Coração de Urtiga 🌿
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Reflexões vivas sobre Terra Corpo como Medicina: eco-filosofia, eco-mitologia, espiritualidade da Terra, herbalismo, movimento, arte e terapia eco-somáticos.
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Esta sexta ao anoitecer temos uma sessão de Corpo, Terra, Alma Educação somática e dança ritual comigo e com a música ao vivo por Baltazar Molina.
Será das 19h30 às 21h, no @hearth.sintra , o nosso estúdio em Colares.
Esta é uma prática de encontro com o Corpo enquanto parte da natureza Viva, educando para uma relação profunda com a fisiologia, ao mesmo tempo que adentra a dimensão simbólica e emocional de quem somos.
Inspirada em técnicas tradicionais e contemporâneas de danças rituais ibéricas, do médio oriente e Norte de África, resgatando aspectos animistas, terapêuticos e psicossomáticos para estar em presença do nosso corpo com curiosidade, humildade e reverência.
🍁Informações e inscrições:
senhoradazenha@gmail.com
🎃 Tenho tanto para contar e tenho tido tão pouco tempo para o fazer.
Nos últimos meses escolhi dar prioridade aos encontros. Cada trabalho é cheio de cuidado, seja individual ou em grupo.
Esta Boa Morte foi pautada por 4 momentos de celebração maravilhosos, do bosque nocturno à sauna, à presença da Divina Mãe Negra no caminho d'ossos e por fim ao braseiro de minha casa, na reverência deste tempo onde o véu é mais fino e nos dá a sentir os ancestrais que partiram de mãos dadas com os descendentes que virão.
Cada vez mais acredito na simplicidade dos gestos como a maior fonte de orientação e mistério.
Assim, hoje deixo uma receita, criada há cerca de três semanas atrás para este momento do ano.
🎃 Compota de abóbora
Numa panela grande coloca uma abóbora moscada (1.5 kg), uma abóbora hokkaido e uma abóbora menina (750gm cada uma, aproximadamente).
Junta 850gm a 1kg de açúcar panela (demerara ou rapadura), um limão grande inteiro com casca cortado às rodelas, duas colheres de sopa de canela em pó, uma colher de sopa de curcuma com pimenta preta, uma colher de sopa de alecrim, uma colher de sopa de alfazema, uma colher de sopa de erva doce, uma colher de chá de anis estrelado, seis a oito cravinhos, uma colher de chá de noz moscada, uma colher de chá de tomilho.
Mexe bem, tapa e deixa repousar 1h.
A abóbora vai criar bastante suco.
Leva a lume brando e deixa cozinhar até se desfazer.
Passa a varinha mágica para criar um puré, mantém em lume baixinho.
Ferve frascos de vidro herméticos e verte a compota quente para dentro deles juntando algumas nozes em cada um. Fecha bem e deixa arrefecer de cabeça para baixo.
🍂Encantando
Deixo pão, água e vela acesa
Na encruzilhada fria
A cada alma uma mesa
Para acalentar a travessia.
A cada alma uma chama
Para guiar o caminho
Faça-se então a jornada
Com reverência e carinho.
Quando vier minha hora
Levo esta chama em mim
Chego às portas da Senhora
Que me trouxe até aqui.
Senhora da grande Roda
d'Azenha dentro do rio
Senhora que tece a Teia
Senhora que corta o fio.
A hora da minha morte
Há-de ser vivência minha.
Vou de mãos dadas nas tuas
Sendo velha e pequenina.
🍁 Comer com Amor e um chá quentinho, para acalentar o coração nos dias desafiantes.
🍂Na foto estão abóbora hokaido verde em cima e moscada em baixo. Só faltou a manteiga 🙂
Somos as descendentes de ontem e as ancestrais de amanhã. Da nossa qualidade de presença se tece o fio que dá continuidade à teia da vida para quem virá depois.
Carl Jung dizia que só quem pratica a morte em vida aprende a viver verdadeiramente em consciência.
Esta é também a visão dos mais antigos povos pagãos e animistas.
Por isso, convidamos-vos a dois dias de uma jornada muito especial.
Dia 27 teremos uma caminhada nocturna em silêncio na Serra de Sintra e dia 28 Sauna Sagrada Medicinal da Boa Morte.
Podem participar apenas num dos convites ou em ambos.
Continuem a ler, vamos contar tudo em detalhe.
Começamos por vos falar da nossa caminhada da Boa Morte, que será dia 27 de Outubro, das 19h às 22h na Serra de Sintra.
Mulheres que caminham na noite no encontro da Alma com a Natureza viva.
Caminhamos em silêncio e sem lanterna, na escuridão, de mãos dadas, em reverência, em confidência, em oração.
Os percursos não se repetem, cada caminhada é um novo trajecto.
Por entre pedras templo ancestrais, na escuta dos cedros, abetos, tuias e pinheiros do Monte da Lua, Serra de Sintra.
Caminhar na Terra pura na noite escura pode devolver-nos uma capacidade de enfrentar a escuridão com enraizamento e semear esperança a cada passo, com paciência e sem expectativas.
Caminhar no Bosque para voltar à nossa casa ancestral.
Dia 28 temos a nossa Sauna Sagrada da Boa Morte.
Será das 12h até cerca das 19h (pode atrasar o término), na Casa do Páteo, no Meco.
Esta é uma sauna distinta de todas as outras: será uma jornada xamânica aos ciclos de 13 anos, desde a concepção até à entrada nos 90 anos.
Será uma Sauna de 7 portas em vez das habituais 4, honrando o espaço antes de nascer e depois de morrer, juntamente com cada ciclo de vida.
A Sauna Sagrada representa um retorno ao ventre da Grande Mãe.
Um regresso à escuridão uterina, onde fomos geradas.
Estaremos em contacto total com o espaço vida-morte- transformação- renascimento.
Saber mais:
Caminhada:
https://drive.google.com/file/d/1m1BYj-9Yrr3hQaei-_fjU3vf7UTiK7Qi/view?usp=drivesdk
Sauna Sagrada (restam apenas 5 vagas):
https://drive.google.com/file/d/1m2F-vWz3jVL_memwQM8qoQSi2ZmNPror/view?usp=drivesdk
Informações e inscrições:
senhoradazenha@gmail.com
Hoje deixo-vos um texto cru, com carinho. 🙏
🍂Às vezes parece que lhe ouço os passos.
Na noite profunda, quando tudo parece silencioso.
Sei que chora, um a uma, quem pousou no chão o corpo. Pela última vez.
Pela última vez.
Parece que a ouço de lá para cá, atravessando o tempo e o tecido geográfico do território.
Atravessando-me a mim.
Olha-me nos olhos sem ter olhos seus mas tudo vendo.
Tem as mãos beduínas, berberes, como a minha avó Ilda. O rosto sefardita como o meu avô José.
Como eu. Como eu.
Chora como eu choro todos os êxodos forçados e todas as presenças que dizimaram vidas em territórios alheios que por força das circunstâncias tiveram que fazer seus.
Trago-os nos tecidos do ossos, de uma Beira Baixa lusitana, celta, minoica, berbere, beduína, sefardita, moura. Portuguesa tapeçaria. Como noutros lugares médios, entre os mais a norte e os mais a sul.
Ela acolhe os mortos e beija-lhes todas as feridas. Chora enquanto canta e canta enquanto ora aos ossos.
Conhece a todas e a todos por debaixo da pele, do sangue, da cinza, do abuso, da barbárie.
Velhos, crianças, mulheres, homens, quebrados, eviscerados, magoados, imaculados.
E eu sem saber porquê escuto-os com ela, todos me cabem no coração e todos me transbordam.
Os territórios são tapeçarias vivas, não voltam a ser o que foram. Se não nascemos indígenas deles, tornamo-nos. Inevitavelmente. E neles estarão outros, ora semelhantes ora diferentes de nós, mas igualmente humanos diante do sangue, da prece, da morte, da vida, da perda, da fome, da solidão, da angústia, do amor.
A pertença é uma urgência humana e mais ainda, humanitária.
Tece-la em Paz e sororidade a mais dura das práticas e a mais necessária.
Ouço o eco no peito e nos ossos.
Ela vem dando passos leves, monumentais e eternos.
Shekinah
Mariam
Allat
Al Uza
Mannat
A pomba branca
A andorinha
A corvo
Nem precisa que lhe saibam o nome nem que chegou antes dos Deuses a quem emprestou a identidade.
Nas horas negras do deserto do desespero profundo que devora todo o senso do mundo, vem sempre sempre. Do primeiro olhar do recém nascido ao último do defunto.
Com ou sem fé, é o que é.
Veio, vem, virá.
Sendo ou não chamada.
Move-se através do mistério das suas mãos coração.
Só quem traz o coração nas mãos de tão aberto, frágil e fecundo a pode sentir em vida. É uma benção e uma tristeza infinda, de tão cortante e de tão linda.
E é porque ela vem que da devastação se há-de fazer caminho, Inevitavelmente.
Com ou sem a nossa compreensão, diante do olhar atento da compaixão que nos move e que não podemos jamais, jamais ousar perder, seja por quem for.
Porque
Se todos são seus filhos e filhas e a todos ela acolhe seja qual tenha sido o destino e escolha.
Também nós podemos.
Que a dor encontre sempre na negra encruzilhada o Amor que ampara.
Oh divina Senhora da Cruz
Para lá
Vou eu andando
Minha Alma já lá está
Meu coração
Vai chegando
Oh divina Senhora da Cruz
E à vossa porta cheguei
Que os teus olhos me acompanhem
E como tu
Passos eu dê
Já que só temos impotência, que se transforme em amorosidade e fé.
Dessa daninha.
Que nasce nos lugares mais inóspitos e improváveis e mais necessários.
Coloco o coração no chão e beijo a Terra.
É com profunda alegria que iniciamos mais um ano de jornada vivencial das 13 Luas.
Será um ano de jornada lunar com práticas de estudo e rituais animistas, de 13 de Novembro de 2023 a 1 de Novembro de 2024.
Depois de vários anos de investigação e estudo das divisões do ano mágicas, simbólicas, alquímicas e pagãs da tradição celtibérica, nasce a Espiral das 13 Luas.
Aqui, combinamos a prática de Ecologia Sagrada e Feminina com a sabedoria da Roda do ano, Roda de Medicina, plantas, árvores, pedras e animais de poder.
Trabalhando a relação Corpo-Mente-Alma com a sazonalidade e a ciclicidade do ventre, da Terra, Lua e Sol. Abraçando a face verde e a face negra do ano, na complementaridade noite e dia, luz e escuridão, quente e frio, interno e externo e sua influência nas nossas vidas, na Terra e nos nossos estados psico-emocionais.
Resgatando os nomes de cada Lua e as fases da lunação como barómetros que nos apoiam a um estado de presença plena mais apurado e em maior sintonia com a Natureza, quer da Terra quer do Céu.
Recuperando o simbolismo mágico e xamânico de cada Lua, os animais, árvores, plantas e práticas a ela associados mês a mês. Trabalhando igualmente a ética e princípios do círculo e da prática mágica enquanto caminho de alquimia interior e de todas as nossas relações.
Entenderemos também aspectos medicinais essenciais das plantas e nutrição de cada estação, de forma a criar autonomia consciente sobre a nossa saúde e bem-estar, em harmonia com a Natureza Mãe.
Informações:
No link abaixo e em senhoradazenha@gmail.com
https://drive.google.com/file/d/1DIr7PrURVt9PJ0uZTCyeQ3qKFNX_N-0z/view?usp=drivesdk
Quero falar-vos da imersão eco-somática Caminhos d’ossos
A descida do Sol e das plantas no corpo e na psyche
🍂 tenho somente duas vagas disponíveis para esta
Imersão eco-psico-somática
online e presencial
Será de 10 de Outubro a 3 de Novembro, composta por duas aulas online semanais e um fim de semana presencial em Sintra (datas detalhadas abaixo).
Conto com apenas 6 vagas disponíveis, o grupo será mesmo muito íntimo para que nos possamos conhecer a trabalhar com um tempo respeitoso.
O que é esta imersão?
Esta é uma jornada vivencial. Não é um curso, nem uma formação, mas uma experiência subjectiva, íntima, sensível e partilhada num grupo seguro.
É uma reflexão experiencial activa e comprometida sobre a nossa relação com a Terra, o corpo e a psyche como forças dinâmicas estruturais. Aprendendo a reconhecer o nosso sistema nervoso, psyche e a nossa fisiologia na relação com a nossa natureza profunda, a Natureza da Terra e sua teia de relações dinâmicas e com as diferentes relações humanas.
Nesta jornada, focaremos a descida solar, a chegada da estação fria e das noites longas.
Observaremos com curiosidade e muitas perguntas vivas que ampliam a percepção e sensação a natureza da Terra e do corpo.
Olharemos mitos orgânicos ancestrais que nos orientam na vivência dos ciclos e daremos atenção a como a relação entre sol e solo também conversa com o nosso sistema nervoso, tão de perto.
Desceremos ao lugar da pedra, do osso que se fez pó, das águas subterrâneas, das raízes que sustentam a montanha.
Atravessamos com a senhora d’Azenha, Ataégina, Isis e Inanna.
Despindo o que outrora foi pele fértil, no encontro com a Alma que é fio no tear das relações que nos tecem e tecemos.
Mitologia da Terra Viva, eco- espiritualidade
educação eco-psico-somática
ecologia profunda
🍁 Informações na bio e em senhoradazenha@gmail.com
🫠 Eu bem sei que vocês sabem que eu sei que vocês sabem qoe algures a meio do Verão, há 3172 anos atrás eu prometi uma receita desta bebeida muito melhor do que o café e que nunca mais aqui chegava.
Bom, bom.
Afinal entretanto foram
só uns vinte kilos de compotas, uma Peregrinação ao Gerês, o início de um novo ciclo da @senhoradazenha e mais coisas sobre as quais quero escrever no tempo da folha que cai e do vento que a sopra a soltar.
Por enquanto e sem mais delonga, aqui vai esta receita incrível:
Ingredientes:
Meio litro de água (preferencialmente filtrada)
1 colher de chá de cogumelo chaga em pó
1 colher de chá de cogumelo juba de leão em pó
1 colher de sopa de infusão de bolota em pó
1 colher de café de canela
1 colher de chá de flor de alfazema
Levar a lume e deixar ferver 3 minutos
Servir e deliciar-se.
Propriedades: estes dois cogumelos pertencem à família dos imuno-moduladores. O que quer isto dizer? Quer dizer que para além das suas acções medicinais específicas individuais têm a capacidade de melhorar as respostas imunitárias. Ambos são excelentes em casos de alergia e doenças auto-imunes uma vez que educam o metabolismo a voltar as respostas imunitárias para o exterior em vez de as internalizar.
O juba de leão desinflama e regenera o sistema digestivo, apoia a relação cérebro/intestino e ajuda na criação de novos caminhos neuronais.
O chaga é um fortalecedor do sangue, apoia a função cognitiva e é anti-inflamatório.
Compro da Biosamara.
A infusão de bolota, como qualquer outra parte do soberano carvalho, é extremamente rica em ferro e minerais. Compro da Herdade do Freixo do Meio
A canela regula os níveis de açúcar no sangue e é anti-inflamatória.
A Alfazema melhora o foco, regula o sistema nervoso e apoia a função do fígado e estômago.
🍁Gosto de tomar todas as manhãs.
Às vezes também à noite, como hoje, quando a Lua pede.
🍂Agora digam-me: quem vai experimentar?!
🌿Celebramos o Equinócio de Outono caminhando no Bosque de Sintra.
No dia 23 de Setembro, pelas 15h30 até cerca das 20h30.
Desta vez, juntaremos ao silêncio da caminhada reconhecimento de plantas medicinais e sua mitologia, aprenderemos a fazer incensos medicinais a partir de espécies caídas no solo e faremos uma cerimónia de Tambor na Floresta.
A caminhada inicia pela tarde e termina pela noite, pelo que faremos parte dela imersas na doce escuridão do Bosque.
Começamos a adentrar a Floresta, com toda a profunda sensibilidade e sabedoria que nos trazem na sua mestria selvagem.
A arte dos incensos medicinais é de grande valor no herbalismo, uma vez que desinfeta o ambiente da casa, purifica, energiza e revitaliza os espaços. A defumação é uma prática fundamental para afastar doenças e impurezas bem como, no seu aspecto metafísico, é usada precisamente para limpar energeticamente o que não deve estar presente no nosso espaço íntimo. A nível medicinal as plantas usadas visam sobretudo trabalhar o sistema nervoso, respiratório e circulatório.
A cerimónia de Tambor será um círculo de gratidão diante das bençãos recebidas durante toda a estação quente, e de reverência diante dos desafios que nos visitaram.
Mulheres que caminham na noite no encontro da Alma com a Natureza viva.
Caminhamos em silêncio e sem lanterna, na escuridão, de mãos dadas, em reverência, em confidência, em oração.
Os percursos não se repetem, cada caminhada é um novo trajecto.
Por entre pedras templo ancestrais, na escuta dos cedros, abetos, tuias e pinheiros do Monte da Lua, Serra de Sintra.
Caminhar na Terra pura na noite escura pode devolver-nos uma capacidade de enfrentar a escuridão com enraizamento e semear esperança a cada passo, com paciência e sem expectativas.
Caminhar no Bosque para voltar à nossa casa ancestral.
Sabe mais aqui:
https://drive.google.com/file/d/1carvfPH_Vi0giuznuJWaq_exwqXCqYib/view?usp=drivesdk
Chegaram as primeiras chuvas, que nutrem a Terra seca e despem o que foi verde e agira deve cair para se decompor e tornar solo.
No chão como no coração, a descida é um convite inegável a enraizar, despir enquanto cuidamos do chão que nos nutre e de onde nos erguemos.
É tempo de ir passo a passo com gentileza, de entrar no lar e cuidar a casa, o coração, as relações que nutrem. É também tempo de fechar ciclos com pessoas e circunstâncias que não fazem parte do lar e do caminho. A gentileza só é possível em total honestidade, porque tudo no adiamento e na ilusão ou falsidade é violento.
A coragem é sempre gentil, porque nutre e cuida a melhor direcção. É um parto da Alma, que mesmo na ruptura, traza nova vida mais completa, íntegra e inteira.
Como sempre, temos convites de grande beleza, que criámos com todo o Amor.
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