ESTOICISMO
Coleção de citações encontradas em meus estudos. estoicismo@protonmail.com
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Yuqori yangilanish chastotasi (oxirgi ma’lumot 22 Iyul, 2026 da olingan) sababli kanal doimo dolzarb va katta qamrovli bo‘lib qoladi. Analitika auditoriya kontent bilan faol hamkorlik qilishini, uni Yaratish & Iqtiboslar toifasidagi muhim ta’sir nuqtasiga aylantirishini ko‘rsatadi.
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| 2 | #202 — Você tem a opção de ser um idiota (Mesmo que isso não vá trazer algum benefício)
"Nada é nobre se é feito contra a vontade ou sob compulsão. Todo ato nobre é voluntário."
— Sêneca
Ninguém colocou uma arma na sua cabeça e lhe obrigou a ser uma boa pessoa. Você não precisa ser uma se não quiser. Sério, pode ir e ser um babaca, não tem problema.
Você sempre tem a opção de ser rude, egoísta, pedante, preconceituoso(a) ou estúpido(a).
Mas você também tem a opção de ser uma pessoa correta. Afinal, o que ser um idiota lhe traz de positivo? Uma massagem no ego ao ver os outros machucados ou inferiores a você?
Você não precisa fazer a coisa certa. Você não precisa fazer o seu trabalho. Você não precisa ser uma boa pessoa. Você tem toda a liberdade para escolher o que você quer ser.
Contudo, se você acredita ser uma boa pessoa, você fará o que tem que fazer não porque foi obrigado(a), mas porque sabe que é o que deve ser feito.
Só lhe resta escolher: que tipo de pessoa você será?
Aplicação pessoal
Não vou lhe contar sobre alguém para você meditar a respeito. Não vou dizer como você pode ser uma pessoa menos trouxa.
Apenas quero que você reflita sobre o seguinte:
"Meu único medo é fazer algo contrário à natureza humana — a coisa errada, do jeito errado ou no momento errado."
— Marco Aurélio
Você tem agido contra ou a favor da natureza humana? E como isso pesa na sua consciência?
@estoicismo | texto por Sabrina A. (2017) | 330 |
| 3 | #201 — Sobre a injustiça e a natureza humana (Como se tornar incorruptível)
"Injustiça é uma forma de blasfêmia. A natureza criou os seres racionais pelo bem um do outro: para ajudar — não machucar — uns aos outros. Transgredir seu desejo, então, é blasfemar contra o mais antigo dos deuses. E mentir também é blasfemar contra ele (…) porque natureza é sinônimo de Verdade — a origem de todas as coisas."
— Marco Aurélio
Não gostamos quando alguém passa na nossa frente em uma fila. Não gostamos de aproveitadores e parasitas. Aprovamos leis em prol dos necessitados. Pagamos nossos impostos.
Mas na primeira chance de quebrar as regras e sair ileso(a), nós aproveitamos.
Aos olhos dos outros, tentamos parecer honestos(as) e incorruptíveis. Quando não tem alguém para nos vigiar, fazemos coisas que não deveríamos — ninguém está vendo, por que se preocupar?
Ao agir assim, o que você é, então, um ser humano ou um rato?
Injusto não é apenas quem age contra os outros, mas também quem age contra si mesmo. Quem se engana. Quem se ilude para justificar atos recrimináveis.
Justiça faz parte da natureza humana. E ir contra ela é ir contra a própria natureza.
Aplicação pessoal
Há algumas semanas, achei uma carteira no meio da rua. Ela continha apenas o documento de reservista do dono e um recibo. Como não tinha um posto policial por perto, acabei deixando-a em uma agência dos Correios.
Ao entregar à atendente, ela me perguntou o conteúdo. Eu disse que só continha um documento e papel. Ela me olhou e perguntou: "tinha algum dinheiro dentro?". Respondi que não.
Acho que a dúvida dela é justificável. Quantas pessoas são honestas (e se importam) e entregam uma carteira para ser devolvida ao dono? Não muitas.
Mesmo que a carteira contivesse algum dinheiro, eu tenho limites muito bem estabelecidos sobre que é correto ou não. Ou seja: eu não iria pegar dinheiro alheio. Fim.
Justiça faz parte da natureza humana, mas os limites moldáveis que aceitamos distorcem nossa percepção. Para um senso de justiça incorruptível — estóico — , você precisa de limites fortes e muito bem delineados sobre o que considera como justo ou não.
Para lhe ajudar, dois limites fáceis de lembrar:
"Se não é certo, não faça.
Se não é verdade, não diga."
– Marco Aurélio
@estoicismo | texto por Sabrina A. (2017) | 399 |
| 4 | #200 —Sobre a vida, morte e coisas importantes (Memento mori)
"Podes me indicar alguém que dê valor ao seu tempo, valorize o seu dia, entenda que se morre diariamente? Nisso, pois, falhamos: pensamos que a morte é coisa do futuro, mas parte dela já é coisa do passado. Qualquer tempo que já passou pertence à morte."
— Sêneca
Memento mori é a expressão latina que significa “lembre-se da sua mortalidade”, um tema recorrente em Meditações e nos textos de Sêneca. Parece uma ideia muito depressiva, mas ela é libertadora.
Sêneca, em suas cartas para Lucílio, fala sobre a arte de viver bem. E ela começa justamente com memento mori — com a contemplação da própria mortalidade, com a compreensão de quão curto nosso tempo é.
Viver bem não depende de quantos anos teremos aqui na Terra, depende de quão bem esses anos foram (e serão) aproveitados, porque uma vida longa não significa uma vida vivida.
Nas palavras de Sêneca, alguém que tem 80 anos não viveu muito, apenas existiu por muito tempo.
Vivemos acreditando que temos todo o tempo do mundo, quando, na verdade, podemos deixar esse plano nos próximos 10 minutos — sem qualquer aviso prévio. Então, dado que só temos essa vida, devemos aproveitá-la como acharmos melhor.
Como você vai aproveitar o resto dos seus dias?
Aplicação pessoal
Como o tempo não pesa no bolso, acabamos gastando indiscriminadamente. Então, como reverter esse hábito?
Citando Sócrates: “uma vida não examinada não vale a pena ser vivida”. Em outras palavras: identificando como você faz uso do tempo e analisando se foi bem ou mal utilizado de acordo com seus valores.
Uma forma de começar a criar consciência é adotar a Estratégia de Seinfeld para todas as atividades importantes. Cada dia que você fizer algo que considera importante, marque um grande X vermelho no calendário.
Brincar com os filhos é importante? Estudar todos os dias? Pedalar no parque todo fim de semana? Visitar sua mãe? Fazer alguma prática espiritual?
Faça e marque o X vermelho. Rapidamente você irá perceber como seus dias são preenchidos de coisas descartáveis ou não importantes. E é assim que deixamos o tempo escapar, focando nas coisas inúteis e deixando o importante de lado.
“Porque, como diz um sábio ditado, é tarde para poupar quando só resta o fundo da garrafa. E o que sobra é muito pouco, é o pior.” — Sêneca
@estoicismo | texto por Sabrina A. (2017) | 450 |
| 5 | #199 — A estrada de uma via (ou por que não se comparar com outros)
"Os desejos das outras pessoas são independentes dos meus assim como seus corpos. Podemos existir um por causa do outro, mas nossas vontades reinam sobre seus próprios domínios. Caso contrário, o mal que eles provocam me causaria mal também. E isso não é o que os deuses desejam — que a minha felicidade dependa de outra pessoa."
— Marco Aurélio
A fundação de um país livre reside na liberdade de poder colocar o fim do seu punho no início do nariz de alguém.
Em outras palavras: você pode fazer o que quiser, desde que não interfira com o espaço ou o corpo físico alheio. Enquanto seu punho estiver a alguns milímetros de distância do nariz da outra pessoa, você está dentro dos limites.
Isso implica em duas coisas:
1. Você pode viver como quiser, desde que não interfira com a vida de outros.
2. Você precisa ter a mente aberta e aceitar que os outros também podem fazer o mesmo.
Os outros fazem as próprias escolhas, você faz as suas, ninguém interfere na vida alheia. Fim.
Você consegue fazer isso? Mesmo que você discorde profundamente com a escolha de outra pessoa, você tem autocontrole suficiente para deixá-la agir como quer?
Você já tem problemas demais na sua vida. Não perca seu tempo discutindo com alguém porque acha que sua escolha é melhor do que a dele, ou mudando sua vida em prol de outra pessoa. Isso é estupidez.
Aplicação pessoal
Usain Bolt é a única pessoa na face da terra que consegue ganhar uma corrida enquanto olha para os lados. Como só existe um Usain Bolt, olhar para os lados não vai lhe fazer bem algum.
Não me comparar com outros é difícil e, vez ou outra, me pego fazendo isso. Vendo o que meus ex-colegas de mestrado andam fazendo… E acabo me sentindo insatisfeita com minha própria vida.
Nesse momento, eu esqueço que somos pessoas completamente diferentes, então fazemos escolhas diferentes o que nos leva a caminhos diferentes. Basear meu caminho no que eles fazem é submeter o que eu acho é certo à razão alheia. Claro, me sinto completamente trouxa depois que percebo o que fiz.
A vida é uma avenida com apenas uma única via e você é o único objeto que tem que se mover ao longo dela. Não obrigue outros a seguirem na sua estrada, e nem caminhe na estrada de outros.
Sua felicidade não depende dos outros. Nem a deles de você.
@estoicismo | texto por Sabrina A. (2017) | 441 |
| 6 | #198 — Não abandone os outros (nem a você mesmo)
"À medida que você percorrer a estrada da razão, pessoas irão entrar no seu caminho. Eles não poderão lhe impedir de fazer o que é correto, então não deixe que eles destruam sua boa vontade — aquela que tem em relação a eles. Mantenha-se atento a ambas as direções, não apenas aquela para tomar boas decisões e fazer bons julgamentos, mas também para a gentileza com aqueles que obstruem nosso caminho ou criam outras dificuldades. Porque se irritar também é uma fraqueza, assim como abandonar a tarefa ou se entregar devido ao pânico. Porque fazer qualquer um é deserção — um por se encolher e fugir, e o outro por se distanciar da família e amigos."
— Marco Aurélio
Se você resolver fazer uma dieta ou começar a investir, todas as pessoas ao seu redor terão uma opinião sobre o que você deve fazer. De repente, todo mundo virou um especialista.
Invista na dieta paleo. Compre ações da empresa X. Deixe o paleo de lado, pare de comer carne. Não compre ações, invista em um fundo de garantia. Vegetarianismo? Você tem é que diminuir a quantidade de comida. Tudo balela, invista em título público.
Toda decisão que você tomar vai criar, quase que magicamente, um caminho cheio de pessoas que discordarão de você ou que dirão o que elas acham que você deve fazer.
Da mesma forma que você não deve abandonar um caminho porque encontrou um obstáculo ou porque alguém que discorda da sua escolha, você não deve abandonar essas pessoas que estão no caminho.
Não descarte um ser humano porque não apoia você. Não brigue por divergência de pensamentos. Dê a mesma atenção, trate com a mesma gentileza.
Uma hora, eles perceberão que você não é uma ameaça ao que eles são e às próprias escolhas, mas um amigo e talvez um guia.
Aplicação pessoal
É muito fácil se ressentir das pessoas que tentam nos atrapalhar, não importa quem sejam. Também é fácil abandonar uma ideia pelo meio do caminho. A dificuldade reside em saber lidar com essas pessoas e não se distanciar do caminho — exatamente o que Marco Aurélio escreveu.
Algumas pessoas criam objeções porque é isso que elas fazem: pensar no lado negativo por pensar, não para criar uma solução.
Outras criam objeções por medo. Medo do que pode acontecer se você conseguir. Isso implica em mostrar que algo era possível, mas ela não tentou antes porque foi limitada por uma crença inválida.
Mas nem uma nem outra faz por mal — uma age por hábitos, a outra tem crenças que não desafiou. Faz parte da natureza delas e isso você não pode mudar.
O que você pode fazer é tratá-las com a mesma gentileza e manter a calma (o velho "respire antes de agir") porque tratar de forma indevida outro ser humano vai contra a própria natureza de ser humano.
@estoicismo | texto por Sabrina A. (2017) | 573 |
| 7 | #197 — Sobre o progresso (ou por que você precisa fazer análises semanais)
"A que causa minha alma está comprometida? Constantemente se pergunte isso e examine a si mesmo ao ver como você se relaciona com a razão. Que alma eu tenho agora? Eu tenho a alma da infância, da juventude… de um tirano, um animal de estimação, ou um animal selvagem?"
— Marco Aurélio
Com o que você se comprometeu? Que causa, que missão, que propósito?
O que você tem feito? E, mais importante, por que você está fazendo? Como isso se relaciona com os valores que você supostamente valoriza? Você está sendo consistente, ou vagueando, seguindo em qualquer direção?
As respostas podem ser desconfortáveis. Mas isso é um bom indicador. O desconforto reflete sua sinceridade — você pode sempre moldar sua percepção da realidade para justificar o que você faz.
Agora que tem as respostas, está na hora de corrigir seu comportamento. Não ser uma criança, um tirano, um animal, mas uma pessoa que valoriza a razão acima de tudo.
E agora que tem a resposta, você está um pouco mais perto de descobrir o que deve fazer com sua vida. Tudo o que precisa é de um pequeno ajuste de cada vez.
Aplicação pessoal
Apenas um grau pode fazer com que um avião pare em um local completamente diferente do esperado. E os aviões passam 90% do tempo fora da rota. Para que aterrissem no local correto, os pilotos ajustam continuamente o curso.
Eu não sou um avião, nem você, mas a regra também se aplica. Um grau fora do nosso plano pode nos levar a locais inesperados — e talvez indesejados. Marco Aurélio propôs uma análise sobre quem ele era, o que estava fazendo e o que o movia diariamente. Isso é uma correção de curso.
Todos nós temos objetivos ou ideias que nos motivam, não sabemos se isso é o que queremos para a vida, mas não tem problema porque pelo menos temos alguma direção a explorar.
Você não precisa ter um plano de vida pronto, impresso e cheio de checkboxes. Você precisa de uma direção e seguir o caminho, ajustando o curso continuamente. E se vir que está indo para o lado errado, mude direção.
Você já tem as perguntas para analisar o progresso. Agora faça uso.
@estoicismo | texto por Sabrina A. (2017) | 593 |
| 8 | #196 — Fazer a coisa certa é o bastante
"Quando você fizer o certo e outro se beneficiar do que você fez, por que, como um tolo, busca algo mais — crédito pela boa ação ou um favor em retorno?"
— Marco Aurélio
Por que você ajudou alguém? Por que você fez aquela atividade que iria beneficiar as pessoas ao seu redor? Por que você abriu mão de algo em prol de outra pessoa?
Porque era a coisa certa a ser feita. Essa sempre deve ser a sua motivação, não obter algo em retorno.
Afinal, quando você vê alguém que age de forma verdadeiramente altruísta, você não pensa que essa é uma boa pessoa?
Por que você também não poderia ser?
Esqueça agradecimentos, esqueça reconhecimento, esqueça favores. Aja porque é o certo. Aja porque você sabe que deve ser feito.
Faça o seu trabalho — seja uma boa pessoa.
Aplicação pessoal
Parece fácil para Marco Aurélio falar sobre deixar o reconhecimento de lado, ele era imperador. O homem mais poderoso e conhecido de todo o mundo.
Mas pense em homens como Alexandre, o Grande, e Napoleão Bonaparte.
Eles eram poderosos, mas buscaram ainda mais poder, mais reconhecimento, mais pessoas os aclamando. No fim, Alexandre foi enterrado ao lado do homem que guiava seu asno; e Napoleão perdeu tudo.
Então, eu lhe pergunto, de que serve o reconhecimento? Isso vai lhe ajudar a fazer o seu trabalho melhor? Não, vai apenas inflar seu ego. E usar o ego como motivação é uma receita para o fracasso.
A única coisa que você precisa é a satisfação de ter feito a coisa certa, e isso é interno. Você fez o seu trabalho. Você é uma boa pessoa. E essa motivação para continuar é muito mais poderosa do que aquela que vem do exterior.
@estoicismo | texto por Sabrina A. (2017) | 657 |
| 9 | #195 — Quando o conhecimento é perigoso
"Todo grande poder é perigoso para o iniciante. Você deve, portanto, manejá-lo quando for capaz, mas em harmonia com a natureza."
— Epictetus
Os melhores professores normalmente são aqueles que são os mais duros com seus alunos mais promissores. Aquele professor que vai insistir no prática diária, na repetição, na concentração, na reflexão, no estudo do básico mesmo que o aluno já pratique há anos.
Mas por que agem assim? Porque eles conhecem os perigos que um pouco de conhecimento pode gerar se o aluno for deixado a sós com ele.
Maus hábitos. Arrogância. Superestimação das próprias habilidades. Ignorância em relação ao princípios fundamentais e conceitos básicos. A tendência a agir como se o que sabem fosse o suficiente porque o talento nato dará conta do resto.
Aquele que acha que o conhecimento que possuem o torna superior começaram um caminho que levará apenas ladeira abaixo.
Portanto, vá devagar. Aprenda com calma. Ninguém tem uma arma na sua cabeça.
Aplicação pessoal
Um praticante de karatê aprendeu um novo golpe. O mestre o aconselhou a não usar o golpe enquanto ainda não tivesse domínio suficiente sobre os movimentos, o que iria requerer semanas de dedicação.
Alguns dias depois, durante uma sessão de treinamento, o aluno resolveu ignorar o conselho do mestre porque achava que já tinha treinado o suficiente. Ele quebrou o braço da outra pessoa. *
Para fazer bom uso do que sabe, você precisa valorizar todo o processo de aprendizado e não passar por cima das lições básicas, da prática e da reflexão.
Caso contrário, todo conhecimento será uma arma porque você não saberá manejá-lo corretamente. E, eventualmente, pode acabar machucando a si mesmo(a).
*Situação inspirada em algo que aconteceu com meu instrutor enquanto ele ainda praticava karatê.
@estoicismo | texto por Sabrina A. (2017) | 731 |
| 10 | #194 — Sobre videiras e líderes
"Algumas pessoas, quando fazem um favor a alguém, ficam esperando o momento de cobrá-lo. E alguns não esperam, mas estão cientes e ainda veem o favor como um débito. Mas outros nem mesmo fazem isso. Eles são como videiras que produzem uvas sem esperar algo em retorno. Um cavalo no fim da corrida, um cachorro quando a caçada acaba, uma abelha quando o mel é guardado e um humano ao ajudar outros. Eles não fazem alarde. Eles apenas vão fazer outra coisa, assim como a videira espera pela época de colocar novos frutos."
— Marco Aurélio
Você lembra de quando era criança e imitava seus pais ou algum outro familiar? Ou como imitava alguma personagem de desenho que adorava?
Você já percebeu como alguma sobrinha ou parente mais novo faz o mesmo com você? Como imita seu jeito de andar, sentar, falar. Ou como passa a ouvir alguma música por influência sua.
Nesses momentos em que alguém — parente, vizinho, pessoa aleatória, colega de trabalho — copia algo que você faz ou disse, você se tornou líder.
E como um líder, você tem que ser que nem uma videira: continuar a agir da forma correta, sem esperar algum agradecimento ou parabéns pelo que você fez ou pela ideia genial que teve.
Você tem que fazer a sua parte e dar o exemplo, não pelo crédito, não pelos agradecimentos, mas porque é a coisa certa a fazer.
Aja e depois vá fazer outra coisa, não espere por um tapinha nas costas.
Aplicação pessoal
Quando a merda atinge o ventilador, normalmente eu sou a pessoa que procuram para consertar o desastre.
Se contasse e computasse todas as vezes que ajudo alguém, acredito que 80% das pessoas que conheço já estariam me devendo a alma em duas encarnações (na verdade, tenho certeza que alguns estão me devendo a alma).
Mas eu não cobro favores.
E nem você deveria.
Não perca seu tempo contando o que outros lhe devem porque você emprestou o grampeador ou deu aquela dica mágica para acelerar o trabalho. Seu tempo é melhor aproveitado buscando a próxima coisa importante a ser (bem) feita.
Lidere pelo exemplo — lidere pelas suas ações, não pelas suas palavras — e verá que existem muitos dispostos a lhe ajudar quando necessário.
Acta, non verba.
@estoicismo | texto por Sabrina A. (2017) | 728 |
| 11 | #193 — Marco Aurélio sobre como simplificar a vida
"Nas suas ações, não procrastine.
Nas suas conversas, não seja prolixo.
Nos seus pensamentos, não divague.
Na sua alma, não seja passivo ou agressivo.
Na sua vida, não foque apenas no trabalho."
— Marco Aurélio
Simples raramente é fácil, mas não é impossível.
Marco Aurélio providenciou para si algumas regras com intuito de simplificar o dia-a-dia e, como consequência, aproveitar melhor o tempo. E nós também podemos colocá-las em prática, não apenas hoje, mas em todos os momentos.
Quando encontrar alguém, quando marcar algo na to-do list, quando tiver tempo para si lembre-se das palavras de Marco Aurélio: mantenha o foco.
Aplicação pessoal
Pois o bom não é viver, escreveu Sêneca para Lucílio, mas viver bem. Por isso o sábio viverá o quanto for necessário e não o quanto puder.
Para viver bem não é preciso muita coisa, apenas aproveitar os momentos ao invés de deixá-los passar como um borrão. Para viver bem, você só precisa manter em mente as palavras de Marco Aurélio: não fuja do momento presente.
Mantenha o foco, esteja onde precisa estar e sua vida não vai ser jogada fora.
@estoicismo | texto por Sabrina A. (2017) | 718 |
| 12 | #192 — O primeiro passo é o autodesenvolvimento
"Mas o que Sócrates disse? 'Assim como uma pessoa se delicia a melhorar a própria fazenda, e outro a melhorar o próprio cavalo, eu me delicio em melhorar a mi mesmo, dia após dia.'"
— Epictetus
Empreendedorismo é a nova moda.
Todo mundo quer criar uma empresa. Todo mundo quer ser um empreendedor. Mas você não deveria ter a mesma atenção ao seu próprio desenvolvimento?
Se você deixa suas falhas influenciarem no modelo de negócios, a sua empresa poderá ser ainda mais vulnerável. Se você deixa seu ego influenciar nas escolhas, você pode estar fazendo todas as escolhas erradas.
Faça como Sócrates, desenvolva a si mesmo(a) antes de tudo.
Você é um projeto, do mesmo jeito que sua startup ou seu blog, então trate a si mesmo(a) com a mesma seriedade. Comece com uma ideia e pacientemente progrida dia após dia com a mesma dedicação que teria ao seu empreendimento.
Você é mais importante do que seu negócio. Afinal, a sua empresa não é algo que trata sobre vida e morte.
Aplicação pessoal
Tim Ferriss tinha uma empresa de suplementos. A empresa foi construída de uma forma que era praticamente impossível vendê-la e estava se tornando impossível mantê-la. Antes de escrever The 4-Hour Workweek, ele estava à beira de um colapso nervoso. Até que tirou umas férias e tudo mudou.
Durante o tempo que passou longe da empresa, Tim descobriu que muito do que ele acreditava era mentira, a empresa podia funcionar sem ele e finalmente teve um tempo para si. Ele passou de distribuidor de drogas depressivo e estressado a um cara zen com um recorde mundial em tango.
Se Ferriss não tivesse parado um pouco e se dedicado a ele mesmo, será que um dia ele chegaria às mesmas conclusões?
Você é o seu projeto mais importante. E seu desenvolvimento começa do mesmo jeito que qualquer outro projeto.
Pegue a ideia, faça um plano de ação, colete feedback e aprimore o modelo.
Precisa aprender a lidar com distrações? Medite ou caminhe todos os dias. Rastreie o tempo, analise os impactos. Precisa aprender a controlar as emoções? Busque a filosofia. Estude, aplique.
Não é complexo. Você só precisa de uma ideia para começar.
@estoicismo | texto por Sabrina A. (2017) | 790 |
| 13 | #191 — Os resultados são um bônus, não o objetivo
"Ame a nobre arte que você aprendeu e repouse nela. Passe pelo resto do seu dia como alguém que confia totalmente todas as posses aos deuses, fazendo de si nem tirano nem escravo das outras pessoas."
— Marco Aurélio
Pense em comediantes famosos, pessoas como Chris Rock, que têm o costume de ir a clubes de comédia com uma lista de piadas e se apresentar altas horas da noite para uma plateia reduzida.
Eles são ricos. Eles já têm fama. Por que eles iriam perder tempo em um clube para se apresentar por 30 minutos?
Porque eles são artesãos. E artesãos sempre estão refinando as suas habilidades.
Esses comediantes sobem nesse palco para testar novas piadas, ideias e coletar o feedback imediato, mesmo que seja o silêncio total. Eles fazem isso porque amam praticar e refinar a própria arte.
Marco Aurélio não sugere que você largue tudo e vá “viver sua paixão”. O que ele sugere é que você desenvolva a mentalidade do artesão — que, assim como esses comediantes, aprecie o processo e não o resultado. O que vier, seja bom ou ruim, é um bônus.
Aplicação pessoal
Cal Newport escreveu um livro chamado So Good They Can't Ignore You. A premissa do livro é: por que seguir sua paixão é um péssimo conselho e como amar o trabalho que você faz.
O que Cal argumenta no livro todo é justamente o que Marco Aurélio sugeriu: você precisa desenvolver a mentalidade do artesão e criar um capital de carreira.
Com o capital, você pode obter vantagens e, por fim, criar o trabalho que ama. E não esperar que o universo vá lhe iluminar e lhe presentear com um trabalho baseado em uma paixão que não é pré-existente.
Para amar algo, precisamos apreciar o processo, não os resultados.
Inicialmente, seremos péssimos em tudo, mas o tempo e a prática nos tornam confiantes. Se considerarmos apenas os resultados, jamais nos dedicaremos por mais de 15 minutos porque tudo vai ser uma verdadeira porcaria. (Você não quer ver os meus textos mais antigos do Medium ou o os primeiros pens que fiz no Codepen.)
Para amar algo precisamos nos dedicar a esse algo. Sejam pessoas, um hobby ou um trabalho.
@estoicismo | texto por Sabrina A. (2017) | 817 |
| 14 | #190 — A praticabilidade da filosofia
"Porque eu acredito um bom rei o é desde o início e um filósofo por necessidade, e o filósofo é desde o início uma pessoa majestosa."
— Musonius Rufus
As pessoas tinham o costume de me dizer que administração de negócios é para a vida prática e a filosofia é para o espírito, disse o General Herzl Halevi, ao longo dos anos, contudo, descobri que era exatamente o oposto: eu usei a filosofia de forma muito mais prática.
Filosofia não é um conjunto de textos complexos que requerem horas para serem lidos e dias para serem compreendidos. Filosofia é resolver problemas.
Grandes líderes do mundo entendiam (e entendem) isso e aplicam a filosofia nos momentos em que é preciso tomar decisões éticas, definir a prioridade, equilibrar as situações e compreender melhor algum evento.
Atualmente, como não estamos na linhagem para sermos monarcas de algum país, a proposta de Rufus parece sem sentido. Mas não é.
Podemos jamais assumir um trono, mas em todos os momentos assumimos alguma posição de liderança. Nesses momentos que a filosofia vem em nosso socorro.
O estudo da filosofia cultiva nossa razão e nossa ética de forma que possamos fazer bem nosso trabalho e ajudar os outros a fazer o deles. Portanto, não descarte a filosofia, tem muita gente contando com você.
Aplicação pessoal
Ou os filósofos se tornam reis, escreveu Platão, ou aqueles a quem chamamos de reis deveriam empreender na filosofia.
Marco Aurélio é um exemplo de um rei-filósofo que se encaixa bem na utopia descrita em A República.
Ele era o homem mais poderoso do mundo, mas também era um filósofo dedicado. Um filósofo que agradeceu aos deuses porque "não se preocupou em escrever tratados ou ser absorvido em debates lógicos ou perder tempo com a física".
Marco buscava na filosofia não uma forma de escapar dos seus deveres, mas de orientar sua mente. A filosofia era um exercício diário que lhe ajudava na tarefa de ser um bom imperador, um bom pai, um bom marido — uma boa pessoa e, consequentemente, um bom líder.
Filosofia não é impraticável como muitos afirmam ao dispensá-la, pelo contrário, ela é um conjunto de exercícios que ajudam você a ser alguém melhor. E quando falamos dos estóicos, agir é a regra, não a exceção.
Esta razão que me levou ao estoicismo: sua praticabilidade. E esses exercícios me permitiram começar uma longa jornada para aproveitar melhor a vida.
A pergunta que fica: você vai participar da jornada, ou prefere não "perder tempo" com a filosofia? O que você aprende sobre a filosofia não beneficia apenas a você, lembre disso.
@estoicismo | texto por Sabrina A. (2017) | 818 |
| 15 | #189 — Marco Aurélio sobre responsabilidade (ou como aprender a jogar com as cartas que receber)
“Chega dessa vida deplorável e lamuriosa. Pare de macaquices! Qual o problema? O que é novo aqui? O que lhe deixou surpreso? O responsável? Olhe para ele. Ou o problema? Olhe para aquilo. É tudo o que existe.
E os deuses? Bem, você poderia tentar ser mais simples e mais gentil. É a mesma coisa agora, ou se você a examinar em três ou cem anos.”
— Marco Aurélio
O caráter é a disposição a aceitar a responsabilidade pela própria vida, é a fonte pela qual o autorrespeito surge, escreveu Joan Didion.
Apesar da meditação parecer um pouco confusa, Marco Aurélio pediu a si mesmo uma única coisa: que ele parasse de reclamar sobre o que não tinha conseguido ou sobre como as coisas aconteceram.
Da mesma forma que Marco, você precisa desenvolver o próprio caráter. Parar de reclamar e assumir a responsabilidade pelos resultados.
Responsabilidade não significa culpa. Em boa parte dos casos, a culpa de algo ter acontecido não vai ser sua. O mundo é imprevisível, mesmo nossos melhores planos podem não se tornar realidade.
Responsabilidade significa perceber e reagir corretamente ao que aconteceu. Nas palavras de Marco, deixar de ser lamuriar. As coisas são o que são. Deal with it.
Se um tsunami acontecer e estragar seus planos, a culpa não é sua, mas a responsabilidade sobre como você vai lidar com o evento sim. Ou você acha que alguém resolverá seus problemas por você?
Não culpe os outros, não deixe para depois. Ignore as distrações e lide com a situação agora. Assuma a responsabilidade.
Aplicação pessoal
Em um email para a minha lista comentei sobre a minha situação atual.
Em Março, fiz a entrevista e a banca para ser professora em uma universidade. A entrevista foi boa, a aula também e estava na lista de professores que seriam contratados para o segundo semestre. Mas até agora não fui contactada para lidar com a última parte: assinar o contrato. Ainda posso ser chamada, ou talvez eles tenham mudado de ideia.
Se não chamarem, a culpa foi minha? Provavelmente não (ou talvez sim, não tenho como saber). Fiz o que podia tanto na entrevista quanto na aula. E a responsabilidade? Inteiramente minha.
Claro que vou ficar insatisfeita se não for chamada. Mas, se for o caso, só eu posso lidar com o resultado.
Isso significa ou reclamar que eles não fizeram a escolha certa, fazer mimimi e esperar que algo vá cair do céu, ou ficar triste, mas aceitar o que aconteceu e fazer algo a respeito. (O que significa voltar ao mercado de trabalho de TI).
Assim como Marco Aurélio se aconselhou, não podemos ficar nos lamuriando, temos que jogar com as cartas que recebemos, afinal, o dealer não vai trocá-las porque você não recebeu um par de As.
@estoicismo | texto por Sabrina A. (2017) | 807 |
| 16 | #188 — O que a ficção tem a ensinar (ou como decepcionar nossos professores)
"Isto é o que você deveria me ensinar, como ser como Odisseu — como amar meu país, minha mulher e meu pai, e como, mesmo depois de sofrer um naufrágio, continuar navegando em direção a um fim digno."
— Sêneca
Em Odisseia, Odisseu (ou Ulisses) é um herói da Guerra de Tróia que tenta retornar à sua terra natal, Ítaca, após 20 anos.
Mencionando esse clássico, Sêneca dá um conselho aos estudiosos de textos antigos: não importa se Odisseia foi ou não escrita por Homero, muito menos a data correta em que foi escrita, o que importa é que você aprenda com a personagem.
Se entender a importância de continuar no caminho certo mesmo quando tudo parecer perdido, os perigos da arrogância e os riscos que as tentações e distrações podem trazer, você fez melhor uso do texto do que muitos outros.
Uma história bem elaborada e relevante é aquela em que a personagem sofre uma transformação interior. E você pode se transformar também.
Não importa se seu professor de literatura ficaria decepcionado com sua falta de conhecimento sobre Homero ou outros detalhes insignificantes do livro, seu dever é ler para aprender a ser uma pessoa melhor.
Aplicação pessoal
Sêneca fala apenas dos livros, afinal não é como se ele tivesse uma TV em casa, mas podemos estender sua ideia e considerar também filmes e séries.
Em Gattaca (1997), a personagem principal é um homem concebido biologicamente, ao invés de ser geneticamente projetado em um laboratório, logo, ele tem todas as desvantagens possíveis. Em uma cena específica, Vincent é confrontado pelo seu irmão geneticamente superior. Ele queria saber como Vincent aguentava nadar tão longe mesmo não tendo capacidade física para isso. A resposta:
"Eu nunca guardei energia para voltar."
Aprendemos sobre determinação.
Em Star Wars VII: The Force Awakens, aprendemos com a Rey a abandonar as mentiras que nos contamos e a confrontar a realidade se quisermos seguir em frente e ter um futuro. (Mesmo que ela tenha precisado de um empurrãozinho da Maz Kanata).
Em O Homem Mais Rico da Babilônia, aprendemos sobre o mito da força de vontade.
Os clássicos da literatura e a ficção podem ensinar tanto quanto um livro de não-ficção, basta que você esteja disposto(a) a olhar além do óbvio e se transformar junto com a protagonista.
@estoicismo | texto por Sabrina A. (2017) | 831 |
| 17 | #187 — A motivação para sair da cama todos os dias
“Nas manhãs em que você lutar para se levantar, mantenha este pensamento em mente: eu sou despertado para o trabalho de um ser humano. Por que, então, eu estou perturbado com o fato de que irei fazer aquilo que fui feito para fazer, as coisas para as quais fui colocado neste mundo? Ou fui feito para isso, para me esconder embaixo das cobertas e me manter aquecido? É tão prazeroso. Então você foi feito para o prazer? Em resumo, ser mimado ou se esforçar?”
— Marco Aurélio
Aproximadamente 95% das pessoas do planeta não gostam das segundas-feiras (um chute, mas o número deve ser próximo).
E é reconfortante saber que, dois mil anos atrás, um dos maiores imperadores romanos também tinha problemas para sair da cama e enfrentar o dia.
Marco Aurélio teve que ter uma conversinha consigo mesmo para poder se levantar e ir cumprir suas obrigações.
Nós podemos simpatizar com a situação de Marco Aurélio, afinal, também passamos por isso quase todas as manhãs desde crianças até a aposentadoria — aquele desejo de permanecer embaixo das cobertas, apertar o botão de soneca e deixar o mundo acabar do lado de fora.
Mas não podemos.
Nós temos nossas vidas para viver, nossos trabalhos a fazer e nossa função de acordo com logos.
Para podermos cumprir com nossos deveres, primeiro, precisamos sair da cama. Caso contrário, como poderemos fazer alguma contribuição positiva? Então levante-se, pegue uma xícara de café, se arrume e vá fazer a sua parte.
Aplicação pessoal
Muitos podem se sentir tentados a responder que, sim, foram feitos para se manterem embaixo das cobertas e aquecidos, mas esses esqueceram que nada na vida vem sem algum esforço e trabalho.
Marco Aurélio continua a meditação dizendo a si mesmo porque continuar na cama não é a escolha correta:
“Então você nasceu para se sentir ‘bem’? Ao invés de fazer coisas e ter experiências? Você não vê as plantas, os pássaros, as formigas e aranhas e abelhas cumprindo suas tarefas, deixando o mundo em ordem da melhor forma que podem? E você não está disposto a fazer o seu trabalho como ser humano? Por que você não está correndo para fazer aquilo que sua natureza demanda?”
– Marco Aurélio
Os estóicos acreditavam que todos nós temos algum serviço em prol do bem maior, em prol de logos. E quanto mais cedo pudermos começar a fazer o que precisamos, melhor.
Nós temos um trabalho, uma vida, um objetivo, uma missão — como queira chamar. Nós temos atividades às quais devemos nos dedicar, sejam as banais que fazem parte da rotina ou aquelas que esperamos ansiosamente.
Nossos desejos jamais serão realidade se não houver ação que os traga do plano imaterial para a realidade.
Então, rise and shine.
@estoicismo | texto por Sabrina A. (2017) | 927 |
| 18 | #187 — A motivação para sair da cama todos os dias
“Nas manhãs em que você lutar para se levantar, mantenha este pensamento em mente: eu sou despertado para o trabalho de um ser humano. Por que, então, eu estou perturbado com o fato de que irei fazer aquilo que fui feito para fazer, as coisas para as quais fui colocado neste mundo? Ou fui feito para isso, para me esconder embaixo das cobertas e me manter aquecido? É tão prazeroso. Então você foi feito para o prazer? Em resumo, ser mimado ou se esforçar?”
— Marco Aurélio
Aproximadamente 95% das pessoas do planeta não gostam das segundas-feiras (um chute, mas o número deve ser próximo).
E é reconfortante saber que, dois mil anos atrás, um dos maiores imperadores romanos também tinha problemas para sair da cama e enfrentar o dia.
Marco Aurélio teve que ter uma conversinha consigo mesmo para poder se levantar e ir cumprir suas obrigações.
Nós podemos simpatizar com a situação de Marco Aurélio, afinal, também passamos por isso quase todas as manhãs desde crianças até a aposentadoria — aquele desejo de permanecer embaixo das cobertas, apertar o botão de soneca e deixar o mundo acabar do lado de fora.
Mas não podemos.
Nós temos nossas vidas para viver, nossos trabalhos a fazer e nossa função de acordo com logos.
Para podermos cumprir com nossos deveres, primeiro, precisamos sair da cama. Caso contrário, como poderemos fazer alguma contribuição positiva? Então levante-se, pegue uma xícara de café, se arrume e vá fazer a sua parte.
Aplicação pessoal
Muitos podem se sentir tentados a responder que, sim, foram feitos para se manterem embaixo das cobertas e aquecidos, mas esses esqueceram que nada na vida vem sem algum esforço e trabalho.
Marco Aurélio continua a meditação dizendo a si mesmo porque continuar na cama não é a escolha correta:
“Então você nasceu para se sentir ‘bem’? Ao invés de fazer coisas e ter experiências? Você não vê as plantas, os pássaros, as formigas e aranhas e abelhas cumprindo suas tarefas, deixando o mundo em ordem da melhor forma que podem? E você não está disposto a fazer o seu trabalho como ser humano? Por que você não está correndo para fazer aquilo que sua natureza demanda?”
– Marco Aurélio
Os estóicos acreditavam que todos nós temos algum serviço em prol do bem maior, em prol de logos. E quanto mais cedo pudermos começar a fazer o que precisamos, melhor.
Nós temos um trabalho, uma vida, um objetivo, uma missão — como queira chamar. Nós temos atividades às quais devemos nos dedicar, sejam as banais que fazem parte da rotina ou aquelas que esperamos ansiosamente.
Nossos desejos jamais serão realidade se não houver ação que os traga do plano imaterial para a realidade.
Então, rise and shine.
@estoicismo | texto por Sabrina A. (2017) | 161 |
| 19 | #186 — Ninguém disse que ia ser fácil
"As boas pessoas farão o que acreditam ser honrável, mesmo que requeira muito trabalho; elas o farão mesmo que lhe cause problemas; elas o farão mesmo que lhes deixe em perigo. Novamente, elas não farão o que acham ser algo baixo, mesmo que traga riqueza, dinheiro ou poder. Nada as deterá do que é honrável, e nada as atrairá ao que é imoral."
— Sêneca
Se fazer o correto fosse fácil, todo mundo faria. E se o imoral não fosse tentador ou atrativo, ninguém faria algo errado.
O mesmo vale para o seu dever. Se outra pessoa pudesse fazê-lo, o universo não teria lhe designado essa tarefa.
Você não é como os outros — nem os outros são como você. Cada um de nós tem o dever básico de não agir contra a natureza humana e fazer o que é certo, mas à nossa própria maneira.
Viver não é fácil. Vai ser preciso esforço. Vai ser preciso resistir às recompensas fáceis. Mas você consegue, não é?
Nada pode lhe impedir de fazer o correto.
Aplicação pessoal
Darren Hardy, da revista SUCCESS, conta uma história interessante sobre como capturar caranguejos.
Se você tentar capturar apenas um, vai ter sérios problemas porque eles são furtivos. Contudo, é muito fácil capturar vários deles de uma vez.
Se você montar uma armadilha e colocar algo para atrair pelo menos um caranguejo, eventualmente outro o seguirá e outro e outro e outro mesmo que a isca tenha acabado. Curiosamente, se algum caranguejo tenta sair da armadilha, ele será impedido pelos outros (e pode acabar morto).
Bom, eu não sei se isso é verdade, mas a anedota tem um ponto importante: você normalmente vai ser o caranguejo que tentará sair da armadilha. E ao negar o padrão, os outros vão tentar lhe trazer de volta ao que eles consideram normal, mesmo que seja uma armadilha.
Você será aquela pessoa que rejeitará a imoralidade e escolherá agir da forma certa.
Não importa se em termos de trabalho (enquanto seus colegas se ocupam e procrastinam, você faz o seu trabalho e faz bem), no trânsito (você é aquela pessoa legal que sempre usa as setas antes de fazer uma conversão), nos seus relacionamentos (quando você prefere ser honesto(a) e evitar mesmo as pequenas mentiras que todos aceitam), na sua vida pessoal (quando decidir por algo que nega o ponto de vista da maioria).
Não vai ser fácil. Na verdade, vai ser muito difícil, mas nada poderá lhe impedir de buscar o que considera honrável e nada lhe atrairá ao que é imoral. (Mesmo que no Brasil imoralidade pareça ser a regra, e não a exceção.)
@estoicismo | texto por Sabrina A. (2017) | 881 |
| 20 | #185 — Proteja sua essência
"Proteja o bem que existe em você em tudo o que você fizer, e no que diz respeito a todo o resto, receba o que lhe for dado enquanto puder fazer uso sensato. Se não puder, não terá sorte, estará propenso a falhar, perturbado e limitado."
— Epictetus
Os estóicos sempre dizem que tudo o que existe tem alguma função em prol de logos, a lógica universal que mantém a coerência e o equilíbrio. E que o trabalho de um ser humano é ser uma boa pessoa.
O que nos define como boas pessoas, nas palavras de Epictetus, é uma essência que deve ser protegida. Uma chama que existe no interior e que deve constantemente ser alimentada para não se extinga.
Caso nossas ações não estejam de acordo com o bem comum, a chama perde a força. Nossa visão fica turva e não sabemos mais diferenciar o que é certo do errado. Os limites da moralidade deixam de existir, agimos de forma errada enquanto acreditamos que estamos certos.
Cada vez que agimos contra a nossa essência, contra o que sabemos ser o correto (mesmo que a ação errada traga os frutos desejados), a chama perde a força.
Essa chama nada mais é do que a autoconfiança, a honestidade e a dignidade.
Não perca sua essência. Faça o que é certo. É o seu único dever.
Aplicação pessoal
Muitos dos estóicos romanos eram homens poderosos. Generais, imperadores, oradores, senadores, ricos comerciantes. Esse tipo de posição pode corromper alguém (como constantemente vemos nas notícias), mas não corrompe um estóico.
Marco Aurélio, o imperador, escrevia para si mesmo:
"Qual sua profissão? Bondade"
"Se não é certo, não faça. Se não é verdade, não diga"
Como imperador, ele poderia agir como bem entendesse e jamais justificar suas ações. Eventualmente, ele se tornaria alguém como Calígula ou Nero ou Alexandre, o Grande.
Marco, contudo, decidiu se manter vigilante e proteger a própria essência, jamais agindo contra o que sabia ser o correto.
No período da escola, lembro que um aluno conseguiu roubar uma cópia da prova de química e entregou a mim e outros colegas para que respondêssemos (sim, selinho CDF colado na testa)
Nós respondemos. Fizemos o correto? Não e sabíamos disso. Resultado: a professora suspeitou das notas e refez a prova, uma mais difícil. Foi uma boa lição.
Todos nós temos permissão para procurar algo melhor em nossas vidas, mas não se isso custar o bem de outro ou for contra a nossa natureza.
"Meu único medo é fazer algo contrário à natureza humana — a coisa errada, do jeito errado, ou no momento errado."
— Marco Aurélio, Meditações (7.20)
@estoicismo | texto por Sabrina A. (2017) | 907 |
