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Ninguém imaginava que a modesta descoberta do loco CRISPR poderia desencadear uma revolucão na genética molecular décadas mais tarde. Nos últimos anos, pesquisas mostraram que Cas9 é a principal nuclease envolvida no processo de clivagem de DNA invasor, resultando na utilização do sistema CRISPR como uma ferramenta fantástica de engenharia genética.
Isto tornou possível editar com sucesso o genoma de células de mamíferos, assim como de inúmeros outros sistemas modelos (Hatoum-Aslan A e Marraffini LA, 2014; Jiang e Marraffini, 2015).
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Frequentemente CRISPR é referida como uma técnica de edição genética, isto é, capaz
de alterar a sequência nucleotídica. Esta alteração pode ser de diversos tipos:
(i) deleção, inserção ou substituição de um ou poucos nucleotídeos,
(ii) deleção de elementos genéticos, ou
(iii) integração de elementos genéticos (e.g., transgenes), dentre outros.
Contudo, é importante ressaltar que CRISPR pode ser usada para outros fins que não
de edição genética, por exemplo:
(i) marcação de DNA,
(ii) regulação da expressão gênica,
(iii) clivagem de RNA,
(iv) mapeamento de genes ou
(v) rastreamento de RNA.
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O elemento central da técnica é uma endonuclease direcionada até o seu alvo específico por meio de um pequeno RNA-guia. Devido a isto, Cas9 é classificada como uma RGEN (RNA-guided endonuclease) (Kanchiswamy, 2016).
Endonucleases são enzimas que clivagem (cortam) o ácido nucleico na parte interna da molécula, ao contrário das exonucleases, que cortam a partir das extremidades livres 5´ ou 3´.
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De maneira integrada, CRISPR-Cas estão envolvidos no processo de imunidade antiviral adquirida.
Baseados nesse processo biológico natural, pesquisadores desenvolveram a técnica de CRISPR-Cas9, que se utiliza de um RNA-guia (referindo-se assim a CRISPR) e apenas uma das proteínas Cas (a endonuclease Cas9).
Para simplificação, muitos pesquisadores referem-se à técnica simplesmente como CRISPR. Contudo, note que recentemente sistemas alternativos têm se utilizado de outras endonucleases que não a Cas9, como a Cpf1 (CRISPR-Cpf1; Yamano et al., 2016).
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O processo biológico da técnica.
CRISPR é um loco bacteriano codificador de pequenos RNAs-guias de origem viral.
A este loco estão associadas proteínas denominadas conjuntamente de Cas (CRISPR associated).
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Assim, moléculas de RNA geradas a partir desses espaçadores seriam complementares ao patógeno (re)invasor, permitindo combatê-lo de maneira sequência-específica. Uma série de estudos subsequentes revelou ser esta hipótese verdadeira.
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Baseado nesses achados, em 2005 foi postulada a hipótese de que CRISPR-Cas seria um sistema imune adaptativo de procariotos, no qual os espaçadores serviriam como “memória de invasões anteriores” (Mojica et al., 2015).
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Adicionalmente, foi também descrito que vírus são incapazes de infectar com sucesso bactérias que possuem espaçadores cujas sequências são correspondentes a trechos de seus genomas (Bolotin et al., 2005).
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Em 2005, três grupos independentes de pesquisadores mostraram que as sequências
espaçadoras (ou simplesmente espaçadores) têm origem extracromossômica, isto é, são
derivadas de plasmídeos ou de vírus.
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Ao longo dos anos, um conjunto de genes fisicamente muito próximo ao loco CRISPR foi identificado e nomeado de genes Cas (CRISPR associated genes) (Jansen et al., 2002), exemplificados por nucleases, polimerases e helicases que viriam a se mostrar futuramente como elementos centrais no funcionamento do loco como um todo.
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Guarde bem esta sigla (CRISPR) pois é o termo que se refere a técnica de edição do DNA.
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Somente no ano de 2002, a sigla CRISPR (Clustered Regularly Interspaced Short Palindromic Repeats ou Repetições Palindrômicas Curtas Agrupadas e Regularmente Interespaçadas) foi criada para denominar tais sequências
(Jansen et al., 2002).
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Tais sequências foram investigadas independentemente em 1993, e em 2000 elas foram identificadas nos genomas de diferentes bactérias e Archaea (Mojica et al., 1993; Mojica et al., 2000).
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Histórico da descoberta do loco CRISPR
Em 1987, o pesquisador Yoshizumi Ishino e colaboradores da Universidade de Osaka
(Japão) identificaram um loco (região) peculiar no genoma da bactéria Escherichia coli,
constituído por uma configuração incomum: sequências repetidas e sequências espaçadoras
intercaladas e de função desconhecida (figura 1).
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O surgimento de técnicas revolucionárias no campo da Genética.
Assim foi com a PCR em 1983, a Interferência por RNA (RNAi) em 1998 e desde 2012/13
criou-se a técnica CRISPR.
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