e cânticos bizarros no melhor estilo Lovecraft. Apesar de ter realmente uma parte dedicada a rituais (sem sacrifícios humanos, sem criaturas de outro mundo sendo invocadas, somente uma encenação para chocar as pessoas), a Bíblia Satânica tem vários conceitos e princípios importantes para viver bem.
Siga o conselho de Sêneca e as palavras de Bruce Lee: "absorva o que é útil, descarte o que não é, adicione o que é unicamente seu".
Esqueça afiliações e reputação, foque no que você pode absorver e aplicar.
@estoicismo | texto por Sabrina A. (2017) | 547 |
| 6 | #235 —Precisa fazer algo? Apele para seus interesses
"Portanto, explique por que um sábio não deveria ficar bêbado — não com palavras, mas com os fatos de sua feiúra e ofensividade. É mais fácil provar que os chamados prazeres, quando ultrapassam a medida adequada, são apenas castigos."
— Sêneca
Será que existe uma forma de persuadir as pessoas a fazer algo sem ter que passar um sermão ou falar em conceitos abstratos?
Os estóicos não dizem "não faça isso porque é um pecado". Eles dizem "não faça isso porque vai lhe deixar miserável". Eles não dizem "prazer não é algo bom", eles afirmam "prazeres sem fim vão lhe viciar e se tornarão sua própria punição".
Como disse Robert Greene em The 48 Laws of Power, "apele para o interesse próprio das pessoas, jamais para misericórdia ou gratidão". Para convencer alguém, não diga que algo é ruim ou mau, mostre os fatos.
"Se fizer isso, aquilo acontece" ao invés de "não faça isso, faz mal".
E para convencer você mesmo(a) a fazer (ou deixar de fazer) algo, faça o mesmo. Encare a realidade dos seus atos, não um conceito abstrato.
Aplicação pessoal
Desde maio meu ortopedista me pediu para continuar a reabilitação na academia. Adivinhe quem não foi nem mesmo ver os preços. Semana passada fui para outra consulta relativa à cirurgia e, novamente, ele pediu para continuar a reabilitação.
Só que dessa vez foi diferente. Ele apelou para o meu interesse: se não continuar o fortalecimento, não posso voltar a praticar artes marciais e não vou recuperar toda a flexibilidade que tinha. Já fechei um pacote anual.
Imagine os piores casos de continuar com seus hábitos (praemeditatio malorum). O que vai acontecer se você não mudar? Encare os fatos e me diga: vale a pena continuar assim?
@estoicismo | texto por Sabrina A. (2017) | 599 |
| 7 | #234 — Não se ocupe com o que não importa
"É essencial que você se lembre que a atenção que dá a algo tem que ser proporcional ao seu valor; você não ficará cansado e não desistirá se não se ocupar com as coisas pequenas além do necessário."
— Marco Aurélio
Pense em Marco Aurélio sentado na sua cadeira, sentindo o peso de um império nas costas. Pense também em Barack Obama enquanto era presidente dos EUA. Ou em Margaret Thatcher, ex-primeira ministra do Reino Unido.
Essas pessoas tinham que lidar com questões delicadas. Uma escolha errada e tudo poderia ir pelos ares (literalmente). Elas não podiam se ocupar com escolhas pequenas do dia-a-dia e negligenciar as grandes decisões.
A importância de algo cresce proporcionalmente ao tempo que dedicamos a ele. Se dedicamos muito tempo ao que não importa, quanto tempo sobre para o que importa? Praticamente nenhum. As pequenas coisas se tornam importantes e as grandes se tornam pequenas.
Você também tem coisas importantes com as quais se preocupar. Então garanta que está lhes dando o tempo necessário.
Aplicação pessoal
Em 1977, Richard Carlson publicou um livro chamado Don't Sweat the Small Stuff… and It's All Small Stuff. Tanto o livro quando Marco Aurélio dizem o seguinte: tempo não é um recurso renovável. Cada minuto perdido jamais poderá ser recuperado.
Você pode escolher não dar atenção ao que não importa. E quando você for obrigado(a) a fazer algo sem importância, não dedique mais tempo do que o necessário. Don't sweat the small stuff.
Eu mantenho uma planilha no AirTable com todas as atividades importantes que preciso cumprir na semana. As colunas são as atividades, as linhas são os dias. Se me dediquei a alguma delas em determinado dia, marco um checkbox. Essa contagem me dá uma boa ideia de como estou usando meu tempo — quanto mais células vazias mais me dediquei ao que não importa.
Todo minuto desperdiçado com algo não essencial é um minuto que você roubou de algo mais importante.
@estoicismo | texto por Sabrina A. (2017) | 645 |
| 8 | #233 — Não sofra antecipadamente
"É ruim para a alma ficar ansioso em relação ao futuro e miserável antes da miséria, engolido pela ansiedade que deseja que as coisas permaneçam suas até o fim. Porque uma alma dessas jamais poderá descansar — ao desejar as coisas que virão ela perde a habilidade de aproveitar as coisas no momento presente."
— Sêneca
Se pararmos para pensar, não faz muito sentido nos preocuparmos com um futuro traumático. Por definição, esperar implica que algo ainda não aconteceu. Se não aconteceu, por que se preocupar já que ainda não sabemos o resultado? O nosso sofrimento é praticamente voluntário.
Se tudo correr como esperado, o melhor caso vira realidade, mas antes sofremos por dias. Se tudo der errado, ficamos preocupados por mais tempo do que o necessário e, pior ainda, por escolha.
Uma pessoa pragmática, contudo, está muito ocupada com o presente para perder tempo imaginando desastres.
Deixe que as notícias (boas ou ruins) venham na hora delas. Você tem coisas mais importantes a fazer.
Aplicação pessoal
Sêneca pede que não percamos nosso tempo vivendo em um futuro que não aconteceu e pode não acontecer, diferentemente do praemeditatio malorum que antecipa o futuro para criar um plano de ação. E ele também não está dizendo para virarmos workaholics.
Dan Harris, no documentário Minimalism (disponível no Netflix), sugere algo que lembra as palavras de Sêneca. Ele fala sobre preocupação saudável, — angústia construtiva — e sobre a ruminação inútil — que nos deixa bem miseráveis.
Por exemplo, você precisa chegar no aeroporto na hora para não perder seu voo. As primeiras vezes que você se preocupa com a hora que o táxi vai chegar fazem sentido. Mas na décima sétima qual o propósito?
Para separar a angústia construtiva da ruminação inútil se pergunte: essa preocupação é útil? Se não for, procure algo mais interessante para fazer. Afinal, a ansiedade reside nas expectativas para o futuro, e se você está ocupado(a) com o presente, que tempo você tem para imaginar coisas ruins?
@estoicismo | texto por Sabrina A. (2017) | 622 |
| 9 | #232 — A única mudança que importa
"Internamente, devemos ser diferentes em cada aspecto, mas nosso exterior deve se misturar com a multidão."
— Sêneca
Quando falamos em filósofos, a imagem de uma pessoa vivendo isolada nas montanhas ou na floresta é o que vem à mente. Ou alguém que fica o dia inteiro andando em uma sala, se perguntando coisas como qual o sentido da vida e que não se preocupa com as regras sociais básicas.
Como disse Crow em Dreamfall The Longest Journey, a ideia de "abandonar todos, abandonar as responsabilidades e relacionamentos, e focar completamente na sua miséria pessoal" (ou nos dilemas da vida) é tentadora.
Mas qual a utilidade disso? Filosofia não depende de onde você está ou que roupa está vestindo porque a transformação mais importante que ela produz não é exterior, é interior.
O exterior é apenas uma superfície que podemos ajustar de acordo com a necessidade — seja nosso ambiente, nosso corte de cabelo ou nosso guarda-roupas.
Aplicação pessoal
Sêneca não quis dizer "junte-se ao rebanho". Suas palavras, na verdade, advertem em relação a se tornar um pária na sociedade — um chato completo com potencial que se nega a usá-los em prol de algo.
Sêneca vestia os trajes que sua posição demandava e cumpria seu dever, mesmo que fosse educar um jovem que viria a se tornar um tirano paranóico, enquanto mantinha os ideais estóicos em mente e buscava ser uma pessoa melhor.
Mantenha-se fiel aos seus valores e confie na sua mente racional enquanto assume qualquer papel que precise para cumprir com suas obrigações — misture-se à multidão no seu exterior. Afinal, como uma sociedade poderia funcionar se todo mundo se isolasse e se considerasse autossuficiente?
@estoicismo | texto por Sabrina A. (2017) | 667 |
| 10 | #231 — Se livrando do desnecessário
"O ditado diz se você deseja ter a mente em paz, se ocupe com pouco. Mas não seria melhor dizer faça o que você precisa, tal como é requerido de um ser racional criado para a vida pública? Porque isso não traz apenas a tranquilidade de ter poucas coisas a fazer, mas uma paz maior por fazê-las bem. Dado que a maioria das nossas palavras e ações são desnecessárias, se livrar delas criará uma abundância de lazer e tranquilidade. Como resultado, não devemos nos esquecer de perguntar a todo momento: isso é algo necessário? Contudo, não devemos nos livrar apenas das ações desnecessárias, mas também dos pensamentos, então, ações não surgirão através deles."
— Marco Aurélio
Os estóicos não eram monges que se esconderam nas montanhas para viver uma vida de solidão. Eles eram políticos, homens de negócio, soldados, artistas, imperadores, escravos, tutores de tiranos.
Eles praticavam a filosofia no meio de toda a ocupação do dia-a-dia. Seja em casa, enquanto lidavam com os filhos, ou no trabalho, quando tinham que governar um império e lidar com o Fórum romano.
A chave para essa clareza de pensamento residia em algo simples: eles removeram o não essencial de suas vidas — pessoas, coisas, compromissos e pensamentos. E uma vez que tinham pouco em que focar, tudo poderia ser feito com qualidade e dedicação.
Aplicação pessoal
Quando falo em minimalismo, tenho certeza que, na maioria das vezes, você pensa no ato de reduzir a quantidade de coisas que possui. Mas eu gostaria de propor outro tipo de minimalismo.
O que seu ego (ou ganância) tem lhe obrigado a fazer?
O que a má disciplina tem lhe feito fazer?
O que você precisa fazer porque disse "sim" sem necessidade, com medo de machucar alguém?
Quais objetivos sem sentido (ou que perderam o propósito) você definiu para este ano?
Corte tudo isso da sua agenda e arrume tempo para o que precisa ser feito. E depois aprecie todos os momentos de lazer que você acabou criando.
@estoicismo | texto por Sabrina A. (2017) | 712 |
| 11 | #230 — Só um idiota se apressa a fazer algo que não sabe
"Uma boa pessoa é invencível porque ela não se apressa a participar de uma competição onde não é forte. Se você quiser a propriedade de alguém, pegue-a — também leve os funcionários, a profissão e o corpo. Mas você jamais irá obrigá-los a fazer o que decidirem, nem prendê-los no que não desejam fazer. Porque a única competição que uma boa pessoa participa é a da própria escolha racional. Como tal pessoa não pode ser invencível?"
— Epictetus
Nas artes marciais chinesas, antes de começar qualquer disputa (ou antes mesmo de subir no tatame), os praticantes fecham o punho direito e o cobrem com a mão esquerda. A mão esquerda significa inteligência, enquanto a direita significa força.
Força não deve ser usada contra força. Jamais ataque seu oponente onde ele é mais forte. Não aceite uma batalha que você não pode ganhar.
Mas fazemos justamente o contrário. Dizemos "sim" para tudo o que aparece no caminho. Não pensamos direito sobre o que devemos fazer. Aceitamos ajudar com coisas que não somos capazes.
Algumas pessoas acham que escolher suas batalhas é um sinônimo de fraqueza, quando é um sinal de inteligência. Você não é idiota ao evitar se machucar sem motivo. Você não é idiota se decide diminuir as chances de perder (desde que seja um ato honesto).
Aplicação pessoal
Ontem, um colega me pediu para tentar fazer um projeto (pequeno) de processamento de linguagem natural (PLN) em Python. Aceitei, mas existe um problema: sei absolutamente nada de PLN.
Sou a idiota da história. Aceitei fazer por impulso e curiosidade, não por competência. Felizmente, não é uma situação que vá me trazer qualquer prejuízo mesmo que não consiga finalizar o projeto*. (Na verdade, neste caso específico, só me trará benefícios porque aprenderei algo útil).
Por mais interessante que algo pareça ser ou por mais benefícios que possa gerar, não se aventure naquilo que você não poderá dar conta. Isso não significa ser averso a riscos, significa ser racional.
Pense antes de escolher.
*Update: consegui terminar o projeto.
@estoicismo | texto por Sabrina A. (2017) | 799 |
| 12 | #229 — Como progredir na arte de viver
"Porque nada fora da minha razão pode me machucar ou atrasar — apenas minha própria razão pode fazê-lo. Se todas as vezes que falhássemos pensássemos isso, e culpássemos apenas a nós mesmos e lembrássemos que nada, apenas a opinião, é a causa de uma mente conturbada, então, por Deus, eu juro que estaríamos fazendo progresso."
— Epictetus
Os estoicos sempre reforçam o princípio que nada que existe no mundo externo é capaz de provocar algum mal a você. Como disse Marco Aurélio, "não se sinta ferido e você não foi".
O que provoca o mal é sua interpretação sobre o evento ou sobre a pessoa. Afinal, com exceção das virtudes e dos vícios, nada é intrinsecamente positivo ou negativo.
Se cada coisa que lhe acontece fosse processada pela sua razão, ao invés do seu impulso, me diga, quantos problemas você realmente teria? Nenhum, porque você veria que sua opinião causou o problema, não a realidade.
Aplicação pessoal
Hoje, tente viver sem culpar alguém ou alguma coisa.
Se uma empresa não responder seu email, admita que era uma opção possível e você não considerou.
Se alguém for rude, admita que sua sensibilidade fez com que você interpretasse as palavras dessa forma.
Se suas ações caírem demais e você perder dinheiro, admita que foi uma aposta ousada colocar tanto dinheiro em uma empresa que você não conhece bem.
Tente por um dia. Se não der, tente por uma hora. Se ainda for difícil, tente por 10 minutos. Qualquer minuto sem culpar alguém é um progresso na arte de viver.
@estoicismo | texto por Sabrina A. (2017) | 719 |
| 13 | #228 — Tudo pode ser uma vantagem
"Nós temos várias habilidades, presentes tanto em todos os seres racionais quanto na natureza da realidade. E esta é uma delas. Da mesma que a natureza pega todo obstáculo, todo impedimento e trabalha de forma a contorná-lo —o transforma em seu propósito, o incorpora — então, também, todos os seres racionais podem transformar todo obstáculo em um material e usá-lo a seu favor."
— Marco Aurélio
Bruce Lee tem uma excelente metáfora sobre adaptabilidade, dita pelo seu personagem Li Tsung em Longstreet:
“Esvazie sua mente. Não tenha forma, como a água. Ponha a água em uma taça, ela se torna a taça. Coloque-a em um bule, ela se torna o bule. A água pode correr, pingar ou esmagar. Seja como a água, meu amigo.
Como todo mundo, você procura aprender como vencer, mas nunca como perder — como aceitar a derrota. Aprender a morrer é se libertar da morte. Então, quando amanhã chegar, você precisa se livrar da sua mente ambiciosa e aprender a arte da morte.”
Se um rio encontra uma pedra no caminho, o que ele faz? Ele não tenta passar por cima ou forçar o caminho, ele aceita que não pode movê-la e corre ao redor. Essa mesma pedra pode virar uma vantagem: pode fazer com que o rio chegue a locais que antes não era capaz de acessar. A pedra se tornou parte do rio.
Se uma represa é construída, o que acontece? O rio não força a passagem, a água permanece calma e contida. Quando finalmente é liberada, ela pode correr com ainda mais velocidade.
Ser como a água é ser capaz de aceitar a derrota, não achar que forçar a vitória é o único caminho. É ser capaz de se moldar ao que acontecer — seja bom ou ruim.
Aplicação pessoal
Muggsy Bogues foi o jogador mais baixo na história do basquetebol americano. Ele foi subestimado e deixado de lado ao longo da sua carreira.
Mas alcançou o sucesso porque soube usar sua desvantagem a seu favor.
Por ser um jogador pequeno, ele era mais rápido e ágil que os outros. Ele conseguia roubar a bola facilmente de jogadores mais altos. Fora o fato de que ninguém achava que um baixinho podia ser útil no jogo — ninguém lhe dava crédito, o que lhe fornecia uma vantagem incrível.
Você pode fazer o mesmo que Muggsy porque você possui as mesmas habilidades que ele: de contornar os problemas, de transformá-los em uma vantagem.
Todos nós somos parte de logos — da razão universal, da natureza que controla tudo — e temos a mesma capacidade do rio.
@estoicismo | texto por Sabrina A. (2017) | 768 |
| 14 | #227 — A corte suprema da mente (ou como desenvolver um caráter invejável)
"Isto pode ser facilmente ensinado com poucas palavras: virtude é a única coisa boa; não existe um bem certo sem virtude; e a virtude reside na nossa parte mais nobre, a nossa parte racional. E o que essa virtude é? Julgamento firme e verdadeiro. Disso emergirá todo impulso mental e por isso toda a aparência que estimula nossos impulsos será tornada clara."
— Sêneca
Para os estóicos, não existe bem e mal, apenas os nossos julgamentos sobre o mundo. Mas existe algo que sempre será inegavelmente positivo: a virtude. Usando as palavras de Marco Aurélio para traduzir "virtude" em algo menos abrangente: honestidade, justiça, verdade, coragem e autocontrole.
Pense nas pessoas cujo caráter é invejável e parece marcado em pedra. Sempre confiáveis, sempre decididas. Sempre. Elas não são honestas por conveniência, elas são honestas por escolha (e consistência).
Em cada momento temos a oportunidade de fazer algo positivo ou negativo. Repetidamente escolher bem é o que diferencia alguém de caráter fraco de alguém que consideramos como exemplo. Não se deixe enganar pelo brilho de algo, confie no seu julgamento e faça o que achar correto.
Quando entregar suas decisões à parte mais nobre da sua mente (seu lado racional, guiado por logos), você exercitará as virtudes estóicas. E, no fim, se tornará a soma das suas ações.
Aplicação pessoal
Theodore Roosevelt é uma das pessoas mais reverenciadas na história dos Estados Unidos da América. Bravo, corajoso e difícil de derrubar. Mas a adoração a Roosevelt não surgiu por causa dessas características, surgiu porque elas se repetem em todas as histórias contadas sobre sua vida.
Quando era criança, Theodore sofria de asma. Para melhorar sua resistência pulmonar, ele começou a fazer exercícios em casa. Na juventude, tinha uma péssima constituição física, então começou a praticar boxe por sugestão do pai. Ao perder sua esposa e mãe no mesmo dia, decidiu criar gado — ao invés de se entregar à dor sem fim, ele seguiu em frente.
Também podemos nos tornar pessoas como as que admiramos, só precisamos fazer o que elas fizeram:
1. Ter clareza de julgamento (escolher a virtude e não o vício).
2. Ser consistentes com as boas escolhas.
@estoicismo | texto por Sabrina A. (2017) | 766 |
| 15 | #226 — Filosofia não é uma brincadeira (ou por que suas palavras não importam)
"Filosofia não é um truque ou algo feito para um show. Ela não está preocupada com palavras, mas com fatos. Não deve ser empregada para causar algum prazer antes do dia começar, ou para aliviar o nosso tempo livre. Ela modela e constrói a alma, dá ordem à vida, guia a ação, mostra o que deve ou não ser feito — ela corrige nosso curso quando vacilamos com a incerteza. Sem ela, ninguém poderia viver sem medo ou livre do cuidado. Incontáveis coisas acontecem todas as horas que requerem conselhos, e tal conselho é para ser buscado na filosofia."
— Sêneca
Poucos se consideramos filósofos. E muitos outros acreditam que filosofia não tem aplicação. Algo divertido para acadêmicos e desocupados — pessoas que querem impressionar os outros com uma lista extensa de nomes antigos.
Mas a filosofia não é para isso. Ela não é um brinquedo ou um jogo para ver quem lembra de mais nomes gregos e latinos.
A filosofia é um guia. Se você não tivesse valores e princípios, não seria capaz de definir o que é bom ou ruim, o que é certo ou errado, como agir e o que não fazer, o que é importante e o que é irrelevante.
A verdadeira filosofia fornece essas diretrizes, ao invés de uma retórica complicada para entediar alguém. E quando falamos dos estóicos, palavras se tornam ainda mais desnecessárias.
Lembre-se: filosofia não é uma forma de entreter alguém, é algo sério. É para ser usada. É para sua vida.
Aplicação pessoal
Existe uma história sobre Cato, o Velho (avô de Cato, o Jovem) e um filósofo cético chamado Carnéades.
Um dia, Cato andava pela ruas de Roma e viu Carnéades pregando poeticamente a favor da justiça No dia seguinte, Cato o encontrou argumentando contra a justiça. Então, Cato convenceu o Senado a mandar Carnéades de volta para Atenas porque ele estava corrompendo a sociedade romana. (Talvez isso tenha feito Carnéades começar a atacar o estoicismo.)
Na visão estóica, argumentar a favor de duas ideias contrárias é desperdício de tempo e energia. É uma técnica interessante para analisar as próprias hipóteses e verificar falhas no raciocínio, mas viver considerando esse preceito é desperdício, significa jamais ter uma ideia formada a respeito de algo e não ter um conjunto de valores sólidos para guiar as decisões.
Não importam suas palavras. O que importam são seus atos — e eles estão diretamente ligados à sua filosofia pessoal, portanto, não a trate como brincadeira.
@estoicismo | texto por Sabrina A. (2017) | 799 |
| 16 | #225 — Como diminuir os problemas
"Você suportou vários problemas, tudo porque não deixou sua razão fazer o trabalho para o qual foi feita. Pare com isso!"
— Marco Aurélio
Quantos dos seus medos se tornaram realidade?
Quantas vezes sua ansiedade fez com que você agisse de forma que viesse a se arrepender depois?
Quantas vezes você deixou a inveja, ganância ou frustração lhe desviarem do caminho
Quando essas situações acontecem, não parece que podemos fazer algo para evitar nosso descontrole. A verdade é que podemos. Basta solicitar um pouco da nossa razão antes de perdemos a compostura.
Ao invés de se entregar ao mundo (tanto externo quanto interno) sem pensar, solicite um pouco de colaboração da sua mente. Você verá que 90% das coisas não são relevantes o suficiente para que se perturbe com elas.
Aplicação pessoal
Ultimamente parece que um problema se empilha em cima do outro. No fim, tenho apenas vontade de me encolher em posição fetal e chorar (sendo sincera, às vezes faço isso). Felizmente, nesses momentos de desespero, minha razão tenta tomar o controle e diminuir o dano — nada como repetir algumas ideias por 225 dias para que elas comecem a se tornar naturais.
É difícil manter a calma quando o quarto começa a se fechar ao seu redor e o teto parece ruir? Obviamente. Mas quando os fatos são vistos à luz da razão, ao invés da luz das emoções, nada é tão terrivelmente trágico.
• Separe o importante do que não faz diferença. O que você valoriza? O que contribui para a situação? O que é irrelevante?
• Ponha as coisas em perspectiva. Isso afeta todas as áreas da sua vida, ou apenas uma parte? Isso é relevante ou você acha que é?
• Finja que está aconselhando uma amiga. O que você diria se ela estivesse na sua situação?
O resultado vale o esforço.
@estoicismo | texto por Sabrina A. (2017) | 863 |
| 17 | #224 —Se preocupe com o que funciona
"Muitas palavras foram ditas por Platão, Zenão, Crísipo, Posidônio, e por uma grande quantidade de estóicos igualmente excelentes. Eu lhe direi como as pessoas podem mostrar que as palavras são suas — ao colocá-las em prática."
— Sêneca
Marco Aurélio foi severamente acusado por acadêmicos de não ter sido original no que escreveu. E os estóicos foram acusados de serem repetitivos — os mesmos conceitos ditos por pessoas diferentes.
Mas dê uma olhada nos livros da sua estante, você acha que algum deles contêm algo original?
Todos eles possuem princípios antigos com um novo nome. Todos eles podem ser resumidos a algumas ideias centrais que foram escritas e rescritas durante milênios. Mas por quê?
Muito antes de Marco Aurélio, Sêneca entendia que havia uma troca e empréstimo de ideias entre os filósofos. Porque os verdadeiros filósofos não se importavam com autoria, eles não ligavam para a origem da ideia, apenas se ela funcionava ou não.
E se tantos livros (e tantas pessoas) repetem algumas poucas ideias, provavelmente elas funcionam.
Aplicação pessoal
O que eu lhe peço hoje é simples:
Pegue as ideias desses filósofos (não se preocupe, eles não ligam) e torne-as suas. Adapte, edite, modifique, melhore, transmita.
Em outras palavras: aplique-as e elas também se tornarão sua propriedade.
Se funcionam, por que deixá-las nas mãos de uns caras que já morreram há alguns milênios?
@estoicismo | texto por Sabrina A. (2017) | 911 |
| 18 | #223 — Não perca tempo teorizando
"Quando surgiu o problema sobre o que era melhor para ser virtuoso, se por hábito ou teoria— se por teria significa o que nos ensina a conduta correta e por hábito significa estar acostumado a agir de acordo com a teoria — , Musonius pensou que o hábito é mais efetivo."
— Musonius Rufus
Como disse Nassim Taleb em O Cisne Negro:
“Problemas lógicos abordados de uma maneira na sala de aula podem ser tratados se forma diferente na vida cotidiana. Na verdade, são tratados diferentemente na vida cotidiana.”
Felizmente, o estoicismo com seu pragmatismo não nos prende na análise de problemas lógicos. A proposta é sempre a ação — mesmo que seja aceitar o que aconteceu.
O que você pode fazer com o que tem, agora? O que você vai fazer: lidar com a situação à sua maneira ou continuar teorizando sobre como lidar com ela?
Aplicação pessoal
Na série Mistborn, Elend Venture estudou os grandes teóricos políticos e imaginou um mundo onde os nobres e os skaa (classe camponesa praticamente escrava) pudessem ter seus direitos defendidos e sua voz ouvida. Na teoria, tudo parecia perfeito. Na realidade, tudo deu errado. Elend aprendeu da pior maneira que nada funciona como dizem os livros.
O mundo real não é limpo, perfeito e sem incertezas. Ele é sujo, imperfeito, incerto. Existem mais coisas no céu e na terra, Horácio, disse Hamlet, do que são sonhadas na sua filosofia.
A melhor opção é colocar a teoria à prova porque não existe outra forma de saber o que funciona ou não. Se não funcionar, encontre outra. E se funcionar, você se acostumará a agir corretamente.
@estoicismo | texto por Sabrina A. (2017) | 911 |
| 19 | #222 — O inimigo da ação
"Não abandonamos nossas atividades porque nos desesperamos em aperfeiçoá-las."
— Epictetus
Distorções cognitivas, segundo os psicólogos, são padrões de pensamentos exagerados que têm um impacto destrutivo na vida do(a) paciente. Um dos mais comuns é o padrão "tudo ou nada".
"Se você não está comigo, então está contra mim."
"Não foi um sucesso total, então é um fracasso completo."
Esse tipo de pensamento está normalmente associado a doenças como depressão e frustrações. Afinal, como não poderia estar? Perfeccionismo raramente gera perfeição, apenas decepções, menos tolerância ao risco e à incerteza.
Diferentemente do perfeccionismo, o pragmatismo não tem margem para esse tipo de pensamento. Quando somos pragmáticos, aceitamos o que recebemos e agimos como podemos — jamais seremos perfeitos, somos humanos.
Nossa busca deve ser na direção do progresso, não importa quão pequeno.
E, convenhamos, um mundo perfeito seria absurdamente chato.
Aplicação pessoal
No Japão, quando uma peça de cerâmica se quebra, ela é consertada com ouro líquido. Essa prática se chama kintsugi (金継ぎ). Como uma filosofia, kintsugi trata a quebra e o reparo como parte da história de um objeto, não algo a ser escondido.
Enquanto isso, tentamos esconder as imperfeições dos nossos trabalhos.
Alguém pode querer justificar perfeccionismo como progresso. Mas progredir é ser um pouco melhor hoje quando comparado com ontem (um texto melhor do que o de ontem), perfeição é obcecar com detalhes (perder horas com um parágrafo).
Perfeição é tentar criar algo que não poderia ter sido feito por mãos humanas. E dado que somos humanos, nossas obras serão tão imperfeitas quanto nós. Aí que reside a beleza.
@estoicismo | texto por Sabrina A. (2017) | 932 |
| 20 | #221 — Foque nos fatos (Como reduzir o estresse)
"Não diga a si mesmo nada além do que a impressão inicial lhe informa. Alguém lhe insultou, por exemplo. Diga isso, mas não que isso lhe causou algum mal. O fato de que meu filho está doente — isso eu posso ver. Mas 'que ele pode morrer', não. Foque nas primeiras impressões. Não extrapole e nada poderá lhe causar mal."
— Marco Aurélio
Fomos ensinados que devemos ser pensadores críticos e nunca aceitar o que aconteceu sem refletir a respeito. Em certos momentos, essa abordagem é produtiva. Em outras, apenas causa problemas — especialmente quando é algo que pode nos afetar diretamente.
Nós não vemos o mundo como ele é, nós vemos o mundo como nós somos. E aí que reside boa parte do nosso estresse.
Uma das habilidades dos filósofos, como disse Nietzsche, é ser capaz de "parar corajosamente na superfície". Ver as coisas de forma objetiva, vê-las como elas são, não como imaginamos ou esperamos que elas deveriam ser. Não adicionar um valor ou atribuir uma crença a algo.
Quanto mais formos capazes de suprimir nossos julgamentos, nossas crenças sobre as coisas e nosso ego, menos teremos que sofrer.
Aplicação pessoal
Se você perder seu emprego agora, como você reagiria? Se você adora o que faz, vai se sentir derrotado(a). Se você odeia, verá como uma benção. Qual a diferença entre as duas situações? Apenas suas crenças.
Quando adicionamos um julgamento a algo — "isso aconteceu e é ruim" — , deixamos de ver o fato.
O que Marco Aurélio quis dizer é que as coisas são o que são. Elas acontecem — e é isso. O julgamento de valor é criado por nós e esse valor que devemos evitar em determinados momentos.
Pelos próximos dias, seja pragmático(a). Aceite a primeira impressão sobre os fatos, não julgue e você provavelmente vai se tornar uma pessoa menos estressada. (Exceto se vir uma pessoa armada no meio da noite, aí é melhor correr).
@estoicismo | texto por Sabrina A. (2017) | 835 |
