San’s Anthology
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O baú de madeira
Por causa de sua forma geométrica, com seis lados planos, que o baú (tradicionalmente escavado de um só pedaço de madeira) tem em comum com a arca, a casa e o ataúde, ele é considerado, na cultura tradicional de todos os povos, como símbolo da terra — não a terra num sentido geográfico, mas num sentido transposto, como um nível de existência no estado terrestre —, que sustenta ou contém a vida, assim como o baú contém posses preciosas, e como a arca flutua sobre as profundezas das águas. Há uma relação inversa entre o símbolo da cruz tridimensional ou de seis braços, que representa o mundo como irradiando-se a partir de um centro, e o baú sagrado, que, em sua forma hexaédrica, cristalina, simboliza o estágio terminal da criação.
— Titus Burckhardt
| 2 | Sobre a Tristeza na Vida Espiritual
Depois que a pessoa chega àquele estágio em que não peca tanto, nem comete pecados graves, ajuda os doentes, dá esmolas aos necessitados, tem uma rotina de oração, entre outras atividades, surge nela uma tristeza. Ela sente essa tristeza sem saber o motivo. Normalmente, pensa que é porque faz o que Deus quer e não o que ela quer (o que, de certa forma, está correto, mas só do ponto de vista psíquico do seu ser). Por outro lado, sente um sentimento de que fez as coisas para Deus e continua a mesma pessoa, ou seja, um sentimento de fracasso; não se sente mais santa ou algo do tipo. Toda vez que olha para dentro de si, só vê tristeza.
O grande problema é que não se lida com os problemas interiores da mesma forma que se lida com os exteriores: a pessoa reza, e a tristeza continua. Veja bem, a maneira de resolver essa questão é a pessoa encontrar conscientemente a raiz “celestial” dessa tristeza, porque, mesmo que não saiba o motivo de estar triste, há apenas uma razão real pela qual o ser humano fica triste. Ficamos tristes porque não estamos no Céu, num ambiente de suma perfeição. Desse modo, em última análise, essa é a verdadeira raiz do problema da tristeza humana.
A pessoa olha para o mundo e para si mesma e não se vê parecida com São Francisco, nem sente que está no Paraíso. A partir desse sentimento, começa a pensar que perdeu este mundo e não ganhou nada do outro. No entanto, precisa aprender a ligar esse sentimento à verdadeira raiz da tristeza humana e aceitar que realmente não ganhou nada do que esperava. Precisa transformar essa tristeza sem sentido em uma que tem sentido: a tristeza que sentem as pessoas perfeitas, transpondo do plano psicológico para o plano real, ou seja, “eu realmente não valho nada, mas olha só, como aqui dentro, ainda estou amarrado à terra e longe do céu”; e isso vai gerar uma tristeza completamente diferente, a tristeza da qual fala Cristo: “Bem-aventurados os que choram, porque eles serão consolados”.
Fazendo isso constantemente, conseguirá atingir os primeiros estágios contemplativos. Todos os fenômenos terrestres terão um tipo de transparência simbólica que não havia antes. Com o tempo, olhará para as coisas que tanto queria e verá o seu correspondente paradisíaco, celestial. No fim, tudo se tornará símbolo; e alguém que atingiu esse estágio sairá do plano abstrato e verá as coisas tal como realmente são. | 270 |
| 3 | “Pouco importa, aqui, se se fala da mesma vida ou não — porque reencarnação e inferno são dois simbolismos que se referem à mesma coisa. Só sabem o que realmente acontece depois da morte aqueles a quem Deus o revelou diretamente; essa é a verdade. O inferno e a reencarnação representam, ambos, a possibilidade de permanecer indefinidamente preso a um esquema de sofrimento, de que a existência se torne um sofrimento perpétuo — esse é o significado comum. E, do mesmo modo que o cristão, o judeu e o muçulmano precisam fugir do inferno, o budista e o hindu precisam fugir da reencarnação. Os católicos, por exemplo, creem que o fogo do inferno é um fogo corporal, sensível, sentido sensorialmente — isso faz parte da doutrina, e existem várias descrições dele, como o lago de fogo. Pouco importa se essas descrições são literais ou metafóricas; o que importa é o seu sentido espiritual: existe, entre as saídas possíveis da existência humana, entrar num ciclo incessante de sofrimento — a vida humana não oferece garantia intrínseca de felicidade perpétua —, e esse é um risco que um ser inteligente não pode se permitir correr.”
(Luiz Gonzaga de Carvalho Neto) | 240 |
| 4 | “Vale abrir aqui um parêntese sobre a ideia, comum entre espíritas, de que a alma vai evoluindo por meio de sucessivas reencarnações. Esse é um grande erro — maior, até, do que se costuma imaginar. As concepções tradicionais de reencarnação não são evolutivas: são circulares, cíclicas. Todas as tradições que falam de um ciclo de reencarnações dizem que não se trata de um processo progressivo — avança-se um pouco, depois se retrocede, avança-se, retrocede-se; acumula-se bom carma, tem-se uma reencarnação melhor; acumula-se mau carma, tem-se uma pior — é um ciclo sem fim de sofrimento. Não existe, nem no hinduísmo, nem no budismo, nem em nenhuma religião tradicional, uma concepção de reencarnação evolutiva; pelo contrário, o objetivo do budismo e do hinduísmo é justamente libertar-se do ciclo de reencarnações. Para eles, a reencarnação é concebida como uma prisão circular.”
(Luiz Gonzaga de Carvalho Neto) | 221 |
| 5 | Se somos livres para determinar as nossas ações, não somos absolutamente livres, nem sempre livres — muitas vezes fazemos o que não queríamos fazer; por mais elevados que sejam os ideais, por mais que nos preparemos, que rezemos, chega um dia em que se faz exatamente o contrário. O sujeito que não percebe que existe no seu ego algo de fundamentalmente contrário ao absoluto ainda não sabe o que é o Absoluto.
É isso que quer dizer o Novo Testamento quando afirma que quem diz não ter pecado mente, e que nele não está o Espírito Santo: não perceber que o próprio ego não é Deus é não ter entendido o que é Deus. O ego não é Deus, mas a inteligência, sim.
Vale aqui esclarecer algo sobre a exortação de Cristo: “vigiai e orai, porque o espírito está pronto, mas a carne é fraca”. Não se trata de dizer que, mesmo tendo atingido tal grau de espiritualidade que a consciência do Absoluto já não se retira mais da mente, ainda assim não fosse preciso vigiar e orar — vigiar e orar são um elemento essencial da própria vida corporal. É assim como o Buda, já iluminado, continuava a sentar-se para meditar: porque isso é um elemento essencial da vida carnal. A consciência do Absoluto é, para quem chegou a esse estado, um estado de oração perpétua — é evidente que o Buda, como o Cristo, tinha consciência do Absoluto o tempo todo. Mas a exortação diz: como existimos neste mundo, isso não basta; é preciso que essa consciência reverbere no corpo. É disso que fala Davi quando diz que é preciso que corações e línguas celebrem a glória de Deus — o coração representando a consciência espiritual, a inteligência, e a língua, a expressão corporal. Se não fosse assim, o santo, uma vez chegado lá, poderia fazer o que quisesse, fundar a sua própria religião — mas as regras do mundo, numa certa medida, continuam valendo para ele.
(Luiz Gonzaga de Carvalho Neto) | 227 |
| 6 | "A diferença entre exoterismo e esoterismo reside aqui [no Cristianismo] exclusivamente numa questão de perspectiva e método. Existe, naturalmente, uma participação puramente exotérica nos sacramentos, de modo que seria um abuso de linguagem qualificar a maioria dos cristãos como 'iniciados', mas monges e freiras são iniciados pelo simples fato de seguirem um caminho espiritual; o mesmo se aplica a sacerdotes que são santos, como o Cura d’Ars. Quanto ao caminho intelectivo, a gnose, ela é representada sobretudo por Clemente de Alexandria, Mestre Eckhart e Angelus Silesius; mas é sempre uma gnose especificamente cristã, ou seja, uma que se mantém muito próxima da perspectiva do amor." (Carta de Frithjof Schuon a um leitor católico) | 258 |
| 7 | "Penso que os melhores pintores do mundo são os cristãos do início da Idade Média, particularmente os italianos e russos, e os budistas, especialmente os tibetanos e japoneses." (Carta de Frithjof Schuon a Ruth Michon) | 167 |
| 8 | "Não é necessário acreditar nas explicações dos neo-darwinistas e dos sociobiólogos para aceitar que padrastos e madrastas têm muito mais chance de ser violentos com seus enteados ou de abusar sexualmente deles do que seus pais biológicos. Isso é conhecido desde tempos imemoriais; não é por nada que a madrasta dos contos de fadas é malvada.
Portanto, aquele que promove pais e mães postiços na sociedade promove a negligência com as crianças e a violência contra elas. Isso é ainda mais verdade quando (como costuma ser o caso hoje) os pais postiços se sucedem. Se, digamos, um padrasto em cinco é negligente ou violento com seus enteados, então aquelas crianças que têm três padrastos na vida (e elas não são de jeito nenhum poucas na Grã-Bretanha de hoje) têm uma chance de 60% de ser negligenciadas ou de sofrer violência na infância."
(Theodore Dalrymple, Podres de Mimados - As consequências do sentimentalismo tóxico) | 318 |
| 9 | [...] é preciso evitar argumentar, apenas para desculpar sentimentalmente o autor no entanto responsável de uma obra censurável, ou mesmo nociva, que a obra é aceitável porque a intenção foi boa; pois isso significa que os defeitos da obra têm direito à existência e, também, que a subjetividade é mais importante que a realidade objetiva; ao passo que “não há direito superior ao da verdade.”
— Schuon | 330 |
| 10 | «Alguns estimam que a religião deve ser adaptada ao "homem de nosso tempo", o que é no mínimo desproporcional, pois a religião se dirige ao homem enquanto tal, não a tal ou qual homem. Sem dúvida, é preciso dar ao homem moderno certas explicações a mais, pois novos erros — e novas experiências — exigem novos argumentos; mas explicar a religião é uma coisa, desmantelá-la sob o pretexto de explicá-la é outra. É aqui que poderia e deveria intervir o esoterismo essencial; mas, em conformidade com a lei da gravidade ou de menor esforço, preferem-se as soluções novas, que arrastam para baixo; o cúmulo é que adotam-se certas posições esotéricas mais ou menos extrínsecas, evidentemente tornadas inoperantes pela ausência de seu contexto fundamental» (Resumo de Metafísica Integral, Frithjof Schuon). | 339 |
| 11 | "Veneza é um dos poucos lugares aos quais gosto de retornar, pois o vivencio como um Centro espiritual; o centro aqui é San Marco, a cidade incomparável sendo simplesmente sua irradiação externa. San Marco é uma expressão direta do sagrado, do que manifesta Deus; aqui o sagrado dourado se nos apresenta no mais belo desabrochar, mas as pessoas não o veem, nem o entendem; para elas, trata-se de um "período" ou de uma "psicologia"; e esta decadência psico-espiritual é imperdoável. Em San Marco, encontramo-nos fora do tempo, no Agora eterno e dourado e no Centro interiormente infinito. Dos mosaicos, mais de uma vez a Santíssima Virgem olha em nossa direção; San Marco é necessariamente um santuário da Virgem, e em toda a cidade sente-se algo dessa atribuição e dessa presença."
— Schuon | 354 |
| 12 | "O homem primitivo, como a criança e o animal, vivia espontaneamente a partir do Si Mesmo, da Fonte do ser. Ele era uno com a natureza, obedecendo às suas leis espontaneamente e, portanto, em paz consigo mesmo. Ele ainda não havia aprendido a se distinguir como indivíduo; pensava e sentia como membro de uma tribo, como parte de um todo. A dor e a morte estavam presentes, mas não eram refletidas e, portanto, não causavam ruptura em sua consciência. A natureza não era algo externo a ele, mas algo interno, um mundo de espíritos com o qual ele estava em constante comunhão. Os espíritos dos mortos, dos ancestrais, eram habitantes desse mesmo mundo. Não havia barreira entre o estado de vigília e o estado de sonho; no estado de sonho, o mundo dos espíritos se aproximava e ele podia comungar com ele. Não era tanto ele quem pensava (pois o pensamento é um produto da consciência reflexiva), mas sim a natureza que se refletia nele. O Si Mesmo único, o Espírito, refletia-se na natureza e na consciência humana. Era um estado de inocência plena de bem-aventurança — o paraíso original. (...) Ele podia permitir que o Eu se refletisse nele, para viver em sua luz, mas também podia refletir sobre si mesmo, sobre seu ego, e conhecer a si mesmo como um indivíduo isolado, separado da natureza, de seus semelhantes e de seu Fundamento no Eu."
"O homem moderno experimentou esse isolamento, essa alienação, mais do que qualquer outro homem na história. Todas as culturas antigas, a egípcia e a babilônica, a persa, a indiana e a chinesa, sem mencionar a africana, a australiana e a indígena americana, buscaram preservar essa integridade do homem, mantê-lo em contato com a Realidade eterna. Os gregos foram os primeiros a se emanciparem dessa Lei eterna, a desenvolverem uma consciência racional, que fez do homem a medida de todas as coisas. Mas, para os gregos, esse rompimento com a consciência racional estava apenas em germe; seus grandes filósofos, Platão e Aristóteles, os estoicos e Plotino, os mantiveram em contato com a Verdade. Foi somente no Renascimento que o movimento em direção à emancipação do homem da Lei universal, da ordem sagrada da verdade e da moralidade, realmente ganhou força. Então, a consciência reflexiva se afastou da luz eterna da Verdade e começou a se concentrar no homem e na natureza."
(Pe. Bede Griffiths, "Retornar Ao Centro") | 352 |
| 13 | O senso do sagrado e do celeste é a medida do valor humano.
— Schuon | 309 |
| 14 | Kṛṣṇa descreve a Arjuna os homens demoníacos da seguinte forma, que é bastante aplicável ao homem moderno enquanto tal: “‘O mundo’, dizem, ‘é sem verdade, sem base, sem Deus; […] causado somente pela luxúria’. Sustentando essa visão, estes homens de almas perdidas, de inteligência pequena, e de ações cruéis são inimigos do mundo, em prol de sua destruição. Apegados a um desejo insaciável, cheios de hipocrisia, arrogância, e orgulho, tendo aceitado noções falsas através do engano, trabalham com objetivos impuros, […] convencidos de que isto é tudo” (Bhagavad-Gītā 16:8–11). | 356 |
| 15 | Boa noite amigos, peço que orem por mim. Estou passando por problemas financeiros recorrentes, e infelizmente minha saúde anda vacilando junto por causa do estresse e outros fatores conjuntos | 633 |
| 16 | "O Magnificat (Lucas 1, 46-55) contém os seguintes ensinamentos: a santa alegria em Deus; a humildade — 'pobreza' ou 'infantilidade espiritual' — como condição para a Graça; a santidade do Nome Divino; a Misericórdia inesgotável e sua conexão com o temor; a Justiça imanente e universal; a assistência misericordiosa concedida a Israel — nome que deve ser estendido à Igreja, visto que esta é, segundo São Paulo, o prolongamento e a renovação suprarracial do Povo Eleito. Esse nome deve também ser estendido, pelo mesmo princípio, à Comunidade Islâmica, uma vez que ela também pertence à linhagem abraâmica. Pois o Magnificat fala também do favor concedido a 'Abraão e à sua descendência', e não exclusivamente a Isaac e à sua descendência; Abraão inclui todos os semitas monoteístas, tanto racial quanto espiritualmente, uma inclusão que vai além do mero fato das raças físicas.
A conexão — enunciada no Magnificat — entre o temor e a Misericórdia é de importância capital; essa doutrina corta pela raiz a ilusão de uma religiosidade superficial e fácil — muito em voga entre os 'crentes' de hoje — que confunde a Bondade Divina com as fraquezas do humanismo e do psicologismo, e até mesmo da democracia, e que está em total consonância com o narcisismo moderno e a profanação que ele acarreta. É particularmente notável que as doutrinas tradicionais que mais insistem na Misericórdia — o Amidismo, por exemplo — tomem como ponto de partida a convicção de que merecemos ir para o inferno e de que somos salvos apenas pela Bondade do Céu; o caminho consistirá, então, não em salvar-nos por nossos próprios méritos, visto que isso é considerado algo impossível, mas em conformar-nos moral, intelectual e ritualmente às exigências de uma Misericórdia que deseja salvar-nos e para a qual tudo o que precisamos fazer é abrir-nos. Todo o Cântico de Maria está impregnado de elementos de Misericórdia e elementos de Ira — que remetem, assim, ao amor e ao temor — e que tornam para sempre impossível enganar-se quanto às leis que regem a Bondade Divina. A mansidão da Virgem é acompanhada por uma pureza implacável; encontra-se nela uma força que remete aos cânticos de triunfo das profetisas Miriã e Débora; de fato, o Magnificat celebra uma grande vitória do Céu e uma expansão de 'Israel' para além de suas antigas fronteiras.
O tom severo do Cântico Mariano para com os soberbos, os poderosos e os ricos, e as consolações dirigidas aos humildes, aos oprimidos e aos pobres, referem-se — para além de seu sentido literal — ao poder restaurador do equilíbrio próprio do Além; e essa ênfase nas alternâncias cósmicas é fácil de compreender se lembrarmos que a própria Virgem personifica o Equilíbrio, visto que ela se identifica com a Substância Cósmica — simultaneamente materna e virginal —, uma Substância feita de Harmonia e Beleza que, por isso mesmo, opõe-se a todas as rupturas do equilíbrio. No ensinamento mariano, tais desequilíbrios provêm essencialmente do orgulho, da injustiça e do apego às riquezas; poder-se-ia especificar ainda:
o amor de si, o desprezo pelo próximo e o desejo de possuir — o que inclui a insaciabilidade e a avareza.
Quanto à alegria mencionada no Cântico da Virgem, ela caminha lado a lado com a humildade — a consciência de nosso nada ontológico diante do Absoluto — ou, mais precisamente, com a Resposta Divina a essa humildade; aquilo que é vazio para Deus será, assim, preenchido, como explica Mestre Eckhart por meio do exemplo de uma mão abaixada e aberta para cima." (Frithjof Schuon, A Doutrina Virginal) | 446 |
| 17 | “A família dos homens verdadeiros, reis da Terra, tem dois ramos. Um deles é oculto; seus membros são chamados de ‘os solitários’ […] e seu chefe é al-Khiḍr. Ao outro ramo pertencem os santos do mundo exterior; a seus líderes, entre os quais se encontram os profetas, é concedido o título de quṭb (polo) […]. Em comparação com os membros dessas duas linhagens reais, o homem caído é de qualidade tão inferior […] que […] para iniciar o caminho de retorno ao estado primordial, não basta que ele simplesmente deseje fazê-lo, com firme crença na verdade. […] é necessário que à sua natureza humana degenerada seja enxertado algo da antiga humanidade real. Esse enxerto é frequentemente representado como uma adoção do homem caído na família dos homens primordiais” (Dr. Martin Lings, Kitāb al-Yaqīn). | 413 |
| 18 | "O Vaticano, em poucas ocasiões na história, foi efetivamente rico. Se você examinar históricamente, o Vaticano de modo geral não é rico. Cruz de ouro não conta, porque o Papa não pode chegar e falar: "Ei, vende aí essa cruz de ouro pra comprar um carro pra mim!" Realmente não conta. Embora tecnicamente seja propriedade do Papa, na prática nenhum Papa pode vender aquilo.
O que eu acho que foi um grade erro foi o seguinte: No final da Idade Média, na época que começou o fastio estético dos reis para afirmar os Estados Nacionais na europa, o Vaticano competiu para não perder prestígio político com os reis. Isso foi burrada. Uma coisa é a seguinte: Tá bom, o Papa tem o palácio dele aí e ele vai receber um rei. Você pega os reis do século XV, XVI, XVII; se eles fossem recebidos num lugar assim eles iriam rir da sua cara. Você poderia ser o Papa que for, você poderia mandar na Cristandade, entendeu?
"Não! Então decora a Capela Sistina, chama o Michelangelo!" Põe um negócio mundanão, igual aos reis estavam fazendo nos seus palácios. O Papa não fez isso pois os bens eram dele, foi para impressionar os grandes. Eu acho que isso foi um tremendo erro.
Agora, que uma autoridade espiritual, em algum período histórico, vai se transformar em uma autoridade temporal, isso é incontestável. Se alguém tem alguma autoridade espiritual real e ela, por tempo suficiente, passar de geração em geração, em algum momento esses caras vão ser príncipes ou reis. Isso é inevitável."
— Prof. Luiz Gonzaga de Carvalho Neto | 454 |
| 19 | "A coisa que eu mais achei interessante na aula de ontem dada pelo Gugu é sobre a existência das idéias que ficam próximas do coração e podem contaminá-lo profundamente. A capacidade contemplativa depende da pureza de coração e a Lectio Divina é como um desinfetante poderoso que limpa tudo o que há de maligno dentro da pessoa."
— D. Bernardo Bonowitz. | 408 |
| 20 | 'As Ideias Erradas são como uma sujeira que vai cobrir o seu coração' - LGCN | 397 |
