Marcelo
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🗞️ Referências:
http://www.chocolate-cocoa.com/dictionary/history/valentine/v02.html
https://dandelionchocolate.jp/blogs/ourdays/642
https://www.ikedaspa.com/blog/valentines-day-in-japan/
https://www.ishimura.co.jp/whiteday/birth.html
https://jisho.org/
https://japaniche.org/articles/why-chocolate-defines-valentine-s-day-in-japan-traditions-trends-and-events
https://www.meiji.co.jp/hello-chocolate/column/53/
https://miaumall.com/zh/blogs/news/japanese-valentines-day-levels-of-chocolate
https://www.morozoff.co.jp/company_ir/history_1931.html
https://www.nippon.com/en/features/jg00025/valentine%E2%80%99s-day-and-white-day-in-japan-chocolate-centered-celebrations.html
https://n-flexo.co.jp/blog/honmei-meaning/
https://pop-japan.com/culture/6-types-of-valentine-chocolates-in-japan/
https://www.rbth.com/arts/2015/05/31/the_morozoffs_a_story_of_russian_confectioners_in_japan_46495.html
https://sakura.co/blog/february-14th-a-history-of-valentines-day-in-japan
https://www.tokyoweekender.com/art_and_culture/history/the-history-of-valentines-day-in-japan/
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Considerações finais e comentários
Esta pesquisa partiu da minha curiosidade devido a um evento de Valentine’s em um joguinho que eu gosto. Nele, há a possibilidade de receber ou entregar chocolates para outros personagens, e eu fiquei me perguntando “mas por que chocolates?”.
Apesar de saber que o Japão celebrava o Dia dos Namorados no mesmo dia que outros países ocidentais, eu nunca refleti sobre como isso começou.
Achei um tanto irônico e engraçado o fato de que a ideia foi introduzida pelo anúncio da empresa de um russo foragido da Revolução de 1917. Stonks.
Li em algum lugar (não consigo me lembrar onde) que o anúncio da Morozoff direcionado às mulheres teria sido um erro de tradução, e isso está errado. Os anúncios foram intencionais, tanto da Morozoff quanto da Mary’s Company e Morinaga. Havia um interesse comercial no público feminino à medida que as mulheres integravam a força de trabalho (parece familiar?) e se tornavam consumidoras no início dos anos 70 (os períodos anteriores foram de transição para esta realidade).
Confesso que eu não pretendia sintetizar o que encontrei e publicar por aqui. Seria mais uma curiosidade que eu guardaria na minha gaveta mental.
Decidi postar por três motivos:
Em primeiro lugar, porque achei a história bem interessante, e eu gosto de aprender mais sobre o Japão.
Em segundo lugar, é um tópico que eu nunca vi ser comentado aqui no Telegram ou por outros canais e criadores de conteúdo sobre o Japão na internet afora (em português). É claro que isso não significa que ninguém tenha falado antes, apenas que eu não vi.
Terceiro, para tentar desmistificar um pouco da percepção que tendemos a ter sobre o Japão e sua cultura. Este último talvez seja o mais ambicioso, reconheço. E não tenho pretensão alguma de me colocar como autoridade sobre isso. Sou apenas uma curiosa, admiradora e observadora que gosta de estudar e conhecer melhor este país. E, pessoalmente, me incomoda muito a “idolatria” que muitos acabam tendo em relação ao Japão, em especial os “weebs”. Há muitos aspectos interessantes e admiráveis da cultura japonesa? Sem dúvida. Mas nada nessa vida é perfeito, e o Japão se enquadra nisso.
“E o que isso tem a ver com o Dia dos Namorados?” Explico. Uma das características mais intrigantes e fascinantes do Japão, ao meu ver, é justamente relacionado às suas inúmeras tradições, que venceram o tempo. É, de fato, muito admirável, principalmente para nós, que vivemos em um país que praticamente não possui tradição alguma. Dito isso, há uma tendência natural a associarmos o Japão a “tradições milenares” e, bem, não é este o caso com o Dia dos Namorados. Sua origem é um tanto banal, eu diria. Trata-se somente de uma jogada de marketing consolidada ao longo do tempo. Não se difere tanto do Dia dos Namorados brasileiro. Não significa que a prática de presentear em si seja banal, ok? Eu achei bem bonitinha, para ser sincera.
Enfim, era isso que eu tinha para dizer. Nos últimos meses tenho pesquisado e estudado mais sobre a história do Japão por hobby mesmo. Estou muito longe de ser uma especialista tanto no tema quanto no idioma, mas uma coisinha ou outra eu aprendi. Talvez traga mais textos assim no futuro, não sei. Se quiserem, deixem uma reação positiva, please. Eu tinha pedido joinha e vocês deixaram coração, mas gostam de irritar a muié, hein? 😤 Kkkkkkkk brincadeira
Se você chegou até aqui, muito obrigada pela leitura e atenção 🤝
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Anos 70-presente
O White Day, por sua vez, é um conceito exclusivamente japonês, criado pela confeitaria 石村萬盛堂 (Ishimura Manseido Co., Ltd.), em 1977.
Um executivo teria lido a reclamação de uma mulher sobre o Dia dos Namorados e pensou que um dia no qual os homens retornassem a cortesia às mulheres seria bem visto, propondo, assim, o “Marshmallow Day” no dia 14 de março. Os anúncios encorajavam os homens a presentear as mulheres com marshmallows.
Eventualmente, o Marshmallow Day tornou-se o atual White Day (afinal, qual é a cor do marshmallow?). Apesar de sua origem, marshmallows não são necessariamente presenteados.
Está aí um breve resumo da origem do Dia dos Namorados no Japão. Mas, como nem tudo são flores, vejamos o cenário atual dessa tradição curiosa.
Atualmente, há uma resistência maior quanto à distribuição de 義理チョコ (giri-choco), principalmente pelas mulheres. Para os homens também não é tão interessante assim pelo ponto de vista financeiro devido ao “dever moral” do 義理チョコ (giri-choco), por exemplo.
Contudo, além desta “obrigação social” prevista pelo 義理チョコ (giri-choco), o White Day também foi responsável por consolidar o conceito de 三倍返し (sanbai-gaeshi) durante a bolha econômica japonesa, ou seja, “retornar o triplo do valor” dos presentes recebidos no Valentine’s Day. Assim, esperava-se que um homem presenteado por suas colegas retribuísse o feito, não na mesma medida, mas três vezes mais, o que torna a prática insustentável para qualquer um.
Além disso, é claro, não sejamos ingênuos; havia uma parcela de mulheres que se aproveitavam disso e distribuíam chocolates aos colegas homens especificamente para receberem presentes caros em troca.
Não sei dizer o quanto o 三倍返し (sanbai-gaeshi) ainda prevalece entre os japoneses; aparentemente, é uma prática em declínio.
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Dia dos Namorados no Japão - Parte II
Anos 30
A Revolução de 1917 provocou o êxodo de milhares de russos, chamados “White emigrés” devido a sua oposição aos Bolcheviques. Fyodor Morozoff era um desses white emigrés e se estabeleceu em Kobe, no Japão, onde fundou a fabricante de chocolates モロゾフ株式会社 (Morozofu Kabushiki Gaisha, ou Morozoff Ltd.), juntamente ao empresário japonês Katsuno Tomotaro, em 1931.
Em 1936, a empresa publicou seu primeiro anúncio em inglês no jornal Japan Advertiser, que era direcionado a estrangeiros, introduzindo o conceito de chocolates de Valentine’s Day. Foram anos repetindo os anúncios, mas o costume só se popularizou após a Segunda Guerra, durante a ocupação americana.
Anos 50-60
Um funcionário da Mary’s Chocolate Company, confeitaria de Shibuya, tendo recebido um presente de um(a) amigo(a) em Paris, explicou sobre o costume do Valentine’s Day no Ocidente de demonstrar amor ou apreço por presentes como flores ou chocolate.
A empresa viu uma oportunidade e, em 1958, realizou a primeira Valentine's Day Fair no Japão, na loja Isetan em Tóquio, inicialmente com vendas modestas. No ano seguinte, repetiram a ação com algumas diferenças. Venderam chocolates personalizados e, por um valor a mais, a pessoa poderia escrever um nome de sua preferência no chocolate. Dessa vez, as vendas foram um sucesso.
A empresa manteve os anúncios direcionados às mulheres, incentivando-as a “virar o jogo” e aproveitarem a oportunidade para confessarem seu amor — o 告白 (kokuhaku), como vimos anteriormente.
Importante destacar que, até então, o 告白 (kokuhaku) partia dos homens e era uma atitude considerada vulgar se feita pelas mulheres.
Esta percepção mudou graças aos esforços de marketing da Mary’s Company e outras confeitarias, como a 森永製菓株式会社 (Morinaga Seika Kabushiki-gaisha, ou Morinaga & Company, Ltd.), além de varejistas que tiraram proveito desta tendência para vender mais chocolates (e mais caros).
A partir dessa mudança na cultura japonesa surgiram os diferentes tipos de chocolate mencionados anteriormente e muitos outros, como:
家族チョコ (kazoku-choco), “chocolate da família”, entregue aos parentes. Também conhecido como ファミチョコ (fami-choco);
逆チョコ (gyaku-choco), “chocolate reverso”, em que os homens invertem a tradição e entregam chocolate às mulheres;
自分チョコ (jibun-choco), “chocolate para si mesmo”, em que a pessoa presenteia a si mesma, independente de seu estado civil; tem se tornado especialmente popular entre as mulheres. Também conhecido como マイチョコ (mai-choco, do inglês, "my chocolate", "meu chocolate").
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本命チョコ (honmei-choco)
Finalmente, chegamos ao 本命チョコ (honmei-choco), o “chocolate do amor verdadeiro”. Este é o chocolate principal a ser presenteado no Dia dos Namorados japonês. E, assim como os anteriores, seu nome também é formado por uma dupla de ideogramas.
本 (hon) é um dos kanji mais simples de se aprender e significa “livro”, “origem”, “verdadeiro”, “real”, “raiz”. É usado para indicar algo que é central, fundamental ou autêntico — como em "本番" (honban, "apresentação real/principal") ou "本体" (hontai, "corpo principal").
命 (mei) possui múltiplos significados relacionados a “destino” (ou “fortuna”), “comando”, “decreto”.
Historicamente, no contexto da astrologia e do 陰陽道 (onmyōdō, o sistema esotérico japonês), "本命" (honmei) se referia ao signo ou estrela do nascimento de uma pessoa, ou seja, representava o destino ou a sorte de alguém determinada desde o nascimento.
Na linguagem moderna, 本命 (honmei) é usado principalmente em três contextos:
1. Esportes e competições: o favorito para vencer, o candidato mais provável de ganhar (especialmente em corridas de cavalos, eleições ou competições)
2. Escolhas pessoais: o desejo do coração de alguém, a primeira escolha genuína entre várias opções — como em "本命校" (honmei-kō, universidade de primeira escolha)
3. Relacionamentos românticos: a pessoa que alguém verdadeiramente ama ou deseja
A essência filosófica de 本命 (honmei) reside na ideia de que não é apenas "o melhor entre várias opções", mas sim aquele que estava destinado desde o princípio; uma escolha que não compete no mesmo nível com as alternativas pois ocupa uma posição central e especial desde o início. Em português, seria algo como a nossa expressão “escrito nas estrelas”. Belíssimo significado, não acham?
Pois bem, o 本命チョコ (honmei-choco) simboliza a confissão — ou 告白 (kokuhaku) — de amor verdadeiro, podendo ser entregue ao parceiro ou um pretendente. É o chocolate de maior qualidade, mais caro e esteticamente atraente, muitas vezes apresentando embalagens elaboradas com caixas sofisticadas, fitas fofas e formatos de coração. É comum que também seja artesanal e decorado para demonstrar um cuidado extra, podendo incluir também notas de confissão ou cartões.
Bônus: 告白 (kokuhaku)
Significa "confissão" ou "declaração", e possui três usos principais: confissão de amor, reconhecimento/admissão geral, e a confissão penitencial, ou seja, a confissão religiosa dos pecados.
告 (koku) é um ideograma que significa "revelar", "informar", "anunciar" ou "notificar". Representa o ato de comunicar ou tornar público algo que estava oculto ou privado. É usado em palavras como 告知 (kokuchi, "notificação") e 告訴 (kokuso, "denúncia").
白 (haku) significa "branco". No contexto de 告白 (kokuhaku), o "branco" representa pureza, clareza e transparência, ou seja, a ideia de revelar algo de forma clara e honesta, transparente, sem ocultações.
No contexto romântico japonês, que é o foco deste texto, o 告白 (kokuhaku) refere-se ao ato formal de declarar sentimentos amorosos a alguém — uma confissão de amor explícita que marca oficialmente o início de um relacionamento. É um contraste muito interessante (e, na minha opinião, relevante) ao hábito Ocidental em que prevalecem a ambiguidade, o dito pelo não dito, os joguinhos de “gato e rato”, os apelos sensuais.
Interessante essa tradição, não? Se tiverem curiosidade em conhecer a história, deixem um 👍 e eu conto para vocês na Parte II 😊
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Dia dos Namorados no Japão - Parte I
Sabiam que no Japão o "Dia dos Namorados" é celebrado? Quem já viu algum animê escolar com certeza sabe disso. Mas já se perguntaram por que o Japão celebra o “Valentine’s Day” se a influência católica foi completamente apagada da sua cultura?
Bem, para que não conhece, nesta tradição japonesa as mulheres presenteiam os homens com chocolate como forma de demonstrar seu amor. No mês seguinte, no dia 14 de março, há o chamado White Day, em que os homens presenteados retribuem a cortesia às mulheres — detalhe: para todas as mulheres que lhes presentearam.
Em geral, é isso. Mas há algumas nuances interessantes de se conhecer para entender melhor essa tradição.
Os tipos de chocolate do Valentine’s Day
Há diferentes tipos de chocolate presenteados: 本命チョコ (honmei-choco), 義理チョコ (giri-choco), 友チョコ (tomo-choco). Estes seriam os principais pelo que encontrei nas minhas pesquisas, então focaremos neles para facilitar.
Ao presentearem os homens, as mulheres dizem qual é o tipo de chocolate entregue para evitar possíveis desentendimentos. Isso ocorre pois cada chocolate tem um valor diferente, tanto financeiro quanto simbólico. Novamente, para deixar tudo mais simples, comecemos pela ordem de “menor valor” até “maior valor”.
義理チョコ (giri-choco)
義理 (giri) significa, em geral, “obrigação”, “dever”. É composto pelos ideogramas 義 (gi), “honra”, “moralidade”, e 理 (ri), “razão”, “princípio”, “lógica”. Podemos compará-lo às ideias ocidentais de “senso de responsabilidade”, ou “dever moral” para entender o que significa. No entanto, é uma comparação incompleta pois, no contexto japonês, 義理 (giri) costuma incluir também uma dívida de gratidão e expectativa de reciprocidade, não se limitando à “responsabilidade” por si só. É uma cortesia a ser retribuída por quem é presenteado (lembram-se que no White Day é a vez dos homens retribuírem o ato?).
Já チョコ (choco) é uma abreviação de チョコレート (chokorēto), uma palavra emprestada do inglês (e por isso escreve-se em katakana, pois indica tratar-se de palavra estrangeira e não japonesa) e significa, obviamente, “chocolate”. Logo, este é o “chocolate do dever moral”, ou seja, o chocolate que se entrega aos colegas de trabalho, superiores e conhecidos como um ato de cortesia.
Este chocolate é mais simples e prático, de fácil distribuição, como, por exemplo, caixas de Kit Kats. A proposta é que seja entregue um chocolate minimamente saboroso; algo simples ou barato demais pode demonstrar descaso e falta de educação.
友チョコ (tomo-choco)
友 (tomo) representa "amigo" ou "companheiro", e é a abreviação de uma palavra bem conhecida, 友達 (tomodachi), que também significa “amigo”. 友達 (tomodachi) é formada pelos caracteres 友 (tomo) e 達 (tachi).
O ideograma 達 (tachi) possui diversos significados relacionados a "alcançar", "atingir", "chegar a" ou "comunicar". Quando combinado com 友 formando 友達, o caractere 達 funciona como um sufixo pluralizador que também adiciona uma nuance de conexão ou grupo de pessoas relacionadas. É um pouco confuso, eu sei. É como se 友達 (tomodachi) equivalesse ao coletivo de amigos, o conceito de "amizade" como um todo. Peço desculpas pela explicação confusa, não consigo ir muito além disso.
Enfim, este é o “chocolate da amizade”. Está entre o 義理チョコ (giri-choco) e 本命チョコ (honmei-choco). Não encontrei muitas informações detalhadas sobre ele. 友チョコ (tomo-choco) é presenteado para as amizades genuínas, geralmente entre meninas e mulheres.
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Acerto da Ju Ginger sobre o novo prefeito de Nova York, no Relatório de 30.06.2025.
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