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Grupo Oficial Frei Dennys

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Canal dedicado a evangelização através do compartilhamento de mensagens, reflexões, homilias, músicas, cursos e palestras ministradas pelo Frei Dennys Pimentel

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Evangelho do dia comentado por Padre Dennys (Lucas 11,5-13) Quinta-feira, 8/10/2026 “Pedi e recebereis; procurai e encontrareis; batei e vos será aberto”. Meus amados, no Evangelho de hoje, Jesus nos ensina uma das atitudes fundamentais da vida espiritual: a perseverança na oração. Depois de ensinar os discípulos a rezar o Pai-Nosso, Ele apresenta a parábola de um homem que, à meia-noite, procura um amigo para pedir três pães. Embora o amigo inicialmente se recuse a atendê-lo, acaba levantando-se e dando-lhe o necessário por causa de sua insistência. Jesus utiliza essa situação para nos ensinar que a oração não pode ser reduzida a um pedido ocasional, feito apenas quando as dificuldades aparecem. Rezar é cultivar uma relação de confiança com Deus, é permanecer diante dele mesmo quando as respostas não chegam no tempo e da maneira que desejamos. Entretanto, precisamos compreender algo essencial: a perseverança na oração não significa tentar convencer Deus a fazer a nossa vontade. Deus não precisa ser convencido a nos amar, nem precisa ser informado de nossas necessidades. Ele as conhece antes mesmo que as apresentemos. A oração perseverante não transforma o coração de Deus, mas permite que o nosso coração seja transformado pela sua graça. Quando Jesus afirma: “Pedi e recebereis; procurai e encontrareis; batei e vos será aberto”, não está prometendo que receberemos tudo aquilo que desejamos. Está nos assegurando que nenhuma oração feita com fé e confiança é indiferente ao coração do Pai. Deus sempre nos escuta, embora nem sempre nos conceda aquilo que pedimos, porque seu amor alcança muito além daquilo que conseguimos compreender. É justamente aqui que nossa fé é colocada à prova. É fácil rezar quando tudo acontece conforme esperamos. Difícil é continuar rezando quando a enfermidade permanece, quando uma porta não se abre, quando uma situação parece não ter solução ou quando o silêncio de Deus nos desconcerta. Nessas circunstâncias, somos convidados a passar de uma fé sustentada pelos resultados para uma confiança verdadeiramente filial. Há ainda um detalhe extraordinário neste Evangelho. Jesus pergunta: se nós, apesar de nossas limitações, sabemos dar coisas boas aos nossos filhos, quanto mais o Pai do céu dará o Espírito Santo àqueles que o pedirem! Percebamos que Jesus não conclui prometendo riquezas, ausência de sofrimentos ou a realização de todos os nossos projetos. Ele promete o Espírito Santo, o maior dos dons, porque é Ele quem nos fortalece, ilumina nossas decisões e nos sustenta até mesmo quando aquilo que pedimos não nos é concedido. Por isso, meus amados, não abandonemos a oração porque uma graça ainda não chegou. Não confundamos o silêncio de Deus com sua ausência, nem a demora de uma resposta com falta de amor. Continuemos pedindo, procurando e batendo. Mas, acima de tudo, aprendamos a confiar. Quem reza verdadeiramente não exige que Deus faça a sua vontade; aprende a entregar-se à vontade de Deus. Afinal, a maior graça da oração não é conseguir tudo o que queremos, mas jamais perder Aquele de quem verdadeiramente precisamos.

Evangelho do dia comentado por Padre Dennys (Lucas 1,26-38) Quarta-feira, 7/10/2026 – Nossa Senhora do Rosário “Eis aqui a serva do Senhor; faça-se em mim segundo a tua palavra!” Hoje, memória de Nossa Senhora do Rosário, a Igreja nos coloca diante de uma das palavras mais decisivas de toda a história da salvação: o “sim” de Maria. Diante do anúncio do anjo, ela responde: “Eis aqui a serva do Senhor; faça-se em mim segundo a tua palavra!” O “faça-se” de Maria não é uma resposta passiva. É uma decisão de fé. Maria não conhece todos os detalhes do caminho que começará a percorrer, não sabe tudo o que aquele “sim” lhe exigirá, mas conhece Aquele a quem está entregando sua vida. E isso lhe basta para confiar. Aqui encontramos uma diferença fundamental entre a fé de Maria e muitas de nossas atitudes diante de Deus. Frequentemente, queremos compreender primeiro para depois obedecer. Queremos saber como tudo terminará antes de começar. Pedimos garantias, explicações e respostas. Maria nos ensina outra lógica: não é preciso conhecer todo o caminho quando sabemos quem nos conduz. Seu “faça-se” acompanhará toda a sua existência. Estará presente em Belém, na fuga para o Egito, nos anos silenciosos de Nazaré, em Caná e, sobretudo, aos pés da Cruz. O “sim” pronunciado diante do anjo precisará ser renovado quando a vontade de Deus passar também pela dor. Maria não entregou a Deus apenas um momento de sua vida; entregou-lhe a vida inteira. Celebrar Nossa Senhora do Rosário é também aprender com ela a guardar e contemplar os mistérios de Cristo. No Rosário, percorremos com Maria a vida de Jesus e aprendemos que a fé não consiste apenas em falar com Deus, mas também em permitir que sua Palavra transforme nossa maneira de viver. Por isso, a pergunta de hoje é muito concreta: até onde vai o nosso “sim” a Deus? Permanecemos fiéis quando sua vontade contraria a nossa? Continuamos confiando quando não compreendemos o que Ele está fazendo? Maria nos ensina que dizer “sim” a Deus não é entregar-lhe apenas aquilo que compreendemos ou aceitamos com facilidade. É confiar também quando seus caminhos passam pela renúncia, pela espera e pela cruz. Não basta dizer que confiamos em Deus quando tudo acontece como desejamos. A fé se revela quando somos capazes de colocar nossa própria vontade em suas mãos e dizer: “Senhor, mesmo sem compreender tudo, eu confio em Ti. Faça-se em mim segundo a tua Palavra!”

Evangelho do dia comentado por Padre Dennys (Lucas 10,38-42) – terça-feira, 6/10/2026 “Marta, Marta! Tu te preocupas e andas agitada por muitas coisas. Porém, uma só coisa é necessária”. Meus amados, Marta e Maria amavam Jesus. As duas o acolheram, mas cada uma expressou esse amor de maneira diferente. Marta se ocupava em servir; Maria sentou-se aos pés do Senhor para escutá-lo. O problema não estava no serviço de Marta. Servir também é expressão de amor. O problema estava na agitação que tomou conta do seu coração. É importante perceber que Jesus não coloca Marta e Maria simplesmente uma contra a outra, como se uma estivesse errada por servir e a outra certa por permanecer sentada. Na vida cristã, precisamos das mãos de Marta e do coração de Maria. Precisamos servir, trabalhar, assumir responsabilidades, cuidar daqueles que Deus colocou ao nosso lado. Mas tudo isso precisa nascer de um coração que primeiro sabe permanecer aos pés de Jesus. Marta começou servindo Jesus, mas terminou inquieta, comparando-se com a irmã e reclamando: “Senhor, não te importas que minha irmã me deixe sozinha com todo o serviço?”. Quando perdemos o essencial, até aquilo que fazemos por amor pode se transformar em peso. Servimos, mas reclamamos; ajudamos, mas cobramos; fazemos o bem, mas esperamos reconhecimento. A agitação exterior acaba revelando uma desordem interior. Maria escolheu a melhor parte porque compreendeu que, antes de fazer alguma coisa para Jesus, precisava estar com Ele. É da escuta que nasce o verdadeiro serviço. Quem não encontra tempo para permanecer diante de Deus corre o risco de fazer muitas coisas para Ele e, no entanto, afastar-se Dele interiormente. Jesus não pede que Marta deixe de servir. Ele a chama a reorganizar o coração: “Uma só coisa é necessária”. Há muitas coisas importantes em nossa vida, mas somente uma é indispensável: Deus. Quando Ele ocupa o primeiro lugar, todas as outras coisas encontram o lugar que lhes corresponde. Podemos passar a vida inteira ocupados com muitas coisas e negligenciar justamente aquilo que não poderíamos perder. Não permita que o urgente roube de você o essencial. Tudo passa. Deus permanece. Escolha a melhor parte. Que Deus nos ajude!

Evangelho do dia comentado por Padre Dennys (Lucas 10,25-37) – Segunda-feira, 5/10/2026 “Mestre, que devo fazer para receber em herança a vida eterna?” Meus amados, a pergunta feita pelo mestre da Lei a Jesus toca na questão mais importante da nossa existência: o que estamos fazendo com a vida que recebemos de Deus e para onde estamos caminhando? Ele pergunta: “Mestre, que devo fazer para receber em herança a vida eterna?” Jesus o conduz à própria Lei: amar a Deus de todo o coração, com toda a alma, com toda a força e com toda a inteligência, e amar o próximo como a si mesmo. A resposta estava correta. Por isso, Jesus lhe diz: “Faze isso e viverás”. Mas o mestre da Lei insiste: “E quem é o meu próximo?” É então que Jesus conta a parábola do homem que descia de Jerusalém para Jericó e caiu nas mãos de assaltantes. Roubaram tudo, espancaram-no e o deixaram quase morto à beira do caminho. Por ali passam um sacerdote e um levita. Ambos veem o homem, mas seguem adiante. Este detalhe é decisivo: eles viram. O problema não foi falta de conhecimento, mas aquilo que fizeram depois de ver. É possível conhecer a Lei, falar de Deus, participar das coisas sagradas e, ainda assim, passar ao lado da dor de alguém sem permitir que ela nos toque. Depois vem um samaritano. Para os judeus, samaritanos eram considerados estrangeiros e havia entre os dois povos uma profunda hostilidade. Justamente aquele de quem menos se esperava torna-se exemplo de misericórdia. Ele vê o homem ferido, sente compaixão, aproxima-se, trata suas feridas, coloca-o sobre seu próprio animal, leva-o a uma hospedaria e assume os custos de seu cuidado. A misericórdia, portanto, não é apenas sentimento. Ela nos faz aproximar, tocar as feridas e assumir responsabilidades. O samaritano não perguntou quem era aquele homem, de onde vinha, no que acreditava ou se merecia ajuda. Diante dele estava alguém ferido, e isso foi suficiente. No final, Jesus muda profundamente a pergunta. O mestre da Lei queria saber: “Quem é o meu próximo?” — como se fosse possível estabelecer os limites de quem deve ser amado. Jesus pergunta: “Qual dos três foi o próximo daquele que caiu nas mãos dos assaltantes?” A questão já não é descobrir quem merece ser meu próximo, mas decidir de quem eu me farei próximo. E aqui o Evangelho nos confronta. Podemos passar a vida perguntando quem merece nossa atenção, nosso perdão, nossa ajuda e nossa misericórdia. Jesus nos ensina outro caminho: diante de quem sofre, não procuremos justificativas para passar adiante. No fim, a pergunta inicial — “Que devo fazer para receber em herança a vida eterna?” — encontra uma resposta concreta. A vida eterna não se separa da maneira como tratamos aqueles que Deus coloca em nosso caminho. Jesus termina dizendo: “Vai e faze a mesma coisa”. E é justamente aqui que o Evangelho mais nos incomoda: Jesus não disse “vai e admira o samaritano”, nem “vai e fala sobre a misericórdia”. Disse: “Vai e faze a mesma coisa”. Podemos rezar muito e continuar passando adiante. Podemos conhecer a Palavra e continuar passando adiante. Podemos estar todos os dias dentro da Igreja e continuar passando adiante. A fé que não nos faz parar diante da dor do outro precisa ser seriamente examinada. Hoje, portanto, não perguntemos apenas: “Quem é o meu próximo?” Perguntemos: “De quem eu tenho passado adiante?” Pode haver alguém ferido bem perto de nós: dentro da nossa casa, da nossa família, do nosso trabalho, da nossa comunidade. Alguém esperando não um discurso, mas a nossa aproximação. Cristo hoje não nos deixa uma teoria. Deixa-nos uma ordem: “Vai e faze a mesma coisa”. A vida eterna que desejamos começa a ser escolhida nas estradas desta vida, cada vez que encontramos alguém caído e decidimos: eu não vou passar adiante. Que Deus nos ajude!

Evangelho do dia comentado por Padre Dennys (Mateus 21,33-43) XXVII Domingo do Tempo Comum, 4/10/2026 “O Reino de Deus vos será tirado e será entregue a um povo que produzirá frutos”. Meus amados, o Evangelho de hoje nos apresenta uma parábola forte, dirigida por Jesus aos sumos sacerdotes e aos anciãos do povo. Um proprietário planta uma vinha, cerca-a, prepara nela um lagar, constrói uma torre e a entrega aos cuidados de agricultores. Quando chega o tempo da colheita, envia seus empregados para receber os frutos que lhe pertenciam. Mas eles são espancados, apedrejados e mortos. Por fim, o proprietário envia o próprio filho: “A meu filho eles vão respeitar”. Ao vê-lo, porém, os agricultores dizem: “Este é o herdeiro. Vinde, vamos matá-lo e tomar posse da sua herança!” Agarram-no, lançam-no para fora da vinha e o matam. A parábola é uma síntese dramática da história da salvação. A vinha é o povo de Deus; o proprietário é Deus; os servos são os profetas, tantas vezes rejeitados e perseguidos; e o Filho é Jesus Cristo. Há um detalhe que não pode passar despercebido: antes de exigir frutos, o proprietário fez tudo pela vinha. Plantou, cercou, preparou o lagar e construiu a torre. Somente depois a confiou aos agricultores. Deus não exige de nós aquilo para o qual não nos tenha dado condições. Antes de pedir, Ele dá. Antes de esperar frutos, oferece a vinha e derrama a graça. Também nós recebemos uma vinha para cultivar. Nossa vida, nossa família, nossa vocação, nossa fé, nossos dons, nosso tempo e as pessoas que Deus colocou em nosso caminho: tudo isso nos foi confiado. Precisamos, então, recordar uma verdade fundamental: somos administradores, não proprietários. O grande pecado daqueles agricultores começou quando passaram a agir como se a vinha lhes pertencesse. Queriam usufruir dela, mas não queriam prestar contas ao proprietário. Esse perigo continua presente. Podemos receber de Deus a vida e viver como se fôssemos donos absolutos dela; receber talentos e usá-los somente para nós; receber uma missão e transformá-la em instrumento de vaidade. Podemos até ocupar um lugar dentro da Igreja e agir como se a Igreja fosse nossa. Mas não é. A vinha pertence a Deus, e Deus procura frutos. Por isso, precisamos nos perguntar: que frutos Deus está encontrando na vinha que confiou a mim? Não basta pertencer à vinha, estar dentro dela ou conhecer o proprietário. É preciso produzir frutos: caridade, misericórdia, justiça, fidelidade, perdão, conversão, serviço e santidade. São Paulo nos ensina que “o fruto do Espírito é amor, alegria, paz, paciência, benignidade, bondade, fidelidade, mansidão e domínio próprio”. Quando o proprietário envia seu filho, os agricultores poderiam ter reconhecido nele a última oportunidade de conversão. Entretanto, fazem exatamente o contrário: “Este é o herdeiro. Vinde, vamos matá-lo”. Que Deus nos livre da tentação de nos apropriarmos do que é dele!

Evangelho do dia comentado por Padre Dennys (Lucas 10,17-24) – sábado, 3/10/2026 “Contudo, não vos alegreis porque os espíritos vos obedecem. Antes, ficai alegres porque vossos nomes estão escritos no céu.” Os setenta e dois discípulos voltam da missão cheios de entusiasmo: “Senhor, até os demônios nos obedeceram por causa do teu nome”. Eles haviam experimentado a força do nome de Jesus e contemplado coisas que certamente jamais imaginariam realizar. E Jesus não nega o que aconteceu. Ao contrário, confirma a vitória sobre o mal: “Eu vi Satanás cair do céu como um relâmpago”. No entanto, imediatamente Jesus corrige o motivo da alegria dos discípulos: “Não vos alegreis porque os espíritos vos obedecem. Antes, ficai alegres porque vossos nomes estão escritos no céu”. Aqui está uma advertência importante também para nós. É possível começar a encontrar nossa alegria mais naquilo que fazemos para Deus do que no próprio Deus. Podemos nos entusiasmar com resultados, reconhecimento, dons recebidos, responsabilidades assumidas e até com os frutos de nossa missão. Tudo isso pode ser bom, mas nada disso constitui o fundamento de nossa alegria. Jesus desloca o olhar dos discípulos daquilo que eles conseguiram fazer para aquilo que Deus fez por eles. O mais importante não é que os demônios lhes obedeçam, mas que seus nomes estejam escritos no céu. Antes de sermos instrumentos nas mãos de Deus, somos seus filhos. Antes de qualquer missão que desempenhemos, há uma graça maior: pertencemos a Ele. Isso também nos ajuda a compreender por que nossa fé não pode depender dos resultados. Há momentos em que veremos frutos abundantes e outros em que parecerá que nosso esforço não produziu quase nada. Haverá dias em que seremos reconhecidos e outros em que seremos esquecidos. Se nossa alegria estiver fundamentada apenas no que fazemos, ela oscilará conforme os acontecimentos. Mas, se estiver fundamentada em Deus e na certeza de pertencermos a Ele, permanecerá mesmo quando tudo ao nosso redor mudar. Em seguida, acontece algo belíssimo: “Jesus exultou no Espírito Santo”. Depois de ensinar aos discípulos onde deveriam encontrar a verdadeira alegria, o próprio Jesus se alegra e louva o Pai: “Eu te louvo, Pai, Senhor do céu e da terra, porque escondeste essas coisas aos sábios e inteligentes e as revelaste aos pequeninos”. Os pequeninos são aqueles que reconhecem que precisam de Deus. Não se aproximam Dele como quem já possui todas as respostas, mas como quem deseja receber. Por isso, conseguem enxergar aquilo que a autossuficiência, muitas vezes, impede de percebermos. As coisas de Deus não são conquistadas pela soberba; são acolhidas por um coração humilde. Por fim, Jesus diz aos discípulos: “Felizes os olhos que veem o que vós vedes!”. Eles eram felizes não apenas pelos milagres que haviam realizado, mas porque estavam diante Daquele que tantas gerações desejaram contemplar. Tinham diante dos olhos o próprio Cristo. Também nós precisamos recordar onde está nossa maior alegria. Não está no que possuímos, no que conseguimos realizar, no reconhecimento que recebemos nem mesmo nos dons que Deus nos concedeu. Tudo isso passa. Nossa maior alegria é saber a quem pertencemos e para onde caminhamos. Quando tudo aquilo que hoje nos alegra já tiver passado, uma única coisa continuará realmente importando: que o nosso nome esteja escrito no céu.

Evangelho do dia comentado por Padre Dennys (Mateus 18,1-5.10) – sexta-feira, 2/10/2026 Memória dos Santos Anjos da Guarda “Quem é o maior no Reino dos Céus?” A pergunta dos discípulos revela uma preocupação muito humana: saber quem é o maior, quem ocupa o primeiro lugar, quem possui mais importância. Jesus, porém, não responde indicando o nome de nenhum deles. Chama uma criança, coloca-a no meio e afirma: “Se não vos converterdes e não vos tornardes como crianças, não entrareis no Reino dos Céus”. Antes de ensinar quem é o maior, Jesus ensina algo ainda mais radical: é preciso converter-se. Os discípulos perguntam sobre posições dentro do Reino; Jesus lhes mostra que precisam primeiro aprender a lógica do Reino. Enquanto o mundo nos ensina a crescer buscando reconhecimento, poder e prestígio, Cristo nos ensina a tornar-nos pequenos. Ser como criança não significa ser ingênuo ou imaturo. A criança apresentada por Jesus representa aquele que reconhece que precisa dos outros, que não se basta e vive na confiança. Diante de Deus, somos exatamente assim. Por maiores que sejam nossas conquistas, chega um momento em que precisamos reconhecer: não somos autossuficientes. Precisamos de Deus. Por isso, Jesus afirma: “Quem se faz pequeno como esta criança, esse é o maior no Reino dos Céus”. A verdadeira grandeza começa quando deixamos de sentir necessidade de provar aos outros que somos grandes. Quem sabe quem é diante de Deus não precisa disputar lugares, alimentar comparações nem diminuir ninguém para se sentir importante. E, justamente hoje, na memória dos Santos Anjos da Guarda, o Evangelho termina com uma palavra belíssima: “Não desprezeis nenhum desses pequeninos, pois eu vos digo que os seus anjos nos céus veem sem cessar a face do meu Pai que está nos céus”. Jesus nos permite contemplar uma realidade invisível, mas profundamente consoladora: Deus não apenas nos criou e nos acompanha; em sua Providência, confiou-nos também à proteção dos seus anjos. O anjo da guarda não ocupa o lugar de Deus nem é uma figura criada para alimentar nossa imaginação infantil. É uma criatura espiritual a serviço de Deus, enviada para nos acompanhar e auxiliar em nosso caminho de salvação. Sua presença nos recorda que há muito mais entre o céu e a terra do que aquilo que nossos olhos conseguem enxergar. Enquanto caminhamos entre perigos, tentações e escolhas, Deus não nos deixa entregues somente às nossas próprias forças. Por isso, a devoção ao anjo da guarda não deveria permanecer apenas como uma lembrança da infância. Podemos invocá-lo, pedir sua proteção e, sobretudo, sua ajuda para permanecermos no caminho que nos conduz a Deus. Peçamos ao Senhor a graça de abandonar nossas disputas por grandeza e aprender a ser pequenos diante dele. E agradeçamos também pelo cuidado silencioso dos nossos anjos da guarda. No Reino dos Céus, grande não é quem consegue estar acima dos outros, mas quem aprendeu a confiar em Deus e a deixar-se conduzir por Ele.

Evangelho do dia comentado por Padre Dennys (Lucas 10,1-12) – quinta-feira, 1/10/2026 Memória de Santa Teresinha do Menino Jesus “A messe é grande, mas os trabalhadores são poucos. Por isso, pedi ao dono da messe que mande trabalhadores para a colheita.” Jesus contempla a imensidão da missão e constata uma realidade que atravessa os séculos: a messe é grande, mas os trabalhadores são poucos. Há muita gente necessitada de Deus, muitos corações esperando uma palavra, muitos feridos precisando encontrar esperança, muitos que ainda não descobriram a alegria de conhecer e amar Jesus Cristo. Diante dessa realidade, poderíamos esperar que Jesus simplesmente mandasse os discípulos trabalharem mais. No entanto, Ele começa indicando outra coisa: “Pedi ao dono da messe”. Antes de ser trabalho nosso, a missão é obra de Deus. A messe tem um dono. É Ele quem chama, quem envia e quem dá fecundidade ao trabalho daqueles que se colocam a seu serviço. Podemos lançar as redes, semear, anunciar e testemunhar, mas é Deus quem toca o coração e faz a semente germinar. Por isso, a missão começa de joelhos. Jesus nos ensina que não basta lamentar a falta de trabalhadores. É preciso pedi-los ao Senhor. Precisamos rezar pelas vocações sacerdotais e religiosas, pedir famílias que favoreçam o surgimento dessas vocações e suplicar também por leigos verdadeiramente comprometidos com o Evangelho. A messe não necessita apenas de pessoas ocupadas com coisas da Igreja; necessita de homens e mulheres apaixonados por Cristo e dispostos a gastar a vida pelo Reino. Mas há algo ainda mais exigente nesse Evangelho. Aqueles que Jesus manda pedir trabalhadores são também aqueles que Ele envia. Eles rezam pela missão e, em seguida, tornam-se parte da resposta de Deus à oração que fizeram. Isso significa que não podemos pedir ao Senhor trabalhadores para a sua messe mantendo-nos sempre do lado de fora do campo. Quantas vezes pedimos: “Senhor, faz alguma coisa”, quando Deus também espera que façamos aquilo que está ao nosso alcance? Pedimos mais amor, mas somos chamados a amar. Pedimos reconciliação, mas podemos dar o primeiro passo. Pedimos que alguém cuide de quem sofre, mas podemos nos aproximar. Pedimos que a Igreja tenha mais vocações, mas precisamos testemunhar, sobretudo às novas gerações, que vale a pena entregar a vida inteira a Deus. E hoje Santa Teresinha do Menino Jesus nos oferece uma extraordinária compreensão da missão. Padroeira das missões, ela não percorreu países anunciando o Evangelho. Viveu escondida no Carmelo. Entretanto, compreendeu que no coração da Igreja sua vocação era o amor. Sua vida nos recorda que a eficácia da missão não se mede apenas pelas distâncias percorridas ou pela quantidade de coisas realizadas, mas pela intensidade do amor com que nos oferecemos a Deus. Talvez o problema não seja somente que a messe seja grande e os trabalhadores sejam poucos. Pode acontecer também que muitos tenham recebido de Deus um campo para cultivar, mas estejam esperando que outros façam aquilo que lhes compete. Por isso, quando rezarmos: “Senhor, manda trabalhadores para a tua messe”, precisamos estar preparados para ouvir a resposta de Deus: “Eu ouvi a tua oração. Agora levanta-te e vai. Há uma parte dessa messe que confiei a você.” A messe é de Deus, mas Ele decidiu contar conosco. Não passemos a vida pedindo trabalhadores enquanto permanecemos de braços cruzados diante da colheita. Que Deus nos ajude!

Evangelho do dia comentado por Padre Dennys (Lucas 9,57-62) – quarta-feira, 30/9/2026 Memória de São Jerônimo, presbítero e doutor da Igreja “Quem põe a mão no arado e olha para trás não está apto para o Reino de Deus.” Quantas são as desculpas que temos dado a Jesus para encobrir a nossa negligência, a nossa falta de amor e de gratidão por tudo o que Ele fez e faz por nós? Quantas justificativas ainda apresentaremos para continuarmos em nossa zona de conforto? Jesus ainda terá que esperar por nós durante quanto tempo? Até quando o Senhor terá que suportar a nossa falta de entusiasmo por tudo o que é do céu, por tudo o que é d’Ele e que já começa aqui na terra? No Evangelho de hoje, encontramos algumas respostas dadas diante do chamado de Jesus. E, se formos sinceros, certamente nos reconheceremos em algumas delas. Um homem diz: “Senhor, deixa-me primeiro ir enterrar meu pai”. Jesus responde: “Deixa que os mortos enterrem os seus mortos; mas tu, vai anunciar o Reino de Deus”. Não se trata de desprezar os deveres familiares, muito menos de desvalorizar o respeito devido aos pais. O ponto está naquele “primeiro”. Diante do chamado de Deus, aquele homem coloca uma condição: antes preciso resolver isto; depois seguirei. Outro diz a Jesus: “Eu te seguirei, Senhor, mas deixa-me primeiro despedir-me dos meus familiares”. Novamente aparece o “primeiro”. Eu te seguirei, Senhor, mas antes… E Jesus responde: “Quem põe a mão no arado e olha para trás não está apto para o Reino de Deus”. Quantos “mas antes” também nós já colocamos diante de Deus! Somos muito parecidos com essas pessoas do Evangelho. Quantas justificativas para não seguirmos com maior determinação o Senhor Jesus! Vamos recordar algumas? “Estou ocupado demais!” “Não tenho tempo!” “Chego muito cansado do trabalho!” “Tenho um aniversário!” “Eu rezo em casa; Deus conhece o meu coração e sabe que não faço mal a ninguém!” “Quando der, prometo que irei; agora não estou podendo!” São tantas as nossas desculpas que corremos o risco de nos acostumarmos com elas. E o pior acontece quando começamos a acreditar nas justificativas que nós mesmos criamos. Não podemos nos esquecer de que a misericórdia de Deus é imensa e Ele não nos trata segundo os nossos pecados, mas isso não significa que nossas escolhas sejam indiferentes. Cada vez que adiamos aquilo que Deus nos pede, somos nós que perdemos a graça de uma resposta mais generosa, desperdiçamos os bens espirituais que Ele desejava nos conceder e a oportunidade de avançarmos no caminho da santidade. Precisamos admitir que não podemos passar a vida dizendo a Deus: “depois”. Há decisões que precisam ser tomadas, renúncias que precisam ser feitas e passos que ninguém poderá dar em nosso lugar. Por isso, Jesus deixa uma palavra que não permite ambiguidades: “Quem põe a mão no arado e olha para trás não está apto para o Reino de Deus”. Quem segura o arado precisa olhar para frente, porque, se ficar olhando para trás, o sulco perde a direção. Assim também acontece na vida espiritual: não basta começar; é preciso permanecer, avançar e manter os olhos naquele que nos chamou. Peçamos ao Espírito Santo a graça de sermos pessoas determinadas, honestas conosco mesmas e com Deus. Que Ele nos dê discernimento para reconhecermos nossas desculpas e coragem para abandonarmos a zona de conforto. São Jerônimo, rogai por nós!

Evangelho do dia comentado por Padre Dennys (Jo 1,47-51) – terça-feira, 29/9/2026 Festa dos Santos Arcanjos Miguel, Gabriel e Rafael “Em verdade, em verdade, eu vos digo: Vereis o céu aberto e os anjos de Deus subindo e descendo sobre o Filho do Homem.” Hoje a Igreja celebra os Santos Arcanjos Miguel, Gabriel e Rafael. Seus nomes e suas missões nos recordam uma verdade fundamental da nossa fé: o mundo visível não esgota toda a realidade. Há uma dimensão espiritual que nossos olhos não alcançam, mas que não deixa de ser real. Deus age, conduz a história e serve-se também dos seus anjos para realizar os seus desígnios. No Evangelho, Jesus diz a Natanael: “Vereis o céu aberto”. Essa expressão nos remete à escada contemplada por Jacó, no livro do Gênesis, sobre a qual os anjos de Deus subiam e desciam. Agora, porém, Jesus afirma que eles subirão e descerão “sobre o Filho do Homem”. Não se trata apenas de uma referência aos anjos. Cristo está revelando algo muito maior: Ele é a ligação definitiva entre o céu e a terra. É por Ele que temos acesso ao Pai. Por isso, celebrar os Arcanjos nunca significa colocá-los no lugar que pertence a Cristo. Ao contrário: toda a missão deles está a serviço de Deus. Miguel proclama, inclusive com o significado de seu nome: “Quem como Deus?”. Gabriel aparece como mensageiro dos grandes anúncios divinos, especialmente no mistério da Encarnação. Rafael, no livro de Tobias, manifesta o cuidado de Deus que acompanha, protege e cura. Há aqui uma mensagem muito concreta para nós. Nem sempre conseguimos perceber como Deus está agindo. Há batalhas que travamos, caminhos que não compreendemos, notícias que mudam nossa história e feridas para as quais procuramos cura. A festa de hoje nos recorda que Deus não está ausente de nenhuma dessas realidades. Miguel nos recorda que nenhum poder está acima de Deus; Gabriel, que a Palavra de Deus pode irromper em nossa história e transformá-la; Rafael, que Deus caminha conosco também nas estradas difíceis e cuida das nossas feridas. E não nos esqueçamos: esse Cristo, sobre o qual os anjos sobem e descem, é o mesmo que disse a Natanael: “Antes que Filipe te chamasse, enquanto estavas debaixo da figueira, eu te vi”. Ele também nos vê debaixo das nossas figueiras. Vê aquilo que ninguém vê, conhece as nossas lutas, nossas perguntas, nossas dores e o que carregamos silenciosamente no coração. O céu que Jesus abre sobre nós não é o céu de um Deus distante, mas de um Deus que nos conhece e nos acompanha. Por isso, mesmo quando nos sentirmos sozinhos, recordemos: Deus sabe onde estamos. Deus nos vê. E quem está sob o olhar de Deus nunca está abandonado. Que assim seja!

Evangelho do dia comentado por Padre Dennys (Lc 9,46-50) – segunda-feira, 28/9/2026 “Naquele tempo, houve entre os discípulos uma discussão, para saber qual deles seria o maior.” É impressionante perceber que essa discussão acontece justamente entre os discípulos de Jesus. Eles caminhavam com o Mestre, ouviam sua Palavra, contemplavam seus milagres e, ainda assim, discutiam sobre quem seria o maior. Isso nos mostra que estar perto das coisas de Deus não nos torna automaticamente livres da vaidade, da ambição e do desejo de reconhecimento. O problema não está em querer crescer, amadurecer ou fazer bem aquilo que nos foi confiado. O perigo começa quando precisamos ser maiores do que os outros; quando o nosso valor passa a depender da comparação; quando queremos ser vistos, reconhecidos, elogiados e colocados acima dos demais. Nesse momento, até aquilo que fazemos para Deus pode acabar se transformando numa busca disfarçada por nós mesmos. Jesus conhece o pensamento dos discípulos e coloca uma criança junto de si. Com esse gesto, Ele desmonta a lógica da disputa. Na sociedade daquele tempo, a criança não representava poder ou prestígio. Ao colocá-la no centro, Jesus mostra que, diante de Deus, grande não é quem ocupa o lugar mais importante, mas quem é capaz de acolher aquele que nada pode oferecer em troca. E Jesus vai ainda mais longe: “Aquele que entre todos vós for o menor, esse é o maior”. O Evangelho não nos ensina a procurar grandeza; ensina-nos a procurar fidelidade. Quem vive preocupado em ser maior termina olhando para os lados para medir os outros. Quem deseja ser fiel mantém os olhos em Cristo e pergunta: Senhor, o que queres de mim? Mas o Evangelho não termina aí. João diz a Jesus: “Mestre, vimos um homem que expulsa demônios em teu nome, mas nós o proibimos, porque não anda conosco”. É a mesma tentação aparecendo de outra forma. Antes, os discípulos discutiam para saber quem era o maior entre eles; agora, querem impedir alguém simplesmente porque não pertence ao grupo deles. Jesus responde: “Não o proibais, pois quem não está contra vós está a vosso favor”. É uma advertência muito atual. Podemos cair na tentação de pensar que Deus só pode agir através de nós, do nosso grupo ou daqueles que pensam exatamente como nós. Podemos até nos incomodar quando o bem é realizado por alguém que não pertence ao nosso círculo. Mas Deus não é propriedade de ninguém. Somos nós que pertencemos a Ele. Por isso, em vez de querer controlar tudo aquilo que é feito em seu nome, precisamos aprender a reconhecer e agradecer o bem onde quer que ele aconteça. Isso vale também dentro da Igreja e de nossas comunidades. É possível servir e, ao mesmo tempo, desejar aplausos; trabalhar para Deus e querer reconhecimento; exercer um ministério e transformá-lo em espaço de afirmação pessoal. E é possível ainda pensar que somente aquilo que passa por nós tem valor. Quando isso acontece, deixamos de servir ao Reino e começamos a defender pequenos reinos particulares. Peçamos ao Senhor um coração livre da competição e da necessidade de reconhecimento. Que saibamos servir sem disputar lugares, reconhecer o bem realizado pelos outros e compreender que ninguém é dono da obra de Deus. No Reino, não importa quem aparece mais, quem ocupa o primeiro lugar ou a qual grupo pertence. Importa que Cristo seja anunciado, que o bem seja realizado e que Deus seja glorificado.

Evangelho do dia comentado por Padre Dennys (Mt 21,28-32) XXVI Domingo do Tempo Comum, 27/9/2026 “Qual dos dois fez a vontade do pai?” Jesus apresenta dois filhos e, com uma parábola muito simples, coloca-nos diante de uma questão decisiva: não basta dizer “sim” a Deus; é preciso fazer a sua vontade. Um filho respondeu que não iria trabalhar na vinha, mas depois mudou de atitude e foi. O outro respondeu prontamente que iria, porém ficou apenas na palavra. Há aqui algo profundamente consolador: Deus leva a sério a possibilidade de recomeçarmos. O primeiro filho errou ao dizer “não”, mas não permitiu que o seu primeiro “não” se transformasse na palavra definitiva de sua vida. Reconheceu o erro, mudou de direção e foi. Isso significa que nosso passado não precisa determinar nosso futuro. Podemos ter recusado, pecado, tomado decisões erradas, afastado-nos de Deus; enquanto há possibilidade de conversão, há possibilidade de uma resposta nova. Por outro lado, Jesus dirige uma advertência muito séria àqueles que aprenderam a dizer “sim” sem que esse “sim” transforme a vida. É possível conhecer a Palavra, participar da vida religiosa, falar de Deus e até aparentar grande fidelidade, enquanto nossas escolhas concretas caminham em outra direção. A vida cristã não se mede pelo que dizemos ser, mas pelo modo como vivemos. Por isso, a pergunta de Jesus não foi: “Qual dos dois respondeu melhor?”, mas: “Qual dos dois fez a vontade do pai?” É nesse contexto que compreendemos a afirmação forte de Jesus de que cobradores de impostos e prostitutas precederiam os chefes religiosos no Reino. Cristo não está elogiando o pecado; está exaltando a conversão. Aqueles que eram considerados pecadores ouviram João, reconheceram sua condição e mudaram. Os outros, embora conhecessem a Lei e se considerassem próximos de Deus, recusaram-se a reconhecer que também precisavam converter-se. Esse talvez seja um dos maiores perigos da vida espiritual: acostumarmo-nos tanto às coisas de Deus que deixemos de permitir que Deus nos converta. O problema não é somente cair; é recusar-se a levantar. Não é somente ter dito “não”; é permanecer no “não” quando Deus continua nos chamando. Hoje, portanto, não importa apenas o que já respondemos a Deus. Importa aquilo que estamos dispostos a fazer agora. Enquanto Deus nos chama para a sua vinha, ainda podemos mudar de direção. Que nosso “sim” não permaneça nos lábios. A melhor resposta que podemos dar a Deus é uma vida que faça a sua vontade. Que Deus nos ajude!

Evangelho do dia comentado por Padre Dennys (Lc 9,43b-45) – sábado, 26/9/2026 Memória de São Cosme e São Damião “Prestai bem atenção às palavras que vou dizer: o Filho do Homem vai ser entregue nas mãos dos homens.” Jesus acabara de despertar a admiração de todos pelas maravilhas que realizava. É justamente nesse momento que Ele anuncia aos discípulos que será entregue nas mãos dos homens. Enquanto todos estão impressionados com seu poder, Jesus fala da Cruz. Ele não permite que os discípulos construam uma imagem de Deus baseada apenas nos milagres, nas vitórias e nos momentos em que tudo parece dar certo. Por isso, suas palavras começam com uma advertência forte: “Prestai bem atenção”. Toda palavra de Jesus exige de nós uma escuta atenta e um coração disponível. Há, porém, palavras que nos confrontam de modo particular porque contrariam nossas expectativas e nos conduzem por caminhos que não escolheríamos. Os discípulos precisavam compreender que seguir o Mestre significava também acompanhá-lo quando chegasse a hora da rejeição, do sofrimento e da aparente derrota. O Evangelho diz, porém, que eles não compreendiam essas palavras e tinham medo de perguntar. Aqui encontramos algo profundamente humano. Também nós podemos compreender mais facilmente a presença de Deus quando a vida corresponde às nossas expectativas. Mais difícil é continuar acreditando quando chegam acontecimentos desconcertantes, quando uma porta se fecha, quando sofremos uma perda, quando somos feridos ou quando nossas orações parecem não receber a resposta que esperávamos. Jesus não esconde a Cruz dos seus discípulos. Ele os prepara para ela. A fé cristã não é a promessa de uma existência sem sofrimento; é a certeza de que o sofrimento não possui a palavra definitiva. O mesmo Jesus que anuncia que será entregue nas mãos dos homens caminha para Jerusalém sabendo que a Cruz não será o fim de sua história. Hoje, ao celebrarmos a memória dos mártires São Cosme e São Damião, encontramos neles um testemunho concreto dessa fidelidade. Eles não permaneceram com Cristo somente enquanto a fé lhes oferecia consolo; permaneceram quando confessá-lo lhes custou a própria vida. O martírio nos recorda que seguir Jesus não significa apenas acreditar nele quando tudo vai bem, mas escolhê-lo também quando permanecer fiel exige renúncia, coragem e sacrifício. Também nós precisamos aprender a não interpretarmos toda a nossa vida a partir do momento presente. Há situações que hoje não compreendemos e perguntas para as quais ainda não encontramos respostas. Nesses momentos, permanecer com Deus é uma das expressões mais profundas da fé. Crer não é compreender tudo; é continuar confiando naquele que conhece toda a história quando nós enxergamos apenas uma página. Quando a vida nos surpreender com aquilo que não esperávamos, não abandonemos Deus porque não compreendemos seus caminhos. Há momentos em que a fé não nos dará imediatamente uma explicação; exigirá de nós uma decisão: permanecer ou abandonar, confiar ou desistir. Os santos permaneceram. Os mártires permaneceram. Permaneçamos também nós. A Cruz não é o fim. A última palavra pertence a Deus.

Evangelho do dia comentado por Padre Dennys (Lc 9,18-22) – sexta-feira, 25/9/2026 “O Filho do Homem deve sofrer muito, ser rejeitado pelos anciãos, pelos sumos sacerdotes e doutores da Lei, deve ser morto e ressuscitar no terceiro dia.” No Evangelho de hoje, depois de perguntar aos discípulos quem o povo dizia que Ele era, Jesus dirige a pergunta diretamente a eles: “E vós, quem dizeis que eu sou?” Pedro responde: “O Cristo de Deus”. Entretanto, logo após essa profissão de fé, Jesus anuncia que deverá sofrer muito, ser rejeitado, morto e ressuscitar no terceiro dia. Pedro reconhece que Jesus é o Messias, mas ainda precisa compreender que sua missão não corresponde às expectativas humanas de poder e triunfo. O caminho escolhido por Deus passa pela entrega, pelo sofrimento e pela cruz. Jesus não veio para estabelecer um reino segundo os critérios deste mundo, mas para nos salvar mediante a oferta de sua própria vida. Há uma verdade que precisamos compreender: reconhecer Jesus como o Cristo não significa que já compreendemos plenamente os caminhos de Deus. Podemos professar a nossa fé, participar da vida da Igreja e, ainda assim, resistir à vontade divina quando ela contraria nossos projetos e expectativas. Queremos seguir Jesus, mas nem sempre estamos dispostos a aceitar o caminho pelo qual Ele nos conduz. Escolher Jesus exige de nós uma resposta que ultrapassa os momentos de alegria, de consolação e de tranquilidade. É precisamente na hora da dor, diante de acontecimentos desconcertantes, quando nossos projetos são interrompidos e nossas expectativas parecem desmoronar, que somos chamados a renovar nossa decisão de permanecer com Ele. É fácil professar que Jesus é o Cristo quando tudo acontece conforme desejamos. Entretanto, quando a vida nos apresenta situações que não compreendemos, quando nossas orações parecem não encontrar resposta e o sofrimento bate à nossa porta, a nossa fé é colocada à prova. Nesses momentos, precisamos decidir se continuaremos seguindo o Senhor ou se nossa fidelidade estava condicionada à realização de nossos próprios desejos. A resposta de Pedro, portanto, precisa tornar-se também a nossa resposta, não apenas diante da pergunta sobre quem é Jesus, mas diante da realidade concreta da nossa existência. Reconhecê-lo como o Cristo significa confiar nele também quando não compreendemos seus caminhos. Afinal, a fé não nos oferece o conhecimento antecipado de tudo o que acontecerá, mas nos dá a certeza de que, mesmo quando não compreendemos o que estamos vivendo, não estamos abandonados por Deus. O próprio Senhor nos ensina que o sofrimento e a morte não terão a última palavra. Ao anunciar sua paixão, Ele também anuncia sua ressurreição. A cruz não é o fracasso de sua missão, mas a manifestação suprema de um amor que se entrega inteiramente pela nossa salvação. Por isso, não podemos reduzir nossa relação com Deus à expectativa de que Ele realize todos os nossos desejos ou nos livre de todas as dificuldades. A fé nos ensina a permanecer com Cristo também quando não compreendemos o que estamos vivendo, confiando que sua presença não nos abandona, mesmo nas horas mais difíceis. Hoje, Jesus também nos pergunta: “E vós, quem dizeis que eu sou?” Que a nossa resposta não se limite às palavras, mas se manifeste na fidelidade de uma vida inteiramente entregue a Ele. A verdadeira fidelidade a Jesus se manifesta quando, mesmo sem compreender o que nos acontece, continuamos escolhendo permanecer com Ele.

Evangelho do dia comentado por Padre Dennys (Lc 9,7-9) – quinta-feira, 24/9/2026 “Eu mandei degolar João. Quem é esse homem, sobre quem ouço falar essas coisas? E procurava ver Jesus.” O Evangelho de hoje nos apresenta Herodes, que, ao ouvir falar dos prodígios realizados por Jesus, fica perplexo e procura vê-lo. Entretanto, sua inquietação revela algo mais profundo: a lembrança de João Batista, a quem havia mandado degolar, continuava a perturbá-lo. Herodes havia silenciado a voz do profeta, mas não conseguira silenciar a própria consciência. João Batista o havia confrontado com a verdade, denunciando sua conduta e convidando-o à conversão. Em vez de acolher a Palavra de Deus e mudar de vida, Herodes preferiu eliminar aquele que lhe mostrava o caminho da justiça. Agora, diante das notícias sobre Jesus, ele se pergunta: “Quem é esse homem?”. Sua pergunta é importante, mas sua atitude revela uma contradição: deseja ver Jesus, embora tenha rejeitado a verdade anunciada por João Batista. Essa atitude nos convida a refletir sobre a maneira como nos relacionamos com o Senhor. Há pessoas que afirmam ter encontrado Jesus, que se apresentam como detentoras da verdade e chegam a declarar que estão salvas, enquanto os outros estão perdidos. Arvoram-se em juízes da vida alheia, como se lhes coubesse determinar quem merece a salvação e quem está condenado. Entretanto, esquecem-se de uma palavra fundamental do próprio Jesus: “Não julgueis e não sereis julgados; não condeneis e não sereis condenados” (Lc 6,37). Quem verdadeiramente encontra Jesus não recebe dele a autoridade para condenar os irmãos, mas o chamado à conversão, à misericórdia e ao amor. Conhecer o Evangelho não nos torna proprietários da verdade nem senhores da salvação alheia. Antes, torna-nos ainda mais responsáveis por viver aquilo que anunciamos. É importante compreender que, ao nos ensinar a não julgar, Jesus não está nos pedindo que fechemos os olhos diante do mal, que deixemos de reconhecer o pecado ou que consideremos igualmente corretas todas as atitudes humanas. O próprio Senhor denunciou o pecado, corrigiu os que erravam e chamou todos à conversão. Entretanto, há uma diferença fundamental entre reconhecer que uma atitude é contrária à vontade de Deus e condenar a pessoa que a praticou. Podemos e devemos discernir entre o bem e o mal, mas não nos cabe julgar o coração de ninguém, muito menos pronunciar sentenças sobre sua salvação ou condenação eterna. Somente Deus conhece plenamente a história de cada pessoa, suas lutas, suas quedas e as disposições mais profundas de seu coração. Herodes procurava ver Jesus. Nós, porém, precisamos ir além: devemos procurar conhecê-lo, escutá-lo e segui-lo. E uma das maiores provas de que estamos verdadeiramente seguindo o Senhor é a maneira como tratamos aqueles que erram, que caem e que precisam de misericórdia. Antes de nos preocuparmos em determinar quem está salvo ou condenado, preocupemo-nos com a nossa própria conversão. Não fomos chamados para ocupar o tribunal de Deus, mas para testemunhar seu amor. Quem encontrou Jesus deve aprender a olhar os irmãos com os olhos misericordiosos do Senhor! Que Deus nos ajude!

Evangelho do dia comentado por Padre Dennys (Lc 9,1-6) – quarta-feira, 23/9/2026 Memória de São Padre Pio de Pietrelcina “Naquele tempo, Jesus convocou os Doze, deu-lhes poder e autoridade sobre todos os demônios e para curar doenças, enviou-os a proclamar o Reino de Deus e a curar os enfermos”. O Evangelho de hoje nos apresenta Jesus enviando os Doze em missão. Antes de enviá-los, porém, Ele lhes concede poder e autoridade. Os discípulos não partem em nome próprio, nem anunciam uma mensagem inventada por eles. São enviados por Cristo e recebem dele tudo aquilo de que necessitam para realizar a missão que lhes foi confiada. Aqui encontramos uma verdade fundamental para nossa vida espiritual: ninguém pode realizar a obra de Deus apoiando-se exclusivamente nas próprias forças. A missão nasce da comunhão com Cristo. É Ele quem chama, capacita e envia. Quando nos esquecemos disso, corremos o risco de transformar o serviço a Deus numa busca de reconhecimento pessoal, colocando nossos interesses acima da vontade daquele que nos chamou. Jesus também orienta os discípulos a não levarem nada para o caminho: nem cajado, nem sacola, nem pão, nem dinheiro. Com essas recomendações, o Senhor os ensina a não colocar sua segurança nas coisas materiais. Eles deveriam aprender a confiar na providência divina e compreender que a eficácia da missão não depende da abundância dos recursos, mas da fidelidade àquele que os envia. Isso não significa desprezar os meios materiais necessários à evangelização, mas reconhecer que eles jamais poderão ocupar o lugar de Deus. Podemos dispor de muitos recursos e realizar grandes atividades, mas, se perdermos a comunhão com Cristo, teremos perdido aquilo que dá sentido à nossa missão. Há ainda um aspecto importante neste Evangelho: Jesus envia os discípulos para anunciar o Reino de Deus e curar os enfermos. A Palavra anunciada deve encontrar correspondência nas atitudes de quem a proclama. Não basta falar do amor de Deus; é necessário torná-lo visível por meio da caridade, da compaixão e do cuidado com aqueles que sofrem. Hoje, celebramos também a memória de São Pio de Pietrelcina, o Padre Pio, que dedicou sua vida à oração, ao sacramento da Reconciliação e ao cuidado dos que sofriam. Seu testemunho nos recorda que a fecundidade de uma vida entregue a Deus não se mede pelo reconhecimento humano, mas pelo bem que o Senhor realiza por meio daqueles que se colocam inteiramente à sua disposição. Peçamos ao Senhor a graça de compreender que também nós somos enviados. Em nossa família, em nosso trabalho e em todos os lugares onde estivermos, somos chamados a testemunhar o Evangelho. Que nossas palavras anunciem Cristo, que nossas atitudes revelem seu amor e que jamais nos esqueçamos: quem nos chamou foi Deus, quem nos envia é Ele. Somos apenas instrumentos do seu amor. A obra é dele, e a Ele pertence toda a glória!

Evangelho do dia comentado por Padre Dennys (Lc 8,19-21) – terça-feira, 22/9/2026 “Minha mãe e meus irmãos são aqueles que ouvem a Palavra de Deus, e a põem em prática.” No Evangelho de hoje, Jesus nos apresenta uma realidade extraordinária: Deus não deseja apenas que sejamos seus servos, mas nos convida a fazer parte de sua própria família. Ao declarar que sua mãe e seus irmãos são aqueles que ouvem a Palavra de Deus e a põem em prática, Ele revela que a comunhão com Deus estabelece entre nós vínculos que ultrapassam os limites da família humana. Encontramos uma expressão profunda dessa verdade quando Jesus, do alto da cruz, entrega sua própria mãe ao discípulo amado, dizendo: “Eis aí tua mãe” (Jo 19,27). Nossa Senhora não está unida a nós pelos laços do sangue, mas, por vontade de seu Filho, tornou-se nossa mãe na ordem da graça. Ao nos confiar Maria como mãe, Jesus nos revela que os vínculos espirituais, nascidos da graça e do amor de Deus, ultrapassam os limites do parentesco humano. Aquela que gerou o Filho de Deus tornou-se também mãe daqueles que, pela fé e pelo Batismo, foram incorporados a Cristo. Essa realidade nos leva a compreender uma das consequências mais exigentes da fé cristã: não podemos reconhecer Deus como nosso Pai e permanecer indiferentes àqueles que Ele reconhece como seus filhos. Se pertencemos à mesma família, a vida do outro não pode ser uma realidade estranha à nossa. Suas dores, suas necessidades e suas dificuldades também nos dizem respeito. É justamente aqui que precisamos examinar a maneira como vivemos a nossa fé. Há pessoas que desejam uma relação profunda com Deus, mas não estão dispostas a construir relações fraternas com aqueles que caminham ao seu lado. Querem a proximidade do Pai, mas mantêm distância dos irmãos. Entretanto, não podemos separar aquilo que o próprio Cristo uniu: o amor a Deus e o amor ao próximo. Pertencer à família de Jesus significa aprender a reconhecer o outro como irmão, mesmo quando não há entre nós laços de sangue, afinidades ou interesses comuns. A fraternidade cristã não nasce simplesmente da simpatia, mas da consciência de que fomos acolhidos pelo mesmo Pai e chamados a participar da mesma vida em Cristo. Por isso, a Palavra que ouvimos precisa transformar também a maneira como enxergamos as pessoas. Onde o egoísmo constrói muros, a caridade abre caminhos. Onde a indiferença nos afasta, o amor nos aproxima. E onde as diferenças parecem nos dividir, a fé nos recorda que pertencemos à mesma família. Peçamos ao Senhor que nos livre de uma fé fechada em nós mesmos. Que a alegria de pertencermos à sua família nos ensine a reconhecer, acolher e amar aqueles que Ele colocou em nosso caminho. Lembremo-nos de que, quando guardamos os mandamentos e colocamos em prática a Palavra de Deus, não somos apenas seguidores de Jesus: Ele nos eleva à dignidade de membros de sua própria família. Que a nossa vida corresponda à grandeza dessa vocação!

Evangelho do dia comentado por Padre Dennys (Mt 9,9-13) – segunda-feira, 21/9/2026 Festa de São Mateus, Apóstolo e Evangelista “Aqueles que têm saúde não precisam de médico, mas sim os doentes.” Hoje, celebramos a festa de São Mateus, o publicano que, ao ouvir o chamado de Jesus, levantou-se e o seguiu. Sua história nos revela que Deus não nos chama porque somos perfeitos, mas porque seu amor é capaz de transformar nossa vida. Mateus era cobrador de impostos, uma profissão desprezada pelos judeus, pois os publicanos trabalhavam para o Império Romano e eram frequentemente associados à exploração e à injustiça. Entretanto, Jesus não se detém na condição daquele homem, nem permite que seu passado determine seu futuro. Ao passar pela coletoria de impostos, olha para Mateus e lhe diz: “Segue-me!”. E Mateus, levantando-se, deixa tudo para seguir o Senhor. O chamado de Jesus não é apenas um convite para mudar de ocupação, mas para começar uma vida nova. Mateus compreende que, diante dele, está alguém por quem vale a pena abandonar suas antigas seguranças. Sua resposta não fica nas palavras: ele se levanta e segue Jesus. A conversão começa quando deixamos de justificar nossa permanência no pecado e nos dispomos a caminhar na direção que Deus nos indica. Em seguida, Jesus senta-se à mesa com publicanos e pecadores, provocando a indignação dos fariseus. Eles não conseguem compreender como alguém que se apresenta como mestre pode compartilhar a mesa com pessoas consideradas indignas. Jesus, porém, responde: “Aqueles que têm saúde não precisam de médico, mas sim os doentes”. Com essas palavras, o Senhor revela a razão de sua presença entre os pecadores. Ele não se aproxima deles para aprovar seus pecados, mas para oferecer-lhes a possibilidade de uma vida nova. O médico não abandona o doente por causa de sua enfermidade; aproxima-se dele para curá-lo. Assim também Jesus vem ao encontro do homem ferido pelo pecado, oferecendo-lhe a misericórdia que cura e transforma. Por isso, acrescenta: “Quero misericórdia e não sacrifício”. Os fariseus conheciam a Lei, mas não haviam compreendido que a verdadeira fidelidade a Deus exige um coração capaz de reconhecer a própria miséria e acolher o irmão que necessita de misericórdia. A festa de São Mateus nos convida a reconhecer que nenhum passado é capaz de impedir a ação da graça quando o coração se abre ao chamado de Deus. O mesmo Jesus que passou pela coletoria de impostos continua passando por nossa vida e nos dizendo: “Segue-me!”. Não permitamos que nossos pecados se tornem desculpa para permanecermos longe de Deus. Levantemo-nos e sigamos o Senhor! A misericórdia divina não apenas perdoa o nosso passado, mas nos oferece a graça de uma vida nova. Que Deus nos ajude!

Evangelho do dia comentado por Padre Dennys (Lc 8,1-3) – sexta-feira, 18/9/2026 “Os doze iam com ele; e também algumas mulheres que haviam sido curadas de maus espíritos e doenças.” Jesus percorria cidades e povoados anunciando a Boa-Nova do Reino de Deus. Mas São Lucas faz questão de registrar que Ele não caminhava sozinho. Com Jesus estavam os Doze e também algumas mulheres que haviam experimentado em suas próprias vidas a força de sua presença. Há um detalhe muito bonito neste Evangelho: aquelas mulheres haviam sido curadas e libertadas por Jesus e, depois de terem recebido tanto, decidiram segui-lo e servi-lo. Maria Madalena, Joana, Susana e muitas outras não esqueceram o que Deus havia realizado em suas vidas. A graça recebida transformou-se em gratidão, e a gratidão transformou-se em serviço. São Lucas destaca particularmente Maria Madalena, “da qual tinham saído sete demônios”. O Evangelho não nos diz exatamente como se manifestava aquela situação, mas deixa claro que sua libertação havia sido profunda. O número sete, tão significativo na linguagem bíblica, reforça a ideia de plenitude. Aquela mulher, antes profundamente ferida e oprimida, agora caminhava livre ao lado de Jesus. Seu passado não determinou o seu futuro. Cristo entrou em sua história e deu a ela uma nova direção. E isso é muito importante para nós, porque Jesus não reduz uma pessoa àquilo que ela viveu, sofreu ou fez. Maria Madalena não ficou conhecida apenas como aquela de quem saíram sete demônios. Ela tornou-se discípula, permaneceu junto à cruz e, mais tarde, seria testemunha privilegiada da Ressurreição. A graça de Deus não apenas nos retira de uma situação de morte; ela nos devolve a dignidade e nos chama para uma missão. Aqui encontramos uma pergunta importante para a nossa vida espiritual: o que temos feito com tudo aquilo que Deus já fez por nós? É muito fácil recorrer ao Senhor quando precisamos de uma graça e, depois de recebê-la, continuar a vida como se nada tivesse acontecido. O verdadeiro encontro com Cristo, porém, deixa marcas. Quem reconhece o quanto recebeu de Deus começa a compreender que sua vida também precisa tornar-se resposta. É significativo ainda que São Lucas registre a presença dessas mulheres pelo nome. Numa sociedade em que a mulher permanecia à margem da vida pública, o Evangelho mostra sua presença concreta no caminho de Jesus e no serviço à missão. Desde o início, elas estão entre aqueles que acolhem, seguem e servem o Senhor. Precisamos recuperar essa consciência: somos pessoas que receberam muito. Quantas vezes Deus nos levantou, sustentou, perdoou, protegeu e abriu caminhos quando pensávamos que não conseguiríamos continuar! Esquecer as graças recebidas empobrece a nossa fé; recordá-las alimenta a gratidão e renova nossa disposição de seguir o Senhor. Peçamos hoje a graça de não sermos apenas pessoas que procuram Jesus quando precisam de alguma coisa. Como aquelas mulheres do Evangelho, depois de experimentar o que Ele realizou em nós, permaneçamos com Ele e coloquemos nossa vida a seu serviço. Quem sabe o quanto recebeu de Deus não pode continuar vivendo da mesma maneira: a graça recebida pede uma resposta, e a melhor resposta é uma vida inteiramente entregue ao Senhor. Que Deus nos ajude!

Evangelho do dia comentado por Padre Dennys (Lc 7,36-50) – quinta-feira, 17/9/2026 “Por esta razão, eu te declaro: os muitos pecados que ela cometeu estão perdoados porque ela mostrou muito amor.” Há duas pessoas diante de Jesus: Simão, o fariseu, e uma mulher conhecida na cidade como pecadora. Simão convida Jesus para entrar em sua casa, mas é aquela mulher que verdadeiramente abre o coração para recebê-lo. Ela se aproxima por trás, aos pés de Jesus, e chora, banha-lhe os pés com suas lágrimas, enxuga-os com os cabelos, cobre-os de beijos e derrama perfume sobre eles. Não pronuncia uma palavra. Seu arrependimento e seu amor falam por ela. Simão, ao contrário, observa e julga. Em seu coração, questiona até mesmo Jesus: “Se este homem fosse um profeta, saberia que tipo de mulher está tocando nele, pois é uma pecadora”. Ele enxerga o passado daquela mulher; Jesus enxerga o coração que está diante dele. É então que o Senhor conta a pequena parábola dos dois devedores. Um devia muito, outro devia pouco, mas nenhum deles tinha condições de pagar. O credor perdoou a dívida dos dois. Jesus pergunta: “Qual deles o amará mais?” Simão responde corretamente: aquele a quem foi perdoado mais. Jesus volta-se para a mulher, mas continua falando a Simão. E começa a comparar as atitudes dos dois: “Entrei na tua casa e tu não me ofereceste água para lavar os pés; ela, porém, banhou meus pés com lágrimas. Tu não me deste o beijo; ela não parou de beijar meus pés. Tu não derramaste óleo sobre minha cabeça; ela derramou perfume sobre meus pés”. O problema de Simão não estava apenas naquilo que deixou de fazer, mas naquilo que não conseguia reconhecer. Julgava-se numa posição superior àquela mulher e, por isso, não percebia a própria necessidade de misericórdia. Quando perdemos a consciência de que também somos pecadores necessitados do perdão de Deus, facilmente nos transformamos em juízes dos outros. A mulher sabia quem era e sabia diante de quem estava. Não tentou justificar seu passado nem esconder suas misérias. Aproximou-se de Jesus como estava e encontrou misericórdia. Seu grande amor manifesta a acolhida de um perdão que transforma a vida. Por isso Jesus lhe diz: “Teus pecados estão perdoados” e, depois: “Tua fé te salvou. Vai em paz!” Hoje precisamos nos perguntar: diante de Jesus, pareço-me mais com Simão ou com aquela mulher? Reconheço sinceramente meus pecados ou estou sempre mais atento aos pecados dos outros? Tenho consciência do quanto Deus já me perdoou? Senhor, livra-nos de um coração que julga e se considera melhor do que os outros. Dá-nos a humildade de reconhecer nossas misérias, buscar o teu perdão e amar-te cada vez mais. Que jamais nos esqueçamos da misericórdia que recebemos de Ti. Amém