ru
Feedback
Coração de Urtiga 🌿

Coração de Urtiga 🌿

Открыть в Telegram

Reflexões vivas sobre Terra Corpo como Medicina: eco-filosofia, eco-mitologia, espiritualidade da Terra, herbalismo, movimento, arte e terapia eco-somáticos.

Больше
742
Подписчики
Нет данных24 часа
Нет данных7 дней
-130 дней
Архив постов
Às vezes escrevem-se poemas pelas minhas mãos. Escorrem como gotas de Água deslizando lentas em pedras cobertas de musgo. Este misturou-se com uma canção de trabalho minhota. E assim se fez, para nos lembrar que há forças selvagens da natureza e da Alma imperecíveis, incorruptíveis. Ninguém pode domar o Rio E quem acha que o doma esquece Que o Rio é vivo cio E o cio nunca esmorece Pode até adormecer Deixar-se conter calado Mas há-de voltar a erguer Pela força do seu chamado Ninguém pode domar o rio Nem pode dominar o chão Não se pode ter na mão a chama Nem silenciar o trovão Queriam-se as mulheres caladas Silentes, em submissão As crianças dissociadas Os homens sempre em prisão As águas do rio contidas As plantas em produção Os animais violentados Os pés sangrando sem chão «Trabalho mato o meu corpo Não tenho nada de meu Diga lá patrão António Que pensamento é o seu?» Quando a cantadeira cantou,  Ergue-se a alma daninha Aquela que todos pisam E nunca ninguém acarinha Aquela que nunca morre Que por si mesma renasce O rio debaixo do rio Sendo sua própria haste Ninguém pode domar o Rio E quem acha que o doma esquece Que o Rio é vivo cio E o cio nunca esmorece Leve o tempo que Levar A Água atravessa a pedra A Água atravessa o tempo A Água nunca se quebra

photo content

Vínculo Parar em segurança Co-reparar o sistema nervoso e co-regular a fisiologia No contacto, na relação, na proximidade. Todos os dias aprendo com a minha família felina a resgatar a integralidade mamífera para o meu corpo e percepção. A relação com os animais é uma das fontes de aprendizagem mais ricas sobre a natureza primeira da nossa fisiologia, emoções e qualidade de relações. Entre autonomia, contacto, brincadeira, agressividade saudável e vital, foco, encontro. Porque os animais sabem: - muitas vezes mais de nós do que nós mesmes - aquilo que esquecemos e precisamos de lembrar - ver-nos com o olhar de quem verdadeiramente somos - ajudar-nos a viver com mais honestidade, presença, limites claros e afecto - que o repouso é um investimento na saúde mental, física e na nossa qualidade de presença consciente Entre tantos outros dons. Aprender a ser animal plenamente é restituir dignidade e coerência às nossas experiências de vida. E precisamos disso para imbuir de humanidade todos os lugares.

photo content

Diário dos últimos dias: Medra o Meimendro Raro, belíssimo, potente. Usado na farmacologia herbal portuguesa e europeia até ao meio do século XX e desaparecendo depois disso. Tem muitas colorações, sendo o negro, raríssimo, uma das mais importantes plantas da tradição mágica ocidental. Sinto uma benção tremenda pelos caminhos que tão generosamente me é permitido trilhar. Nós últimos dias percorri os jardins da quinta da Regaleira, os caminhos da Pena. Ontem foi dia de acompanhar as tão queridas @filhadapraia e @patriciarosamendes no curso da @edt.portugal Falámos sobre sistema nervoso, trauma, ansiedade, transtorno de stress pós traumático, burn out e também sobre a transversalidade geracional do trauma e sobre sistema nervoso e ecossistema. Foi tão rico, fértil e também tão belo. Hoje fui ver uma família recém nascida com a Bebé que chegou. Nas paredes ainda estavam as afirmações potentes que a Mãe espalhou por toda a sala para se lembrar dos seus recursos e os semear profundamente dentro de si: A dor é a minha guia. A dor passa. A minha bebé sabe o caminho para nascer. O meu corpo é forte e capaz. Quando um parto acontece em respeito pela fisiologia da mãe e bebé, com o tempo da sua natureza, torna-se uma experiência de resiliência psico-corporal para toda a família. Fortalece o vínculo, a auto-estima, a capacidade de enfrentar os desafios de estar em família e crescer junto. No regresso, pude visitar a gruta do Escoural. Iccona, Epona, Ébora, Évora, Égua Vermelha que invoca a lua, que é berço e barca. Embala os recém nascidos e transporta os moribundos para o outro lado do rio. Ossadas entregues no chão com taças e símbolos para chegar à outra margem, na orientação da Senhora do Sangue e dos Ossos, da Pedra e da cavalgada selvagem, tecida a parto, sexo e morte. Como é belo poder adentrar a beleza de acolher paradoxos complementares que nos atravessam, em abertura e estrutura. Pelas Plantas, pelas Parideiras, por quem chega e pelos Ancestrais só guardo o coração nas mãos, transbordando de gratidão. Somos terras de Calle e suas gentes, e há tanta potência aqui.

Corria o ano de 1857. Em New York, vinte mil costureiras, classe operária simples, pobre, dilacerada por uma exploração secular onde a mulher doméstica é o carvão de uma máquina social que a usa para procriar e criar riqueza alheia. A voz, sem voto, sem direitos humanos. Era Março, dia 8. Quando saíram à rua as modistas, o eco das suas vozes por fim não mais caladas chegou a múltiplos lugares, de Inglaterra e França à Rússia. Milhares perderam a vida pedindo pão, direito a decidir sobre as suas vidas, seu corpo e política das suas nações. Milhares perderam a vida e foram brutalizadas. Faltou ao movimento integração racial? Sem dúvida. Não foi perfeito, mas abriu caminho a que o sufrágio universal fosse constitucionalizado como direito inalienável, a condições de trabalho e humanas com mais dignidade. Porém, o dia das mulheres em equidade ainda não se cumpriu. Para milhares de mulheres em todo o mundo, desde as que são casadas na infância, às violentadas sem proteção, às escravas domésticas, às meninas envenenadas na escola no Irão, às mutiladas genitalmente, às que sofrem violência obstétrica, às assediadas no seu local de trabalho, às transgenero perseguidas. Tanto caminho percorrido e tanto a percorrer. Que ninguém largue a mão de ninguém.

Se em vez de perguntar para que serve a Água, perguntassemos: quem és tu? Se em vez de perguntar para que serve a areia, perguntassemos: quem és tu? Será que a areia nos contaria, na dual linguagem que teríamos de aprender, no tempo longo da areia e não no nosso tão curto, que já foi pedra, osso, raiz, átomo de estrela até se desfazer em grão? Quanta memória carrega em si cada grão? Como a objectificamos ao torna -la uma mera utilidade? E a planta, será que nos contaria como é germinar, o que é ser chão e ao mesmo tempo ser a si mesma, o que é escutar o chamado do Sol e ser alimento e medicina do Bosque mas não de si mesma? O que nós contaria cada planta, cada pedra, cada corpo vivo de água? Se não aprendermos a escutar será que estamos verdadeiramente vivos? Ou será que estamos numa espécie de morte em vida em que tímida a natureza nos é utilitária e também nós somos utilitários e capitalizáveis? Infelizmente, a capitalização não é só económica, a percepção criada e incentivada de que tudo deve ser útil e produtivo é a base da nossa doença ecológica e de tantas doença emocionais. Muitas vezes, as pessoas mais geniais são as que mais dificuldade têm em encontrar sentido tanto em produzir como em consumir. Será que uma empatia exclusivamente voltada para o nosso semelhante é uma verdadeira empatia? Ou será a verdeira empatia mais do que humana, extensível a todos os seres humanos e não humanos nas suas amplas diferenças de nós? Porque escutar o semelhante é um eco da nossa voz,as escutar o distintivo é um confronto e é aí mesmo que a empatia é uma prática e não um dado adquirido. É nesta escuta afinada e constante que nos desconstrói a identidade social que ouvimos a Natureza primordial, dentro de nós, uns dos outros e à nossa volta. Para mim, é com as plantas que aprendemos a qualidade da escuta e da generosidade: porque se há quem saiba escutar plenamente e testemunhar com resiliência o passar do tempo, são as árvores e plantas. Porque se há quem exista para se doar, são as árvores e as plantas.  Escutar cada uma pelo que é, não pelo que faz é o exercício maior dos xamanismo desde o neolitico. Por isso: deixo no chão coração a prece. A passo a passo tecida.

photo content

Podem ouvir aqui a última conversa Remembrar os Ososos. Comigo, Ana Alpande, Élia Gonçalves e Sofia batlha. É mesmo a última desta temporada e faremos agora uma pausa. https://spotifyanchor-web.app.link/e/paeYc2bdGxb

Évora é um dos meus lugares de pertença. Não me pertence, sou eu que lhe pertenço. Desde o primeiro dia, quando aos 19 anos fui morar sozinha na cidade para estudar da universidade. Desde a primeira noite em que fui a pé da muralha até aos Almendres. Demorou horas a fio. Guadalupe e a lua cheia envolta num arco íris nocturno como testemunha. Um frio tremendo. Entre Amor e temor, cada passo. Dormi no círculo de pedras um sono atravessado de sonhos lúcidos. Acordei ao Alvorecer, gelada ( e claro que a precisar de um táxi para voltar porque as perninhas não davam para fazer o regresso mas também antes do nascer do Sol ninguém fazia serviços de táxi naquela altura, isto não é só romance tá). Devagar fui recolhendo tradições da Terra, os autos de fé massivos, a arcaica tradição das bruxas d' Évora, as centenas de monumentos megalíticos. Fui diagnosticada com depressão pelo primeira vez em Évora. Na altura não sabia, mas aquela noite assinalou um fim de ciclo e um início de ciclo. Eu não sabia, mas não voltei a morar na casa da família nunca mais depois dali. Iniciei uma jornada terapêutica, artística, animista que nunca mais iria parar(-me). Nós nunca sabemos o quanto as pedras nos cantam os ossos. Mas cantam. E o silêncio penetra mais do que qualquer voz na psyche subconsciente. Este sábado fui fazer uma visita de doula. Évora é o único local onde acompanho fora de Sintra, Lisboa e Cascais. Novamente, como tantas vezes fiz, voltei aqui sozinha para me encontrar com as Anciãs. Desta vez de imediato ouvi dentro de mim um frase clara: Trabalha os ossos. Trabalha o que dentro de ti está morto e não deve estar. Porque, é isso mesmo que a Terra faz. E somos a sua continuidade vertical, enraizades no chão coração seguindo o chamado do Sol e das estrelas.

photo content
+2

Saudações com a beleza do meio do Inverno, É com todo o carinho que vos anunciamos a nossa segunda peregrinação deste ano. Desta vez, a Terras do Gerẽs, de 23 a 28 de Agosto. Animismo Celtibérico e galaico-lusitano Herbalismo Ancestral Ecologia profunda Práticas eco-somáticas Caminhamos para recordar, para recompor, para tecer a pertença perdida aos territórios selvagens que pulsam sob os nossos pés e nos recordam da resiliência de comunidades tribais perdidas e cujo resgate é profundamente potente e orientador. Caminhamos para voltar ao lugar da Anima: da força da alma animal que somos e que nos encaminha a uma relação sagrada, amorosa, misteriosa, íntima com a Terra e as Águas, os animais e as plantas, as pedras e os fungos, as bactérias e as estrelas. Escutando a voz de Ocaere, a Matres Matuta, a Mãe Magnânima Primeira. Caminharemos pelos trilhos Ancestrais neolíticos, visitando e cerimonializando com reverência e amorosidade pedras sagradas, monumentos fúnebres, cascatas, nascentes, no coração das montanhas. Adentrando o saber das plantas do herbalismo medicinal. Resgatando a voz das Divindades da Terra, da Água, da Noite, das Plantas, para despertar a presença da Alma e o equilíbrio nas nossas relações para connosco, os outros e a Natureza Viva. Partilharemos uma quinta belíssima em pleno Gerês, onde os sonhos, a sensibilidade, e o céu nocturno nos guiam na travessia dos caminhos. São benvindas famílias, casais e pessoas amigas próximas. « Os montanheses são todos sóbrios. Só bebem água dos rios e deitam-se no solo estreme. Deixam crescer o cabelo e vestem-se de negro, como a Terra e a noite. Dormem assim junto do corpo da Terra para com ela se identificar.»  Dalila Pereira da Costa sobre os povos do Norte da galaico-Lusitânia Com Íris garcia, Lila Moreira e Ana David As vagas são muito limitadas, por isso temos uma fase de pré-inscrições até dia 1 de Março.  Preenche o formulário para receber todas as informações: https://docs.google.com/forms/d/e/1FAIpQLScenAF44-sZoU3KtBNdRZDnpXb5C-iB65P9WvVTq7nkxMIQIQ/viewform

photo content

🌿Casa Colo Caminho SABIAS QUE PASSAR TEMPO NA NATUREZA É IMPRESCINDÍVEL E INSUBSTITUÍVEL PARA O SISTEMA NERVOSO, DIGESTIVO, CARDIOVASCULAR E RESPIRATÓRIO? Caminhar na Natureza apoia a regulação do nervo vago, que atravessa intestino, coração e cérebro. Dois terços da comunicação vagal acontece de baixo para cima, daí que a regulação nervosa é sobretudo do chão e do corpo para o cérebro. Poder ver em perspectiva formas fractais e dendidricas é fundamental para os nervos ópticos e para o cérebro. As tonalidades de verde são neuro reparadoras. O nosso bioma intestinal precisa do bioma da floresta viva. O nosso ritmo cardíaco precisa de um tempo sem tarefas objetivas para se regular com o seu ritmo natural. Na floresta descarregamos carga nervosa, mental, fisiológica. Porque: somos mamíferos e a Floresta é a nossa casa milenar. Mais do que seres civilizados, somos mamíferos. E só no encontro da nossa fisiologia com o seu lugar de pertença podemos regular inteiramente e cultivar saúde e vitalidade. Estudos recentes apontam que o tempo ideal seria uma hora diária, seja qual for o clima. Em silêncio, e sempre que possível sem calçado. Na ausência desta possibilidade, que já se nos afigura um privilégio, façamos o melhor possível. Porque cada momento na Natureza é mesmo o maior tesouro.

🌿Tesouros do animismo e sincretismo português. 🧐 O que andaremos nós a cozinhar?!
🌿Tesouros do animismo e sincretismo português. 🧐 O que andaremos nós a cozinhar?!