Sobre a verdadeira crise e o que podemos fazer a respeito
Nós ficamos obcecados com política. A todo momento, recebemos as maus diversas informações. Quase sempre, a informação é irrelevante, mas sentimos que não podemos perder nada.
O único pecado é ficar desatualizado, desconhecer a última "revelação". O mais importante é formar uma fé indestrutível no "Estado-Deus" e fazer as pessoas acreditarem piamente que a salvação chegará por meio da política.
Ou de um político. Aliás, o Brasil se tornou a terra do culto à personalidade. Alguns políticos (dois, para ser mais específico) alcançaram, na mente de seus seguidores o status de divindades, verdadeiros representantes do bem sobre a terra, cujas opiniões e ações são, por definição inquestionáveis.
O estado desastroso da política brasileira, que mais parece o palco de uma guerra religiosa, mostra duas crises, muito mais profundas e sérias que a crise política. Lembrem-se: no mundo real (fora das redes sociais), a política é apenas uma consequência, nunca uma causa.
A primeira crise é a da inteligência nacional. Os testes de QI têm demonstrado que o brasileiro médio está cada vez mais burro. Ele não é apenas capaz de usar a ferramenta mais básica: a Língua Portuguesa (incapacidade de interpretar o que é lido e ouvido); ele também não é capaz de realizar raciocínios lógicos básicos e, mais grave ainda, de identificar falsos raciocínios, como as falácias.
A segunda crise, ainda mais séria e profunda, é a crise moral e espiritual. O brasileiro é cada vez menos capaz de diferenciar o certo do errado, a virtude do vício. Quase sempre, se faz como Pilatos ("o que é a verdade"?), ficando indiferente ao mal e à mentira, ou pior ainda, celebrando a maldade, a feiura e a injustiça.
Qual é a solução para isso? Garanto para vocês: não é algo que se resolva do dia para noite. Isso leva tempo, determinação e paciência (qualidades que o brasileiro médio desconhece).
Há uma resposta simples e outra mais complexa. A resposta simples é quase um chavão: "precisamos de mais educação". A resposta mais complexa é "precisamos educar os nossos filhos para serem virtuosos para se defenderem das pessoas que não o são".
A crise brasileira é essencialmente uma crise de virtudes. Falta-nos senso de justiça, coragem, paciência e fortaleza, por exemplo. Aliás, tenho certeza que a presença de meia dúzia de pessoas virtuosas em posições-chave no Brasil teria evitado essa crise pela qual estamos passando.
Então, é isto que podemos fazer pelo Brasil de hoje (e de amanhã):
1. Sermos pessoas virtuosas, que tratam e exigem dos demais tratamento justo e respeitoso.
2. Educarmos nossos filhos nas virtudes, de forma intencional e contínua.
3. Ensinar nossos filhos a identificarem e a se defenderem de pessoas más. Não podemos confundir bondade com ingenuidade.
E a crise da inteligência nacional? Essa só será resolvida depois da crise moral. Virtude é inteligência. Se a pessoa adquire coragem, por exemplo, ela tem um nítido aumento das faculdades racionais.
É isso o que temos a fazer. Difícil e demorado, eu sei. A "opção" é ainda acreditar que a salvação virá da política, que é possível ter uma boa política sem uma sociedade inteligente e virtuosa.
PS: Fiquem a vontade para indicar materiais e livros sobre educação para as virtudes.