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Grupo Oficial Frei Dennys

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Evangelho do dia comentado por Padre Dennys (Lucas 14,1-6) – Sexta-feira, 30 de outubro de 2026 “Se algum de vós tem um filho ou um boi que caiu num poço, não o tira logo, mesmo em dia de sábado?” Meus amados, o Evangelho de hoje nos coloca diante de uma das grandes contradições do coração humano: somos capazes de encontrar justificativas para aquilo que nos interessa, mas, muitas vezes, tornamo-nos rigorosos e inflexíveis quando se trata das necessidades dos outros. Jesus está na casa de um dos chefes dos fariseus, diante de um homem enfermo. Todos o observam atentamente, não para aprender com Ele, mas para encontrar algum motivo de acusação. Então, Jesus faz uma pergunta desconcertante: se um filho ou um boi caísse num poço em dia de sábado, quem deixaria de socorrê-lo imediatamente? Com essa pergunta, Jesus desmascara uma religiosidade que havia perdido de vista o essencial: a misericórdia. É importante compreender que Jesus não está desprezando a Lei de Deus. Pelo contrário, está revelando o seu verdadeiro sentido. Afinal, uma lei dada por Deus, que é amor, não pode ser interpretada de maneira a impedir a prática do bem. Mas há algo ainda mais profundo nesse Evangelho: Jesus denuncia a facilidade com que adaptamos nossos princípios aos nossos interesses. Quando se trata de nós mesmos ou daqueles que amamos, encontramos razões para compreender, perdoar e agir com misericórdia. Entretanto, quando se trata dos outros, quantas vezes nos tornamos juízes implacáveis! Somos compreensivos com nossas fraquezas, mas intolerantes com as fraquezas alheias. Encontramos explicações para nossos erros, mas dificilmente concedemos aos outros a mesma compreensão. Eis uma incoerência que precisa ser combatida em nossa vida espiritual. A verdadeira fidelidade a Deus não consiste em exigir dos outros aquilo que nós mesmos não estamos dispostos a viver. Consiste em permitir que a verdade e a caridade governem nossas atitudes. Não podemos transformar a religião num instrumento para condenar os outros, enquanto a utilizamos para justificar a nós mesmos. Que o Senhor nos livre de uma consciência rigorosa para julgar os outros e complacente para justificar os próprios erros. Que aprendamos a olhar para o próximo com a mesma misericórdia que desejamos encontrar no coração de Deus. Porque uma fé que não nos torna mais justos, mais misericordiosos e mais coerentes precisa ser seriamente examinada. Deus abençoe você!

Evangelho do dia comentado por Padre Dennys (Lucas 13,31-35) Quinta-feira, 29 de outubro de 2026 “Quantas vezes eu quis reunir teus filhos, como a galinha reúne os pintinhos debaixo das asas, mas tu não quiseste!” Meus amados, há uma profunda tristeza nas palavras de Jesus que acabamos de ouvir. Ele contempla Jerusalém, a cidade amada, e lamenta sua resistência ao amor de Deus. Observemos que Jesus não diz: “Eu não quis”, mas: “Tu não quiseste!” Eis uma das grandes tragédias da vida espiritual: Deus deseja salvar o homem, mas o homem pode resistir à graça que lhe é oferecida. A imagem utilizada por Jesus é de uma ternura extraordinária. Assim como a galinha recolhe seus pintinhos debaixo das asas para protegê-los dos perigos, Deus deseja acolher seus filhos sob a proteção do seu amor. Entretanto, há algo que precisamos compreender: Deus nos criou livres e não nos trata como escravos. Ele nos chama, nos procura, nos adverte, oferece-nos sua graça, mas não nos obriga a amá-lo. Santo Agostinho expressou admiravelmente essa verdade ao afirmar: “Aquele que te criou sem ti não te justificará sem ti.” Deus, que nos criou sem a nossa participação, não nos salva sem a nossa livre correspondência à sua graça. E quantas vezes essa mesma resistência se manifesta em nossa vida! Deus nos chama à conversão, mas preferimos permanecer no pecado. Convida-nos ao perdão, mas insistimos em alimentar ressentimentos. Mostra-nos o caminho da verdade, mas escolhemos aquilo que satisfaz nossas vontades. O mais grave é que podemos passar a vida inteira recebendo sinais do amor de Deus e, ainda assim, manter o coração fechado à sua vontade. Meus amados, não basta saber que Deus nos ama. É necessário corresponder a esse amor. A graça de Deus não deve ser acolhida com indiferença, mas com um coração disposto a deixar-se transformar. Que não cheguemos ao fim da vida tendo de reconhecer que Deus nos chamou tantas vezes, ofereceu-nos tantas oportunidades de conversão, mas nós não quisemos escutá-lo! Que a nossa história não seja marcada pela tristeza destas palavras: “Eu quis, mas tu não quiseste!” Que seja, antes, uma história de correspondência à graça, na qual possamos dizer: “Senhor, tu me chamaste, e eu, apesar das minhas fraquezas, procurei responder ao teu amor!” Amém!

Evangelho do dia comentado por Padre Dennys (Lucas 6,12-19) Quarta-feira, 28 de outubro de 2026 — Festa de São Simão e São Judas Tadeu, Apóstolos “Naqueles dias, Jesus foi à montanha para rezar. E passou a noite toda em oração a Deus.” Meus amados, o Evangelho de hoje nos apresenta uma atitude de Jesus que merece toda a nossa atenção: antes de escolher os doze apóstolos, Ele sobe à montanha e passa a noite inteira em oração. Jesus, o Filho eterno de Deus, vive em perfeita comunhão com o Pai. Entretanto, em sua humanidade, faz da oração uma expressão constante dessa comunhão. Antes de uma decisão tão importante, retira-se para rezar. Aqui encontramos um ensinamento fundamental para a nossa vida espiritual: quem deseja fazer a vontade de Deus precisa aprender a escutá-lo. Santa Teresa de Jesus ensina que a oração é um relacionamento de amizade com Aquele que sabemos que nos ama. Portanto, rezar não é apenas apresentar nossas necessidades a Deus, mas permanecer em sua presença, permitindo que Ele ilumine nossa inteligência e fortaleça nossa vontade. Entretanto, quantas vezes fazemos exatamente o contrário do que Jesus nos ensina! Tomamos decisões precipitadas, deixamo-nos conduzir pelas emoções, pelos interesses e pelas conveniências pessoais. Depois, quando as consequências aparecem, procuramos em Deus uma resposta para aquilo que decidimos sem consultá-lo. Há uma diferença profunda entre pedir que Deus abençoe aquilo que já decidimos e procurar compreender o que Ele deseja de nós. A oração não é um instrumento para convencer Deus a fazer a nossa vontade. É o caminho pelo qual aprendemos a conformar nossa vontade à dele. Santo Tomás de Aquino ensina que não rezamos para mudar os desígnios de Deus, mas para alcançar aquilo que Ele dispôs conceder mediante a oração. Por isso, meus amados, antes de decisões importantes, precisamos reservar tempo para Deus. Nem tudo o que desejamos nos convém; nem tudo o que nos entusiasma vem de Deus; nem toda oportunidade que aparece corresponde à sua vontade. Quem não encontra tempo para escutar Deus corre o risco de passar a vida inteira seguindo apenas a própria vontade, enquanto acredita estar realizando a vontade divina. Que o exemplo de Jesus nos ensine a não decidir precipitadamente aquilo que precisa ser discernido na presença de Deus. Afinal, não basta escolher o que nos parece bom. É preciso procurar, acima de tudo, aquilo que Deus deseja de nós. São Simão e São Judas Tadeu nos recordam que a grandeza de uma vocação não está em realizar os próprios projetos, mas em corresponder ao chamado de Deus. Que Deus nos ilumine!

Evangelho do dia comentado por Padre Dennys (Lucas 13,18-21) Terça-feira, 27 de outubro de 2026 “A que é semelhante o Reino de Deus, e com que poderei compará-lo?” Meus amados, no Evangelho de hoje, Jesus compara o Reino de Deus a um grão de mostarda que cresce até se tornar uma árvore e ao fermento que, misturado à farinha, transforma toda a massa. Essas duas imagens revelam uma verdade fundamental sobre a ação de Deus: o Reino começa de maneira discreta, mas possui uma força transformadora que ultrapassa aquilo que os nossos olhos conseguem perceber. O grão de mostarda nos ensina que não devemos desprezar os pequenos começos. O fermento, por sua vez, revela que a verdadeira transformação acontece de dentro para fora. Santo Tomás de Aquino, ao recolher a interpretação de Santo Agostinho sobre essa parábola, apresenta o fermento como imagem do fervor da caridade, capaz de dilatar o coração humano. Isso nos ajuda a compreender que a graça de Deus não deve permanecer estéril em nós, mas produzir uma transformação profunda em nossa maneira de viver. E aqui encontramos um ensinamento decisivo: não basta que Deus esteja presente em nossos discursos, em nossas práticas religiosas ou em nossas manifestações exteriores de fé. É necessário que sua graça transforme o nosso coração. O fermento não transforma a massa permanecendo separado dela. É necessário que penetre toda a massa. Da mesma maneira, a Palavra de Deus precisa alcançar as dimensões mais profundas da nossa existência, inclusive aquelas que resistimos em entregar ao Senhor. Santa Teresa de Jesus, ao tratar da autenticidade da vida espiritual, faz uma afirmação breve, mas profundamente exigente: “Obras quer o Senhor”. Com isso, a santa nos recorda que a verdadeira união com Deus não pode ser separada do exercício das virtudes, especialmente da caridade. Não basta experimentar sentimentos religiosos ou desejar uma espiritualidade elevada. É necessário que o amor de Deus se traduza em atitudes concretas. Há pessoas que desejam crescer espiritualmente, mas resistem às pequenas renúncias, ao exercício da paciência, à prática do perdão e à luta perseverante contra os próprios defeitos. Entretanto, é justamente nessas pequenas fidelidades que a graça encontra um coração disposto a corresponder à sua ação. Por isso, precisamos nos perguntar: depois de tantos anos ouvindo a Palavra de Deus, o que realmente mudou em nós? Tornamo-nos mais pacientes, mais misericordiosos, mais humildes e mais fiéis aos mandamentos do Senhor? Não basta que o Evangelho passe pelos nossos ouvidos. É necessário que alcance o coração e transforme a vida. Que não aconteça conosco a contradição de professarmos uma fé que não transforma nossas escolhas. Afinal, o Reino de Deus não cresce em nós pela aparência de santidade, mas pela ação da graça, acolhida e correspondida numa vida de verdadeira conversão. Que Deus nos ajude!

Evangelho do dia comentado por Padre Dennys (Lucas 13,10-17) – Segunda-feira, 26 de outubro de 2026 “E a multidão inteira se alegrava com as maravilhas que ele fazia”. Meus amados, o Evangelho de hoje nos apresenta Jesus ensinando numa sinagoga, quando encontra uma mulher que, havia dezoito anos, vivia encurvada, sem conseguir endireitar-se. Ao vê-la, Jesus a chama, impõe-lhe as mãos e a liberta daquela enfermidade. Imediatamente, a mulher se endireita e começa a glorificar a Deus. Entretanto, aquilo que deveria provocar alegria e gratidão desperta indignação no chefe da sinagoga. Incomodado porque Jesus havia realizado a cura em dia de sábado, ele repreende a multidão, afirmando que havia seis dias destinados ao trabalho e que as curas deveriam acontecer nesses dias, não no sábado. Vejam que situação desconcertante! Uma mulher sofre durante dezoito anos e, quando finalmente é libertada, alguém se incomoda porque a sua cura aconteceu no dia considerado inadequado. O problema daquele homem não estava no zelo pela Lei, mas na incapacidade de compreender a finalidade da própria Lei. O sábado havia sido instituído como dia consagrado ao Senhor, e aquele chefe religioso não conseguia reconhecer que a libertação daquela mulher manifestava precisamente a bondade e a misericórdia de Deus. Jesus, então, denuncia a incoerência daqueles que, no sábado, soltavam seus animais para levá-los a beber água, mas consideravam inconveniente libertar uma filha de Abraão que Satanás mantinha presa havia dezoito anos. Há aqui um ensinamento que precisamos considerar seriamente: quando a prática religiosa perde de vista a caridade, corre o risco de transformar-se numa observância exterior, incapaz de reconhecer a ação de Deus. E isso também pode acontecer conosco. Podemos conhecer os mandamentos, participar das celebrações, cumprir nossas obrigações religiosas e, ao mesmo tempo, alimentar um coração endurecido diante do sofrimento alheio. Podemos estar tão preocupados em apontar o que consideramos errado na vida dos outros que já não conseguimos nos alegrar com o bem que lhes acontece. Observemos, porém, um detalhe importante: enquanto o chefe da sinagoga se indignava, a mulher glorificava a Deus e a multidão se alegrava com as maravilhas que Jesus realizava. Diante do mesmo acontecimento, encontramos reações profundamente diferentes. Uns reconhecem a misericórdia divina e se alegram; outros, presos à própria rigidez, tornam-se incapazes de acolher o bem realizado. Isso nos obriga a examinar o nosso coração. Como reagimos quando Deus manifesta sua bondade na vida de alguém? Somos capazes de nos alegrar sinceramente com a libertação, a conversão e a felicidade dos outros? Ou permitimos que a inveja, o ressentimento e os nossos julgamentos nos impeçam de reconhecer as maravilhas de Deus? Meus amados, a verdadeira fidelidade a Deus jamais pode ser separada do amor ao próximo. A Lei divina não é obstáculo à misericórdia; é expressão do amor daquele que deseja a nossa salvação. Que o nosso coração não se torne tão endurecido a ponto de nos incomodarmos com o bem que Deus realiza na vida dos outros. Nunca nos esqueçamos de que o amor deve sempre prevalecer em nós e de que os nossos olhos precisam estar abertos para reconhecer as maravilhas que Deus realiza!

Evangelho do dia comentado por Padre Dennys (Lucas 13,1-9) Sábado, 24/10/2026 “Mas, se não vos converterdes, ireis morrer todos do mesmo modo”. Meus amados, o Evangelho de hoje nos coloca diante de uma advertência muito séria de Jesus: “Mas, se não vos converterdes, ireis morrer todos do mesmo modo”. Para compreendermos essas palavras, precisamos considerar o contexto em que foram pronunciadas. Algumas pessoas contam a Jesus que Pilatos havia mandado matar certos galileus enquanto ofereciam seus sacrifícios. Diante dessa notícia, Jesus faz uma pergunta desconcertante: “Julgais que esses galileus eram mais pecadores do que todos os outros galileus, por terem sofrido tal coisa?” A resposta de Jesus é clara: “Eu vos digo que não”. Com isso, Nosso Senhor corrige uma mentalidade muito presente naquele tempo: a ideia de que o sofrimento e as tragédias seriam necessariamente consequências dos pecados cometidos por aqueles que sofrem. Jesus não aceita essa interpretação. Ele deixa claro que nem toda desgraça é castigo de Deus, e que o sofrimento de alguém não nos autoriza a considerá-lo mais pecador do que os outros. Entretanto, Jesus não se limita a corrigir essa maneira equivocada de pensar. Ele aproveita a ocasião para dirigir uma advertência a todos: “Se não vos converterdes, ireis morrer todos do mesmo modo”. Aqui está o centro da mensagem. Jesus não está afirmando que todos morrerão vítimas de uma tragédia semelhante. Ele está mostrando que a morte pode chegar sem aviso e que ninguém deve viver como se tivesse garantido o dia de amanhã. Ou seja, a verdadeira tragédia não consiste simplesmente em perder a vida terrena, mas em chegar ao fim dela sem ter acolhido o chamado de Deus à conversão. E aqui precisamos examinar a nossa própria vida. É impressionante como somos capazes de reconhecer os erros dos outros, comentar suas quedas, condenar suas escolhas e, ao mesmo tempo, encontrar justificativas para os nossos próprios pecados. Ora, a conversão não é uma exigência dirigida apenas aos grandes pecadores. É um chamado permanente para todos nós. Converter-se significa abandonar aquilo que nos afasta de Deus, romper com o pecado, rever nossas escolhas e permitir que a Palavra do Senhor tenha consequências concretas em nossa maneira de viver. Na segunda parte do Evangelho, Jesus conta a parábola de uma figueira que, durante três anos, não produziu frutos. O proprietário decide cortá-la, mas o agricultor pede mais um ano para cuidar dela, adubá-la e esperar que produza. Essa parábola nos revela a paciência e a misericórdia de Deus. Ele nos oferece oportunidades de mudança, concede-nos tempo e não desiste facilmente de nós. Mas há um detalhe que não podemos ignorar: a paciência de Deus não significa que teremos tempo ilimitado. O agricultor pede mais um ano, não uma eternidade. O tempo que Deus nos concede é uma oportunidade de conversão, não uma autorização para adiá-la. A advertência de Jesus, portanto, é dirigida a cada um de nós. Não basta reconhecer que precisamos mudar. É preciso tomar a decisão de mudar. Não sabemos quanto tempo ainda teremos, mas sabemos que Deus nos oferece o dia de hoje. Quem transforma a misericórdia de Deus em desculpa para adiar a conversão corre o risco de chegar ao fim da vida sem ter produzido os frutos que Deus esperava. Que Deus nos ajude!

Evangelho do dia comentado por Padre Dennys (Lucas 12,54-59) Sexta-feira, 23/10/2026 “Hipócritas! Vós sabeis interpretar o aspecto da terra e do céu. Como é que não sabeis interpretar o tempo presente?” Meus amados, o Evangelho de hoje nos coloca diante de uma repreensão muito séria de Jesus. Ele chama a atenção da multidão para uma contradição: aquelas pessoas sabiam observar os sinais da natureza, prever a chegada da chuva e reconhecer as mudanças do tempo, mas não conseguiam perceber o que Deus estava realizando diante delas. E por que Jesus as chama de hipócritas? Porque não se tratava simplesmente de uma incapacidade de compreender. Havia uma resistência em acolher a verdade. O Filho de Deus estava diante delas, anunciando o Reino, realizando milagres e revelando o amor do Pai. Entretanto, muitos permaneciam indiferentes e se recusavam a reconhecer a presença de Deus. Essa repreensão não ficou restrita àquela multidão. Ela também se dirige a nós. Podemos conhecer muitas coisas sobre o mundo e, ao mesmo tempo, conhecer muito pouco sobre aquilo que acontece dentro de nós. Pensemos na nossa realidade. O ser humano alcançou um extraordinário desenvolvimento científico e tecnológico. Somos capazes de acompanhar acontecimentos em qualquer parte do mundo, interpretar fenômenos complexos e fazer previsões cada vez mais precisas. Mas será que demonstramos a mesma capacidade quando precisamos examinar a nossa própria vida? Quantas vezes percebemos com facilidade os defeitos dos outros, mas encontramos justificativas para os nossos? Reconhecemos quando alguém está se afastando de Deus, mas temos dificuldade de admitir que nossas próprias escolhas também podem estar nos afastando dele. Sabemos avaliar tantas situações, dar conselhos e apontar caminhos. Entretanto, quando se trata de confrontar a nossa vida com os ensinamentos de Jesus, nem sempre demonstramos a mesma disposição. É aqui que precisamos compreender o que Jesus quer dizer com a expressão “interpretar o tempo presente”. Ele não está nos convidando a fazer previsões sobre o futuro, mas a reconhecer o tempo da graça, a presença de Deus que nos chama à conversão e a responsabilidade de responder a esse chamado. O tempo presente é o tempo que temos para mudar de vida. É agora que podemos abandonar o pecado, corrigir nossas escolhas, reconciliar-nos com aqueles que ferimos e retomar o caminho que nos conduz a Deus. Na continuação do Evangelho, Jesus fala da necessidade de entrar em acordo com o adversário enquanto ainda estamos a caminho. Não é uma recomendação desconectada do que Ele havia dito. Trata-se de outra advertência sobre a urgência de agir enquanto ainda temos oportunidade. E aqui encontramos uma dificuldade muito comum na vida espiritual: sabemos o que precisamos mudar, mas continuamos adiando a mudança. Há quem reconheça que precisa perdoar, mas continua alimentando ressentimentos. Há quem saiba que determinadas escolhas são contrárias aos ensinamentos de Cristo, mas insiste em justificá-las. Há quem perceba que sua vida de oração está enfraquecida, que sua fé está sendo negligenciada, mas continua vivendo como se nada estivesse acontecendo. O problema, portanto, nem sempre é a falta de conhecimento. Muitas vezes, sabemos exatamente o que Deus espera de nós. O que nos falta é a decisão de corresponder à sua vontade. Meus amados, Jesus nos ensina que não basta saber interpretar o que acontece ao nosso redor. Precisamos aprender a reconhecer o que está acontecendo em nosso interior e, sobretudo, aquilo que Deus nos pede neste momento da nossa vida. De que adianta compreender os sinais do céu e da terra, se não conseguimos reconhecer que chegou a hora da nossa conversão? Pensemos nisso!

Evangelho do dia comentado por Padre Dennys (Lucas 12,49-53) Quinta-feira, 22/10/2026 Memória de São João Paulo II “Eu vim para lançar fogo sobre a terra, e como gostaria que já estivesse aceso!” Meus amados, o Evangelho de hoje nos apresenta uma das afirmações mais fortes de Jesus: “Eu vim para lançar fogo sobre a terra, e como gostaria que já estivesse aceso!” Mas de que fogo Jesus está falando? O que significa esse desejo tão ardente de ver a terra incendiada? Na Sagrada Escritura, o fogo aparece frequentemente como sinal da presença de Deus, de sua santidade e de sua ação purificadora. É o fogo que ilumina, aquece, transforma e consome aquilo que não pode permanecer diante da santidade divina. Quando Jesus manifesta o desejo de lançar fogo sobre a terra, está revelando a intensidade de sua missão. Ele veio para inaugurar uma vida nova, para libertar o homem do pecado e fazer arder nos corações o amor de Deus. Esse fogo está profundamente relacionado à ação do Espírito Santo, que transforma interiormente aqueles que acolhem a graça divina. Entretanto, precisamos compreender uma coisa: o fogo de Cristo não foi lançado sobre a terra para que tudo continuasse como antes. A presença de Jesus exige uma resposta. Quem acolhe sua Palavra não pode permanecer indiferente diante da verdade que ela revela. E aqui encontramos uma questão que toca diretamente nossa vida cristã. Há pessoas que desejam as consolações da fé, mas resistem às exigências do Evangelho. Querem um Cristo que as acolha, mas não aceitam um Cristo que as corrija. Desejam experimentar o amor de Deus, mas não estão dispostas a abandonar aquilo que as afasta dele. Ora, o fogo que Jesus veio trazer não serve para alimentar nossas comodidades espirituais. É um fogo que purifica, que ilumina nossas contradições e nos chama à conversão. Por isso, logo em seguida, Jesus faz outra afirmação desconcertante: “Vós pensais que eu vim trazer a paz sobre a terra? Pelo contrário, eu vos digo, vim trazer divisão”. Como compreender essas palavras, se o próprio Jesus é o Príncipe da Paz? Cristo não está promovendo a discórdia nem ensinando seus discípulos a romper os laços familiares. Ele está mostrando que a adesão à verdade pode provocar conflitos, inclusive entre pessoas que se amam. Nem todos acolherão sua Palavra, e aqueles que decidirem segui-lo poderão enfrentar incompreensões e rejeições. A paz que Cristo oferece não é uma tranquilidade construída à custa da verdade. É a paz que nasce da reconciliação com Deus e da fidelidade à sua vontade. Sendo assim, precisamos nos perguntar: que espaço temos permitido que esse fogo ocupe em nossa vida? Nossa fé tem transformado nossas escolhas, nossos relacionamentos e nossa maneira de agir? Ou aprendemos a conviver tão tranquilamente com o pecado que já não sentimos necessidade de conversão? Não basta dizer que pertencemos a Cristo. É necessário permitir que sua Palavra transforme aquilo que somos e aquilo que fazemos. O fogo de Cristo não veio para deixar nossa vida como está. Veio para transformá-la. Quem deseja permanecer nas trevas não pode reclamar da luz que o Evangelho acende.

Evangelho do dia comentado por Padre Dennys (Lucas 12,39-48) Quarta-feira, 21/10/2026 “A quem muito foi dado, muito será pedido; a quem muito foi confiado, muito mais será exigido!” Meus amados, o Evangelho de hoje termina com uma afirmação de Jesus que merece toda a nossa atenção: “A quem muito foi dado, muito será pedido; a quem muito foi confiado, muito mais será exigido!” Para compreendermos o alcance dessas palavras, precisamos considerar o contexto em que foram pronunciadas. Jesus está falando sobre a vigilância, a fidelidade e a responsabilidade daqueles que receberam de Deus uma missão. Ele apresenta a figura de um administrador a quem o senhor confiou o cuidado de sua casa e de seus empregados durante sua ausência. Esse administrador não é o proprietário da casa. Ele recebeu uma responsabilidade e deverá prestar contas da maneira como a exerceu. Se agir com fidelidade, será recompensado. Mas, se abusar da autoridade recebida, maltratar os outros e viver como se nunca tivesse de prestar contas, será severamente punido. É nesse contexto que Jesus afirma que muito será exigido de quem muito recebeu. Ora, precisamos compreender uma verdade fundamental: tudo aquilo que Deus nos concede traz consigo uma responsabilidade. Os dons, as capacidades, as oportunidades, o conhecimento da sua Palavra e até mesmo as pessoas que Ele coloca sob nossos cuidados não nos são confiados para satisfazer nossos interesses, mas para que produzam frutos de acordo com a sua vontade. Isso significa que, diante de Deus, não basta perguntar o que recebemos. Precisamos perguntar também o que fizemos com aquilo que nos foi confiado. Há pessoas que receberam muitas oportunidades de fazer o bem, mas preferiram a indiferença. Outras receberam autoridade e a transformaram em instrumento de opressão. Há quem conheça profundamente os ensinamentos de Cristo, mas viva deliberadamente de maneira contrária a eles. E aqui encontramos um aspecto particularmente sério deste Evangelho: quanto maior o conhecimento da vontade de Deus, maior a responsabilidade de corresponder a ela. Jesus chega a distinguir o empregado que conhece a vontade do seu senhor e não a cumpre daquele que, sem conhecê-la, pratica ações merecedoras de castigo. Ambos são responsáveis, mas não na mesma medida. Com isso, o Senhor nos ensina que Deus não julga de maneira arbitrária. Seu julgamento é perfeitamente justo e considera aquilo que cada pessoa recebeu, conheceu e livremente escolheu fazer. Por isso, não podemos transformar o conhecimento da fé em motivo de superioridade. Conhecer mais a Palavra de Deus não nos torna automaticamente melhores do que os outros. Ao contrário, torna ainda mais grave a nossa infidelidade quando escolhemos agir contra aquilo que sabemos ser a vontade do Senhor. Essa advertência alcança a todos nós, mas possui um peso particular para aqueles que receberam a missão de ensinar, orientar e conduzir outras pessoas no caminho de Deus. Ninguém recebe uma responsabilidade na Igreja para tornar-se dono das pessoas ou senhor da verdade. Toda autoridade recebida deve ser exercida como serviço, porque todos teremos de prestar contas ao verdadeiro Senhor. É importante frisar, que o Evangelho de hoje não pretende provocar em nós um medo paralisante diante do julgamento de Deus. Ele nos chama a reconhecer a seriedade da vida que recebemos e a responsabilidade das escolhas que fazemos. Deus não nos pedirá contas daquilo que nunca nos confiou. Mas não deixará de nos perguntar o que fizemos com os dons, as oportunidades e as graças que recebemos. Portanto, não se preocupe apenas com o quanto Deus lhe concedeu. Preocupe-se, sobretudo, com o que você está fazendo com aquilo que Ele colocou em suas mãos. Porque chegará o dia em que teremos de devolver ao Senhor não apenas o que recebemos, mas os frutos da nossa fidelidade.

Evangelho do dia comentado por Padre Dennys (Lucas 12,35-38) Terça-feira, 20/10/2026 “Que vossos rins estejam cingidos e as lâmpadas acesas”. Meus amados, o Evangelho de hoje nos apresenta uma exortação de Jesus que não podemos ignorar: “Que vossos rins estejam cingidos e as lâmpadas acesas”. Para compreendermos a profundidade dessas palavras, precisamos recordar que, no tempo de Jesus, cingir os rins significava prender a túnica à cintura para facilitar os movimentos. Era a atitude de quem estava preparado para trabalhar, caminhar ou partir. As lâmpadas acesas, por sua vez, indicavam a disposição de quem permanecia vigilante, mesmo durante a noite. Com essas duas imagens, Jesus nos ensina que a vida cristã exige prontidão e vigilância. Não basta começar bem o caminho da fé. É necessário permanecer fiel, mesmo quando a caminhada se torna difícil e a espera parece prolongada. E aqui encontramos uma questão que merece nossa atenção: estamos realmente preparados para o encontro com o Senhor? Vivemos fazendo planos, estabelecendo prioridades, preocupados com tantas coisas que dizem respeito à nossa existência. Entretanto, corremos o risco de organizar toda a nossa vida como se a eternidade não existisse e como se jamais tivéssemos de prestar contas a Deus daquilo que fizemos com o tempo que Ele nos concedeu. Há pessoas que vivem adiando a própria conversão. Sabem que precisam abandonar determinados pecados, reconciliar-se com alguém, corrigir comportamentos e assumir com seriedade os compromissos da fé. Contudo, continuam dizendo que um dia farão tudo isso. O problema é que ninguém sabe quanto tempo ainda lhe resta. Quando Jesus nos pede que mantenhamos as lâmpadas acesas, está nos advertindo contra uma fé que vai perdendo sua força, uma consciência que se acostuma com o pecado e um coração que já não se inquieta diante daquilo que o afasta de Deus. E não podemos confundir vigilância com medo. O cristão não vive aterrorizado pela possibilidade da morte, mas consciente de que sua existência tem um destino eterno. Por isso, procura viver cada dia na presença de Deus, cumprindo seus deveres, praticando o bem e permanecendo fiel à sua Palavra. Há ainda um detalhe belíssimo nesse Evangelho. Jesus afirma que serão felizes os servos que o senhor encontrar vigilantes quando chegar. E acrescenta algo surpreendente: o próprio senhor os fará sentar-se à mesa e passará a servi-los. Que imagem extraordinária! Aqueles que permaneceram fiéis serão acolhidos pelo próprio Senhor. É uma promessa que nos faz compreender que nenhuma fidelidade vivida por amor a Deus será esquecida. Reflitamos sempre sobre isto: a grande questão não é saber quando o Senhor virá, mas como Ele nos encontrará quando chegar. Não deixemos para amanhã a conversão que Deus nos pede hoje. A lâmpada da fé precisa permanecer acesa, porque o encontro com o Senhor é certo, mas a hora desse encontro não nos pertence. Que Deus nos ajude!

Evangelho do dia comentado por Padre Dennys (Lucas 12,13-21) Segunda-feira, 19/10/2026 “Tomai cuidado contra todo tipo de ganância, porque, mesmo que alguém tenha muitas coisas, a vida de um homem não consiste na abundância de bens”. Meus amados, o Evangelho de hoje nos coloca diante de uma advertência muito séria de Jesus: a vida de uma pessoa não pode ser medida pela quantidade de bens que possui. Tudo começa quando alguém, no meio da multidão, pede a Jesus que intervenha numa disputa de herança. Mas Jesus, percebendo o perigo que se escondia por trás daquela preocupação, aproveita a ocasião para falar sobre a ganância, esse desejo desordenado de possuir sempre mais. É importante compreender que Jesus não está condenando a riqueza em si, nem afirmando que possuir bens materiais seja um pecado. O problema começa quando aquilo que possuímos passa a possuir o nosso coração, quando o dinheiro deixa de ser um instrumento necessário à vida e se transforma na razão da nossa existência. Para esclarecer isso, Jesus conta a parábola de um homem rico cujas terras produziram uma grande colheita. Diante de tanta abundância, ele decide derrubar seus celeiros e construir outros maiores, para guardar tudo o que havia acumulado. Até aqui, poderíamos pensar que se trata apenas de um homem previdente, preocupado em administrar bem os seus bens. Entretanto, suas palavras revelam algo muito mais profundo: ele acredita que a segurança da sua vida está naquilo que conseguiu acumular. Por isso, diz a si mesmo: “Meu caro, tu tens uma boa reserva para muitos anos. Descansa, come, bebe, aproveita!” Mas Deus lhe dirige uma palavra desconcertante: “Louco! Ainda nesta noite, pedirão de volta a tua vida. E para quem ficará o que tu acumulaste?” Percebamos que aquele homem havia planejado tudo, menos a possibilidade de morrer. Preparou celeiros para guardar seus bens, mas não preparou o coração para encontrar-se com Deus. Tinha muitas coisas, mas havia perdido de vista aquilo que realmente importa. E não é justamente isso que acontece com tantas pessoas em nossos dias? Há quem sacrifique a família, a saúde, as amizades e até a própria fé para ganhar mais dinheiro. Há quem nunca esteja satisfeito com o que possui, porque vive convencido de que a felicidade chegará quando conseguir adquirir alguma coisa que ainda lhe falta. O problema é que a ganância nunca diz que já basta. Quanto mais se possui, mais se deseja possuir. E, nessa busca interminável, corre-se o risco de passar a vida inteira acumulando aquilo que, no momento da morte, será inevitavelmente deixado para trás. Jesus nos recorda, portanto, que os bens materiais têm seu valor, mas não podem ocupar o lugar de Deus. Podemos possuir muitas coisas e continuar interiormente vazios. Podemos ter pouco e possuir uma riqueza espiritual que dinheiro algum é capaz de comprar. Ao concluir a parábola, Jesus adverte que assim acontece com quem ajunta tesouros para si, mas não é rico diante de Deus. Ser rico diante de Deus é viver na sua graça, cultivar a caridade, repartir com quem necessita, agir com justiça e compreender que tudo o que recebemos deve ser administrado com responsabilidade e gratidão. Meus amados, um dia deixaremos tudo o que acumulamos neste mundo. A grande questão é saber o que teremos para apresentar diante de Deus. Porque, no fim, não seremos julgados pelo tamanho da nossa riqueza, mas pelo amor com que vivemos e pelo bem que fizemos com aquilo que recebemos. Que Deus nos ajude!

Evangelho do dia comentado por Padre Dennys (Lucas 12,8-12) Sábado, 17/10/2026 — Memória de Santo Inácio de Antioquia, bispo e mártir “Todo aquele que der testemunho de mim diante dos homens, o Filho do Homem também dará testemunho dele diante dos anjos de Deus”. Meus amados, o Evangelho de hoje nos coloca diante de uma afirmação muito séria de Jesus: “Todo aquele que der testemunho de mim diante dos homens, o Filho do Homem também dará testemunho dele diante dos anjos de Deus”. Quando ouvimos essas palavras, podemos pensar que dar testemunho de Cristo significa falar publicamente dele, defender a fé ou declarar que somos cristãos. Tudo isso tem sua importância, mas o testemunho que Jesus espera de nós vai muito além das palavras. Ele precisa se manifestar, sobretudo, nas escolhas que fazemos diariamente. E aqui encontramos uma realidade que merece nossa atenção: há pessoas que afirmam acreditar em Jesus, que se dizem cristãs, mas fazem escolhas que contradizem frontalmente aquilo que Cristo ensinou. Dizem amar a Deus, mas alimentam o ódio contra o próximo. Falam de perdão, mas se recusam a perdoar. Defendem a verdade, mas recorrem à mentira quando lhes convém. Afirmam seguir Jesus, mas rejeitam seus ensinamentos quando estes contrariam seus interesses, seus desejos ou sua maneira de viver. Ora, que testemunho estamos dando de Cristo quando nossas atitudes desmentem aquilo que nossos lábios professam? São Paulo, escrevendo aos filipenses, faz uma afirmação muito forte: “Muitos vivem como inimigos da cruz de Cristo” (Fl 3,18). Observemos que o Apóstolo não está falando simplesmente daqueles que desconhecem Jesus, mas advertindo sobre uma maneira de viver incompatível com o caminho da cruz. E não é justamente isso que acontece quando alguém deseja os benefícios de pertencer a Cristo, mas rejeita as exigências de seu Evangelho? Quer um Jesus que console, que abençoe, que perdoe, mas não aceita um Jesus que corrija, que exija conversão e que peça renúncias. Há quem queira adaptar o Evangelho à própria vida, quando deveria permitir que sua vida fosse transformada pelo Evangelho. Precisamos compreender uma coisa: não é somente com palavras que podemos negar Jesus. Também o negamos quando, conscientemente, escolhemos aquilo que sabemos ser contrário à sua vontade. Negamos seu ensinamento sobre o amor quando cultivamos o desprezo. Negamos seu ensinamento sobre a misericórdia quando nos recusamos a perdoar. Negamos seu ensinamento sobre a verdade quando fazemos da mentira um instrumento para alcançar nossos objetivos. Negamos sua cruz quando queremos segui-lo sem aceitar as renúncias que a fidelidade exige. É também nesse sentido que a memória de Santo Inácio de Antioquia ilumina nossa reflexão. Ele testemunhou sua fidelidade a Jesus até o martírio. Não procurou preservar a própria vida ao preço de renunciar à fé. Sua vida nos recorda que seguir Cristo exige uma decisão que precisa permanecer firme, mesmo diante das dificuldades. Portanto, não basta dizer que acreditamos em Jesus se nossas escolhas revelam que não estamos dispostos a obedecer-lhe. Afinal, o testemunho mais verdadeiro da nossa fé não está apenas naquilo que dizemos sobre Cristo, mas naquilo que fazemos por fidelidade a Ele. Que Deus nos ajude!

Evangelho do dia comentado por Padre Dennys (Lucas 12,1-7) Sexta-feira, 16/10/2026 – Memória de Santa Brígida “Tomai cuidado com o fermento dos fariseus, que é a hipocrisia.” Meus amados, no Evangelho de hoje, Jesus faz uma advertência muito séria aos seus discípulos: “Tomai cuidado com o fermento dos fariseus, que é a hipocrisia”. Por que Jesus compara a hipocrisia ao fermento? Porque, assim como uma pequena quantidade de fermento é capaz de levedar toda a massa, a hipocrisia, quando encontra espaço no coração humano, pode comprometer toda a vida de uma pessoa. A hipocrisia consiste em apresentar exteriormente uma realidade que não corresponde àquilo que somos interiormente. É querer parecer justo sem se comprometer com a justiça, demonstrar uma santidade que não se procura viver, exigir dos outros aquilo que não estamos dispostos a praticar. E aqui precisamos compreender algo importante: Jesus não está condenando a fragilidade humana. Todos nós temos fraquezas, cometemos pecados e precisamos diariamente da misericórdia de Deus. O hipócrita, porém, não é simplesmente aquele que cai, mas aquele que procura esconder suas contradições atrás de uma aparência de virtude, sem desejar sinceramente a conversão. Há uma diferença profunda entre o pecador que reconhece sua miséria e aquele que, mesmo vivendo no pecado, procura apresentar-se como modelo de santidade. O primeiro abre o coração à misericórdia de Deus; o segundo corre o risco de fechar-se à graça, porque não reconhece a própria necessidade de conversão. Por isso, Jesus continua dizendo: “Não há nada de escondido que não venha a ser revelado, e não há nada de oculto que não venha a ser conhecido”. Essas palavras nos recordam que podemos enganar as pessoas, construir uma imagem admirável diante dos outros e até receber elogios por virtudes que não possuímos. Mas diante de Deus não existem máscaras. Ele conhece nossas intenções, nossos pensamentos e aquilo que procuramos esconder. Entretanto, essa verdade não deve produzir apenas temor, mas também confiança. O mesmo Deus que conhece nossas misérias conhece igualmente nossas lutas silenciosas, nossos esforços sinceros e as lágrimas que ninguém vê. Seu olhar alcança não somente aquilo que fazemos, mas também aquilo que carregamos no coração. É por isso que, na sequência do Evangelho, Jesus nos convida a não ter medo daqueles que podem matar o corpo, mas não possuem poder sobre nosso destino eterno. E conclui recordando que até os cabelos de nossa cabeça estão contados. Vejam como essas palavras se completam! O Deus diante de quem nada permanece escondido é o mesmo que cuida de nós com uma atenção que ultrapassa nossa compreensão. Não precisamos construir uma aparência para conquistar seu amor. Precisamos apresentar-lhe, com sinceridade, aquilo que somos e permitir que sua graça nos transforme. A vida cristã, portanto, não consiste em parecer santo aos olhos dos homens, mas em buscar sinceramente a santidade diante de Deus. E essa busca exige humildade para reconhecer nossas contradições e coragem para combatê-las. Não tenha medo de reconhecer suas fraquezas. Tenha medo de se acostumar com elas e transformá-las em uma aparência de virtude. Porque, diante de Deus, não importa a santidade que aparentamos, mas a verdade da vida que levamos.

Evangelho do dia comentado por Padre Dennys (Lucas 11,47-54)- Quinta-feira, 15/10/2026- Memória de Santa Teresa de Jesus “Quando Jesus saiu daí, os mestres da Lei e os fariseus começaram a tratá-lo mal e a provocá-lo sobre muitos pontos”. Meus amados, o Evangelho de hoje nos apresenta uma reação muito séria dos mestres da Lei e dos fariseus diante das palavras de Jesus. Em vez de acolherem suas advertências e reconhecerem a necessidade de conversão, começaram a tratá-lo mal, procurando encontrar em suas palavras algum motivo para acusá-lo. Mas por que tanta hostilidade contra Jesus? Porque suas palavras desmascaravam a incoerência daqueles que se apresentavam como conhecedores da Lei de Deus, mas não viviam segundo a vontade divina. Eram homens que conheciam as Escrituras, ensinavam seus preceitos e exigiam dos outros o cumprimento da Lei, mas resistiam à verdade quando ela denunciava suas próprias contradições. Aqui encontramos uma realidade que também merece a nossa atenção: nem sempre rejeitamos a verdade porque não a conhecemos. Muitas vezes, rejeitamo-la porque não queremos mudar de vida. Jesus não condenava aqueles homens por conhecerem a Lei, mas porque haviam transformado o conhecimento religioso em instrumento de poder e reconhecimento, afastando-se daquilo que deveria ser o centro de sua relação com Deus: a justiça, a misericórdia e o amor. E não é isso que também pode acontecer conosco? Quantas vezes somos capazes de reconhecer os erros dos outros, mas encontramos inúmeras justificativas para os nossos? Quantas vezes acolhemos com facilidade uma palavra que nos consola, mas reagimos negativamente quando essa mesma Palavra nos corrige e exige de nós uma mudança de comportamento? Há uma diferença muito grande entre conhecer a verdade e permitir que ela transforme a nossa vida. Os fariseus conheciam muitas coisas a respeito de Deus, mas não foram capazes de reconhecer o próprio Deus que estava diante deles. E aqui está um dos grandes perigos da vida espiritual: acostumarmo-nos tanto com as coisas de Deus que deixamos de permitir que Deus toque e transforme o nosso coração. Observemos ainda outro aspecto importante. Jesus não procurava humilhar aqueles homens. Suas advertências eram um chamado à conversão. Entretanto, quando o orgulho ocupa o lugar da humildade, até mesmo uma correção feita por amor passa a ser interpretada como uma agressão. Por isso, meus amados, precisamos aprender a reconhecer a voz de Deus também nas palavras que nos incomodam, nas correções que recebemos e nas verdades que revelam aquilo que ainda precisa ser transformado em nós. Não basta defender a verdade quando ela denuncia os erros dos outros. É preciso amá-la também quando ela revela os nossos. Quem rejeita a verdade para não mudar de vida acaba rejeitando a própria oportunidade de conversão que Deus lhe oferece.

Evangelho do dia comentado por Padre Dennys (Lucas 11,42-46) Quarta-feira, 14/10/2026 “Ai de vós, porque sois como túmulos que não se veem, sobre os quais os homens andam sem saber”. Meus amados, o Evangelho de hoje nos apresenta palavras muito duras de Jesus, dirigidas aos fariseus e aos mestres da Lei. O Senhor denuncia uma religiosidade marcada pelas aparências, na qual o cumprimento exterior dos preceitos havia se tornado mais importante do que a justiça e o amor de Deus. Jesus não condena a observância da Lei, mas a incoerência daqueles que se preocupavam em cumprir minuciosamente suas prescrições enquanto negligenciavam aquilo que lhes dava verdadeiro sentido: o amor a Deus e ao próximo. É nesse contexto que Ele faz uma comparação impressionante: “Sois como túmulos que não se veem, sobre os quais os homens andam sem saber”. Para compreendermos a gravidade dessas palavras, precisamos recordar que, segundo a legislação judaica, o contato com um túmulo tornava a pessoa ritualmente impura. Por isso, os sepulcros precisavam ser identificados, para que ninguém se aproximasse deles inadvertidamente. Ao comparar os fariseus a túmulos escondidos, Jesus denuncia uma realidade ainda mais grave: pessoas que, embora aparentassem santidade, carregavam interiormente uma corrupção que não apenas comprometia sua própria relação com Deus, mas também prejudicava aqueles que se deixavam conduzir por elas. Percebamos que Jesus está falando de uma impureza que não se manifesta exteriormente. Aos olhos dos outros, tudo parece correto. Há palavras religiosas, gestos piedosos e demonstrações de fidelidade. Entretanto, por trás dessas aparências, podem esconder-se a soberba, a injustiça, a falta de misericórdia e a ausência de um amor verdadeiro. E aqui precisamos trazer essas palavras para a nossa própria vida. Não basta parecer uma pessoa de Deus. É preciso pertencer verdadeiramente a Ele. Não basta conhecer os mandamentos, defender a fé ou participar das celebrações, se aquilo que professamos não encontra correspondência em nossas atitudes. Há uma grande diferença entre viver a fé e utilizar a religião para construir uma imagem de santidade diante dos outros. E há algo ainda mais sério: a nossa incoerência nunca prejudica somente a nós mesmos. Quando alguém se apresenta como pessoa de fé, mas age de maneira contrária ao Evangelho, pode tornar-se motivo de escândalo e afastar outras pessoas de Deus. Por isso, a advertência de Jesus não deve nos levar a procurar os túmulos escondidos na vida dos outros, mas a examinar aquilo que permanece escondido dentro de nós. Que sentimentos temos alimentado? Que intenções movem nossas escolhas? Há alguma contradição entre aquilo que professamos publicamente e aquilo que fazemos quando ninguém está olhando? Meus amados, Deus não se deixa impressionar pelas aparências. Ele conhece aquilo que somos, inclusive o que procuramos esconder dos outros e de nós mesmos. Não tenhamos tanto cuidado em parecer santos aos olhos dos homens, a ponto de nos esquecermos de buscar a santidade diante de Deus. Afinal, de que nos servirá uma aparência de santidade, se o nosso coração permanecer distante do Senhor? Que Deus nos ajude!

Evangelho do dia comentado por Padre Dennys (Lucas 11,37-41) Terça-feira, 13/10/2026 “Vós, fariseus, limpais o copo e o prato por fora, mas o vosso interior está cheio de roubos e maldades”. Meus amados, o Evangelho de hoje nos apresenta uma advertência de Jesus que merece ser acolhida com muita seriedade. Ao ser convidado para uma refeição na casa de um fariseu, Jesus percebe que seu anfitrião fica admirado porque Ele não realizou as abluções rituais antes de comer. Diante daquela reação, Jesus faz uma afirmação contundente: “Vós, fariseus, limpais o copo e o prato por fora, mas o vosso interior está cheio de roubos e maldades”. Com essas palavras, Jesus denuncia uma das maiores contradições da vida religiosa: a preocupação excessiva com as aparências, enquanto o coração permanece distante de Deus. Os fariseus eram rigorosos no cumprimento das prescrições religiosas. Entretanto, muitos haviam transformado a observância exterior da Lei em critério de santidade, esquecendo-se de que Deus não se deixa impressionar pelas aparências. Ele conhece o coração humano, suas intenções, seus desejos e tudo aquilo que procuramos esconder dos olhos dos outros. E aqui precisamos reconhecer que a advertência de Jesus não se dirige apenas aos fariseus daquele tempo. Ela também se dirige a cada um de nós. Podemos participar das celebrações, conhecer as Escrituras, cumprir nossas obrigações religiosas e, ainda assim, alimentar sentimentos que contradizem a fé que professamos. Podemos demonstrar piedade diante dos outros e conservar, no íntimo, ressentimentos, invejas, orgulho, maledicências e falta de caridade. É justamente essa contradição que Jesus deseja combater. Afinal, de que adianta apresentar uma imagem de santidade se nossas atitudes revelam um coração que ainda não se deixou transformar pela graça de Deus? Isso não significa que as práticas exteriores da religião sejam desnecessárias. Pelo contrário, elas são importantes e devem expressar uma fé verdadeira. O problema começa quando aquilo que demonstramos exteriormente não corresponde ao que cultivamos interiormente. Por isso, Jesus nos convida a uma conversão que ultrapasse as aparências. Não basta parecer bom; é preciso procurar ser bom. Não basta falar de amor; é necessário amar. Não basta defender a verdade; é preciso viver de acordo com ela. No final do Evangelho, Jesus apresenta um caminho concreto: “Dai esmola do que vós possuís, e tudo ficará puro para vós”. Com isso, Ele nos ensina que a verdadeira pureza do coração se manifesta também na caridade, na capacidade de reconhecer as necessidades do próximo e de partilhar aquilo que recebemos. Há, ainda, uma pergunta que precisamos fazer diante deste Evangelho: estamos mais preocupados com a imagem que os outros fazem de nós ou com aquilo que Deus encontra em nosso coração? Não podemos esquecer que é possível enganar as pessoas com uma aparência de bondade, mas jamais enganaremos a Deus. Diante dos homens, podemos parecer aquilo que não somos. Diante de Deus, somos exatamente aquilo que trazemos no coração.

Evangelho do dia comentado por Padre Dennys (Lucas 11,5-13) Quinta-feira, 8/10/2026 “Pedi e recebereis; procurai e encontrareis; batei e vos será aberto”. Meus amados, no Evangelho de hoje, Jesus nos ensina uma das atitudes fundamentais da vida espiritual: a perseverança na oração. Depois de ensinar os discípulos a rezar o Pai-Nosso, Ele apresenta a parábola de um homem que, à meia-noite, procura um amigo para pedir três pães. Embora o amigo inicialmente se recuse a atendê-lo, acaba levantando-se e dando-lhe o necessário por causa de sua insistência. Jesus utiliza essa situação para nos ensinar que a oração não pode ser reduzida a um pedido ocasional, feito apenas quando as dificuldades aparecem. Rezar é cultivar uma relação de confiança com Deus, é permanecer diante dele mesmo quando as respostas não chegam no tempo e da maneira que desejamos. Entretanto, precisamos compreender algo essencial: a perseverança na oração não significa tentar convencer Deus a fazer a nossa vontade. Deus não precisa ser convencido a nos amar, nem precisa ser informado de nossas necessidades. Ele as conhece antes mesmo que as apresentemos. A oração perseverante não transforma o coração de Deus, mas permite que o nosso coração seja transformado pela sua graça. Quando Jesus afirma: “Pedi e recebereis; procurai e encontrareis; batei e vos será aberto”, não está prometendo que receberemos tudo aquilo que desejamos. Está nos assegurando que nenhuma oração feita com fé e confiança é indiferente ao coração do Pai. Deus sempre nos escuta, embora nem sempre nos conceda aquilo que pedimos, porque seu amor alcança muito além daquilo que conseguimos compreender. É justamente aqui que nossa fé é colocada à prova. É fácil rezar quando tudo acontece conforme esperamos. Difícil é continuar rezando quando a enfermidade permanece, quando uma porta não se abre, quando uma situação parece não ter solução ou quando o silêncio de Deus nos desconcerta. Nessas circunstâncias, somos convidados a passar de uma fé sustentada pelos resultados para uma confiança verdadeiramente filial. Há ainda um detalhe extraordinário neste Evangelho. Jesus pergunta: se nós, apesar de nossas limitações, sabemos dar coisas boas aos nossos filhos, quanto mais o Pai do céu dará o Espírito Santo àqueles que o pedirem! Percebamos que Jesus não conclui prometendo riquezas, ausência de sofrimentos ou a realização de todos os nossos projetos. Ele promete o Espírito Santo, o maior dos dons, porque é Ele quem nos fortalece, ilumina nossas decisões e nos sustenta até mesmo quando aquilo que pedimos não nos é concedido. Por isso, meus amados, não abandonemos a oração porque uma graça ainda não chegou. Não confundamos o silêncio de Deus com sua ausência, nem a demora de uma resposta com falta de amor. Continuemos pedindo, procurando e batendo. Mas, acima de tudo, aprendamos a confiar. Quem reza verdadeiramente não exige que Deus faça a sua vontade; aprende a entregar-se à vontade de Deus. Afinal, a maior graça da oração não é conseguir tudo o que queremos, mas jamais perder Aquele de quem verdadeiramente precisamos.

Evangelho do dia comentado por Padre Dennys (Lucas 1,26-38) Quarta-feira, 7/10/2026 – Nossa Senhora do Rosário “Eis aqui a serva do Senhor; faça-se em mim segundo a tua palavra!” Hoje, memória de Nossa Senhora do Rosário, a Igreja nos coloca diante de uma das palavras mais decisivas de toda a história da salvação: o “sim” de Maria. Diante do anúncio do anjo, ela responde: “Eis aqui a serva do Senhor; faça-se em mim segundo a tua palavra!” O “faça-se” de Maria não é uma resposta passiva. É uma decisão de fé. Maria não conhece todos os detalhes do caminho que começará a percorrer, não sabe tudo o que aquele “sim” lhe exigirá, mas conhece Aquele a quem está entregando sua vida. E isso lhe basta para confiar. Aqui encontramos uma diferença fundamental entre a fé de Maria e muitas de nossas atitudes diante de Deus. Frequentemente, queremos compreender primeiro para depois obedecer. Queremos saber como tudo terminará antes de começar. Pedimos garantias, explicações e respostas. Maria nos ensina outra lógica: não é preciso conhecer todo o caminho quando sabemos quem nos conduz. Seu “faça-se” acompanhará toda a sua existência. Estará presente em Belém, na fuga para o Egito, nos anos silenciosos de Nazaré, em Caná e, sobretudo, aos pés da Cruz. O “sim” pronunciado diante do anjo precisará ser renovado quando a vontade de Deus passar também pela dor. Maria não entregou a Deus apenas um momento de sua vida; entregou-lhe a vida inteira. Celebrar Nossa Senhora do Rosário é também aprender com ela a guardar e contemplar os mistérios de Cristo. No Rosário, percorremos com Maria a vida de Jesus e aprendemos que a fé não consiste apenas em falar com Deus, mas também em permitir que sua Palavra transforme nossa maneira de viver. Por isso, a pergunta de hoje é muito concreta: até onde vai o nosso “sim” a Deus? Permanecemos fiéis quando sua vontade contraria a nossa? Continuamos confiando quando não compreendemos o que Ele está fazendo? Maria nos ensina que dizer “sim” a Deus não é entregar-lhe apenas aquilo que compreendemos ou aceitamos com facilidade. É confiar também quando seus caminhos passam pela renúncia, pela espera e pela cruz. Não basta dizer que confiamos em Deus quando tudo acontece como desejamos. A fé se revela quando somos capazes de colocar nossa própria vontade em suas mãos e dizer: “Senhor, mesmo sem compreender tudo, eu confio em Ti. Faça-se em mim segundo a tua Palavra!”

Evangelho do dia comentado por Padre Dennys (Lucas 10,38-42) – terça-feira, 6/10/2026 “Marta, Marta! Tu te preocupas e andas agitada por muitas coisas. Porém, uma só coisa é necessária”. Meus amados, Marta e Maria amavam Jesus. As duas o acolheram, mas cada uma expressou esse amor de maneira diferente. Marta se ocupava em servir; Maria sentou-se aos pés do Senhor para escutá-lo. O problema não estava no serviço de Marta. Servir também é expressão de amor. O problema estava na agitação que tomou conta do seu coração. É importante perceber que Jesus não coloca Marta e Maria simplesmente uma contra a outra, como se uma estivesse errada por servir e a outra certa por permanecer sentada. Na vida cristã, precisamos das mãos de Marta e do coração de Maria. Precisamos servir, trabalhar, assumir responsabilidades, cuidar daqueles que Deus colocou ao nosso lado. Mas tudo isso precisa nascer de um coração que primeiro sabe permanecer aos pés de Jesus. Marta começou servindo Jesus, mas terminou inquieta, comparando-se com a irmã e reclamando: “Senhor, não te importas que minha irmã me deixe sozinha com todo o serviço?”. Quando perdemos o essencial, até aquilo que fazemos por amor pode se transformar em peso. Servimos, mas reclamamos; ajudamos, mas cobramos; fazemos o bem, mas esperamos reconhecimento. A agitação exterior acaba revelando uma desordem interior. Maria escolheu a melhor parte porque compreendeu que, antes de fazer alguma coisa para Jesus, precisava estar com Ele. É da escuta que nasce o verdadeiro serviço. Quem não encontra tempo para permanecer diante de Deus corre o risco de fazer muitas coisas para Ele e, no entanto, afastar-se Dele interiormente. Jesus não pede que Marta deixe de servir. Ele a chama a reorganizar o coração: “Uma só coisa é necessária”. Há muitas coisas importantes em nossa vida, mas somente uma é indispensável: Deus. Quando Ele ocupa o primeiro lugar, todas as outras coisas encontram o lugar que lhes corresponde. Podemos passar a vida inteira ocupados com muitas coisas e negligenciar justamente aquilo que não poderíamos perder. Não permita que o urgente roube de você o essencial. Tudo passa. Deus permanece. Escolha a melhor parte. Que Deus nos ajude!

Evangelho do dia comentado por Padre Dennys (Lucas 10,25-37) – Segunda-feira, 5/10/2026 “Mestre, que devo fazer para receber em herança a vida eterna?” Meus amados, a pergunta feita pelo mestre da Lei a Jesus toca na questão mais importante da nossa existência: o que estamos fazendo com a vida que recebemos de Deus e para onde estamos caminhando? Ele pergunta: “Mestre, que devo fazer para receber em herança a vida eterna?” Jesus o conduz à própria Lei: amar a Deus de todo o coração, com toda a alma, com toda a força e com toda a inteligência, e amar o próximo como a si mesmo. A resposta estava correta. Por isso, Jesus lhe diz: “Faze isso e viverás”. Mas o mestre da Lei insiste: “E quem é o meu próximo?” É então que Jesus conta a parábola do homem que descia de Jerusalém para Jericó e caiu nas mãos de assaltantes. Roubaram tudo, espancaram-no e o deixaram quase morto à beira do caminho. Por ali passam um sacerdote e um levita. Ambos veem o homem, mas seguem adiante. Este detalhe é decisivo: eles viram. O problema não foi falta de conhecimento, mas aquilo que fizeram depois de ver. É possível conhecer a Lei, falar de Deus, participar das coisas sagradas e, ainda assim, passar ao lado da dor de alguém sem permitir que ela nos toque. Depois vem um samaritano. Para os judeus, samaritanos eram considerados estrangeiros e havia entre os dois povos uma profunda hostilidade. Justamente aquele de quem menos se esperava torna-se exemplo de misericórdia. Ele vê o homem ferido, sente compaixão, aproxima-se, trata suas feridas, coloca-o sobre seu próprio animal, leva-o a uma hospedaria e assume os custos de seu cuidado. A misericórdia, portanto, não é apenas sentimento. Ela nos faz aproximar, tocar as feridas e assumir responsabilidades. O samaritano não perguntou quem era aquele homem, de onde vinha, no que acreditava ou se merecia ajuda. Diante dele estava alguém ferido, e isso foi suficiente. No final, Jesus muda profundamente a pergunta. O mestre da Lei queria saber: “Quem é o meu próximo?” — como se fosse possível estabelecer os limites de quem deve ser amado. Jesus pergunta: “Qual dos três foi o próximo daquele que caiu nas mãos dos assaltantes?” A questão já não é descobrir quem merece ser meu próximo, mas decidir de quem eu me farei próximo. E aqui o Evangelho nos confronta. Podemos passar a vida perguntando quem merece nossa atenção, nosso perdão, nossa ajuda e nossa misericórdia. Jesus nos ensina outro caminho: diante de quem sofre, não procuremos justificativas para passar adiante. No fim, a pergunta inicial — “Que devo fazer para receber em herança a vida eterna?” — encontra uma resposta concreta. A vida eterna não se separa da maneira como tratamos aqueles que Deus coloca em nosso caminho. Jesus termina dizendo: “Vai e faze a mesma coisa”. E é justamente aqui que o Evangelho mais nos incomoda: Jesus não disse “vai e admira o samaritano”, nem “vai e fala sobre a misericórdia”. Disse: “Vai e faze a mesma coisa”. Podemos rezar muito e continuar passando adiante. Podemos conhecer a Palavra e continuar passando adiante. Podemos estar todos os dias dentro da Igreja e continuar passando adiante. A fé que não nos faz parar diante da dor do outro precisa ser seriamente examinada. Hoje, portanto, não perguntemos apenas: “Quem é o meu próximo?” Perguntemos: “De quem eu tenho passado adiante?” Pode haver alguém ferido bem perto de nós: dentro da nossa casa, da nossa família, do nosso trabalho, da nossa comunidade. Alguém esperando não um discurso, mas a nossa aproximação. Cristo hoje não nos deixa uma teoria. Deixa-nos uma ordem: “Vai e faze a mesma coisa”. A vida eterna que desejamos começa a ser escolhida nas estradas desta vida, cada vez que encontramos alguém caído e decidimos: eu não vou passar adiante. Que Deus nos ajude!