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Grupo Oficial Frei Dennys

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Canal dedicado a evangelização através do compartilhamento de mensagens, reflexões, homilias, músicas, cursos e palestras ministradas pelo Frei Dennys Pimentel

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Evangelho do dia comentado por Padre Dennys (Mt 11,25-30) Sexta-feira da X Semana do Tempo Comum – 12/6/2026 Solenidade do Sagrado Coração de Jesus “Vinde a mim todos vós que estais cansados e fatigados sob o peso dos vossos fardos, e eu vos darei descanso.” Não há ninguém neste mundo, por mais forte que seja, que não precise de um colo, de um ombro amigo, de uma palavra consoladora e animadora. Até Jesus, antes de ser preso, antes de ver começar o seu suplício e o seu calvário, estando no Jardim das Oliveiras e sofrendo por tudo o que sabia que estava prestes a acontecer, manifestou o desejo de que os seus amigos permanecessem acordados, vigilantes e unidos a Ele. Entretanto, eles não foram capazes de permanecer despertos justamente num momento tão difícil, numa hora em que o Senhor tanto precisava de apoio. O que sabemos, o que nos conta o Evangelho sobre tão doloroso momento, é que o sono foi maior do que o cuidado que eles deveriam ter para com o Mestre. A fraqueza humana fez com que se ocupassem de si mesmos, do próprio cansaço e da própria fadiga, quando deveriam estar atentos à dor daquele que tanto os amava. Pois bem, Jesus, mais do que ninguém, sofreu na carne e na alma o quanto é difícil atravessar as tempestades sem os amigos por perto, sem o apoio tão necessário daqueles que deveriam estar ao seu lado. Como sofreu o Senhor! Quão grande foi o abandono experimentado por Jesus, justamente por parte daqueles que deveriam amá-Lo com todo o coração! Justamente por ter experimentado as dores humanas em toda a sua profundidade, Jesus é capaz de compreender os nossos sofrimentos. Ele não fala como alguém distante das nossas lutas, mas como quem carregou sobre si o peso da cruz e conheceu as angústias do coração humano. Por isso, quando ouvimos hoje estas palavras — “Vinde a mim todos vós que estais cansados e fatigados sob o peso dos vossos fardos, e eu vos darei descanso” — percebemos que elas brotam de um coração que sabe amar, acolher e consolar. Na Solenidade do Sagrado Coração de Jesus, somos convidados a contemplar precisamente esse Coração que acolhe, compreende, perdoa e ama sem medida. Nele encontramos o repouso que tantas vezes procuramos em vão nas criaturas. Descobrimos também que Ele não rejeita os seus amigos, mesmo quando estes O traem, abandonam ou decepcionam. Jesus deseja que todos se aproximem Dele e busquem Nele aquilo que dificilmente encontrarão em outro lugar. Assim é Jesus! Ele diz ainda: “Tomai sobre vós o meu jugo e aprendei de mim, porque sou manso e humilde de coração, e vós encontrareis descanso para as vossas almas. Pois o meu jugo é suave e o meu fardo é leve.” Que maravilhosa certeza! Que presente inigualável nos oferece o Senhor! Jesus nos mostra que Nele está o nosso repouso seguro, mesmo quando aqueles que deveriam estar conosco, por tantos motivos, não estão. Ele nos faz compreender que Nele está o verdadeiro conforto, até mesmo quando aqueles que deveriam nos consolar escolheram outros caminhos, outros interesses ou outras prioridades. O fato é que Deus sempre está conosco, mesmo quando ninguém consegue estar ou deseja estar. Nele podemos confiar! Também podemos confiar em algumas pessoas que verdadeiramente nos amam e desejam o nosso bem. Por isso, se ao longo da vida você encontrar alguém que se preocupa sinceramente com você, que não mede esforços para estar ao seu lado nos momentos difíceis, reconheça que recebeu uma grande graça de Deus. Rezo para que nunca nos falte um ombro amigo. Mas rezo, sobretudo, para que jamais nos esqueçamos de que existe um Coração que nunca nos abandona: o Coração de Jesus. Que aprendamos a descansar em seus braços, a confiar em sua misericórdia e a encontrar refúgio em seu Sagrado Coração em todos os momentos da nossa vida. Amém!

Evangelho do dia comentado por Padre Dennys (Mateus 10,7-13) Quinta-feira, 11/6/2026 Festa de São Barnabé, Apóstolo “Em vosso caminho, anunciai: 'O Reino dos Céus está próximo'. Veja, amigo(a), que bela e desafiadora missão o Senhor Jesus nos confiou! Embora Jesus tenha dirigido essas palavras aos apóstolos, também nós, em qualquer estado de vida, somos chamados a viver essa mesma missão. Sim, trata-se de uma missão belíssima, porque é puro dom de amor aos outros; uma missão que leva esperança aos que sofrem, devolve a dignidade aos feridos pela vida e anuncia ao mundo que o Reino de Deus está próximo. Todavia, ela também é desafiadora, pois o discípulo de Jesus é chamado a enfrentar tudo aquilo que afasta as pessoas de Deus. É, de fato, uma grande missão! E, para fazermos como o Senhor nos pede no santo evangelho, devemos ser comprometidos com Ele, devemos viver unidos a Ele. Sem um compromisso forte com o Senhor, acredite, jamais conseguiremos fazer o que Ele nos mandou. Vejamos o que nos disse Jesus: “Em vosso caminho, anunciai: ‘O Reino dos Céus está próximo’. Curai os doentes, ressuscitai os mortos, purificai os leprosos, expulsai os demônios. De graça recebestes, de graça deveis dar! Não leveis ouro nem prata nem dinheiro nos vossos cintos; nem sacola para o caminho, nem duas túnicas nem sandálias nem bastão, porque o operário tem direito ao seu sustento. Em qualquer cidade ou povoado onde entrardes, informai-vos para saber quem ali seja digno. Hospedai-vos com ele até a vossa partida. Ao entrardes numa casa, saudai-a. Se a casa for digna, desça sobre ela a vossa paz; se ela não for digna, volte para vós a vossa paz”. Perceba que a missão confiada a cada um de nós por Jesus exige disponibilidade, generosidade e disposição para sair de si mesmo. Não é missão para quem vive fechado em seus próprios interesses ou acomodado em sua zona de conforto. É missão para aqueles que desejam gastar a própria vida para que outros encontrem a vida. É assim que devemos ser, amigo(a)! Jesus nos chamou a anunciar a Boa-Nova que gera vida nova no coração das pessoas. Há muitos doentes que precisam ser curados pela graça de Deus, muitos leprosos que carregam feridas profundas na alma, muitos que vivem como mortos espiritualmente, sem esperança, sem sentido e longe do Senhor. E Deus deseja alcançá-los também através de nós. Devemos, pois, deixar Deus agir através de nossa vida; devemos gastar as nossas forças para que os outros conheçam o amor de Cristo e a libertação que tanto esperam. Entretanto, para que possamos ajudar na libertação dos outros, precisamos antes permitir que o próprio Senhor nos liberte de tudo aquilo que nos escraviza: sentimentos negativos, vícios, amizades nocivas, emoções desordenadas e tudo aquilo que nos afasta de Deus. Vamos abraçar a missão? É preciso rezar bastante, amar profundamente a Deus e ao próximo e permitir que o Reino de Deus comece primeiro dentro de nós. Somente assim nos tornaremos instrumentos eficazes da graça divina. Rezo a Deus para que sejamos discípulos corajosos, cheios de amor e inteiramente disponíveis para anunciar o Reino dos Céus. Que o Senhor cure primeiro o nosso coração e, através de nós, alcance muitos outros corações que necessitam de sua luz, de sua paz e de sua salvação. Amém!

Evangelho do dia comentado por Padre Dennys (Mateus 5,17-19) Quarta-feira da décima semana do Tempo Comum, 10/6/2026 “Portanto, quem desobedecer a um só destes mandamentos, por menor que seja, e ensinar os outros a fazerem o mesmo, será considerado o menor no Reino dos Céus”. Podemos escolher obedecer a Deus ou simplesmente não obedecer. Podemos escolher amá-Lo ou simplesmente não amá-Lo. Podemos escolher fazer de nossa vida uma ponte que une, que diminui distâncias, ou simplesmente um muro instransponível. Sim, e seja qual for a nossa escolha, é mister que entendamos que há consequências, que há grandes consequências. No santo evangelho de hoje, por exemplo, Jesus deixa isso bastante claro. O Senhor, pensando em nossa salvação, chama a nossa atenção para uma verdade que jamais deveria ser esquecida: nossas escolhas têm peso diante de Deus e ecoam na eternidade. Nada do que fazemos é indiferente aos seus olhos. Por isso, Jesus nos alerta com toda a seriedade: “Não penseis que vim abolir a Lei e os Profetas. Não vim para abolir, mas para dar-lhes pleno cumprimento. Portanto, quem desobedecer a um só destes mandamentos, por menor que seja, e ensinar os outros a fazerem o mesmo, será considerado o menor no Reino dos Céus. Porém, quem os praticar e ensinar será considerado grande no Reino dos Céus”. Que Palavra arrebatadora! Que Palavra esclarecedora e profundamente solene! Que advertência séria para todos nós! Perceba que Jesus não está tratando de algo secundário. Ele está falando da fidelidade a Deus, da seriedade dos seus mandamentos e da responsabilidade que temos não apenas pela nossa própria vida, mas também pela influência que exercemos sobre os outros. A bem da verdade, essa Palavra só será motivo de preocupação para quem desobedece a Deus, para quem não guarda os mandamentos e ainda leva outros à mesma desgraça. Todavia, caso vivamos no amor e na obediência a Deus, ela nos encoraja ainda mais a buscarmos o bem, a perseguirmos o que é certo e agradável ao Senhor. Sem dúvida alguma, meus amados irmãos, é muito sério o que nos diz o Senhor. Na verdade, chega mesmo a nos impactar fortemente essa advertência de Jesus para os que não estão no caminho certo: “Portanto, quem desobedecer a um só desses mandamentos, por menor que seja, e ensinar os outros a fazerem o mesmo, será considerado o menor no Reino dos Céus”. Entendamos de uma vez por todas que o pecado é uma desgraça não somente para quem o comete, mas também para toda a criação, que, infelizmente, sofre as consequências de tão grande mal. Por isso, Jesus chama tanto a nossa atenção para a observância dos mandamentos e para a importância de os ensinarmos aos outros, levando-os a rejeitar o mal e a abraçar o bem. Ai daquele que cai no pecado e incentiva alguém a fazer o mesmo! Ai daquele que fere os mandamentos do Senhor e arrasta os outros para a mesma perdição! Ai dos desobedientes! Ai dos inconsequentes! Ai dos promotores do mal! Felizes, porém, são os obedientes a Deus! Jesus mesmo proclama a alegria que gozarão para sempre os que tiverem escolhido viver no bem e no amor. Sim, gozarão da felicidade eterna os que escolheram promover a paz, os que tiraram o mal de suas vidas, os que guardaram os santos mandamentos e os que ensinaram os caminhos do Senhor aos outros. Para esses, diz o Senhor: “Será considerado grande no Reino dos Céus”. Aqui está o que nos aguarda se fizermos de nossa vida um dom de amor para todos, se gastarmos nossas energias com coisas que dignificam e edificam a nossa vida e a vida dos que nos cercam. Você entendeu o ensinamento de hoje, meu irmão? Façamos, pois, o que pudermos, o que estiver ao nosso alcance, para que a luz de Deus resplandeça em nós e para sermos luzeiros na vida dos outros!

Evangelho do dia comentado por Padre Dennys (Mt 5,13-16) Terça-feira da X Semana do Tempo Comum, 9/6/2026 “Assim também brilhe a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras e louvem o vosso Pai que está nos céus”. Meus amados irmãos e minhas amadas irmãs, com que alegria dirijo-me a vocês neste santo dia! Sim, que alegria poder recordar que o nosso Mestre Jesus confiou à sua Igreja e, consequentemente, a cada um de nós, uma grande missão. E qual foi essa missão? Disse o Senhor: “Ninguém acende uma lâmpada e a coloca debaixo de uma vasilha, mas sim num candeeiro, onde brilha para todos os que estão na casa. Assim também brilhe a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras e louvem o vosso Pai que está nos céus”. Mas qual é essa luz que carregamos dentro de nós e que deve brilhar diante de todos? É a própria vida divina recebida no santo Batismo. Foi no Batismo que nascemos para a vida nova. Naquele dia memorável, as palavras sagradas foram pronunciadas sobre nós: “Eu te batizo em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo”. Naquele instante, o Espírito Santo foi derramado em nossos corações, o pecado original foi apagado e nos tornamos templos vivos de Deus. Sim, naquele dia glorioso, a luz de Deus invadiu a nossa alma. Pela morte e ressurreição de Nosso Senhor Jesus Cristo, fomos lavados da mancha original, tornamo-nos filhos adotivos do Pai e recebemos o Espírito Santo, dom precioso que nos santifica e nos conduz pelos caminhos da vida eterna. Quando Jesus nos pede para brilharmos no mundo, Ele está nos convidando a permanecer fiéis à graça que recebemos. Está nos chamando a lutar contra o pecado, a amar a Deus e aos irmãos, a viver segundo o Evangelho, para que essa luz divina continue brilhando através de nós. Uma lâmpada acesa transforma o ambiente onde está. Assim também deve acontecer conosco. Onde chega um verdadeiro discípulo de Cristo, deve chegar também um pouco mais de paz, de bondade, de misericórdia, de esperança e de amor. E aqui existe algo muito bonito no evangelho de hoje. Jesus não diz apenas que os homens verão a nossa luz. Ele afirma que verão as nossas boas obras. Isso significa que a luz da graça se torna visível através daquilo que fazemos. Ninguém vê a graça diretamente, mas todos podem perceber seus frutos quando encontram uma pessoa paciente, misericordiosa, honesta, generosa, caridosa e cheia de amor. Quando correspondemos à graça de Deus, quando nos mantemos longe do mal e procuramos viver segundo a vontade do Senhor, essa luz resplandece diante dos homens. E então acontece aquilo que Jesus deseja: as pessoas glorificam o Pai que está nos céus, porque reconhecem em nossa vida a ação transformadora da graça divina. Portanto, meus irmãos, não escondamos a luz que Deus colocou em nós. Que nossa fé seja visível. Que nossa esperança seja visível. Que nossa caridade seja visível. Que nossas boas obras falem de Cristo. E, vendo a luz que Deus faz brilhar em nossa vida, muitos possam abandonar as trevas do pecado, encontrar o caminho da salvação e glorificar o nosso Pai que está nos céus. Que assim seja!

Evangelho comentado por Padre Dennys (Mateus 9,9-13) X Domingo do Tempo Comum, 7/6/2026 “Segue-me!” O Evangelho de hoje nos apresenta uma das cenas mais bonitas de toda a Sagrada Escritura: o chamado de Mateus. Jesus passa, vê um homem sentado na coletoria de impostos e lhe dirige apenas duas palavras: “Segue-me!” A princípio, a cena parece simples, mas esconde um grande mistério. Mateus não era visto com bons olhos pelo povo. Como cobrador de impostos, era considerado pecador público, alguém que havia se associado aos ocupantes romanos e que carregava sobre si o peso da rejeição e do desprezo. Mas Jesus não vê apenas aquilo que os homens enxergam. Enquanto muitos viam um pecador, Jesus via um apóstolo. Enquanto muitos viam um homem marcado pelo passado, Jesus via um santo em construção. E é justamente isso que torna o Evangelho tão consolador: Deus não nos ama por aquilo que já somos, mas por aquilo que sua graça pode realizar em nós. O mais impressionante é a resposta de Mateus. O evangelista escreve simplesmente: “Ele se levantou e seguiu a Jesus”. Não há desculpas. Não há adiamentos. Não há negociações. Quando o coração reconhece a voz de Deus, compreende que nada vale mais do que segui-Lo. Em seguida, Jesus senta-se à mesa com cobradores de impostos e pecadores. Os fariseus se escandalizam. Não conseguem compreender como alguém considerado mestre pode conviver com pessoas de má fama. Então o Senhor responde com uma frase que atravessa os séculos: “Os que têm saúde não precisam de médico, mas os doentes.” Jesus não veio para os perfeitos. Veio para os necessitados. Veio para aqueles que reconhecem suas feridas e desejam ser curados. O problema dos pecadores que se aproximavam de Jesus não era o pecado. O problema estava naqueles que julgavam não precisar de conversão. Por isso o Senhor conclui com uma palavra decisiva: “Quero misericórdia e não sacrifício.” Deus deseja um coração humilde mais do que práticas religiosas vazias. Ele procura filhos que reconheçam suas fraquezas e se deixem transformar pela sua misericórdia. Hoje, Jesus também passa diante de nós. Talvez carreguemos pecados, quedas, feridas e limitações. Mas o olhar do Senhor continua o mesmo. Ele não se detém no nosso passado. Ele nos chama para um futuro novo. Que tenhamos a coragem de Mateus para nos levantar e segui-Lo sem demora.

Evangelho do dia comentado por Padre Dennys (Marcos 12,38-44) Sábado da nona semana do Tempo Comum, 6/6/2026 “Em verdade vos digo, esta pobre viúva deu mais do que todos os outros que ofereceram esmolas.” Que Evangelho esclarecedor e impactante o de hoje! Vamos nos debruçar sobre ele? Jesus, em seus grandes ensinamentos, denuncia a vida de aparência dos doutores da Lei e revela o fim daqueles que não são inteiros naquilo que fazem: “Por isso eles receberão a pior condenação.” Duro golpe para os que vivem apenas de aparências! E para mostrar o que realmente agrada a Deus, contrastando com tudo o que via nos doutores da Lei, o Senhor chama a atenção para a atitude de uma pobre viúva que estava no Templo. Perceba que Jesus não perdia nenhuma oportunidade quando o assunto era a formação dos seus discípulos. A própria Palavra de Deus nos diz: “O meu povo se perde por falta de conhecimento.” Jesus formava aqueles que seriam os formadores de tantas gerações futuras. Instruía os que levariam seus ensinamentos até os confins da terra. E um desses grandes ensinamentos é justamente sobre a autenticidade da vida diante de Deus. Enquanto Jesus observava o comportamento dos que frequentavam a Casa de Deus, chegou uma pobre senhora, uma viúva, uma mulher socialmente fragilizada e quase invisível aos olhos da sociedade da época. Com muita discrição, ela se aproximou do cofre das ofertas e depositou duas pequenas moedas que valiam quase nada. O gesto daquela mulher chamou a atenção do Senhor, que então declarou aos discípulos: “Em verdade vos digo, esta pobre viúva deu mais do que todos os outros que ofereceram esmolas. Todos deram do que tinham de sobra, enquanto ela, na sua pobreza, ofereceu tudo aquilo que possuía para viver.” Que constatação! Que diferente é o olhar de Deus! Os homens costumam medir a grandeza de uma oferta pelo valor que ela possui. Jesus, porém, mede pelo amor com que ela é oferecida. Enquanto muitos depositavam grandes quantias sem que isso lhes custasse quase nada, aquela pobre viúva colocou no cofre tudo o que possuía para viver. Ela não ofereceu apenas duas moedas; ofereceu sua confiança em Deus, sua entrega e o seu próprio coração. Jesus enxergou aquilo que ninguém mais via. Feliz é aquele que sabe amar com generosidade! Feliz é aquele que não vive fechado em si mesmo, mas aprende a olhar para a necessidade do irmão! Quando a dor do outro nos toca, quando o sofrimento do próximo encontra espaço em nosso coração, começamos a compreender os valores do Reino de Deus. Outra coisa importante: não devemos ajudar alguém apenas para aliviar a consciência. Devemos ajudar por amor. Devemos aprender a repartir não somente aquilo que temos, mas também aquilo que somos. Amar alguém é importar-se com ele, é desejar sinceramente que sua dor seja aliviada, que sua vida seja melhor, que ele encontre esperança. Mas há ainda uma riqueza mais profunda neste Evangelho. A pobre viúva é também uma imagem do próprio Cristo. Ela deu tudo o que possuía para viver. Pouco tempo depois, Jesus fará o mesmo por nós. Na cruz, Ele não entregará uma parte de si, mas tudo. Não dará uma sobra. Entregará sua vida inteira por amor. Por isso a atitude daquela mulher agrada tanto ao Senhor: nela já aparece refletido algo do próprio amor de Cristo, um amor que não calcula, não economiza e não se guarda para si. Aprendamos, portanto, com a pobre viúva e com o próprio Jesus a fazer de nossa vida uma oferta de amor a Deus e aos irmãos. Que Deus nos dê mãos generosas e um coração cheio de amor!

Evangelho do dia comentado por Padre Dennys (Mc 12,35-37) Sexta-feira da nona semana do Tempo Comum, 5/6/2026 “E uma grande multidão o escutava com prazer”. Alegra o meu coração saber que muitos, na época de Jesus, escutavam os seus ensinamentos com prazer. Alegra-me também saber que muitos, nos dias de hoje, encontram prazer em escutá-Lo. Que maravilha! E há coisa melhor nesta vida do que escutar Jesus com prazer e fazer o que Ele nos pede? Na verdade, muito do que vemos de errado no mundo é fruto de corações que não dão ouvidos a Deus nem aos ensinamentos do seu Filho. Quantas dores teriam sido evitadas se tivéssemos escutado mais o Senhor, se tivéssemos buscado conhecer e realizar a sua vontade. Sabe, meu amigo, nenhum de nós encontrará a paz tão desejada sem escutar o Deus da paz; nenhum de nós conhecerá verdadeiramente o amor sem escutar o Senhor Jesus, o Filho de Deus, que é o próprio Amor; nenhum de nós encontrará o caminho certo se não escutar Aquele que nos disse: “Eu sou o caminho”. No evangelho de hoje, Jesus procura ampliar a compreensão que o povo tinha a respeito do Messias. Muitos acreditavam que Ele seria apenas um descendente de Davi, um grande líder enviado por Deus. Mas o Senhor mostra que o Messias é muito mais do que isso. Citando as Escrituras, Jesus recorda que o próprio rei Davi, inspirado pelo Espírito Santo, chama o Messias de Senhor. Com isso, Jesus vai conduzindo seus ouvintes a compreenderem que o Cristo prometido não é apenas filho de Davi segundo a carne, mas também o Filho eterno de Deus. Embora o evangelista Marcos nos mostre que uma grande multidão escutava Jesus com prazer, ele também nos faz perceber que nem todos acolhiam suas palavras da mesma forma. Entre aqueles que mais resistiam ao Senhor estavam alguns dos chefes religiosos do povo, homens que conheciam profundamente as Escrituras, mas que haviam fechado o coração à ação de Deus. O grande problema não era a falta de conhecimento, mas o orgulho. Justamente por isso, tinham dificuldade de reconhecer aquilo que estava diante dos seus olhos. Resistiam às obras de Jesus, contestavam suas palavras e recusavam-se a acolher a luz que Deus lhes oferecia. Infelizmente, isso também pode acontecer conosco. O orgulho tem a capacidade de obscurecer até as verdades mais simples. Quando nos fechamos em nossas próprias certezas, deixamos de aprender, deixamos de ouvir e até mesmo deixamos de enxergar aquilo que Deus deseja nos mostrar. É o que vemos no evangelho de hoje. Jesus procura conduzir aqueles homens a uma compreensão mais profunda das profecias messiânicas. Com paciência, revela-lhes o verdadeiro sentido das Escrituras. Mas eles permanecem fechados. Não porque lhes faltassem argumentos, mas porque lhes faltava a humildade necessária para acolher a verdade. É assim que acontece quando deixamos de escutar com prazer o Senhor Jesus. Corremos o risco de endurecer o coração, permanecer nos erros, alimentar o orgulho e resistir cada vez mais à graça de Deus. E quanto mais uma pessoa resiste à graça, mais distante fica da luz que conduz à vida. Pois bem, vamos escutar com prazer o Senhor Jesus? Você tem feito isso? Você gosta de escutar Jesus? Cuidado com o orgulho! Cuidado com o coração! Não o deixe endurecer! Seja dócil nas mãos de Deus! Escutemos o Senhor com sinceridade e confiança. Quem acolhe a sua Palavra encontra luz para os passos, verdade para a inteligência e paz para o coração. Que Deus nos ilumine!

Evangelho do dia comentado por Padre Dennys(Marcos 12,18-27) Quarta-feira da nona semana do Tempo Comum, 3/6/2026 “Acaso, vós não estais enganados, por não conhecerdes as Escrituras, nem o poder de Deus?” No evangelho de hoje, os saduceus levaram uma questão para Jesus que nos ajuda a perceber o quanto podemos nos enganar quando não compreendemos corretamente as Sagradas Escrituras e o poder de Deus. Os saduceus não acreditavam na ressurreição dos mortos. Por isso, aproximaram-se do Senhor com uma pergunta que tinha mais o objetivo de criar uma dificuldade do que de buscar sinceramente a verdade. Eles apresentaram o caso de uma mulher que havia se casado sucessivamente com sete irmãos, todos falecidos sem deixar descendência, e perguntaram: “Havia sete irmãos: o mais velho casou-se e morreu sem deixar descendência. O segundo casou-se com a viúva e morreu sem deixar descendência. O mesmo aconteceu com o terceiro. E nenhum dos sete deixou descendência. Por último, morreu também a mulher. Na ressurreição, quando eles ressuscitarem, de quem será ela mulher? Porque os sete se casaram com ela!” A pergunta parecia inteligente, mas revelava uma compreensão muito limitada das coisas de Deus. Percebam como eles tentavam compreender os mistérios divinos apenas com critérios humanos! Pois bem, Jesus escutou a pergunta e respondeu: “Acaso, vós não estais enganados, por não conhecerdes as Escrituras, nem o poder de Deus?” Sim, eles estavam enganados. Não compreendiam corretamente as Escrituras e, sobretudo, não acreditavam naquilo que Deus era capaz de realizar. A bem da verdade, não estavam procurando aprender, mas tentando colocar Jesus numa situação embaraçosa. Posso imaginar o olhar do Senhor diante daquela cena. E também posso imaginar quantas vezes Ele olha para nós quando tentamos interpretar os acontecimentos da vida apenas com a nossa lógica humana, esquecendo-nos do poder de Deus. Sabe, meu amigo, quando algo acontece e não temos uma fé madura para nos orientar, facilmente nos confundimos, tiramos conclusões precipitadas e enxergamos tudo apenas segundo os nossos próprios critérios. Foi exatamente isso que aconteceu com os saduceus. Por isso, diante de uma pergunta tão limitada, Jesus esclarece: “Quando os mortos ressuscitarem, os homens e as mulheres não se casarão, pois serão como os anjos do céu.” Nosso Senhor não está diminuindo a beleza do matrimônio. Está revelando que a vida futura será muito mais grandiosa do que podemos imaginar. Os saduceus pensavam a ressurreição como uma simples continuação desta vida. Jesus, porém, mostra que a eternidade inaugura uma realidade completamente nova. Talvez a advertência feita aos saduceus também seja dirigida a nós: “Acaso, vós não estais enganados, por não conhecerdes as Escrituras, nem o poder de Deus?” Quantas vezes nos deixamos dominar pelas preocupações deste mundo? Quantas vezes olhamos para os acontecimentos sem a luz da fé? Quantas vezes limitamos a ação de Deus aos nossos raciocínios e esquecemos que para Ele nada é impossível? Ora, se conhecêssemos mais profundamente a Deus e sua Palavra, muitas das nossas inquietações perderiam força. Quando uma pessoa vive na presença do Senhor e se alimenta das Sagradas Escrituras, ela adquire uma sabedoria que ilumina a vida inteira. Que prejuízo enorme para a nossa salvação é viver sem conhecer as Escrituras e sem confiar no poder de Deus! Por isso, peça ao Espírito Santo que ilumine sua inteligência e seu coração. Procure conhecer mais profundamente a Palavra de Deus. Alimente-se dela. Medite-a. Reze com ela. Lembre-se também do ensinamento de hoje. Jesus nos ensina que, na ressurreição, viveremos uma realidade completamente nova, semelhante à dos anjos, inteiramente voltados para Deus. Ninguém pertencerá a ninguém. Todos pertencerão plenamente ao Senhor. Todos estarão mergulhados na plenitude do amor de Deus. Lutemos pelo céu! Lutemos por Deus! Que Deus nos ilumine!

Evangelho do dia comentado por Padre Dennys (Marcos 12,1-12) Segunda-feira da nona semana do Tempo Comum – 1/6/2026 “Esse é o herdeiro. Vamos matá-lo, e a herança será nossa”. A parábola contada por Jesus no Evangelho de hoje é uma das mais fortes e dramáticas de todo o Novo Testamento. Por meio dela, Jesus revela a história da salvação. O dono da vinha é Deus. A vinha é o seu povo. Os servos enviados são os profetas que, ao longo dos séculos, falaram em nome do Senhor e tantas vezes foram rejeitados, perseguidos e até mortos. Por fim, o dono envia o seu próprio Filho. Mas também Ele é rejeitado. Jesus está falando de si mesmo. Ele sabe que sua Paixão se aproxima. Sabe que os chefes religiosos já planejam sua morte. Por isso, a parábola não é apenas uma denúncia; é também um anúncio do que está para acontecer. Mas seria um erro pensar que esta Palavra diz respeito apenas às autoridades religiosas da época. A tentação daqueles vinhateiros continua presente em cada coração humano. Deus nos confia muitos dons, responsabilidades, pessoas, ministérios, bens materiais e espirituais. Porém, com facilidade esquecemos que somos apenas administradores e começamos a agir como donos. Quando isso acontece, já não queremos prestar contas a Deus, já não aceitamos correções, já não ouvimos aqueles que Ele envia para nos orientar. Aos poucos, o orgulho ocupa o lugar da humildade e a nossa vontade tenta substituir a vontade do Senhor. O pecado tem exatamente essa dinâmica: ele nos faz viver como se Deus não fosse o verdadeiro Senhor da nossa vida. O mais impressionante da parábola é que os vinhateiros não se contentam em rejeitar os servos. Eles chegam ao ponto de rejeitar o próprio filho do dono da vinha. É isso que o mal produz quando encontra espaço em nosso coração: uma cegueira espiritual capaz de nos fazer resistir até mesmo à ação de Deus diante de nós. Por isso, somos convidados hoje a fazer um sincero exame de consciência: existe alguma área da minha vida da qual me tornei dono absoluto? Existe alguma correção que não aceito? Existe alguma voz enviada por Deus que venho ignorando? Um dado importante e que não pode ser esquecido: tudo pertence ao Senhor! Sim! Nossa vida, nossa vocação, nossa família, nossos talentos e até o tempo que temos neste mundo são dons recebidos de suas mãos. Peçamos a graça de sermos administradores fiéis e não proprietários orgulhosos. E, sobretudo, que nunca fechemos o coração ao Filho amado que o Pai continua enviando ao nosso encontro. Que Deus nos ajude!

Evangelho do dia comentado por Padre Dennys (Jo 3,16-18) Domingo da Santíssima Trindade – 31/5/2026 “Deus amou tanto o mundo, que deu o seu Filho unigênito, para que não morra todo o que nele crer, mas tenha a vida eterna.” Hoje celebramos a Solenidade da Santíssima Trindade. E não existe porta de entrada mais bela para este mistério do que as palavras do próprio Jesus. Antes de nos revelar como Deus é em si mesmo, Jesus nos revela como Deus nos ama. O Pai envia o Filho para salvar o mundo e, com o Filho, derrama o Espírito Santo em nossos corações para nos conduzir à vida eterna. Assim, a Santíssima Trindade não é primeiramente um problema a ser resolvido, mas um mistério de amor a ser contemplado. Com o coração cheio de alegria, contemplamos este mistério que nos ultrapassa e nos enche de admiração: há um só Deus em Três Pessoas realmente distintas — Pai, Filho e Espírito Santo. Quem poderia compreender plenamente tão grande mistério? Ninguém. Se pudéssemos esgotá-lo com nossa inteligência, ele deixaria de ser mistério. Isso não significa, porém, que nada possamos compreender. Deus mesmo quis revelar-nos aquilo que é necessário para nossa salvação. Ao longo da história, Deus preparou um povo e prometeu enviar o Salvador. Na plenitude dos tempos, enviou o seu Filho, que nasceu da Virgem Maria e veio habitar entre nós. Por suas palavras e obras, Jesus revelou-se como o Filho eterno do Pai, verdadeiro Deus como o Pai. E, antes de retornar ao Céu, prometeu enviar o Espírito Santo, o Consolador, para permanecer conosco. Assim, fomos introduzidos no coração da vida divina: um só Deus em Três Pessoas realmente distintas. O Pai não é o Filho, o Filho não é o Espírito Santo e o Espírito Santo não é o Pai. Contudo, os três possuem a mesma natureza divina, a mesma glória e a mesma eternidade. Mas este mistério não nos foi revelado apenas para ser admirado. Deus é, desde toda a eternidade, perfeita comunhão de amor entre o Pai, o Filho e o Espírito Santo. E porque fomos criados à sua imagem e semelhança, somos chamados a viver também em comunhão. Toda vez que nos fechamos no egoísmo, no orgulho, na falta de perdão ou na indiferença para com os outros, afastamo-nos do modo de viver do próprio Deus. Ao contrário, toda vez que amamos, servimos, perdoamos e saímos de nós mesmos para acolher o próximo, tornamo-nos um reflexo da vida da Santíssima Trindade. Por isso, cultivar uma relação pessoal com o Pai, o Filho e o Espírito Santo não é algo reservado a alguns cristãos mais fervorosos. É o próprio coração da vida cristã. O Pai nos criou, o Filho nos redimiu e o Espírito Santo nos santifica. Assim, toda a nossa vida começa na Trindade, caminha na Trindade e encontra sua plenitude na Trindade. Peçamos hoje a graça de viver cada vez mais unidos ao Pai, por meio do Filho, na força do Espírito Santo. E que um dia possamos contemplar face a face aquele mistério que agora adoramos na fé: o Pai, o Filho e o Espírito Santo.

Evangelho do dia comentado por Padre Dennys (Marcos 11,11-26) Sexta-feira da oitava semana do tempo comum, 29/5/2026 “Tende fé em Deus” Por diversas vezes, vimos Jesus falando sobre o poder da oração. Hoje, no santo evangelho, Ele nos mostra ainda mais sobre a necessidade de uma oração fervorosa, ardente e confiante. Ele nos disse: “Tende fé em Deus. Em verdade vos digo, se alguém disser a esta montanha: ‘Levanta-te e atira-te no mar’, e não duvidar no seu coração, mas acreditar que isso vai acontecer, assim acontecerá. Por isso vos digo, tudo o que pedirdes na oração, acreditai que já o recebestes, e assim será”. Essas palavras de Jesus foram pronunciadas depois que os apóstolos viram a figueira que Ele havia amaldiçoado no dia anterior completamente seca. Admirados com o que viam, chamaram a atenção do Senhor para o acontecimento. Mas por que Jesus amaldiçoou aquela figueira? À primeira vista, sua atitude pode parecer estranha. Contudo, Jesus não estava simplesmente reagindo à ausência de frutos em uma árvore. Na verdade, Ele realizava um gesto profético, um ensinamento vivo destinado aos apóstolos e a todos nós. A figueira representava a situação espiritual de Israel naquele tempo. Havia muitas folhas, isto é, muitas práticas religiosas, muitos ritos, muitas observâncias exteriores. No entanto, faltavam os frutos que Deus esperava encontrar em seu povo. Não por acaso, São Marcos coloca esse acontecimento ao lado da purificação do Templo. Ao expulsar os vendilhões, Jesus denuncia a mesma realidade simbolizada pela figueira: uma religião que conservava sua aparência exterior, mas que estava se afastando cada vez mais de sua verdadeira finalidade. O Templo deveria ser uma casa de oração, um lugar de encontro com Deus. Entretanto, muitos dos que tinham a responsabilidade de cuidar dele permitiam abusos e atitudes incompatíveis com a santidade daquele lugar. Havia movimento, atividade, religiosidade aparente, mas faltavam os frutos de uma autêntica fidelidade ao Senhor. A figueira seca torna-se, então, um sinal da esterilidade espiritual de Israel e um forte chamado à conversão. Ao mesmo tempo, ela nos leva a olhar para a nossa própria vida. Também nós podemos correr o risco de cultivar apenas as aparências da fé, enquanto Deus espera encontrar em nós os frutos da conversão, da caridade, da humildade e da obediência. Depois de realizar esse gesto profético e de alertar os discípulos sobre o perigo da esterilidade espiritual, Jesus lhes mostra o caminho para uma vida verdadeiramente fecunda: a fé em Deus. “Tende fé em Deus”. Eis o caminho para não nos tornarmos estéreis espiritualmente. Quem vive unido ao Senhor pela fé produz frutos. Quem confia em Deus persevera. Quem reza com fé encontra forças para permanecer fiel mesmo em meio às dificuldades. Por isso, Jesus nos fala com tanta firmeza sobre a oração. Ele deseja que seus discípulos aprendam a confiar plenamente no Pai, sem permitir que a dúvida, o medo ou o desânimo dominem seus corações. Vale para nós também, meu amigo! Precisamos viver de fé! Precisamos confiar no Senhor! Não podemos pensar que o mal é maior do que o bem nem desanimar diante das vicissitudes da vida, pois o Senhor permanece ao lado daqueles que n’Ele confiam. Devemos também ter muito zelo pelas coisas de Deus, assim como nos mostra Jesus no evangelho de hoje. Ele expulsou os vendilhões do Templo e proclamou o verdadeiro objetivo daquele lugar sagrado: “A minha casa será chamada casa de oração para todos os povos”. Portanto, nada de irreverência diante das coisas sagradas! Respeitemos a Casa de Deus! Respeitemos os lugares santos! E, sobretudo, não nos contentemos com as aparências da fé, mas ofereçamos ao Senhor os frutos de uma vida verdadeiramente convertida. Que Deus nos ajude!

Evangelho do dia comentado por Padre Dennys (Mc 10,46-52) Quinta-feira da oitava semana do Tempo Comum, 28/5/2026 “Jesus, filho de Davi, tem piedade de mim!” Há encontros que marcam profundamente a nossa vida. Existem encontros que nos amadurecem, que nos transformam, que nos levantam, que nos aproximam de Deus e nos tornam pessoas melhores. Mas também existem encontros que nos ferem, aprisionam, afastam da verdade, que nos adoecem interiormente e nos mergulham na escuridão. E, certamente, nenhum encontro seja tão transformador quanto um verdadeiro encontro com Jesus Cristo. Foi exatamente isso que aconteceu no evangelho de hoje. São Marcos nos apresenta Bartimeu. Um homem cego, mendigo, sentado à beira do caminho. Humanamente falando, Bartimeu parecia apenas mais um homem esquecido no meio da multidão, mas havia algo profundamente bonito dentro dele: ele reconhecia sua pobreza, suas necessidades E aqui está o início de toda verdadeira conversão: reconhecer que precisa mudar, que tem necessidade de Deus. Bartimeu reconhece sua necessidade. Ao ouvir que Jesus estava passando, começou a gritar:“Jesus, filho de Davi, tem piedade de mim!” Que grito extraordinário! Não é apenas um pedido. É o grito de uma alma que sabe que sozinha não consegue sair da própria escuridão. O mais impressionante é que muitos tentavam fazê-lo calar-se. O evangelho diz que o repreendiam, mas Bartimeu gritava ainda mais forte. Isso possui enorme profundidade espiritual, porque sempre existirão vozes tentando nos afastar de Jesus: vozes do pecado, do orgulho, do desânimo, do egoísmo, das ilusões do mundo e até de pessoas que não compreendem nossa busca por Deus. Mas Bartimeu não desistiu. Talvez porque tivesse compreendido que aquele encontro poderia mudar completamente sua vida. Quantas pessoas hoje vivem espiritualmente sentadas à beira do caminho! Elas estão feridas, cansadas, paralisadas, sem esperança, presas em pecados, dominadas por apegos e carregando vazios interiores. E o mais triste: muitas vezes nos acostumamos com nossa cegueira espiritual. Sim, podemos nos acostumar com o pecado, com a superficialidade, com uma vida espiritual morna, com os mesmos erros e com regiões do coração que ainda não pertencem verdadeiramente a Deus. Bartimeu nos ensina exatamente o contrário. Ele não se conforma. Ele grita. Ele busca Jesus. Existe ainda outro detalhe profundamente bonito no evangelho. Quando Jesus o chama, Bartimeu imediatamente lança fora o manto. O manto talvez fosse uma das poucas coisas que possuía. Era proteção, segurança. Talvez até símbolo de sobrevivência. Mas, diante do chamado de Jesus, Bartimeu deixa tudo para trás. Que imagem extraordinária! Porque ninguém segue verdadeiramente Jesus sem precisar abandonar algo. Sempre existirão “mantos” que precisarão cair: pecados, apegos, orgulho, falsas seguranças, vícios, autossuficiência e tudo aquilo que impede a alma de caminhar livremente atrás do Senhor. Então Jesus pergunta:“Que queres que eu te faça?” Que pergunta impressionante! Jesus sabia que Bartimeu era cego, mas queria ouvir dele o reconhecimento da própria necessidade. E Bartimeu responde:“Mestre, que eu veja!” Talvez essa também precise ser hoje a nossa oração: Senho, faz-me enxergar meus pecados, meus apegos, minhas ilusões, minhas regiões ainda não convertidas e tudo aquilo que ainda me afasta de Ti!. Pois bem, o evangelho termina dizendo que Bartimeu recuperou a vista e começou a seguir Jesus pelo caminho. Bartimeu não recuperou apenas a visão dos olhos. Ele recuperou a esperança, a dignidade, a direção da vida e a capacidade de seguir Jesus. Depois daquele encontro, sua vida nunca mais foi a mesma. E eis o que acontece quando alguém encontra verdadeiramente Cristo: a vida muda. Que também nós hoje tenhamos coragem de gritar:Jesus, filho de Davi, tem piedade de mim!” Que Jesus nos cure de nossa cegueira!

Evangelho do dia comentado por Padre Dennys (Mc 10,32-45) Quarta-feira da oitava semana do Tempo Comum, 27/5/2026 “Deixa-nos sentar um à tua direita e outro à tua esquerda, quando estiveres na tua glória!” Como é difícil essa nossa natureza humana corrompida! Como é difícil lutar contra esse tal “homem velho” que ainda vive em nós! Sim, mesmo estando pertinho de Jesus, vemos claramente como esse “homem velho” continua se levantando dentro do coração humano, querendo aparecer, dominar, receber reconhecimento, ocupar os primeiros lugares e alimentar continuamente o próprio ego. Ora, podemos ver isso claramente no santo evangelho de hoje. Enquanto Jesus falava: de sofrimento, de entrega, de humilhação, de cruz e de morte, os apóstolos Tiago e João aproximaram-se dele com um pedido profundamente marcado pelas glórias humanas. Disseram eles: “Deixa-nos sentar um à tua direita e outro à tua esquerda, quando estiveres na tua glória!” Que contraste impressionante! Enquanto Jesus caminhava em direção ao Calvário, os discípulos ainda pensavam em posições, em honra, em reconhecimento e em grandeza humana. Pobres homens! Não eram homens maus. Tinham deixado tudo por Jesus, trabalhavam pelo povo, caminhavam diariamente ao lado do Senhor, mas ainda carregavam dentro de si muitas regiões que precisavam ser transformadas. Estavam próximos de Jesus fisicamente, mas ainda precisavam permitir que Jesus transformasse profundamente seus corações. E talvez aqui exista uma verdade muito importante para todos nós. É possível rezar, servir, trabalhar para Deus, participar da Igreja e até realizar coisas boas, mas ainda carregar orgulho, vaidade, desejo de reconhecimento, egoísmo e necessidade de ocupar os primeiros lugares. O “homem velho” não desiste facilmente. Assim também acontece conosco. Quantas vezes também nós buscamos reconhecimento, queremos ser valorizados, ficamos feridos quando não somos notados, desejamos ocupar os primeiros lugares ou fazemos até coisas boas misturadas com vaidade e desejo de aparecer? Quantas vezes nosso coração ainda se deixa dominar pelo egoísmo, pela autossuficiência, pela necessidade de aprovação e pelas glórias humanas? Por isso precisamos rezar mais, vigiar mais, adorar mais e lutar mais contra tudo aquilo que ainda não pertence verdadeiramente a Deus dentro de nós. Pois bem, Jesus não ficou satisfeito com o pedido dos dois e lhes disse: “Vós não sabeis o que pedis. Por acaso podeis beber o cálice que eu vou beber? Podeis ser batizados com o batismo com que vou ser batizado?” Pois é, meus amados, muitas vezes também nós não sabemos o que estamos pedindo. Agimos sem discernimento, sem maturidade espiritual, sem escutar verdadeiramente o Espírito Santo, e movidos muito mais pelos impulsos do ego do que pela vontade de Deus. E aquele pedido gerou divisão entre os apóstolos criou mal-estar, tensão, disputa. É isso que o egoísmo faz. Quando o “homem velho” é alimentado, surgem divisões, competições, comparações, ressentimentos e disputas por espaço e reconhecimento. Jesus, porém, corrige a todos dizendo:“Quem quiser ser grande, seja vosso servo; e quem quiser ser o primeiro, seja o escravo de todos.” Que palavra desconcertante! O mundo ensina a subir, aparecer, dominar, vencer e ocupar os primeiros lugares. Jesus ensina exatamente o contrário: a verdadeira grandeza nasce no serviço, na humildade, na entrega e no amor que não busca reconhecimento. Que Deus nos ajude a combater diariamente esse “homem velho” que ainda deseja aplausos, honras, reconhecimento e grandezas humanas. E que cresça dentro de nós o homem novo, formado à imagem de Cristo Servo. Lutemos mais!

Evangelho do dia comentado por Padre Dennys (Marcos 10,28-31) Terça-feira da oitava semana do tempo comum, 26/5/2026 - Memória de São Filipe Néri “Eis que nós deixamos tudo e te seguimos”. Simão Pedro, sentindo-se à vontade diante de Jesus, fez uma colocação que ainda revelava expectativas muito humanas: “Eis que nós deixamos tudo e te seguimos”. É verdade que Pedro tinha deixado tudo para seguir Jesus. É verdade também que ele havia sido bastante generoso para com o Senhor. Contudo, não se fazia necessária tal lembrança, pois Jesus estava ciente de todos os esforços e renúncias que os seus discípulos faziam para segui-Lo. Sim, embora Pedro tenha mostrado desde o início o seu amor por Jesus, ele ainda não era o Pedro que seria depois de Pentecostes. O Pedro que surgiria após a descida do Espírito Santo seria profundamente transformado e amadurecido no amor. Nesse momento, porém, ele ainda demonstra um amor misturado com expectativas humanas e deseja compreender o que receberão por terem deixado tudo para seguir os passos de Jesus. É muito comum encontrarmos pessoas que servem a Deus esperando vantagens, recompensas ou consolações. Sim, é comum vermos pessoas murmurando contra Deus, afirmando que Ele permitiu que algo ruim lhes acontecesse justamente a elas, que sempre foram fiéis dizimistas, que estão constantemente na igreja, que participam de movimentos e serviços, que procuram fazer tudo certo. Tal comportamento revela um amor ainda imaturo espiritualmente, um amor que ainda precisa ser purificado pela graça de Deus. Afinal, muitos de nós ainda não aprendemos verdadeiramente o significado da gratuidade. Pois bem, Jesus não repreendeu Pedro severamente e nem lhe fez um discurso moralista. O Senhor sabia que o apóstolo ainda precisava amadurecer, crescer no amor e ser transformado pela ação do Espírito Santo. Então, com paciência pedagógica e divina, respondeu: “Em verdade vos digo, quem tiver deixado casa, irmãos, irmãs, mãe, pai, filhos, campos, por causa de mim e do Evangelho, receberá cem vezes mais agora, durante esta vida — casa, irmãos, irmãs, mães, filhos e campos, com perseguições — e, no mundo futuro, a vida eterna”. A fala de Pedro acabou nos revelando ainda mais a grande generosidade de Deus, o quanto o Senhor não se deixa vencer em generosidade, o quanto Ele recompensa tudo aquilo que é feito por amor a Ele e ao Evangelho. Deus é verdadeiramente magnânimo! Seu amor ultrapassa a nossa compreensão! O Senhor não apenas restitui: Ele concede o cêntuplo àqueles que renunciam por amor. Que realidade estupenda! Que Deus surpreendente! O Senhor é infinitamente maior do que tudo aquilo que conseguimos compreender! Então, diante de tanto amor da parte de Deus, como devemos nos comportar? Como devemos nos relacionar com o Senhor? Penso que devemos reavaliar o nosso amor para com Deus. Precisamos fazer um sincero exame de consciência para perceber até que ponto estamos agindo por amor ou apenas movidos por interesses e expectativas humanas. Quando vamos à missa, o que nos impele? O que nos motiva quando servimos na Igreja ou quando fazemos o bem a alguém? Será que tudo o que fazemos nasce realmente do amor ou ainda esperamos recompensas, reconhecimento e vantagens? Precisamos pedir a Deus a graça de um amor gratuito, oblativo, um amor que não coloque condições, um amor que aprenda a amar o Senhor pelo que Ele é, e não apenas pelo que pode nos conceder. Vamos nos avaliar? Vamos fazer um exame de consciência? Que Deus nos ajude e nos ilumine!

Evangelho do dia comentado por Padre Dennys (João 19,25-34) Segunda-feira, 25/5/2026 Dia da Bem-aventurada Virgem Maria, Mãe da Igreja “E daquela hora em diante, o discípulo a acolheu consigo”. Aos pés da Cruz de Jesus acontece uma das cenas mais profundas e comoventes de todo o evangelho. Enquanto muitos abandonavam Jesus naquele momento de dor, Maria, sua Mãe Santíssima, permanecia ali, de pé, silenciosa, fiel. Seu coração estava atravessado pela espada da dor anunciada por Simeão, mas nem mesmo o sofrimento a afastou do Filho. Ela permaneceu. Ali estava uma Mãe contemplando o mistério mais doloroso de sua existência: ver o Filho inocente, santo e amado sendo crucificado diante de seus olhos. Enquanto ela sofre unida ao Filho, Jesus, de forma desconcertante, mesmo em meio à agonia da cruz, não deixa de manifestar amor, não deixa de amar. Aliás, Ele está pregado à Cruz exatamente por amor à humanidade que jazia na escuridão da morte. Pois bem, pouco antes de entregar seu espírito ao Pai, Jesus realiza um dos gestos mais profundos e misteriosos narrados pelo evangelista São João. O evangelista nos diz que Jesus, olhando para sua Mãe santíssima, declarou: “Mulher, este é o teu filho”. Depois, olhando para o discípulo amado, disse: “Esta é a tua mãe”. Que cena grandiosa! Naquele instante, o Senhor não estava apenas confiando Maria aos cuidados de João. Havia ali um mistério muito mais profundo. João, ao pé da cruz, torna-se a figura de todos os discípulos de Jesus, ou seja, da própria Igreja. Os Santos Padres contemplavam exatamente dessa forma essa passagem do Calvário. Santo Agostinho ensinava que, naquele momento, João representava todos os membros da Igreja que recebiam Maria como Mãe espiritual. Que presente inigualável! Sabendo que havia chegado o momento de entregar seu espírito ao Pai, Jesus deixou a criatura mais preciosa de sua vida, sua Mãe santíssima, aos cuidados de João. E, conhecendo a importância da presença materna na caminhada da fé, entregou também João aos cuidados dela. O evangelho nos faz enxergar claramente que todo discípulo de Jesus é chamado a acolher sua Mãe consigo. Que maravilha! Repito: João, ali, não representa apenas uma pessoa, mas toda a Igreja. Ele recebe do próprio Jesus uma missão: acolher Maria como Mãe, amá-la e levá-la consigo. E João, obediente ao Mestre, tomou Maria consigo e a levou para sua casa. Você já levou a Mãe de Jesus para sua casa também? Orígenes, um dos grandes escritores cristãos dos primeiros séculos, ensinava que todo verdadeiro discípulo de Cristo deve acolher Maria em sua vida, assim como João a acolheu aos pés da cruz. Como é triste perceber que muitos cristãos ainda não compreenderam plenamente esse dom tão precioso deixado por Jesus à sua Igreja! Aquela que foi recebida como um grande presente do Senhor, às vezes acaba sendo esquecida ou incompreendida por alguns irmãos na fé. Como não contemplar nesse gesto de Jesus, ao pé da cruz, um sinal profundo de amor para com sua Igreja? A Palavra de Deus deve ser acolhida por inteiro, com humildade e sinceridade de coração. E esse episódio revela claramente o desejo de Jesus: que sua Igreja tivesse uma Mãe. Por isso, não devemos ter receio de tomar a Mãe de Jesus como nossa Mãe também, pois ela é um presente maravilhoso dado à Igreja. Na verdade, ela é um dom inigualável! Que pena que muitos cristãos ainda não tenham descoberto plenamente a beleza e a profundidade da missão de Maria na caminhada da fé! Como alguém pode deixar de admirar aquela que ouviu do Anjo Gabriel, enviado por Deus, o mais belo elogio: “Ave, cheia de graça”? Rezo, pois, ao Espírito Santo, para que ilumine todos os corações e conduza cada vez mais os cristãos à compreensão do papel tão sublime da Mãe de Jesus na vida da Igreja.

Evangelho do dia comentado por Padre Dennys( João20,19-23) Domingo de Pentecostes, 24/5/2026 “A paz esteja convosco… Recebei o Espírito Santo.” Meus amados, o Evangelho de hoje começa com uma imagem profundamente humana: “As portas estavam fechadas por medo.” Os discípulos tinham visto a morte de Jesus. Estavam feridos, confusos, frustrados. Inseguros. Tinham medo do futuro, medo da perseguição, medo de sofrer, medo de recomeçar. E talvez o mais impressionante seja perceber que eles já tinham ouvido falar da ressurreição, mas ainda viviam fechados. Porque é possível conhecer verdades sobre Jesus e ainda viver prisioneiro do medo. E quantos cristãos hoje vivem assim. Batizados, mas fechados. Frequentam a Igreja, mas vivem paralisados. Sabem quem é Cristo, mas continuam aprisionados pela insegurança, pela tristeza, pela tibieza, pelo pecado escondido, pela falta de coragem espiritual. As portas continuam fechadas. Mas então acontece algo decisivo: Jesus entra. O Ressuscitado atravessa as portas fechadas, porque nenhuma porta é capaz de impedir a entrada de Cristo: nem a porta do medo, nem a do pecado, nem a da decepção, nem a da desesperança. E a primeira palavra de Jesus é: “A paz esteja convosco.” Não é uma paz superficial. Não é ausência de problemas. É a paz de quem venceu a morte. Depois, Jesus mostra as mãos e o lado. Ou seja: a paz de Cristo não ignora as feridas. Ela nasce das feridas glorificadas. O Ressuscitado continua trazendo as marcas da cruz. Isso é muito importante: o Espírito Santo não vem eliminar magicamente todas as lutas da nossa vida. Ele vem transformar nossa maneira de atravessá-las. E então chega o grande momento: “Recebei o Espírito Santo.” Jesus sopra sobre eles. Esse detalhe é belíssimo Na criação, Deus soprou o hálito de vida sobre Adão. Agora, Cristo sopra novamente. Pentecostes é uma nova criação. O homem velho, medroso e fechado, começa a morrer. Nasce o homem espiritual. E, imediatamente, vemos a transformação em Atos dos Apóstolos. Aqueles homens escondidos agora falam publicamente. Aqueles homens tímidos, agora anunciam as maravilhas de Deus. Aqueles homens fechados, agora alcançam todas as nações. O Espírito Santo faz a Igreja nascer missionária, porque quem recebeu verdadeiramente o Espírito não consegue guardar Jesus apenas para si. O fogo do Espírito não foi dado para aquecer apenas o coração. Foi dado para incendiar o mundo. E há um detalhe maravilhoso na primeira leitura: cada povo ouvia os discípulos em sua própria língua. O Espírito Santo não destrói as diferenças. Ele cria comunhão. O pecado divide, o orgulho separa, o egoísmo fragmenta, mas o Espírito Santo une. Por isso Pentecostes é o contrário de Babel. Em Babel, os homens já não conseguiam se compreender. Em Pentecostes, povos diferentes se tornam um só coração. E talvez o grande drama do nosso tempo seja exatamente este: há muita comunicação, mas pouca comunhão. As pessoas falam sem parar, mas quase não conseguem mais se encontrar verdadeiramente. Só o Espírito Santo pode curar isso. Só Ele pode quebrar o orgulho. Só Ele pode reconciliar famílias. Só Ele pode restaurar casamentos. Só Ele pode devolver ardor a uma alma fria. Só Ele pode tirar um cristão da mediocridade espiritual. E aqui está uma pergunta necessária: Que portas continuam fechadas dentro de nós? Há pessoas vivendo fechadas há anos: fechadas no ressentimento, na autossuficiência, na impureza, na tristeza, na falta de perdão, na acomodação espiritual. Mas Pentecostes nos lembra: o Espírito Santo não foi dado para decorarmos uma doutrina. Ele foi dado para transformar a vida. O mundo não precisa de cristãos apenas informados. Precisa de cristãos inflamados. Homens e mulheres cheios do Espírito Santo. Peçamos hoje: “Senhor, sopra novamente sobre nós. Entra nas nossas portas fechadas. Queima nossa tibieza. Rompe nossos medos. E faz de nós testemunhas ardentes do Evangelho.” Porque uma Igreja sem Espírito Santo vira apenas organização. Mas uma alma cheia do Espírito torna-se fogo vivo de Deus no mundo.

Evangelho do dia comentado por Padre Dennys (Jo 21,20-25) Sábado da VII Semana da Páscoa, 23/6/2026 “Tu, segue-me!” Irmãos e irmãs, hoje, o Evangelho nos coloca diante de uma palavra decisiva de Jesus: “Tu, segue-me!” Não é uma sugestão. Não é uma opinião. É um chamado direto. Estamos no final do Evangelho de João. Jesus ressuscitado conversa com Pedro. E o que acontece aqui é muito humano. Pedro olha para o discípulo amado, João, e quer saber sobre o futuro dele. Pedro olha para o caminho do outro e pergunta:”Senhor, o que vai ser deste?" Mas Jesus responde de um modo que corta qualquer distração:“Se eu quero que ele permaneça até que eu venha, que te importa? Tu, segue-me!” Percebam bem. Jesus não entra na curiosidade de Pedro. Jesus não explica o futuro do outro. Jesus não alimenta comparações. Jesus recoloca Pedro no centro da vida espiritual. Porque o problema não era a pergunta. O problema era o desvio do olhar. E isso é muito atual. Quantas vezes perdemos a paz olhando demais para a vida dos outros! Comparando caminhos. Comparando histórias. Comparando destinos. E, nesse movimento, esquecemos do essencial: o nosso próprio seguimento de Cristo. E Jesus hoje nos educa. Ele diz:não te preocupes com o que não te foi confiado, não te percas no que não é teu caminho. “Tu, segue-me.” A vida cristã é simples no seu centro, mas exigente na sua entrega. Não é sobre controlar o futuro. Não é sobre entender o outro. Não é sobre resolver todos os mistérios. É sobre seguir Jesus. Seguir no hoje. Seguir no concreto. Seguir na fidelidade diária. E aqui está uma verdade profunda: cada vida tem um mistério diante de Deus, cada pessoa tem um caminho próprio. E Deus conduz cada um de forma única. Por isso, Jesus não compara Pedro com João. Ele não explica João a Pedro. Ele apenas diz: confia no teu caminho e segue-me. Isso liberta o coração, porque a comparação rouba a paz, a curiosidade excessiva rouba a paz, o controle do futuro rouba a paz, mas o seguimento de Jesus devolve tudo ao lugar. E talvez hoje o Evangelho esteja nos perguntando: você quer seguir Jesus… ou quer controlar a vida? Você quer confiar… ou quer entender tudo? Você quer caminhar… ou quer vigiar o caminho dos outros? E Jesus insiste conosco:”Tu, segue-me!” Não amanhã. Não quando tudo estiver claro. Mas hoje. Seguir Jesus é confiar sem ver tudo. É amar sem controlar. É caminhar sem possuir o mapa inteiro. E no final, o Evangelho nos deixa uma certeza: cada discípulo está nas mãos de Deus. E isso basta. Então hoje, guardemos esta palavra no coração:”Tu, segue-me.” E deixemos que ela nos reorganize por dentro, que ela nos devolva a paz, que ela nos ensine, de novo, a essencial simplicidade da fé: seguir Jesus… todos os dias Que Deus nos ajude!

Evangelho do dia comentado por Padre Dennys (João 21,15-19) Sexta-feira da sétima semana da Páscoa, 22/5/2026 “Simão, filho de João, tu me amas mais do que estes?” A pergunta que Jesus fez a Pedro atravessou os séculos e chegou até nós com a mesma força e com o mesmo poder de provocar um profundo exame de consciência. Pedro, certamente, não esperava ouvir tal pergunta. Jesus foi direto ao coração. E, ao repetir por três vezes: “Tu me amas?”, fez Pedro recordar imediatamente das três negações. O Senhor permitiu que o amor reparasse aquilo que a fraqueza havia ferido. As respostas de Pedro, porém, foram sinceras e cheias de verdade: “Sim, Senhor, tu sabes que eu te amo”. Pedro estava diante de Jesus ressuscitado e, portanto, não poderia enganar o próprio Deus. Sua resposta brotava de um coração frágil, vacilante, mas profundamente apaixonado por Cristo. Quando Pedro negou Jesus, não o fez por falta de amor, mas por medo. Medo do sofrimento, da perseguição e da morte. Seu amor era verdadeiro, mas ainda precisava ser fortalecido. Oh, como somos parecidos com Pedro! Também somos frágeis, inseguros, contraditórios e tantas vezes cedemos diante do medo. Mas Pedro nos ensina algo belíssimo: mesmo depois da queda, ele não desistiu de Jesus. Chorou amargamente, arrependeu-se e permaneceu amando o Senhor. Por isso, na terceira vez em que Jesus lhe perguntou se o amava, Pedro respondeu com mais profundidade: “Senhor, tu sabes tudo; tu sabes que eu te amo”. Que resposta linda! Era como se dissesse: “Senhor, Tu conheces minhas misérias, minhas quedas e minhas fraquezas, mas sabes também que eu Te amo”. E Jesus, conhecendo perfeitamente Pedro, entregou justamente a ele as chaves do Reino e a missão de pastorear a Igreja. Mistério da misericórdia divina! Jesus não escolhe os perfeitos, mas aqueles que, apesar das suas misérias, estão dispostos a amá-Lo e a recomeçar. Por isso, não desanimemos por causa dos nossos pecados e fraquezas. Olhemos para Jesus, levantemo-nos sempre e aproveitemos o tempo que Deus nos concede para fazer o bem. Recomecemos como Pedro. Amemos como Pedro. Que Deus nos ajude!

Evangelho do dia comentado por Padre Dennys (João 17,20-26) Quinta-feira da sétima semana da Páscoa, 21/5/2026 “Pai, aqueles que me deste, quero que estejam comigo onde eu estiver, para que eles contemplem a minha glória, glória que tu me deste porque me amaste antes da fundação do universo”. Que palavras profundas e cheias de amor! Hoje, o Evangelho nos permite entrar no coração de Jesus. Estamos diante de uma das páginas mais belas e mais comoventes de toda a Sagrada Escritura. O Senhor ergue os olhos ao Pai e deixa transbordar os desejos mais íntimos de sua alma. E o que Jesus deseja? Que estejamos com Ele. Sim, em meio à proximidade da cruz, das humilhações, da dor e da traição, Jesus pensa em nós. Seu coração não está fechado sobre o próprio sofrimento. Seu olhar repousa sobre aqueles que o Pai lhe confiou. Repousa sobre nós. “Pai, aqueles que me deste, quero que estejam comigo onde eu estiver”. Que ternura insondável existe nessas palavras! Jesus não se conforma em ficar sem nós. Ele quer a nossa companhia por toda a eternidade. O céu não é apenas um lugar de felicidade; é, antes de tudo, estar com Cristo, permanecer junto d’Ele, contemplar a sua glória e viver eternamente no seu amor. E onde Jesus está? O Senhor está junto do Pai, revestido de glória. Aquele que foi humilhado, crucificado e morto agora reina vitoriosamente. E o mais impressionante é isto: Ele não quer viver essa glória sem nós. O céu, conquistado pelo preço do seu sangue, é também a herança que Ele deseja repartir conosco. Que amor imenso! Que ternura insondável há no coração de Cristo! Mas Jesus vai ainda mais longe. Ele diz ao Pai: “Eu lhes fiz conhecer o teu nome e o tornarei conhecido ainda mais, para que o amor com que me amaste esteja neles, e eu mesmo esteja neles”. Veja a profundidade dessas palavras: Jesus deseja que o mesmo amor eterno com que o Pai O ama habite em nós. Não se trata apenas de receber graças ou bênçãos. O Senhor quer introduzir-nos na própria comunhão divina. Ele quer viver em nós, permanecer em nós e transformar inteiramente a nossa vida. É algo grande demais para a nossa pobre inteligência. Aqui na terra compreendemos apenas pequenas migalhas desse amor infinito. Somente no céu veremos com clareza quanto fomos amados por Deus desde toda a eternidade. Por isso, enquanto caminhamos neste mundo, procuremos corresponder a tão grande amor. Vivamos de modo que a nossa vida console o coração de Jesus, glorifique o seu nome e testemunhe a presença d’Ele em nós. Não podemos brincar com a graça. Não podemos aceitar as propostas de um mundo que vive como se Deus não existisse. O cristão precisa manter os olhos voltados para o céu. Afinal, é o nosso hoje que prepara a nossa eternidade. Sejamos, então, dóceis à ação do Espírito Santo. Procuremos viver na honestidade, na caridade, na fidelidade e na perseverança. O amor jamais será inútil. Cada gesto feito por amor a Deus possui peso de eternidade. Jesus não quer permanecer longe de nós nem por um instante. E a união que viveremos plenamente no céu já começa aqui, numa vida de amizade, intimidade e fidelidade ao Senhor. Sejamos profundamente gratos a Jesus por tanto amor! E devolvamo-nos inteiramente a Ele, porque Ele já se entregou inteiramente por nós. Boa luta!

Evangelho do dia comentado por Padre Dennys (Jo 17,11b-19) Quarta-feira da VII Semana da Páscoa, 20/5/2026 “Eu lhes dei a tua palavra, mas o mundo os rejeitou, porque não são do mundo, como eu não sou do mundo.” Essas palavras de Jesus são profundamente consoladoras, mas também profundamente exigentes. Primeiramente, Nosso Senhor diz: “Eu lhes dei a tua palavra.” Percebam: o que distingue verdadeiramente um discípulo não é apenas frequentar ambientes religiosos, mas carregar dentro de si a Palavra de Deus. O cristão autêntico é alguém marcado pela Palavra. Ela molda sua mentalidade, suas escolhas, seus afetos e até sua maneira de sofrer. Mas logo em seguida Jesus diz algo duro: “O mundo os rejeitou.” Por quê? Porque a Palavra de Deus cria contraste. Ela ilumina aquilo que o mundo gostaria de manter na escuridão. A verdade incomoda. A santidade incomoda. A pureza incomoda. O “mundo”, no Evangelho de João, não significa a criação de Deus nem as pessoas em si mesmas, mas uma mentalidade fechada para Deus, organizada contra a verdade divina. Por isso, quando alguém começa verdadeiramente a viver o Evangelho, inevitavelmente experimentará incompreensões, ironias, rejeições e até solidão. Jesus, porém, vai ainda mais fundo: “Porque não são do mundo, como eu não sou do mundo.” Que frase impressionante! O cristão vive no mundo, trabalha no mundo, sofre no mundo, ama no mundo… mas já não pertence espiritualmente à lógica deste mundo. Seu coração tem outra direção. Sua esperança tem outra origem. Sua pátria definitiva é o céu. E aqui está algo muito importante: não pertencer ao mundo não significa desprezar as pessoas nem fugir das responsabilidades da vida. Significa não permitir que a alma seja governada pelos critérios do mundo: • orgulho; • vaidade; • egoísmo; • relativismo; • busca desenfreada por prazer; • indiferença a Deus. O discípulo de Cristo vive aqui embaixo, mas com os olhos voltados para o alto. E talvez seja justamente por isso que tantas vezes nos sentimos “deslocados”. Há dentro da alma fiel uma saudade de Deus que o mundo não consegue preencher. Por isso, se em alguns momentos você sente o peso de tentar permanecer fiel a Cristo em meio a uma sociedade que ridiculariza a fé, não se assuste. Jesus já havia dito: “O mundo os rejeitou.” Mas Ele também mostrou que essa rejeição não é sinal de abandono. Ao contrário, é sinal de que a Palavra de Deus realmente criou raízes dentro da alma. Portanto, não desanimemos diante das provas, das rejeições e das incompreensões, pois o discípulo também experimentará aquilo que o seu Mestre sofreu. Que Deus nos sustente e nos ajude a permanecer fiéis até o fim!