242
Subscribers
No data24 hours
No data7 days
No data30 days
Posts Archive
DUGIN E A REFORMA PROTESTANTE
Em comemoração aos 507 anos das 95 teses de Martinho Lutero, vos apresento a visão duguiniana, presente no livro "filosofia da política", sobre a reforma protestante, onde o filósofo criador da QTP analisa os aspectos religiosos e, principalmente, políticos da mesma.
Aspectos Religiosos da Reforma
Três Vertentes do Protestantismo
Do Anabatismo ao Comunismo
O Calvinismo como Matriz da Sociedade Burguesa
Luteranismo e Estatismo
Luteranismo e Estatismo
A terceira vertente do protestantismo, o luteranismo, consolidou-se como a ideologia dos príncipes germânicos, que desde o início ofereceram a Lutero amplo apoio e, a partir de Melanchthon, tornaram-se os principais defensores da Reforma. O luteranismo representa um modelo de organização política autônoma com caráter kshátriya (militar). Nesse modelo, o Estado é visto como uma máquina militar liderada por um comandante, e cada cidadão atua como um soldado disciplinado e comprometido. O elemento de culto religioso perde protagonismo, dando lugar a um modelo de socialismo militar-estatal. Esses elementos formaram a base do sistema político prussiano nos séculos XVIII e XIX. Nessa estrutura, o Estado se torna o valor supremo e o principal critério de avaliação. Podemos identificar nessa visão ecos do gibelismo medieval, que substitui o conceito de “império” pelo de “Estado nacional”. É significativo que foi na Prússia e em referência ao sistema político prussiano que o filósofo Hegel desenvolveu sua doutrina moderna sobre o Estado. Assim, nas três correntes da Reforma, podemos facilmente reconhecer as origens dos três principais modelos políticos do século XX: os anabatistas como precursores do comunismo, os calvinistas do liberalismo capitalista, e os luteranos dos regimes nacionais-estatais.—Alexander dugin, filosofia da política
O Calvinismo como Matriz da Sociedade Burguesa
O calvinismo criou uma proposta político-ideológica totalmente distinta, que serviu como matriz para o liberalismo burguês e o capitalismo democrático. No centro da visão calvinista, estava a teoria do "contrato" (contratualismo), a ideia de sociedade civil, a liberdade de julgamento individual e o princípio de decisões democráticas. Todos os movimentos burgueses na Europa remetem, de certa forma, às raízes calvinistas. Essa forma de protestantismo promovia a substituição do sistema católico-feudal do Ocidente cristão por uma sociedade burguesa democrática, caracterizada por pilares políticos como o direito, o parlamento, o princípio da eleição de líderes e a separação de poderes. Conforme as teorias dos sociólogos alemães Max Weber e Werner Sombart, as bases político-administrativas, econômicas e sociais do capitalismo moderno são resultado direto da “ética protestante” aplicada a todos os níveis de organização política. O calvinismo apresentou o primeiro projeto radicalmente antitradicionalista de organização sociopolítica, com um objetivo claro de minimizar todas as formas de sacralidade. Não buscava substituir a realidade por uma nova sacralidade alternativa (como em muitas outras doutrinas revolucionárias que ainda preservam certos aspectos da tradição), mas sim promover uma dessacralização total. Nesse contexto, a postura anticatólica tornava-se sinônimo de rejeição da tradição em sua essência. No calvinismo, vemos a primeira aplicação completa de uma política voltada ao terceiro estado. Calvino desenvolveu a doutrina específica da “predestinação”, segundo a qual as recompensas e punições de uma pessoa não acontecem após a morte (como ensina a tradição ortodoxa), mas sim em vida, manifestando-se no sucesso material. Segundo essa teoria, ser rico e próspero significa automaticamente, e por esse próprio fato, ser um "justo", enquanto ser pobre e desfavorecido indica ser um "pecador". Dessa forma, surge uma moral particular: a prosperidade e a riqueza são as maiores virtudes, enquanto a pobreza e o fracasso são os maiores pecados. Assim, a Igreja Católica e o sistema feudal eram vistos como obstáculos para uma sociedade de prosperidade, já que, na visão calvinista, esses sistemas atrasavam artificialmente os frutos da "predestinação", escondendo-os sob uma fachada sociopolítica hipócrita. Além disso, a doutrina da “predestinação” essencialmente rejeitava a ideia de vida após a morte, ensinada pelo cristianismo, tornando o mundo terreno a única realidade relevante. Em termos filosóficos, isso constitui uma introdução direta ao mecanicismo, materialismo e ateísmo, embora Calvino e seus seguidores ainda fizessem referências a “Deus”. O calvinismo representa, assim, a matriz política do mundo moderno, as bases religioso-políticas do “humanismo mínimo”, e o ensinamento coerente de dessacralização do mundo e do homem.—Alexander dugin, filosofia da política
Do Anabatismo ao Comunismo
As três vertentes religiosas que surgiram na Reforma correspondem a três modelos políticos distintos – cada um deles influenciando profundamente as ideologias políticas da época pós-cristã (Idade Moderna). A postura escatológica dos anabatistas propunha um programa político utópico, com uma revolução social de cunho comunista e total. Em oposição à sacralidade superficial do catolicismo europeu, apoiado no poder feudal, os protestantes mais radicais defendiam uma verdadeira sacralidade baseada em novos princípios sociopolíticos – igualdade social e econômica absoluta, abolição dos privilégios de classe e um retorno universal às condições "paradisíacas" de existência. Como esse ideal era considerado inviável nas condições normais, os pregadores anabatistas declararam o início de uma nova era – a era do "Espírito Santo" – onde as restrições, proibições e obrigações anteriores seriam abolidas. Essa nova era exigia um milagre e o surgimento de um momento histórico único, próximo do fim dos tempos. Previa-se que a transformação do mundo, da humanidade e da sociedade não aconteceria por si só, mas sim através da luta e do heroísmo radical de eleitos que se levantariam para uma última batalha contra o "anticristo", representado pelo antigo sistema europeu e sua hierarquia religiosa e política. Esse comunismo protestante, reprimido em sua época, ressurgiu de forma adaptada nos séculos XVIII e XIX, inspirando as ideias socialistas e comunistas. Não é coincidência que Marx e Engels enxergassem nos anabatistas seus antecessores diretos, e que sectários de linhas semelhantes tenham participado ativamente da revolução russa. Esse protestantismo escatológico extremo acabou por dar origem ao projeto político do socialismo e comunismo europeu. Curiosamente, o maximalismo comunista dos anabatistas apresenta certa semelhança com a perspectiva extrema brahmânica: na visão escatológica, as camadas sociais inferiores passam a expressar os ideais de um sacerdócio radical; e é nesse sentido que são interpretadas as palavras do "Evangelho" de que "os últimos serão os primeiros".—Alexander dugin, filosofia da política
Três Vertentes do Protestantismo
Em um dos polos do protestantismo, encontrava-se o movimento de cunho escatológico, que tinha raízes na população camponesa e na pobreza urbana, promovendo ideais de vida comunitária e de uma rebelião total contra o sistema político-religioso vigente. Esse ramo mais radical foi suprimido e acabou sobrevivendo apenas em pequenos grupos marginais e sectários, como os “shakers”, “amish”, “quakers”, entre outros. No polo oposto estavam os protestantes suíços, seguidores de Calvino e Zwinglio, que expandiram sua influência para o noroeste da Europa, especialmente na Holanda e na Inglaterra. Esses movimentos podem ser amplamente classificados como "calvinismo". Aqui, prevalecia uma abordagem oposta aos comunistas escatológicos. O centro dessa corrente era o terceiro estado, marcado pelo racionalismo, pela ideia de sobriedade, por uma moralidade autônoma e por decisões individuais. O foco não estava no “Novo Testamento” (como era comum nas seitas gnósticas medievais e seus continuadores na época da Reforma), mas sim no “Antigo Testamento”. O ideal era a sociedade hebraica antiga. O ultracriacionismo formava a base da dogmática teológica, enquanto a filosofia nominalista constituía a principal base metodológica. Foi nesse campo que se concentrou o maior potencial de dessacralização, propondo-se uma visão que não visava um “sagrado alternativo”, mas sim o “não sagrado” ou “profano”, em oposição ao modelo católico de sacralidade. O calvinismo se opunha ao catolicismo apenas em um aspecto: rejeitava tudo o que nele remetia à sacralidade e à tradição, aos aspectos ontológicos. Assim, o modelo calvinista se distancia ainda mais da ortodoxia do que o próprio catolicismo. A terceira vertente do protestantismo é o luteranismo. Esse movimento predominou no norte e no leste da Alemanha, especialmente na Prússia, assim como nos países escandinavos e, mais tarde, nos países bálticos. O luteranismo ocupava uma posição intermediária entre o profanismo calvinista e o radicalismo escatológico. Dogmaticamente, o foco estava mais no “Novo Testamento”, e a rejeição ao mundo católico baseava-se em elementos gibelinos e etnicamente germânicos, que foram oprimidos durante séculos pela influência predominante do catolicismo de origem francesa e, mais amplamente, românica na Europa.—Alexander dugin, filosofia da política
Aspectos Religiosos da Reforma
A Reforma foi um dos eventos mais significativos da história do cristianismo ocidental, representando um movimento espiritual de enorme intensidade e escala. Essa corrente social e religiosa refletiu uma “sacralidade paralela” que já existia na Europa. Algumas seitas protestantes modernas, como os batistas, traçam suas origens até os paulicianos, cátaros e albigenses. René Guénon destacou que Martinho Lutero, um dos principais líderes da Reforma, fazia parte da fraternidade hermética "Rosa-Cruz" e usava um anel com o símbolo dessa organização. Outro ponto interessante é que o Estado protestante prussiano surgiu mais tarde em territórios que pertenciam à Ordem Teutônica. Os primeiros movimentos protestantes na Europa Oriental, como as guerras hussitas, evidenciam claramente uma origem ligada aos bogomilos, tanto em termos geográficos quanto tipológicos. Na Reforma alemã, as influências das seitas valdenses de tipo gnóstico-dualista também foram significativas. O sentido da Reforma Europeia, que atingiu seu auge no século XVI, era exigir uma revisão radical da ordem católica, sustentada pela Igreja Romana e por monarcas franceses e imperadores austríacos leais a ela. Em sintonia com as heresias gnósticas medievais, os protestantes acusavam a Igreja Católica de usurpar o papel de mediadora entre os homens e Deus, explorando a “salvação”, praticando corrupção, vendendo indulgências e reduzindo as questões espirituais a meras estratégias políticas. Os primeiros protestantes recorreram à causa gibelina dos Hohenstaufen, e não foi coincidência que os centros da Reforma surgiram justamente em terras alemãs com tradições gibelinas. Em alguns pontos, a crítica anticatólica dos protestantes coincidia com o posicionamento ortodoxo, já que a Igreja Ortodoxa fazia acusações semelhantes contra a cúria romana. A decisão de Lutero de permitir que sacerdotes se casassem era formalmente parecida com a prática ortodoxa. No entanto, havia também muitas diferenças entre o protestantismo e o cristianismo ortodoxo. A Igreja Ortodoxa mantinha seus antigos rituais, a veneração de ícones, os sete sacramentos e respeitava a autoridade da tradição sagrada. Os protestantes, por outro lado, rejeitavam o culto e as imagens, acreditando que o julgamento individual deveria ser o critério principal do cristianismo. Ao negar o papel de intermediário do clero católico entre o homem e Deus, os protestantes acabaram eliminando o conceito místico da igreja, substituindo-o por uma visão centrada no indivíduo. Teologicamente, o protestantismo era uma mistura de elementos diversos. Embora a crítica ao catolicismo aproximasse os protestantes dos ortodoxos em vários aspectos, o programa positivo da Reforma distanciava-os ainda mais dos princípios da Igreja Oriental do que o próprio catolicismo. Em grande parte, mesmo ao negar, o protestantismo mantinha fortes laços com a tradição cristã ocidental. Alguns pensadores protestantes, como Jacob Boehme e Johann Georg Gichtel, que redescobriram o conteúdo místico da fé, confiavam mais na intuição e em experiências visionárias do que na tradição oriental completa. Ao acusar o catolicismo de dessacralizar o cristianismo e inicialmente propor uma “sacralidade alternativa” com forte tom escatológico, o protestantismo, em sua “proposta positiva”, acabou levando a uma dessacralização ainda mais profunda. Não por acaso, foi entre os protestantes que o “nominalismo” – um movimento que já se encontrava à margem do mundo católico – voltou a ganhar força. Tornando as questões de fé um “assunto pessoal” de cada indivíduo, a Reforma abalou profundamente as bases da identidade coletiva e introduziu um conceito que enfraqueceu a estrutura do tradicionalismo social. Sem conseguir se alinhar à tradição ortodoxa, que à época estava confinada à Rússia e à sua complexa situação dentro do Império Otomano, a Reforma dividiu-se em três principais correntes paradigmáticas, que se fragmentaram em várias subcategorias e seitas.—Alexander dugin, filosofia da política
A política dos bolcheviques na era do Terror Vermelho (comunismo de guerra) representou uma destruição frontal da elite russa e a repressão ao povo russo. No lugar da antiga elite e de seu “Logos” estatal e nacional, passaram a atuar figuras ainda mais distantes do povo, adeptas da ideologia trotskista-leninista — uma forma voluntarista e heterodoxa de marxismo em comparação com o próprio Marx. Os bolcheviques da era da Guerra Civil carregavam um Logos radicalmente oposto tanto à elite quanto ao povo russo, desempenhando assim o papel de uma força que reprimia cruelmente o campesinato (o povo) em nome de uma ideologia dogmática e profundamente não-russa. Dessa forma, o governo bolchevique, por um lado, continuava a estratégia da antiga elite estatal, que ao longo da história russa não representava o povo e começava a se tornar mais popular apenas com a ascensão da cultura dos "inteligentes" (especialmente na era de prata da cultura russa). Por outro lado, substituía o Logos monárquico e ortodoxo, apolíneo e celestial, por um Logos titânico, materialista, ateísta e ctônico, identificado com Cibele. O confisco forçado de grãos (prodrazvyorstka) expressava a essência da nova elite: ela destruía sem piedade a antiga elite (incluindo seu elemento popular) e impunha, com um terror radical, sua vontade ao povo (camponeses), exigindo uma submissão absoluta e incondicional a uma força desconhecida e incompreensível, profundamente antirrussa, dos fanáticos que tomaram o poder. Assim, na Guerra Civil, foi lançada a base para um novo modelo de relação entre o Estado e o povo, com uma estrutura noológica dominante totalmente nova: a elite estatal passou a ser a cúpula do Partido Comunista, composta inicialmente quase exclusivamente por uma elite de marginais e extremistas de outras nacionalidades, enquanto o povo (camponeses) tornou-se alvo de uma destruição sistemática. Os bolcheviques não aboliram o Estado, nem enfraqueceram seu poder. Eles o transformaram em um instrumento de seu domínio sectário, amplificando seu potencial repressivo e tornando-o um “Estado de ferro”, alienado e altamente moderno. No plano noológico, o Logos estatal tornou-se o titânico culto à matéria em sua evolução e progresso, ou seja, o Logos de Cibele. Pela primeira vez na história russa, o Estado perdeu sua dimensão apolínea e vertical e não apenas rompeu com a Igreja e o cristianismo orientado ao celestial, mas também impôs sua autoridade materialista dogmática e ateísta (abertamente anticristã) sobre uma Igreja marginalizada e perseguida. O Estado bolchevique era o Estado de Cibele, e a ideologia comunista, tornada estatal, sancionava a sombria filosofia de Cibele como o único dogma totalitário e obrigatório. Em outros momentos da história russa, as elites políticas às vezes perderam sua conexão com o Logos de Apolo, como na Época das Perturbações, no período dos czares “anticristos” reformistas pró-Ocidente e especialmente com a ascensão da nobreza e a servidão dos camponeses. No entanto, esses foram aspectos isolados do titânico penetrando na vertical apolínea da modelo catáquionico russo-bizantino. Somente com a tomada de poder pelos bolcheviques ocorreu um deslocamento noológico definitivo da essência da estatalidade russa, que passou doutrinária e praticamente para a zona de influência inquestionável do Logos de Cibele.—Alexandr dugin - noomaquia logos russo volume 2, página 794-95
O Partido Comunista da China tem quase 90 milhões de membros – isso é mais do que a população da Alemanha. Coordenar e organizar tanta gente não é tarefa fácil, e garantir que todos obedeçam as ordens é praticamente impossível. Muitos funcionários públicos na China descobriram todas as formas possíveis de ignorar a lei e usar seu poder para se enriquecer. A quantia desviada por esses funcionários está na casa dos trilhões. Além disso, muitos deles têm familiares no exterior e passaram a gostar dos valores liberais. Todos na China detestam essas pessoas. Quase todo mundo no país já foi enganado ou vítima de algum político corrupto. Se Xi Jinping quer restabelecer a legitimidade do Partido Comunista e de sua liderança, sua retórica é clara: "Povo, eu vou protegê-los dos políticos corruptos. Vou prendê-los, tirá-los do poder e substituí-los por pessoas honestas." É isso que ele vem dizendo, e boa parte da população parece satisfeita. Para "re-disciplinar" o partido, foi necessário um nível quase cultista de repressão ideológica. A mídia do partido fala abertamente sobre a necessidade de que os membros tenham "fé". Isso soa estranho, mas é assim que grandes organizações funcionam. Ou será que o Facebook não parece um culto também? Já viu como Zuckerberg fala? Claro que esses corruptos locais não estão felizes. Os empresários mais ou menos honestos que foram afetados por essas investigações também não. E todos aqueles que se acostumaram aos valores liberais, a discutir política e tudo mais, estão aterrorizados com o controle da internet, a censura e o discurso de "fé no partido". Essas pessoas aguentaram cinco anos de Xi Jinping, provavelmente esperando que em mais cinco anos ele deixaria o poder e poderiam voltar a desviar dinheiro para comprar imóveis em Vancouver ou ir a festas regadas a drogas e diversão. Mas, pelo visto, terão que esperar sentados: Xi Jinping não vai a lugar nenhum. Essa é a mensagem da mudança constitucional. As pessoas deveriam ter percebido isso quando se começou a falar em "pensamento de Xi Jinping" entrando nos estatutos do partido e na constituição. Esse pensamento não significa muito – é só uma marca. Uma marca que diz: enquanto Xi Jinping estiver vivo, seu "pensamento" será uma das ideologias que guiam o país. Mesmo que ele não seja Secretário-Geral, qualquer sucessor deve seguir suas ordens. O pensamento dele está na constituição! Pergunte a ele o que acha disso. Xi Jinping é um formalista. Não gosta de truques. Ele quer que todos saibam que ele está no comando, e estará enquanto for necessário, até que o Partido Comunista seja uma organização disciplinada e sem manobras políticas. Nenhum liberal assumirá o poder em seu mandato. E a China não cairá enquanto ele estiver lá. Isso pode ou não ser assustador por si só, mas não tem nada a ver com "um novo Mao". Mao não era um ditador até 1966. Para se tornar um, precisou desencadear a Revolução Cultural, onde eliminou fisicamente todos os seus inimigos e torturou cerca de 90% da liderança do partido. Mao fez isso justamente porque não tinha segurança no poder. Após 1959, ele foi removido do poder, pois causou a morte de milhões de pessoas devido ao Grande Salto Adiante. Com medo de ser purgado, ele lançou tudo contra o partido e venceu. Xi Jinping está em uma situação completamente diferente. Ele detém poder total de forma confortável, ordenada e formal. Ele não tem nada a temer. Muitos de nós já sabem que não é do poder seguro que surge um mau governo, mas sim do poder inseguro, que leva os poderosos a interferirem na sociedade para mantê-lo. É isso que a tradição chinesa chama de 乱 ("desordem"). O tempo de Mao foi desordenado. O tempo de Xi Jinping, você pode gostar ou não, mas é certamente ordenado.—Spandrell, China doesn't care about your opinion
Repost from N/a
ENTÃO, O QUE É A SINGULARIDADE?
[...] É um período futuro durante o qual o ritmo das mudanças tecnológicas será tão rápido e seu impacto tão profundo que a vida humana será transformada de maneira irreversível. Embora não seja nem utópica nem distópica, essa época transformará os conceitos dos quais dependemos para dar significado às nossas vidas, desde nossos modelos de negócios até o ciclo da vida humana, incluindo a própria morte.— Raymond Kurzweil em The Singularity is Near, capítulo I: "The Six Epochs". A singularidade de Raymond Kurzweil é a fusão do orgânico e do inorgânico, do biológico e da máquina, aquilo que possui parafusos e aquilo que possui ossos. É a perfeita síntese do homem com o cibernético para o aprimoramento do humano, seja para o bom (utópico) ou para o ruim (distópico), um fenômeno que se aproxima de forma inevitável a cada dia que passa dentro da virtualização da vida humana. 𝕯𝖔𝖒𝖔 𝖉𝖊 𝕮𝖗𝖔𝖒𝖔.
FASCISMO HIPERMODERNO (SÉCULO XXI)
Hoje em dia, o fascismo em nosso mundo hipermoderno assume três formas principais, que vão da "menos pior" à mais grave: o fascismo pós-comunista, o fascismo pós-democrático e o fascismo performativo. O fascismo pós-comunista (como na China) evita, em grande parte, o risco de guerra civil, pois o partido no poder surge como um partido nacional de governo. O Partido Comunista Chinês (PCC) pode ter raízes sectárias profundas e talvez não represente adequadamente outros grupos, como os uigures. Contudo, a maioria da população da RPC é han, e o Partido, inevitavelmente, reflete essa centralidade han. Além disso, o ativismo político fora do Partido é proibido, e apenas cerca de um décimo da população chinesa é filiada ao PCC — ou seja, cerca de 100 milhões de pessoas. Um auditório considerável. O PCC poderia até reivindicar ser o melhor governo do mundo, embora, pelos padrões históricos, tal afirmação não seja tão impressionante. O fascismo pós-democrático (como na Hungria) se apoia na classe média baixa — a mesma base de apoio que Hitler e Trump tiveram. Esse tipo de fascismo manipula ou perverte os mecanismos democráticos para criar uma simulação informal de ditadura, jamais formalmente reconhecida. Nosso grande "Trumpenreich" foi uma espécie de versão falsa do fascismo pós-democrático. Esses regimes têm alguns incentivos razoáveis e, de vez em quando, podem promover o bem-estar público, ou algo parecido, para alguns grupos e em certos momentos. Não são adeptos de assassinatos em massa, nem precisam ser. Mas são adeptos da corrupção em massa, e isso é essencial para eles. São invariavelmente temporários e desaparecem, eventualmente, em uma onda de "liberação" ilusória. O fascismo performativo (como o de grupos escolares) envolve vestir roupas de exército e fazer saudações nazistas. O fascismo performativo é geralmente inofensivo, exceto para o próprio fascista. No entanto, pode ser perigoso ocasionalmente, já que adolescentes desajustados e obcecados por literatura, anualmente, matam mais americanos que tubarões brancos ou tigres. O fascismo é 100% um beco sem saída: o fascismo clássico está fora de alcance; o fascismo pós-comunista requer que o país se torne comunista primeiro; o fascismo pós-democrático é simplesmente insuportável; e o fascismo performativo não é um tipo de governo, mas sim uma condição psiquiátrica — ou, na melhor das hipóteses, uma forma de expressão artística. Um aspecto comum entre esses quatro tipos de fascismo é a ideia de ação coletiva direta. Como ocorre em todas as mentalidades democráticas, há sempre o "nós" fazendo algo juntos. Essa é uma marca típica de uma sociedade politicamente imatura — especialmente em um lugar onde a democracia, dessa forma, não funciona, e não funciona há muitos anos.—Curtis yarvin
