Coração de Urtiga 🌿
Open in Telegram
Reflexões vivas sobre Terra Corpo como Medicina: eco-filosofia, eco-mitologia, espiritualidade da Terra, herbalismo, movimento, arte e terapia eco-somáticos.
Show more742
Subscribers
No data24 hours
No data7 days
-130 days
Posts Archive
Eu sou Bruxa.
Não me chamem outra coisa, porque eu não quero.
Não me venham asseptizar como sacerdotisa, não é o que sou.
Não estou acima de ninguém, nem quero estar.
Eu sou Bruxa porque sou chão.
Esse das cinzas das que morreram pela memória de um saber profundo.
Que brotam do chão e de nós em flor e canto.
Não me profanem com o vosso temor, preconceito ou romantismo.
Eu sou Bruxa porque toda eu sou Amor
Desse potente
Que ruge e tem garra e dente.
Que é leite cru, mas nunca açúcar.
Não sou a imagem literária nem cinematográfica desse poder falso e infantil.
Sou Bruxa como as Mulheres que ousaram parir Abril.
Sou campo de ervas daninhas.
Somos Bruxas, não estamos sozinhas.
Somos urtiga e rosa e espinho e hera
Filhas das ervas
Brotando da Terra.
livres da escravidão da estética e do comportamento.
Somos a substância do livre pensamento.
Semeadura, foice, vento.
Somos o que não sabemos
E a sabedoria que é fluxo
Somos as mil vozes oradas
Encantando o mundo
Desde o tempo primeiro.
Quem anda descalça, traz lama na borda da saia, chora muitas vezes e ri sem pudor.
Somos um campo aberto em flor.
Tudo nos atravessa,
Nada nos quebra.
Somos o espírito indomável e incorruptível do osso, da Pedra, da Terra.
Nossos lutos e lutas são partos.
Nossas mãos nunca se esgotam.
Trazemos lamento e alento de mãos dadas.
Cuidamos o fogo, a água
O leito do rio, a sombra, o pão e o cio.
O Fogo não nos queima, ardemos porque somos Fogo.
E se a forja nos transforma sabemos que quem nos guia é a Senhora, a nossa.
Somos Bruxas.
Meigas, Magas
Não existimos para ser nenhuma outra coisa senão a Natureza Selvagem
Que urge retornar a cada tempo e lugar.
Abrimos caminho,
No transbordamento da tecelagem do tempo.
Segundo poente da Senhora das Rosas
Há dentro de todos nós um conflito entre o selvagem e o domesticado.
É disso que nos fala Belenus.
Há dentro de nós um ângulo cego: valorizamos a pétala e a baga da Rosa mas descartamos o espinho.
Que tem tanto a dizer sobre a flor e a baga que a Rosa se tornam.
É disso que nos fala Belenus.
Esquecemos que o fogo se torna flor e fruto.
Que o prazer tem o propósito de criar caminhos e não de se fechar em si.
É disso que nos fala Belenus.
Dos ritos ancestrais e poderosos deste dia ficamos com o pão e o circo: as fogueiras orgiásticas.
Belenus sorri e pede: transfiguração.
Onde acreditamos que a luz nos ilumina é precisamente onde nos cega.
Belenus está na intersecção e no entrelaçamento: ver além da forma, ir além de si com raízes firmes no ser. Sem transcendência, sem ausência, sem artifício.
Com a arte de sermos um sacro ofício em processo de elaboração.
Belenus traz o fogo do Sol ao chão.
Arranca-nos o coração do peito para que nos lembremos que somos semente.
Meio árvore, meio pássaro, meio gente.
Belenus traz Beltane e os rebanhos de volta à transumância.
Traz o devir que emerge do corpo e do coração, e pede: faz-te caminho verde.
Com força, foco e fé.
Primeiro dia da Setena das Senhoras das Rosas.
Noite de Beltane, com Belenus, o Sol belo e o fogo que fecunda murmurando através da pele.
Saudações com o abraço das noites calorosas e dos dias soalheiros,
Onde o Sol potencia o verdecer do chão e nos re-orienta em direções que podem ser tão nutridoras como desafiantes. 🌞
Afinal, o que transpira de nós que há tanto estava guardado, nos lugares de maior interno e profundo mas que precisa de brotar e florescer no mundo?
Este é um tempo de caminhar de pés descalços, outra vez. Na nudez dos pés segue-se a nudez do coração pela comunhão primeira e total com o chão coração da Terra.
Cada passo é o re-sacralizar da presença no caminho. Este caminho que é teia e tear de todas as relações vivas, das mais arcaicas como a Pedra e das mais ligeiras como a Papoila, todas igualmente importantes.
Cada vez que vos escrevo esta carta, é como se o meu coração gotejar, ora com chuva, ora com suor, ora com a seiva dos afectos que transbordam. Este espaço para falarmos de Alma enquanto parte da Natureza e portanto cíclica e em constante e porosa alquimia é algo que prezo muito. Agradeço e carinho o tempo que tomam para me ler. 🌼
E deixo, antes dos convites que vos trago, algumas perguntas vivas, que são peregrinação e não resposta fixa, para nos acompanharem nesta estação. 🍁
💌 Lê tudo aqui
https://mailchi.mp/feminineconsciousness/santurio-docre-e-invocao-imergir-nos-caminhos-cantos-e-contos-ancestrais-abril
🦉Sabias que...
Há eventos esgotam antes de serem apresentados aqui ou no instagram?
🍁 Se quiseres ficar a par dos convites vivenciais e formações que oriento subscreve a minha newsletter :
https://mailchi.mp/feminineconsciousness/newsletter
P.s - Nos próximos dias saiem duas propostas profundas.🥰
⚘️E lá foi ela.
Não descansou enquanto não chegou às chaimites para agradecer aos Capitães de Abril.
Abriu caminho pelas lateriais da avenida e seguiu seguiu.
Já lhe doiam as pernas, daqui a um mês faz 79 anos, afinal.
Disse a todos os jovens que encontrou no caminho, e foram imensos: Não se esqueçam nunca, que nós estamos de saída, mas queremos deixar a liberdade que se criou em Abril. Estou aqui por vocês e pelo meu neto."
Ela chora e eu também, temos a lágrima fácil.
Temos muitas diferenças, muitas semelhanças e uma história muito complexa, porque não há famílias nem fáceis nem ideais.
Mas tenho um orgulho tremendo nesta geração, que exposta a tanto trauma e tanta brutalidade, fez brotar Abril num país despedaçado pela fome, violência, opressão, medo e guerra.
Esta é uma herança que vamos segurar viva nas mãos e entregar a quem vem a seguir como o maior dos tesouros.
Abril é o direito a ter voz e a viver em respeito pela diferença. É uma prática. É caminho.
Abril vive em nós e nós vivemos porque houve Abril.
Agradeço em reverência.
🌿Para quem como eu tem filhos adolescentes ou tenha interesse, deixo links abaixo para a cronologia da revolução, que foi publicada no Público e contém gravações rádio, fotografias e vídeos do dia. (Aprendi imenso a vê-la com o meu filho). E um documentário em duas partes sobre a Pide, chocante mas importante.
https://www.publico.pt/25abril/as-linhas-da-liberdade
https://www.rtp.pt/play/p11680/e687621/a-pide-leninha
https://www.rtp.pt/play/p11680/e687924/a-pide-leninha
E uma canção maravilhosa da querida Meta, para nos acalentar o coração.
https://m.youtube.com/watch?fbclid=PAZXh0bgNhZW0CMTEAAaZm583nlp1z4PwqMEM751dZZC5L5Xms-Yqosh1rq1XNtpnodclR74iuOM8_aem_Afd08mC5fwd1uLkmm9r0D5Phih5OOd1kM08lPOP22eZEh8g2HUZY1FcJBEFdV24Wmc7Eo06jo4v91UrSbl_5d_OC&v=ZX8G0vOl2nU&feature=youtu.be
Repost from N/a
📣📰🌿 50ª Edição · 21 de Março de 2024🌿📰📣
A D. Laura era vizinha da minha Avó e da minha Madrinha.
A Avó morava no 1°dto, a D. Laura no 1°esq, a Madrinha na cave dta.
A Avó da Beira Alta, a Madrinha de Trás os Montes e a D. Laura do Algarve.
A Avó e a Madrinha passaram fome e frio. Lembravam o dia em que puderam comprar o primeiro par de sapatos, e depois o segundo. A D. Laura cresceu numa grande propriedade no monte algarvio, que depois herdou e se manteve sempre lucrativa.
Quem acha que Portugal é homogéneo deveria ter tomado Chá com estas três senhoras, cada uma de sua nação, crenças, presença e costumes.
Coluna de Íris Lican Garcia
🌿🌟Lê AQUI o coluna completa:
https://ventoeagua.com/revistas-online/revista-50/cha-de-cravos/
💥📢🌻🍀🌳CONVITE ABERTO🌳🍀🌻📢💥
https://ventoeagua.com/convite-aberto/
🌻Podem saber tudo sobre o Workshop Chá de Urtigas aqui:
https://ventoeagua.com/workshops-vento-e-agua/
Boas leituras
Sofia e Maria
Afinal, é só um cravo.
Desses que tomam os campos em meados de Abril. Que secam na beira das eiras se não forem apanhados, ou caem em cima das mesas se postos nas jarras, depois de lhes murchar a haste.
Afinal, é só um cravo.
Daqueles que a floristas que partilhavam o mercado lisboeta com a minha Avó varina traziam nas cestas cheias para a venda, naquela madrugada de Abril. E que por isso depuseram nas espingardas, como sinal de gratidão e de esperança face ao pão do desespero de décadas.
"Já ninguém quer saber de Abril. "
Li no outro dia, juntamente com o estatuto da dona de casa, com os 60 autores que escrevem sobre os males de Abril e sobre a blasfémia de se falar mal de Abril.
Afinal, o estado novo também teve coisas boas. Certamente. No entanto, essa não é nem nunca foi a questão. A questão não é se houve ou não coisas boas, mas o balanço no fiel prumo da balança, das coisas boas com os malefícios. E sobretudo, do preço de cada coisa boa pago com direitos humanos e dignidade de vida. Bem como, aferir se as coisas boas eram mesmo benéficas colectivamente ou se serviam apenas um parco conjunto de pessoas.
Numa relação de violência doméstica também há momentos bons, mas não superam nem justificam o perigo dos maus. Não só não compensam, como os maus colocam o outro em risco de saúde, dignidade e sobrevivência.
Nem só de pão se vive, mas de Pão, Paz e Liberdade.
Texto completo no link abaixo.
Aviso de gatilho: contém referências a situações violentas
https://earthbodymedicine.com/so-um-cravo/
Trago-vos um convite, para vós, Senhoras que escutam nos ossos o chamado do Bosque e cujo sussurro dos Ancestrais encanta.
A próxima setena está prestes a iniciar e restam apenas 4 vagas disponíveis.
De dia 30 de Abril a 6 de Maio teremos 7 dias de Setena, dedicados ao Rubor: a incandescência fulgurante da Senhora chão coração da Chama.
Caminhando com a Senhora do Almurtão, Iccona Loimina lusitana, Senhoras das Rosas, Cravos e Papoilas (nos seus complexos cultos arcaicos, que falam dos caminhos de Ísis, Maria Madalena e Rainha Santa), Maia Madura, Senhora d’Azenha, Ataégina do caminho do meio, Senhoras do Mel.
Atravessamos os caminhos da Corça Brava e do Toiro de Brigid.
Farejando em silêncio o trilho dos lugares selvagens como sagrados, entre saudade, luto e a potente reclamação do culto dos ossos férteis das terras que nos são casa.
Afinal, as magas são as Meigas, ternas e eternas cuidadoras de tudo o que vive e o Bosque é o nosso Templo, e o lugar de ensinamento mais profundo.
Mergulhando na tecelagem viva do xamanismo celtibérico e nas formas sincréticas com que ainda ecoa nestas terras vivas e ressoa em nós.
Numa jornada misteriosa, profunda e fecunda abraçamos a Senhora nos seus nomes e aspectos mais primordiais, telúricos e ctónicos. Nos que nos movem e retecem o corpo e o sentir, de volta ao chão coração. Acolhendo paradoxos fundamentais à vida selvagem da Alma, do Corpo e da Terra.
🪨Todos os dias temos encontro das 18h às 19h, online, com práticas eco-mitológicas, somáticas, animismo e ritual.
O que é esta imersão?
Esta é uma jornada vivencial. Não é um curso, nem uma formação, mas uma experiência subjectiva, íntima, sensível e partilhada num grupo seguro.
É uma reflexão experiencial activa e comprometida sobre a nossa relação com a Terra, o corpo, a psyche e o Sagrado como forças dinâmicas estruturais. Aprendendo a reconhecer o nosso sistema nervoso, psyche e a nossa fisiologia na relação com a nossa natureza profunda, a Natureza da Terra e sua teia de relações dinâmicas e com as diferentes relações humanas.
Observaremos com curiosidade e muitas perguntas vivas que ampliam a percepção e sensação da Natureza da Terra e do corpo.
Olharemos mitos orgânicos ancestrais que nos orientam na vivência dos ciclos e daremos atenção a como a relação entre sol e solo também conversa com o nosso sistema nervoso, tão de perto.
Desceremos ao lugar da pedra, do osso que se fez pó, das águas subterrâneas, das raízes que sustentam a montanha e da neve, que tudo pára e tudo desperta.
Despindo o que outrora foi pele fértil, no encontro com a Alma que é fio no tear das relações que nos tecem e que tecemos.
Saber mais:
https://drive.google.com/file/d/1nXU0J3uXd4SSme85UFmrhGaYxBvjde6r/view?usp=sharing
Inscrições e mais informações :
senhoradazenha@gmail.com
Ou
No link:
https://feminineconsciousness.com/events/caminhadas-selvagens-abril/
É com o carinho do trevo e do São Roberto que cobrem de novo a Terra de vida verde que vos escrevemos hoje para vos falar da nossa caminhada dos cravos rubros da Liberdade, que será dia 24 de Abril, das 19h às 22h na Serra de Sintra. 🍀
Mulheres que caminham na noite no encontro da Alma com a Natureza viva.
Caminhamos em silêncio e sem lanterna, na escuridão, de mãos dadas, em reverência, em confidência, em oração.
Os percursos não se repetem, cada caminhada é um novo trajecto.
Por entre pedras templo ancestrais, na escuta dos cedros, abetos, tuias e pinheiros do Monte da Lua, Serra de Sintra. 🪨
Caminhar na Terra pura na noite escura pode devolver-nos uma capacidade de enfrentar a escuridão com enraizamento e semear esperança a cada passo, com paciência e sem expectativas.
Caminhar no Bosque para voltar à nossa casa ancestral.
🍁
Saudações com carinho,
Espero que sr encontrem em serenidade nesta transição para o calor estival.
Irei por estes dias deixar aqui todas as fotografias e relatos daa Peregrinação a Inglaterra Arturiana.
Fico sempre tão cheia que preciso de tempo para integrar e ser capaz de traduzir em palavras.
Entretanto, deixo-vos uma conversa que tive há umas semanas atrás com a Joana d'Alma Roque, espero que vos faça sentido.
Um abraço com Amizade 🌿
https://open.spotify.com/episode/5jMfbm1TjKdMi5qpMJs413
Saudações com carinho,
Espero que sr encontrem em serenidade nesta transição para o calor estival.
Irei por estes dias deixar aqui todas as fotografias e relatos daa Peregrinação a Inglaterra Arturiana.
Fico sempre tão cheia que preciso de tempo para integrar e ser capaz de traduzir em palavras.
Entretanto, deixo-vos uma conversa que tive há umas semanas atrás com a Joana d'Alma Roque, espero que vos faça sentido.
Um abraço com Amizade 🌿
https://open.spotify.com/episode/5jMfbm1TjKdMi5qpMJs413
