BrainPower | André Buric
Você sabe o que fazer e não faz? Aqui você entende o que decide por você. Um conteúdo por dia: áudio, enquete e quiz sobre os padrões que governam o seu comportamento. Canal do neurocientista André Buric. Instagram e Youtube @brainpowerbr
Mostrar más📈 Análisis del canal de Telegram BrainPower | André Buric
El canal BrainPower | André Buric (@brainpowerbr) en el segmento lingüístico de Portugués es un actor destacado. Actualmente la comunidad reúne a 27 624 suscriptores, ocupando la posición 7 062 en la categoría Educación y el puesto 1 654 en la región Brasil.
📊 Métricas de audiencia y dinámica
Desde su creación el невідомо, el proyecto ha mostrado un crecimiento acelerado, reuniendo a 27 624 suscriptores.
Según los últimos datos del 28 octubre, 2026, el canal mantiene una actividad estable. En los últimos 30 días la variación de miembros fue de -433, y en las últimas 24 horas de -11, conservando un alto alcance.
- Estado de verificación: No verificado
- Tasa de interacción (ER): El promedio de interacción de la audiencia es 2.53%. Durante las primeras 24 horas tras publicar, el contenido suele obtener 0.89% de reacciones respecto al total de suscriptores.
- Alcance de las publicaciones: Cada publicación recibe en promedio 698 visualizaciones. En el primer día suele acumular 246 visualizaciones.
- Reacciones e interacción: La audiencia responde de forma activa: el promedio de reacciones por publicación es 8.
- Intereses temáticos: El contenido se centra en temas clave como cérebro, padrão, controle, rafael, foco.
📝 Descripción y política de contenido
El autor describe el recurso como un espacio para expresar opiniones subjetivas:
“Você sabe o que fazer e não faz? Aqui você entende o que decide por você. Um conteúdo por dia: áudio, enquete e quiz sobre os padrões que governam o seu comportamento. Canal do neurocientista André Buric.
Instagram e Youtube @brainpowerbr”
Gracias a la alta frecuencia de actualizaciones (últimos datos recibidos el 29 octubre, 2026), el canal mantiene la vigencia y un amplio alcance. La analítica demuestra que la audiencia interactúa activamente con el contenido, lo que lo convierte en un punto de referencia dentro de la categoría Educación.
Cargando datos
| Fecha | Crecimiento de Suscriptores | Menciones | Canales | |
| 29 octubre | 0 | |||
| 28 octubre | 0 | |||
| 27 octubre | 0 | |||
| 26 octubre | 0 | |||
| 25 octubre | 0 | |||
| 24 octubre | 0 | |||
| 23 octubre | 0 | |||
| 22 octubre | 0 | |||
| 21 octubre | 0 | |||
| 20 octubre | 0 | |||
| 19 octubre | 0 | |||
| 18 octubre | 0 | |||
| 17 octubre | 0 | |||
| 16 octubre | 0 | |||
| 15 octubre | 0 | |||
| 14 octubre | 0 | |||
| 13 octubre | 0 | |||
| 12 octubre | 0 | |||
| 11 octubre | 0 | |||
| 10 octubre | 0 | |||
| 09 octubre | 0 | |||
| 08 octubre | 0 | |||
| 07 octubre | 0 | |||
| 06 octubre | 0 | |||
| 05 octubre | 0 | |||
| 04 octubre | 0 | |||
| 03 octubre | 0 | |||
| 02 octubre | 0 | |||
| 01 octubre | 0 |
| 2 | Qual é o seu número hoje? O story é a sua resposta: reposte e marque “brainpowerbr”. | 351 |
| 3 | Se hoje você discutiu política em casa, no grupo da família ou no trabalho, e saiu da conversa com a sensação de que ninguém ouviu ninguém, este vídeo é para você.
Quanto mais você argumenta, mais a outra pessoa trava. E existe um motivo no cérebro para isso.
Assista antes da próxima discussão:
https://www.instagram.com/reel/De-TnW9gfAq/ | 397 |
| 4 | Marque o que você já conseguiu, reposte nos seus stories e marque “brainpowerbr”. | 420 |
| 5 | 🎧 Quem já decidiu não gostar de você não está avaliando o que você entrega.
Neste áudio, por que é tão difícil parar de tentar agradar essa pessoa: o cérebro trata reprovação como ameaça. Num estudo publicado na Science, quem era deixado de fora de um simples jogo de passar a bola no computador ativava uma área do cérebro ligada à dor física.
As três perguntas para usar antes de mandar a próxima coisa que essa pessoa vai ver:
1. Isso vai ser útil, na prática, para quem vai usar?
2. Eu faria igual se essa pessoa não fosse ver?
3. O que eu estou deixando de fazer para ganhar essa aprovação?
Ouve agora, porque amanhã essa pessoa está lá de novo, e você pode começar a semana trabalhando para o seu valor, não para a aprovação dela. | 482 |
| 6 | Se isso é a sua semana, encaminhe para quem divide ela com você. | 507 |
| 7 | 🎧 Adiar não te poupa. Adiar te parcela.
Neste áudio, a leitura do padrão do adiamento: por que o que você empurra volta no banho, na dor, às duas da manhã, e o que a ciência mostra sobre esse custo (pessoas que, podendo escolher, preferem um choque mais forte na hora a ficar esperando um mais fraco).
O plano de três linhas para o que você vem empurrando:
1. Quando: o dia e a hora mais próximos possíveis, não os ideais.
2. Onde: o lugar em que você vai estar.
3. O primeiro passo: a primeira ação física, pequena (abrir o e-mail, ligar para, sentar com o papel).
Pesquisas da Universidade Estadual da Flórida mostram que, com um plano específico, os pensamentos intrusivos sobre a tarefa diminuem antes mesmo de ela ser feita.
Ouve agora, porque a coisa que você vai empurrar hoje já está na sua cabeça, e com o plano de três linhas você decide o dia e a hora antes de ela voltar à noite. | 571 |
| 8 | Manda para quem enxerga mais do que admite. | 584 |
| 9 | 🎧 Episódio 1270 no ar: Como parar de adiar o que você precisa fazer.
Aquilo que você empurra não some: fica te esperando, e cobrando. 13 minutos sobre o porquê, e o plano de três linhas para sair da sala de espera.
Ouça: https://bpower.com.br/ultimoepisodio?ep=1270 | 576 |
| 10 | Se lembrou de alguém, encaminhe. | 564 |
| 11 | Se lembrou de alguém, encaminhe. | 618 |
| 12 | A leitura. Ontem perguntei o que o seu cérebro faz com a segunda-feira.
48 pessoas responderam: 56% marcaram "Nada de especial, segunda é só segunda" e 27% marcaram "Foge: celular, série, qualquer coisa para não pensar". Os outros 17% se dividiram entre fazer a lista enorme (10%) e ensaiar tudo o que pode dar errado (6%).
A mais votada foi a que diz que não acontece nada. Pode ser calma de verdade, e a enquete não separa isso do outro caso: o padrão de não olhar. As outras três respostas têm uma raiz comum, o cérebro tratando a segunda como uma ameaça que ainda não chegou, e cada uma é um jeito de se proteger dela. Ensaiar é controle. Fugir é anestesia. A lista é alívio adiantado. Nenhuma é defeito. É proteção que ficou antiga. (Isso é a leitura da casa, não o resultado de um estudo, e 48 respostas não representam o canal inteiro.)
Quem consegue nomear o que faz no domingo à noite já saiu do automático nessa parte: nomear devolve a escolha.
Para fazer agora, em 2 minutos, porque a segunda já começou: escreva uma linha só, "a primeira coisa que faço nesta segunda é ___". Pequena e concreta.
Quer ver o que o seu cérebro decide no automático nas outras áreas da vida? O diagnóstico gratuito leva poucos minutos: https://brainpower.com.br/diagnostico?utm_source=telegram&utm_medium=canal&utm_campaign=enquete-segunda | 669 |
| 13 | Domingo à noite, o que o seu cérebro faz com a segunda-feira? Sem resposta certa: marque o que aconteceu da última vez. O resultado e o nome desse padrão saem amanhã às 7h08. | 672 |
| 14 | Este é o aprofundamento do vídeo do carro de ponta-cabeça, o do "quantas previsões sobre você já venceram e você continua obedecendo?". Se você ainda não viu, comece por ele:
https://www.instagram.com/reel/Dekjb21EoIL/
No vídeo eu disse que o que prendeu o seu olho não foi o carro, foi a previsão que falhou. Aqui vai de onde vem essa ideia, o que o estudo mostrou de verdade e o que ele não mostrou.
1. Quem estudou
Wolfram Schultz, da Universidade de Friburgo, na Suíça, passou anos medindo neurônios de dopamina em macacos. Em 1997, com Peter Dayan e Read Montague, ele juntou esses achados num artigo da revista Science, uma das mais respeitadas do mundo.
2. O que apareceu
O experimento clássico é simples. Uma luz acende e, logo depois, o macaco recebe uma gota de suco.
No começo, quando o suco chega sem aviso, os neurônios disparam no suco.
Depois que o macaco aprende que a luz anuncia o suco, eles passam a disparar na luz. O suco, já esperado, quase não mexe com eles.
E se a luz acende e o suco não vem, a atividade cai exatamente na hora em que o suco deveria chegar.
Ou seja: esses neurônios não respondem ao que acontece. Respondem à diferença entre o que o cérebro previu e o que aconteceu. Os autores chamam isso de erro de previsão.
3. A parte que quase ninguém conta
Primeiro: o estudo diz que é a mudança na expectativa que faz o cérebro aprender. Quando tudo sai como previsto, não há nada novo para aprender. É por isso que o vídeo termina em "faça uma coisa pequena que contradiga a previsão": sem a surpresa, a previsão não se atualiza.
Segundo: os limites. Foram macacos, e a previsão era sobre suco, não sobre carros nem sobre a ideia que uma pessoa faz de si mesma. Ligar esse mecanismo ao "eu sempre paro no meio" é a leitura da casa a partir do estudo, não um resultado dele.
4. O que isso muda hoje
Escolha uma frase que o seu cérebro repete sobre você ("isso não é para mim", "eu já tentei") e faça hoje uma coisa pequena que a desminta. Pequena mesmo: mandar a mensagem, abrir o arquivo, dar o primeiro passo.
Não precisa provar nada para ninguém. A previsão só muda quando a realidade chega diferente do que ela esperava, e você é quem pode entregar essa realidade.
Fonte: Schultz, Dayan e Montague, "A neural substrate of prediction and reward", Science, 1997, 275(5306):1593-1599 (doi.org/10.1126/science.275.5306.1593, PubMed 9054347). | 717 |
| 15 | O vídeo de ontem, o do "só um minutinho", se você ainda não viu:
https://www.instagram.com/reel/Deh3_NggITH/
Aqui vai o passo a passo para usar hoje, na próxima vez que a mão for ao celular sem você ter decidido. Cinco minutos de teste, nada além disso.
1. Perceba a mão no caminho. Se ela já estiver a meio caminho, deixe lá, parada. Não precisa largar o celular, só não tocar ainda.
2. Faça a pergunta: "o que eu estava sentindo um segundo antes?" Uma palavra basta. Cansaço, dúvida, tédio, silêncio, medo de errar.
3. Escolha o movimento que combina com o que apareceu:
- Tédio: dois minutos da tarefa chata, antes do celular.
- Dúvida: escreva a pergunta num papel. Tirar da cabeça tira a urgência de conferir.
- Silêncio: um minuto olhando em volta. Repare no pensamento que aparece.
- Pressão: reduza a tarefa ao pedaço de cinco minutos.
4. Só então decida: pegar ou não. Se pegar, pegue sabendo por quê. A diferença é que dessa vez foi escolha.
5. Anote hoje à noite quantas vezes você conseguiu fazer os passos 1 e 2. O número não precisa ser bom. Precisa existir, porque o que é contado muda.
O que está por trás: no estudo de Wilson e colegas (Universidade da Virgínia e Harvard, revista Science, 2014), muitas pessoas preferiram se dar choque a ficar sozinhas com os próprios pensamentos por poucos minutos. A mão que vai sozinha costuma estar fugindo de um desconforto pequeno. Dar nome a ele é o que devolve a escolha.
Se o celular está tirando o seu sono, o seu trabalho ou as suas relações e você não consegue diminuir, vale conversar com um profissional de saúde.
Responda para si mesmo: qual foi o desconforto que mais mandou a sua mão hoje? | 647 |
| 16 | 🎧 "Amanhã eu saio na hora." Quantas vezes você já jurou isso?
Neste áudio, a Márcia conta com a voz dela por que nenhuma promessa resolvia o atraso de todo dia, e o que ela encontrou quando foi atrás de onde aquilo começou.
Depois de ouvir, três perguntas para achar a sua:
1. Qual é a coisa que você promete mudar todo dia e não muda?
2. O que você sente que precisa deixar pronto, garantido ou perfeito antes de fazer isso?
3. O que você acha que acontece se não deixar?
A resposta da terceira quase nunca é sobre hoje. Costuma ser sobre algum dia em que falhar custou caro.
Se o atraso vem junto com sono ruim, esquecimento e dificuldade de prestar atenção em quase tudo, vale conversar também com um médico. | 653 |
| 17 | Este é o aprofundamento do vídeo da conta das preocupações, o do "de cada dez coisas que tiraram o seu sono, quantas aconteceram de verdade?". Se você ainda não viu, comece por ele:
https://www.instagram.com/reel/DecuW5mDqV6/
No vídeo eu dei o número: nove em cada dez preocupações não aconteceram. Aqui vai como esse número foi feito, e três detalhes do estudo que quase ninguém conta.
1. Quem foi medido
Dois pesquisadores da Universidade Estadual da Pensilvânia, nos Estados Unidos (LaFreniere e Newman, na revista Behavior Therapy), acompanharam 29 pessoas com diagnóstico de transtorno de ansiedade generalizada, a preocupação que não desliga.
Durante 10 dias, quando o celular avisava, cada pessoa anotava a preocupação daquele momento. Toda noite, revia o que tinha escrito. E, ao longo de 30 dias, foi registrando o que de fato aconteceu. Depois, avaliadores de fora leram tudo e classificaram cada preocupação: aconteceu ou não aconteceu.
2. O que apareceu
91,4% das preocupações não se confirmaram.
E o resultado que mais se repetiu, pessoa por pessoa, foi 100%: nenhuma das preocupações anotadas aconteceu.
Ou seja: a preocupação não errou de vez em quando. Ela errou quase sempre.
3. A parte que quase ninguém conta
Primeiro: antes de conferir, as pessoas davam às próprias preocupações uma chance de acontecer muito maior do que a que se viu depois. O erro não está só no assunto da preocupação. Está na certeza que vem junto com ela.
Segundo: o número não é curiosidade. Quem teve mais preocupações desmentidas melhorou mais da ansiedade ao longo do tratamento, e melhorou mais rápido. Os autores concluem que ver a própria previsão falhar pode ser uma parte importante do efeito. Por isso o vídeo termina em conferir, e não em "pare de se preocupar".
Terceiro: os limites. Foram 29 pessoas, todas com diagnóstico e dentro de um tratamento, então o estudo não mede quem se preocupa no dia a dia sem diagnóstico. E o resumo oficial não diz se as poucas preocupações que aconteceram foram tão ruins quanto a pessoa tinha imaginado. Essa parte da sua conta, só você vai saber.
4. O que isso muda hoje
O caderno que deixei na legenda do vídeo é a versão de bolso desse método: anotar, pôr a data, conferir.
Uma coisa do estudo vale copiar: a revisão era toda noite, e não só no fim do mês. Antes de dormir, releia o que você anotou nos dias anteriores e marque o que já tem resposta. (A sugestão é minha, a partir do método do estudo.)
O alarme vai continuar tocando. A diferença é que agora alguém volta para conferir se tinha fogo.
E se a preocupação não deixa você trabalhar, dormir ou sair de casa há semanas, isso pede um profissional de saúde, não um caderno.
Fonte: LaFreniere e Newman, "Exposing Worry's Deceit: Percentage of Untrue Worries in Generalized Anxiety Disorder Treatment", Behavior Therapy, 2020, 51(3):413-423 (doi.org/10.1016/j.beth.2019.07.003, PubMed 32402257). | 698 |
| 18 | Este é o aprofundamento do vídeo do espelho da academia, o da cara de cansado que não é cansaço. Se você ainda não viu, comece por ele:
https://www.instagram.com/reel/DeZ8KyZFCfV/
No vídeo eu contei que olhei um rosto inchado e montei, sem conhecer a pessoa, a história de um momento ruim. Aqui vai o estudo que mostra como essa leitura acontece, e três detalhes dele que quase ninguém conta.
1. Quem foi medido
Em 2013, pesquisadores do Instituto Karolinska, na Suécia (Sundelin e colegas, na revista Sleep), fotografaram 10 pessoas duas vezes, sempre às 14h30. Uma vez depois de uma noite normal de sono. Outra depois de uma noite de 5 horas seguida de 31 horas sem dormir.
Depois, 40 pessoas que não conheciam ninguém ali olharam as 20 fotos e deram nota para o cansaço, para dez sinais do rosto e para a tristeza.
2. O que apareceu
Nas fotos sem sono, quem olhava viu pálpebras mais caídas, olhos mais vermelhos e mais inchados, olheiras mais escuras, pele mais pálida, mais linhas finas e os cantos da boca mais caídos.
E viu uma coisa a mais: as mesmas pessoas pareceram mais tristes. Quanto mais cansado o rosto parecia, mais triste ele parecia.
Ou seja: quem olha não separa sono de tristeza. O olho vê pálpebra caída e a cabeça conclui "essa pessoa não está bem".
3. A parte que quase ninguém conta
Primeiro: ninguém ali estava triste. A tristeza não foi medida em quem foi fotografado. Ela foi vista por quem olhou. Era a mesma pessoa, com a mesma vida, nas duas fotos.
Segundo: nem todo sinal mudou. Vermelhidão de pele e lábios tensos não mudaram com a falta de sono e não entraram na conta do cansaço. O que carrega a leitura são os olhos, a boca e a cor da pele, justamente por onde a gente lê a emoção dos outros.
Terceiro: os limites. Foram 10 pessoas fotografadas e 40 olhando. E o estudo usou quase um dia e meio acordado, muito mais do que uma noite mal dormida. Ele também não fala de álcool. Juntar isso com o vinho da minha semana é a leitura que eu faço, apoiada em outros estudos que citei na legenda do vídeo.
4. O que isso muda hoje
Foi o que aconteceu comigo na academia. Eu vi um rosto inchado e li uma fase ruim. Depois vi o mesmo rosto no espelho e quase li a mesma coisa em mim.
O rosto mostra os últimos dias. A história é a gente que inventa.
Da próxima vez que você olhar para alguém e pensar "essa pessoa não está bem", troque a conclusão por uma pergunta: como foi a sua semana? (Esta pergunta é minha, não saiu do estudo.)
E no espelho vale igual: antes de concluir alguma coisa sobre a sua vida, confira as suas últimas noites.
Fonte: Sundelin, Lekander, Kecklund, Van Someren, Olsson e Axelsson, "Cues of fatigue: effects of sleep deprivation on facial appearance", Sleep, 2013, 36(9):1355-1360 (doi.org/10.5665/sleep.2964, PubMed 23997369). | 697 |
| 19 | Este é o aprofundamento do vídeo da piscina, o do segundo antes do pulo do Dudu. Se você ainda não viu, comece por ele:
https://www.instagram.com/reel/DeXpmzDgFWj/
No vídeo eu disse que, na beira, a criança olha para você antes de olhar para a água. Aqui vai o estudo que mostra o que acontece nesse olhar, e três detalhes dele que quase ninguém conta.
1. Quem foi medido
Em 2014, pesquisadores da Holanda (Möller, Majdandžić e Bögels, na revista Developmental Science) levaram 81 bebês, entre 10 e 15 meses, a um aparelho chamado precipício visual: uma superfície que parece ter um degrau fundo, mas que é coberta por um vidro seguro. O bebê ficava do lado raso. Do lado fundo, o pai ou a mãe pedia para ele atravessar.
Cada bebê foi com um dos dois. Os pesquisadores registraram a expressão de quem chamava e, no bebê, o quanto ele mostrava ansiedade e o quanto evitava atravessar.
2. O que apareceu
As mães fizeram expressões de incentivo mais intensas do que os pais. Mesmo assim, o incentivo dos pais e das mães não teve relação com a ansiedade ou a esquiva do bebê.
O que teve relação foi a ansiedade que o pai mostrava no rosto. Quanto mais ansioso o pai parecia, mais ansioso o bebê ficava e mais ele evitava atravessar. Com as mães, essa ligação não apareceu.
Ou seja: o que pesou foi o que o rosto de quem estava do outro lado mostrava de medo, e não a quantidade de "vem, você consegue".
3. A parte que quase ninguém conta
Primeiro: o incentivo, sozinho, não mudou nada. Chamar com entusiasmo não fez o bebê atravessar mais fácil. O medo no rosto do adulto fez diferença; a animação, não.
Segundo: o efeito foi mais forte nos bebês de temperamento mais ansioso. Quem se assusta mais fácil é quem mais sente o susto de quem está olhando.
Terceiro: o estudo achou que pai e mãe funcionam de formas diferentes nessa leitura, e ele não diz por quê. Também não mostra causa: ele encontrou uma ligação entre o rosto do pai e o comportamento do bebê. Se o bebê ansioso também deixa o pai mais ansioso, o estudo não separa.
Um cuidado meu com você: foram bebês de um ano num aparelho de laboratório, não uma criança maior numa piscina. Levar isso para a beira da piscina é a leitura que eu faço. E o estudo não aponta culpa em ninguém: ele mostra que a criança lê com quem ela mais confia.
4. O que isso muda hoje
Foi isso que o vídeo mostrou: na hora do pulo, o que o Dudu procura no meu rosto é se tem alguém ali. Empurrar com "vai, pula logo" é incentivo demais e presença de menos. Tirar da beira com "deixa pra lá" passa o recado de que o medo era perigo de verdade.
Antes do próximo "pula", solta o ar, deixa o rosto ficar mole e diz só com o olhar: "estou aqui". (Esta frase é minha, não saiu do estudo.)
Hoje, na próxima beira que a criança encarar, repara no seu rosto antes de reparar na água.
Fonte: Möller, Majdandžić e Bögels, "Fathers' versus mothers' social referencing signals in relation to infant anxiety and avoidance: a visual cliff experiment", Developmental Science, 2014, 17(6):1012-1028 (doi.org/10.1111/desc.12194, PubMed 24909521). | 641 |
| 20 | Este é o aprofundamento do vídeo em que eu peço para você parar de gritar "cuidado" no parquinho. Se você ainda não viu, comece por ele:
https://www.instagram.com/reel/DeVIp6Lj1WF/
No vídeo eu disse que a criança não aprende com a palavra, aprende com o seu rosto. Aqui vai o estudo por dentro, e três detalhes dele que quase ninguém conta.
1. Quem foi medido
Em 2006, pesquisadores da Universidade de Reading, na Inglaterra, chamaram 24 mães com seus bebês, todos entre 12 e 14 meses. O bebê via a mãe conversar com um homem que ele não conhecia. Depois era a vez do bebê de ficar com esse homem.
Cada dupla passou por isso duas vezes, com dois homens diferentes. Numa, a mãe conversava normalmente. Na outra, ela se comportava como alguém ansioso diante de um estranho.
2. O que apareceu
Depois de ver a mãe ansiosa, os bebês mostraram mais medo daquele homem e o evitaram mais do que depois de ver a mãe conversar normalmente.
Ou seja: com um ano de idade, a criança já decide o que é perigoso olhando para quem cuida dela.
3. A parte que quase ninguém conta
Primeiro: em nenhum momento a mãe disse ou sinalizou qualquer coisa para o bebê sobre aquele homem. Ela só conversou com ele. O bebê tirou a conclusão assistindo.
Segundo: nenhuma daquelas mães tinha ansiedade social de verdade. Elas foram treinadas para se comportar assim durante o teste. E bastou.
Terceiro: o efeito foi mais forte nos bebês que já eram mais medrosos por temperamento. Quem se assusta mais fácil é quem mais sente o seu susto.
Ou seja: o que passa não é o que você diz para a criança. É o que o seu corpo mostra perto dela, mesmo quando você acha que ela nem está olhando.
Um cuidado meu com você: esse estudo foi feito com pessoas estranhas, e não com brinquedos, e mediu um momento, não a infância inteira. Levar isso para o parquinho é a leitura que eu faço. E ele não aponta culpa em ninguém: mostra que a criança aprende com quem ela mais confia.
4. O que isso muda hoje
Segurar a palavra "cuidado" ajuda, mas não resolve sozinho, porque o rosto chega antes da palavra. Então, antes de fazer a pergunta ("onde você vai pôr o pé agora?"), solta o ar e desfaz a cara de susto.
Hoje, no primeiro degrau que a criança subir, repara no seu rosto antes de reparar no pé dela.
Fonte: de Rosnay, Cooper, Tsigaras e Murray, Behaviour Research and Therapy, 2006 (doi.org/10.1016/j.brat.2005.09.003). | 701 |
