ESTOICISMO
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频道 ESTOICISMO (@estoicismo) 葡萄牙语 语言赛道中的 是活跃参与者。目前社区聚集了 10 347 名订阅者,在 动机与名言 类别中位列第 2 341,并在 巴西 地区排名第 4 071 位。
📊 受众指标与增长动态
自 невідомо 创建以来,项目保持高速增长,吸引了 10 347 名订阅者。
根据 11 十月, 2026 的最新数据,频道保持稳定运转。过去 30 天订阅人数变化为 -18,过去 24 小时变化为 0,整体触达仍然可观。
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- 互动率 (ER): 平均受众互动率为 7.06%。内容发布后 24 小时内通常能获得 2.48% 的反应,占订阅者总量。
- 帖子覆盖: 每篇帖子平均可获得 731 次浏览,首日通常累积 257 次浏览。
- 互动与反馈: 受众积极参与,单帖平均反应数为 30。
- 主题关注点: 内容集中在 marco, aplicação, aurélio, escolha, controle 等核心主题上。
📝 描述与内容策略
作者将该频道定位为表达主观观点的平台:
“Coleção de citações encontradas em meus estudos.
estoicismo@protonmail.com”
凭借高频更新(最新数据采集于 12 十月, 2026),频道始终保持新鲜度与高覆盖。分析显示受众积极互动,使其成为 动机与名言 类别中的关键影响点。
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#284 — Persistir e resistir
"Deixe o passado para trás, deixe o grande projeto cuidar do futuro, e guie apenas o presente para reverência e justiça. Reverência para que você possa amar o que lhe foi alocado, pois a natureza lhes deixou próximos um ao outro. Justiça para que você fale a verdade e sem evasão, e para que você aja apenas como a lei e os valores das coisas requerem."
— Marco Aurélio
Aulo Gélio, escritor e jurista romano, uma vez disse: "Se qualquer pessoa levasse duas palavras a sério e fizesse o necessário para se vigiar segundo elas, ela viveria uma vida tranquila e impecável. Essas duas palavras são: persistir e resistir".
Uma das máximas estoicas é "sustine et abstine", normalmente dita por Epictetus. Em bom português isso significa "suporta e abstém". Suporte os males que lhe forem infligidos e que você não pode controlar, e se abstenha das coisas que podem lhe colocar na direção desses males.
Palavras diferentes, mas com o mesmo significado do que Aulo Gélio afirmou: persista e resista. Persista durante os maus momentos e resista aos impulsos ruins.
É um excelente conselho. Mas que princípios usar para determinar quando persistir e ao que resistir?
Marco Aurélio já nos deu a resposta: reverência e justiça. Em outras palavras, guiar nossas ações pelas virtudes.
Aplicação pessoal
Desde o início, Epictetus insistiu que aprendêssemos a separar o que podemos controlar do que não está na nossa esfera de controle. E ele já ofereceu a resposta várias vezes.
O que podemos controlar é a nossa mente. Nossas percepções do mundo. Como reagimos ao que acontece ao nosso redor e dentro da nossa mente. O que não podemos controlar é todo o resto. O mundo, as pessoas, os eventos externos, as opiniões alheias, quando o gato arranha o sofá.
Separar o que podemos controlar do que não podemos também nos diz a coisa certa ao fazer:
"Onde então, eu procuro o bem e o mal? Não em eventos incontroláveis, mas em mim, nas escolhas que são minhas."
– Epictetus
Desde o início ele tentou trazer nossa atenção para o desenvolvimento das virtudes, princípios e valores. Elementos essenciais para uma vida com mais escolhas certas do que erradas.
Marco Aurélio também já respondeu quais as virtudes que devem ser apreciadas: justiça, coragem, autocontrole e honestidade. Ou usando os termos das virtudes cardinais estoicas: sabedoria prática, coragem, temperança e justiça
Toda a teoria você já tem, então como desenvolver as virtudes? Prática. Não existe outra forma e por isso nossos professores insistem tanto para agirmos da forma correta sempre. E eles fizeram mais do que era necessário: eles ensinaram a teoria e mostraram como aplicá-la.
Separe o que você pode controlar do que você não pode. Aja com gentileza e respeito independentemente da pessoa com quem está interagindo. Se for errado, não faça; se for mentira, não diga etc.
Simplificando: pergunte-se se sua avó gostaria que você fizesse algo. Se ela não aprovar, não faça.
Todas as diretrizes já foram dadas. Basta você segui-las. (Vovó está de olho).
Sustine et abstine.
@estoicismo | texto por Sabrina A. (2017)
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#283 — A lei da colheita
"Crimes frequentemente retornam aos seus professores."
— Sêneca em Thyestes
É irônico pensar que a frase de Sêneca se provou verdadeira não apenas para o seu personagem, mas para o próprio autor.
Pelo que sabemos, durante anos Sêneca foi mentor do imperador Nero — além de ter sido parte da corte de Calígula. Existem evidências que mostram que Sêneca foi uma boa influência para o jovem tirano, mas mesmo na sua época, o seu comportamento foi considerado estranho: um filósofo que aceitou ser professor de uma pessoa tão desequilibrada e perigosa. Talvez hipócrita seja a palavra correta.
Instruções sangrentas que são ensinadas, observou Shakespeare em Macbeth, retornam para atormentar o criador. A colaboração de Sêneca o levou a ser assassinado pelo seu seu aluno (uma ordem de suicídio) apesar de, durante alguns anos, ter conseguido conter os impulsos tirânicos do imperador.
A hipocrisia de Sêneca, evitável ou não, cobrou um preço alto. A sua também vai ter um preço.
Aplicação pessoal
No documentário Minimalism: A Documentary About the Important Things, disponível no Netflix, Ryan Nicodemus menciona um momento que o fez parar para pensar o que estava fazendo com sua vida: ele estava ensinando pessoas a vender celulares… para crianças de 5 anos. O objetivo? Você já deve ter imaginado: mais vendas, mais dinheiro, outra promoção.
Se você age de forma inadequada ou se mostra um mau exemplo para seus funcionários, sua chefe, sua família, seus filhos, suas amigas, quais as chances deles lhe machucarem ou lhe traírem no futuro? Quais as chances de você perder a confiança dessas pessoas?
O que vai, volta. Cada ação tem uma reação — seja positiva ou negativa. Podemos chamar isso de karma ou lei da conservação da força, o que você preferir.
O que você faz agora pode não ter um resultado imediato, mas cedo ou tarde as consequências dos seus atos vão lhe alcançar. Então pense bem antes de fazer algo que não deveria.
@estoicismo | texto por Sabrina A. (2017)
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#282 — Defina os padrões (Você consegue aquilo que tolera)
"Quando os padrões são definidos, as coisas podem ser testadas e ponderadas. E o trabalho da filosofia é precisamente isto, examinar e defender os padrões, mas o trabalho de uma pessoa verdadeiramente boa está em usar esses padrões."
— Epictetus
Boa parte dos nossos dias é gasta com ações reativas.
Uma ação atrás da outra é realizada sem que jamais pensemos: isso que eu estou prestes a fazer está de acordo com o que eu acredito/valorizo? Ou melhor: a pessoa que eu gostaria de ser deveria estar fazendo isso?
Um dos trabalhos dos vivos é definir padrões e não comprometê-los, não importa se você está escovando os dentes, indo para academia, escolhendo amigos, perdendo a cabeça, trabalhando, instruindo seus filhos ou caminhando com seu cachorro.
O fato de uma ação ser pequena, considerada quase como insignificante, não justifica abrir mão daquilo que você definiu como um padrão. Essas pequenas ações, com o tempo, somam em coisas gigantescas.
Defina um padrão e se agarre a ele. É tudo o que importa. Todo o resto se ordenará com base naquilo que você escolher.
Aplicação pessoal
Tony Robbins tem o costume de dizer que você consegue aquilo que você tolera. Em outras palavras: os padrões que você aceita regem suas ações. O que Robbins afirmou está em concordância com as palavras de Epictetus.
Se você tolera comer fast-food todos os dias, se você tolera estudar 3h sem interrupção, se você tolera sentar todas as noites na frente da TV até dormir, se você tolera um chefe que lhe trata mal ou se você tolera que apenas lhe tratem com respeito, é assim que sua vida funcionará.
A dificuldade reside em desenvolver consciência sobre esses padrões. Neste momento, os limites são seus melhores amigos. Não diga que vai caminhar com o cachorro. Diga que vai caminhar com o cachorro por 30 minutos, e caminhe a porra dos 30 minutos.
No período da reabilitação, eu tinha aproximadamente 8h de fisioterapia por semana. Só faltava uma sessão por motivos de: doença ou algum compromisso de natureza profissional. O padrão era esse. Fim.
Stephen King só sai do escritório quando escreve 2000 palavras. Até que isso aconteça, ele fica trancado olhando o papel ou computador.
Adaptando um pouco as palavras de Bruce Lee, descarte os padrões que não lhe servem, adote aqueles que são sinérgicos com seus planos, e adicione aquilo que é unicamente seu.
@estoicismo | texto por Sabrina A. (2017)
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#281 —Uma opção aos prazeres
"Sim, conseguir o que você quer teria sido bom. Mas não é por isso que os prazeres nos atraem? Ao invés disso, veja se estas coisas não são ainda melhores: uma grande alma, liberdade, honestidade, gentileza, santidade. Pois não há nada mais prazeroso do que a sabedoria quando você considera quão seguros e fáceis o entendimento e o conhecimento são."
– Marco Aurélio
Prazeres são bons. Fim de discussão.
Mas Marco Aurélio lembrou a si mesmo — e a nós — que eles não são superiores às virtudes.
A sensação da dopamina se espalhando ao comprar algo, o orgulho de conseguir alcançar algum objetivo. São sensações boas, mas tudo isso é momentâneo e nos deixa desejando mais.
O que, então, dura mais e permanece dentro do nosso círculo de controle?
Sabedoria. Caráter. Sobriedade. Gentileza. Honestidade.
Aplicação pessoal
No livro Minimalism, contribuição é um dos cinco valores que o Joshua e o Ryan definem para uma vida plena. E Marco Aurélio já nos lembrou que realizar atos positivos gera sensações boas.
Hoje, ele não afirmou que devemos abrir mão daquilo que apreciamos. Apenas alertou para uma escolha: entre fazer uma boa ação, alguma contribuição, e se entregar a algum desejo, o que você acha que vai ter efeitos mais duradouros?
Você não deve ser privar dos seus desejos, mas lembre-se que fazer algo por alguém gera sensações melhores do que os minutos de alegria pós-compra.
@estoicismo | texto por Sabrina A. (2017)
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#280 — Uma razão egoísta para ser uma boa pessoa
"A pessoa que faz algo errado, comete um erro contra si mesma. Aquele que não é justo é injusto em relação a si — o que o torna maligno."
— Marco Aurélio
Quando você faz algo positivo, como você se sente? E quando faz algo negativo ou ferra com alguém? No primeiro momento, você pode até se sentir poderoso(a), mas duvido muito que continuará dizendo "Eu me senti muito bem!", mesmo que seja em relação a alguém que você deteste.
Em cenas de crime, é fácil ver pessoas vomitando ou se tremendo. Obviamente, existem exceções — aqueles que não sabem separar o correto do errado e têm seus valores invertidos. Nos outros casos, ao invés da catarse da vingança, a única coisa que conseguem é ficar doentes, fisicamente e psicologicamente.
Nós sentimos uma versão disso quando mentimos, traímos ou deliberadamente escolhemos ferrar alguém.
Consciência e transgressões não andam juntas. Se você escolher o último, cedo ou tarde a consciência encontrará você. Então, esteja preparado(a).
Aplicação pessoal
Em Crime e Castigo, Rodion Raskólnikov decide assassinar uma pessoa acreditando que sua morte contribuirá para o bem maior e mostrará que ele era alguém extraordinário — alguém que tinha o direito não escrito de violar as leis e regras se suas intenções fossem úteis à comunidade.
Rodion comete o assassinato. E começa a ser atormentado pela angústia do crime, entrando em um profundo estado de paranoia.
O que Dostoiévski relatou no livro acontece no mundo real. As pessoas cometem atos mal intencionados acreditando que está em seu direito e depois são sobrecarregadas pelo peso da culpa.
Se você ainda precisa de uma razão para ser uma boa pessoa, aqui está uma: faça o correto porque fará você se sentir bem.
@estoicismo | texto por Sabrina A. (2017)
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#279 — Por que ficar feliz com o sucesso alheio
"Está de acordo com a Natureza mostrar afeição e celebrar os avanços dos amigos como se fossem nossos. Porque se não fizermos isso, a virtude, que é fortalecida apenas através do exercício das nossas percepções, não resistirá em nós."
— Marco Aurélio
Ver as outras pessoas progredindo é algo muito difícil, especialmente se nós estamos em um mau momento. Nossa mente caçadora-coletora suspeita que a vida seja um jogo de soma zero; se alguém ganha, alguém tem que perder para manter o equilíbrio.
Sêneca uma vez observou que é possível aprender a "se regozijar com o sucesso [dos outros] e ser movido pelos [seus] fracassos". Suas palavras refletem o que Marco Aurélio escreveu: sem essa capacidade, não temos como desenvolver a virtude — especialmente a justiça que dita como nos relacionamos com os outros.
Empatia e altruísmo se desenvolvem através da prática, não são habilidade congênitas.
Uma pessoa estoica aprende a ativamente ficar feliz pelas outras pessoas — mesmo quando isso pode vir às suas próprias custas. A prática constante ensina a colocar de lado a inveja e a possessão. E se outros conseguiram, você também consegue.
Aplicação pessoal
Ryan Holiday disse que existem três coisas que você precisa ter em mente para poder viver de forma menos reativa:
1. Por que você faz o que faz?
2. Como você quer viver? (Quando você não sabe o que quer, mais se torna o padrão).
3. Decida que ficará OK com o que os outros fazem.
O terceiro ponto não vem sem prática.
Há meses todas as minhas tentativas resultaram em… nada. Enquanto isso, meus ex-colegas e amigos acumulavam pequenas conquistas. Nesses momentos em que a irritação ou a sensação de ser vítima do universo (Navalha de Hanlon) surgia ou o próprio ego insistia que eu era melhor que eles, eu mandava uma mensagem simpática para alguma pessoa.
Parabenizava qualquer coisa que viesse à mente ou só me mostrava solícita. Em poucos minutos, tudo desaparecia e eu lembrava que todos estamos no mesmo barco, mas não na mesma função. E todas elas são necessárias para o barco não afundar.
A vida não é um jogo de soma zero. Na verdade, estamos todos jogando com a vida — com algo difícil e imprevisível — e qualquer vitória deve ser comemorada, seja sua ou não.
@estoicismo | texto por Sabrina A. (2017)
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#279 — Por que ficar feliz com o sucesso alheio
"Está de acordo com a Natureza mostrar afeição e celebrar os avanços dos amigos como se fossem nossos. Porque se não fizermos isso, a virtude, que é fortalecida apenas através do exercício das nossas percepções, não resistirá em nós."
— Marco Aurélio
Ver as outras pessoas progredindo é algo muito difícil, especialmente se nós estamos em um mau momento. Nossa mente caçadora-coletora suspeita que a vida seja um jogo de soma zero; se alguém ganha, alguém tem que perder para manter o equilíbrio.
Sêneca uma vez observou que é possível aprender a "se regozijar com o sucesso [dos outros] e ser movido pelos [seus] fracassos". Suas palavras refletem o que Marco Aurélio escreveu: sem essa capacidade, não temos como desenvolver a virtude — especialmente a justiça que dita como nos relacionamos com os outros.
Empatia e altruísmo se desenvolvem através da prática, não são habilidade congênitas.
Uma pessoa estoica aprende a ativamente ficar feliz pelas outras pessoas — mesmo quando isso pode vir às suas próprias custas. A prática constante ensina a colocar de lado a inveja e a possessão. E se outros conseguiram, você também consegue.
Aplicação pessoal
Ryan Holiday disse que existem três coisas que você precisa ter em mente para poder viver de forma menos reativa:
1. Por que você faz o que faz?
2. Como você quer viver? (Quando você não sabe o que quer, mais se torna o padrão).
3. Decida que ficará OK com o que os outros fazem.
O terceiro ponto não vem sem prática.
Há meses todas as minhas tentativas resultaram em… nada. Enquanto isso, meus ex-colegas e amigos acumulavam pequenas conquistas. Nesses momentos em que a irritação ou a sensação de ser vítima do universo (Navalha de Hanlon) surgia ou o próprio ego insistia que eu era melhor que eles, eu mandava uma mensagem simpática para alguma pessoa.
Parabenizava qualquer coisa que viesse à mente ou só me mostrava solícita. Em poucos minutos, tudo desaparecia e eu lembrava que todos estamos no mesmo barco, mas não na mesma função. E todas elas são necessárias para o barco não afundar.
A vida não é um jogo de soma zero. Na verdade, estamos todos jogando com a vida — com algo difícil e imprevisível — e qualquer vitória deve ser comemorada, seja sua ou não.
@estoicismo | texto por Sabrina A. (2017)
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#278 — Marco Aurélio sobre como ser um cidadão
"O que não é bom para a colmeia, não é bom para a abelha."
— Marco Aurélio
Marco Aurélio foi um dos primeiros escritores (mesmo que sem intenção de ser publicado) que articulou a ideia de cosmopolitismo: "sou um cidadão do mundo, não apenas de Roma". A ideia da abelha e da colmeia é um lembrete dessa perspectiva.
Em outro ponto, Marco também escreve a ideia reversa: "o que não pode machucar a comunidade, não pode machucar o indivíduo". O que é bom para a colmeia, é bom para a abelha.
Se algo é ruim para você, não significa que seja ruim para todos. Se algo é bom para você, definitivamente não vai ser bom para o resto.
Imagine uma pessoa que ganha dinheiro vendendo informações suas para outros. Quando ela ganha, significa que você perdeu muita coisa (incluindo privacidade). E esse é o tipo de pessoa que você quer ser?
Uma pessoa estoica entende que os impulsos adequados e as ações corretas beneficiam o todo. E que a soma desses atos positivos retorna de forma positiva para o indivíduo.
Aplicação pessoal
No último final de semana, um atirador disparou do 32º andar de um hotel na direção de um festival de música country. Dezenas de pessoas morreram e centenas ficaram feridas.
Neste mesmo final de semana, uma outra pessoa pode ter passado horas em pé cozinhando para pessoas sem-teto ou ensinando crianças de uma comunidade carente.
Não é preciso forçar a massa cinzenta para saber qual ação é positiva para a comunidade e qual não é.
Como não podemos controlar outras pessoas, precisamos nos perguntar: que tipo de ações nós estamos fazendo ou estimulando? As que contribuem pra a colmeia, ou as que estão destruindo-a?
Nunca é tarde para começar algum tipo de contribuição — seja em termos de tempo, atenção, dinheiro ou energia.
@estoicismo | texto por Sabrina A. (2017)
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#277 — Marco Aurélio sobre a interdependência das coisas (ou uma pista sobre genialidade de Da Vinci)
"Medite frequentemente na interconectividade e interdependência mútua de todas as coisas do universo. Pois, em certo sentido, tudo foi mutuamente entrelaçado e, portanto, possui afinidade — porque uma coisa segue outra de acordo com as tensões do movimento, suas agitações e a unidade de toda substância."
— Marco Aurélio
Todos os escritores, disse Anne Lamott, são pequenos rios correndo na direção do mesmo lago. Todos contribuem para o mesmo grande projeto. O mesmo é verdade para tantas outras indústrias, apesar de tantas pessoas trabalharem de forma egoísta, esquecendo que trabalho é algo comunitário.
A interconectividade das coisas é outro ponto em que os Estoicos insistem em seus textos. Uma razão pode ter sido a vida complicada em Roma e na Grécia.
Pessoas e animais eram massacrados no Colosseo para diversão de outros. Países eram conquistados e a população era vendida como escrava. O tipo de crueldade que é possível quando esquecemos que tudo (e todos) está relacionado, de uma forma ou de outra.
Uma palavra ríspida pode ecoar na mente de alguém por anos. A falta de gentileza pode ter efeitos que durem semanas. Um ato de crueldade pode repercutir por séculos.
Estamos todos no mesmo barco. Não faça algo que pode afundá-lo mais rápido.
Aplicação pessoal
Leonardo Da Vinci é considerado o maior gênio da história, desenvolvendo habilidades tanto científicas quanto artísticas. Em relação a sua genialidade, temos uma frase a ele creditada:
"Para desenvolver uma mente completa: estude a arte da ciência; estude a ciência da arte. Aprenda a ver. Perceba que tudo se conecta a todo o resto."
Genialidade/inovação não é uma epifania. Não é uma ideia bilionária surgida em um sonho. É saber conectar os pontos, conectar ideias. Benjamin Hardy entende esse conceito, por essa razão ele é o Medium Writer #1.
Da mesma forma que o conhecimento, todas as nossas escolhas, decisões e ações também estão conectadas. Uma ação hoje irá gerar uma cadeia de ações derivadas que afeta você e todo o resto.
Pense em uma gerente que demitiu um funcionário. As ações da gerente influenciam ela mesma, a equipe, os clientes, o funcionário, a família do funcionário e pode continuar se estendendo por mais dezenas de pessoas.
Ou um escritor que se trancou no seu apartamento para escrever seu magnum opus. A escolha dele afeta sua rotina, sua família, seus amigos, até mesmo o entregador de pizza. No fim, ele pode ter produzido um livro fantástico com interdependência entre conhecimentos que afetará milhares de pessoas de forma positiva — mas até finalizar o livro, outras centenas já foram afetadas.
Você pode escolher como vai agir — se vai ser o bom, o mau ou o feio — , mas lembre-se que suas escolhas não estão limitadas apenas a você. E na dúvida, ouça Marco Aurélio: "sempre aja com gentileza porque nenhuma outra resposta é aceitável".
@estoicismo | texto por Sabrina A. (2017)
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#276 — Cuidado com o que você diz
"É melhor tropeçar com os pés do que com as palavras."
— Zenão de Cítio
Você sempre pode se levantar depois de cair, mas você não pode remover o que foi dito. Especialmente se foram coisas cruéis.
Escolha bem suas palavras porque elas sempre acham o caminho até o alvo.
Aplicação pessoal
Voltemos a uma das principais recomendações dos estoicos: pare e pense antes de fazer algo.
Não importa se você está prestes a explodir de raiva. Se você quer xingar algum motorista babaca que passou por cima de uma poça e lhe molhou inteira(o). Se você quer reclamar com a diarista ou com algum funcionário por causa de algo que fizeram e lhe irritou.
Em nenhum momento se entregue às primeiras palavras que vierem à boca. Pessoas não respondem a palavras cruéis — e nunca as esquecem.
Sempre existe uma escolha mais gentil.
@estoicismo | texto por Sabrina A. (2017)
10 346
#275 — O investimento que vale a pena
"Mas a pessoa sábia tem nada a perder. Tal pessoa tem tudo armazenado para si mesma, deixando nada para a Sorte. Seus bens estão garantidos e firmemente acoplados à virtude, que nada requer do acaso, e, portanto, não podem ser diminuídos ou aumentados."
— Sêneca
Você pode investir em bens — ações, propriedades, títulos. Você pode investir em relacionamentos e conquistas. E você pode investir em você. Como sugere Sêneca, ser uma pessoa melhor e mais sábia.
Entre todas as opções de investimentos que você pode fazer, qual é praticamente imune à flutuação dos mercados? Qual é a opção que auxiliará quando você confrontar um problema? Qual jamais lhe abandonará?
Viktor Frankl relatou que as pessoas ao serem levadas aos campos de concentração, perdiam tudo. Um homem, ao ser questionado quem era, ele afirmou que era um profissional com vários diplomas. Os soldados, então, queimaram todos os diplomas do homem e ele caiu de joelhos porque achou que não tinha mais nada na vida.
Ele esqueceu que ainda tinha algo e que os diplomas não eram ele. Ele era mais do que umas folhas de papel carimbadas. Todo o conhecimento que o levou a adquirir os diplomas ainda lhe pertencia.
Mais importante do que o dinheiro que você tem na conta, do que seus diplomas, certificados e troféus, é quem você é. Ouça as palavras de Sêneca: invista em você. Esse é o único investimento em que você não tem como perder os rendimentos.
Aplicação pessoal
Sêneca teve uma vida interessante. Ele se tornou um homem rico por ter amizade com imperadores. Depois foi exilado com base em acusações que ninguém sabe se eram falsas ou não. Quando finalmente regressou à cidade Roma, foi por ordens da mãe do novo imperador. Ela queria que Sêneca se tornasse o tutor do seu filho.
Essa mulher se chamava Agripina e seu filho era Nero.
Durante anos Sêneca conseguiu conter as tendências do imperador. Mas à medida que Nero se tornava mais e mais desequilibrado, Sêneca percebeu que precisava abandonar sua posição de tutor. Então, ele fez uma oferta: ele entregaria ao imperador sua fortuna e devolveria todos os presentes que recebeu. Em troca disso, Sêneca receberia liberdade. Abandonaria seu posto sem nenhuma punição.
Nero negou a oferta, mas Sêneca partiu do mesmo modo, vivendo em relativa paz até o momento que um executor bateu à sua porta.
Ele carregava uma ordem de Nero: Sêneca deveria cometer suicídio. Nesse momento, em que você acha que Sêneca se apoiou?
No dinheiro? Nero já havia negado a oferta, dinheiro não fazia mais parte da questão. Nos amigos? Eles queriam o melhor para o filósofo, mas nenhum poderia mudar a ordem do imperador. Sêneca só tinha a si mesmo.
Durante anos ele estudou e praticou a filosofia. E no seu último momento, ele recorreu a todo esse investimento e cumpriu a ordem que lhe foi dada.
Você não vai receber uma ordem de Nero na sua porta ordenando seu suicídio. Mas qualquer investimento que você faça em si sempre vai contribuir para você superar os reveses da vida — que, convenhamos, não são poucos.
@estoicismo | texto por Sabrina A. (2017)
10 346
#274 — Por que reavaliar suas prioridades
“A luz de uma lâmpada não brilha e mantém sua intensidade até que seu combustível seja consumido? Por que então a verdade, justiça e autocontrole não devem brilhar até que você finde sua existência?”
— Marco Aurélio
“Nós mortais somos acendidos e extinguidos.” Essas palavras foram escritas por Sêneca em uma repetição das palavras de Heraclitus.
Na visão dos estoicos, logos, a ordem do universo, inunda todo o espaço e é a origem da nossa capacidade de raciocinar — o clique que acende a luz. Somos um pequeno pedaço dessa razão universal. E não importa se perdemos o contato com ela há um tempo, sempre podemos reencontrá-la porque ela faz parte de nós.
O hoje e o agora é um local tão bom quanto qualquer outro para estar em contato com logos e praticar todas as virtudes que dele se originam: verdade, justiça, coragem e autocontrole.
Aplicação pessoal
Uma das várias críticas que o estoicismo recebe é em relação a aparente ausência de sentimentos.
Estoicos não reprimem os sentimentos. Eles reconhecem o que sentem, refletem sobre suas causas e filtram de acordo com as quatro virtudes cardinais da filosofia, em outras palavras, eles usam os sentimentos de forma positiva.
“Por que então a verdade, justiça e autocontrole não devem brilhar até que você finde sua existência?”
Voltando às palavras de Marco Aurélio, se você é incapaz de seguir as virtudes e os valores que aceitou em sua vida, como você pode fazer as escolhas corretas dado o seu contexto atual? Você vai escolher perder a cabeça e fazer merda ao invés se controlar e achar uma solução. Você vai escolher fazer horas extras ao invés de jantar com a família, mesmo quando prometeu que estaria em casa antes da 20h. Você vai escolher Netflix and chill quando tem trabalho a fazer. E isso acontecerá de forma reativa porque a reação inicial sugerida pelo seu cérebro vai parecer a correta. Você vai realizar uma ação sem filtrar a emoção que a originou.
Em todos os momentos, devemos ter em mente aquilo que é mais importante para nós e usar esses sinais como guias das nossas escolhas. Mas e se você perdeu de vista o que importa? Você sempre pode parar e reavaliar o que tem guiado suas decisões.
Se tudo parece confuso e sem sentido, está na hora de reavaliar suas prioridades. Se você quer mudar a forma que vê seus problemas, você deve mudar aquilo que você valoriza ou sua métrica de “sucesso”.
@estoicismo | texto por Sabrina A. (2017)
10 346
#273 — Ninguém pode limitar sua mente
"Se você colocar suas mãos violentas em mim, você terá meu corpo, mas minha mente permanecerá com Estilpo."
— Zenão de Cítio
Zenão não tinha poderes mágicos para impedir que algo negativo acontecesse ao seu corpo físico, seja o mal provocado por outros ou os infortúnios da natureza — acidentes, doenças.
Mas ele tinha um poder absoluto: o de proteger a mente de qualquer dano, habilidade cultivada sob os ensinamentos de Estilpo. Nas palavras de Marco Aurélio, ele tinha acesso à sua fortaleza interior.
Assim como Zenão, você tem a mesma habilidade. Espero que você nunca precise usá-la em situações de violência ou de injustiça, mas no meio do caos ou frente a qualquer adversidade, ela está ali. Sempre disponível.
Não importa o que aconteça a você, não importa o que o mundo externo jogar no seu caminho, sua mente pode permanecer com a filosofia de Estilpo. Ela é sua. Ela é intocável. E, neste sentido, você também o é.
Aplicação pessoal
Na década de 1960, o pugilista Rubin Carter foi erroneamente acusado de homicídio triplo e, devido a um júri enviesado, considerado culpado e condenado a três prisões perpétuas.
Ao ser levado para a prisão, ele pediu para falar com o diretor e fez a seguinte declaração:
"Eu sei que você não teve nada a ver com a injustiça que me trouxe a esta prisão, então estou disposto a permanecer aqui até que possa sair. Mas eu não irei, em nenhuma circunstância, ser tratado como um prisioneiro — porque eu não sou e jamais serei impotente."
Carter poderia ter entrado em desespero, mas ele se recusou a entregar aquilo que era seu: sua atitude, suas crenças, suas escolhas. E qualquer um que encostasse nele devia estar preparado para uma briga.
Novamente, espero que você jamais precise usar essa habilidade em algum momento de injustiça ou violência. Mas se você se encontrar fisicamente limitado(a) ou impedido(a) por algum obstáculo, você não precisa deixar sua mente ficar confinada neste mesmo espaço.
Aquilo que afeta seu corpo não pode afetar sua mente.
Como disse Carter em outro momento: "Eu não reconheço a existência dessa prisão. Ela não existe para mim."
@estoicismo | texto por Sabrina A. (2017)
10 346
#272 — A carta curinga
"Quão apropriado que os deuses tenham colocado sob nosso controle apenas a habilidade mais poderosa e que governa todo o resto — a habilidade de fazer uso correto das aparências externas — e que eles não colocaram nada mais sob nosso controle. Foi simplesmente por que eles não queriam nos dar mais? Eu acredito que, se fosse possível, eles teriam nos dados mais, mas era impossível."
— Epictetus
Nós podemos pensar sobre o dia de amanhã e nos desesperar em relação a tudo que não podemos controlar. Outras pessoas. O trânsito. A temperatura. Se vai chover. Se o cliente vai aceitar a proposta. Se a academia estará lotada.
Ou podemos olhar para esse mesmo dia e apreciar tudo o que podemos controlar: a habilidade de decidir o que cada evento significará. Pode não parecer muito, mas trata-se de um poder absoluto — a verdadeira forma de controle.
Se humanos tivessem a habilidade de controlar outros humanos, os outros não teriam controle sobre você também? Uma habilidade inerente a uma espécie é acessível a todos da espécie, com algumas exceções.
Você não controla os outros nem o mundo externo, mas você tem pleno poder de escolher como responder a cada um deles. Incluindo em relação a essa coisa difícil na sua frente. Se você mudar a percepção, talvez ela deixe de ser tão assustadora.
Aplicação pessoal
No jogo de Canastra, tanto a carta número 2 (qualquer naipe) e o curinga podem substituir qualquer outra carta em uma sequência.
Se o mundo real fosse um jogo de Canastra, retornando às palavras de Epictetus, a nossa mente seria a carta curinga: ela pode interpretar o mundo real da forma que preferir e completar o sequência. Na verdade, é isso que fazemos a todo momento.
Segundo a psicóloga e professora Lisa Feldman, a cada momento acordados, nosso cérebro usa a experiência passada e conceitos aprendidos para guiar nossas ações e dar às nossas sensações algum significado. Se não tivéssemos essa habilidade, tudo ao nosso redor seria apenas ruído.
O que esquecemos é: temos controle sobre esse significado que o cérebro atribui às coisas. Ele pode gerar uma resposta aos padrões que recebeu como entrada, mas nós podemos dizer se está correta ou não. Podemos refutar a primeira percepção.
Bateram no seu carro. A resposta padrão será ficar enfurecido(a). Mas antes de você aceitar a sensação-resposta (o espaço entre estímulo e ação que Viktor Frankl mencionava), você pode parar e decidir que não é a melhor escolha. Então, você define uma nova sensação-resposta para esse caso — não se irritar e tentar conversar com o outro motorista para resolver o problema sem cuspir fogo ou xingar alguém. Faça isso por tempo suficiente e ela se tornará a resposta automática do cérebro (hábito).
Você sempre pode escolher como responder aos eventos do mundo externo. Basta lembrar que pode fazer essa escolha, ao invés de apenas reagir de acordo com a primeira sensação que o cérebro recomendar.
@estoicismo | texto por Sabrina A. (2017)
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#271 —Quando "mais" se torna o padrão
"Nada pode satisfazer a ganância, mas mesmo os pequenos atos satisfazem a natureza. Então a pobreza de um exílio não traz infortúnios, pois nenhum lugar no exílio é tão árido ao ponto de não poder oferecer suporte amplo a uma pessoa."
— Sêneca
Reflita um pouco sobre o que você considerava como normal.
Seu primeiro salário parecia enorme. Comer miojo no almoço para não gastar muito dinheiro era rotina. Seu primeiro quarto tinha o tamanho perfeito para caber tudo.
Hoje, as condições do passado não seriam mais suficientes. E é provável que você deseje ainda mais do que possui agora. Mas há alguns anos, tudo parecia suficiente. Tudo estava bem.
À medida que vamos nos tornando "bem sucedidos", esquecemos quão resilientes éramos. Na verdade, começamos a nos tornar frágeis, acreditando que não podemos viver sem o que temos agora.
Você vai ficar bem se as coisas derem errado. Você pode viver bem com muito menos do que acredita ser necessário para ter uma vida confortável. Se acredita que não consegue, é só revisitar algumas memórias.
(Só evite voltar ao miojo).
Aplicação pessoal
Há alguns anos vi uma reportagem sobre um homem que vivia em uma casa rural no Camboja e sobre um homem que vivia em um apartamento de luxo em Nova Iorque. Adivinhe qual deles era o mais feliz.
O cambojano, satisfazendo suas necessidades básicas, não sentia que precisava de outra coisa. Ele tinha uma família, um trabalho e uma vida feliz. Enquanto isso, o nova-iorquino vivia insatisfeito.
Ryan Holiday afirmou: “Quando você não sabe o que quer, MAIS se torna o padrão.” Quanto você precisaria ganhar por mês para viver bem? O que você precisa ter para viver de forma confortável?
A probabilidade de você ter respondido algo muito acima da sua necessidade real é grande. E o próprio Holiday sugere que quanto mais cedo você achar a resposta para essas perguntas, melhor. Você viverá de forma menos reativa.
Ryan queria uma fazenda no Texas, animais no quintal, escrever e poder correr todos os dias. Ele também é um autor de best-sellers, mas isso é efeito colateral do bom trabalho que ele faz. O que ele realmente desejava, ele já conseguiu — o resto é um bônus da vida.
Não se baseie nos outros, defina os limites adequados para suas necessidades e você não precisará se preocupar com escolhas. Nas palavras de Ido Portal, limites oferecem liberdade.
@estoicismo | texto por Sabrina A. (2017)
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#270 — O que a prosperidade vai revelar?
"Porque até mesmo a própria paz irá fornecer razão para a preocupação. Nem mesmo as circunstâncias positivas trarão confiança uma vez que sua mente está abalada — uma vez que ela tem o hábito de se desesperar, ela não pode fornecer a própria segurança. Pois ela não consegue evitar o perigo, apenas fugir."
— Sêneca
Existe um provérbio que afirma que o dinheiro não muda as pessoas, ele revela. Robert Caro levou a ideia um pouco além e escreveu que o poder não corrompe, ele também revela. Em muitos casos, a prosperidade — financeira e pessoal — funciona da mesma forma.
Como disse Sêneca, se sua mente desenvolveu o hábito de entrar em pânico, não importa quão boas as coisas são, você ainda está sintonizado(a) com o pânico. Não importa quanto você tenha, você ainda será infeliz — especialmente agora porque tem mais a perder. Você viverá em um mundo em que cada esquina esconde uma ameaça.
Logo, não existe muito sentido em desejar a boa sorte.
O mais lógico é desejar pela capacidade necessária para prosperar na boa ou na má sorte. Ou melhor, trabalhar para desenvolver as características necessárias. Assim, quando a boa sorte chegar, ela vai revelar uma pessoa resiliente. Não uma paranóica.
Aplicação pessoal
Pense em alguém que foi promovido, como consequência conseguiu um aumento significativo, além de um bônus. Quais as chances dessa promoção subir à cabeça de alguém? E quais as chances dela ficar paranóica, vendo inimigos em todos os cubículos do prédio?
Existem dezenas de tiranos paranóicos na história do mundo para ilustrar como poder, dinheiro e prosperidade revelam os piores lados do caráter de alguém. E nem eu nem você estamos imune a isso, mas podemos trabalhar para evitar esses efeitos indesejados.
Em suas cartas, Sêneca sempre dizia a Lucílio que, nos momentos de prosperidade, existe a oportunidade perfeita para treinar a resiliência e, de certa forma, o desapego. Voltamos ao praemeditatio malorum, tanto para não nos deixarmos levar pela sorte, quanto para não nos deixarmos dominar pelo pânico.
Portanto, aceite a sorte quando ela vier, mas mantenha em mente que:
1. As boas coisas não são eternas. Tudo chega a um fim, especialmente o bons momentos. Então, quanto mais cedo você se preparar para ele, melhor.
2. Se você tem o hábito de entrar em pânico, não importa quão boas sejam as suas circunstâncias, você entrará em pânico por qualquer coisa. Comece a treinar seu auto-controle e a aceitar a realidade de que nem sempre você vai ganhar.
3. O mundo não gira em torno de você. A sua promoção não vai incitar conspirações ou tentativas de assassinato por parte do Universo. Não atribua à malícia o que pode ser explicado pela estupidez (Navalha de Hanlon).
@estoicismo | texto por Sabrina A. (2017)
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#269 — O propósito oculto do lazer
"Lazer sem estudo é morte — uma tumba para o vivo."
— Sêneca
Você trabalha. Você se esforça. Você sacrifica.
Você merece férias.
Então pegue um avião, faça o check-in em um hotel e vá à praia.
Mas lembre-se de levar um livro. Não uma revista qualquer. Um livro.
Aproveite seu tempo de relaxamento como um poeta — não passivamente, mas ativamente. Observe o ambiente ao seu redor. Absorva. Entenda melhor seu lugar no mundo.
Tire uma folga do trabalho, mas não pare de aprender.
Talvez seu objetivo seja ter dinheiro suficiente para se aposentar cedo. Vá em frente. Mas o propósito de se aposentar não é viver uma vida de indolência ou esperar o seu tempo acabar sentado(a) no sofá assistindo ao Netflix ou Hulu.
Aposentadoria, ou qualquer tempo livre, é o momento de perseguir aquilo que lhe atrai. E é o momento perfeito porque durante suas folgas você não tem as obrigações ou distrações do mundo real.
Sentar no sofá o dia todo e não fazer coisa alguma não é uma vida. Também não é liberdade.
Aplicação pessoal
Bill Gates tem o costume de se retirar para um local calmo por duas semanas inteiras. Não são férias. Gates passa os 15 dias apenas analisando seus negócios, lendo, estudando, refletindo sobre suas escolhas.
Warren Buffett e Charlie Munger reservam horas inteiras dos seus dias apenas para ler.
O ato de Gates, Buffett e Munger se aproxima muito do que Sêneca afirmou na sua carta para Lucílio.
Precisamos viver. Mas viver depende de aprender a viver. Aprender quem somos, o que podemos fazer, o que devemos fazer, como o mundo funciona, como interpretar os eventos, como lidar com percepções.
Durante nossos dias, temos obrigações e prioridades; não devemos tolerar distrações. Quando finalmente estamos livres, devemos nos dedicar à nossa ferramenta mais versátil: nossa mente. Aproveite seus momentos livres para aprender algo, seja sobre o mundo, sobre uma habilidade ou sobre você.
Nas palavras de Henry Ford, "Aquele que para de aprender está velho. Seja aos vinte ou aos oitenta. A melhor coisa da vida é manter a sua mente jovem."
Na sua próxima viagem, lembre-se de levar um livro. Ou pare na livraria do aeroporto.
@estoicismo | texto por Sabrina A. (2017)
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#268 — Por que somos todos viciados (e como se libertar da servidão autoimposta
"Mostre-me alguém que não é um escravo! Um é escravo da luxúria, outro é escravo da ganância e outro do poder, e todos somos escravos do medo. Eu poderia nomear um ex-cônsul que é escravo de uma mulher idosa, um milionário que é escravo de uma moça da limpeza…nenhuma servidão é mais deplorável do que a autoimposta."
— Sêneca
Todos somos viciados de uma forma ou de outra.
Somos viciados nas nossas rotinas, no nosso café (guilty!), no conforto, na aprovação de outra pessoa. Essas dependências significam que não estamos no controle das nossas escolhas, a dependência está.
Epictetus disse que qualquer um que queira ser verdadeiramente livre não desejará algo que pertence a outra pessoa, exceto se o verdadeiro desejo é se tornar um escravo.
As pessoas pelas quais temos afeição podem sair de nossas vidas tão rápido quanto entraram. Nossas rotinas podem ser perturbadas por eventos externos. O médico pode nos proibir de beber café (espero que nunca aconteça). Podemos não ter mais água quente no chuveiro ou um ar condicionado no quarto.
Dada a imprevisibilidade do mundo, devemos testar nossas dependências antes que elas se tornem grandes demais.
Hoje, resista a algo que você considera como necessário. Será que vai ser tão ruim assim?
Aplicação pessoal
Uma filosofia com poucos princípios é mais fácil de ser estudada e aprendida do que uma que dependa de modelos complexos do mundo — o sistema razoável que você consegue seguir é melhor do que o perfeito que você abandona. Essa é uma das razões para os Estóicos são considerados como repetitivos, mas essa repetição é necessária.
Com Sêneca, voltamos a um dos exercícios preferidos: a prática do infortúnio (que já mencionei aqui, aqui, aqui e aqui, e em outros textos que não lembro o título).
Hoje você pode resistir a algo? Ao café (acredite ou não, eu consigo passar dias sem café). A atender ao celular assim que ele tocar. A responder os emails assim que chegarem na inbox. Ao banho quente. A perguntar a alguém se sua roupa está adequada ou deveria trocá-la.
Nesta semana você pode deixar seu carro de lado? Neste mês você pode mudar sua dieta? Abandonar alimentos processados e bebidas calóricas.
Para mim, jejum é um dos piores momentos da semana porque… eu adoro comer (mesmo que o vício não se reflita no meu peso). Mas isso é apenas minha dependência falando.
A percepção do evento tende a ser terrível e insuportável quando o evento em si não provoca qualquer dor ou incômodo. Mesmo que algo pareça impossível, comece. Nada é tão ruim quanto nossa mente faz parecer. Aprenda a se tornar invulnerável enquanto ainda pode.
@estoicismo | texto por Sabrina A. (2017)
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#267 — O local mais seguro que você irá encontrar
"Lembre-se que quando ela se retira em si mesma e encontra satisfação, a mente se torna invulnerável. Ela não fará nada contra si mesma, mesmo que a resistência seja irracional. E se o julgamento é deliberado e baseado na lógica…?
A mente sem paixão é uma fortaleza. Nenhum local é mais seguro. Uma vez que você se refugia lá, estará seguro para sempre. Não ver isso é ignorância. Ver e não buscar significa miséria."
— Marco Aurélio
Eu não temo o homem que praticou dez mil chutes uma única vez, disse Bruce Lee, eu temo o homem que praticou um chute dez mil vezes.
As artes marciais (ou qualquer tipo de combate) dependem de um estudo profundo do movimento. Como realizar cada passo da forma mais eficiente e precisa, e como tornar esse ato automático através da prática — criar um comportamento inconsciente.
Soldados e astronautas podem ser vistos como autômatos por terem construído uma base sólida de comportamentos que se tornaram inconscientes. Como soldados e astronautas são seres humanos (até onde sabemos), isso significa que o mesmo mecanismo está à nossa disposição.
Quando Marco Aurélio se refere a um local onde "ela não fará nada contra si mesma, mesmo que a resistência seja irracional", ele se refere à possibilidade de alterar os nossos hábitos através do treinamento.
Pense sobre os comportamentos que você gostaria que fossem automáticos. Quantos deles você praticou apenas uma vez?
Faça com que hoje seja a segunda vez.
Aplicação pessoal
Treine para não se entregar à raiva e você não ficará irritado(a) com as coisas pequenas.
"Ok, eu estou prestes a perder cabeça e arrancar os olhos de alguém. Respire fundo, solte o ar. Um. De novo… Dois…"
Treine para evitar fazer fofocas e você não fará parte dos círculos de conversa venenosos.
"Olha, eu tenho que voltar pra minha mesa, ok? Depois a gente se fala" ou a minha preferida: "Mas o que eu tenho a ver com o que ele/ela fez ou deixou de fazer?"
Treine para não pensar em excesso sobre um evento futuro e você não será vítima constante da ansiedade.
"O que acontecerá amanhã só diz respeito a amanhã. Agora, eu só preciso me preocupar com o que precisa ser feito agora. Certo, onde eu coloquei aquele livro…?"
Cada ação precisa ter um plano B e o dia-a-dia é o campo de treinamento para instituir os comportamentos que auxiliarão nos tempos de crise. ("Se me cortarem na avenida, eu vou gritar e buzinar ou vou agradecer porque o babaca não bateu no meu carro?")
É fácil? Não. Tudo o que é necessário nunca é fácil — é apenas simples. Mas cada ato bem sucedido de substituir o comportamento padrão é um passo mais próximo dos 10 mil chutes.
@estoicismo | texto por Sabrina A. (2017)
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#266 — Poderia ter sido com você
"O inesperado pesa em um desastre e ser surpreendido jamais falhou em aumentar a dor de alguém. Por essa razão, nada deve ser considerado como inesperado por nós. Nossas mentes devem contemplar antecipadamente todas as coisas e não deveríamos considerar apenas o curso normal das coisas, mas também o que poderia acontecer. Pois existe alguma coisa na vida que a Sorte não derrubará se assim desejar?"
— Sêneca
No ano 64, durante o reinado de Nero, um incêndio (que não foi iniciado pelo imperador) se espalhou pela cidade de Roma. Então, a cidade francesa de Lyon enviou uma grande soma de dinheiro para ajudar as vítimas.
No ano seguinte, os cidadãos de Lyon foram vítimas de um incêndio similar ao de Roma. Nero, apesar de instável e de índole questionável, enviou uma soma de dinheiro equivalente à que recebeu para ajudar os franceses.
Sêneca escreveu uma carta para um amigo ilustrando a grande ironia — uma cidade ajudando a outra, apenas para ser vítima de um desastre similar. Quase um texto poético.
"O inesperado pesa em um desastre e ser surpreendido jamais falhou em aumentar a dor de alguém. Por essa razão, nada deve ser considerado como inesperado por nós."
Quão frequentemente essa ironia não acontece nas nossas vidas? Consolamos um amigo e somos surpreendidos(as) com alguma tragédia. Nesses momentos, os Estóicos aproveitam para praticar a filosofia.
Se algo ruim acontece a alguém, devemos estar prontos para ajudar (se estiver em nosso alcance). O que quer que tenha acontecido poderia facilmente ter sido conosco, nós poderíamos estar precisando de ajuda.
Da próxima vez que você decidir não fazer algo por alguém, lembre-se que existe a possibilidade de você estar em alguma situação parecida no futuro. A vida adora uma ironia.
Aplicação pessoal
Em 2005, New Orleans foi devastada pelo furacão Katrina e a cidade de Houston recebeu vários dos seus refugiados. Neste ano, Houston foi vítima do furacão Harvey e os cidadãos de New Orleans montaram um programa para ajudar as pessoas que os ajudaram uma década antes. Mas o movimento da tempestade adicionou mais um fato à ironia: New Orleans se prepara, de novo, para um desastre.
Não se trata de uma relação de negócios — eu ajudo você e você me ajuda.
Trata-se de praticar gentileza.
Seja a pessoa que oferece ajuda porque, quer você acredite ou não, no dia seguinte você pode ser o próximo a precisar dela. E ninguém está muito interessado em ser gentil com lhe negou ajuda.
(Mas atenção: em casos envolvendo dinheiro, só empreste se puder e se sabe que vai receber o dinheiro de volta, caso contrário é um puta de um golpe na amizade).
@estoicismo | texto por Sabrina A. (2017)
