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Quantos e quantos filmes eu jΓ‘ deixei de assistir porque o tΓ­tulo em "PortuguΓͺs" era uma merda e nΓ£o meu preocupei em saber o seu tΓ­tulo no idioma original...

A SΓ­ndrome de Vira-Lata que o Nelson Rodrigues alardeava, o Complexo da Foquinha nunca foi tΓ£o claro em nΓ³s ao ver quase todos jornas entrevistando noruegueses e pedindo palavras de conforto ao Brasil...πŸ™„ https://arierbos.medium.com/o-complexo-de-foquinha-brasileira-844da8114a35

O "ethos" brasileiro predominante hΓ‘ geraΓ§Γ΅es consiste em querer se dar bem, mesmo que seja imerecido, e nΓ£o se preocupando se prejudica outrem com isso ou nΓ£o; Γ© tentar fazer qualquer coisa sem muita expectativa de bem suceder nela, e, se caso realmente fracassar, inventar um monte de eufemismos e fingir crer neles para quase tornar a derrota em vitΓ³ria, a vergonha em feito, e sendo Γ‘vido para, se nΓ£o der certo, culpar tudo menos si prΓ³prio; Γ© se fazer de vΓ­tima, de coitadinho, e almejar abjetamente por pena alheia, atΓ© mesmo de desconhecidos; Γ© nΓ£o conhecer a admiraΓ§Γ£o por quem Γ© melhor e, assim, ficar oscilando entre a bajulaΓ§Γ£o interesseira ou a inveja recalcada; Γ© querer aparecer a qualquer custo, independente do quΓ£o vulgar ou vexatΓ³rio seja a medida tomada; Γ© nos seus recorrentes reveses necessitar de consolo, de afago de todo mundo, e tambΓ©m depender de similar atenΓ§Γ£o perante as coisas atΓ© mais banais e ordinΓ‘rias que execute; Γ© se alimentar da maledicΓͺncia para conseguir suportar a invΓ­dia permanente que tem do sucesso alheio, achando que diminuindo alguΓ©m pela lΓ­ngua vai tornar sua realidade medΓ­ocre melhor; e, enfim, Γ© preferir viver na mentira, no fingimento, no parecer ser do que realmente no set (ou ao menos no tentar ser), mas desde que ninguΓ©m perceba a farsa existencial β€” ou atΓ© mesmo que perceba, mas que siga fingindo que nΓ£o percebeu nada e que continue acreditando naquele teatro pueril.

"Brasileiro nΓ£o quer superar as suas deficiΓͺncias, mas convencer-se a si mesmo e ao mundo de que elas sΓ£o uma superioridade secreta, uma espΓ©cie de versΓ£o esotΓ©rica do talento e da inteligΓͺncia." Olavo de Carvalho

A Autoridade Da FIFA A FIFA Γ© a mesma autoridade futebolΓ­stica que se afirma como idΓ΄nea e que teve seu ex-presidente, o suΓ­Γ§o Joseph Blatter, afastado do cargo em 2015 e depois banido do futebol apΓ³s investigaΓ§Γ΅es do ComitΓͺ de Γ‰tica da entidade revelarem esquemas de fraude, suborno e pagamentos irregulares. Qualquer pessoa adulta deveria ao menos ter dΓΊvidas se realmente esta federaΓ§Γ£o internacional de futebol Γ© realmente merecedora de tanta credibilidade na sua autoridade e eventos que organiza. E nessa Copa 2026, foi essa mesma FIFA que anulou a suspensΓ£o automΓ‘tica do cartΓ£o vermelho do jogador americano a pedido de um presidente e que tem VAR anulando um gol egΓ­pcio por uma reslada no pΓ© do argentino por um jogador egΓ­pcio β€” e que o juiz em cima nΓ£o deu, como nΓ£o havia dado inΓΊmeros choques, toques, estouradas β€” meio sΓ©culo antes do gol do Egito (mas no jogo Argentina x Áustria nΓ£o fez o mesmo a favor da Áustria num gol do Messi em que houve falta β€” muito mais Γ³bvia no austrΓ­aco β€” que originou a jogada do gol), e que tambΓ©m nΓ£o revΓͺ o toque no pΓ© do Salah pelo Martinez dentro da Γ‘rea argentina, na jogada em que resultou no gol da virada e vitΓ³ria da Argentina. Mas repara na quantidade de NPC's que ainda se submetem caninamente Γ  autoridade e Γ  palavra da FIFA quando esta diz que sua simulaΓ§Γ£o de VAR semiautomΓ‘tico e "chip" na bola sΓ£o infalΓ­veis e confiΓ‘veis... Essa gente estΓ‘ madurinha para aceitar qualquer tirania que se arrogue uma autoridade idΓ΄nea e imparcial (e se porte e se vista como uma) e que, ademais, garanta que aja em nome da CiΓͺncia, JustiΓ§a, Igualdade e qualquer outro desses lugares-comuns com significantes sedutoramente indubitΓ‘veis Γ  maioria dos ouvidos passivos dessas massas pastosas, estΓΊpidas e servis. https://arierbos.medium.com/uma-vida-de-winston-smith-398984e72b5a

"A restauração de uma verdadeira intelectualidade, ainda que somente entre uma elite restrita, pelo menos a princípio, nos parece o único meio de pôr fim à confusão mental que reina no Ocidente; somente assim podem ser dissipadas as inúmeras ilusáes vās que pesam no espírito de nossos contemporÒneos, as inúmeras superstiçáes, tão ridículas e destituídas de fundamento quanto aquelas de que zombam, a torto e a direito, as pessoas que gostariam de passar por "esclarecidas"; e somente assim poder-se-Ñ encontrar um território de entendimento com os povos orientais." René Guénon

"A restauração de uma verdadeira intelectualidade, ainda que somente entre uma elite restrita, pelo menos a princípio, nos parece o único meio de pôr fim à confusão mental que reina no Ocidente; somente assim podem ser dissipadas as inúmeras ilusáes vās que pesam no espírito de nossos contemporÒneos, as inúmeras superstiçáes, tão ridículas e destituídas de fundamento quanto aquelas de que zombam, a torto e a direito, as pessoas que gostariam de passar por "esclarecidas"; e somente assim poder-se-Ñ encontrar um território de entendimento com os povos orientais." René Guénon

"O ΓΊnico trabalho que vocΓͺ comeΓ§a no topo Γ© cavando um buraco." Autor Desconhecido

Independente se vai ganhar ou nΓ£o (sΓ£o agora 90' do segundo tempo de Argentina x Egito), olha a raΓ§a da seleΓ§Γ£o argentina, mira a vontade de nΓ£o perder, a entrega, a resiliΓͺncia de um time que perdia de 2 x 0 para seleΓ§Γ£o do Egito melhor e fechada. E faz um paralelo com o Brasil pusilΓ’nime, assustado, atΓ‘vico perdendo de 1 x 0 para a Noruega e sua postura do time e individual em campo... Γ‰ foda... LamentΓ‘vel...

A SΓ­ndrome de Vira-Lata que o Nelson Rodrigues alardeava, o Complexo da Foquinha nunca foi tΓ£o claro em nΓ³s ao ver quase todos jornas entrevistando noruegueses e pedindo palavras de conforto ao Brasil...πŸ™„ https://arierbos.medium.com/o-complexo-de-foquinha-brasileira-844da8114a35

Brasil πŸ‡§πŸ‡· X Noruega πŸ‡§πŸ‡» Independente de todos erros que serΓ£o debatidos Γ  exaustΓ£o da seleΓ§Γ£o de futebol do Brasil, a apatia, a falta de vontade de todos jogadores que entraram em campo no segundo tempo foi aviltante. No primeiro tempo, o Brasil comeΓ§ou meio desatento (atΓ© tomou um gol que o jogador estava em impedimento e com o Casemiro chegando na cabeΓ§a da Γ‘rea dois anos depois), se acertou, perdeu chances, desperdiΓ§ou pΓͺnalti, mas aceitou ficar passivo contra a Noruega; que era o jogo de posse de bola que ela sonhava. Mas no segundo tempo, o time andou em campo, atΓ‘vico, parecia uma pelada de fim de ano da turma dos aposentados. Tinha que se foder mesmo! Vinicius Jr., depois do pΓͺnalti que o Bruno GilmararΓ£es perdeu, achou que tinha que resolver tudo sozinho e esfomeou muito e tomou muita decisΓ£o errada, fazendo sua pior partida por excesso de mΓ‘s iniciativas. Casemiro foi horrΓ­vel; Γ© um jogador lento, ficou tΓ£o desinteressado quanto no jogo do Marrocos, trotando em campo, desperdiΓ§ando lances cruciais e nem deveria ter sido convocado. Por que nΓ£o Danilo Santos no lugar dele? De resto, testemunhamos um time inΓ³cuo, passivo, e que mesmo perdendo nΓ£o tinha agitaΓ§Γ£o. Foi repugnante a postura no segundo tempo. Rayan jogou, de novo, um futebol pragmΓ‘tico; marcou bem no lado direito, mas quando pregava a bola nΓ£o tentou uma ΓΊnica vez ir para cima do marcador: ou passava para trΓ‘s ou tocava Γ  frente quando eventualmente uma alma caridosa passava para linha de fundo. Por que o Luiz Henrique nΓ£o entrou no lugar do Rayan? Era jogo para ele driblar o norueguΓͺs, ir para cima, coisa que o ex-vascaΓ­no nΓ£o fez. Se queria sΓ³ um marcador ali, coloca um cabeΓ§a de Γ‘rea na posiΓ§Γ£o. Levou o Neymar para que, Carlo Ancelotti? Por que nΓ£o colocou o craque que convocou lesionado e tratou para entrar em situaΓ§Γ΅es de decisivas logo de inΓ­cio? Ou no inΓ­cio do segundo tempo? Para que colocar Γ‰derson com time perdendo? Matheus Cunha foi razoΓ‘vel, mas apagou no segundo tempo, junto com Gabriel Martinelli e Bruno GuimarΓ£es (este desde que perdeu o pΓͺnalti). E o Endrick atΓ© agora ainda estΓ‘ preso na decepΓ§Γ£o do gol feito que perdeu, dominando e concluindo pessimamente. O jogo para ele acabou ali: ele nΓ£o parou de pensar naquilo, tanto que na jogada seguinte esfomeou numa bola que deveria tocar para o Vinicius e errou tudo, nΓ£o marcou, nΓ£o fez mais nada... Desmoronou como um garoto com aquele erro e nΓ£o conseguiu superar a pressΓ£o pela falha cometida diante de tanta expectativa que recebeu de milhΓ΅es que o queria como titular. Mas que importa mesmo Γ© o novo "look" tranΓ§ado que o Raphinha, que estava machucado, caprichou para sair da Copa. O Brasil estΓ‘ eliminado; mas as trancinhas ficaram certinhas e simetricamente coloridas de amarelo e preto. Me incomodo com o foco obsessivo nessa vaidade cafona dos jogadores, e a correspondΓͺncia e resultados em campo pela seleΓ§Γ£o (que se dane o que fazem em seus clubes). Pode ser que nΓ£o tenha relaΓ§Γ£o alguma, mas desde que essa modinha de tatuagens, cabelinhos mudando a cada jogo, sobrancelhas feitinhas, brinquinhos de diamante, muita marra sem resultados dominou o "ethos" futebolΓ­stico no Brasil e no mundo, a seleΓ§Γ£o sΓ³ coleciona fracassos. Pega o visual dessa seleΓ§Γ£o, pega a sΓ­ntese dessa geraΓ§Γ£o.

O nome do atacante SΓΈrloth da Noruega parece com o de personagem mal do J. R. R. Tolkien. Se tivesse lΓ‘ em Arda, SΓΈrloth poderia ser o braΓ§o direito de Morgoth no roubo das trΓͺs Silmarils do Alto-Elfo noldor, FΓ«anor, e na fuga deles para fortaleza de Angband, na Terra-MΓ©dia.

NΓ£o hΓ‘ tirania pior do que a que agride cada inteligΓͺncia e aprisiona cada consciΓͺncia manipulando a realidade com toda sorte de mentiras e forΓ§ando que todos, em espiral do silΓͺncio continua, as engula sem criticar. E a distopia 1984 se avizinha pela submissΓ£o canina Γ  deusa CiΓͺncia. https://arierbos.medium.com/uma-vida-de-winston-smith-398984e72b5a

"A discussΓ£o de Gentile sobre a lei regularizando o papel constitucional do Grande Conselho do Fascismo Γ© instrutiva na medida em que ele nela sinaliza a transformaΓ§Γ£o do Estado liberal, parlamentar, para um totalitΓ‘rio, de partido ΓΊnico. O Grande Conselho foi um conselho composto pelos lΓ­deres da revoluΓ§Γ£o Fascista e, como tal, foi extra-constitucional desde a sua criaΓ§Γ£o. Enquanto composto exclusivamente de lΓ­deres do partido Fascista, o Grande Conselho falou pela naΓ§Γ£o inteira, controlando o inΓ­cio e a promulgaΓ§Γ£o da legislaΓ§Γ£o. AtΓ© 1928, com efeito, as funΓ§Γ΅es do Grande Conselho foram extra-legal. Naquele ano, a lei do Grande Conselho garantiu legalidade Γ s atividades do Conselho. Mais do que isso, a lei do Grande Conselho, de todas as intenΓ§Γ΅es e finalidades, fez o LΓ­der do Governo, Mussolini, e os membros do Conselho, os Γ‘rbitros finais do que deveria contar como lei constitucional para a naΓ§Γ£o. ApΓ³s a aprovaΓ§Γ£o da lei do Grande Conselho, nΓ£o restou nenhum vestΓ­gio do sistema parlamentar liberal." Anthony James Gregor No comentΓ‘rio sobre as leis deste Γ³rgΓ£o mΓ‘ximo (Grande Conselho Fascista), feito a um texto do ideΓ³logo fascista, Giovanni Gentile (1875-1944), de setembro de 1928, o professor emΓ©rito da Universidade da CalifΓ³rnia e cientista polΓ­tico norte-americano, estudioso do Fascismo e do Marxismo, Anthony James Gregor (1929-2019), resumiu o que foi o Grande Conselho Fascista. No intuito de se concentrar o poder mΓ‘ximo cada vez mais nas mΓ£os do "Duce", o Partido Fascista criou o "Grande Conselho do Fascismo", em dezembro de 1922, que funcionava como um Estado Maior, paralelo Γ  ConstituiΓ§Γ£o e leis, fazendo estratΓ©gias e diretrizes para os fascistas. Com o crescimento das forΓ§as e do poder do Benito Mussolini (1883-1945) no governo italiano e com a concomitante reduΓ§Γ£o da autoridade polΓ­tica do Rei VΓ­tor Emanuel III (1869-1947) e do Parlamento Italiano, em 9 de dezembro de 1928, o Grande Conselho se tornou, constitucionalmente, o Γ³rgΓ£o mΓ‘ximo de controle, podendo, entre outras coisas, eleger parlamentares, a linha sucessΓ³ria da Coroa e da Chancelaria, escolher Ministros e todos demais cargos da ItΓ‘lia, aprovar leis, emitir decretos e celebrar tratados internacionais. A composiΓ§Γ£o do Grande Conselho do Fascismo era maciΓ§amente de membros do Partido Fascista, entre eles: Mussolini, as lideranΓ§as da Marcha sobre Roma, os Presidentes da CΓ’mara e do Senado (quase todos fascistas), o Presidente da ConfederaΓ§Γ£o Fascista (que reunia as associaΓ§Γ΅es e sindicatos laborais), o SecretΓ‘rio do Partido Nacional Fascista, os Ministros de Estado (da JustiΓ§a, da Economia, da EducaΓ§Γ£o, entre outros), o Chefe dos Camisas Negras, o Presidente do Tribunal especial para a SeguranΓ§a do Estado, entre outros. O Partido e o Estado viraram uma coisa sΓ³.

"O abismo entre noticiΓ‘rio e realidade tornou-se imensurΓ‘vel, intransponΓ­vel. Com uma unanimidade esmagadora, os repΓ³rteres, editores e comentaristas mentem, sonegam, falsificam, desconversam e, com um cinismo chocante, riem de quem tente praticar o jornalismo Γ  moda antiga, o jornalismo de fatos e documentos, que, com os dias contados, sobrevive apenas na "internet" e nas estaΓ§Γ΅es de rΓ‘dio. Nada do que se tenha observado anteriormente nas democracias ocidentais em matΓ©ria de falsificaΓ§Γ£o e manipulaΓ§Γ£o de notΓ­cias se compara a esse bloqueio completo e implacΓ‘vel, sΓ³ igualado pela censura totalitΓ‘ria nos paΓ­ses comunistas, com a diferenΓ§a de que esta era imposta pelo governo, ao passo que aquele nasce de uma cumplicidade voluntΓ‘ria β€” de tipo sistΓͺmico, nΓ£o conspiratΓ³rio, exatamente como previsto por Antonio Gramsci." Olavo de Carvalho

"Chip" Da ObediΓͺncia HΓ‘ os que ousem duvidar, criticar e atΓ© contestar tecnologias tratadas como infalΓ­veis pela maioria, mas existem latifΓΊndios repletos de rΓ©covas humanas que confiam cegamente na deusa CiΓͺncia com suas deidades da tecnologia e da tΓ©cnica de VAR's semiautomΓ‘ticos e "chips" de impacto nas bolas. Para isso, basta que os sacerdotes da deusa soberba coloquem um oscilograma com um sinal de impulso dinΓ’mico na tela do fiel adestrado e com uma animaΓ§Γ£o que o faΓ§a ocorrer bem na hora em que a bola passa perto da cabeΓ§a do jogador croata, no ΓΊltimo minuto de jogo entre Portugal x CroΓ‘cia, e pronto: Γ© a prova incontestΓ‘vel de que a bola tocou nele e fim de papo. Mesmo que em nenhuma imagem forneΓ§a uma certeza visual de que isso ocorreu. Afinal de contas, "eles", a nova classe sacerdotal do mundo moderno, nos garantem que um recorte de um oscilograma na tela (sem base de tempo com o tempo da partida) que "eles" nos garantem ser oriundo de um "chip" sensor de impacto na bola da partida, basta para que todos creiam na verdade transdutada e translΓΊcida de que Γ© sim do jogo de futebol que estΓ‘ sendo transmitido por "eles"; sem nenhuma necessidade de apresentarem uma prova sequer de que aquilo Γ© sincrΓ΄nico Γ quele tempo do jogo, sem precisarem mostrar dois ou trΓͺs toques da bola ocorrendo antes e depois do evento em questΓ£o β€” com impulsos no oscilograma em sincronia com a imagem da partida para validar que aquela mediΓ§Γ£o Γ© realmente daqueles toques e daquela partida e daquele momento do jogo β€” para que o pΓΊblico possa conferir que hΓ‘ de fato uma simultaneidade de cada toque na bola do tempo corrido da partida com um respectivo impulso proporcional ao impulso de cada toque na bola na janela de tempo corrido do oscilograma. NΓ£o, nada disso Γ© necessΓ‘rio, pois as massas acreditam bovinamente no que quaisquer autoridades que alegam servir Γ  deusa CiΓͺncia lhes garantem. E ai de quem duvidar! Vai ter que receber um implante de "chip" de obediΓͺncia na cabeΓ§a.

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Naturalmente, mesmo em nosso tempo, nΓ£o hΓ‘ motivo nem desculpa para cometer uma crimidΓ©ia. Γ‰ apenas uma questΓ£o de disciplina, controle da realidade. Mas no futuro nΓ£o serΓ‘ preciso nem isso. A RevoluΓ§Γ£o se completarΓ‘ quando a lΓ­ngua for perfeita. NovilΓ­ngua Γ© Ingsoc e Ingsoc Γ© NovilΓ­ngua, β€” agregou com uma espΓ©cie de satisfaΓ§Γ£o mΓ­stica. β€” Nunca te ocorreu, Winston, que por volta do ano de 2050, o mais tardar, nΓ£o viverΓ‘ um ΓΊnico ser humano capaz de compreender esta nossavpalestra? β€” Exceto... β€” comeΓ§ou Winston, em tom de dΓΊvida, mas parou de repente. Estivera a ponto de dizer "exceto os proles", mas controlou-se, sem ter plena certeza de que essa observaΓ§Γ£o fosse ortodoxa. Syme, todavia, adivinhara oque ele quisera dizer. β€” Os proles nΓ£o sΓ£o seres humanos, β€” disse ele, descuidado. β€” Por volta de 2050, ou antes, todo o conhecimento da AntiglΓ­ngua terΓ‘ desaparecido. A literatura do passado terΓ‘ sido destruΓ­da, inteirinha. Chaucer, Shakespeare, Milton, Byron β€” sΓ³ existirΓ£o em versΓ΅es NovilΓ­ngua, nΓ£o apenas transformados em algo diferente, como transformados em obras contraditΓ³rias do que eram. AtΓ© a literatura do Partido mudarΓ‘. MudarΓ£o as palavras de ordem. Como serΓ‘ possΓ­vel dizer "liberdade Γ© escravidΓ£o" se for abolido o conceito de liberdade? Todo o mecanismo do pensamento serΓ‘ diferente. Com efeito, nΓ£o haverΓ‘ pensamento, como hoje o entendemos. Ortodoxia quer dizer nΓ£o pensar... nΓ£o precisar pensar. Ortodoxia Γ© inconsciΓͺncia. Qualquer dia, refletiu Winston, com convicΓ§Γ£o profunda e repentina, Symes serΓ‘ vaporizado. Γ‰ inteligente demais. VΓͺ demasiado claro e fala sem subterfΓΊgios. O Partido nΓ£o gosta de gente assim. Um dia ele desaparecerΓ‘." George Orwell

PΓ΄s-se a engulir colheradas do cozido que, entre outros ingredientes, tinha cubos de uma massa rosada, esponjosa, que devia ser uma carne qualquer. Nenhum dos dois falou enquanto nΓ£o esvaziaram as marmitas. Na mesa Γ  esquerda de Winston, um pouco para trΓ‘s, alguΓ©m falava rΓ‘pido, sem parar, uma cantilena Γ‘spera que parecia o grasnar de um pato, e que conseguia romper o falatΓ³rio da cantina. β€” Como vai o dicionΓ‘rio? β€” perguntou Winston, levantando a voz para se fazer ouvir. β€” Devagar β€” respondeu Syme. β€” Estou nos adjetivos. Γ‰ fascinante. β€” O rosto se lhe iluminara imediatamente com a menΓ§Γ£o da NovilΓ­ngua. Empurrou a marmita para o lado, apanhou com a mΓ£o delicada o cubo de queijo, o pedaΓ§o de pΓ£o com a outra, e inclinou-se sobre a mesa, para poder falar sem gritar. β€” A DΓ©cima Primeira EdiΓ§Γ£o serΓ‘ definitiva β€” disse ele. β€” Estamos dando Γ  lΓ­ngua a sua forma final β€” a forma que terΓ‘ quando ninguΓ©m mais falar outra coisa. Quando tivermos terminado, gente como vocΓͺ terΓ‘ que aprendΓͺ-la de novo. Tenho a impressΓ£o de que imaginas que o nosso trabalho consiste principalmente em inventar novas palavras. Nada disso! Estamos Γ© destruindo palavras β€” Γ s dezenas, Γ s centenas, todos os dias. Estamos reduzindo a lΓ­ngua Γ  expressΓ£o mais simples. A DΓ©cima Primeira EdiΓ§Γ£o nΓ£o conterΓ‘ uma ΓΊnica palavra que possa se tornar obsoleta antes de 2050. Mordeu famintamente o pΓ£o e engoliu dois bocados. Depois continuou a falar, com uma espΓ©cie de paixΓ£o pedante. O rosto magro e moreno animara-se, os olhos haviam perdido a expressΓ£o de chacota e tinham-se tornado quase sonhadores. β€” Γ‰ lindo, destruir palavras. Naturalmente, o maior desperdΓ­cio Γ© nos verbos e adjetivos, mas hΓ‘ centenas de substantivos que podem perfeitamente ser eliminados. NΓ£o apenas os sinΓ΄nimos; os antΓ΄nimos tambΓ©m. Afinal de contas, que justificaΓ§Γ£o existe para a existΓͺncia de uma palavra que Γ© apenas o contrΓ‘rio de outra? Cada palavra contΓ©m em si o contrΓ‘rio. "Bom", por exemplo. Se temos a palavra "bom," para que precisamos de "mau"? "Imbom" faz o mesmo efeito β€” e melhor, porque Γ© exatamente oposta,enquanto que mau nΓ£o Γ©. Ou ainda, se queres uma palavra mais forte paradizer "bom", para que dispΓ΄r de toda uma sΓ©rie de vagas e inΓΊteis palavras como "excelente" e "esplΓͺndido" etc. e tal? "Plusbom" corresponde Γ  necessidade, ou "dupliplusbom" se queres algo ainda mais forte. Naturalmente, jΓ‘ usamos essas formas, mas na versΓ£o final da NovilΓ­ngua nΓ£o haverΓ‘ outras. No fim, todo o conceito de bondade e maldade serΓ‘ descrito por seis palavras β€” ou melhor, uma ΓΊnica. NΓ£o vΓͺs que beleza, Winston? Naturalmente, foi idΓ©ia do Grande IrmΓ£o, β€” acrescentou, Γ  guisa de conclusΓ£o. Uma tΓͺnue ansiedade perpassou pelo rosto de Winston Γ  menΓ§Γ£o do Grande IrmΓ£o. Isso nΓ£o obstante, Syme imediatamente percebeu nele uma certa falta de entusiasmo. β€” NΓ£o aprecias realmente a NovilΓ­ngua, Winston β€” disse, quase com tristeza. β€” Mesmo quando escreves em NovilΓ­ngua, pensas na antiga. Tenho lido artigos teus no Times. SΓ£o bons, mas sΓ£o traduΓ§Γ΅es. No teu coraΓ§Γ£o, havias de preferir a AntiglΓ­ngua, com toda a sua imprecisΓ£o e suas inΓΊteis gradaΓ§Γ΅es de sentido. NΓ£o percebes a beleza que Γ© destruir as palavras. Sabes que NovilΓ­ngua Γ© o ΓΊnico idioma do mundo cujo vocabulΓ‘rio se reduz de ano para ano? Winston, naturalmente, nΓ£o sabia. Sorriu, com ar de simpatia (ao que esperava), nΓ£o confiando em suas prΓ³prias palavras. Syme mordiscou outro fragmento do pΓ£o escuro, mastigou-o um pouco e continuou: β€” NΓ£o vΓͺs que todo o objetivo da NovilΓ­ngua Γ© estreitar a gama do pensamento? No fim, tornaremos a crimidΓ©ia literalmente impossΓ­vel, porque nΓ£o haverΓ‘ palavras para expressΓ‘-la. Todos os conceitos necessΓ‘rios serΓ£o expressos exatamente por uma palavra, de sentido rigidamente definido, e cada significado subsidiΓ‘rio eliminado, esquecido. JΓ‘, na DΓ©cima Primeira EdiΓ§Γ£o, nΓ£o estamos longe disso. Mas o processo continuarΓ‘ muito tempo depois de estarmos mortos. Cada ano, menos e menos palavras, e a gama da consciΓͺncia sempre um pouco menor.

"Na cantina de baixo pΓ© direito, metida nas entranhas do solo, arrastava-se devagarinho a fila do almoΓ§o. A sala jΓ‘ estava atulhada, e o barulho eraensurdecedor. Da grade do balcΓ£o vinha uma nuvem de vapor de guisado, um cheiro metΓ‘lico, azedo, que nΓ£o chegava a dominar o odor do gin VitΓ³ria. Do outro lado da sala havia um pequeno bar, um simples nicho na parede, onde se podia comprar gin a dez centavos a dose grande. β€” Exatamente quem eu procurava β€” disse uma voz atrΓ‘s de Winston. Voltou-se. Era o seu amigo Syme, que trabalhava no Departamento de Pesquisa. "Amigo" talvez nΓ£o fosse a palavra correta. NΓ£o se tinham mais amigos, tinham-se camaradas; mas havia alguns camaradas cuja companhia era mais agradΓ‘vel que outros. Syme era filΓ³logo, especialista em NovilΓ­ngua. Com efeito, fazia parte da enorme equipe de peritos empenhada na compilaΓ§Γ£o da DΓ©cima Primeira EdiΓ§Γ£o do DicionΓ‘rio da NovilΓ­ngua. Era um sujeito mirrado, menor que Winston, de cabelo escuro e olhos grandes, saltados, que eram ao mesmo tempo zombeteiros e tristonhos, e que pareciam examinar atentamente a face do interlocutor. β€” Queria te perguntar se tens uma gilete β€” disse ele. β€” Nenhuma! β€” respondeu Winston, apressado, como quem se sente culpado. β€” Procurei em toda parte. NΓ£o existem. Todo mundo vivia procurando gilete. Na verdade tinha duas lΓ’minas, que estava escondendo. Havia meses que faltavam na praΓ§a. Em determinado momento, havia sempre algum artigo necessΓ‘rio que as lojas do Partido nΓ£o tinham para fornecer. Γ€s vezes eram botΓ΅es, outras linha para serzir meias, outras cadarΓ§os para sapatos; no momento, eram lΓ’minas de barba. SΓ³ podiam ser encontradas, com um pouco de sorte, numa busca furtiva no mercado "livre". β€” HΓ‘ seis semanas que uso a mesma lΓ’mina β€” acrescentou, mentindo. A fila deu mais um salto Γ  frente. Quando pararam, ele se voltou e encarou Syme outra vez. Os dois apanharam bandejas de metal, engorduradas, de uma pilha na ponta do balcΓ£o. β€” Foste ver os enforcamentos, a noite passada? β€” indagou Syme. β€” Estava trabalhando β€” disse Winston, com indiferenΓ§a. β€” Com certeza, verei no cinema. β€” Pobre substituiΓ§Γ£o β€” comentou Syme. Seus olhos galhofeiros examinaram o rosto de Winston. Pareciam dizer: "Eu te conheΓ§o. Vejo atravΓ©s de ti, sei muito bem porque nΓ£o foste ver os prisioneiros enforcados". Intelectualmente, Syme era venenoso de tΓ£o ortodoxo. Falava com satisfaΓ§Γ£o e jΓΊbilo, muito desagradΓ‘veis, de ataques de helicΓ³pteros a aldeias inimigas, julgamento e confissΓ£o de ideocriminosos, execuΓ§Γ΅es no subsolo do MinistΓ©rio do Amor. Para se conversar direito com ele, era essencial afastΓ‘-lo desses assuntos, enredando-o, se possΓ­vel, nas tecnicalidades da NovilΓ­ngua, a respeito do que era interessante e bem informado. Winston virou a cabeΓ§a um pouco para o lado, para fugir ao exame dos grandes olhos escuros. β€” Foi um bom enforcamento β€” prosseguiu Syme, recordando. β€” Mas creio que estragam o espetΓ‘culo quando, amarram os pΓ©s do cara. Gosto de vΓͺ-los esperneando. Mas acima de tudo, no fim, a lΓ­ngua saltando da boca, azulzinha β€” azul brilhante β€” Γ© o detalhe que mais me interessa. β€” Outro! β€” berrou o prole de avental branco, que empunhava a concha de sopa. Winston e Syme empurraram as bandejas por baixo da grade. E cada um recebeu, em segundos, o almoΓ§o regulamentar β€” marmita de metal com um guisado rosa-cinza, um pedaΓ§o de pΓ£o, um cubo de queijo, uma xΓ­cara de CafΓ© VitΓ³ria, preto, uma tablete de sacarina. β€” Vamos para aquela mesa debaixo da teletela, β€” disse Syme. β€” E no caminho pegamos um gin. O gin foi servido em xΓ­caras de louΓ§a sem alΓ§a. Atravessaram em zigue-zague o salΓ£o cheio e largaram as bandejas numa mesa de tampo de metal, no canto da qual alguΓ©m deixara um lago de cozido, um lΓ­quido nojento que parecia vΓ΄mito. Winston apanhou a xΓ­cara de gin, fez uma pausa para ganhar coragem e engoliu a beberagem de gosto oleoso. Ao limpar as lΓ‘grimas dos olhos, descobriu de repente que estava com fome.