San’s Anthology
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"Não é necessário acreditar nas explicações dos neo-darwinistas e dos sociobiólogos para aceitar que padrastos e madrastas têm muito mais chance de ser violentos com seus enteados ou de abusar sexualmente deles do que seus pais biológicos. Isso é conhecido desde tempos imemoriais; não é por nada que a madrasta dos contos de fadas é malvada.
Portanto, aquele que promove pais e mães postiços na sociedade promove a negligência com as crianças e a violência contra elas. Isso é ainda mais verdade quando (como costuma ser o caso hoje) os pais postiços se sucedem. Se, digamos, um padrasto em cinco é negligente ou violento com seus enteados, então aquelas crianças que têm três padrastos na vida (e elas não são de jeito nenhum poucas na Grã-Bretanha de hoje) têm uma chance de 60% de ser negligenciadas ou de sofrer violência na infância."
(Theodore Dalrymple, Podres de Mimados - As consequências do sentimentalismo tóxico)
| 2 | [...] é preciso evitar argumentar, apenas para desculpar sentimentalmente o autor no entanto responsável de uma obra censurável, ou mesmo nociva, que a obra é aceitável porque a intenção foi boa; pois isso significa que os defeitos da obra têm direito à existência e, também, que a subjetividade é mais importante que a realidade objetiva; ao passo que “não há direito superior ao da verdade.”
— Schuon | 157 |
| 3 | «Alguns estimam que a religião deve ser adaptada ao "homem de nosso tempo", o que é no mínimo desproporcional, pois a religião se dirige ao homem enquanto tal, não a tal ou qual homem. Sem dúvida, é preciso dar ao homem moderno certas explicações a mais, pois novos erros — e novas experiências — exigem novos argumentos; mas explicar a religião é uma coisa, desmantelá-la sob o pretexto de explicá-la é outra. É aqui que poderia e deveria intervir o esoterismo essencial; mas, em conformidade com a lei da gravidade ou de menor esforço, preferem-se as soluções novas, que arrastam para baixo; o cúmulo é que adotam-se certas posições esotéricas mais ou menos extrínsecas, evidentemente tornadas inoperantes pela ausência de seu contexto fundamental» (Resumo de Metafísica Integral, Frithjof Schuon). | 202 |
| 4 | "Veneza é um dos poucos lugares aos quais gosto de retornar, pois o vivencio como um Centro espiritual; o centro aqui é San Marco, a cidade incomparável sendo simplesmente sua irradiação externa. San Marco é uma expressão direta do sagrado, do que manifesta Deus; aqui o sagrado dourado se nos apresenta no mais belo desabrochar, mas as pessoas não o veem, nem o entendem; para elas, trata-se de um "período" ou de uma "psicologia"; e esta decadência psico-espiritual é imperdoável. Em San Marco, encontramo-nos fora do tempo, no Agora eterno e dourado e no Centro interiormente infinito. Dos mosaicos, mais de uma vez a Santíssima Virgem olha em nossa direção; San Marco é necessariamente um santuário da Virgem, e em toda a cidade sente-se algo dessa atribuição e dessa presença."
— Schuon | 217 |
| 5 | "O homem primitivo, como a criança e o animal, vivia espontaneamente a partir do Si Mesmo, da Fonte do ser. Ele era uno com a natureza, obedecendo às suas leis espontaneamente e, portanto, em paz consigo mesmo. Ele ainda não havia aprendido a se distinguir como indivíduo; pensava e sentia como membro de uma tribo, como parte de um todo. A dor e a morte estavam presentes, mas não eram refletidas e, portanto, não causavam ruptura em sua consciência. A natureza não era algo externo a ele, mas algo interno, um mundo de espíritos com o qual ele estava em constante comunhão. Os espíritos dos mortos, dos ancestrais, eram habitantes desse mesmo mundo. Não havia barreira entre o estado de vigília e o estado de sonho; no estado de sonho, o mundo dos espíritos se aproximava e ele podia comungar com ele. Não era tanto ele quem pensava (pois o pensamento é um produto da consciência reflexiva), mas sim a natureza que se refletia nele. O Si Mesmo único, o Espírito, refletia-se na natureza e na consciência humana. Era um estado de inocência plena de bem-aventurança — o paraíso original. (...) Ele podia permitir que o Eu se refletisse nele, para viver em sua luz, mas também podia refletir sobre si mesmo, sobre seu ego, e conhecer a si mesmo como um indivíduo isolado, separado da natureza, de seus semelhantes e de seu Fundamento no Eu."
"O homem moderno experimentou esse isolamento, essa alienação, mais do que qualquer outro homem na história. Todas as culturas antigas, a egípcia e a babilônica, a persa, a indiana e a chinesa, sem mencionar a africana, a australiana e a indígena americana, buscaram preservar essa integridade do homem, mantê-lo em contato com a Realidade eterna. Os gregos foram os primeiros a se emanciparem dessa Lei eterna, a desenvolverem uma consciência racional, que fez do homem a medida de todas as coisas. Mas, para os gregos, esse rompimento com a consciência racional estava apenas em germe; seus grandes filósofos, Platão e Aristóteles, os estoicos e Plotino, os mantiveram em contato com a Verdade. Foi somente no Renascimento que o movimento em direção à emancipação do homem da Lei universal, da ordem sagrada da verdade e da moralidade, realmente ganhou força. Então, a consciência reflexiva se afastou da luz eterna da Verdade e começou a se concentrar no homem e na natureza."
(Pe. Bede Griffiths, "Retornar Ao Centro") | 235 |
| 6 | O senso do sagrado e do celeste é a medida do valor humano.
— Schuon | 232 |
| 7 | Kṛṣṇa descreve a Arjuna os homens demoníacos da seguinte forma, que é bastante aplicável ao homem moderno enquanto tal: “‘O mundo’, dizem, ‘é sem verdade, sem base, sem Deus; […] causado somente pela luxúria’. Sustentando essa visão, estes homens de almas perdidas, de inteligência pequena, e de ações cruéis são inimigos do mundo, em prol de sua destruição. Apegados a um desejo insaciável, cheios de hipocrisia, arrogância, e orgulho, tendo aceitado noções falsas através do engano, trabalham com objetivos impuros, […] convencidos de que isto é tudo” (Bhagavad-Gītā 16:8–11). | 244 |
| 8 | Boa noite amigos, peço que orem por mim. Estou passando por problemas financeiros recorrentes, e infelizmente minha saúde anda vacilando junto por causa do estresse e outros fatores conjuntos | 471 |
| 9 | "O Magnificat (Lucas 1, 46-55) contém os seguintes ensinamentos: a santa alegria em Deus; a humildade — 'pobreza' ou 'infantilidade espiritual' — como condição para a Graça; a santidade do Nome Divino; a Misericórdia inesgotável e sua conexão com o temor; a Justiça imanente e universal; a assistência misericordiosa concedida a Israel — nome que deve ser estendido à Igreja, visto que esta é, segundo São Paulo, o prolongamento e a renovação suprarracial do Povo Eleito. Esse nome deve também ser estendido, pelo mesmo princípio, à Comunidade Islâmica, uma vez que ela também pertence à linhagem abraâmica. Pois o Magnificat fala também do favor concedido a 'Abraão e à sua descendência', e não exclusivamente a Isaac e à sua descendência; Abraão inclui todos os semitas monoteístas, tanto racial quanto espiritualmente, uma inclusão que vai além do mero fato das raças físicas.
A conexão — enunciada no Magnificat — entre o temor e a Misericórdia é de importância capital; essa doutrina corta pela raiz a ilusão de uma religiosidade superficial e fácil — muito em voga entre os 'crentes' de hoje — que confunde a Bondade Divina com as fraquezas do humanismo e do psicologismo, e até mesmo da democracia, e que está em total consonância com o narcisismo moderno e a profanação que ele acarreta. É particularmente notável que as doutrinas tradicionais que mais insistem na Misericórdia — o Amidismo, por exemplo — tomem como ponto de partida a convicção de que merecemos ir para o inferno e de que somos salvos apenas pela Bondade do Céu; o caminho consistirá, então, não em salvar-nos por nossos próprios méritos, visto que isso é considerado algo impossível, mas em conformar-nos moral, intelectual e ritualmente às exigências de uma Misericórdia que deseja salvar-nos e para a qual tudo o que precisamos fazer é abrir-nos. Todo o Cântico de Maria está impregnado de elementos de Misericórdia e elementos de Ira — que remetem, assim, ao amor e ao temor — e que tornam para sempre impossível enganar-se quanto às leis que regem a Bondade Divina. A mansidão da Virgem é acompanhada por uma pureza implacável; encontra-se nela uma força que remete aos cânticos de triunfo das profetisas Miriã e Débora; de fato, o Magnificat celebra uma grande vitória do Céu e uma expansão de 'Israel' para além de suas antigas fronteiras.
O tom severo do Cântico Mariano para com os soberbos, os poderosos e os ricos, e as consolações dirigidas aos humildes, aos oprimidos e aos pobres, referem-se — para além de seu sentido literal — ao poder restaurador do equilíbrio próprio do Além; e essa ênfase nas alternâncias cósmicas é fácil de compreender se lembrarmos que a própria Virgem personifica o Equilíbrio, visto que ela se identifica com a Substância Cósmica — simultaneamente materna e virginal —, uma Substância feita de Harmonia e Beleza que, por isso mesmo, opõe-se a todas as rupturas do equilíbrio. No ensinamento mariano, tais desequilíbrios provêm essencialmente do orgulho, da injustiça e do apego às riquezas; poder-se-ia especificar ainda:
o amor de si, o desprezo pelo próximo e o desejo de possuir — o que inclui a insaciabilidade e a avareza.
Quanto à alegria mencionada no Cântico da Virgem, ela caminha lado a lado com a humildade — a consciência de nosso nada ontológico diante do Absoluto — ou, mais precisamente, com a Resposta Divina a essa humildade; aquilo que é vazio para Deus será, assim, preenchido, como explica Mestre Eckhart por meio do exemplo de uma mão abaixada e aberta para cima." (Frithjof Schuon, A Doutrina Virginal) | 346 |
| 10 | “A família dos homens verdadeiros, reis da Terra, tem dois ramos. Um deles é oculto; seus membros são chamados de ‘os solitários’ […] e seu chefe é al-Khiḍr. Ao outro ramo pertencem os santos do mundo exterior; a seus líderes, entre os quais se encontram os profetas, é concedido o título de quṭb (polo) […]. Em comparação com os membros dessas duas linhagens reais, o homem caído é de qualidade tão inferior […] que […] para iniciar o caminho de retorno ao estado primordial, não basta que ele simplesmente deseje fazê-lo, com firme crença na verdade. […] é necessário que à sua natureza humana degenerada seja enxertado algo da antiga humanidade real. Esse enxerto é frequentemente representado como uma adoção do homem caído na família dos homens primordiais” (Dr. Martin Lings, Kitāb al-Yaqīn). | 315 |
| 11 | "O Vaticano, em poucas ocasiões na história, foi efetivamente rico. Se você examinar históricamente, o Vaticano de modo geral não é rico. Cruz de ouro não conta, porque o Papa não pode chegar e falar: "Ei, vende aí essa cruz de ouro pra comprar um carro pra mim!" Realmente não conta. Embora tecnicamente seja propriedade do Papa, na prática nenhum Papa pode vender aquilo.
O que eu acho que foi um grade erro foi o seguinte: No final da Idade Média, na época que começou o fastio estético dos reis para afirmar os Estados Nacionais na europa, o Vaticano competiu para não perder prestígio político com os reis. Isso foi burrada. Uma coisa é a seguinte: Tá bom, o Papa tem o palácio dele aí e ele vai receber um rei. Você pega os reis do século XV, XVI, XVII; se eles fossem recebidos num lugar assim eles iriam rir da sua cara. Você poderia ser o Papa que for, você poderia mandar na Cristandade, entendeu?
"Não! Então decora a Capela Sistina, chama o Michelangelo!" Põe um negócio mundanão, igual aos reis estavam fazendo nos seus palácios. O Papa não fez isso pois os bens eram dele, foi para impressionar os grandes. Eu acho que isso foi um tremendo erro.
Agora, que uma autoridade espiritual, em algum período histórico, vai se transformar em uma autoridade temporal, isso é incontestável. Se alguém tem alguma autoridade espiritual real e ela, por tempo suficiente, passar de geração em geração, em algum momento esses caras vão ser príncipes ou reis. Isso é inevitável."
— Prof. Luiz Gonzaga de Carvalho Neto | 404 |
| 12 | "A coisa que eu mais achei interessante na aula de ontem dada pelo Gugu é sobre a existência das idéias que ficam próximas do coração e podem contaminá-lo profundamente. A capacidade contemplativa depende da pureza de coração e a Lectio Divina é como um desinfetante poderoso que limpa tudo o que há de maligno dentro da pessoa."
— D. Bernardo Bonowitz. | 334 |
| 13 | 'As Ideias Erradas são como uma sujeira que vai cobrir o seu coração' - LGCN | 350 |
| 14 | Na pessoa que se esforça para não pecar, peca, arrepende-se e percebe o influxo da graça, ela percebe que o homem é barro que se tornou alma vivente por algo que recebe. O homem, nesse sentido, só pode conhecer a si mesmo pecando e arrependendo-se; não há outro modo de saber o que ele é.
O único pecado de natureza puramente espiritual, e que portanto não tem ligação com esse núcleo de indiferença, é o orgulho, a soberba. É por isso que Deus resiste aos soberbos. Qualquer outro pecado é perdoável. O pecado contra o Espírito Santo é um pecado de soberba.
— Luiz Gonzaga de Carvalho Neto | 388 |
| 15 | "As obras dos autores tradicionais são incrivelmente importantes, mas também são incrivelmente difíceis de serem lidas, sobretudo por pessoas que nem sequer foram alfabetizadas. A simples leitura de boa poesia ou boa literatura já é difícil, que dirá a de altas especulações metafísicas."
— Luiz Gonzaga de Carvalho Neto. | 335 |
| 16 | Sobre o ressentimento de ser pobre | 444 |
| 17 | [...] a deficiência da ciência moderna está essencialmente relacionada à causalidade universal; objetar-nos-ão, sem dúvida, que a ciência não se ocupa de causalidade filosófica, mas de fenômenos, o que é falso, pois todo o evolucionismo não é outra coisa que uma hipertrofia imaginada em função da negação de causas reais, e esta negação materialista, tanto quanto sua compensação evolucionista, pertence ao domínio da filosofia, e não da ciência.
De um ponto de vista completamente diferente, é preciso dizer que os progressistas não se enganam totalmente quando estimam que há, na religião, algo que não funciona mais. De fato, a argumentação individualista e sentimental com a qual a piedade tradicional opera perdeu sua capacidade de cativar consciências, e isso ocorre não somente pela simples razão de que o homem moderno é irreligioso, mas também porque os argumentos religiosos habituais, não penetrando suficientemente no fundo das coisas – e não tendo tido outrora necessidade de fazê-lo –, estão psicologicamente um pouco gastos, e não respondem mais a algumas necessidades de causalidade.
É um fenômeno paradoxal que as sociedades humanas, se de uma parte degeneram com o tempo, de outra parte, ao envelhecer, acumulam experiências, mesmo que essas últimas estejam misturadas com erros. É isso que uma “pastoral” ansiosa em ser eficaz deveria levar em conta, não buscando novas diretivas a partir do erro comum, mas, ao contrário, utilizando argumentos de uma ordem superior, intelectual e não sentimental; desse modo, salvar-se-iam pelo menos alguns – e um número maior do que se estaria tentado a supor –, ao passo que, com a “pastoral” cientificista e demagógica, não se salva a ninguém.
(Frithjof Schuon, A Margem Humana) | 411 |
| 18 | "Quando os antigos consideravam que a sabedoria e a felicidade consistiam em submeter-se à “razão”, tanto humana quanto cósmica, referiam-se, direta ou indiretamente, consciente ou inconscientemente, ao Intelecto Único. A prova disso reside precisamente no fato de terem vinculado a razão à Natureza universal; o erro ocorreu quando muitos deles reduziram, na prática, essa Natureza à razão humana, depois de terem reduzido Deus à Natureza. Essa dupla redução é a própria definição do paganismo greco-romano, ou do espírito greco-romano na medida em que era pagão e não platônico; e poderíamos acrescentar que é somente o Homem-Logos ou a Revelação que dá pleno valor ou “ressuscita” a razão, assim como é somente a noção do Real absoluto e de sua transcendência que dá sentido à Natureza." (Schuon, Forma e Substância nas Religiões) | 381 |
| 19 | "Existem autoridades religiosas, em quem um complexo de cumplicidade com o Renascimento se combina com um complexo de inferioridade em relação ao mundo da ciência, que demonstram uma surpreendente indulgência para distrações profanas que denominam “inocentes”. O progresso científico, e a turbulência irreversível que dele resulta, é aceitável, desde que não se perca a fé; mergulhar na água é aceitável, desde que não se molhe." (Frithjof Schuon, A Margem Humana) | 436 |
| 20 | "Assim como o mundo seduz o homem e o afasta de Deus, inversamente a Virgem, por meio de sua beleza, atrai para Deus o homem que a ela é chamado. 'Os Buddhas também salvam por sua beleza sobrenatural.' A beleza da Virgem nos toca, antes de tudo, pelas virtudes, que pertencem à fé; mas pode nos tocar também de outras maneiras, se assim for a vontade do Céu."
— Schuon | 431 |
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