O REI SEM ALCANCE
CAPÍTULO 1 — O REI QUE NINGUÉM PODIA ALCANÇAR
Naquele reino, todos conheciam o nome do rei.
Todos conheciam sua riqueza, seu poder e sua autoridade.
Mas ninguém conhecia o homem por trás da coroa.
O Rei Adrian havia subido ao trono ainda jovem, depois da morte repentina de seu pai. Desde então, transformara-se em uma figura quase impossível de alcançar. Não permitia que ninguém se aproximasse demais, não confiava em conselheiros e raramente demonstrava qualquer emoção.
Diziam que seu coração era tão frio quanto o inverno das montanhas do norte.
Diziam que nenhuma mulher havia conseguido despertar seu interesse.
E, principalmente, diziam que ninguém conseguiria fazê-lo mudar de ideia.
Por isso, quando Helena chegou ao palácio, ninguém imaginava que aquela jovem desconhecida seria justamente a pessoa capaz de desafiar o homem mais poderoso do reino.
Helena não havia ido ao palácio em busca de riqueza.
Ela precisava de trabalho.
Sua família havia perdido tudo depois de uma disputa injusta envolvendo terras e impostos. Seu pai estava doente, sua mãe cuidava dos irmãos mais novos e Helena era a única pessoa capaz de conseguir dinheiro suficiente para manter a família unida.
Foi assim que ela aceitou trabalhar no palácio.
No primeiro dia, recebeu uma ordem simples:
— Não tente falar com o rei.
Helena franziu a testa.
— Por quê?
A governanta respondeu imediatamente:
— Porque Sua Majestade não gosta de pessoas curiosas.
Helena apenas assentiu.
Mas naquela mesma noite, tudo mudou.
Enquanto carregava uma bandeja pelos corredores, Helena ouviu uma discussão atrás de uma porta.
— Não vou assinar esse acordo.
A voz era firme.
Helena reconheceu imediatamente.
Era o rei.
— Majestade, se não aceitar, teremos uma guerra — respondeu um conselheiro.
— Então teremos uma guerra.
Helena parou por alguns segundos.
Nunca havia ouvido alguém falar daquela maneira.
Quando se virou para continuar andando, a porta se abriu.
Adrian estava diante dela.
Os dois ficaram em silêncio.
Helena abaixou a cabeça.
— Perdão, Majestade.
— Você ouviu?
Ela respirou fundo.
— Apenas algumas palavras.
— E o que entendeu?
Helena hesitou.
— Que o senhor não gosta de ser pressionado.
O rei ficou surpreso.
Ninguém falava com ele daquela maneira.
— Como se chama?
— Helena.
Adrian observou seu rosto por alguns segundos.
— Da próxima vez, não pare para ouvir conversas que não lhe dizem respeito.
— Sim, Majestade.
Ela tentou passar.
Mas ele acrescentou:
— E não precisa abaixar a cabeça quando falar comigo.
Helena levantou os olhos.
Pela primeira vez, viu algo diferente no olhar do rei.
Não era frieza.
Era solidão.
Naquela noite, Adrian não conseguiu esquecer aquela jovem.
Enquanto isso, Helena também pensava nele.
Não porque estivesse apaixonada.
Mas porque havia percebido algo que ninguém parecia enxergar.
O rei não era cruel.
Ele estava escondendo alguma coisa.
Dias depois, Helena descobriu que seu pai havia sido acusado de roubo pelo antigo governador das terras onde sua família vivia.
E havia apenas uma pessoa capaz de reabrir o caso.
O rei.
Determinada a salvar sua família, Helena decidiu procurá-lo.
Ela sabia que estava quebrando as regras.
Mesmo assim, entrou na biblioteca real e encontrou Adrian sozinho.
— Majestade, preciso pedir um favor.
Ele levantou os olhos.
— Você não deveria estar aqui.
— Eu sei.
— Então por que veio?
Helena colocou um documento sobre a mesa.
— Quero que investigue este caso.
Adrian pegou o papel.
Seu rosto mudou imediatamente.
— Onde conseguiu isso?
— É sobre meu pai.
O rei leu cada linha.
Então perguntou:
— Você sabe o que está pedindo?
— Sei.
— Posso descobrir coisas que talvez sua família preferisse esquecer.
Helena respondeu:
— Prefiro descobrir a verdade.
Adrian ficou em silêncio.
Aquela resposta atingiu algo dentro dele.
Ele havia passado anos evitando a verdade sobre a morte de seu próprio pai.
Talvez por isso tivesse se tornado tão distante.
— Vou investigar — disse finalmente.
Helena ficou surpresa.
— Obrigada.
Quando ela se