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A Autoridade Da FIFA
A FIFA é a mesma autoridade futebolística que se afirma como idônea e que teve seu ex-presidente, o suíço Joseph Blatter, afastado do cargo em 2015 e depois banido do futebol após investigações do Comitê de Ética da entidade revelarem esquemas de fraude, suborno e pagamentos irregulares. Qualquer pessoa adulta deveria ao menos ter dúvidas se realmente esta federação internacional de futebol é realmente merecedora de tanta credibilidade na sua autoridade e eventos que organiza.
E nessa Copa 2026, foi essa mesma FIFA que anulou a suspensão automática do cartão vermelho do jogador americano a pedido de um presidente e que tem VAR anulando um gol egípcio por uma reslada no pé do argentino por um jogador egípcio — e que o juiz em cima não deu, como não havia dado inúmeros choques, toques, estouradas — meio século antes do gol do Egito (mas no jogo Argentina x Áustria não fez o mesmo a favor da Áustria num gol do Messi em que houve falta — muito mais óbvia no austríaco — que originou a jogada do gol), e que também não revê o toque no pé do Salah pelo Martinez dentro da área argentina, na jogada em que resultou no gol da virada e vitória da Argentina.
Mas repara na quantidade de NPC's que ainda se submetem caninamente à autoridade e à palavra da FIFA quando esta diz que sua simulação de VAR semiautomático e "chip" na bola são infalíveis e confiáveis... Essa gente está madurinha para aceitar qualquer tirania que se arrogue uma autoridade idônea e imparcial (e se porte e se vista como uma) e que, ademais, garanta que aja em nome da Ciência, Justiça, Igualdade e qualquer outro desses lugares-comuns com significantes sedutoramente indubitáveis à maioria dos ouvidos passivos dessas massas pastosas, estúpidas e servis.
https://arierbos.medium.com/uma-vida-de-winston-smith-398984e72b5a
| 2 | "A restauração de uma verdadeira intelectualidade, ainda que somente entre uma elite restrita, pelo menos a princípio, nos parece o único meio de pôr fim à confusão mental que reina no Ocidente; somente assim podem ser dissipadas as inúmeras ilusões vās que pesam no espírito de nossos contemporâneos, as inúmeras superstições, tão ridículas e destituídas de fundamento quanto aquelas de que zombam, a torto e a direito, as pessoas que gostariam de passar por "esclarecidas"; e somente assim poder-se-á encontrar um território de entendimento com os povos orientais."
René Guénon | 1 |
| 3 | "A restauração de uma verdadeira intelectualidade, ainda que somente entre uma elite restrita, pelo menos a princípio, nos parece o único meio de pôr fim à confusão mental que reina no Ocidente; somente assim podem ser dissipadas as inúmeras ilusões vās que pesam no espírito de nossos contemporâneos, as inúmeras superstições, tão ridículas e destituídas de fundamento quanto aquelas de que zombam, a torto e a direito, as pessoas que gostariam de passar por "esclarecidas"; e somente assim poder-se-á encontrar um território de entendimento com os povos orientais."
René Guénon | 26 |
| 4 | "O único trabalho que você começa no topo é cavando um buraco."
Autor Desconhecido | 32 |
| 5 | Independente se vai ganhar ou não (são agora 90' do segundo tempo de Argentina x Egito), olha a raça da seleção argentina, mira a vontade de não perder, a entrega, a resiliência de um time que perdia de 2 x 0 para seleção do Egito melhor e fechada. E faz um paralelo com o Brasil pusilânime, assustado, atávico perdendo de 1 x 0 para a Noruega e sua postura do time e individual em campo... É foda... Lamentável... | 33 |
| 6 | A Síndrome de Vira-Lata que o Nelson Rodrigues alardeava, o Complexo da Foquinha nunca foi tão claro em nós ao ver quase todos jornas entrevistando noruegueses e pedindo palavras de conforto ao Brasil...🙄 https://arierbos.medium.com/o-complexo-de-foquinha-brasileira-844da8114a35 | 38 |
| 7 | Brasil 🇧🇷 X Noruega 🇧🇻
Independente de todos erros que serão debatidos à exaustão da seleção de futebol do Brasil, a apatia, a falta de vontade de todos jogadores que entraram em campo no segundo tempo foi aviltante. No primeiro tempo, o Brasil começou meio desatento (até tomou um gol que o jogador estava em impedimento e com o Casemiro chegando na cabeça da área dois anos depois), se acertou, perdeu chances, desperdiçou pênalti, mas aceitou ficar passivo contra a Noruega; que era o jogo de posse de bola que ela sonhava. Mas no segundo tempo, o time andou em campo, atávico, parecia uma pelada de fim de ano da turma dos aposentados. Tinha que se foder mesmo!
Vinicius Jr., depois do pênalti que o Bruno Gilmararães perdeu, achou que tinha que resolver tudo sozinho e esfomeou muito e tomou muita decisão errada, fazendo sua pior partida por excesso de más iniciativas. Casemiro foi horrível; é um jogador lento, ficou tão desinteressado quanto no jogo do Marrocos, trotando em campo, desperdiçando lances cruciais e nem deveria ter sido convocado. Por que não Danilo Santos no lugar dele? De resto, testemunhamos um time inócuo, passivo, e que mesmo perdendo não tinha agitação. Foi repugnante a postura no segundo tempo.
Rayan jogou, de novo, um futebol pragmático; marcou bem no lado direito, mas quando pregava a bola não tentou uma única vez ir para cima do marcador: ou passava para trás ou tocava à frente quando eventualmente uma alma caridosa passava para linha de fundo. Por que o Luiz Henrique não entrou no lugar do Rayan? Era jogo para ele driblar o norueguês, ir para cima, coisa que o ex-vascaíno não fez. Se queria só um marcador ali, coloca um cabeça de área na posição. Levou o Neymar para que, Carlo Ancelotti? Por que não colocou o craque que convocou lesionado e tratou para entrar em situações de decisivas logo de início? Ou no início do segundo tempo? Para que colocar Éderson com time perdendo?
Matheus Cunha foi razoável, mas apagou no segundo tempo, junto com Gabriel Martinelli e Bruno Guimarães (este desde que perdeu o pênalti). E o Endrick até agora ainda está preso na decepção do gol feito que perdeu, dominando e concluindo pessimamente. O jogo para ele acabou ali: ele não parou de pensar naquilo, tanto que na jogada seguinte esfomeou numa bola que deveria tocar para o Vinicius e errou tudo, não marcou, não fez mais nada... Desmoronou como um garoto com aquele erro e não conseguiu superar a pressão pela falha cometida diante de tanta expectativa que recebeu de milhões que o queria como titular.
Mas que importa mesmo é o novo "look" trançado que o Raphinha, que estava machucado, caprichou para sair da Copa. O Brasil está eliminado; mas as trancinhas ficaram certinhas e simetricamente coloridas de amarelo e preto. Me incomodo com o foco obsessivo nessa vaidade cafona dos jogadores, e a correspondência e resultados em campo pela seleção (que se dane o que fazem em seus clubes). Pode ser que não tenha relação alguma, mas desde que essa modinha de tatuagens, cabelinhos mudando a cada jogo, sobrancelhas feitinhas, brinquinhos de diamante, muita marra sem resultados dominou o "ethos" futebolístico no Brasil e no mundo, a seleção só coleciona fracassos.
Pega o visual dessa seleção, pega a síntese dessa geração. | 52 |
| 8 | O nome do atacante Sørloth da Noruega parece com o de personagem mal do J. R. R. Tolkien. Se tivesse lá em Arda, Sørloth poderia ser o braço direito de Morgoth no roubo das três Silmarils do Alto-Elfo noldor, Fëanor, e na fuga deles para fortaleza de Angband, na Terra-Média. | 49 |
| 9 | Não há tirania pior do que a que agride cada inteligência e aprisiona cada consciência manipulando a realidade com toda sorte de mentiras e forçando que todos, em espiral do silêncio continua, as engula sem criticar. E a distopia 1984 se avizinha pela submissão canina à deusa Ciência.
https://arierbos.medium.com/uma-vida-de-winston-smith-398984e72b5a | 47 |
| 10 | "A discussão de Gentile sobre a lei regularizando o papel constitucional do Grande Conselho do Fascismo é instrutiva na medida em que ele nela sinaliza a transformação do Estado liberal, parlamentar, para um totalitário, de partido único. O Grande Conselho foi um conselho composto pelos líderes da revolução Fascista e, como tal, foi extra-constitucional desde a sua criação. Enquanto composto exclusivamente de líderes do partido Fascista, o Grande Conselho falou pela nação inteira, controlando o início e a promulgação da legislação. Até 1928, com efeito, as funções do Grande Conselho foram extra-legal. Naquele ano, a lei do Grande Conselho garantiu legalidade às atividades do Conselho. Mais do que isso, a lei do Grande Conselho, de todas as intenções e finalidades, fez o Líder do Governo, Mussolini, e os membros do Conselho, os árbitros finais do que deveria contar como lei constitucional para a nação. Após a aprovação da lei do Grande Conselho, não restou nenhum vestígio do sistema parlamentar liberal."
Anthony James Gregor
No comentário sobre as leis deste órgão máximo (Grande Conselho Fascista), feito a um texto do ideólogo fascista, Giovanni Gentile (1875-1944), de setembro de 1928, o professor emérito da Universidade da Califórnia e cientista político norte-americano, estudioso do Fascismo e do Marxismo, Anthony James Gregor (1929-2019), resumiu o que foi o Grande Conselho Fascista. No intuito de se concentrar o poder máximo cada vez mais nas mãos do "Duce", o Partido Fascista criou o "Grande Conselho do Fascismo", em dezembro de 1922, que funcionava como um Estado Maior, paralelo à Constituição e leis, fazendo estratégias e diretrizes para os fascistas.
Com o crescimento das forças e do poder do Benito Mussolini (1883-1945) no governo italiano e com a concomitante redução da autoridade política do Rei Vítor Emanuel III (1869-1947) e do Parlamento Italiano, em 9 de dezembro de 1928, o Grande Conselho se tornou, constitucionalmente, o órgão máximo de controle, podendo, entre outras coisas, eleger parlamentares, a linha sucessória da Coroa e da Chancelaria, escolher Ministros e todos demais cargos da Itália, aprovar leis, emitir decretos e celebrar tratados internacionais.
A composição do Grande Conselho do Fascismo era maciçamente de membros do Partido Fascista, entre eles: Mussolini, as lideranças da Marcha sobre Roma, os Presidentes da Câmara e do Senado (quase todos fascistas), o Presidente da Confederação Fascista (que reunia as associações e sindicatos laborais), o Secretário do Partido Nacional Fascista, os Ministros de Estado (da Justiça, da Economia, da Educação, entre outros), o Chefe dos Camisas Negras, o Presidente do Tribunal especial para a Segurança do Estado, entre outros. O Partido e o Estado viraram uma coisa só. | 44 |
| 11 | "O abismo entre noticiário e realidade tornou-se imensurável, intransponível. Com uma unanimidade esmagadora, os repórteres, editores e comentaristas mentem, sonegam, falsificam, desconversam e, com um cinismo chocante, riem de quem tente praticar o jornalismo à moda antiga, o jornalismo de fatos e documentos, que, com os dias contados, sobrevive apenas na "internet" e nas estações de rádio. Nada do que se tenha observado anteriormente nas democracias ocidentais em matéria de falsificação e manipulação de notícias se compara a esse bloqueio completo e implacável, só igualado pela censura totalitária nos países comunistas, com a diferença de que esta era imposta pelo governo, ao passo que aquele nasce de uma cumplicidade voluntária — de tipo sistêmico, não conspiratório, exatamente como previsto por Antonio Gramsci."
Olavo de Carvalho | 35 |
| 12 | "Chip" Da Obediência
Há os que ousem duvidar, criticar e até contestar tecnologias tratadas como infalíveis pela maioria, mas existem latifúndios repletos de récovas humanas que confiam cegamente na deusa Ciência com suas deidades da tecnologia e da técnica de VAR's semiautomáticos e "chips" de impacto nas bolas. Para isso, basta que os sacerdotes da deusa soberba coloquem um oscilograma com um sinal de impulso dinâmico na tela do fiel adestrado e com uma animação que o faça ocorrer bem na hora em que a bola passa perto da cabeça do jogador croata, no último minuto de jogo entre Portugal x Croácia, e pronto: é a prova incontestável de que a bola tocou nele e fim de papo. Mesmo que em nenhuma imagem forneça uma certeza visual de que isso ocorreu.
Afinal de contas, "eles", a nova classe sacerdotal do mundo moderno, nos garantem que um recorte de um oscilograma na tela (sem base de tempo com o tempo da partida) que "eles" nos garantem ser oriundo de um "chip" sensor de impacto na bola da partida, basta para que todos creiam na verdade transdutada e translúcida de que é sim do jogo de futebol que está sendo transmitido por "eles"; sem nenhuma necessidade de apresentarem uma prova sequer de que aquilo é sincrônico àquele tempo do jogo, sem precisarem mostrar dois ou três toques da bola ocorrendo antes e depois do evento em questão — com impulsos no oscilograma em sincronia com a imagem da partida para validar que aquela medição é realmente daqueles toques e daquela partida e daquele momento do jogo — para que o público possa conferir que há de fato uma simultaneidade de cada toque na bola do tempo corrido da partida com um respectivo impulso proporcional ao impulso de cada toque na bola na janela de tempo corrido do oscilograma. Não, nada disso é necessário, pois as massas acreditam bovinamente no que quaisquer autoridades que alegam servir à deusa Ciência lhes garantem.
E ai de quem duvidar! Vai ter que receber um implante de "chip" de obediência na cabeça. | 36 |
| 13 | 没有文字... | 33 |
| 14 | Naturalmente, mesmo em nosso tempo, não há motivo nem desculpa para cometer uma crimidéia. É apenas uma questão de disciplina, controle da realidade. Mas no futuro não será preciso nem isso. A Revolução se completará quando a língua for perfeita. Novilíngua é Ingsoc e Ingsoc é Novilíngua, — agregou com uma espécie de satisfação mística. — Nunca te ocorreu, Winston, que por volta do ano de 2050, o mais tardar, não viverá um único ser humano capaz de compreender esta nossavpalestra?
— Exceto... — começou Winston, em tom de dúvida, mas parou de repente.
Estivera a ponto de dizer "exceto os proles", mas controlou-se, sem ter plena certeza de que essa observação fosse ortodoxa. Syme, todavia, adivinhara oque ele quisera dizer.
— Os proles não são seres humanos, — disse ele, descuidado. — Por volta de 2050, ou antes, todo o conhecimento da Antiglíngua terá desaparecido. A literatura do passado terá sido destruída, inteirinha. Chaucer, Shakespeare, Milton, Byron — só existirão em versões Novilíngua, não apenas transformados em algo diferente, como transformados em obras contraditórias do que eram. Até a literatura do Partido mudará. Mudarão as palavras de ordem. Como será possível dizer "liberdade é escravidão" se for abolido o conceito de liberdade? Todo o mecanismo do pensamento será diferente. Com efeito, não haverá pensamento, como hoje o entendemos. Ortodoxia quer dizer não pensar... não precisar pensar. Ortodoxia é inconsciência. Qualquer dia, refletiu Winston, com convicção profunda e repentina, Symes será vaporizado. É inteligente demais. Vê demasiado claro e fala sem subterfúgios. O Partido não gosta de gente assim. Um dia ele desaparecerá."
George Orwell | 35 |
| 15 | Pôs-se a engulir colheradas do cozido que, entre outros ingredientes, tinha cubos de uma massa rosada, esponjosa, que devia ser uma carne qualquer. Nenhum dos dois falou enquanto não esvaziaram as marmitas. Na mesa à esquerda de Winston, um pouco para trás, alguém falava rápido, sem parar, uma cantilena áspera que parecia o grasnar de um pato, e que conseguia romper o falatório da cantina.
— Como vai o dicionário? — perguntou Winston, levantando a voz para se fazer ouvir.
— Devagar — respondeu Syme. — Estou nos adjetivos. É fascinante. — O rosto se lhe iluminara imediatamente com a menção da Novilíngua. Empurrou a marmita para o lado, apanhou com a mão delicada o cubo de queijo, o pedaço de pão com a outra, e inclinou-se sobre a mesa, para poder falar sem gritar.
— A Décima Primeira Edição será definitiva — disse ele. — Estamos dando à
língua a sua forma final — a forma que terá quando ninguém mais falar outra coisa. Quando tivermos terminado, gente como você terá que aprendê-la de novo. Tenho a impressão de que imaginas que o nosso trabalho consiste principalmente em inventar novas palavras. Nada disso! Estamos é destruindo palavras — às dezenas, às centenas, todos os dias. Estamos reduzindo a língua à expressão mais simples. A Décima Primeira Edição não conterá uma única palavra que possa se tornar obsoleta antes de 2050.
Mordeu famintamente o pão e engoliu dois bocados. Depois continuou a falar, com uma espécie de paixão pedante. O rosto magro e moreno animara-se, os olhos haviam perdido a expressão de chacota e tinham-se tornado quase sonhadores.
— É lindo, destruir palavras. Naturalmente, o maior desperdício é nos verbos e adjetivos, mas há centenas de substantivos que podem perfeitamente ser eliminados. Não apenas os sinônimos; os antônimos também. Afinal de contas, que justificação existe para a existência de uma palavra que é apenas o contrário de outra? Cada palavra contém em si o contrário. "Bom", por exemplo. Se temos a palavra "bom," para que precisamos de "mau"? "Imbom" faz o mesmo efeito — e melhor, porque é exatamente oposta,enquanto que mau não é. Ou ainda, se queres uma palavra mais forte paradizer "bom", para que dispôr de toda uma série de vagas e inúteis palavras como "excelente" e "esplêndido" etc. e tal? "Plusbom" corresponde à
necessidade, ou "dupliplusbom" se queres algo ainda mais forte. Naturalmente, já usamos essas formas, mas na versão final da Novilíngua não haverá outras. No fim, todo o conceito de bondade e maldade será descrito por seis palavras — ou melhor, uma única. Não vês que beleza, Winston? Naturalmente, foi idéia do Grande Irmão, — acrescentou, à guisa de conclusão.
Uma tênue ansiedade perpassou pelo rosto de Winston à menção do Grande Irmão. Isso não obstante, Syme imediatamente percebeu nele uma certa falta de entusiasmo.
— Não aprecias realmente a Novilíngua, Winston — disse, quase com tristeza. — Mesmo quando escreves em Novilíngua, pensas na antiga. Tenho lido artigos teus no Times. São bons, mas são traduções. No teu coração, havias de preferir a Antiglíngua, com toda a sua imprecisão e suas inúteis gradações de sentido. Não percebes a beleza que é destruir as palavras. Sabes que Novilíngua é o único idioma do mundo cujo vocabulário se reduz de ano para ano?
Winston, naturalmente, não sabia. Sorriu, com ar de simpatia (ao que esperava), não confiando em suas próprias palavras. Syme mordiscou outro fragmento do pão escuro, mastigou-o um pouco e continuou:
— Não vês que todo o objetivo da Novilíngua é estreitar a gama do pensamento? No fim, tornaremos a crimidéia literalmente impossível, porque não haverá palavras para expressá-la. Todos os conceitos necessários serão expressos exatamente por uma palavra, de sentido rigidamente definido, e cada significado subsidiário eliminado, esquecido. Já, na Décima Primeira Edição, não estamos longe disso. Mas o processo continuará muito tempo depois de estarmos mortos. Cada ano, menos e menos palavras, e a gama da consciência sempre um pouco menor. | 27 |
| 16 | "Na cantina de baixo pé direito, metida nas entranhas do solo, arrastava-se devagarinho a fila do almoço. A sala já estava atulhada, e o barulho eraensurdecedor. Da grade do balcão vinha uma nuvem de vapor de guisado, um cheiro metálico, azedo, que não chegava a dominar o odor do gin Vitória. Do outro lado da sala havia um pequeno bar, um simples nicho na parede, onde se podia comprar gin a dez centavos a dose grande.
— Exatamente quem eu procurava — disse uma voz atrás de Winston.
Voltou-se. Era o seu amigo Syme, que trabalhava no Departamento de Pesquisa. "Amigo" talvez não fosse a palavra correta. Não se tinham mais amigos, tinham-se camaradas; mas havia alguns camaradas cuja companhia era mais agradável que outros. Syme era filólogo, especialista em Novilíngua.
Com efeito, fazia parte da enorme equipe de peritos empenhada na compilação da Décima Primeira Edição do Dicionário da Novilíngua. Era um sujeito mirrado, menor que Winston, de cabelo escuro e olhos grandes, saltados, que eram ao mesmo tempo zombeteiros e tristonhos, e que pareciam examinar atentamente a face do interlocutor.
— Queria te perguntar se tens uma gilete — disse ele.
— Nenhuma! — respondeu Winston, apressado, como quem se sente culpado. — Procurei em toda parte. Não existem.
Todo mundo vivia procurando gilete. Na verdade tinha duas lâminas, que estava escondendo. Havia meses que faltavam na praça. Em determinado momento, havia sempre algum artigo necessário que as lojas do Partido não tinham para fornecer. Às vezes eram botões, outras linha para serzir meias, outras cadarços para sapatos; no momento, eram lâminas de barba. Só podiam ser encontradas, com um pouco de sorte, numa busca furtiva no mercado "livre".
— Há seis semanas que uso a mesma lâmina — acrescentou, mentindo.
A fila deu mais um salto à frente. Quando pararam, ele se voltou e encarou Syme outra vez. Os dois apanharam bandejas de metal, engorduradas, de uma pilha na ponta do balcão.
— Foste ver os enforcamentos, a noite passada? — indagou Syme.
— Estava trabalhando — disse Winston, com indiferença. — Com certeza, verei no cinema.
— Pobre substituição — comentou Syme. Seus olhos galhofeiros examinaram o rosto de Winston. Pareciam dizer: "Eu te conheço. Vejo através de ti, sei muito bem porque não foste ver os prisioneiros enforcados".
Intelectualmente, Syme era venenoso de tão ortodoxo. Falava com satisfação e júbilo, muito desagradáveis, de ataques de helicópteros a aldeias inimigas, julgamento e confissão de ideocriminosos, execuções no subsolo do Ministério do Amor. Para se conversar direito com ele, era essencial afastá-lo desses assuntos, enredando-o, se possível, nas tecnicalidades da Novilíngua, a respeito do que era interessante e bem informado. Winston virou a cabeça um pouco para o lado, para fugir ao exame dos grandes olhos escuros.
— Foi um bom enforcamento — prosseguiu Syme, recordando. — Mas creio que estragam o espetáculo quando, amarram os pés do cara. Gosto de vê-los esperneando. Mas acima de tudo, no fim, a língua saltando da boca, azulzinha — azul brilhante — é o detalhe que mais me interessa.
— Outro! — berrou o prole de avental branco, que empunhava a concha de sopa.
Winston e Syme empurraram as bandejas por baixo da grade. E cada um recebeu, em segundos, o almoço regulamentar — marmita de metal com um guisado rosa-cinza, um pedaço de pão, um cubo de queijo, uma xícara de Café Vitória, preto, uma tablete de sacarina.
— Vamos para aquela mesa debaixo da teletela, — disse Syme. — E no caminho pegamos um gin.
O gin foi servido em xícaras de louça sem alça. Atravessaram em zigue-zague o salão cheio e largaram as bandejas numa mesa de tampo de metal, no canto da qual alguém deixara um lago de cozido, um líquido nojento que parecia vômito. Winston apanhou a xícara de gin, fez uma pausa para ganhar coragem e engoliu a beberagem de gosto oleoso. Ao limpar as lágrimas dos olhos, descobriu de repente que estava com fome. | 28 |
| 17 | E já estamos flertando com eventos em que mesmo que claramente nossos olhos viram outra imagem, nossos ouvidos escutaram outro som, se há um registro técnico ou diagnóstico de um robô ou de um programa afirmando que não foi aquilo, isso já basta para massas e massas abdicarem de suas percepções, experiências e consciências e aceitarem redilmente a "prova" como a nova verdade, o substitutivo de realidade. Afinal de contas, quem vai acreditar em seus próprios olhos e não no que "eles" dizem? | 35 |
| 18 | Uma Vida De Winston Smith
No romance "1984", escrito em 1948 pelo escritor inglês George Orwell (1903-1950), o protagonista Winston Smith vive num mundo em que uma tirania hegemônica tomou conta de todos aspectos da vida política, social, econômica e, principalmente, individual, psicológica e simbólica das pessoas do país em que a personagem existe: na Londres pertencente a um bloco multicontinental chamado de Oceania, onde outrora existira um país chamado de Inglaterra, e que já ninguém sabe que existiu porque o passado indesejado pelo regime é permanentemente apagado de todos os registros.
Não pretendo resenhar um livro que todo mundo já leu ou que já deveria ter lido, mas sim capturar uma potente alegoria e um paralelo com o nosso mundo cientificista contemporâneo, com tanta submissão à técnica e tecnologias como deidades portadoras da verdade. Winston Smith trabalha no Ministério da Verdade, órgão governamental gigantesco e responsável por fazer toda manipulação de fatos históricos e de apagar o passado indesejável de todos registros públicos, mídia e imprensa que o próprio regime também controla.
Dessa forma, todos habitantes razoavelmente lúcidos estão imersos num mundo em que a fabricação constante de mentiras domina o "ethos" da sociedade, em que a verdade só pode ser preservada pela memória individual de cada cidadão, melhor escrevendo, de cada pecinha de um regime hegemônico e totalitário que, tirando a plebe que vive à margem da sociedade como bichos, esses indivíduos alocados na máquina estatal são os únicos que podem ainda internamente ter conflito entre a realidade simulada de mentiras pelo regime e a verdade remanescente em suas memórias incomunicáveis entre si.
A grande parte das pessoas que trabalham no (e para) o governo, como Winston Smith, sabem que não podem sequer expressar uma contestação das diuturnas mentiras criadas pelo regime da Oceania e que também sabem, só em seus imos, que não são a verdade (já que, além de serem eles mesmos que receberam a ordem para apagar e reescrever as notícias, eles mesmos testemunharam que tais fatos não se deram daquele jeito ou que tais pessoas não morreram do jeito que foi registrado); porém, não podem sequer comentar com ninguém, pelo risco de serem denunciados e identificados como inimigas do Grande Irmão, o governo, de desaparecerem, e depois de serem apagadas dos arquivos e ficando só nas memórias dos que o conheceram, que sabem que existiu e que não morreu de acidente ou de causas naturais como registrado, mas que nada podem falar.
Winston Smith se arrasta então num mundo onde a tecnocracia monopolizada de um Estado, governo e regime totalitários domina tudo e a tudo manipula na realidade e história, substituindo os fatos e verdade por narrativas e mentiras justificadas pelas técnicas — registros de jornal, livros, revistas que reescrevem e substituem os antigos que dão destruídos — e que estão acima de quaisquer percepções sensíveis e inteligíveis de cada um e que, mesmo sabendo não ser a verdade que ele próprio vivenciou, nada pode fazer para se expressar, e dessa forma tende a se conformar com aquilo e a entrar em dúvida consigo mesmo: se realmente aquilo que presenciou ou vivenciou é de fato verdade ou se pode estar enganado, já que não há nenhum registro externo daquilo que apenas mnemonicamente pensa, só pensa, ser verdade.
E o que testemunho desde meados da primeira década do século XXI — e crescendo muito com o.advento das IA's — são massas predispostas a abdicarem de suas próprias percepções, experiências e até de suas consciências e, enfim de suas inteligências mesmas, para confiarem cegamente nas técnicas, tecnologias e maquinários de quem os detém e os controla — com controle também sobre as pessoas que os aceitam como os novos sacerdotes do novo credo cientificista — e que arrogam ser os portadores ou mesmo a encarnação mesma da nova deusa pagã e soberba de nossos tempos, a Ciência. | 40 |
| 19 | "Nunca, na história universal da manipulação de notícias, se viu um esforço tão vasto, tão geral, tão uniforme de ocultar o essencial, de desviar as atenções, de paralisar a inteligência da vítima para que não sentisse de onde vinha o ataque.
Todos os chefes de redação e donos de empresas jornalísticas deste país, com raríssimas e louváveis exceções que no conjunto acabaram não fazendo diferença prática, acumpliciaram-se ativamente, persistentemente ao projeto petista de anestesiar e estupidificar a opinião pública, preparando-a para aceitar com apatetada e ignóbil passividade o confisco progressivo dos seus direitos, da sua liberdade e do seu patrimônio."
Olavo de Carvalho | 39 |
| 20 | "A melhor forma de controlar o homem é fazê-lo sem que ele tenha consciência de que é controlado, e a melhor forma de fazer isso é através da manipulação sistemática das paixões, pois o homem tende a se identificar com elas. Ao defendê-las, ele defende sua "liberdade", que usualmente enxerga como a habilidade ilimitada de realizar seus desejos, sem, na maior parte do tempo, entender como é fácil manipular essas paixões desde o exterior."
E. Michael Jones | 40 |
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