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Evangelho do dia comentado por Padre Dennys (Mateus 18,15-20)
Domingo, 6 de setembro de 2026
“Se ele te ouvir, tu ganhaste o teu irmão.”
Jesus nos apresenta hoje um ensinamento profundamente necessário para nossas relações: o que fazer quando um irmão erra contra nós?
É interessante perceber a escolha das palavras de Jesus. Ele não diz simplesmente: “Se alguém pecar contra ti”. Ele diz: “Se o teu irmão pecar contra ti”. Antes de falar do erro cometido, Jesus nos recorda quem é aquela pessoa: é teu irmão. O erro pode ter ferido a relação, mas não deve nos fazer esquecer a fraternidade.
Por isso, Jesus orienta: “Vai corrigi-lo, mas em particular, a sós contigo”.
Aqui encontramos uma grande sabedoria do Evangelho.
Quando alguém nos machuca, muitas vezes sentimos vontade de contar imediatamente o que aconteceu. Falamos com um, depois com outro, procuramos pessoas que concordem conosco e, quando percebemos, aquilo que deveria ter sido resolvido entre duas pessoas já se tornou assunto de muitas.
Jesus propõe o caminho contrário: antes de falar sobre o irmão, fale com o irmão.
Isso exige maturidade, coragem e, sobretudo, amor. É muito mais fácil comentar o erro de alguém na ausência dele do que olhar nos seus olhos e conversar com sinceridade. A correção fraterna não pretende expor, humilhar ou destruir. Ela procura recuperar.
É por isso que Jesus apresenta a finalidade de todo esse esforço: “Se ele te ouvir, tu ganhaste o teu irmão”.
Que expressão extraordinária: ganhaste o teu irmão!
Jesus não diz: ganhaste a discussão. Não diz: provaste que estavas certo. Não diz: fizeste o outro reconhecer que estava errado. Para Jesus, a verdadeira vitória acontece quando o irmão é recuperado.
Quantas vezes fazemos exatamente o contrário! Queremos vencer a discussão, ainda que para isso percamos a pessoa. Queremos provar nossa razão, mesmo que a relação seja destruída. Queremos que o outro reconheça sua culpa, mas nem sempre estamos verdadeiramente interessados em recuperá-lo.
Há uma enorme diferença entre corrigir para ajudar e corrigir para ferir. Podemos dizer coisas verdadeiras movidos por sentimentos errados. A verdade nas mãos de quem não ama pode transformar-se numa arma. Por isso, antes de corrigirmos alguém, precisamos perguntar a nós mesmos: por que estou fazendo isso? Quero realmente o bem dessa pessoa ou simplesmente quero mostrar que tenho razão?
Jesus ainda nos ensina a não desistir facilmente: Se o irmão não escutar, procure ajuda de outras pessoas. Se ainda assim resistir, leve a situação à comunidade.
Há uma insistência do amor. Quem ama não abandona facilmente aquele que está se perdendo.
O Evangelho de hoje nos convida, portanto, a rever a maneira como lidamos com os erros dos outros. Menos exposição e mais diálogo. Menos comentários e mais aproximação. Menos desejo de vencer e mais desejo de salvar.
Pode ser que hoje exista alguém sobre quem você tenha falado muito, mas com quem ainda não teve coragem de conversar.
Talvez esteja justamente aí o convite de Jesus para você.
Antes de falar sobre o seu irmão, fale com ele.
E nunca se esqueça: diante de Deus, a maior vitória não é poder dizer “eu estava certo”, mas poder dizer: “Eu ganhei o meu irmão”.
Evangelho do dia comentado por Padre Dennys (Lucas 6,1-5)
Sábado, 5 de setembro de 2026
“Por que fazeis o que não é permitido em dia de sábado?”
Meus amados, o Evangelho de hoje nos apresenta Jesus atravessando uma plantação em dia de sábado. Seus discípulos arrancam espigas, debulham-nas com as mãos e comem. Imediatamente, alguns fariseus os questionam: “Por que fazeis o que não é permitido em dia de sábado?”
A questão parece pequena, mas revela algo muito sério: é possível conhecer os mandamentos e, ainda assim, perder de vista aquilo que Deus deseja através deles.
O sábado era sagrado para o povo de Israel. Guardá-lo significava reconhecer que Deus é o Senhor da vida e que o homem não vive apenas do seu trabalho. O problema não estava no sábado, mas na maneira como alguns haviam transformado sua observância numa sucessão de proibições, a ponto de a regra ocupar o lugar daquilo que ela deveria proteger.
Jesus não ensina o desprezo pela Lei. Pelo contrário, Ele devolve à Lei o seu verdadeiro sentido. Por isso recorda o episódio de Davi que, diante da necessidade, tomou os pães da oferenda e deles comeu, dando também aos seus companheiros. A necessidade humana não podia ser simplesmente ignorada em nome de uma interpretação rígida da norma.
Esse Evangelho também nos obriga a olhar para a nossa vida religiosa. Podemos cumprir preceitos, participar das celebrações, rezar, conhecer normas e conservar costumes e, mesmo assim, esquecer aquilo para o qual tudo isso existe: conduzir-nos a Deus e fazer de nós pessoas mais santas. A prática religiosa que não transforma o coração corre o risco de se tornar apenas exterioridade.
Há ainda outro perigo: sermos extremamente rigorosos quando observamos a vida dos outros e muito compreensivos quando examinamos a nossa.
Os fariseus estavam atentos ao que os discípulos faziam. Contavam seus gestos, identificavam a infração e imediatamente apontavam o erro. É sempre mais fácil fiscalizar a fidelidade alheia do que examinar a própria consciência.
Jesus encerra a discussão com uma afirmação decisiva: “O Filho do Homem é senhor também do sábado.” Aqui está o centro de tudo. Antes da norma está o Senhor. Antes de perguntarmos apenas o que é permitido ou proibido, precisamos perguntar se aquilo que fazemos nos aproxima de Deus e corresponde verdadeiramente à sua vontade.
Não façamos da fé uma coleção de regras sem alma. Os mandamentos de Deus não existem para nos afastar dele, mas para nos conduzir a Ele. A verdadeira fidelidade não consiste apenas em observar exteriormente uma norma; consiste em permitir que Deus governe também o coração.
Hoje vale perguntar: minha maneira de viver a fé está me tornando mais próximo de Deus, mais misericordioso e mais santo? Ou estou tão preocupado em observar a vida dos outros que já não encontro tempo para examinar a minha?
Antes de vigiar a fidelidade dos outros, examinemos a nossa.
No fim, não seremos julgados pela quantidade de erros que conseguimos encontrar na vida alheia, mas pela fidelidade com que nós mesmos procuramos viver diante de Deus.
Pensemos sobre tudo isso!
Que Deus nos ajude!
Evangelho do dia comentado por Padre Dennys (Lucas 5,33-39) – sexta-feira, 4 de setembro de 2026
“Vinho novo deve ser colocado em odres novos.”
No Evangelho de hoje, a discussão começa com o jejum, mas Jesus conduz seus ouvintes para algo muito mais profundo: a novidade que a sua presença traz à vida do homem.
Os fariseus estavam incomodados porque os discípulos de Jesus não se comportavam exatamente como os discípulos de João ou como eles esperavam. A pergunta era sobre o jejum, mas o problema estava na dificuldade de compreender Jesus para além dos esquemas que já possuíam.
Cristo não veio simplesmente ocupar um espaço dentro de uma vida que permanece exatamente como era antes. O verdadeiro encontro com Ele exige transformação. Não podemos acolher a novidade do Evangelho e continuar vivendo segundo os mesmos critérios, alimentando os mesmos ressentimentos, justificando os mesmos pecados e repetindo comportamentos que contradizem aquilo que professamos.
Podemos querer a graça de Deus e, ao mesmo tempo, resistir às mudanças que ela provoca. Queremos uma vida nova, mas preservamos velhos hábitos. Pedimos que Deus transforme nossa história, mas estabelecemos aquilo em que Ele pode ou não tocar.
É impossível acolher o vinho novo permanecendo interiormente um odre velho.
Por isso, o Evangelho nos obriga a perguntar com sinceridade: o que em mim ainda precisa tornar-se novo?
Há pensamentos que envelheceram dentro de nós, maneiras de julgar que nunca submetemos ao Evangelho, feridas que transformamos em ressentimento e comportamentos que justificamos dizendo simplesmente: “Eu sou assim”. Mas quem encontra verdadeiramente Jesus não pode usar o próprio jeito de ser como desculpa para não mudar.
Deus não deseja apenas modificar as circunstâncias ao nosso redor. Muitas vezes, enquanto pedimos que Ele mude pessoas e situações, aquilo que precisa ser transformado primeiro está dentro de nós.
No final do Evangelho, Jesus ainda diz: “Ninguém, depois de beber vinho velho, deseja vinho novo, porque diz: o velho é melhor”. Ele conhece nossa resistência. O conhecido nos dá segurança, e podemos nos acostumar até mesmo com aquilo que já não nos faz bem.
Converter-se exige coragem. É permitir que Deus renove nossa maneira de pensar, amar, escolher, reagir e viver. Não adianta pedir uma vida nova enquanto protegemos obstinadamente aquilo que precisa morrer em nós.
O vinho novo continua sendo oferecido. Cristo continua passando por nossa vida, chamando, corrigindo, curando e oferecendo a sua graça. A questão é saber se estamos dispostos a nos tornar odres novos.
Se você pede a Deus que faça algo novo em sua vida, esteja também disposto a deixar para trás aquilo que já não cabe na vida nova que Ele lhe oferece. Deus quer fazer algo novo. Permita que Ele comece por você.
Evangelho do dia comentado por Padre Dennys (Lucas 4,38-44)
Quarta-feira, 2 de setembro de 2026
“Inclinando-se sobre ela, Jesus ameaçou a febre, e a febre a deixou. Imediatamente, ela se levantou e começou a servi-los.”
Há um detalhe muito bonito no início deste Evangelho: Jesus sai da sinagoga e entra na casa de Simão. Aquele que acabara de ensinar publicamente e manifestar sua autoridade sobre o espírito impuro agora entra no espaço simples e cotidiano de uma família. A ação de Deus não fica restrita ao lugar sagrado. Jesus entra na casa, aproxima-se de uma mulher doente e se ocupa de sua dor.
A sogra de Simão estava sofrendo com uma febre alta. Os que estavam na casa intercedem por ela: “pediram a Jesus em favor dela”. Eis também a força da intercessão. Há momentos em que alguém está tão fragilizado que precisa ser apresentado a Deus pela oração dos outros. Quantas pessoas poderiam ser alcançadas pela graça se, em vez de apenas comentarmos suas dores, rezássemos por elas!
Jesus se inclina sobre aquela mulher. É um gesto que revela muito de Deus: Ele se inclina sobre a fragilidade humana. Não contempla nosso sofrimento de longe. Aproxima-se. E Lucas diz que Jesus “ameaçou a febre”. É uma expressão impressionante, porque manifesta a autoridade de Cristo. Diante de Jesus, até aquilo que oprime e debilita precisa ceder.
Mas o Evangelho não termina na cura: “Imediatamente, ela se levantou e começou a servi-los”. Aqui está uma das grandes mensagens desta passagem. Jesus não nos levanta apenas para que fiquemos bem; Ele nos levanta para que voltemos a amar, a servir, a cumprir nossa missão.
A sogra de Simão não transforma a cura em privilégio. Não permanece deitada contemplando aquilo que recebeu. A graça recebida produz imediatamente uma resposta. Ela se levanta e serve. Quem verdadeiramente experimenta a ação de Deus não pode continuar vivendo somente para si.
Também nós carregamos nossas “febres”. Existem realidades que nos paralisam, consomem nossas forças e nos impedem de servir: ressentimentos, preocupações excessivas, medos, vaidades, apegos, decepções. Algumas febres não aparecem no corpo, mas conseguem manter a alma prostrada durante muito tempo. Precisamos permitir que Cristo se aproxime também dessas regiões da nossa vida.
Depois, o Evangelho mostra uma multidão levando doentes até Jesus. Ele impõe as mãos sobre cada um e os cura. Lucas faz questão de mostrar esse cuidado pessoal. No meio da multidão, ninguém é apenas mais um. Cristo toca cada pessoa.
E, quando todos o procuram e querem retê-lo, Jesus responde: “Eu devo anunciar a Boa-Nova do Reino de Deus também a outras cidades, porque para isso é que eu fui enviado”. Jesus não permite que o sucesso de um lugar o aprisione. Ele conhece sua missão e permanece fiel a ela.
Há aqui também uma pergunta para nós: o que tem nos impedido de levantar e servir? E outra ainda mais exigente: depois de tudo o que Deus já fez por nós, o que estamos fazendo com as graças que recebemos?
A sogra de Simão nos ensina uma resposta simples e profundamente cristã: foi tocada por Cristo, levantou-se e começou a servir.
A graça que apenas recebemos pode tornar-se lembrança. A graça que recebemos e transformamos em serviço torna-se missão. Deus nos coloca de pé não para vivermos para nós mesmos, mas para fazermos da vida um dom.
Que Deus nos ajude!
Evangelho do dia comentado por Padre Dennys (Lucas 4,31-37) – terça-feira, 1º de setembro de 2026
“Que palavra é essa?
Ele manda nos espíritos impuros, com autoridade e poder,
e eles saem.” (Lc 4,36)
Vivemos cercados de palavras. Ouvimos opiniões, conselhos, promessas, julgamentos, discursos. Algumas palavras nos ajudam; outras nos confundem. Algumas edificam; outras ferem profundamente. Há palavras que permanecem durante anos dentro de nós e chegam até a influenciar a maneira como pensamos, sentimos e fazemos nossas escolhas.
No Evangelho de hoje, porém, as pessoas ficam admiradas diante de uma palavra completamente diferente. Depois de presenciarem a libertação de um homem possuído por um espírito impuro, perguntam umas às outras: “Que palavra é essa?”
A pergunta é muito significativa. Elas percebem que Jesus não fala como qualquer outro homem. Sua palavra possui autoridade e poder. Ele não precisa discutir com o mal, convencê-lo ou negociar com ele. Jesus simplesmente ordena: “Cala-te e sai dele!” E o espírito impuro obedece.
A Palavra de Cristo não é apenas uma palavra que informa; é uma Palavra que realiza. Quando Jesus fala, alguma coisa acontece. Sua Palavra ilumina, cura, corrige, levanta, transforma e liberta. Diante dela, até aquilo que parecia dominar completamente aquele homem precisa recuar.
Há ainda um detalhe muito importante. O espírito impuro sabe perfeitamente quem está diante dele: “Eu sei quem tu és: tu és o Santo de Deus!” Ele conhece a identidade de Jesus, mas não o ama nem lhe entrega a vida. Isso nos ensina que saber muitas coisas sobre Deus não significa necessariamente viver com Deus.
Podemos conhecer a Bíblia, frequentar a Igreja, saber as orações, participar das celebrações e falar muito sobre Jesus. A verdadeira questão, porém, é outra: a Palavra de Jesus tem autoridade sobre a nossa vida?
Porque facilmente queremos um Jesus que console, mas resistimos quando sua Palavra nos corrige. Queremos suas promessas, mas nem sempre seus mandamentos. Procuramos sua misericórdia, mas podemos resistir quando Ele nos pede conversão. Nesse caso, conhecemos sua Palavra, mas ainda não permitimos que ela governe verdadeiramente nossas escolhas.
Também existem muitas vozes tentando ocupar dentro de nós o lugar que pertence à voz de Deus. A opinião dos outros, a necessidade de aprovação, nossos desejos, ressentimentos, medos e interesses podem falar tão alto que já não conseguimos escutar com clareza aquilo que Cristo nos diz.
Por isso, a pergunta feita em Cafarnaum continua atual: “Que palavra é essa?” É a Palavra daquele diante de quem o mal não permanece de pé. É a Palavra capaz de entrar onde ninguém consegue chegar e libertar aquilo que sozinho o homem não consegue libertar.
Talvez precisemos hoje fazer uma pergunta ainda mais pessoal: entre tantas vozes que escuto, qual delas está determinando minhas escolhas?
Não basta conhecer a Palavra de Jesus. É preciso acolhê-la, obedecê-la e permitir que ela tenha a última palavra sobre a nossa vida.
Que Deus nos ajude!
Evangelho do dia comentado por Padre Dennys (Lucas 4,16-30)
Segunda-feira, 31/8/2026
“Hoje se cumpriu esta passagem da Escritura que acabastes de ouvir.”
Jesus volta a Nazaré, lugar onde havia crescido. Entra na sinagoga, recebe o livro do profeta Isaías e lê uma passagem que anunciava a missão do Messias: “O Espírito do Senhor está sobre mim, porque ele me consagrou com a unção para anunciar a Boa-Nova aos pobres; enviou-me para proclamar a libertação aos cativos e aos cegos a recuperação da vista; para libertar os oprimidos e para proclamar um ano da graça do Senhor”.
Terminada a leitura, todos mantêm os olhos fixos nele. É nesse momento que Jesus pronuncia uma das afirmações mais importantes do Evangelho: “Hoje se cumpriu esta passagem da Escritura que acabastes de ouvir”.
A palavra fundamental é “hoje”. Aquilo que durante séculos fora promessa agora se tornava realidade. O Messias esperado estava diante deles. Deus havia visitado o seu povo. Jesus não diz: “Um dia isso acontecerá”, mas: “Hoje se cumpriu”.
O problema é que os habitantes de Nazaré conheciam Jesus desde pequeno. Sabiam quem era sua família e conheciam sua história. Por isso perguntam: “Não é este o filho de José?” Conheciam sua origem humana e, justamente por julgarem conhecê-lo suficientemente, tornam-se incapazes de reconhecer quem verdadeiramente estava diante deles.
Esse é também um perigo para nós: acostumarmo-nos com as coisas de Deus. Podemos ouvir tantas vezes o Evangelho que já não permitimos que ele nos questione; participar tantas vezes da Santa Missa que corremos o risco de perder o assombro diante do mistério que celebramos; rezar tantas orações que nossas palavras já não alcançam o coração. A familiaridade com o sagrado nunca pode transformar-se em indiferença.
A situação se torna ainda mais tensa quando Jesus recorda dois episódios do Antigo Testamento: Elias, enviado a uma viúva estrangeira em Sarepta, e Eliseu, por meio de quem Naamã, o sírio, foi curado. Jesus toca justamente naquilo que seus ouvintes não queriam aceitar: a graça de Deus não é propriedade de ninguém. Deus não cabe dentro dos limites que estabelecemos para Ele. Seu amor alcança também aqueles que estão além das nossas fronteiras, preferências e julgamentos.
Aqueles que inicialmente estavam admirados com Jesus ficam furiosos. Levantam-se, expulsam-no da cidade e querem precipitá-lo de um monte. Impressiona perceber como rapidamente a admiração pode transformar-se em rejeição quando a Palavra de Deus deixa de dizer aquilo que queremos ouvir e começa a confrontar aquilo que precisamos mudar.
Também nós podemos desejar um Jesus que nos console, mas resistir ao Jesus que nos corrige; acolher sua Palavra quando ela confirma nossas escolhas, mas incomodar-nos quando ela exige conversão. No entanto, seguir Jesus significa permitir que sua Palavra tenha autoridade sobre toda a nossa vida.
“Hoje se cumpriu esta passagem.” O hoje de Deus continua acontecendo. Cada vez que sua Palavra nos alcança, Deus nos oferece uma oportunidade concreta de conversão. Não deixemos para amanhã aquilo que Deus nos pede hoje.
A pergunta que fica é muito simples e muito séria: diante da Palavra que acabamos de ouvir, o que precisa começar a se cumprir hoje em nossa vida?
Que Deus nos ajude!
Evangelho do dia comentado por Padre Dennys(Marcos 6,17-29)
Sábado, 29 de agosto de 2026
Memória do Martírio de São João Batista
“Quero que me dês agora, num prato, a cabeça de João Batista.”
O Evangelho de hoje nos coloca diante de uma das cenas mais dramáticas do Novo Testamento. Celebrando o Martírio de São João Batista, a Igreja nos apresenta um homem que preferiu perder a própria vida a fazer concessões à verdade.
João Batista estava preso por ordem de Herodes. Seu crime? Ter dito aquilo que ninguém tinha coragem de dizer ao rei: “Não te é permitido ficar com a mulher do teu irmão”. João não tinha nada a ganhar com aquela denúncia. Pelo contrário, sabia muito bem que dizer a verdade poderia lhe custar caro. E custou.
É interessante perceber, porém, que João está preso, mas é o homem mais livre de toda a narrativa. Herodes, que aparentemente tem todo o poder, é quem verdadeiramente está aprisionado.
O Evangelho diz que Herodes temia João, reconhecendo que ele era justo e santo. Mais ainda: “gostava de ouvi-lo”. Aqui está uma grande contradição. Herodes gostava de ouvir a verdade, mas não estava disposto a mudar de vida por causa dela.
E isso também pode acontecer conosco.
Podemos gostar de ouvir a Palavra de Deus, admirar os ensinamentos de Jesus, emocionar-nos com uma pregação e até reconhecer que determinada palavra é dirigida a nós. Tudo isso, porém, será inútil se não estivermos dispostos a permitir que a verdade mude alguma coisa em nossa vida.
Não basta gostar de ouvir Deus. É preciso obedecer-lhe.
Herodíades, por sua vez, não suportava João porque sua presença denunciava aquilo que ela não queria abandonar. Quando não queremos mudar, corremos o risco de começar a rejeitar quem nos mostra a verdade. Em vez de combatermos o pecado, combatemos aquele que o denuncia.
Chega, então, o aniversário de Herodes. Durante o banquete, a filha de Herodíades dança e agrada aos convidados. Entusiasmado, Herodes faz uma promessa imprudente. A jovem, orientada pela mãe, pede a cabeça de João Batista.
Marcos registra um detalhe impressionante: “Herodes ficou muito triste”. Ele sabe que aquilo é errado. Sua consciência ainda fala. Entretanto, por causa do juramento e dos convidados, manda matar João.
Que tragédia!
Herodes prefere matar um inocente a voltar atrás diante dos homens. Prefere cometer uma injustiça a parecer fraco diante dos convidados. Aqui aparece uma das formas mais perigosas de escravidão: viver condicionado pela opinião dos outros.
Quantas coisas erradas podem ser feitas simplesmente porque não queremos decepcionar alguém, contrariar um grupo, reconhecer um erro ou voltar atrás numa decisão equivocada!
João e Herodes estão diante de nós como dois caminhos completamente diferentes.
João perdeu a cabeça, mas não perdeu a consciência. Herodes conservou a cabeça sobre os ombros, mas perdeu a liberdade de fazer aquilo que sabia ser correto.
O martírio de São João Batista nos recorda que a verdade tem um preço. Nem sempre ser fiel a Deus nos tornará populares, compreendidos ou aplaudidos. Em determinadas situações, a fidelidade poderá nos custar amizades, posições, vantagens e reconhecimento.
Mas existe algo que um discípulo de Cristo jamais pode colocar à venda: a própria consciência.
São João Batista morreu porque não mudou a verdade para salvar a própria vida. Que sua coragem nos faça perguntar: até onde vai a nossa fidelidade quando obedecer a Deus começa a nos custar alguma coisa?
É fácil permanecer fiel quando nada perdemos. A verdadeira fidelidade aparece quando precisamos escolher entre aquilo que nos convém e aquilo que Deus espera de nós.
Que nos ajude!
Evangelho do dia comentado por Padre Dennys
Sexta-feira, 28 de agosto de 2026
Mateus 25,1-13
“Senhor! Senhor! Abre-nos a porta!”
O Evangelho de hoje nos coloca diante de uma das parábolas mais fortes de Jesus.
Dez virgens aguardam a chegada do noivo. Todas sabem que ele virá, todas saem ao seu encontro, todas levam suas lâmpadas e, quando a espera se prolonga, todas acabam adormecendo. À primeira vista, não parece existir grande diferença entre elas.
A diferença aparece quando, no meio da noite, ouve-se o grito: “O noivo está chegando. Ide ao seu encontro!”
Cinco estavam preparadas. Além das lâmpadas, haviam levado óleo consigo. As outras cinco tinham as lâmpadas, mas não haviam levado óleo suficiente.
É importante perceber que Jesus não chama cinco delas de más, mas de imprevidentes. O problema não está propriamente no fato de terem adormecido, pois todas adormeceram. O problema está em não terem se preparado adequadamente para aquilo que sabiam que aconteceria.
Aqui está uma advertência muito séria para nós.
Não basta saber que Cristo virá. Não basta dizer que acreditamos nele. Não basta carregar externamente os sinais da fé. É preciso possuir aquilo que mantém a lâmpada acesa quando chega a hora decisiva.
Há coisas que ninguém poderá providenciar por nós naquele momento.
Ninguém poderá ter amado em nosso lugar. Ninguém poderá ter perdoado por nós. Ninguém poderá ter sido fiel por nós. Ninguém poderá oferecer a Deus a vida que deveríamos ter vivido.
As virgens imprevidentes tentam resolver tudo na última hora: “Dai-nos um pouco de óleo, porque nossas lâmpadas estão se apagando”. Mas existem decisões que não podem ser transferidas para outra pessoa e existem oportunidades que, depois de perdidas, não podem simplesmente ser recuperadas.
Enquanto elas saem para comprar o óleo, o noivo chega. As que estavam preparadas entram com ele para a festa.
E então aparece uma das frases mais duras da parábola: “E a porta se fechou”.
Até aquele momento, havia tempo para preparar-se. Depois que a porta se fecha, começa a súplica desesperada: “Senhor! Senhor! Abre-nos a porta!”
Mas já não há mais tempo.
Jesus está nos ensinando que a misericórdia de Deus não deve ser transformada em desculpa para adiarmos indefinidamente a nossa conversão. Deus é misericordioso, mas nossa vida terrena tem um limite. Haverá um momento em que não poderemos mais voltar atrás para fazer aquilo que tivemos tantas oportunidades de fazer.
Por isso, a pergunta fundamental não é apenas se temos uma lâmpada nas mãos, mas se existe óleo suficiente para mantê-la acesa.
Como está a nossa vida diante de Deus? Estamos preparados para encontrá-lo? O que estamos deixando para amanhã que deveríamos mudar hoje?
Jesus termina dizendo: “Portanto, ficai vigiando, pois não sabeis qual será o dia, nem a hora”.
Vigiar é viver de tal maneira que a chegada do Senhor não nos encontre tentando, desesperadamente, recuperar o tempo que desperdiçamos.
A porta ainda está aberta. É agora o tempo de preparar a lâmpada, abastecê-la com o óleo de uma vida fiel e caminhar ao encontro do Senhor.
Que Deus nos ajude!
Evangelho do dia comentado por Padre Dennys(Mt.24,42-51) Quinta-feira, 27 de agosto de 2026 — Memória de Santa Mônica
“Feliz o empregado, cujo senhor o encontrar agindo assim, quando voltar.”
O Evangelho de hoje nos coloca diante de uma certeza que não admite distrações: o Senhor virá. Não sabemos quando, mas sabemos que virá. Por isso, Jesus começa com uma ordem muito clara: “Ficai atentos! Porque não sabeis em que dia virá o Senhor”.
Essa vigilância, porém, não significa viver assustado, tentando adivinhar quando chegará o fim. O próprio Evangelho nos mostra em que consiste estar preparado: cumprir fielmente aquilo que Deus nos confiou.
Jesus apresenta a figura do empregado fiel e prudente. Seu senhor se ausenta e lhe entrega uma responsabilidade. O servo não sabe exatamente quando ele voltará. E justamente aí está a prova de sua fidelidade: continuar fazendo o que deve ser feito mesmo quando o senhor não está diante de seus olhos.
“Feliz o empregado, cujo senhor o encontrar agindo assim, quando voltar.”
A expressão “agindo assim” merece nossa atenção. Jesus não diz: feliz aquele que estiver o apenas esperando, falando da volta do Senhor ou fazendo cálculos sobre quando ela acontecerá. Feliz é aquele que for encontrado agindo, cumprindo sua missão, fazendo o bem, sendo fiel.
A vida cristã é também a administração de uma confiança recebida. Deus nos confiou pessoas, responsabilidades, dons, oportunidades, tempo e uma missão. Nada disso nos pertence de maneira absoluta. Somos administradores e, um dia, o Senhor nos perguntará o que fizemos com aquilo que colocou em nossas mãos.
O outro empregado apresentado por Jesus revela o perigo de quem começa a pensar: “Meu senhor está demorando”.
A aparente demora modifica sua maneira de viver. Ele começa a maltratar os companheiros e entrega-se a uma vida desordenada. No fundo, passa a viver como se o senhor não fosse voltar.
Aqui encontramos uma séria advertência para nós. Podemos professar que Cristo voltará e, ao mesmo tempo, organizar nossa vida como se nunca tivéssemos de prestar contas a Ele. Podemos saber que nossa existência neste mundo é passageira e viver como se tivéssemos todo o tempo do mundo para mudar, converter-nos, perdoar, reparar o mal cometido e fazer o bem que ainda não fizemos.
Jesus nos ensina exatamente o contrário: não deixemos para amanhã a fidelidade que Deus espera de nós hoje.
A memória de Santa Mônica ilumina belamente este Evangelho.
Durante muitos anos, ela perseverou na oração pela conversão de seu filho Agostinho. Não sabia quando veria os frutos de suas lágrimas, mas permaneceu fiel. Não abandonou sua missão porque Deus parecia demorar. Esperou rezando, confiando e fazendo aquilo que estava ao seu alcance. Sua perseverança acabou contemplando aquilo que durante tanto tempo havia pedido ao Senhor.
Também nós temos esperas que parecem longas. Há orações cuja resposta demora, situações que não mudam e pessoas pelas quais rezamos durante anos. A aparente demora de Deus nunca deve transformar-se em desculpa para abandonarmos a fidelidade.
Se Cristo viesse hoje, como nos encontraria?
Encontraria em nós servos ocupados com aquilo que Ele nos confiou ou pessoas adiando aquilo que sabem que precisam fazer?
Não sabemos quando o Senhor virá. Sabemos, porém, como devemos ser encontrados quando Ele chegar: fiéis, vigilantes e fazendo o bem.
Que Deus nos conceda a perseverança de Santa Mônica, para que nenhuma espera nos canse de fazer o que é certo e, quando o Senhor vier, encontre-nos exatamente onde deveríamos estar: cumprindo com amor a missão que Ele nos confiou.
Evangelho do dia comentado por Padre Dennys (Mateus 23,27-32)
Quarta-feira, 26/8/2026
“Vós sois como sepulcros caiados: por fora parecem belos, mas por dentro estão cheios de ossos de mortos e de toda podridão!”
Jesus continua dirigindo palavras duríssimas aos mestres da Lei e aos fariseus. Desta vez, utiliza uma imagem extremamente forte: a dos sepulcros caiados. Por fora, bonitos e bem cuidados; por dentro, morte e decomposição.
O problema denunciado por Jesus é a distância entre aquilo que se mostra e aquilo que verdadeiramente se é.
Os fariseus preocupavam-se em parecer justos diante das pessoas. Havia uma aparência de fidelidade, correção e religiosidade. Jesus, porém, enxergava aquilo que os olhos humanos não podiam alcançar: o interior.
Aqui está uma advertência muito séria também para nós. Podemos gastar muito tempo cuidando da imagem que os outros terão a nosso respeito e esquecer de cuidar daquilo que somos diante de Deus.
É possível parecer bondoso sem ter bondade no coração; falar de perdão e alimentar rancores; demonstrar piedade e viver distante de Deus; exigir dos outros uma retidão que nós mesmos não procuramos viver.
Deus não se deixa impressionar pelas nossas aparências. Ele conhece nossas intenções, pensamentos, desejos e motivações. Diante dele não existem máscaras.
Jesus também recorda que aqueles homens construíam túmulos para os profetas e afirmavam que jamais teriam participado dos crimes cometidos por seus antepassados. No entanto, enquanto honravam os profetas mortos, recusavam-se a escutar a voz de Deus que lhes falava naquele momento.
Esse perigo continua existindo. Podemos admirar os santos, citar suas palavras, venerar sua memória e, ao mesmo tempo, resistir ao caminho de conversão que eles nos indicam.
O Evangelho de hoje nos convida, portanto, a uma pergunta muito pessoal: existe correspondência entre aquilo que as pessoas veem em mim e aquilo que Deus encontra no meu coração?
Mais importante do que parecer bom é lutar verdadeiramente para sê-lo.
Peçamos ao Senhor a coragem de retirar nossas máscaras e permitir que Ele purifique tudo aquilo que escondemos por trás das aparências. No fim, não seremos julgados pela imagem que conseguimos construir diante dos outros, mas pela verdade daquilo que nos tornamos diante de Deus.
Que nos ajude!
Evangelho do dia comentado por Padre Dennys( Mateus 23,23-26
Terça-feira, 25 de agosto de 2026
“Ai de vós, mestres da Lei e fariseus hipócritas!”
Estamos diante de palavras muito fortes de Jesus. Os “ais” dirigidos aos mestres da Lei e aos fariseus não são palavras de desprezo, mas severas advertências de quem deseja provocar uma verdadeira conversão.
E há um detalhe que precisa chamar a nossa atenção: Jesus está falando a homens religiosos, conhecedores da Lei e rigorosos no cumprimento de muitas prescrições. O problema deles não era a ausência de religião, mas uma religião que corria o risco de permanecer apenas na exterioridade.
Eles chegavam ao ponto de pagar o dízimo da hortelã, do endro e do cominho, mas, segundo Jesus, deixavam de lado “os ensinamentos mais importantes da Lei: a justiça, a misericórdia e a fidelidade”.
Que contradição! Extremamente cuidadosos com coisas pequenas e negligentes diante daquilo que realmente importava. Por isso Jesus utiliza uma imagem fortíssima: “Vós filtrais o mosquito, mas engolis o camelo”.
Também nós podemos cair nessa armadilha. Podemos ser exigentes com determinados preceitos e, ao mesmo tempo, fechar os olhos para nossas próprias incoerências. Podemos rezar, participar da Santa Missa, conhecer a doutrina e defender a fé, mas sermos injustos, duros, impiedosos, desonestos ou incapazes de reconhecer os próprios erros.
Jesus não está dizendo que as práticas religiosas não têm importância. Ele mesmo afirma: “Vós deveríeis praticar isto, sem contudo deixar aquilo”. O que Ele condena é a inversão das prioridades: preocupar-se com o secundário enquanto se abandona o essencial.
Por fim, Jesus apresenta a imagem do copo: “Limpa primeiro o copo por dentro, para que também por fora fique limpo”. Deus não se contenta com aparências. A verdadeira conversão começa no interior e, depois, manifesta-se exteriormente em nossas escolhas, palavras e atitudes.
O Evangelho de hoje nos obriga, portanto, a olhar menos para a aparência que apresentamos aos outros e mais para aquilo que somente Deus vê.
Se Jesus olhasse hoje para dentro do nosso “copo”, encontraria a mesma beleza que procuramos mostrar por fora?
Que a nossa fé não seja apenas aparência religiosa, mas uma vida verdadeiramente transformada pela justiça, pela misericórdia e pela fidelidade a Deus.
Desejo a você um abençoado dia!
Lute sempre para não viver de aparências!
Evangelho do dia comentado por Padre Dennys(João 1,45-51)
Segunda-feira, 24 de agosto de 2026- Festa de São Bartolomeu, Apóstolo
“Antes que Filipe te chamasse, enquanto estavas debaixo da figueira, eu te vi.”
Hoje a Igreja celebra São Bartolomeu Apóstolo, tradicionalmente identificado com Natanael, que aparece no Evangelho deste dia.
Tudo começa com Filipe anunciando entusiasmado: “Encontramos aquele de quem Moisés escreveu na Lei, e também os profetas: Jesus de Nazaré”. Natanael reage com desconfiança: “De Nazaré pode sair coisa boa?”
Filipe não discute nem tenta convencê-lo com longos argumentos. Simplesmente responde: “Vem ver!” Há experiências com Deus que nenhuma explicação consegue substituir. É preciso aproximar-se de Cristo e permitir que Ele mesmo se revele.
Quando Natanael chega, porém, acontece algo surpreendente. Ele pensava que estava indo conhecer Jesus, mas descobre que Jesus já o conhecia: “Antes que Filipe te chamasse, enquanto estavas debaixo da figueira, eu te vi”.
“Eu te vi.” Esta é uma das expressões mais consoladoras deste Evangelho. Antes que Natanael desse um passo em direção a Jesus, o olhar do Senhor já estava sobre ele.
E Jesus enxergava muito mais do que aquele homem debaixo da figueira. Via o discípulo que estava começando a nascer, o apóstolo que anunciaria o Evangelho e o homem que, segundo a tradição, permaneceria fiel a Cristo até o martírio.
É assim também conosco. Deus não nos vê apenas como somos agora. Ele conhece aquilo que sua graça pode realizar em nós. Enxerga possibilidades que nós mesmos ainda não conseguimos perceber. Conhece nossas fragilidades, nossas resistências e até nossos preconceitos, mas não desiste de nos chamar.
Natanael, que começou desconfiado, termina fazendo uma belíssima profissão de fé: “Rabi, tu és o Filho de Deus, tu és o Rei de Israel”.
São Bartolomeu nos ensina, portanto, que um verdadeiro encontro com Cristo pode mudar completamente a direção de uma vida. Aquele que aceitou o convite “Vem ver” tornou-se testemunha e entregou a própria vida por aquele que encontrou.
Hoje Jesus continua olhando para nós e dizendo, de alguma maneira: “Eu te vi”. Ele sabe onde estamos, conhece o que carregamos no coração e sabe também até onde podemos chegar se nos deixarmos conduzir por sua graça.
São Bartolomeu aceitou ser encontrado por Cristo e nunca mais foi o mesmo.
E nós? O que ainda precisamos deixar para trás para seguir verdadeiramente aquele que já nos viu, nos conhece e continua nos chamando?
Que Deus abençoe o seu dia!
Evangelho do dia comentado por Padre Dennys (Mateus 16,13-20)
Domingo, 23 de agosto de 2026
“E vós, quem dizeis que eu sou?”
No caminho de Cesareia de Filipe, Jesus faz aos discípulos duas perguntas. A primeira é relativamente fácil: “Quem dizem os homens ser o Filho do Homem?” Para respondê-la, basta repetir o que se escuta por aí. E as respostas são muitas: João Batista, Elias, Jeremias ou algum dos profetas.
Mas Jesus não está interessado apenas na opinião dos outros. Por isso, muda a pergunta e a dirige diretamente aos discípulos: “E vós, quem dizeis que eu sou?”
Agora já não basta repetir o que os outros dizem. É preciso responder a partir da experiência pessoal com Jesus.
Pedro toma a palavra: “Tu és o Messias, o Filho do Deus vivo”. Sua resposta não nasce simplesmente de uma conclusão humana. O próprio Jesus afirma: “Não foi um ser humano que te revelou isso, mas o meu Pai que está no céu”. A verdadeira fé é graça, revelação de Deus acolhida por um coração que se abre a Ele.
É depois dessa profissão de fé que Jesus confia a Pedro uma missão: “Tu és Pedro, e sobre esta pedra construirei a minha Igreja”. A fé professada por Pedro está intimamente ligada à missão que recebe. Jesus lhe entrega as chaves do Reino e lhe confia uma responsabilidade particular no cuidado de sua Igreja.
Mas a pergunta feita naquele dia continua atravessando os séculos e chega hoje a cada um de nós: “E vós, quem dizeis que eu sou?”
Não basta saber o que a Igreja ensina sobre Jesus, conhecer o Evangelho ou repetir fórmulas corretas sobre Ele. Tudo isso é necessário, mas precisa tornar-se experiência de vida. Nossa resposta mais verdadeira não é dada somente com os lábios, mas com as escolhas que fazemos.
Se Jesus é realmente o Cristo, o Filho do Deus vivo, isso precisa aparecer na maneira como pensamos, amamos, perdoamos, decidimos e conduzimos a nossa existência.
Talvez seja relativamente fácil responder como Pedro: “Tu és o Cristo”. O grande desafio é viver todos os dias de maneira coerente com essa profissão de fé.
Hoje, portanto, não nos preocupemos primeiro com o que os outros dizem sobre Jesus. Escutemos a pergunta dirigida pessoalmente a nós:
“E você, quem diz que Eu sou?”
A resposta que realmente importa será aquela que a nossa vida conseguir dar.
Evangelho do dia comentado por Padre Dennys
Lucas 1,26-38
Sábado, 22 de agosto de 2026 — Nossa Senhora Rainha
“Não tenhas medo, Maria, porque encontraste graça diante de Deus.”
O anjo encontra Maria e, antes de lhe revelar o que Deus esperava dela, diz: “Não tenhas medo”.
Maria estava diante de algo imensamente maior do que ela. Deus entrava em sua história e lhe apresentava uma missão que ultrapassava qualquer projeto humano: ser a Mãe do Salvador.
Mas observemos a razão apresentada pelo anjo para que Maria não tivesse medo: “porque encontraste graça diante de Deus”.
Ele não lhe diz que tudo seria fácil. Não promete que ela compreenderia imediatamente tudo o que aconteceria. Não afirma que estaria livre do sofrimento. A segurança de Maria não estaria nas circunstâncias, mas em Deus.
E foi exatamente assim que ela viveu.
Maria conheceu as incertezas de Belém, a fuga para o Egito, as dificuldades de uma vida simples em Nazaré, as incompreensões que cercaram a missão de Jesus e, finalmente, a dor de permanecer aos pés da Cruz. A graça de Deus não eliminou as provações, mas sustentou Maria dentro delas.
Hoje, celebrando Nossa Senhora Rainha, compreendemos ainda melhor a grandeza dessa mulher. Maria tornou-se grande porque permitiu que Deus fosse grande em sua vida. É Rainha porque antes se declarou serva: “Eis aqui a serva do Senhor”.
Eis também o caminho para nós.
Muitas vezes queremos vencer o medo tendo controle sobre tudo, conhecendo antecipadamente o que acontecerá e encontrando garantias humanas para cada passo. Deus, porém, nem sempre nos oferece explicações. Ele nos oferece sua graça.
Quando Deus está conosco, não precisamos conhecer todo o caminho para dar o próximo passo.
Maria não conhecia tudo o que viria depois do seu “sim”. Conhecia, porém, Aquele a quem estava entregando sua vida. E isso lhe bastou.
Que Nossa Senhora Rainha nos ensine a confiar mais na graça de Deus do que nas nossas próprias seguranças. O medo pode até bater à nossa porta, mas não permitamos que ele decida por nós. Quem se entrega verdadeiramente a Deus pode não saber tudo o que encontrará pelo caminho, mas sabe em cujas mãos colocou a própria vida.
Nossa Senhora Rainha, rogai por nós!
Evangelho do dia comentado por Padre Dennys (Mateus 22,34-40)
Sexta-feira, 21 de agosto de 2026
Memória de São Pio X
“Mestre, qual é o maior mandamento da Lei?”
A pergunta feita a Jesus não nasce propriamente do desejo de aprender. O evangelista diz que um mestre da Lei o interrogou “para experimentá-lo”. Queriam colocá-lo à prova, esperando encontrar alguma contradição em sua resposta.
Jesus, porém, não entra no jogo de seus adversários. Diante de tantos preceitos e prescrições que faziam parte da vida religiosa de Israel, Ele conduz tudo ao essencial: “Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda a tua alma e de todo o teu entendimento”. E acrescenta imediatamente: “Amarás ao teu próximo como a ti mesmo”.
Jesus não apresenta simplesmente dois mandamentos entre tantos outros. Ele afirma que toda a Lei e os Profetas dependem deles. Em outras palavras, podemos cumprir muitas normas religiosas e, ainda assim, perder aquilo que dá sentido a todas elas: o amor.
Mas é importante observar a ordem estabelecida por Jesus: primeiro, Deus. E não um lugar qualquer para Deus, mas todo o coração, toda a alma, todo o entendimento. Deus não pode ser apenas uma parte da nossa vida. Quando Ele ocupa verdadeiramente o primeiro lugar, também aprendemos a amar corretamente aqueles que estão ao nosso lado.
E aqui está uma exigência muito concreta do Evangelho: não existe amor verdadeiro a Deus que nos permita desprezar, ferir ou tratar com indiferença o próximo. O amor que sobe até Deus precisa necessariamente alcançar os irmãos.
Jesus ainda acrescenta uma medida muito séria: “como a ti mesmo”. Não devemos fazer aos outros aquilo que não gostaríamos que fizessem conosco. Se desejamos compreensão, ofereçamos compreensão; se esperamos misericórdia, sejamos misericordiosos; se queremos respeito, aprendamos a respeitar.
No final, a vida cristã pode ser examinada a partir de duas perguntas muito simples e, ao mesmo tempo, profundamente exigentes: Deus ocupa realmente o primeiro lugar em minha vida? O meu amor por Ele pode ser reconhecido na maneira como trato as pessoas?
Podemos conhecer muitas coisas sobre Deus e cumprir muitas práticas religiosas. Mas, se não aprendermos a amar, ainda não compreendemos o essencial.
Que o nosso amor a Deus não fique apenas nas palavras, e que o amor ao próximo revele, nas pequenas atitudes de cada dia, que Deus verdadeiramente ocupa o primeiro lugar em nossa vida.
Evangelho do dia comentado por Padre Dennys (Mateus 22,1-14)
Quinta-feira, 20 de agosto de 2026
“Amigo, como entraste aqui sem o traje de festa?”
No santo Evangelho de hoje, Jesus compara o Reino dos Céus a uma festa de casamento preparada por um rei para seu filho. Tudo estava pronto. Os convidados haviam sido chamados, mas surpreendentemente recusaram o convite. Alguns simplesmente seguiram seus interesses; outros chegaram ao extremo de maltratar e matar os mensageiros do rei.
Diante da recusa, o rei manda seus empregados pelas estradas para convidarem todos os que encontrassem, “maus e bons”.
A sala se enche. A festa acontece. A generosidade do rei é extraordinária: aqueles que inicialmente estavam fora agora recebem um lugar à mesa.
É nesse momento que aparece uma cena que pode nos causar estranheza. O rei percebe um homem sem o traje de festa e pergunta: “Amigo, como entraste aqui sem o traje de festa?” O homem fica calado.
Esse detalhe é fundamental. O convite foi gratuito, mas não dispensava uma resposta. O homem entrou na festa, porém não se apresentou como alguém que verdadeiramente acolheu aquilo para o qual havia sido chamado.
O traje de festa nos remete à vida nova de quem acolhe Deus e permite que Ele transforme sua existência. Assim, não basta ter recebido o convite; é necessário corresponder a ele. Não basta entrar; é preciso deixar-se revestir por uma vida nova.
Essa palavra deve nos fazer pensar seriamente.
Podemos estar dentro da Igreja, participar da Santa Missa, receber os sacramentos, conhecer o Evangelho e até realizar muitas atividades religiosas, sem permitir que Deus transforme profundamente nossa maneira de viver.
O Evangelho de hoje nos recorda que a graça de Deus é oferecida gratuitamente, mas não pode ser recebida inutilmente. Deus nos chama como somos, mas nos chama para que não permaneçamos como estamos.
No final, Jesus afirma: “Muitos são chamados, e poucos são escolhidos”.
O convite chegou até nós. A pergunta agora é outra: estamos correspondendo a ele?
Que a nossa vida seja o verdadeiro traje de festa de quem acolheu o convite de Deus e decidiu viver de acordo com ele.
Que Deus nos ajude!
Evangelho do dia comentado por Padre Dennys (Mt 20,1-16a)
Quarta-feira, 19 de agosto de 2026
“Assim, os últimos serão os primeiros, e os primeiros serão os últimos.”
A parábola dos trabalhadores da vinha pode causar certo desconforto.
Alguns trabalharam desde cedo, suportaram o peso do dia e o calor; outros chegaram quando praticamente não havia mais tempo para trabalhar. No final, porém, todos receberam a mesma quantia. Aos nossos olhos, parece injusto.
Mas Jesus não está ensinando uma regra para relações trabalhistas. Ele está revelando como funciona a graça de Deus. E aqui está a chave para compreendermos a parábola: ninguém entra na vinha por mérito próprio. Todos foram chamados pelo dono.
Os primeiros trabalhadores viram os últimos, que haviam trabalhado apenas uma hora, receberem uma diária inteira. Imediatamente fizeram seus cálculos: se aqueles receberam tanto, certamente nós receberemos mais. Mas o patrão nunca lhes prometera isso. A promessa havia sido clara desde o começo: uma diária. Eles receberam exatamente o combinado. A decepção nasceu, portanto, não de uma injustiça sofrida, mas de uma expectativa criada pela comparação.
Quantas vezes fazemos o mesmo com Deus! Enquanto olhamos para aquilo que Ele nos dá, somos agradecidos. O problema começa quando olhamos para o que Ele concedeu ao outro e passamos a achar que merecíamos mais. A comparação transforma a graça recebida em motivo de insatisfação. Deus., no entanto, continua sendo bom conosco; somos nós que deixamos de perceber sua bondade porque começamos a medir nossa vida pela vida dos outros.
Sim, isso também pode acontecer conosco na vida espiritual. Depois de muitos anos servindo a Deus, podemos começar, mesmo sem perceber, a considerar nossa fidelidade como uma espécie de crédito diante dele. E então nos incomodamos quando vemos a misericórdia divina alcançar alguém que chegou depois, que errou mais, que se converteu recentemente ou que, aos nossos olhos, não fez tanto quanto nós.
A resposta do patrão é profundamente reveladora: “Amigo, eu não fui injusto contigo”. É que Deus não precisa diminuir o amor que tem por nós para amar generosamente outra pessoa. A bondade concedida ao outro não representa uma perda para nós.
Por isso, quando Jesus afirma que “os últimos serão os primeiros, e os primeiros serão os últimos”, Ele desmonta nossa lógica de privilégios. No Reino de Deus, não importa apenas há quanto tempo estamos na vinha, mas como está o nosso coração enquanto trabalhamos nela.
É possível estar há muitos anos servindo a Deus e permitir que a comparação, a inveja ou o sentimento de superioridade roubem a alegria de servi-lo. E é possível chegar na última hora com um coração inteiramente entregue.
Eles começaram o dia felizes porque tinham trabalho e terminaram o dia murmurando, embora tivessem recebido exatamente aquilo que lhes fora prometido. O que mudou? Não foi a generosidade do patrão para com eles, mas o olhar deles para os outros.
Não permitamos que a comparação nos faça esquecer tudo o que Deus já nos deu. A graça concedida ao outro não diminui a graça concedida a nós. No fim, a grande graça não é ter chegado primeiro, mas ter sido chamado e permanecer na vinha até o fim.
Evangelho do dia comentado por Padre Dennys (Mt 19,23-30)
Terça-feira, 18 de agosto de 2026
“Vê! Nós deixamos tudo e te seguimos. O que haveremos de receber?”
Depois do encontro de Jesus com o jovem rico, Pedro parece querer saber se o caminho feito por ele e pelos outros discípulos terá alguma recompensa. Se aquele jovem não conseguiu deixar seus bens para seguir Jesus, eles haviam deixado tudo. Então, o que receberiam em troca?
A pergunta de Pedro é muito humana e revela que seu coração ainda precisava amadurecer. Ele havia deixado as redes, a barca e sua antiga vida, mas ainda precisava aprender que seguir Jesus não é estabelecer com Ele uma relação de troca: “Eu deixo isto e, em compensação, recebo aquilo”.
Jesus não repreende Pedro. Ao contrário, garante que nenhuma renúncia feita por amor a Ele ficará sem recompensa. Quem deixa algo por causa do seu nome receberá cem vezes mais e terá como herança a vida eterna.
Entretanto, há algo ainda mais profundo: a maior recompensa de quem deixa tudo por Cristo é o próprio Cristo. O discípulo não renuncia para ficar mais pobre, mas para tornar-se livre; não deixa para perder, mas para possuir o único Bem que nenhuma circunstância poderá lhe tirar.
E aqui o Evangelho nos alcança. Podemos ter deixado muitas coisas por Deus e, mesmo assim, continuar fazendo contas: “Senhor, depois de tudo o que fiz, por que isto está acontecendo comigo? O que recebi em troca?” Quando pensamos assim, a lógica de Pedro reaparece dentro de nós.
Por isso Jesus termina dizendo: “Muitos que agora são os primeiros serão os últimos. E muitos que agora são os últimos serão os primeiros.” No Reino de Deus, não importa apenas o que deixamos, mas por quem deixamos e com que coração o fizemos.
Seguir Jesus já é uma recompensa. E quando verdadeiramente descobrimos quem Ele é, compreendemos que nada do que deixamos por seu amor pode ser maior do que aquilo que encontramos nele.
Que hoje possamos nos perguntar: sigo Jesus pelo que espero receber dele ou porque descobri que Ele é o maior bem da minha vida?
Que Deus nos conceda um coração livre, capaz de escolher Cristo acima de tudo e de permanecer com Ele sem fazer contas.
Evangelho do dia comentado por Padre Dennys (Mt 19,16-22)
Segunda-feira da XX Semana do Tempo Comum, 17/8/2026
“Mestre, o que devo fazer de bom para possuir a vida eterna?”
A pergunta do jovem que aparece no evangelho de hoje revela algo muito bonito: ele estava preocupado com a sua salvação.
Poucos, ouso-me a dizer, são os que estão preocupados com a salvação. Ele estava e manifesta claramente tal inquietação.
Fica claro que ele tinha bens, era cumpridor dos mandamentos, mas sabia que tudo isso não bastava se, no final, perdesse a vida eterna.
Sua pergunta deveria também inquietar cada um de nós: o modo como estou vivendo está me conduzindo para Deus?
Diante da pergunta, Jesus começa recordando os mandamentos.
O jovem responde que os observa, mas acrescenta: “O que ainda me falta?”
É justamente aqui que o Evangelho se torna mais exigente. Não basta perguntar o que já fazemos para Deus; é preciso ter coragem de perguntar o que ainda não fomos capazes de lhe entregar.
Jesus percebeu onde estava o coração do bem intencionado rapaz, por isso lhe disse: “Se queres ser perfeito, vai, vende tudo o que tens, dá o dinheiro aos pobres, e terás um tesouro no céu. Depois, vem e segue-me”.
O problema, portanto, não é simplesmente possuir muitos bens, mas estar preso a eles. Jesus tocou exatamente naquilo que ocupava em sua vida um lugar que deveria pertencer a Deus.
O jovem queria a vida eterna, mas não estava disposto a pagar o preço da liberdade interior. Queria seguir adiante sem deixar para trás aquilo que o prendia. Por isso, quando ouviu a proposta de Jesus, “foi embora cheio de tristeza”. Sim, ao ouvir que seria preciso deixar tudo, ele já não mais quis continuar se aprofundando no dialogo.
Há uma grande advertência nessa tristeza. Podemos cumprir muitas coisas, rezar, participar da vida da Igreja e, mesmo assim, conservar áreas da nossa existência nas quais Deus não pode tocar. Todos podemos ter os nossos “muitos bens”: dinheiro, orgulho, vaidade, poder, relacionamentos, ressentimentos, hábitos ou qualquer realidade à qual nos agarramos mais do que ao próprio Deus.
A pergunta do jovem continua atual: “O que ainda me falta?” Talvez a resposta esteja justamente naquilo que mais temos medo de entregar.
Entendemos, assim, que vida eterna não pode ser apenas algo que desejamos; precisa ser o nosso maior desejo. E, quando Deus ocupa o primeiro lugar, tudo o mais encontra o seu devido lugar.
Peçamos hoje a graça de não nos afastarmos tristes quando Jesus nos pedir mais. Que tenhamos a coragem de entregar aquilo que ainda nos prende, porque nada do que deixamos por Deus se compara ao tesouro de possuí-lo para sempre.
Que Deus nos ajude!
Evangelho do dia comentado por Padre Dennys (Lc 11,27-28)
Solenidade da Assunção de Nossa Senhora ao Céu
Domingo, 16/8/2026
“Feliz o ventre que te trouxe e os seios que te amamentaram.”
Neste domingo, celebramos uma das mais belas solenidades dedicadas a Nossa Senhora: sua Assunção ao céu.
E o breve Evangelho de hoje nos ajuda a compreender onde está a verdadeira grandeza de Maria e onde podemos encontrar também a nossa felicidade.
Uma mulher, no meio da multidão, escuta Jesus e fica profundamente admirada com suas palavras. Diante de alguém tão extraordinário, seu pensamento volta-se imediatamente para a Mãe: “Feliz o ventre que te trouxe e os seios que te amamentaram”.
É como se dissesse: “Que mulher feliz deve ser aquela que teve um Filho como este!” Para aquela mulher, dificilmente uma mãe poderia experimentar alegria maior do que ter gerado, carregado nos braços, alimentado e visto crescer alguém como Jesus. Era um belíssimo elogio dirigido a Maria através do próprio Filho.
Jesus não rejeita esse elogio nem diminui a grandeza de sua Mãe. Ele conduz aquela mulher para algo ainda mais profundo: “Muito mais felizes são aqueles que ouvem a Palavra de Deus e a põem em prática”.
E quem fez isso de maneira mais perfeita do que Maria?
Antes de carregar Jesus em seu ventre, Maria acolheu a Palavra de Deus no coração. Ela ouviu o anúncio do anjo, acreditou, entregou-se à vontade de Deus e permaneceu fiel ao seu “sim”. Maria não foi apenas a mulher que gerou Jesus; foi a discípula que viveu inteiramente de acordo com a Palavra de Deus.
Aqui está algo muito importante para nós. Nenhum de nós poderá possuir o privilégio único concedido a Maria de gerar o Filho de Deus segundo a carne. Entretanto, Jesus nos mostra que existe uma felicidade da qual todos podemos participar: a felicidade de ouvir a Palavra de Deus e colocá-la em prática.
Seremos felizes se nos parecermos com Maria. Felizes se aprendermos a escutar Deus antes de seguir nossas próprias vontades; se confiarmos quando não compreendermos tudo; se permanecermos fiéis também nos momentos difíceis; se a Palavra que escutamos deixar de ser apenas algo bonito aos nossos ouvidos e começar realmente a determinar nossas escolhas e nossa maneira de viver.
A Assunção é a manifestação gloriosa daquilo que foi toda a existência de Maria. Aquela que pertenceu inteiramente a Deus nesta terra foi elevada, em corpo e alma, à glória do céu.
Maria já chegou aonde nós esperamos chegar. Sua Assunção recorda-nos que nosso destino definitivo não é a terra nem o túmulo. Fomos criados para Deus e para a eternidade.
Por isso, celebrar a Assunção é também perguntar: a Palavra de Deus está realmente orientando a minha vida?
O céu é o nosso destino. Maria já está lá. E sua vida nos mostra o caminho: ouvir a Palavra de Deus, acolhê-la no coração e transformá-la em vida.
Nossa Senhora Assunta ao céu, rogai por nós!
