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Guerrilha Platônica da Falocracia 𓂺
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Discutir política com as pombas da praça é o mesmo que jogar xadrez com um de nós: nós derrubamos todas as peças, defecamos no tabuleiro e saímos voando cantando vitória.Sócrates
"Quem dera eu tivesse asas como a pomba; voaria até encontrar repouso."(Salmos 55:6)
Imaginemos por um instante, que a humanidade fosse transportada para um país utópico, onde os pombos voem já assados, onde todo o alimento cresça no solo espontaneamente, onde cada homem encontre sua amada ideal e a conquiste sem nenhuma dificuldade. Ora, (...) nesse país, muitos homens morreriam de tédio, ou se enforcariam nos galhos das árvores, enquanto outros se dedicariam a lutar entre si, a si estrangular, a si assassinar uns aos outros.- Arthur Schpenhauer
«Era só uma questão de tempo antes que Natalia viesse a descobrir. Quando isso aconteceu, ela evitou uma briga escancarada, mas deixou claro que a situação era inaceitável. Trotski mostrou-se profundamente arrependido. O caso com Frida teve um fim abrupto, e ele e Natalia concordaram que a melhor solução para seu relacionamento seria ele se hospedar numa fazenda perto de San Miguel Regla, quase 150 quilômetros ao norte da Cidade do México;10 ela não o queria nem por perto durante algum tempo. Ao que parece, foi Frida quem pôs fim à aventura. Saiu dizendo às pessoas que se cansara do Velho; este já não era um termo de respeito nem de afeição, e ela sublinhou a importância que dava à diferença de idade. Trotski escreveu-lhe uma carta longa e apaixonada, explicando seus sentimentos. Infelizmente, a missiva não foi preservada. Frida a entregou a sua amiga Ella Wolfe, fazendo-a prometer queimá-la, para que não caísse nas mãos de terceiros, e Ella, vencendo seu hábito de enfurnar as coisas, atendeu ao pedido. [...] Se Trotski ainda sentia falta de Frida, a saudade passou; o futuro, percebeu ele, estava na reconstrução de seu relacionamento com Natalia. Na fazenda, ele teve tempo para refletir e se arrepender. Pouco antes do almoço, em 19 de julho de 1937, sentou-se numa espreguiçadeira do lado de fora, escrevendo para Natalia. Os pensamentos derramaram-se sobre a página conforme lhe iam ocorrendo. Foi a primeira vez na vida que ele apresentou um profundo pedido de desculpas a qualquer outro indivíduo. Estava entrando num território desconhecido. Como era característico, optou por explorá-lo escrevendo: sempre se sentia mais seguro com uma caneta na mão. Seu estilo foi grave e autodepreciativo. Houve também um toque de garbo, como quando ele se elogiou por haver pescado o peixe que estava prestes a comer. Enquanto ia discorrendo sobre as experiências do dia, surgiu um toque de autocomiseração. Ele disse a Natalia que ficava com os olhos cansados sob o sol ofuscante. Precisava de óculos escuros, mas estava num buraco de fim de mundo e não podia comprá-los.12 Ao mesmo tempo, tentou seduzir sua mulher, dizendo-lhe que a família Lander — com quem os dois haviam travado conhecimento ao chegarem ao México — os convidara para um café da manhã. Se Natalia fosse antes de domingo, precisava se lembrar de levar um vestido. Trotski disse em tom brincalhão que, embora ele pudesse aparecer nos trajes de um “bandido conhecido”, a esposa do bandido tinha que estar bem-arrumada.13 Mal informou que vinha passando bem, física e moralmente, ele percebeu que já violava as boas normas da etiqueta nessa situação. Reconheceu que havia adotado o tom de um Junker e só tinha escrito a seu próprio respeito. Isso era algo a que Natalia estava acostumada, mas, quebrando a rotina, ele percebeu que precisava ser mais solícito que o normal. Fez outros acréscimos à carta depois do almoço, mencionando que iria a Pachuca no dia seguinte e telefonaria para ela. Perguntou-lhe por sua saúde e se ela estava sofrendo com o resfriado; declarou que queria “uma fortaleza, tranquilidade e um pouco de alegria” para ela.14Em seguida, acrescentou uma passagem que foi mantida durante anos num arquivo sigiloso: Desde que cheguei aqui, meu pobre pau não ficou duro uma única vez. É como se não existisse. Também está em repouso, depois da tensão dos últimos dias. Mas, quanto a mim — todo eu, afora ele —, penso com ternura na sua doce xoxotinha. Quero enchê-la, enfiar minha língua até o fundo dela. Natalochka, minha querida, vou comer você com força, com minha língua e meu pau.»
