Coração de Urtiga 🌿
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Reflexões vivas sobre Terra Corpo como Medicina: eco-filosofia, eco-mitologia, espiritualidade da Terra, herbalismo, movimento, arte e terapia eco-somáticos.
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No coração do frio, aquecemos o coração.
No dia 8 de Dezembro, feriado, temos uma sessão de Corpo, Terra, Alma: Educação somática e dança ritual orientada por Íris e com música ao vivo por Baltazar Molina.
Será das 10h às 13h, no Hearth, o nosso estúdio em Colares.
Esta é uma prática de encontro com o Corpo enquanto parte da natureza Viva, educando para uma relação profunda com a fisiologia, ao mesmo tempo que adentra a dimensão simbólica e emocional de quem somos.
Inspirada em técnicas terapêuticas eco-psico-somáticas, danças tradicionais e contemporâneas rituais ibéricas, do médio oriente e Norte de África, resgatando aspectos animistas, terapêuticos e psicossomáticos para estar em presença do nosso corpo com curiosidade, humildade e reverência.
No Hearth, o nosso espaço no coração de Colares, Sintra.
Informações:
https://earthbodymedicine.com/events/corpo-terra-alma-dez/
e em
senhoradazenha@gmail.com
Chegou o Almanaque feminino celtibérico, criado com tanto tanto Amor pela Carolina Mandrágora, Lila Moreira e por mim.
O valor é muito acessível e a informação é preciosa.
Comprem já o vosso, porque a edição é muito limitada.
Aqui:
https://www.etsy.com/shop/carolinamandragora/?fbclid=PAAaa5q5_B-U6UjDYCORr25TnjitjrsVZZ9UILFYF08ehEppnhIwQ9VEyXbV0
É aqui.
O meu lugar.
Onde a reverência é remembrar do tanto que me quebro para seguir nos caminhos quotidianos do mundo.
É aqui que a reparação acontece.
Que retorno ao ser mamífera, simplesmente.
Às vezes os passos demoram-me. Tanta é a carga mental que demoro a chegar ao corpo e ainda mais ao chão.
Preciso de caminhar muito.
E de silêncio para conseguir escutar com inteireza e sem tantos lapsos.
No dia 15 de Dezembro caminhamos no Bosque nocturno de Sintra, entre Mulheres, das 19h às 22h na Serra de Sintra.
Iniciamos a jornada que leva ao abraço do Solstício de Inverno, com Amor e sororidade, no encontro da Senhora dos caminhos Negros, Mãe Noite e Terra Negra fecunda.
Mulheres que caminham na noite no encontro da Alma com a Natureza viva.
Caminhamos em silêncio e sem lanterna, na escuridão, de mãos dadas, em reverência, em confidência, em oração.
Os percursos não se repetem, cada caminhada é um novo trajecto.
Por entre pedras templo ancestrais, na escuta dos cedros, abetos, tuias e pinheiros do Monte da Lua, Serra de Sintra.
Caminhar na Terra pura na noite escura pode devolver-nos uma capacidade de enfrentar a escuridão com enraizamento e semear esperança a cada passo, com paciência e sem expectativas.
Caminhar no Bosque para voltar à nossa casa ancestral.
Sabe mais aqui:
https://feminineconsciousness.com/events/caminhadas-selvagens-dez/?occurrence=2023-12-15
E em senhoradazenha@gmail.com
Pois é, está quase a chegar Dezembro e com ele a Masterclass mais incrível do ano!
Ao longo dos últimos 4 anos esta Masterclass foi online, mas desta vez será presencial, em Sintra.
As vagas são muito limitadas e a informação é pura literacia para a saúde e sustentabilidade.
Será dia 16 de Dezembro das 10h às 14h, no Hearth, a nossa casa que é colo no coração de Sintra.
Através das técnicas desta masterclass poderás ter:
- saber quais a plantas principais para reforço, regeneração e protecção do sistema imunitário
- aprenderás a preparar vinagres mãe e macerações em vinagre medicinal
- as melhores combinações medicinais para melhorar a vitalidade do intestino e sistema digestivo bem como adrenais, regulação hormonal, sistema imunitário, sistema circulatório e respiratório
- Oxymel
- elixires de Inverno
- extração a frio de tinturas medicinais
-chás: infusões e deccocções para ingestão, banhos e escalda pés
Vai ser tão bom!
Sabe mais:
E em:
senhoradazenha@gmail.com
🍁LUA DA CORUJA
Senhora dos Olhos de Sol, do coração da Ibéria desde o tempo primeiro e primordial.
Na noite densa e escura onde as primeira mulheres aconchegavam os filhos e pintavam de ocre a face e os seios diante de cantos e orações na nossa língua materna já perdida mas qua ainda nos pulsa nos ossos era o seu canto que, tal como desde então e até hoje acontece, preenchia cada recanto da noite.
Ela vê sem ser vista, move-se com precisão na escuridão.
Para as nossas primevas ancestrais ela é Aquela que traz o Sol no olhar porque ela consegue ver através da noite sem nenhuma outra luz que a dos seus próprios olhos.
Por isso, ela olha por nós. Por todas nós.
Há mais de 6000 representações suas na Ibéria, feitas de xisto, todas distintas e únicas. Era trazida ao pescoço, no coração. Lembrando-nos que a Natureza é Mãe ora carinhosa ora brutal e que nas suas faces paradoxais nos movemos como parte da fina teia que tudo permeia.
A Mãe Coruja oferece alento, daquele que é tecido no fio da coragem. Ela não revela o mapa nem o destino, mas permite ver cada passo, passo a passo do caminho e isso não só é o suficiente para nos orientar, como já é tanto.
Ela cuida quem parte e tudo aquilo que morre. Faz do coração, da pedra e das mais altas árvores morada de onde nos observa sem que a vejamos. Não precisamos de a ver, sabemos que está lá.
A Mãe Coruja oferece fé, daquela que todos os dias se pratica para que seja real e que não depende nem de boas, nem de más, nem de nenhumas razões para existir. Existe porque essa é a sua natureza selvagem e porque é a maneira que temos de comunicar com Ela, a que tudo vê, a que tudo Sabe, a que olha por e para nós.
A Mãe coruja oferece resiliência, daquela que se pratica por ousar viver cada dia com dignidade e com honestidade absoluta.
Ela fecha e abre a roda do ano celta.
Ela traz as almas dos recém nascidos, leva as almas de quem partiu, canta às plantas, às pedras, às águas, ao chão e a todos os animais para que existam e persistam, para que atravessem e se deixem atravessar pela vida. Ela lembra que nascer é o contrário de morrer mas a vida não tem contrário, apenas continuidade, tecida a linhas de fases e estados desiguais. Afinal, tudo é uma paisagem viva, feita de tantas coisas ao mesmo tempo, heterogéneas, complementares, num ecossistema físico e metafísico bio diverso onde da morte se faz chão e do chão se fará pão e tudo, mas mesmo tudo e seja o que fôr, é coração.
Assim iniciámos a Jornada das 13 Luas, nesta Lua nova da Coruja. Em círculo, agora como outrora, para caminhar um ano e um dia.
🍂A foto da Coruja é de Paul Browning.
Na segunda foto vemos a escultura de Lila Moreira, inspirada nas mais de 2800 figuras de xisto neolíticas ibéricas.
🦉Como vos toca esta Lua? E estas palavras?
🍂 A pedido da querida Inês aqui fica a receita de leite caseiro de amêndoas, ou avelãs, ou caju ou sésamo negro.
Tostar numa frigideira sem óleo 4 colheres de sopa de amêndoas, ou avelãs, ou cajus ou sementes de sésamo negro.
Colocar num copo e juntar um litro de água filtrada ou da fonte, adicionar uma colher de chá de óleo de cânhamo ou sésamo, uma pitada de sal e outra de canela.
Passar com a varinha mágica até ficar bem misturado.
Com um coador fininho passar o leite e separar da polpa.
O leite está pronto e dura 4 a 6 dias no frigorífico em frasco de vidro hermético.
A polpa pode ser usada em papas, bolos e bolachas. Dura 4 dias crua no frigorífico e vários depois de cozinhada.
Disfrutem 💜🥰
🍁Este sábado partilhamos silêncio, contemplação, entrega e deslumbramento.
Caminhando na noite, pela lua nova.
No dia 18 de Novembro caminhamos no Bosque nocturno de Sintra, entre Mulheres, das 19h às 22h na Serra de Sintra.
Mulheres que caminham na noite no encontro da Alma com a Natureza viva.
Caminhamos em silêncio e sem lanterna, na escuridão, de mãos dadas, em reverência, em confidência, em oração.
Os percursos não se repetem, cada caminhada é um novo trajecto.
Por entre pedras templo ancestrais, na escuta dos cedros, abetos, tuias e pinheiros do Monte da Lua, Serra de Sintra.
Caminhar na Terra pura na noite escura pode devolver-nos uma capacidade de enfrentar a escuridão com enraizamento e semear esperança a cada passo, com paciência e sem expectativas.
Caminhar no Bosque para voltar à nossa casa ancestral.
Vêm connosco?
Saibam mais aqui:
https://feminineconsciousness.com/events/caminhadas-selvagens/?occurrence=2023-11-18
Ou escrevam-nos: senhoradazenha@gmail.com
🍁Hoje a chuva cai.
Escrevo de janela fechada sentindo, ainda assim, a chuva escorregar em mim com gentileza, generosidade e a tristeza reverente e compassiva que estes duros dias no mundo nos trazem.
Aprendi a cozinhar com duas Mulheres e um Homem: a minha Madrinha, a minha Avó e o meu Pai.
Em comum têm o facto de terem vivido fome durante toda a infância e juventude. Ninguém cuida o alimento como quem não o teve.
E talvez daí me venha uma reverência e gratidão inabalável. Nunca houve na nossa casa comida processada. Nada de nada.
A Avó vendia no mercado todas as semanas, a Madrinha acordava de madrugada ao domingo para chegar bem cedo à feira do Relógio e comprar o que havia de mais cedo e o Pai aos sábados estava presente na abertura da praça com a mesma intenção. Sempre se cozinhou tudo de raíz e sempre se comprou em abundância mas sem excesso, sempre se aproveitou tudo mas mesmo tudo de todos os alimentos. E eu não sei e nem sequer quero saber fazer de outra maneira.
Creio que entre muitas outras coisas a cozinha é a cama dos Deuses: o lugar onde amam, sonham, repousam, cuidam da Alma e curam devagar no correr do tempo. É onde lhes vejo claramente a face e me sinto vista, onde a divindade dos alimentos me recorda que nada é mais tangível do que o Sagrado, mas o Sagrado requer labor.
A cozinha é o laboratorium: onde se labora e ora, se nutre e se prepara o que é medicinal. Onde se pratica discernir a dose, o tempo, o que fica e o que vai, o impacto e a alquimia.
Assim, deixo a prometida receita do Bolo de abóbora, côco e especiarias.
Numa panela juntei uma lata de leite de côco (escolhi o biológico do Aldi), uma abóbora hokkaido laranja de cerca de 300gm descascada (usei a casca na sopa), uma cenoura bem grande e casca de um limão. Parti aos pedaços e deixei ferver em lume médio até ficar macio, juntamente com uma colher de café de curcuma com pimenta preta, uma colher de chá bem cheia de canela, duas colheres de sopa de óleo de côco, anis estrelado, 2 cravinhos, erva doce, alfazema, alecrim, noz moscada e cardamomo a gosto. Eu usei uma colher de café de cada.
Depois de macio, passei com a varinha mágica.
Numa taça grande juntei 6 ovos, 500gm.de farinha de trigo sarraceno (já sabem que sou celíaca e tenho intolerância vários outros cereais então esta é a minha farinha de eleição), 325gm de açúcar panela (rapadura ou demerara), uma colher de chá de bicarbonato de sódio e outra de vinagre de cidra, misturei vem e acrescentei o puré mexendo muito muito bem.
Depois acrescentei nozes partidas aos bocadinhos, entre 150 a 200gm.
Quando faço bolos e doces tenho sempre em atenção terem um bom aporte proteico para que não criem picos de açúcar no sangue.
Coloquei em forma e levei ao forno a 180° cerca de 20 minutos.
Pode ser colocada uma cobertura de chocolate negro, depois acabei po colocar.
Como foi uma criação para o bolo de aniversário do meu filho a dose é grande mas podem dividir tudo por metade se for melhor.
Ficou maravilhoso.
Quem vai experimentar?
Contem-me tudo!
🍁Hoje estive neste Templo. Um bosque Sagrado e entendido como tal por quem o visita.
Este é um Teixo centenário.
Junto a este há outros três.
Em Portugal é uma espécie rara, porque a nossa floresta tem sido tão maltratada.
Aqui em Glastonbury e sobretudo nesta época do ano os Teixos falam-nos de Morte, de Ancestralidade e Reverência.
Os povos celtas chamam-lhe a Guardiã dos que partem. A sua folha pode induzir a morte e dizia-se que quem adormecia debaixo do Teixo partia oara o mundo das fadas.
Os celtibéricos tinham mouras mas não faddas, mas os celtas nórdicos consideravam as fadas de forma semelhante às mouras. O termo moura antecede a presença árabe no nosso território (cerca de 800 dC) embora não anteceda a presença de diversos povos do Magreb, também eles colonizados pelo povo árabe.
Tal como as Mouras as fadas são as guardiãs dos lugares selvagens, transitam entre o visível e o invisível, cuidam os elementos e trazem mensagens do mundo espiritual. Quem partecpara o mundo das fadas não mais regressa a este. Elas podem atravessar, no seu tempo eterno. Nós, em uma noite de fada, envelhecemos uma vida inteira e não temos mais lugar aqui.
Em Portugal desde a idade média os teixos foram sendo dizimados. As cabras e ovelhas comiam as suas folhas e bagas e o seu coração ia desacelerando, com calma e vagar, até parar definitivamente. Sem qualquer dor.
Foi por isso usado desde a noite dos tempos para doenças terminais dolorosas e incuráveis, por quem tinha a mestria devo saber preparar na dosagem e forma certa, com os ritos sagrados adequados de que uma passagem tão importante carece.
Claro que o que mata as cabras alimenta os pássaros, os insectos, fertiliza o solo. Porque a Natureza não comete nenhum erro, o nosso entendimento é que é pequeno para abarcar e abraçar o mistério na sua pertinência maior do que nós.
Esta é uma das Árvores com as quais criaremos relação, na sabedoria do Herbalismo ancestral, tanto medicinal como metafísico.
Na nossa Peregrinação a Inglaterra neolítica e Arturiana, Ella.
Será de 30 de Março a 6 de Abril.
É uma viagem transformadora, que continuará a abrir caminhos dentro de nós a vida inteira.
Quem vem connosco?
Saibam mais aqui:
https://drive.google.com/file/d/1TS3GZ6y9GOH8T1HevAG3HQjpVJK2l3Hb/view?usp=drivesdk
🦉senhoradazenha@gmail.com
🍂 Nesta noite de domingo quero falar da importância de cuidar o sistema nervoso na transição para a estação fria.
E tenho uma receita simples e maravilhosa, por isso, bare with me até ao fim do texto...
Podemos sentir o frio, a chuva e os dias mais curtos e escuros ou como desafiantes ou como reconfortantes. Depende do caso.
Criar na casa um lugar de amparo, beleza e simbolismo apoia no momento em que passamos mais tempo dentro do que fora dela. Ao mesmo tempo, continua a ser mesmo fundamental passar tempo na natureza, mesmo na chuva e frio. Pelo menos duas horas semanais, para que a nossa regulação nervosa mamífera intrínseca possa acontecer, fora do meio social e na envolvência da Natureza que é a nossa primeira Mãe, corpo e casa viva.
Vou partilhar hoje dois recursos importantes:
Para mim, tudo o que posso colher do tanto que agora está caído no chão da floresta dá-me um senso de pertença e continuidade com o Bosque. Embora more numa aldeia, é importante para mim cultivar o senso de morar numa casa na floresta e de me manter visual e sensorialmente ligada às cores, texturas e cheiros do Bosque.
A seu tempo devolvo o que trouxe e apanho novos elementos caídos no chão.
O chão dá-nos tanto.
Coloquei no centro da mesa da cozinha este prato, que é o nosso altar sazonal.
Fiz também um chá de receita minha, maravilhoso para o intestino, estômago, sistema imunitário e nervoso.
🍁Chá de Outono
Numa chaleira levar a lume um litro de água, 1 colher de sobremesa de alteia e outra de alcaçuz. Deixar ferver 15 minutos em lume brando.
Retirar do lume e acrescentar 1 estrela de anis pequena, 1 colher de café de canela em pó, uma colher de chá de alfazema, outra de erva doce e outra de funcho.
Opcional: casca de laranja, tangerina ou limão.
Deixar repousar tapado 15 minutos, coar e servir ou guardar num termo e ir bebendo.
Hoje, foi o bálsamo que o meu corpo e coração precisavam.
🎃Entretanto, fiz bolo de abóbora e côco. Querem a receita?
