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10/64) Um pouco sobre a visão Eurasianista.
Vejamos as origens da visão eurasianista.
Tudo começa com um nome, um livro e uma teoria.
Halford John Mackinder, seu livro, The Geographical Pivot of History de 1905 e a teoria da Heartland.
Mackinder classificou o mundo em duas regiões geográficas e fundamentais.
A primeira delas é a Ilha Mundial, esta corresponderia à Europa, Ásia e a África, região em que teria ocorrido a maiorias dos eventos e guerras mais importantes da história.
A outra região, que é o restante do mundo, ele chamou de Ilhas do Exterior.
O Heartland, seria a área pivô, sendo o centro da Ilha Mundial, referente ao território eurasiático (REIS, 2015).⤵️
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9/64) É para esta visão eurasianista que as ações dos EUA, por ocasião da fabricação da crise entre Rússia e Ucrânia, empurram Putin, permitindo que use as "tensões" como álibi capaz de camuflar uma visão geopolítica eurasianista como meta, quer seja direta ou indiretamente alcançada.
Esta visão geopolítica eurasianista será vista mais adiante sob a perspectiva dos EUA tendo os democratas(esquerda) na presidência e sua atuação, sistematicamente camuflada, em benefício da China.⤵️
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8/64) Primakov também é visto como defensor da visão geopolítica eurasianista.
Entretanto, Putin surgiria como um novo ator na reformulação do antigo pensamento que defendia ser a Rússia um Estado europeu.
“As pedras e os blocos de concreto do Muro de Berlim têm sido distribuídos há tempos como souvenires.
Mas não devemos esquecer que a queda do Muro de Berlim foi possível graças a uma decisão histórica – que também foi feita pelo nosso povo, o povo da Rússia – uma escolha em favor da democracia, liberdade, franqueza e uma parceria sincera com todos os membros da grande família europeia”. Vladimir Putin(2007).
Putin não insiste na ideia da Rússia como um Estado europeu, mas parceiros do que chamou "grande família europeia".
Posicionamento que alinhava-se às ideias de Primakov e sua visão eurassianista.⤵️
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7/64) No ano de 1996, Yevgeny Maksimovich Primakov assumiu o Ministério das Relações Exteriores(09/01/1996 a 11/09/1998).
Segundo Primakov, a Rússia não tinha inimigos permanentes, mas interesses permanentes.
Declaração que demostrava Primakov como partidário do descontentamento com o Ocidente, principalmente em relação ao avanço da OTAN(Organização do Tratado do Atlântico Norte), claramente destacada como empecilho aos interesses russos(FREIRE, 2009).
Mesmo Primakov tendo ficado menos de dois anos no Ministério das Relações exteriores(09/01/1996 a 11/09/1998), suas ideias permaneceram na política russa, tornando-se mais acentuadas no governo Putin(AMAL, 2017).⤵️
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6/64) Assim, no início de 1992, Andrey Vladimirovich Kozyrev assume o Ministério das Relações Exteriores da Federação Russa.
Kozyrev seguiu a mesma política de aproximação com o Ocidente, que tinha como meta definir a Rússia como aliada natural da Europa(FREIRE, 2009).
Após as crises na Rússia e o descaso com o qual o Ocidente assistiu sua derrocada econômica, os atores pró aproximação com o Ocidente, adeptos daquela ideia reforçada por Catarina, a Grande - “a Rússia é um Estado europeu” -, em 1993, decepcionados buscaram a reformulação deste pensamento.
Como resultado dos esforços para reformular tal pensamento, buscaram, nos países vizinhos, o novo foco da política externa russa(FREIRE, 2009).⤵️
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5/64) No século XIX, alguns pensadores se institucionalizaram como ocidentalistas, enquanto outros, insistiam que a Rússia era um país único, diferente do Ocidente, e deveria seguir seu próprio caminho. Eram os chamados eslavófilos.
Por volta do primeiro quarto do século XX, um novo pensamento, oblíquo, apareceu entre os emigrados russos - o país era tanto europeu como asiático -, e diziam que os russos estavam por formar uma grande etnia eurasiana, estes se denominaram os eurasianos(SEGRILLO, 2011).
Quando parecia que as ações de Pedro, o Grande e Catarina, a Grande, na tentativa de estabelecer a Rússia como um "Estado europeu", estavam no passado, a partir do desmantelamento da URSS e a chegada de Yeltsin, surgiria nova rodada em busca de um alinhamento direto com o Ocidente.
Não só Yeltsin, então Presidente, mas quase toda a classe dirigente do país entendia que o único caminho para o desenvolvimento seria o alinhamento direto com o Ocidente(PECEQUILO, 2012).⤵️
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4/64) Em certa medida, a influência cultural era exercida por Bizâncio, que ao final do cerco mongol estendeu-se sobre a economia.
Foi Pedro, o Grande, quem abriu caminho para o mar no sul do país, no mar negro, onde tomou territórios dos turcos, e posteriormente, dos suecos no mar báltico.
Criou uma marinha e um porto na cidade de São Petersburgo, cidade criada por Pedro o Grande, em homenagem a São Pedro, mas, segundos críticos, de forma indireta, homenageando a si mesmo (SEGRILLO, 2012).
Todas as ações de Pedro, o Grande, tinham uma meta clara - transformar a Rússia num "Estado europeu”.
Seguindo a meta de Pedro, o Grande, temos as ações de Catarina, a Grande(1762-1796).
Catarina, a Grande, daria um passo além na iniciativa de transformar a Rússia em um país totalmente europeu.
Catarina fez questão de reforçar aos seus súditos que “a Rússia é um Estado europeu” (Catarina II apud[junto com] Kissinger, 2015).⤵️
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3/64) Antes de prosseguir, penso seja importante tentarmos responder a seguinte pergunta: Rússia, Ocidental ou Oriental?
A Rússia é o maior país do globo em termos geográficos, é banhada por três oceanos:
Atlântico, Ártico e Pacífico.
Um quarto de seu território está localizado na Europa, outra parte, na Ásia, faz fronteiras com diversos países como:
Finlândia, Polônia, os países Bálticos, Belarus(atual Bielorrússia), Ucrânia, também com os países do Cáucaso, Cazaquistão, Mongólia, China, Coreia do Norte, e fronteiras marítimas com Japão, Suécia e EUA (Ministério da Educação e Ciência da Federação Russa, 2013).
Antes de Pedro, o Grande(1672-1725), a Rússia sofria grande influência do lado oriental como reflexo das invasões mongóis, em que estes tinham o controle econômico russo, sem exercerem influência cultural ou religiosa.⤵️
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2/64) Após anos mergulhada na Guerra Fria, Moscou volta ao cenário internacional com sua política externa voltada ao confronto com o Ocidente, que através da Organização do Tratado do Atlântico Norte(OTAN) e junto com a União Europeia(UE) buscaram recuperar antigos satélites soviéticos em sua zona de influência, a Rússia avança no desejo de consolidar sua influência por meio de organizações como a Comunidade dos Estados Independentes(CEI), União Econômica Eurasiana(UEE) e, no lado asiática, com a Organização para Cooperação de Xangai(OCX).
O que revela, nas tensões fabricadas pelos EUA, um componente que atua como álibi na ofensiva russa de recuperar o controle de sua antiga zona de influência.⤵️
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1/64) 1999-2022 - Chegada de Putin ao poder, recentes tensões na Ucrânia e a consolidação da EURÁSIA.
Porque não estamos olhando para a China?
“Quem domina a Europa Oriental controla o Heartland; quem domina o Heartland controla a World Island; quem
domina a World Island controla o mundo”. Halford John Mackinder(1905).
O que deixamos escapar?
Vamos caminhar um pouco.⤵️
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Em breve publicaremos uma thread, longa, com a qual mostraremos que ambos, Rússia e China estão perseguindo antigas ambições.
Com vantagens enormes para a China.
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12/12) Caso o CIPS seja, de fato, o destino da Rússia, além de um duro e intencional golpe no SWIFT, permitirá que Xi Jinping consolide seu domínio e liderança sobre a Eurásia, passando a ser mais que um aliado imprescindível para Putin.
Na verdade, Xi tornar-se-á uma espécie de "salvador" que sustentará ambiente propício à sobrevivência financeira da Rússia no cenário internacional.
Graças aos democratas nos EUA e seus aliados, este pode ter sido um importante passo para uma aliança entre os "Reis do Oriente".
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11/12) Com os EUA e seus aliados impondo sanções à Rússia e esta já tendo acordos estabelecidos com a China, será uma questão de tempo para que o CIPS seja o sistema a desbancar o SWIFT?
Ao que parece, há, novamente, um democrata no comando dos EUA que atua, embalado por um clima de tensão entre Ucrânia e Rússia, promovendo resultados que mais favorecem a China.
Seria esta uma das razões pelas quais Xi Jinping preferia a vitória de Biden a um segundo mandato de Trump?
Quem mais, além de políticos alinhados ideologicamente com a China, atuaria em favor das intenções de Xi em colocar a China como potência Nº1 até 2035?
Agora repare no recorte, o que, de fato, representa o CIPS - Uma rota para que o RMB("Moeda do Povo") assuma a posição de moeda mais forte que o dólar.⤵️
Fonte do recorte(em inglês): https://www.cips.com.cn/en/about_us/company_profile/index.html
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10/12) Em 2020, ano da decretação da pandemia de COVID-19, o volume de tráfego de pagamentos pelo CIPS aumentou cerca de 20%, enquanto o valor total das transações aumentou mais de 30%.
Até agora, são 53 participantes diretos e 1.137 participantes indiretos(876 na Ásia, 153 na Europa, 42 na África, 26 na América do Norte, 23 na Oceania e 17 na América do Sul).
Para facilitar os acordos entre a Rússia e a China, vários bancos russos começaram a se conectar ao sistema chinês.(Marcos de Oliveira - Monitor Mercantil, 25/02/2022).⤵️
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9/12) Voltando ao CIPS, este sistema foi desenvolvido em duas fases.
Em 8 de outubro de 2015, o primeiro lote de participantes diretos incluiu 19 bancos chineses e estrangeiros que se estabeleceram na China continental e 176 participantes indiretos que cobrem 6 continentes e 47 países e regiões.
O CIPS não facilitaria a transferência de fundos; em vez disso, envia ordens de pagamento, que devem ser liquidadas por contas correspondentes que as instituições mantêm entre si.⤵️
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8/12) Em 2015 a china inicio o desenvolvimento do seu próprio Sistema de Pagamento Interbancário Transfronteiriço, o CIPS.
CIPS é a abreviação de Cross-Border Interbank Payment System ou China Interbank Payments System.
Por definição, o CIPS é um "Sistema de Pagamento Interbancário Transfronteiriço", ou seja, um sistema de pagamento que oferece serviços de compensação e liquidação para seus participantes em pagamentos e transações transfronteiriças em RMB(renminbi (chinês :人民币; código : CNY; símbolo: 元/圆/¥; em Português, "Moeda do Povo").
Obs. É comum, na China, a utilização das expressões "do povo" , "popular" quer na moeda ou nas estatais, como "Banco Popular da China", algo que remete a fusão do Estado(Ferro) e o Povo(Barro).
Mas isto é assunto para outro momento.⤵️
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7/12) Agora, em 2022, novamente temos os EUA liderando uma série de movimentos, como respostas às ações de Putin em relação à Ucrânia e, novamente, durante o momento que outro democrata, Joe Biden, que por sinal foi vice de Obama, ocupa a cadeira presidencial dos EUA.
Seria uma continuação das ações dos democratas nos EUA em favor da China?
O que aconteceu, como fato relevante para a China, após o anúncio da Nova Rota da Seda(2013)?⤵️
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6/12) Com as manobras de Obama e muito ruído na imprensa, não sobrou espaço para matérias que alertassem sobre a iniciativa chinesa chamada One Belt, One Road (Nova Rota da Seda, como ficou conhecida algum tempo depois), divulgada em 2013.
Enquanto todas as lentes do mundo estavam apontadas para Putin e a Ucrânia, Xi Jinping tomou a dianteira na consolidação da Eurásia - sonho compartilhado entre Putin e antigos aliados, como Aleksandr Dugin.
- Conforme já citado em outras ocasiões, as ações do Obama foram cruciais para que Xi pudesse sair na dianteira e tornar-se o grande nome por trás da iniciativa que seria forte candidata a resultar na consolidação da Eurásia.⤵️
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5/12) No auge das tensões na Ucrânia, agora em 2014, os EUA estavam sob administração do democrata Obama, Xi foi o grande beneficiado, pois a Rússia estava embalada pelo tão esperado momento na qual seria recebida na comunidade dos países europeus, fato que favoreceria o desejo dos eurasianistas que, sob a liderança de Putin, finalmente dariam os primeiros passos na formação da Eurásia.
O principal aliado dos EUA, na crise de 2014, era a União Europeia - fato que motivou Obama reforçar laços com a OTAN, na esperança de estabelecer uma força de resposta rápida na Europa Oriental, fortalecendo sua parceria com o governo em Kiev.⤵️
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