Não viva por mentiras
Como cidadãos comuns podem resistir à tirania
Nestes últimos dias, eu tenho pensado muito em Jupira Rodrigues, de 57 anos, dona de casa, portadora de sérios problemas de saúde. Ela está presa há meses, acusada de tentativa de golpe de estado, e será julgada em breve.
Porém, ela já foi condenada pela imprensa como terrorista; hoje, depois de ver terroristas reais em Israel serem glorificados e chamados de “combatentes” por essa mesma imprensa, resolvi escrever talvez a mensagem mais importante da minha vida.
Há duas formas de se obter e manter o poder total e absoluto: por meio da violência e da mentira. A violência é eficaz em certa medida, mas tem um custo político muito grande e pode levar à rejeição generalizada do regime. Por isso, ela é utilizada quase sempre de forma pontual, mas o suficiente para gerar medo. Muito mais eficiente é a mentira sistemática, hegemônica e contínua, que está em toda parte e lugar, sendo quase impossível para o cidadão comum identificar e se defender.
Porém, este é o ponto essencial: não precisamos resistir politicamente ao regime (aliás, qualquer resistência agora é fútil e muitas vezes perigosa). Precisamos, e devemos, lutar por nossa autonomia moral e espiritual, a nossa capacidade inata de distinguir entre o certo e o errado, de conhecer a verdade. O que eles querem, no final das contas, não é o total poder político e econômico, mas a submissão e o aniquilamento das nossas almas, para que fiquem incapazes de separar a verdade da mentira, o bem do mal.
Então, eu proponho um pacto para vocês: um compromisso com a verdade, a única capaz de nos libertar. O que temos de fazer nesse pacto é algo ridiculamente simples, mas de consequências incalculáveis, neste mundo e no próximo.
Então, se recuse a participar de mentiras. Vamos resistir da menor forma possível: deixe que exerçam todo o poder que quiserem, mas não através de você.
Nunca apoie mentiras de forma consciente: não seja um servo do demônio, o pai da mentira. Lembre-se que a mentira não tem existência real, que é uma espécie de parasita. Quanto mais pessoas se recusarem a serem seus hospedeiros, mais fraca ela ficará.
De forma mais concreta: nunca escreva, publique, assine, ou de qualquer forma participe de nada que não corresponda à mais absoluta verdade. Isso inclui de conversas privadas a aulas, exposições, e artigos jornalísticos.
Não importa se é você que está falando ou apenas assistindo ou lendo: saia do local onde a mentira impera e deixe de ler e assinar jornais que veiculam mentiras. Nunca minta ou distorça a verdade apenas para fazer amigos e ser bem-quisto por colegas. Se você não se sentir seguro para dizer a verdade, ao menos se recuse a mentir.
Essa atitude autêntica e verdadeira já é exercida por incontáveis pessoas. Junte-se a elas de forma consciente. Você não vai “salvar o Brasil”, mas vai contribuir com um pequeno ponto de luz que deixará as trevas um pouco mais fracas, até que o acúmulo desses pontos seja suficiente um dia para dissipá-la e fazer a verdade brilhar novamente.
Eu não criei essa ideia, mas me baseei na experiência coletiva de milhões de cidadãos comuns, quase todos cristãos, na União Soviética e nos países por ela dominados. Aliás, minha fonte mais direta foi o exilado russo Alexander Solzhenitsyn, escritor do best-seller “Arquipélago Gulag” (de leitura cada vez mais necessária), e do manifesto “Live not by lies”, de onde eu retirei o título deste post.
Então, tudo o que você precisa fazer agora é não participar de mentiras, mesmo que elas tragam benefícios momentâneos. A sua alma e as de sua família dependem disso. Você está disposto? PS: o arquivo em PDF deste post está disponível no primeiro comentário.