#251 — Não confie na sorte (Como treinar para os momentos de adversidade)
"Ninguém é destruído pela Sorte, exceto quando, primeiro, são enganados por ela… aqueles que não são pomposos nos bons momentos não têm suas bolhas estouradas com a mudança. Contra todas as circunstâncias, uma pessoa estável mantém sua alma racional invencível, porque é precisamente nos bons tempos que ela prova sua força contra a adversidade."
— Sêneca
No ano 41, Sêneca foi exilado de Roma. Não se sabe exatamente o porquê, existem apenas rumores sobre um possível caso dele com a irmã do imperador.
Ele era um homem bem sucedido, com uma excelente posição na sociedade romana. Até o momento em que tudo isso lhe foi tirado. Ele foi mandado para a ilha de Córsega onde viveu em privação por anos.
Durante seu exílio, os instintos de Sêneca o fizeram escrever uma carta para sua mãe, Hélvia, conhecida como
De Consolatione ad Helviam Matrem. Uma carta com intenção de confortá-la, ao invés de ressaltar sua própria miséria.
Apesar de, em algumas cartas, ele implorar para retornar a Roma (pedido que foi atendido pela mãe de Nero), de modo geral ele lidou bem com seu exílio. A filosofia que ele estudou por tantos anos mostrou sua utilidade frente à adversidade e lhe deu determinação e paciência, além de guiar a própria mãe durante o sofrimento.
Quando finalmente recuperou sua posição em Roma, a mesma filosofia o impediu de considerar a sorte como certa. O impediu de se tornar dependente dela.
Quando a sorte fornece favores, eles não devem ser considerados como eternos. Nestes momentos devemos nos preparar para quando ela nos abandonar.
Aplicação pessoal
Na carta Sobre Festivais e Jejum, Sêneca sugere um exercício ao seu amigo Lucílio:
Eu estou firmemente determinado, contudo, a testar a constância da sua mente que, inspirado pelos ensinamentos de grandes homens, eu lhe darei, também, uma lição: defina uma quantidade de dias na qual você se tornará contente com as coisas mais baratas, com roupas grossas e ásperas, e dirá para si enquanto isso: "Esta era a condição que eu temia?"
Quando as coisas acontecem de forma favorável, nos acostumamos às vantagens que temos e as consideramos como certas. Até o momento que a sorte as leva embora. Infelizmente, nesse momento, já nos tornamos dependentes daquilo que possuíamos.
O exercício que Sêneca sugere a Lucílio serve especificamente para evitar esse tipo de dependência.
O que você considera como certo em sua vida? Durante alguns dias, abdique disso e se pergunte se essa perda é realmente tão assustadora quanto parecia na sua mente. Durma em um saco de dormir no chão da sala. Use roupas mais simples do que as que você usa diariamente. Adore o transporte público ao invés do seu carro.
Como disse Sêneca, quando nos preparamos para a adversidade, roubamos seu poder de nos machucar. Aproveite a sorte, mas não dependa dela. Ela é tão volátil quanto temperamento de pré-adolescente.
@estoicismo | texto por Sabrina A. (2017)