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Evangelho do dia comentado por Padre Dennys XII Domingo do Tempo Comum (Mateus 10,26-33) “Não tenhais medo! Vós valeis mais do que muitos pardais.” Meus irmãos e minhas irmãs, o evangelho de hoje nos apresenta uma expressão que se repete por três vezes nos lábios de Jesus: “Não tenhais medo!” Se Jesus insiste tanto nesse convite, é porque conhece profundamente o coração humano. Ele sabe que muitas vezes somos governados pelo medo. Temos medo do sofrimento. Temos medo da rejeição. Temos medo do julgamento dos outros. Temos medo de perder aquilo que possuímos. Temos medo do futuro. Temos medo de testemunhar a nossa fé. Quantas pessoas acreditam em Jesus, mas escondem sua fé por medo da opinião alheia! Quantos deixam de defender a verdade por receio de serem criticados! Quantos silenciam diante do mal para evitar conflitos! Por isso, Jesus dirige aos seus discípulos uma palavra firme e consoladora: “Não tenhais medo dos homens.” O Senhor não está nos convidando à imprudência, mas à liberdade interior. Aquele que vive para agradar aos homens acaba se tornando escravo da opinião dos homens. Aquele que vive para agradar a Deus encontra a verdadeira liberdade. Jesus chega a afirmar algo que pode nos parecer duro: “Não tenhais medo daqueles que matam o corpo, mas não podem matar a alma.” O que o Senhor quer nos ensinar? Que existe algo mais importante do que a própria vida terrena: a salvação da nossa alma. Sim, vivemos numa época em que se teme perder quase tudo: dinheiro, prestígio, conforto, seguidores, reconhecimento. Mas, muitas vezes, já não se teme perder a amizade com Deus. Jesus nos recorda a hierarquia verdadeira dos valores: Tudo passa! Somente Deus permanece! Em seguida, o evangelho nos revela uma das imagens mais belas de toda a Sagrada Escritura: “Até os cabelos da vossa cabeça estão todos contados.” Que extraordinária declaração de amor! Nada da nossa vida escapa ao olhar providente do Pai. Nenhuma lágrima passa despercebida, nenhuma angústia é ignorada, nenhuma cruz é carregada sozinha. Se Deus cuida dos pardais, quanto mais cuidará de nós, que fomos criados à sua imagem e resgatados pelo sangue de Cristo. Sendo assim, o medo diminui quando crescemos na confiança. Quem sabe que é amado por Deus encontra força para enfrentar as dificuldades. Quem sabe que pertence a Deus não precisa viver escravizado pelas ameaças do mundo. Por fim, Jesus nos faz um apelo decisivo: “Todo aquele que se declarar a meu favor diante dos homens, também eu me declararei em favor dele diante do meu Pai.” Ou seja, a fé não pode ser vivida apenas no segredo do coração. Ela precisa tornar-se testemunho. Não necessariamente através de grandes discursos, mas por meio de uma vida coerente. Essa coerência se dá quando nos declaramos a favor de Cristo, quando escolhemos a verdade em vez da mentira, quando defendemos a dignidade da vida, quando permanecemos fiéis aos ensinamentos do Evangelho, quando não temos vergonha de rezar, quando perdoamos, quando amamos, quando escolhemos Deus, mesmo que isso nos custe alguma renúncia. Peçamos hoje a graça da coragem cristã. Que o Senhor cure os nossos medos. Que Ele fortaleça a nossa confiança na sua Providência. E que possamos repetir todos os dias, com o coração sereno: “Se Deus está conosco, quem estará contra nós?” (Rm 8,31).

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Evangelho do dia comentado por Padre Dennys (Mateus 6,24-34) Sábado da XI Semana do Tempo Comum, 20/6/2026 “Ninguém pode servir a dois senhores: pois, ou odiará um e amará o outro, ou será fiel a um e desprezará o outro. Vós não podeis servir a Deus e ao dinheiro.” Como é belo o santo evangelho de hoje! Quanta sabedoria e quanta ternura encontramos nas palavras de Jesus! Ao mesmo tempo em que Ele nos alerta sobre o perigo de colocarmos nosso coração nas coisas passageiras, revela-nos o amor infinito do Pai e o cuidado que Ele tem por cada um de nós. Jesus inicia seu ensinamento com uma afirmação forte e decisiva: “Ninguém pode servir a dois senhores”. Com essas palavras, o Senhor nos faz compreender que o coração humano precisa fazer uma escolha. Não é possível viver dividido entre Deus e aquilo que o mundo nos oferece como fonte de segurança e felicidade. Quando o dinheiro, o poder, o prestígio, os bens materiais ou até mesmo as pessoas ocupam o lugar que pertence somente a Deus, acabamos nos tornando escravos daquilo que passa. E qual é a consequência disso? A ansiedade, o medo, a inquietação e a preocupação excessiva com o amanhã. É precisamente por isso que, logo em seguida, Jesus nos convida a confiar na providência divina. Ele nos diz: “Olhai os pássaros dos céus: eles não semeiam, não colhem, nem ajuntam em armazéns. No entanto, vosso Pai que está nos céus os alimenta. Vós não valeis mais do que os pássaros?” Como é belo contemplar o amor filial de Jesus pelo Pai! Com quanta confiança Ele fala daquele que cuida de todas as criaturas e que jamais abandona os seus filhos! E continua: “Olhai como crescem os lírios do campo: eles não trabalham nem fiam. Porém, eu vos digo: nem o rei Salomão, em toda a sua glória, jamais se vestiu como um deles. Ora, se Deus veste assim a erva do campo, que hoje existe e amanhã é queimada no forno, não fará ele muito mais por vós, gente de pouca fé?” Jesus não nos convida à passividade, nem nos ensina a abandonar nossas responsabilidades. Ele não condena o trabalho, a prudência ou o planejamento. O que o Senhor deseja é libertar-nos da preocupação excessiva, daquela ansiedade que nasce quando deixamos de confiar em Deus e passamos a depositar nossa esperança apenas em nossas próprias forças. Escutemos, então, o apelo de Jesus: “Buscai em primeiro lugar o Reino de Deus e a sua justiça, e todas estas coisas vos serão dadas por acréscimo.” Eis o segredo da verdadeira paz: colocar Deus em primeiro lugar. Quando o Senhor ocupa o centro da nossa vida, tudo encontra a sua justa medida. Trabalhamos, lutamos, fazemos a nossa parte, mas sem perder a serenidade, porque sabemos em quem colocamos a nossa confiança. Por isso, não permitamos que as preocupações com o amanhã roubem a paz do nosso coração. “Não vos preocupeis com o dia de amanhã, pois o dia de amanhã terá suas preocupações. Para cada dia, bastam os seus próprios problemas.” Se confiarmos no Senhor como Jesus nos ensinou, nossa vida será diferente. Experimentaremos, já nesta terra, a alegria daqueles que sabem que são amados e cuidados por Deus. Não nos esqueçamos: o Pai do céu conhece as nossas necessidades e jamais abandona aqueles que Nele esperam. Que Deus possa agir poderosamente em sua vida!
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Evangelho do dia comentado por Padre Dennys (Mateus 6,19-23) Sexta-feira da XI Semana do Tempo Comum, 19/6/2026 “Não junteis tesouros aqui na terra, onde a traça e a ferrugem destroem, e os ladrões assaltam e roubam.” Infeliz é a pessoa que coloca sua confiança e sua esperança naquilo que passa! Sim, quanta ilusão há em pensar que a vida sobre esta terra é a única realidade que importa e que, por isso mesmo, devemos aproveitá-la a qualquer custo, vivendo apenas segundo os nossos desejos e interesses. Para os que pensam e agem assim, o santo Evangelho de hoje é profundamente desafiador, pois desfaz essa frágil visão da existência e nos recorda o verdadeiro sentido da vida. Cheio de amor por nós e desejando a nossa salvação, Jesus nos alerta sobre o perigo que representa para a alma o apego desordenado aos bens materiais e às realidades passageiras. Por isso, diz-nos: “Não junteis para vós tesouros aqui na terra, onde a traça e a ferrugem destroem, e os ladrões assaltam e roubam. Ao contrário, juntai para vós tesouros no céu, onde nem a traça nem a ferrugem destroem, nem os ladrões assaltam e roubam. Porque, onde está o teu tesouro, aí estará também o teu coração.” Que grande verdade nos revela Jesus! Que forte chamado à conversão para aqueles que depositam sua segurança nas riquezas, na juventude, na aparência ou no sucesso! Sem dúvida, precisamos vigiar para não sermos seduzidos pelo amor ao dinheiro, que pode ocupar o lugar que pertence somente a Deus. Mas Jesus vai ainda mais longe. Depois de nos ensinar a respeito do verdadeiro tesouro, Ele nos revela aquilo que determina onde colocaremos o nosso coração: o modo como enxergamos a realidade. O tesouro que escolhemos depende do olhar que cultivamos. Se aprendermos a ver a vida segundo os critérios de Deus, buscaremos naturalmente os bens do alto. Se, ao contrário, deixarmos que o nosso olhar seja obscurecido pelo egoísmo, pela vaidade e pela ganância, acabaremos depositando a nossa esperança naquilo que passa. Por isso, Jesus nos diz: “O olho é a lâmpada do corpo. Se o teu olho é sadio, todo o teu corpo ficará iluminado. Se o teu olho está doente, todo o teu corpo ficará na escuridão. Ora, se a luz que existe em ti é escuridão, como será grande a escuridão!” Quantos ensinamentos! Quanta riqueza espiritual encontramos neste Evangelho! Precisamos nos debruçar sobre essas palavras e permitir que Jesus cure as nossas desordens interiores, para que elas não nos afastem do único e verdadeiro tesouro: Ele próprio. Meus irmãos, enquanto o consumismo ditar o ritmo da nossa vida, seremos escravos de uma mentalidade que nos impede de amar com liberdade e de fazer o bem de maneira desinteressada. Quanta preocupação devemos ter com aqueles que se deixaram seduzir pelo mundo! Precisamos vigiar constantemente para não nos deixarmos enganar por falsas promessas e mentalidades contrárias ao Evangelho. Que Deus oriente o nosso coração para o verdadeiro tesouro! Que Ele abra os nossos olhos para reconhecermos onde está a verdadeira felicidade! Coloquemos, pois, o nosso coração em tudo aquilo que nos conduz ao céu. Coloquemos o nosso coração em Deus!
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Evangelho do dia comentado por Padre Dennys (Mateus 6,7-15) Quinta-feira da XI Semana do Tempo Comum, 18/6/2026 “Quando orardes, não useis muitas palavras, como fazem os pagãos. Eles pensam que serão ouvidos por força das muitas palavras”. Antes de aprofundarmos o que Jesus nos ensina no santo Evangelho de hoje, gostaria de trazer uma breve reflexão sobre o que significa orar, rezar. Há muitíssimos conceitos sobre a oração. Muitos autores espirituais já se dedicaram a explicar o que é rezar. Entre eles, gosto particularmente da definição de Santa Teresa de Ávila: “orar é estar a sós com Aquele que sabemos que nos ama”. Que bela e profunda definição! A partir disso, podemos dizer que rezar é entrar em relação viva com Deus, nosso Pai, por Cristo e no Espírito Santo. É voltar não apenas a uma “origem” abstrata, mas ao Deus vivo, que nos criou, nos sustenta e nos chama à comunhão consigo. Podemos também dizer que rezar é retornar às fontes da vida, isto é, ao próprio Deus, que é o princípio e o fim de toda existência. Cada vez que nos colocamos a sós com Ele, voltamos a esse centro do qual a nossa vida recebe sentido e direção. Por isso, a oração não é fuga do mundo, mas reencontro com o fundamento do nosso ser. É um mergulho no interior da alma onde Deus habita pela graça, e onde somos continuamente chamados à comunhão com Ele. Quem habitualmente deixa de rezar corre o risco de perder a referência interior, de se dispersar e de enfraquecer na fidelidade. A vida espiritual vai se tornando mais vulnerável quando se rompe esse diálogo essencial com Deus. O próprio Jesus, mesmo sendo o Filho eterno do Pai, retirava-se muitas vezes para rezar, passando longos momentos em oração. Seus encontros com o Pai revelam que nenhuma ação pastoral se sustenta sem essa união profunda com Deus. Podemos até alcançar êxitos humanos, mas sem a oração corremos o risco de perder o sentido último da vida. Jesus nos ensina, portanto, a necessidade da oração constante, da adoração e da permanência diante de Deus. Ele não nos ensina a falar muito, mas a falar com o coração, isto é, com fé viva, confiança e amor. Quando Ele nos alerta contra a “multiplicação de palavras”, não está condenando a oração vocal ou repetitiva em si, mas a oração vazia, sem interioridade, sem fé e sem confiança no Pai. É que Deus não precisa ser informado, mas amado. Ele conhece o que necessitamos antes mesmo de pedirmos. É nesse contexto que Jesus nos ensina a oração do “Pai Nosso”, síntese de toda vida espiritual cristã. Nela encontramos tudo o que precisamos colocar diante do Pai: a glorificação do seu nome, a busca do seu Reino, a confiança na sua providência, o perdão e a luta contra o mal. O “Pai Nosso” não é apenas uma fórmula, mas a oração da Igreja, recebida do próprio Senhor. Ele nos ensina não apenas palavras, mas a atitude interior correta diante de Deus: filial, confiante, humilde e perseverante. Por isso, a verdadeira oração deve ser feita com o coração. Nela reconhecemos a grandeza de Deus e a nossa pequenez; a sua santidade e a nossa necessidade de conversão. Reconhecemos que Ele é a razão última do nosso existir e o sentido pleno da nossa vida. Assim, não se trata de multiplicar palavras, mas de permanecer em comunhão viva com Deus, com o coração aberto e ardente de amor. Peçamos ao Senhor a graça de um profundo gosto pela oração. Que Ele nos ensine a rezar com simplicidade, profundidade e perseverança. Amém!
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Evangelho do dia comentado por Padre Dennys (Mateus 6,1-6.16-18) Quarta-feira da XI Semana do Tempo Comum, 17/6/2026 “Ficai atentos para não praticar a vossa justiça na frente dos homens, só para serdes vistos por eles”. No santo evangelho de hoje, Jesus nos faz enxergar um grande erro que pode nos privar da recompensa que o Pai celestial reservou para aqueles que O servem com sinceridade de coração. Santo Deus! Mas que erro tão grande é esse? Que coisa tão nociva é essa, capaz de nos causar tamanho prejuízo espiritual? Pois é, por incrível que nos pareça, Jesus nos revela que o desejo desordenado de aparecer corrói o valor sobrenatural de nossas obras, porque transforma aquilo que deveria ser feito por amor a Deus numa busca da aprovação e dos elogios humanos. Vejamos, pois, o que nos disse Jesus: “Ficai atentos para não praticar a vossa justiça na frente dos homens, só para serdes vistos por eles. Caso contrário, não recebereis a recompensa do vosso Pai que está nos céus. Por isso, quando deres esmola, não toques a trombeta diante de ti, como fazem os hipócritas nas sinagogas e nas ruas, para serem elogiados pelos homens. Em verdade vos digo: eles já receberam a sua recompensa. Ao contrário, quando deres esmola, que a tua mão esquerda não saiba o que faz a tua mão direita, de modo que a tua esmola fique oculta. E o teu Pai, que vê o que está oculto, te dará a recompensa. Quando orardes, não sejais como os hipócritas, que gostam de rezar em pé, nas sinagogas e nas esquinas das praças, para serem vistos pelos homens. Em verdade vos digo: eles já receberam a sua recompensa. Ao contrário, quando tu orares, entra no teu quarto, fecha a porta e reza ao teu Pai que está oculto. E o teu Pai, que vê o que está escondido, te dará a recompensa. Quando jejuardes, não fiqueis com o rosto triste como os hipócritas. Eles desfiguram o rosto para que os homens vejam que estão jejuando. Em verdade vos digo: eles já receberam a sua recompensa. Tu, porém, quando jejuares, perfuma a cabeça e lava o rosto, para que os homens não vejam que estás jejuando, mas somente teu Pai, que está oculto. E o teu Pai, que vê o que está escondido, te dará a recompensa”. Não é sem motivo que Jesus fala justamente da esmola, da oração e do jejum. Essas três práticas são verdadeiros pilares da vida espiritual. A esmola purifica o nosso relacionamento com o próximo; a oração fortalece o nosso relacionamento com Deus; e o jejum educa o nosso relacionamento conosco mesmos. O problema não está em praticá-las, mas em fazê-las para receber aplausos humanos em vez de buscar a glória de Deus. Você percebeu a gravidade que há em fazermos as coisas sem reta intenção? Você percebeu que não podemos esconder nada de Deus? É que dele, do nosso Deus, nada passa despercebido. Pois bem, nada mais temos a dizer depois de termos escutado o Senhor Jesus. Ele já nos disse tudo o que precisávamos ouvir e o que devemos fazer para que as nossas ações possam alegrar o coração de Deus e também para que elas nos abram as portas do céu. Ao longo de todo este evangelho, uma palavra se repete várias vezes: recompensa. Os hipócritas receberam a recompensa que procuravam: os elogios, os aplausos e a admiração dos homens. Mas essa recompensa é passageira e termina rapidamente. Os humildes, ao contrário, esperam a recompensa que vem de Deus, uma recompensa eterna que jamais passará. Sim, Jesus nos mostrou que a discrição e a humildade devem orientar todo o nosso proceder. Portanto, vigiemos a nós mesmos, e procuremos arrancar toda e qualquer intenção que não seja movida pelo puro amor a Deus e aos irmãos. Que não haja, pois, em nosso coração, nenhum desejo de vanglória, nenhuma busca de aplausos humanos, mas apenas o sincero desejo de amar, servir e glorificar a Deus. Andemos na luz e na verdade!
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Evangelho do dia comentado por Padre Dennys (Mateus 5,43-48) Terça-feira da XI Semana do Tempo Comum – 16/6/2026 “Assim, vos tornareis filhos do vosso Pai que está nos céus, porque ele faz nascer o sol sobre maus e bons, e faz cair a chuva sobre justos e injustos.” O evangelho de hoje é por demais desconcertante, intrigante, como que um soco no nosso estômago, sobretudo para os que têm grandes dificuldades quando o assunto é perdoar e amar a quem não merece, a quem nos fez e faz sofrer. De fato, amar e perdoar a quem nos fez derramar lágrimas não é uma empreitada pequena, não é uma escolha fácil nem tranquila. Sim, damo-nos conta de que perdoar e amar a quem nos ofende é algo exigente, algo que revela o quanto amamos a Deus e queremos agradá-Lo. Explico-me: se amamos a Deus, queremos fazer o que Lhe agrada e, por isso mesmo, o nosso desejo é cumprir o que Jesus nos deu como o seu novo mandamento: “Amai-vos uns aos outros”. Ora, não podemos afirmar que somos seus amigos e seus discípulos se deixamos de lado o mandamento do amor. Então, vejamos o que nos disse Jesus sobre o amor, sobre o perdão, sobre nossa maneira de agir diante daqueles que nos ofendem: “Porque, se amais somente aqueles que vos amam, que recompensa tereis? Os cobradores de impostos não fazem a mesma coisa? E se saudais somente os vossos irmãos, o que fazeis de extraordinário? Os pagãos não fazem a mesma coisa? Portanto, sede perfeitos como o vosso Pai celeste é perfeito.” Você entendeu? Aqui está, pois, o que Jesus deseja de nós. Sem dúvida alguma, é de estremecer o que Ele nos pede. Entretanto, aqui está também o caminho que nos leva à felicidade, à liberdade interior e à paz. Mas há algo ainda mais profundo no ensinamento de Jesus. Ele não nos pede simplesmente que amemos os nossos inimigos porque isso é algo bonito ou admirável. Ele nos pede porque é assim que Deus age. O Pai faz nascer o sol sobre maus e bons e faz cair a chuva sobre justos e injustos. Deus não ama apenas aqueles que correspondem ao seu amor. Deus ama a todos. E é justamente por isso que Jesus nos convida a imitá-Lo. Sabe, meu amigo, quem está no amor está em Deus. Quem vive sem amar não conhece a Deus, porque Deus é amor. Por tudo isso, precisamos examinar a nossa consciência. Muitas vezes professamos a nossa fé em Jesus, participamos da missa, rezamos e buscamos os sacramentos, mas ainda guardamos ressentimentos, mágoas e divisões dentro do coração. Entretanto, o Senhor nos diz hoje: “Vós ouvistes o que foi dito: ‘Amarás o teu próximo e odiarás o teu inimigo’. Eu, porém, vos digo: amai os vossos inimigos e rezai por aqueles que vos perseguem!” Parece-me que precisamos mesmo refletir sobre o evangelho de hoje, porque não basta dizer que acreditamos em Jesus, não basta frequentar a igreja, não basta rezar. Devemos procurar viver de acordo com os seus ensinamentos, de acordo com os seus preceitos. Por isso, não me regozijo apenas pelo fato de ver igrejas cheias. Sim, isso, por si só, não quer dizer muita coisa. Bom seria que todos os que vamos às igrejas, sem exceção, pudéssemos ser verdadeiros discípulos de Jesus! Bom seria que o amor fosse a mola mestra de nossa vida! Quando Jesus nos pede que sejamos perfeitos como o Pai celeste é perfeito, não está exigindo de nós uma vida sem falhas ou fraquezas. Está nos convidando a amar como o Pai ama. A perfeição cristã não consiste em nunca cair, mas em possuir um coração capaz de amar, perdoar, recomeçar e desejar o bem até mesmo para aqueles que nos feriram. Rezo, pois, a Deus, para que Ele nos conceda a disposição necessária para servi-Lo em espírito e em verdade. Rezo para que saiamos das “guerras frias” que tantas vezes mantemos com os outros. Rezo para que consigamos abrir o coração ao que Jesus nos pede: “Amai os vossos inimigos e rezai por aqueles que vos perseguem! Assim, vos tornareis filhos do vosso Pai que está nos céus, porque ele faz nascer o sol sobre maus e bons, e faz cair a chuva sobre justos e injustos.” Vamos para a luta? Que Deus nos ajude!
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Evangelho do dia comentado por Padre Dennys (Lucas 2,41-51) Sábado, 13/6/2026 Memória do Imaculado Coração da Bem-Aventurada Virgem Maria “Por que me procuráveis? Não sabeis que devo estar na casa de meu Pai?” Hoje é um dia muito especial: celebramos o Imaculado Coração de Maria. Ontem, com grande alegria, a Igreja celebrou o Sagrado Coração de Jesus, o Filho Bendito da Imaculada Virgem. Hoje, com o mesmo júbilo, contemplamos o Coração da Mãe, um coração que também conheceu a dor e que foi traspassado pela espada profetizada por Simeão. Assim como o Coração de Jesus foi aberto na cruz para a salvação do mundo, o Coração de Maria participou profundamente dos sofrimentos e da missão redentora do Filho. Esses dois Corações sempre bateram em perfeita sintonia. Sempre desejaram as mesmas coisas. Jesus e Maria viveram inteiramente voltados para o cumprimento da vontade do Pai. Nada buscaram para si mesmos; tudo em suas vidas convergia para Deus. Ao contemplarmos esses dois Corações, somos convidados a olhar para o nosso próprio coração. O que ele deseja? O que ocupa seus pensamentos? Quais são suas buscas e prioridades? Será que o nosso coração é um território sagrado, habitado por Deus? Ou será que tem sido ocupado pelas preocupações, ilusões e seduções deste mundo? O que temos permitido entrar em nosso interior? Desejamos verdadeiramente a vontade de Deus em todas as coisas? O Evangelho de hoje nos ajuda a responder essas perguntas. Quando Jesus é encontrado no Templo, após os dias de angústia vividos por Maria e José, sua resposta revela claramente onde estava o seu Coração: “Por que me procuráveis? Não sabeis que devo estar na casa de meu Pai?” Eis a resposta de Jesus. Seu Coração estava totalmente ocupado com as coisas do Pai. Sua vida tinha uma direção clara: cumprir a missão recebida de Deus. Maria, por sua vez, ao ouvir as palavras do Filho, também revela onde estava o seu coração. Diz o evangelista Lucas: “Sua mãe, porém, conservava no coração todas estas coisas.” O Coração de Maria estava cheio dos mistérios de Deus. Ela guardava os acontecimentos da vida, meditava-os em oração e procurava compreender, à luz da fé, tudo aquilo que o Senhor realizava. Que atitude edificante! Que exemplo de sabedoria espiritual! Em seguida, Jesus nos oferece outra lição preciosa. Compreendendo a dor e a preocupação de seus pais, desce com eles para Nazaré e lhes é obediente. Diz São Lucas: “Jesus desceu então com seus pais para Nazaré, e era-lhes obediente.” Mais uma vez contemplamos a profunda comunhão entre os Corações de Jesus e Maria. O Filho amado honra sua Mãe e manifesta, por meio da obediência, o amor que os une. O que mais precisamos dizer? Basta contemplar esses dois Corações e procurar imitá-los. Façamos dos nossos corações territórios santos, sagrados, habitados por Deus. Não permitamos que o mundo roube aquilo que temos de mais precioso. Vigiemos, porque o maligno deseja afastar nosso coração de Deus. Mas o Senhor espera que lhe entreguemos inteiramente aquilo que somos. Procuremos, portanto, consagrar-nos sempre aos Corações de Jesus e Maria. Que nesses dois Corações encontremos nosso refúgio, nossa força e nosso descanso. Amém!
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Evangelho do dia comentado por Padre Dennys (Mt 11,25-30) Sexta-feira da X Semana do Tempo Comum – 12/6/2026 Solenidade do Sagrado Coração de Jesus “Vinde a mim todos vós que estais cansados e fatigados sob o peso dos vossos fardos, e eu vos darei descanso.” Não há ninguém neste mundo, por mais forte que seja, que não precise de um colo, de um ombro amigo, de uma palavra consoladora e animadora. Até Jesus, antes de ser preso, antes de ver começar o seu suplício e o seu calvário, estando no Jardim das Oliveiras e sofrendo por tudo o que sabia que estava prestes a acontecer, manifestou o desejo de que os seus amigos permanecessem acordados, vigilantes e unidos a Ele. Entretanto, eles não foram capazes de permanecer despertos justamente num momento tão difícil, numa hora em que o Senhor tanto precisava de apoio. O que sabemos, o que nos conta o Evangelho sobre tão doloroso momento, é que o sono foi maior do que o cuidado que eles deveriam ter para com o Mestre. A fraqueza humana fez com que se ocupassem de si mesmos, do próprio cansaço e da própria fadiga, quando deveriam estar atentos à dor daquele que tanto os amava. Pois bem, Jesus, mais do que ninguém, sofreu na carne e na alma o quanto é difícil atravessar as tempestades sem os amigos por perto, sem o apoio tão necessário daqueles que deveriam estar ao seu lado. Como sofreu o Senhor! Quão grande foi o abandono experimentado por Jesus, justamente por parte daqueles que deveriam amá-Lo com todo o coração! Justamente por ter experimentado as dores humanas em toda a sua profundidade, Jesus é capaz de compreender os nossos sofrimentos. Ele não fala como alguém distante das nossas lutas, mas como quem carregou sobre si o peso da cruz e conheceu as angústias do coração humano. Por isso, quando ouvimos hoje estas palavras — “Vinde a mim todos vós que estais cansados e fatigados sob o peso dos vossos fardos, e eu vos darei descanso” — percebemos que elas brotam de um coração que sabe amar, acolher e consolar. Na Solenidade do Sagrado Coração de Jesus, somos convidados a contemplar precisamente esse Coração que acolhe, compreende, perdoa e ama sem medida. Nele encontramos o repouso que tantas vezes procuramos em vão nas criaturas. Descobrimos também que Ele não rejeita os seus amigos, mesmo quando estes O traem, abandonam ou decepcionam. Jesus deseja que todos se aproximem Dele e busquem Nele aquilo que dificilmente encontrarão em outro lugar. Assim é Jesus! Ele diz ainda: “Tomai sobre vós o meu jugo e aprendei de mim, porque sou manso e humilde de coração, e vós encontrareis descanso para as vossas almas. Pois o meu jugo é suave e o meu fardo é leve.” Que maravilhosa certeza! Que presente inigualável nos oferece o Senhor! Jesus nos mostra que Nele está o nosso repouso seguro, mesmo quando aqueles que deveriam estar conosco, por tantos motivos, não estão. Ele nos faz compreender que Nele está o verdadeiro conforto, até mesmo quando aqueles que deveriam nos consolar escolheram outros caminhos, outros interesses ou outras prioridades. O fato é que Deus sempre está conosco, mesmo quando ninguém consegue estar ou deseja estar. Nele podemos confiar! Também podemos confiar em algumas pessoas que verdadeiramente nos amam e desejam o nosso bem. Por isso, se ao longo da vida você encontrar alguém que se preocupa sinceramente com você, que não mede esforços para estar ao seu lado nos momentos difíceis, reconheça que recebeu uma grande graça de Deus. Rezo para que nunca nos falte um ombro amigo. Mas rezo, sobretudo, para que jamais nos esqueçamos de que existe um Coração que nunca nos abandona: o Coração de Jesus. Que aprendamos a descansar em seus braços, a confiar em sua misericórdia e a encontrar refúgio em seu Sagrado Coração em todos os momentos da nossa vida. Amém!
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Evangelho do dia comentado por Padre Dennys (Mateus 10,7-13) Quinta-feira, 11/6/2026 Festa de São Barnabé, Apóstolo “Em vosso caminho, anunciai: 'O Reino dos Céus está próximo'. Veja, amigo(a), que bela e desafiadora missão o Senhor Jesus nos confiou! Embora Jesus tenha dirigido essas palavras aos apóstolos, também nós, em qualquer estado de vida, somos chamados a viver essa mesma missão. Sim, trata-se de uma missão belíssima, porque é puro dom de amor aos outros; uma missão que leva esperança aos que sofrem, devolve a dignidade aos feridos pela vida e anuncia ao mundo que o Reino de Deus está próximo. Todavia, ela também é desafiadora, pois o discípulo de Jesus é chamado a enfrentar tudo aquilo que afasta as pessoas de Deus. É, de fato, uma grande missão! E, para fazermos como o Senhor nos pede no santo evangelho, devemos ser comprometidos com Ele, devemos viver unidos a Ele. Sem um compromisso forte com o Senhor, acredite, jamais conseguiremos fazer o que Ele nos mandou. Vejamos o que nos disse Jesus: “Em vosso caminho, anunciai: ‘O Reino dos Céus está próximo’. Curai os doentes, ressuscitai os mortos, purificai os leprosos, expulsai os demônios. De graça recebestes, de graça deveis dar! Não leveis ouro nem prata nem dinheiro nos vossos cintos; nem sacola para o caminho, nem duas túnicas nem sandálias nem bastão, porque o operário tem direito ao seu sustento. Em qualquer cidade ou povoado onde entrardes, informai-vos para saber quem ali seja digno. Hospedai-vos com ele até a vossa partida. Ao entrardes numa casa, saudai-a. Se a casa for digna, desça sobre ela a vossa paz; se ela não for digna, volte para vós a vossa paz”. Perceba que a missão confiada a cada um de nós por Jesus exige disponibilidade, generosidade e disposição para sair de si mesmo. Não é missão para quem vive fechado em seus próprios interesses ou acomodado em sua zona de conforto. É missão para aqueles que desejam gastar a própria vida para que outros encontrem a vida. É assim que devemos ser, amigo(a)! Jesus nos chamou a anunciar a Boa-Nova que gera vida nova no coração das pessoas. Há muitos doentes que precisam ser curados pela graça de Deus, muitos leprosos que carregam feridas profundas na alma, muitos que vivem como mortos espiritualmente, sem esperança, sem sentido e longe do Senhor. E Deus deseja alcançá-los também através de nós. Devemos, pois, deixar Deus agir através de nossa vida; devemos gastar as nossas forças para que os outros conheçam o amor de Cristo e a libertação que tanto esperam. Entretanto, para que possamos ajudar na libertação dos outros, precisamos antes permitir que o próprio Senhor nos liberte de tudo aquilo que nos escraviza: sentimentos negativos, vícios, amizades nocivas, emoções desordenadas e tudo aquilo que nos afasta de Deus. Vamos abraçar a missão? É preciso rezar bastante, amar profundamente a Deus e ao próximo e permitir que o Reino de Deus comece primeiro dentro de nós. Somente assim nos tornaremos instrumentos eficazes da graça divina. Rezo a Deus para que sejamos discípulos corajosos, cheios de amor e inteiramente disponíveis para anunciar o Reino dos Céus. Que o Senhor cure primeiro o nosso coração e, através de nós, alcance muitos outros corações que necessitam de sua luz, de sua paz e de sua salvação. Amém!
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Evangelho do dia comentado por Padre Dennys (Mateus 5,17-19) Quarta-feira da décima semana do Tempo Comum, 10/6/2026 “Portanto, quem desobedecer a um só destes mandamentos, por menor que seja, e ensinar os outros a fazerem o mesmo, será considerado o menor no Reino dos Céus”. Podemos escolher obedecer a Deus ou simplesmente não obedecer. Podemos escolher amá-Lo ou simplesmente não amá-Lo. Podemos escolher fazer de nossa vida uma ponte que une, que diminui distâncias, ou simplesmente um muro instransponível. Sim, e seja qual for a nossa escolha, é mister que entendamos que há consequências, que há grandes consequências. No santo evangelho de hoje, por exemplo, Jesus deixa isso bastante claro. O Senhor, pensando em nossa salvação, chama a nossa atenção para uma verdade que jamais deveria ser esquecida: nossas escolhas têm peso diante de Deus e ecoam na eternidade. Nada do que fazemos é indiferente aos seus olhos. Por isso, Jesus nos alerta com toda a seriedade: “Não penseis que vim abolir a Lei e os Profetas. Não vim para abolir, mas para dar-lhes pleno cumprimento. Portanto, quem desobedecer a um só destes mandamentos, por menor que seja, e ensinar os outros a fazerem o mesmo, será considerado o menor no Reino dos Céus. Porém, quem os praticar e ensinar será considerado grande no Reino dos Céus”. Que Palavra arrebatadora! Que Palavra esclarecedora e profundamente solene! Que advertência séria para todos nós! Perceba que Jesus não está tratando de algo secundário. Ele está falando da fidelidade a Deus, da seriedade dos seus mandamentos e da responsabilidade que temos não apenas pela nossa própria vida, mas também pela influência que exercemos sobre os outros. A bem da verdade, essa Palavra só será motivo de preocupação para quem desobedece a Deus, para quem não guarda os mandamentos e ainda leva outros à mesma desgraça. Todavia, caso vivamos no amor e na obediência a Deus, ela nos encoraja ainda mais a buscarmos o bem, a perseguirmos o que é certo e agradável ao Senhor. Sem dúvida alguma, meus amados irmãos, é muito sério o que nos diz o Senhor. Na verdade, chega mesmo a nos impactar fortemente essa advertência de Jesus para os que não estão no caminho certo: “Portanto, quem desobedecer a um só desses mandamentos, por menor que seja, e ensinar os outros a fazerem o mesmo, será considerado o menor no Reino dos Céus”. Entendamos de uma vez por todas que o pecado é uma desgraça não somente para quem o comete, mas também para toda a criação, que, infelizmente, sofre as consequências de tão grande mal. Por isso, Jesus chama tanto a nossa atenção para a observância dos mandamentos e para a importância de os ensinarmos aos outros, levando-os a rejeitar o mal e a abraçar o bem. Ai daquele que cai no pecado e incentiva alguém a fazer o mesmo! Ai daquele que fere os mandamentos do Senhor e arrasta os outros para a mesma perdição! Ai dos desobedientes! Ai dos inconsequentes! Ai dos promotores do mal! Felizes, porém, são os obedientes a Deus! Jesus mesmo proclama a alegria que gozarão para sempre os que tiverem escolhido viver no bem e no amor. Sim, gozarão da felicidade eterna os que escolheram promover a paz, os que tiraram o mal de suas vidas, os que guardaram os santos mandamentos e os que ensinaram os caminhos do Senhor aos outros. Para esses, diz o Senhor: “Será considerado grande no Reino dos Céus”. Aqui está o que nos aguarda se fizermos de nossa vida um dom de amor para todos, se gastarmos nossas energias com coisas que dignificam e edificam a nossa vida e a vida dos que nos cercam. Você entendeu o ensinamento de hoje, meu irmão? Façamos, pois, o que pudermos, o que estiver ao nosso alcance, para que a luz de Deus resplandeça em nós e para sermos luzeiros na vida dos outros!
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Evangelho do dia comentado por Padre Dennys (Mt 5,13-16) Terça-feira da X Semana do Tempo Comum, 9/6/2026 “Assim também brilhe a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras e louvem o vosso Pai que está nos céus”. Meus amados irmãos e minhas amadas irmãs, com que alegria dirijo-me a vocês neste santo dia! Sim, que alegria poder recordar que o nosso Mestre Jesus confiou à sua Igreja e, consequentemente, a cada um de nós, uma grande missão. E qual foi essa missão? Disse o Senhor: “Ninguém acende uma lâmpada e a coloca debaixo de uma vasilha, mas sim num candeeiro, onde brilha para todos os que estão na casa. Assim também brilhe a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras e louvem o vosso Pai que está nos céus”. Mas qual é essa luz que carregamos dentro de nós e que deve brilhar diante de todos? É a própria vida divina recebida no santo Batismo. Foi no Batismo que nascemos para a vida nova. Naquele dia memorável, as palavras sagradas foram pronunciadas sobre nós: “Eu te batizo em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo”. Naquele instante, o Espírito Santo foi derramado em nossos corações, o pecado original foi apagado e nos tornamos templos vivos de Deus. Sim, naquele dia glorioso, a luz de Deus invadiu a nossa alma. Pela morte e ressurreição de Nosso Senhor Jesus Cristo, fomos lavados da mancha original, tornamo-nos filhos adotivos do Pai e recebemos o Espírito Santo, dom precioso que nos santifica e nos conduz pelos caminhos da vida eterna. Quando Jesus nos pede para brilharmos no mundo, Ele está nos convidando a permanecer fiéis à graça que recebemos. Está nos chamando a lutar contra o pecado, a amar a Deus e aos irmãos, a viver segundo o Evangelho, para que essa luz divina continue brilhando através de nós. Uma lâmpada acesa transforma o ambiente onde está. Assim também deve acontecer conosco. Onde chega um verdadeiro discípulo de Cristo, deve chegar também um pouco mais de paz, de bondade, de misericórdia, de esperança e de amor. E aqui existe algo muito bonito no evangelho de hoje. Jesus não diz apenas que os homens verão a nossa luz. Ele afirma que verão as nossas boas obras. Isso significa que a luz da graça se torna visível através daquilo que fazemos. Ninguém vê a graça diretamente, mas todos podem perceber seus frutos quando encontram uma pessoa paciente, misericordiosa, honesta, generosa, caridosa e cheia de amor. Quando correspondemos à graça de Deus, quando nos mantemos longe do mal e procuramos viver segundo a vontade do Senhor, essa luz resplandece diante dos homens. E então acontece aquilo que Jesus deseja: as pessoas glorificam o Pai que está nos céus, porque reconhecem em nossa vida a ação transformadora da graça divina. Portanto, meus irmãos, não escondamos a luz que Deus colocou em nós. Que nossa fé seja visível. Que nossa esperança seja visível. Que nossa caridade seja visível. Que nossas boas obras falem de Cristo. E, vendo a luz que Deus faz brilhar em nossa vida, muitos possam abandonar as trevas do pecado, encontrar o caminho da salvação e glorificar o nosso Pai que está nos céus. Que assim seja!
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Evangelho comentado por Padre Dennys (Mateus 9,9-13) X Domingo do Tempo Comum, 7/6/2026 “Segue-me!” O Evangelho de hoje nos apresenta uma das cenas mais bonitas de toda a Sagrada Escritura: o chamado de Mateus. Jesus passa, vê um homem sentado na coletoria de impostos e lhe dirige apenas duas palavras: “Segue-me!” A princípio, a cena parece simples, mas esconde um grande mistério. Mateus não era visto com bons olhos pelo povo. Como cobrador de impostos, era considerado pecador público, alguém que havia se associado aos ocupantes romanos e que carregava sobre si o peso da rejeição e do desprezo. Mas Jesus não vê apenas aquilo que os homens enxergam. Enquanto muitos viam um pecador, Jesus via um apóstolo. Enquanto muitos viam um homem marcado pelo passado, Jesus via um santo em construção. E é justamente isso que torna o Evangelho tão consolador: Deus não nos ama por aquilo que já somos, mas por aquilo que sua graça pode realizar em nós. O mais impressionante é a resposta de Mateus. O evangelista escreve simplesmente: “Ele se levantou e seguiu a Jesus”. Não há desculpas. Não há adiamentos. Não há negociações. Quando o coração reconhece a voz de Deus, compreende que nada vale mais do que segui-Lo. Em seguida, Jesus senta-se à mesa com cobradores de impostos e pecadores. Os fariseus se escandalizam. Não conseguem compreender como alguém considerado mestre pode conviver com pessoas de má fama. Então o Senhor responde com uma frase que atravessa os séculos: “Os que têm saúde não precisam de médico, mas os doentes.” Jesus não veio para os perfeitos. Veio para os necessitados. Veio para aqueles que reconhecem suas feridas e desejam ser curados. O problema dos pecadores que se aproximavam de Jesus não era o pecado. O problema estava naqueles que julgavam não precisar de conversão. Por isso o Senhor conclui com uma palavra decisiva: “Quero misericórdia e não sacrifício.” Deus deseja um coração humilde mais do que práticas religiosas vazias. Ele procura filhos que reconheçam suas fraquezas e se deixem transformar pela sua misericórdia. Hoje, Jesus também passa diante de nós. Talvez carreguemos pecados, quedas, feridas e limitações. Mas o olhar do Senhor continua o mesmo. Ele não se detém no nosso passado. Ele nos chama para um futuro novo. Que tenhamos a coragem de Mateus para nos levantar e segui-Lo sem demora.
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Evangelho do dia comentado por Padre Dennys (Marcos 12,38-44) Sábado da nona semana do Tempo Comum, 6/6/2026 “Em verdade vos digo, esta pobre viúva deu mais do que todos os outros que ofereceram esmolas.” Que Evangelho esclarecedor e impactante o de hoje! Vamos nos debruçar sobre ele? Jesus, em seus grandes ensinamentos, denuncia a vida de aparência dos doutores da Lei e revela o fim daqueles que não são inteiros naquilo que fazem: “Por isso eles receberão a pior condenação.” Duro golpe para os que vivem apenas de aparências! E para mostrar o que realmente agrada a Deus, contrastando com tudo o que via nos doutores da Lei, o Senhor chama a atenção para a atitude de uma pobre viúva que estava no Templo. Perceba que Jesus não perdia nenhuma oportunidade quando o assunto era a formação dos seus discípulos. A própria Palavra de Deus nos diz: “O meu povo se perde por falta de conhecimento.” Jesus formava aqueles que seriam os formadores de tantas gerações futuras. Instruía os que levariam seus ensinamentos até os confins da terra. E um desses grandes ensinamentos é justamente sobre a autenticidade da vida diante de Deus. Enquanto Jesus observava o comportamento dos que frequentavam a Casa de Deus, chegou uma pobre senhora, uma viúva, uma mulher socialmente fragilizada e quase invisível aos olhos da sociedade da época. Com muita discrição, ela se aproximou do cofre das ofertas e depositou duas pequenas moedas que valiam quase nada. O gesto daquela mulher chamou a atenção do Senhor, que então declarou aos discípulos: “Em verdade vos digo, esta pobre viúva deu mais do que todos os outros que ofereceram esmolas. Todos deram do que tinham de sobra, enquanto ela, na sua pobreza, ofereceu tudo aquilo que possuía para viver.” Que constatação! Que diferente é o olhar de Deus! Os homens costumam medir a grandeza de uma oferta pelo valor que ela possui. Jesus, porém, mede pelo amor com que ela é oferecida. Enquanto muitos depositavam grandes quantias sem que isso lhes custasse quase nada, aquela pobre viúva colocou no cofre tudo o que possuía para viver. Ela não ofereceu apenas duas moedas; ofereceu sua confiança em Deus, sua entrega e o seu próprio coração. Jesus enxergou aquilo que ninguém mais via. Feliz é aquele que sabe amar com generosidade! Feliz é aquele que não vive fechado em si mesmo, mas aprende a olhar para a necessidade do irmão! Quando a dor do outro nos toca, quando o sofrimento do próximo encontra espaço em nosso coração, começamos a compreender os valores do Reino de Deus. Outra coisa importante: não devemos ajudar alguém apenas para aliviar a consciência. Devemos ajudar por amor. Devemos aprender a repartir não somente aquilo que temos, mas também aquilo que somos. Amar alguém é importar-se com ele, é desejar sinceramente que sua dor seja aliviada, que sua vida seja melhor, que ele encontre esperança. Mas há ainda uma riqueza mais profunda neste Evangelho. A pobre viúva é também uma imagem do próprio Cristo. Ela deu tudo o que possuía para viver. Pouco tempo depois, Jesus fará o mesmo por nós. Na cruz, Ele não entregará uma parte de si, mas tudo. Não dará uma sobra. Entregará sua vida inteira por amor. Por isso a atitude daquela mulher agrada tanto ao Senhor: nela já aparece refletido algo do próprio amor de Cristo, um amor que não calcula, não economiza e não se guarda para si. Aprendamos, portanto, com a pobre viúva e com o próprio Jesus a fazer de nossa vida uma oferta de amor a Deus e aos irmãos. Que Deus nos dê mãos generosas e um coração cheio de amor!
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Evangelho do dia comentado por Padre Dennys (Mc 12,35-37) Sexta-feira da nona semana do Tempo Comum, 5/6/2026 “E uma grande multidão o escutava com prazer”. Alegra o meu coração saber que muitos, na época de Jesus, escutavam os seus ensinamentos com prazer. Alegra-me também saber que muitos, nos dias de hoje, encontram prazer em escutá-Lo. Que maravilha! E há coisa melhor nesta vida do que escutar Jesus com prazer e fazer o que Ele nos pede? Na verdade, muito do que vemos de errado no mundo é fruto de corações que não dão ouvidos a Deus nem aos ensinamentos do seu Filho. Quantas dores teriam sido evitadas se tivéssemos escutado mais o Senhor, se tivéssemos buscado conhecer e realizar a sua vontade. Sabe, meu amigo, nenhum de nós encontrará a paz tão desejada sem escutar o Deus da paz; nenhum de nós conhecerá verdadeiramente o amor sem escutar o Senhor Jesus, o Filho de Deus, que é o próprio Amor; nenhum de nós encontrará o caminho certo se não escutar Aquele que nos disse: “Eu sou o caminho”. No evangelho de hoje, Jesus procura ampliar a compreensão que o povo tinha a respeito do Messias. Muitos acreditavam que Ele seria apenas um descendente de Davi, um grande líder enviado por Deus. Mas o Senhor mostra que o Messias é muito mais do que isso. Citando as Escrituras, Jesus recorda que o próprio rei Davi, inspirado pelo Espírito Santo, chama o Messias de Senhor. Com isso, Jesus vai conduzindo seus ouvintes a compreenderem que o Cristo prometido não é apenas filho de Davi segundo a carne, mas também o Filho eterno de Deus. Embora o evangelista Marcos nos mostre que uma grande multidão escutava Jesus com prazer, ele também nos faz perceber que nem todos acolhiam suas palavras da mesma forma. Entre aqueles que mais resistiam ao Senhor estavam alguns dos chefes religiosos do povo, homens que conheciam profundamente as Escrituras, mas que haviam fechado o coração à ação de Deus. O grande problema não era a falta de conhecimento, mas o orgulho. Justamente por isso, tinham dificuldade de reconhecer aquilo que estava diante dos seus olhos. Resistiam às obras de Jesus, contestavam suas palavras e recusavam-se a acolher a luz que Deus lhes oferecia. Infelizmente, isso também pode acontecer conosco. O orgulho tem a capacidade de obscurecer até as verdades mais simples. Quando nos fechamos em nossas próprias certezas, deixamos de aprender, deixamos de ouvir e até mesmo deixamos de enxergar aquilo que Deus deseja nos mostrar. É o que vemos no evangelho de hoje. Jesus procura conduzir aqueles homens a uma compreensão mais profunda das profecias messiânicas. Com paciência, revela-lhes o verdadeiro sentido das Escrituras. Mas eles permanecem fechados. Não porque lhes faltassem argumentos, mas porque lhes faltava a humildade necessária para acolher a verdade. É assim que acontece quando deixamos de escutar com prazer o Senhor Jesus. Corremos o risco de endurecer o coração, permanecer nos erros, alimentar o orgulho e resistir cada vez mais à graça de Deus. E quanto mais uma pessoa resiste à graça, mais distante fica da luz que conduz à vida. Pois bem, vamos escutar com prazer o Senhor Jesus? Você tem feito isso? Você gosta de escutar Jesus? Cuidado com o orgulho! Cuidado com o coração! Não o deixe endurecer! Seja dócil nas mãos de Deus! Escutemos o Senhor com sinceridade e confiança. Quem acolhe a sua Palavra encontra luz para os passos, verdade para a inteligência e paz para o coração. Que Deus nos ilumine!
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Evangelho do dia comentado por Padre Dennys(Marcos 12,18-27) Quarta-feira da nona semana do Tempo Comum, 3/6/2026 “Acaso, vós não estais enganados, por não conhecerdes as Escrituras, nem o poder de Deus?” No evangelho de hoje, os saduceus levaram uma questão para Jesus que nos ajuda a perceber o quanto podemos nos enganar quando não compreendemos corretamente as Sagradas Escrituras e o poder de Deus. Os saduceus não acreditavam na ressurreição dos mortos. Por isso, aproximaram-se do Senhor com uma pergunta que tinha mais o objetivo de criar uma dificuldade do que de buscar sinceramente a verdade. Eles apresentaram o caso de uma mulher que havia se casado sucessivamente com sete irmãos, todos falecidos sem deixar descendência, e perguntaram: “Havia sete irmãos: o mais velho casou-se e morreu sem deixar descendência. O segundo casou-se com a viúva e morreu sem deixar descendência. O mesmo aconteceu com o terceiro. E nenhum dos sete deixou descendência. Por último, morreu também a mulher. Na ressurreição, quando eles ressuscitarem, de quem será ela mulher? Porque os sete se casaram com ela!” A pergunta parecia inteligente, mas revelava uma compreensão muito limitada das coisas de Deus. Percebam como eles tentavam compreender os mistérios divinos apenas com critérios humanos! Pois bem, Jesus escutou a pergunta e respondeu: “Acaso, vós não estais enganados, por não conhecerdes as Escrituras, nem o poder de Deus?” Sim, eles estavam enganados. Não compreendiam corretamente as Escrituras e, sobretudo, não acreditavam naquilo que Deus era capaz de realizar. A bem da verdade, não estavam procurando aprender, mas tentando colocar Jesus numa situação embaraçosa. Posso imaginar o olhar do Senhor diante daquela cena. E também posso imaginar quantas vezes Ele olha para nós quando tentamos interpretar os acontecimentos da vida apenas com a nossa lógica humana, esquecendo-nos do poder de Deus. Sabe, meu amigo, quando algo acontece e não temos uma fé madura para nos orientar, facilmente nos confundimos, tiramos conclusões precipitadas e enxergamos tudo apenas segundo os nossos próprios critérios. Foi exatamente isso que aconteceu com os saduceus. Por isso, diante de uma pergunta tão limitada, Jesus esclarece: “Quando os mortos ressuscitarem, os homens e as mulheres não se casarão, pois serão como os anjos do céu.” Nosso Senhor não está diminuindo a beleza do matrimônio. Está revelando que a vida futura será muito mais grandiosa do que podemos imaginar. Os saduceus pensavam a ressurreição como uma simples continuação desta vida. Jesus, porém, mostra que a eternidade inaugura uma realidade completamente nova. Talvez a advertência feita aos saduceus também seja dirigida a nós: “Acaso, vós não estais enganados, por não conhecerdes as Escrituras, nem o poder de Deus?” Quantas vezes nos deixamos dominar pelas preocupações deste mundo? Quantas vezes olhamos para os acontecimentos sem a luz da fé? Quantas vezes limitamos a ação de Deus aos nossos raciocínios e esquecemos que para Ele nada é impossível? Ora, se conhecêssemos mais profundamente a Deus e sua Palavra, muitas das nossas inquietações perderiam força. Quando uma pessoa vive na presença do Senhor e se alimenta das Sagradas Escrituras, ela adquire uma sabedoria que ilumina a vida inteira. Que prejuízo enorme para a nossa salvação é viver sem conhecer as Escrituras e sem confiar no poder de Deus! Por isso, peça ao Espírito Santo que ilumine sua inteligência e seu coração. Procure conhecer mais profundamente a Palavra de Deus. Alimente-se dela. Medite-a. Reze com ela. Lembre-se também do ensinamento de hoje. Jesus nos ensina que, na ressurreição, viveremos uma realidade completamente nova, semelhante à dos anjos, inteiramente voltados para Deus. Ninguém pertencerá a ninguém. Todos pertencerão plenamente ao Senhor. Todos estarão mergulhados na plenitude do amor de Deus. Lutemos pelo céu! Lutemos por Deus! Que Deus nos ilumine!
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Evangelho do dia comentado por Padre Dennys (Marcos 12,1-12) Segunda-feira da nona semana do Tempo Comum – 1/6/2026 “Esse é o herdeiro. Vamos matá-lo, e a herança será nossa”. A parábola contada por Jesus no Evangelho de hoje é uma das mais fortes e dramáticas de todo o Novo Testamento. Por meio dela, Jesus revela a história da salvação. O dono da vinha é Deus. A vinha é o seu povo. Os servos enviados são os profetas que, ao longo dos séculos, falaram em nome do Senhor e tantas vezes foram rejeitados, perseguidos e até mortos. Por fim, o dono envia o seu próprio Filho. Mas também Ele é rejeitado. Jesus está falando de si mesmo. Ele sabe que sua Paixão se aproxima. Sabe que os chefes religiosos já planejam sua morte. Por isso, a parábola não é apenas uma denúncia; é também um anúncio do que está para acontecer. Mas seria um erro pensar que esta Palavra diz respeito apenas às autoridades religiosas da época. A tentação daqueles vinhateiros continua presente em cada coração humano. Deus nos confia muitos dons, responsabilidades, pessoas, ministérios, bens materiais e espirituais. Porém, com facilidade esquecemos que somos apenas administradores e começamos a agir como donos. Quando isso acontece, já não queremos prestar contas a Deus, já não aceitamos correções, já não ouvimos aqueles que Ele envia para nos orientar. Aos poucos, o orgulho ocupa o lugar da humildade e a nossa vontade tenta substituir a vontade do Senhor. O pecado tem exatamente essa dinâmica: ele nos faz viver como se Deus não fosse o verdadeiro Senhor da nossa vida. O mais impressionante da parábola é que os vinhateiros não se contentam em rejeitar os servos. Eles chegam ao ponto de rejeitar o próprio filho do dono da vinha. É isso que o mal produz quando encontra espaço em nosso coração: uma cegueira espiritual capaz de nos fazer resistir até mesmo à ação de Deus diante de nós. Por isso, somos convidados hoje a fazer um sincero exame de consciência: existe alguma área da minha vida da qual me tornei dono absoluto? Existe alguma correção que não aceito? Existe alguma voz enviada por Deus que venho ignorando? Um dado importante e que não pode ser esquecido: tudo pertence ao Senhor! Sim! Nossa vida, nossa vocação, nossa família, nossos talentos e até o tempo que temos neste mundo são dons recebidos de suas mãos. Peçamos a graça de sermos administradores fiéis e não proprietários orgulhosos. E, sobretudo, que nunca fechemos o coração ao Filho amado que o Pai continua enviando ao nosso encontro. Que Deus nos ajude!
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Evangelho do dia comentado por Padre Dennys (Jo 3,16-18) Domingo da Santíssima Trindade – 31/5/2026 “Deus amou tanto o mundo, que deu o seu Filho unigênito, para que não morra todo o que nele crer, mas tenha a vida eterna.” Hoje celebramos a Solenidade da Santíssima Trindade. E não existe porta de entrada mais bela para este mistério do que as palavras do próprio Jesus. Antes de nos revelar como Deus é em si mesmo, Jesus nos revela como Deus nos ama. O Pai envia o Filho para salvar o mundo e, com o Filho, derrama o Espírito Santo em nossos corações para nos conduzir à vida eterna. Assim, a Santíssima Trindade não é primeiramente um problema a ser resolvido, mas um mistério de amor a ser contemplado. Com o coração cheio de alegria, contemplamos este mistério que nos ultrapassa e nos enche de admiração: há um só Deus em Três Pessoas realmente distintas — Pai, Filho e Espírito Santo. Quem poderia compreender plenamente tão grande mistério? Ninguém. Se pudéssemos esgotá-lo com nossa inteligência, ele deixaria de ser mistério. Isso não significa, porém, que nada possamos compreender. Deus mesmo quis revelar-nos aquilo que é necessário para nossa salvação. Ao longo da história, Deus preparou um povo e prometeu enviar o Salvador. Na plenitude dos tempos, enviou o seu Filho, que nasceu da Virgem Maria e veio habitar entre nós. Por suas palavras e obras, Jesus revelou-se como o Filho eterno do Pai, verdadeiro Deus como o Pai. E, antes de retornar ao Céu, prometeu enviar o Espírito Santo, o Consolador, para permanecer conosco. Assim, fomos introduzidos no coração da vida divina: um só Deus em Três Pessoas realmente distintas. O Pai não é o Filho, o Filho não é o Espírito Santo e o Espírito Santo não é o Pai. Contudo, os três possuem a mesma natureza divina, a mesma glória e a mesma eternidade. Mas este mistério não nos foi revelado apenas para ser admirado. Deus é, desde toda a eternidade, perfeita comunhão de amor entre o Pai, o Filho e o Espírito Santo. E porque fomos criados à sua imagem e semelhança, somos chamados a viver também em comunhão. Toda vez que nos fechamos no egoísmo, no orgulho, na falta de perdão ou na indiferença para com os outros, afastamo-nos do modo de viver do próprio Deus. Ao contrário, toda vez que amamos, servimos, perdoamos e saímos de nós mesmos para acolher o próximo, tornamo-nos um reflexo da vida da Santíssima Trindade. Por isso, cultivar uma relação pessoal com o Pai, o Filho e o Espírito Santo não é algo reservado a alguns cristãos mais fervorosos. É o próprio coração da vida cristã. O Pai nos criou, o Filho nos redimiu e o Espírito Santo nos santifica. Assim, toda a nossa vida começa na Trindade, caminha na Trindade e encontra sua plenitude na Trindade. Peçamos hoje a graça de viver cada vez mais unidos ao Pai, por meio do Filho, na força do Espírito Santo. E que um dia possamos contemplar face a face aquele mistério que agora adoramos na fé: o Pai, o Filho e o Espírito Santo.
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Evangelho do dia comentado por Padre Dennys (Marcos 11,11-26) Sexta-feira da oitava semana do tempo comum, 29/5/2026 “Tende fé em Deus” Por diversas vezes, vimos Jesus falando sobre o poder da oração. Hoje, no santo evangelho, Ele nos mostra ainda mais sobre a necessidade de uma oração fervorosa, ardente e confiante. Ele nos disse: “Tende fé em Deus. Em verdade vos digo, se alguém disser a esta montanha: ‘Levanta-te e atira-te no mar’, e não duvidar no seu coração, mas acreditar que isso vai acontecer, assim acontecerá. Por isso vos digo, tudo o que pedirdes na oração, acreditai que já o recebestes, e assim será”. Essas palavras de Jesus foram pronunciadas depois que os apóstolos viram a figueira que Ele havia amaldiçoado no dia anterior completamente seca. Admirados com o que viam, chamaram a atenção do Senhor para o acontecimento. Mas por que Jesus amaldiçoou aquela figueira? À primeira vista, sua atitude pode parecer estranha. Contudo, Jesus não estava simplesmente reagindo à ausência de frutos em uma árvore. Na verdade, Ele realizava um gesto profético, um ensinamento vivo destinado aos apóstolos e a todos nós. A figueira representava a situação espiritual de Israel naquele tempo. Havia muitas folhas, isto é, muitas práticas religiosas, muitos ritos, muitas observâncias exteriores. No entanto, faltavam os frutos que Deus esperava encontrar em seu povo. Não por acaso, São Marcos coloca esse acontecimento ao lado da purificação do Templo. Ao expulsar os vendilhões, Jesus denuncia a mesma realidade simbolizada pela figueira: uma religião que conservava sua aparência exterior, mas que estava se afastando cada vez mais de sua verdadeira finalidade. O Templo deveria ser uma casa de oração, um lugar de encontro com Deus. Entretanto, muitos dos que tinham a responsabilidade de cuidar dele permitiam abusos e atitudes incompatíveis com a santidade daquele lugar. Havia movimento, atividade, religiosidade aparente, mas faltavam os frutos de uma autêntica fidelidade ao Senhor. A figueira seca torna-se, então, um sinal da esterilidade espiritual de Israel e um forte chamado à conversão. Ao mesmo tempo, ela nos leva a olhar para a nossa própria vida. Também nós podemos correr o risco de cultivar apenas as aparências da fé, enquanto Deus espera encontrar em nós os frutos da conversão, da caridade, da humildade e da obediência. Depois de realizar esse gesto profético e de alertar os discípulos sobre o perigo da esterilidade espiritual, Jesus lhes mostra o caminho para uma vida verdadeiramente fecunda: a fé em Deus. “Tende fé em Deus”. Eis o caminho para não nos tornarmos estéreis espiritualmente. Quem vive unido ao Senhor pela fé produz frutos. Quem confia em Deus persevera. Quem reza com fé encontra forças para permanecer fiel mesmo em meio às dificuldades. Por isso, Jesus nos fala com tanta firmeza sobre a oração. Ele deseja que seus discípulos aprendam a confiar plenamente no Pai, sem permitir que a dúvida, o medo ou o desânimo dominem seus corações. Vale para nós também, meu amigo! Precisamos viver de fé! Precisamos confiar no Senhor! Não podemos pensar que o mal é maior do que o bem nem desanimar diante das vicissitudes da vida, pois o Senhor permanece ao lado daqueles que n’Ele confiam. Devemos também ter muito zelo pelas coisas de Deus, assim como nos mostra Jesus no evangelho de hoje. Ele expulsou os vendilhões do Templo e proclamou o verdadeiro objetivo daquele lugar sagrado: “A minha casa será chamada casa de oração para todos os povos”. Portanto, nada de irreverência diante das coisas sagradas! Respeitemos a Casa de Deus! Respeitemos os lugares santos! E, sobretudo, não nos contentemos com as aparências da fé, mas ofereçamos ao Senhor os frutos de uma vida verdadeiramente convertida. Que Deus nos ajude!
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Evangelho do dia comentado por Padre Dennys (Mc 10,46-52) Quinta-feira da oitava semana do Tempo Comum, 28/5/2026 “Jesus, filho de Davi, tem piedade de mim!” Há encontros que marcam profundamente a nossa vida. Existem encontros que nos amadurecem, que nos transformam, que nos levantam, que nos aproximam de Deus e nos tornam pessoas melhores. Mas também existem encontros que nos ferem, aprisionam, afastam da verdade, que nos adoecem interiormente e nos mergulham na escuridão. E, certamente, nenhum encontro seja tão transformador quanto um verdadeiro encontro com Jesus Cristo. Foi exatamente isso que aconteceu no evangelho de hoje. São Marcos nos apresenta Bartimeu. Um homem cego, mendigo, sentado à beira do caminho. Humanamente falando, Bartimeu parecia apenas mais um homem esquecido no meio da multidão, mas havia algo profundamente bonito dentro dele: ele reconhecia sua pobreza, suas necessidades E aqui está o início de toda verdadeira conversão: reconhecer que precisa mudar, que tem necessidade de Deus. Bartimeu reconhece sua necessidade. Ao ouvir que Jesus estava passando, começou a gritar:“Jesus, filho de Davi, tem piedade de mim!” Que grito extraordinário! Não é apenas um pedido. É o grito de uma alma que sabe que sozinha não consegue sair da própria escuridão. O mais impressionante é que muitos tentavam fazê-lo calar-se. O evangelho diz que o repreendiam, mas Bartimeu gritava ainda mais forte. Isso possui enorme profundidade espiritual, porque sempre existirão vozes tentando nos afastar de Jesus: vozes do pecado, do orgulho, do desânimo, do egoísmo, das ilusões do mundo e até de pessoas que não compreendem nossa busca por Deus. Mas Bartimeu não desistiu. Talvez porque tivesse compreendido que aquele encontro poderia mudar completamente sua vida. Quantas pessoas hoje vivem espiritualmente sentadas à beira do caminho! Elas estão feridas, cansadas, paralisadas, sem esperança, presas em pecados, dominadas por apegos e carregando vazios interiores. E o mais triste: muitas vezes nos acostumamos com nossa cegueira espiritual. Sim, podemos nos acostumar com o pecado, com a superficialidade, com uma vida espiritual morna, com os mesmos erros e com regiões do coração que ainda não pertencem verdadeiramente a Deus. Bartimeu nos ensina exatamente o contrário. Ele não se conforma. Ele grita. Ele busca Jesus. Existe ainda outro detalhe profundamente bonito no evangelho. Quando Jesus o chama, Bartimeu imediatamente lança fora o manto. O manto talvez fosse uma das poucas coisas que possuía. Era proteção, segurança. Talvez até símbolo de sobrevivência. Mas, diante do chamado de Jesus, Bartimeu deixa tudo para trás. Que imagem extraordinária! Porque ninguém segue verdadeiramente Jesus sem precisar abandonar algo. Sempre existirão “mantos” que precisarão cair: pecados, apegos, orgulho, falsas seguranças, vícios, autossuficiência e tudo aquilo que impede a alma de caminhar livremente atrás do Senhor. Então Jesus pergunta:“Que queres que eu te faça?” Que pergunta impressionante! Jesus sabia que Bartimeu era cego, mas queria ouvir dele o reconhecimento da própria necessidade. E Bartimeu responde:“Mestre, que eu veja!” Talvez essa também precise ser hoje a nossa oração: Senho, faz-me enxergar meus pecados, meus apegos, minhas ilusões, minhas regiões ainda não convertidas e tudo aquilo que ainda me afasta de Ti!. Pois bem, o evangelho termina dizendo que Bartimeu recuperou a vista e começou a seguir Jesus pelo caminho. Bartimeu não recuperou apenas a visão dos olhos. Ele recuperou a esperança, a dignidade, a direção da vida e a capacidade de seguir Jesus. Depois daquele encontro, sua vida nunca mais foi a mesma. E eis o que acontece quando alguém encontra verdadeiramente Cristo: a vida muda. Que também nós hoje tenhamos coragem de gritar:Jesus, filho de Davi, tem piedade de mim!” Que Jesus nos cure de nossa cegueira!
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Evangelho do dia comentado por Padre Dennys (Mc 10,32-45) Quarta-feira da oitava semana do Tempo Comum, 27/5/2026 “Deixa-nos sentar um à tua direita e outro à tua esquerda, quando estiveres na tua glória!” Como é difícil essa nossa natureza humana corrompida! Como é difícil lutar contra esse tal “homem velho” que ainda vive em nós! Sim, mesmo estando pertinho de Jesus, vemos claramente como esse “homem velho” continua se levantando dentro do coração humano, querendo aparecer, dominar, receber reconhecimento, ocupar os primeiros lugares e alimentar continuamente o próprio ego. Ora, podemos ver isso claramente no santo evangelho de hoje. Enquanto Jesus falava: de sofrimento, de entrega, de humilhação, de cruz e de morte, os apóstolos Tiago e João aproximaram-se dele com um pedido profundamente marcado pelas glórias humanas. Disseram eles: “Deixa-nos sentar um à tua direita e outro à tua esquerda, quando estiveres na tua glória!” Que contraste impressionante! Enquanto Jesus caminhava em direção ao Calvário, os discípulos ainda pensavam em posições, em honra, em reconhecimento e em grandeza humana. Pobres homens! Não eram homens maus. Tinham deixado tudo por Jesus, trabalhavam pelo povo, caminhavam diariamente ao lado do Senhor, mas ainda carregavam dentro de si muitas regiões que precisavam ser transformadas. Estavam próximos de Jesus fisicamente, mas ainda precisavam permitir que Jesus transformasse profundamente seus corações. E talvez aqui exista uma verdade muito importante para todos nós. É possível rezar, servir, trabalhar para Deus, participar da Igreja e até realizar coisas boas, mas ainda carregar orgulho, vaidade, desejo de reconhecimento, egoísmo e necessidade de ocupar os primeiros lugares. O “homem velho” não desiste facilmente. Assim também acontece conosco. Quantas vezes também nós buscamos reconhecimento, queremos ser valorizados, ficamos feridos quando não somos notados, desejamos ocupar os primeiros lugares ou fazemos até coisas boas misturadas com vaidade e desejo de aparecer? Quantas vezes nosso coração ainda se deixa dominar pelo egoísmo, pela autossuficiência, pela necessidade de aprovação e pelas glórias humanas? Por isso precisamos rezar mais, vigiar mais, adorar mais e lutar mais contra tudo aquilo que ainda não pertence verdadeiramente a Deus dentro de nós. Pois bem, Jesus não ficou satisfeito com o pedido dos dois e lhes disse: “Vós não sabeis o que pedis. Por acaso podeis beber o cálice que eu vou beber? Podeis ser batizados com o batismo com que vou ser batizado?” Pois é, meus amados, muitas vezes também nós não sabemos o que estamos pedindo. Agimos sem discernimento, sem maturidade espiritual, sem escutar verdadeiramente o Espírito Santo, e movidos muito mais pelos impulsos do ego do que pela vontade de Deus. E aquele pedido gerou divisão entre os apóstolos criou mal-estar, tensão, disputa. É isso que o egoísmo faz. Quando o “homem velho” é alimentado, surgem divisões, competições, comparações, ressentimentos e disputas por espaço e reconhecimento. Jesus, porém, corrige a todos dizendo:“Quem quiser ser grande, seja vosso servo; e quem quiser ser o primeiro, seja o escravo de todos.” Que palavra desconcertante! O mundo ensina a subir, aparecer, dominar, vencer e ocupar os primeiros lugares. Jesus ensina exatamente o contrário: a verdadeira grandeza nasce no serviço, na humildade, na entrega e no amor que não busca reconhecimento. Que Deus nos ajude a combater diariamente esse “homem velho” que ainda deseja aplausos, honras, reconhecimento e grandezas humanas. E que cresça dentro de nós o homem novo, formado à imagem de Cristo Servo. Lutemos mais!
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