242
Subscribers
No data24 hours
No data7 days
No data30 days
Posts Archive
OS LEÕES DO NORTE
Pernambuco, que é no Brasil a terra clássica do heroísmo e da galanteria, entrou como fator poderosíssimo na formação da nossa nacionalidade, e tem, mais do que qualquer outro povo, lugar asignado nos fastos históricos da América Brasileira. Nenhum existiu, com efeito, na antiguidade da nossa terra, a quem a natureza, a sociabilidade, a educação, a vantagem física da raça e as qualidades espirituais da família estampassem na fronte, como à gente pernambucana, o selo dos predestinados. Por um privilégio singular, que viemos a perder nos tempos modernos, só em Pernambuco o homem brasileiro alcançou a maior dignidade cívica, revelou-se mais galhardamente dotado para a vida e mostrou-se superiormente capaz para as lutas épicas. Daí, sem dúvida, terem os pernambucanos recebido, no século XIX, a denominação de "Leões do Norte", com o duplo sentido de força e de elegância. Ardente, viril, intrépida, orgulhosa, aquela gente do feudo olindense satisfazia, na ordem harmônica dos fatos, à finalidade histórica. Ali, naquele núcleo aristocrático fundado pelo gênio colonizador de Duarte Coelho, neto de um grande valido do infante D. Pedro, duque de Coimbra, estadista austero, que na Índia se distinguiu pela sua inteligência, pela sua honradez e pela sua prudência, soldado insigne, que combateu às ordens de Vasco da Gama, de D. Francisco de Almeida e de Afonso de Albuquerque, o terrível, a quem acompanhou na tomada de Malaca, e de cujas pelejas com os chineses nos dá imorredouro testemunho João de Barros, e embaixador na França e no Sião, despertou, cresceu e prosperou o espírito nacional, com energia e com graça. Antes da invasão holandesa e durante o sumptuoso governo do príncipe Maurício de Nassau, Pernambuco tocara o fastígio das magnificências e das liberalidades. O gênio latino, opulentado com as virtudes originais pelo sol da América, esplende em todos os seus costumes e instituições pela floração das individualidades fortes, mas, sem o sacrifício da unidade moral da cidade, manifesta-se com firmeza pelo horror à servidão política, freme, palpita, relumbra na alegria de viver e de criar esplendorosamente.—Elysio de Carvalho, Os bastiões da nacionalidade
A occupação romana arrancou a Hespanha da Africa para a Europa; fez de um povo semi-bárbaro e quasi-nômada, como o seu irmão das costas fronteiras pelo sul, uma nação, no sentido europeu da palavra — isto é, uma reunião de homens congregados por um systema de instituições fixas e geraes, e unidos, não só por um pensamento moral, mas tambem por laços de ordem civil, política, militar, intellectual. O caracter d’esses laços com que a occupação ligou a Hespanha era romano, procedia do fundo de idéas dos povos indo-europeus; e, por isso, o domínio que agora termina, além de ter dado fórma á constituição exterior da nação, revelou-lhe uma ordem de sentimentos e noções que ella assimilou, e que para todo o sempre a afastaram do systema de povos a que pela raça parece ter primordialmente pertencido. Á vida berbere ou bárbara succede uma existência socialmente culta: a aldéa é uma cidade, e a tribu foi absorvida no seio de um Estado.—Joaquim Pedro Oliveira Martins, Historia da civilização iberica
Vou dar a descrição do meu amigo que se afastou da estrada para indicar-me o poço. É a figura comum do sertanejo em viagem. Montava um pequeno cavalo com cauda e crinas compridas. A sela era um tanto elevada adiante e atrás. Os estribos eram de ferro ferrugento e os freios, da mesma forma. As rédeas eram duas correias estreitas e longas. Sua roupa consistia em grandes calções ou polainas de couro taninado, mas não preparado, de cor suja de ferrugem, amarrados na cintura e por baixo víamos as ceroulas de algodão onde o couro não protegia. Sobre o peito havia uma pele de cabrito, ligada para trás com quatro tiras, e uma jaqueta, também feita de couro, a qual é geralmente atirada num dos ombros. Seu chapéu, de couro, tinha a forma muito baixa e com as abas curtas. Tinha calçados os chinelos da mesma cor e as esporas de ferro eram sustentadas nos seus pés nus por umas correias que prendiam os chinelos e as esporas. Na mão direita empunhava um longo chicote e, ao lado, uma espada, metida num boldrié que lhe descia da espádua. No cinto, uma faca, e um cachimbo curto e sujo na boca. Na parte posterior da sela estava amarrada um pedaço de fazenda vermelha, enrolada em forma de manto, que habitualmente contém a rede e uma muda de roupa, isto é, uma camisa, ceroulas e, às vezes, umas calças de Nanquim. Nas boroacas que pendiam de cada lado da sela, conduzem geralmente farinha e a carne assada no outro lado, e o isqueiro de pedra (as folhas servem de mecha), fumo e outro cachimbo sobressalente. A todo esse equipamento, o sertanejo junta ainda uma pistola, cujo cano longo desce pela coxa esquerda, e tudo seguro. A marcha comum do cavalo é um passo que se aproxima do pequeno trote, assim os cavalos sertanejos adquiriram o hábito de arrastar as patas traseiras, levantando poeira. A cor do sertanejo é morena, e mesmo os que nascem brancos se tornam depois, com a diária exposição ao sol, completamente taninados, como as roupas que usam.—Henry koster, viagens ao nordeste do brasil - páginas 133-34
A teoria reacionária da paz mundial afirma que paz pode ser definida como segurança. É só isso. Estamos simplesmente equiparando duas palavras. E podemos adicionar uma terceira: ordem. Paz, segurança e ordem são a mesma coisa. Essa é a teoria. E soa até interessante — embora não tão interessante quanto o “Ordem e Progresso” do Brasil.—Curtis Yarvin
Mas, de modo geral, o sistema protecionista de nossos dias é conservador, enquanto o sistema de livre comércio é destrutivo. Ele desmantela antigas nacionalidades e leva o antagonismo entre o proletariado e a burguesia ao extremo. Em resumo, o sistema de livre comércio acelera a revolução social. É apenas nesse sentido revolucionário, senhores, que voto a favor do livre comércio.—Karl marx, Sobre a questão do livre comércio
O Estado, em si e por si mesmo, é o todo ético, a concretização da liberdade, e representa um fim absoluto da razão: a efetivação da liberdade. Ele é a manifestação do espírito na Terra, realizando-se conscientemente. Na natureza, por outro lado, o espírito se atualiza apenas como seu oposto, como um espírito adormecido. Somente quando está presente na consciência, reconhecendo-se como um objeto realmente existente, é que o espírito se manifesta como Estado. Ao refletirmos sobre a liberdade, o ponto de partida não pode ser a individualidade, a autoconsciência singular, mas a essência da autoconsciência; pois, mesmo que o homem não tenha consciência disso, essa essência se realiza externamente como uma força autônoma, na qual os indivíduos são apenas momentos. O Estado é, portanto, a marcha de Deus no mundo. Sua base é a força da razão concretizando-se como vontade.—Friedrich Hegel, Grundlinien der Philosophie des Rechts
TIME: Sendo esta uma entrevista de perfil, tenho interesse em entender a sua evolução política, especialmente considerando as conexões da sua família com a esquerda salvadorenha. Em 2012, você se descreveu como parte da “esquerda radical”. Visto de fora, parece que hoje você se alinha mais à direita, e muitos dos seus aliados nos Estados Unidos são de direita. Como você definiria suas visões políticas? Bukele: Bom, definitivamente não me considero nem de esquerda nem de direita. Essa divisão surgiu após a Revolução Francesa e, essencialmente, é algo tão simplista quanto dizer: "Os que apoiavam os ideais mais revolucionários sentavam-se no lado esquerdo do hemiciclo, enquanto os que defendiam os ideais mais monárquicos ficavam à direita. Assim, passaram a ser chamados de esquerda e direita." Desde então, todos os países foram influenciados por essa organização de assentos estabelecida na França. Naquele momento, isso fazia algum sentido, claro. Mas, ao aprender e compreender melhor as coisas, vejo que essa divisão já não faz sentido hoje. Ela não é antiga o suficiente para ser considerada clássica, nem moderna o suficiente para ser relevante. É uma definição arcaica que perdeu sua utilidade. Não faz sentido definir posições políticas com base em esquerda e direita. Além disso, tenho muitos amigos que se identificam com a direita, e atualmente podemos ter mais apoio de setores alinhados à direita do que à esquerda. No entanto, não me considero alinhado a nenhum dos lados. As políticas do nosso governo não são pensadas para favorecer um espectro ou outro. Acho que isso é, em grande parte, fruto de coincidências. Do meu ponto de vista, como alguém que já esteve na esquerda, parece que, analisando de fora, a esquerda perdeu o rumo no mundo inteiro. Não me interesso mais por essas definições, mas é essa a minha percepção. A esquerda não tem modelos claros nem figuras de destaque hoje. Se eu ainda fizesse parte desse campo, diria: "Estamos enfrentando uma grave crise de identidade e precisamos agir rapidamente antes de perdermos todos os espaços eleitorais," porque as pessoas não enxergam mais uma direção clara na esquerda. Já a direita, apesar de seus anacronismos, pelo menos parece apontar um caminho. E não sou o único a dizer isso; estudiosos da própria esquerda e muitos outros também observam essa realidade.—Entrevista do Presidente El salvadorenho, Nayib Bukele, para a Revista Time
Segundo Hegel, o Estado se fundamenta na superação da sociedade civil. A sociedade civil não segue o Estado; ela o antecede. Talvez seja hora de os Estados Unidos começarem a construir o Estado. De acordo com Hegel, mais uma vez, o Estado significa monarquia.—Alexander dugin
Desde o momento em que os europeus criaram as indústrias modernas — no início do século XIX, quando os capitalistas ocidentais inventaram as grandes fábricas —, surgiu a necessidade de uma mão de obra barata, sem grandes exigências e sem problemas. Foi então que começaram a propagar a ideia de "liberdade feminina" para atrair a mulher das famílias para as fábricas, explorando-a como uma trabalhadora barata, enchendo seus próprios bolsos e tirando da mulher sua dignidade e valor. O que hoje é apresentado no Ocidente como "liberdade feminina" é apenas uma continuação dessa mesma história. A opressão que a cultura ocidental impôs às mulheres e a visão distorcida da mulher presente nas artes e na literatura ocidentais são algo sem precedentes na história. Embora a mulher sempre tenha sido oprimida em diferentes lugares, essa opressão ampla e total que a vemos hoje é específica desta era e resulta diretamente da civilização ocidental. Transformaram a mulher em um objeto de prazer para os homens e chamaram isso de "liberdade feminina", quando na realidade é apenas liberdade para homens levianos desfrutarem das mulheres, e não uma verdadeira liberdade para elas. Essa opressão não se limita ao trabalho ou à indústria, mas também se estende ao campo da arte e da literatura. Observando hoje as histórias, romances, pinturas e outros tipos de obras artísticas, nota-se claramente a visão reducionista com que a mulher é retratada. Os valores positivos e as qualidades elevadas da mulher são ignorados. As qualidades de ternura, a natureza amorosa e afetuosa, o instinto maternal, a inclinação natural para cuidar e educar os filhos, dons que Deus depositou na mulher, são deixados de lado. Em vez disso, o que é exaltado são os aspectos sensuais, que muitos chamam de “amor” — uma definição errônea, pois trata-se de desejo, não de amor. Quiseram, portanto, moldar a mulher como uma consumidora, uma trabalhadora de poucas exigências e baixa remuneração.—Imam Khamenei - بیانات در دیدار جمعی از زنان
O mundo imerso na ignorância está equivocado ao pensar que o valor e a dignidade da mulher residem em se embelezar para atrair os olhares dos homens, tornando-se objeto de apreciação e deleite para eles. A ideia de "liberdade feminina" que hoje é propagada mundialmente, especialmente pela cultura degradada do Ocidente, baseia-se em expor a mulher para que os homens possam usufruir dela como objeto de prazer. Isso seria, então, liberdade para a mulher? Aqueles que, no mundo confuso e desorientado da civilização ocidental, afirmam defender os direitos humanos, na verdade oprimem a mulher. É preciso enxergar a mulher como um ser humano de valor elevado para que se entenda de fato quais são seu desenvolvimento, seus direitos e sua verdadeira liberdade. Devemos ver a mulher como alguém capaz de contribuir para o bem da sociedade ao criar e educar seres humanos de valor, e, assim, compreender o que realmente são seus direitos e sua liberdade. A mulher deve ser vista como o pilar essencial na formação da família; embora a família seja constituída tanto pelo homem quanto pela mulher, e ambos tenham importância nesse núcleo, é graças à mulher e sua natureza feminina que o lar encontra sua tranquilidade e paz. Com essa visão da mulher, entenderemos como ela pode alcançar seu potencial e quais são, de fato, seus direitos.—Imam Khamenei - بیانات در دیدار جمعی از زنان
Os açorianos povoaram não só a faixa litorânea do Rio Grande como a de Santa Catarina. Tanto num como noutro lugar, iniciaram a prática de uma atividade agrícola para a qual não estavam preparados. Oswaldo Cabral encontra como justificativa do seu fracasso como agricultores o fato de não serem eles lavradores afeitos ao trato da terra. Mas eram pessoas que, antes de tudo, fugiam da miséria das Ilhas. Além do mais, como todo bom português da época, repugnava-lhes o trabalho braçal, que era para o negro escravo. João Pinto da Silva acredita que se tem exagerado muito o alcance da vinda dos açorianos. Para defender o seu ponto de vista afirma: "Não só estes não foram numerosos como também a sua área de atividade ou disseminação foi relativamente pequena, adstrita, além disso, a uma nesga de território por assim dizer isolada da zona onde, com mais intensidade, se forjava, no entrechoque de exércitos e de interesses, o caráter rio-grandense". E continua: "Porque eram pacatos e sedentários, numa terra de pastores e soldados, mantinham-se ou eram mantidos na margem. Das rudimentares técnicas de agricultura que nos deram, pouco frutificou." Pelo lado intelectual, acrescenta o citado autor, "não consta tenham deixado algum traço durável. Esses ilhéus eram ainda mais atrasados que o português da Península. Nos Açores daquele século, reinava o analfabetismo integral, com a mais alarmante penúria. É o soldado o que teve mais íntimo contato, no tempo e no espaço, com a terra e com as gentes". Tem razão o autor quando acentua a miséria e o atraso das Ilhas, mas não tem quando afirma ter sido insignificante a sua influência. Não só nos legaram uma tradição agrícola como também trouxeram hábitos e costumes tradicionais. Costumes que a riqueza proveniente da exploração comercial do império ultramarino corrompeu na Metrópole, nas Ilhas mantinha intactos, graças sobretudo ao seu isolamento. É verdade que o militar teve um contato permanente e por isso mesmo de grande importância; mas também é verdade que o açoriano representou o elemento estabilizador, o elo de ligação entre o militar e o indígena. Segundo a opinião de outros autores, a influência açoriana foi preponderante na formação do gaúcho, ou seja, do povo rio-grandense. Nesse caso, ele teria sido o núcleo central do nosso povoamento, marcando decisivamente com suas peculiaridades raciais, psicológicas e culturais o caráter do povo sul-rio-grandense. O habitante do Rio Grande, embora ligado por traços culturais ao gaúcho da região do Uruguai ou da Argentina, pela participação lusitana oferece alguns traços que o distinguem. Ele foi, antes, "uma resultante das condições do meio onde se misturavam, nas vastas campanhas platinas, vários grupos étnicos", onde predominou o de origem espanhola. Mas não foi estranho o elemento português que veio situar-se mais predominantemente no território do atual Rio Grande do Sul. Foi o açoriano principalmente que contribuiu para diferenciar o gaúcho brasileiro do outro de origem puramente castelhana. Elementos de costumes sedentários e conservadores, infiltrados na sociedade pastoril, "quaisquer que tenham sido as influências sofridas pelas novas levas, não podiam deixar de contribuir, dada a alta proporção em que se operaram, para moderar e disciplinar, em gerações sucessivas, os impulsos do gaúcho primitivo."—Corcino Medeiros dos Santos - Economia e sociedade do Rio Grande do Sul: século XVIII
Dos grupos étnicos que habitam o solo europeu, o português é um dos de formação mais complexa. Pelos iberos, que constituem o fundo dominante da sua população, ele se prende ao ramo camita; pelos árabes, ele tem muito do ardente sangue semita; pelos celtas, pelos romanos e pelos gregos, muito da espiritualidade e da sensibilidade da gente mediterrânea; e pelos godos e suevos, algo da índole dos povos de origem germânica. Cada uma dessas raças, vindas de pontos tão diferentes e opostos, traz não apenas os atributos dominantes da sua sensibilidade e inteligência, mas também os atributos dominantes do seu tipo antropológico. Embora todos esses grupos étnicos, que se misturam na Península desde os tempos pré-históricos, sejam ramos da mesma raça branca, é grande, como não podia deixar de ser, a diversidade dos tipos representativos do povo saído dessa vasta mistura; pois, conforme a maior ou menor concentração deste ou daquele grupo numa dada região, o tipo étnico emergente, refletindo esta particularidade da sua formação histórica, apresenta, mais ou menos acentuado, este ou aquele atributo somático ou psicológico. Em certas regiões da Península, por exemplo, onde os árabes se acumularam mais intensamente e mais duradouramente, como no Algarve, o tipo regional reproduz mais dominadoramente os caracteres somáticos e psicológicos dos semitas. Em outras regiões, como no Minho, são os celtiberos os elementos preponderantes na formação do povo, e o tipo regional revela uma caracterização antropológica que o inclui entre os dessa grande família. Há regiões em que os invasores godos e suevos se adensaram mais e se cruzaram mais intensamente com os celtas e iberos preexistentes, dando ao tipo étnico resultante muitos dos seus atributos particulares. Nos recantos penhascosos da Serra da Estrela, os habitantes devem, ao contrário, conservar, na sua pureza, os característicos raciais dos iberos primitivos, acantonados naquelas brenhas alpestres pelos grandes conquistadores das planícies: celtas, romanos e godos.—Oliveira Vianna - Evolução do Povo Brasileiro
O centro principal de formação das correntes emigratórias que se dirigem para o Brasil é o norte da Península. São o Minho, o Douro, as duas Beiras e o Trás-os-Montes, que fornecem, em todos os tempos, os colonizadores da nossa terra. Só no vale amazônico parece preponderar uma colonização de origem meridional, principalmente no Alentejo, como já vimos (I, § X) e, portanto, mestiçada de sangue semita. Exceto este caso, particular à Amazônia, são principalmente de origem setentrional os emigrantes peninsulares que realizam o povoamento e a colonização do Brasil. Ora, o norte da Península, especialmente a região do Douro e Minho, é onde mais densamente e mais prolongadamente se fixam os conquistadores e colonizadores de origem germânica, não só os das grandes invasões suevas e godas, como os que vêm na esteira de D. Henrique de Borgonha. É natural, portanto, que nas correntes migratórias que partem dali para o nosso país, durante os primeiros séculos, venham numerosos e abundantes contingentes do tipo dólico-louro, homens de alta estatura e de temperamento migrador e aventureiro. Esta suposição se faz tanto mais razoável quanto mais atentamos na nossa aristocracia territorial dos primeiros séculos, na força de caráter dos seus representantes, na sua índole, no seu espírito, no seu prodigioso amor de aventuras e nos seus instintos belicosos. Os nossos sertanistas e bandeirantes antigos, para quem os estuda no seu viver fragueiro e nas suas proezas assombrosas, oferecem numerosos pontos de contato e analogia com os homens da raça germânica, não só os que formavam a feudalidade militar europeia, como os seus mais puros representantes atuais, que são os anglo-saxões. Como estes e os seus antepassados medievais, eles têm o mesmo espírito imperialista e conquistador, o mesmo gosto pelas empresas penosas e arrojadas, a mesma tenacidade indomável de caráter, o mesmo temperamento nômade, inquieto e belicoso, a mesma amplitude desmedida na sua ambição de fortuna e grandeza.—Oliveira Vianna - Evolução do Povo Brasileiro
