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Notícias como essa sempre me lembram da residência oficial do falecido "presidente" do Zimbábue, a "Blue Roof" de Robert Mugabe.
Mugabe foi um professor e economista que se declarava marxista-leninista e ostentava títulos acadêmicos de economia pela University of London. Liderou a guerra contra os ingleses e se tornou o ditador do Zimbábue em 1980, quando tentou emplacar a ditadura de Partido Único, a expropriação de empresas e a coletivização da agricultura, o que fora medidas desastrosas para o país. Ele, lembre-se, um "economista" formado, apelou para a notória hiperinflação e chegou a emitir as infames notas de Z$ 100 trilhões - que valiam cerca de 40 centavos do dólar americano.
Enquanto o povo do Zimbábue vivia na extrema pobreza e o país tinha um dos mais baixos IDHs do planeta, Mugabe angariou uma fortuna estimada em $ 1 bilhão de dólares e construiu alguns palacetes, como a Blue Roof. Seus filhos davam festas de aniversário onde os convidados ganhavam Iphones de última gerações banhados em ouro e possuíam dezenas de imóveis de luxo pela Europa.
Esse é o destino de toda, repito, toda revolução de caráter marxista e suas variantes: a tomada do poder por uma nova elite ainda mais poderosa, avarenta e arrogante, desta vez protegida de quaisquer críticas pelo verniz da ideologia "anticolonial" e proletária. A revolução comunista é, embora arriscada, um dos meios mais rápidos de se tornar extremamente rico, basta estar no grupinho da elite e matar seus concorrentes depois da revolução.
(Foto de uma festa na Blue Roof).
A vulgarização do português coloquial é extremamente perceptível depois da popularização das redes sociais, e talvez seja uma das variáveis mais importantes para se compreender a queda dos índices educacionais.
Comecem a notar os trejeitos, gírias, abreviações e regionalismos que tomaram proporções no português coloquial: “seloko”, “pae”, “é nóis”, “fita”, “rolê” etc., de modo que as pessoas os falam normalmente e, amiúde, nem conseguem mais se livrar deles sem um esforço consciente. Não estou julgando que quem fala assim é melhor ou pior ou qualquer coisa do tipo, é apenas uma constatação cujos efeitos são óbvios.
A linguagem é o meio pelo qual não apenas compreendemos e nos expressamos, mas também é o linguajar do nosso "diálogo interno", de nossas reflexões e pensamentos. Quanto mais capaz de processar um vocabulário rico e complexo, mais capaz o sujeito se torna de perceber variáveis abstratas do mundo social e natural e, efetivamente, mais capaz de ligá-las em novas percepções. Pensar bem exige um domínio considerável da língua, tanto em complexidade quanto em flexibilidade, porque apenas pensamos através da linguagem. Para se expressar bem, precisa-se pensar bem, e para pensar bem, precisa-se ler bem, e para ler bem, precisa-se ter um domínio significativo da língua.
Celebrar e defender esse novo linguajar coloquial como expressão sociológica ou política de alguma luta “antissistema” ou “contra o capitalismo” é condenar as pessoas mais vulneráveis a uma vida de incapacidade mental e, consequentemente, servidão ao ambiente malogrado das classes baixas. Existe meio mais eficaz de escravizar as pessoas sem que elas percebam senão atrofiar suas capacidades cognitivas e de percepção do mundo?
E temo que não haja montante multibilionário de verba pública capaz de compensar a vulgarização do português; é uma batalha perdida, do ponto de vista da educação pública.
Ontem foi o dia da Janela de Overton maluca com essa fala do Luiz Inácio. O que ele quis dizer com isso?
O contexto da fala é o Lula tentando provar para o interlocutor que o "mundo não é de esquerda, mas do meio", porque - e ele deu esses dois exemplos - os "republicanos ficaram mais tempo no governo que os democratas, da mesma forma que, na França, os socialistas tiveram pouco tempo de governo". O interlocutor responde que isso explicaria por que Lula não foi mais à esquerda no primeiro mandato, mas para o meio, ao qual ele responde: "Nunca fui esquerdista, eu era um dirigente sindical".
Isso faz sentido? Sim, mas apenas se você entender quem é o interlocutor de Lula: Kristalina Georgieva, a atual presidente do Fundo Monetário Internacional. É claro que Luiz Inácio é velho e sabido o suficiente para se comportar como um "centrista neoliberal" para as elites internacionais que têm na mão o poder do rankeamento do crédito dos países e acesso a bilhões de dólares de investimento. É o que Georgieva queria ouvir, e é o que Lula disse, porque não seria inteligente posar de esquerdista desejando a radicalização em 2026.
Aliás, foi isso mesmo que o Lula falou no último congresso do PT, há menos de dois meses: para a militância, ele fez um mea-culpa pela sua frouxidão nos mandatos anteriores e que seria necessário radicalizar ainda mais a política da esquerda latino-americana - que ele, naturalmente, se inclui. É realpolitik e estratégia de luta revolucionária; é óbvio que não se pode confiar no que Lula fala.
Afinal, como que um homem que cerrou ombros com Fidel Castro, as FARC, o MIR Chileno, Hugo Chávez, Evo Morales etc., durante décadas a ponto de lhes conceder polposos empréstimos perdoados e até mesmo a infraestrutura da Petrobras não seria um esquerdista? Um dos fundadores e principais articuladores da estratégia continental esquerdista há mais de 40 anos seria apenas um "neoliberal centrista"? Deixem de bobeira, se vocês acreditam nisso caíram certinho na enganação retórica do Lula.
Indo ao vivo com o livres às 21:10, sobre o nacionalismo revolucionário - todos convidados:
https://youtube.com/live/5SCLinNLvGU?feature=share
Pessoal de Blumenau e região, sexta-feira agora darei uma palestra com a deputada Juliana Zanata. Todos convidados.
O homeschooling sempre foi uma das mais importantes linhas de defesa da sociedade civil e das famílias, sejam nucleares ou estendidas, contra a força estatal e comunitária para formar a mente das crianças. É uma batalha contínua desde que as sociedades agrárias e sedentárias se tornaram a norma.
A força da coletividade, da comunidade, da "sociedade" e seu representante mais poderoso, o Estado, tenta ter acesso aos recintos domésticos para não apenas "modelar" a mente da criança, mas, através delas, controlar as possíveis forças de resistência ao poder político. Sejam crenças e ritos religiosos alternativos, ou formas impopulares de moralidade, o Estado precisa controlá-las e torná-las obsoletas, porque iniciar perseguições e expurgos é tremendamente custos no sentindo monetário e moral - além de criar mártires que podem apenas aumentar o status de perseguido injustiçado das vítimas, como os primeiros cristãos.
A forma mais poderosa de alcançar esse poder, aperfeiçoado na modernidade pela Prússia Imperial e a França Republicana, é a escola pública e a obrigatoriedade de matrícula das crianças no sistema estatal de ensino. Junto com a conscrição militar obrigatória, a escola estatal também se tornou obrigatória - pensar, trabalhar e morrer pela religião do Estado civil. Depois de muitos séculos de luta, a modernidade inaugurou a vitória estatal, e esse tweet é um perfeito exemplo disso.
Você quer colocar seus filhos fora do alcance do MEC, dos tecnocratas progressistas, das gangues criminosas, das drogas e da licenciosidade precoce que grassa nas escolas públicas defasadas desse império continental necrosado chamado Brasil? Então você é literalmente um "nazista" - embora os nazistas também tenham sido inimigos declarados do homeschooling. Se você não jogar seus filhos no máquina de moer a inteligência e regurgitar drogados, vagabundos e robozinhos com mentalidade padronizada, então você é literalmente Hitler.
Naturalmente, tem nada a ver com raça, igualdade, ou tolerância à "visões desagradáveis de mundo", é tudo sobre controle mental. Essa desculpa é propaganda para trouxa cair, como milhões caem.
Texto de minha autoria; nenhuma IA foi utilizada.
Há algo extremamente quixotesco nessa histeria de lutar contra o "nazifascismo" que alcançou níveis absurdos quando até mesmo a torcida de um time de futebol como o Corinthians precisa sinalizar publicamente.
O Quixote, louco, gastava seus dias lutando contra moinhos de ventos porque os confundia com monstros como forma de mostrar seu valor e valentia. Mas era tudo alucinação. A luta contra o nazifascismo em 2026 é a mesma coisa, mas com um agravante: não faltam problemas e inimigos no Brasil para derrotar. Por que os valentes do Corinthians não postam cartazes como "destrua o narcotráfico", ou "destrua a facção XXX"? Que tal "destrua o PT" - o partido mais corrupto desde 1988 -, ou "destrua o centrão"? Isso nunca será visto por aí.
O Brasil é um moribundo império tropical só esperando ser abatido ou esfacelar-se sob sua própria ineficiência, porque os bárbaros já moram e grassam dentro de seus portões, com armas, dinheiro, drogas e influência política, mas nada disso importa para jovem progressista cuja missão é performar virtude para seus pares na forma quixotesca de uma luta imaginária contra o nazismo.
É fácil, sem consequências e efetivo para ganhar moral com os colegas, porque nenhum nazista, devido à seu número diminuto e negligenciável, realmente irá atacá-lo ou ameaçá-lo, como um faccionado ou um agente da PF o faria. É um teatrinho juvenil.
A imagem não deixa de ser cômica: o brasileiro performático lutando contra moinhos de vento em formato de suástica enquanto a sociedade desmorona em violência, corrupção e drogas. Só espero que, no caso brasileiro, o final não seja o do Dom Quixote, que acordou para a realidade e recobrou a razão antes de morrer, mesmo porque provavelmente o brasileiro nunca retomará uma razão que quase nunca existiu por aqui e irá para o túmulo na tranquilidade da ignorância.
Texto de minha autoria; nenhuma IA foi utilizada.
Uma das anedotas que mais gosto sobre o poder de Stálin e como é melhor mostrá-lo do que apenas argumentar com o crítico, vem de seu sucessor, Nikita Kruschev.
Durante o XXº Congresso do Partido em 14 de fevereiro de 1956, enquanto fazia seus famosos discursos acusatórios contra a memória de Stálin e o stalinismo, um crítico na plateia gritou:
Se seu chefe Stálin era tão mau assim, por que você não faz para impedi-lo?!
Kruschev, ao invés de perder tempo argumentando e se explicando, subitamente berrou:
Quem disse isso?! Quem?! Revele-se agora!
Os berros ecoaram pelo Salão de Santo André e, rapidamente, um silêncio sepulcral se instalou no recinto. Kruschev deixou que a alta tensão e o barulho do silêncio produzissem seu efeito psicológico por alguns instantes e, então, com uma voz baixa e confiante, falou:
Agora você sabe por que não tentei impedi-lo.
Kruschev depois confirmaria que aprendeu como o poder funciona observando seu defunto chefe: nunca se explique e nunca argumente, apenas mostre. Stálin gostava dessa ambiguidade e frequentemente enviava duas mensagens aos seus subordinados, uma através de uma conversa pessoal carismática e divertida, e outra através de símbolos, anedotas, insinuações e ameaças indiretas, mais vistas do que ouvidas. Os que aprendiam a ler as intenções do chefe em suas ações mais do que em suas palavras, tinham mais chances de sobrevivência.
Saiu meu ep no novo podcast do Quebrando Pontes do Miorim do Alta Linguagem.
Ele me desafio a mostrar algumas perspectivas alternativas de interpretação dos regimes totalitários, Napoleão, o Iluminismo e suas relações com o liberalismo e o socialismo e, claro, o brasil do Lula.
Link da conversa:
https://www.youtube.com/results?search_query=quebrando+pontes+jo%C3%A3o+eigen
Foto do funeral do "filósofo do fascismo" e coautor da "Doutrina do Fascismo", Giovanni Gentile, na basílica de Santa Croce em Florença, dias após ter sido assassinado pelo partisan comunista Bruno Fanciullacci.
No dia 15 de abril de 1944, Gentile havia ido à penitenciária no centro de Florença para advogar pela soltura de partisans comunistas que haviam sido presos e torturados pela polícia da República Social Italiana (RSI), o Estado fantoche dos nazistas no norte da Itália. Ao voltar para sua casa, seu motorista parou o carro em frente ao portão e, enquanto aguardavam abri-lo, três homens rapidamente surgiram e alvejaram o veículo com vários tiros. Um dos membros do grupo, o jovem partisan comunista Bruno Fanciullacci, acertou um tiro em cheio no coração de Gentile, matando-o instantaneamente.
Gentile, àquela altura da desastrosa guerra, havia se tornado tão odiado por vários setores tanto do fascismo quanto do nazismo, que, antes da verdade vir à tona, muitos achavam que ele havia sido assassinado por outros fascistas. Gentile angariou muito ódio do regime nazista porque se negou a seguir as ordens de expurgos de judeus do Partido Nacional Fascista (PNF), e até ajudou pessoalmente vários deles a fugir para outros países, como o professor Paul Oskar Kristeller, que acabou dando aulas na Universidade de Columbia em Nova York nos anos 50 para A. James Gregor.
De qualquer modo, Gentile foi enterrado com honras de Estado aprós uma procissão pela cidade de Florença que juntou milhares de pessoas que respeitavam o falecido pedagogo e filósofo. Gentile ganhou sua tumba ao lado de Maquiavel e Galileu, onde permanece até hoje.
Pode parecer confuso, mas Gentile não é uma figura odiada ou "cancelada" na Itália de hoje, pelo contrário: ele é muito respeitado como um importante filósofo e pedagogo italiana, e sua filosofia idealista - profundamente influenciada por Hegel, Fichte e Marx - é extensivamente estudada na academia italiana. Suas reformas pedagógicas, realizadas quando ele foi o Ministro da Instrução Pública do primeiro governo Mussolini em 1923, foram muito populares e permaneceram em vigor até meados dos anos 2000.
Comentário que recebi na dm do meu Instagram.
Essa pessoa começou me acusando de ser um "apologista de Hitler", isto é, um prosélito da ideologia nacional-socialista cujo objetivo é espalhá-la, divulgá-la e defendê-la. A prova disso? Minha página tem "muito ele [Hitler]", que eu tenho "fascínio por ele [Hitler", porque há muitos "comentários absurdos nazistas que adoram minha página" - mentira, eu bloqueio os que vejo e, na maioria das vezes, esse pessoal não gosta do que eu falo sobre Hitler -, e dou "ibope para um psicopata [Hitler]".
Não é necessário muito poder cognitivo para perceber que ensinar história de um tema polêmico com personagens polêmicos não é ser prosélito da ideologia e dos personagens, mesmo porque não falo apenas de Hitler e do nazismo. Pessoas com essa incapacidade de distinção geralmente confundem seus valores pessoais com a necessária objetividade requisitada para quem estuda a história e a política e, num movimento de projeção inconsciente, acusam os outros de serem tão imparciais e incapazes quanto elas.
Ainda, já de antemão, a pessoa me negou qualquer possibilidade de defesa ou explicação, já que negar a acusação, segundo ela, é inútil. O veredito já havia se formado na cabecinha dela e, portanto, os princípios básicos da justiça e da busca pela verdade, como o direito a defesa, o contraditório e a produção probatória, foram descartados. Dessa forma, novamente de maneira inconsciente, a pessoa que me acusou de ser um prosélito de uma ideologia totalitária atuou como um promotor soviético me condenando politicamente devido ao seu desgosto pessoal.
E o mais engraçado é quando, diante dessa mensagem horrorosa e imbecil, respondi de maneira científica e objetiva a chamando do que ela é - ignorante - e que não havia nada que eu pudesse fazer diante da condenação peremptória e inapelável que me foi imposta senão bloqueá-la, a pessoa ainda se mostrou impressionada: "Nossa", já se posicionando para se colocar no papel de vítima de uma condenação injusta do tipo que ela mesmo havia feito contra mim. Novamente, projeção.
Para finalizar, essa pessoa que não tem nada a ver com o estudo da história, da política ou das ciências humanas - o perfil era de uma confeitaria -, ainda tentou ditar como um assunto como esse deveria ou não deveria ser estudado, porque, talvez num reflexo de síndrome de Dunning-Kruger, sua incapacidade de reconhecer sua própria incapacidade se tornou a prova de que ela é capaz de fazer tal julgamento.
É impressionante como uma pequena mensagem de apenas 8 linhas pode conter e revelar tantos erros, vieses e limitações cognitivas de uma pessoa, e por isso decidi usá-la como conteúdo pedagógico: Não seja essa pessoa; não seja um ignorante.
Vamos falar da África socialista? Tenho uma teoria: o marxismo foi uma ideologia conjurada pelos europeus para continuar a manter os povos africanos pobres, subdesenvolvidos e fracos depois do período colonial.
A, mais especificamente, Etiópia teve um governo marxista radical sob Mengistu durante quase 20 anos, e suas políticas de coletivização forçada desgraçaram tanto o país que até hoje não se recuperou. O "chifre da África" continua sendo a região mais miserável e pobre do mundo.
É por isso que às vezes penso que o marxismo é uma filosofia europeia conjurada especificamente para manter os povos periféricos do mundo na pobreza e subjugados mesmo depois que a colonização acabou. No caso da África, funcionou muito bem: nenhum país que passou por uma revolução ou governo de cunho marxista saiu da pobreza, mas se tornaram, além de famélico, extremamente autoritários e ditatoriais. O único país africano que está se desenvolvendo e se tornando uma potência tecnológica no continente é Botswana, que milagrosamente conseguiu manter uma democracia multipartidária estável desde sua independência em 1966.
Em verdade, nenhum país que aplicou alguma receita marxista se tornou rico e relevante... A Rússia soviética alcançou proeminência militar apenas para decair num federação falida e atolada numa guerra sem fim. A China só prosperou depois de trocar o receituário e aplicar as políticas econômicas "burguesas" de propriedade privada e lucros pessoais - o Vietnã, a mesma coisa.
O marxismo talvez seja a invenção mais maléfica da modernidade, um receituário cuidadosamente arquitetado para manter a periferia do mundo subjugada na pobreza.
De toda a macabra história soviética, um personagem sempre me chamou muito a atenção: Naftaly Frenkel. Por dois motivos: Ele, um judeu, foi o arquiteto dos métodos de administração que culminaram na morte de milhões de presos nos infames Gulags, e sua relativa obscuridade. Como que um homem com tanta influência e poder sob Stálin ainda hoje é uma figura mercurial?
Frenkel é uma figura muito estranha e até hoje não se sabe da onde veio. Solzhenitsyn afirma que ele era um "judeu turco de Constantinopla", e muito provavelmente era mesmo judeu, mas não se sabe de onde. Outros afirmam que veio da Ucrânia; outros, da Hungria, ou Áustria e até mesmo tentaram traçar sua origem na Suécia. Enfim, provavelmente um judeu que nasceu em Haifa em 1883, então parte do Império Otomano. Estabeleceu-se em Odessa, na Ucrânia, e se tornou um próspero comerciante.
Frenkel foi uma figura notável por isto: sua habilidade extraordinária de perceber oportunidades, o que o levou à Rússia de Lênin em 1923, durante a famosa NEP, para vender e trocar mercadoria. Por algum motivo desconhecido, Frenkel foi preso ao tentar volta a Odessa, sob a acusação de "tentar cruzar a fronteira ilegalmente". Seu grupo foi sentenciado à morte, mas apenas a sentença de Frenkel foi comutada para trabalho nos campos de concentração. O resto foi fuzilado. Até hoje não se sebe por que apenas Frenkel foi poupado e enviado aos recém-abertos Gulags.
No arquipélago de Solovetsky, de Solzhenitsyn tirou o nome de seu famoso livro, Frenkel percebeu que os campos soviéticos eram extremamente desorganizados. Segunda conta a lenda, Frenkel ficou extremamente irritado com a desorganização e ineficiência econômica do campo e, irado, escreveu uma longa carta relatando inúmeras possíveis melhorias que poderiam salvar o campo em recursos e maximizar suas capacidades (lembrem-se, ele supostamente fez ainda na condição de prisioneiro).
Frenkel botou sua carta no local de missivas para as autoridades e deixou ali, sem expectativas. Contudo, alguns dias depois, ele foi chamado por Genrikh Yagoda, então chefe da OGPU, um órgão da administração da nascente polícia secreta, a Cheka. Ygaoda ficou impressionado com as sugestões do prisioneiro Frenkel e o chamou para conversar. Foi o início da ascensão meteórica de Frenkel. Yagoda acatou as sugestões de Frenkel e lhe concedeu alguma autoridade para implementá-las, claro, ainda sob sua supervisão. A ideia de Frenkel ficou conhecida como o "Sistema de alimentação", e foi o que tornou o sistema prisional soviético na infame máquina mortífera que conhecemos.
Sendo conciso, Frenkel eliminou a distinção entre criminosos comuns e presos políticos. Ele abandonou o trabalho agrícola não lucrativo e os programas de reeducação, priorizando apenas o trabalho produtivo, como construção de estradas e extração de madeira. A recompensa era comida, e o sistema era simples e cruel: quem superasse sua cota diária de trabalho recebia uma porção extra de alimento; quem produzisse menos tinha sua ração reduzida. Ainda mais crucial, Frenkel dividiu os prisioneiros em três categorias: 1) os aptos para trabalho pesado; 2) os capazes de trabalho leve; e 3) os prisioneiros com deficiências. Cada grupo recebia tarefas e cotas diferentes a cumprir, e era alimentado de acordo. Havia diferenças drásticas entre as porções dos prisioneiros que dependiam do resultado que entregavam.
A consequência óbvia aconteceu: com o tempo, os prisioneiros saudáveis sobreviviam mais, enquanto os fracos ficavam ainda mais debilitados e morriam de fome. Sob a gestão de Frenkel, a produtividade tornou-se o único princípio que importava no campo. Quanto mais o preso trabalhava, mais comia, e vice-versa. Em verdade, foi uma aplicação sinistra e literal do adágio bíblico, mas politicamente utilizado por Lênin no seu "O Estado e a Revolução": quem não trabalha, não come. O princípio do lucro, antes tachado de "burguês", tornou-se o critério meritocrático de vida e morte para os presos do regime soviético.
Continua \/
Foto de Adolf Hitler sentado com seus ministros, Joseph Goebbels e Otto Dietrich, revisando documentos relativos à imprensa internacional. Embora Hitler e Goebbels sejam bem conhecidos, Dietrich não, o que é uma infelicidade histórica.
Jacob "Otto" Dietrich foi um jornalista que trabalhou em Munique durante a ascensão do Partido Nazi e, em sua posição, frequentemente concedia atenção a Hitler em seus periódicos a ponto de se tornar amigo do futuro Führer e ter se juntado ao Partido em 1929. Em 1931, Dietrich se tornou o Chefe de Imprensa do Partido Nazi - e depois do regime -, cargo que manteve até o colapso em 1945.
Dietrich é um personagem relativamente obscuro mas muito importante, porque, além de ser um excelente jornalista e administrador, foi quem Hitler utilizava para controlar as ambições de Goebbels. O "Estado do Führer" após 1933 se caracterizava por uma consciente falta de delimitação das jurisdições dos Ministérios, de modo que o Ministério de Propaganda de Goebbels frequentemente conflitava com o Ministério da Imprensa de Dietrich. Isso era tudo de caso pensado, e Hitler se beneficiava porque mantinha a posição de árbitro entre seus sátrapas e os jogava em frequentes conflitos que limitavam suas ambições pessoais.
O caso mais notório é a influência sobre o jornalismo oficial do regime. Goebbels queria estender sua jurisdição sob o controle do jornalismo oficial e, portanto, o poder de ditar a linha jornalística do regime e quem poderia atuar como jornalista. Dietrich, por ser o Chefe de Imprensa, embora mais voltado para o internacional, igualmente desejava tal poder. Hitler, astutamente, nunca resolveu decisivamente esse conflito, mas jogava a incumbência hora para Josef, hora para Dietrich, a depender da questão.
Dietrich ficou notavelmente mais influente e poderoso que Goebbels a medida que o regime empreendeu sua expansão para o Leste e a anexação de territórios, de modo que sua capacidade de ludibriar a imprensa internacional foi bem útil a Hitler. Sua influência começou a decair a partir de 1943 quando a guerra tomou a guinada para o pior, afastando-se do círculo íntimo de Hitler.
Dietrich sobreviveu a guerra, foi preso pelos britânicos e condenado a sete anos de prisão em Nuremberg. Ele foi solto, contudo, em 1950 e faleceu em 1952. Nesse ínterim, Dietrich escreveu suas memórias, um documento que se tornou, junto com os relatos de Speer e os diários de Goebbels, valioso material de estudo sobre Hitler e o nazismo.
É um velho truque retórico bem simplório mas eficaz: levantar a voz, falar grosso, gesticular e passar um ar de indignação moral na intenção de impressionar o ouvinte e convencê-lo de que a mensagem deve ser levada a sério porque o orador é enérgico.
Mas essa senhora, dita economista, foi uma prosélita ideológica que esteve no lado errado da história... foi contra o Plano Real pois o achava uma política "neoliberal" que visava, justamente, estabilizar as condições monetárias e fiscais em "detrimento dos trabalhadores" e do crescimento econômico. O Plano Real foi o que tirou o Brasil do buraco, possibilitou seu crescimento com ganhos reais para o trabalhador brasileiro e o aumento de gastos públicos para políticas assistencialistas. Caso Maria Tavares tivesse sido levada a sério, nada disso teria acontecido e ainda estaríamos no buraco da hiperinflação dos anos 80, provavelmente no nível de uma Zâmbia ou um Butão.
"Justiça social" - que não existe, é apenas uma distorção linguística para invalidar noções de justiça em prol do poder tirânica do Estado - só poder ser feita se a moeda e as contas públicas estiverem balanceadas porque dívida pública e inflação apenas destroem a capacidade estatal de gastos a longo prazo. Só é realmente a favor de "justiça social" quem defende gastos públicos controlados e política monetária conservadora, gerando superávits para, daí sim, gastar sem incorrer em dívidas e juros que corroem o futuro dos brasileiros.
Qualquer outro papinho de keynesianismo ou de que isso é "economia burguesa" é baboseira de quem não entende o básico e, como Maria Tavares, estará sempre do lado errado da história.
A figura histórica de Josef Stálin representa o ápice de um aspecto inevitável de toda a realidade política: ideias e ideologias, não importa quão “científicas” e “neutras” desejem ser, sempre se encarnam na figura decisória de um homem ou de poucos homens.
Fórmulas marxistas como a "ditadura do proletariado" ou "forças produtivas" que supostamente engendram "contradições na base produtiva da sociedade", são apenas figuras de linguagem sem qualquer lastro na realidade, e muito das ideias e discursos políticos são sustentados em insossas figuras de linguagem. Toda ideologia se transmuta, quando confrontada com a realidade, em algo imprevisível e que acaba sendo racionalizada ad-hoc.
O exemplo, aqui, é o "centralismo democrático", ideia leninista de criar uma democracia decisória dentro da já profundamente hierárquica e autocrática ditadura do Partido de Vanguarda. Isso já uma degeneração dos conceitos marxistas originários onde supostamente uma "classe" tomaria o poder. De classe para um partido, de um partido para um indivíduo, a realidade vai lentamente forçando as figuras de linguagem a se tornarem carne e osso.
Se o ideário era que uma classe pudesse coletivamente se apossar e administrar os meios de produção, Lênin o transmutou na mais prática ideia de um partido de elite de revolucionários se incumbirem dessa responsabilidade em nome da classe proletária. Dentro da estrutura soviética dos anos 1920, a prática revelou que o homem mais astuto e inescrupuloso poderia se incumbir de tomar essa decisão em prol de ambos, dos outros revolucionários e da classe proletária. A realidade do poder e da hierarquia partidária não deixou mais margem para o democratismo intrapartidário, mas apenas para o centralismo que adquiriu um "CPF" específico: Josef Vissariónovitch "Stalin" Dzhugashvili.
Ideias, ideários e ideologias não existem; suas formulações são como fantasmas conjurados para tentarem se adequar à realidade que os molda e os transforma em assombrações imprevisíveis.
Recebi esta mensagem no meu email há alguns dias, e foi a melhor resposta que já recebi acerca do meu livro.
O objetivo da obra foi o de esclarecer a essência ideológica do fascismo dentro de um contexto de desenvolvimento histórico para mostrar ao leitor toda a originalidade e singularidades dessa ideologia. O erro de achar que o fascismo foi "apenas um outro tipo de nazismo", ou algo idêntico ao nazismo, ou que ele foi originado, de alguma maneira, do liberalismo, havia se tornado tão incrustado no senso comum que, lá em 2020, vi-me na necessidade de tentar esclarecer a situação com a iniciativa de escrever um livro.
Publicado em 2023 por uma editora acadêmica de Curitiba, "O fascismo como ideologia" vendeu muito mais do que eu imaginava possível e recebeu feedbacks muito positivos, como esse. Fico feliz que o objetivo do livro esteja se realizando muito mais amplamente do que eu esperava.
Link do livro:
https://a.co/d/040HH6K5
Vamos normalizar postar a foto original sem o corte? Aqui, vejam-na.
Por que cortaram o homem da esquerda, o Nicola Bombacci? Porque ele foi militante do Partido Socialista Italiano, conheceu pessoalmente Vladimir Lênin na União Soviética e se tornou seu homem de confiança, retornou a Itália para fundar, ao lado de Amadeo Bordiga, Antonio Gramsci e Palmiro Togliatti o Partido Comunista Italiano. Depois, desiludiu-se com o socialismo internacional e virou apoiador de seu antigo amigo de militância socialista, o Il Duce Benito Mussolini, ao ponto de ir encontrá-lo na República Social Italiana em 1943 para ser fuzilado e pendurado ao seu lado em 1945.
Bombacci passou a defender um tipo de socialismo nacional e dizia que o fascismo e seu sistema corporativo eram as verdadeiras encarnações das esperanças de outubro de 1917 que haviam sido traídas por Josef Stálin. Suas últimas palavras, como relataram os partisans comunistas que o fuzilaram, foram:
"Viva Mussolini! Viva il Socialismo!".
Se forem postar a foto de Mussolini pendurado para tirar onde, postem a original com todos os envolvidos, seus frouxos.
Aquele na extrema-direita, em frente a Goebbels, cortado e baixinho, é o Rei italiano Vitório Emmanuel III, um dos homens que, até há pouco, mais havia mal falado de Hitler e do nazismo.
Seu desprezo pelo Führer e pelos alemães era profundo e notório, e Mussolini teve que cortejá-lo por muito tempo até convencê-lo a aceitar uma aproximação diplomática e militar com a Alemanha. Ele não estava nem um pouco confortável nessa visita e fez tudo para apressá-la para poder voltar à Itália. Até perto da eclosão da guerra, o Rei manteve um cabo de guerra pessoal contra o Duce porque nunca se convenceu completamente da aliança militar feita com Hitler, mas foi cedendo porque sua mãe, a Rainha viúva Margherita, era uma admiradora de Mussolini e pressionava o filho em favor das políticas fascistas.
Ainda, entre Hitler e Goebbels, com um largo sorriso, está o genro do Duce, Galeazzo Ciano, um playboy romano que, apesar de suas tendências burguesas e cosmopolitas, tornou-se o Ministro das Relações Exteriores ainda muito jovem. O mais interessante é que, de todos os presentes no vídeo, o jovem playboy Ciano foi o mais profético e com bom-senso, porque ele, aliando-se ao Rei, nunca gostou de Hitler e dos nazistas e sempre tentou dissuadir seu sogro de aliar-se aos alemães. Os diários de Ciano comprovam que suas intuições sobre os possíveis riscos e o destino do fascismo atrelado ao nazismo estavam mais corretos que a maioria de seus contemporâneos na administração fascista, mas, por ser jovem e visto como um bon vivant, não o levaram tão a sério - o próprio Mussolini o via como alguém cuja opinião era secundária devido à sua idade, e achava que Ciano poderia ser controlado.
O que um vídeo mostrando um breve momento de descontração entre fascistas e nazistas esconde é toda uma tensão e desconfiança que rolava nos bastidores.
As favelas são uma ofensa a qualquer pessoa realmente sensibilizada e que se importa com as históricas injustiças sociais e raciais no Brasil. São a continuação moderna dos cortiços e um gigantesco atestado público de incompetência brasileira de lidar e reparar as piores injustiças que os brasileiros marginalizados continuam sofrendo.
Provavelmente devido à incapacidade de lidar psicologicamente com essa falha histórica brasileira, os progressistas transformaram a vergonha e o estigma em um sentimento ufanista esquizofrênico, em que a marginalização se tornou critério cultural e artístico. É, implicitamente, uma confissão de fracasso que não tem coragem de se assumir.
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