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𝚅𝚘𝚛𝚝𝚎𝚡

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Elias no deserto, de Gustave Doré. Vortex 💀
Elias no deserto, de Gustave Doré. Vortex 💀

🌱 "Primavera" Eduardo Niczky, 1893 Vortex 💀
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🌱 "Primavera" Eduardo Niczky, 1893 Vortex 💀

“Maldito”, a mim disse, “deu-te Deus, por anjos concedeu-te O esquecimento; valeu-te. Toma-o, esquece, com teus ais, O nome da que não esqueces, e que faz êsses teus ais!” Disse o Corvo, “nunca mais”. “Profeta”, disse eu, “profeta – ou demônio ou ave preta! – Fosse diabo ou tempestade quem te trouxe a meus umbrais, A este luto e este degredo, e esta noite e este segredo A esta casa de ânsia e medo, dize a esta alma a quem atrais Se há um bálsamo longínquo para esta alma a quem atrais!” Disse o Corvo, “Nunca mais”. . “Profeta”, disse eu, “profeta – ou demônio ou ave preta! – Pelo Deus ante quem ambos somos fracos e mortais, Dize a esta alma entristecida, se no Éden de outra vida, Verá essa hoje perdida entre hostes celestiais, Essa cujo nome sabem as hostes celestiais!” Disse o Corvo, “Nunca mais”. “Que êsse grito nos aparte, ave ou diabo”, eu disse. “Parte! Torna à noite e à tempestade! Torna às trevas infernais! Não deixes pena que ateste a mentira que disseste! Minha solidão me reste! Tira-te de meus umbrais! Tira o vulto de meu peito e a sombra de meus umbrais!” Disse o Corvo, “Nunca mais”. . E o Corvo, na noite infinda, está ainda, está ainda, No alvo busto de Atena que há por sobre os meus umbrais. Seu olhar tem a medonha dor de um demônio que sonha, E a luz lança-lhe a tristonha sombra no chão mais e mais. E a minh’alma dessa sombra que no chão há de mais e mais, Libertar-se-á… nunca mais!

O CORVO Edgar Alan poe Numa meia-noite agreste, quando eu lia, lento e triste, Vagos curiosos tomos de ciências ancestrais, E já quase adormecia, ouvi o que parecia O som de alguém que batia levemente a meus umbrais. “Uma visita”, eu me disse, “está batendo a meus umbrais. É só isto, e nada mais.” . Ah, que bem disso me lembro! Era no frio dezembro E o fogo, morrendo negro, urdia sombras desiguais. Como eu qu’ria a madrugada, toda a noite aos livros dada P’ra esquecer (em vão!) a amada, hoje entre hostes celestiais – Essa cujo nome sabem as hostes celestiais, Mas sem nome aqui jamais! . Como, a tremer frio e frouxo, cada reposteiro roxo Me incutia, urdia estranhos terrores nunca antes tais! Mas, a mim mesmo infundindo força, eu ia repetindo: “É uma visita pedindo entrada aqui em meus umbrais; Uma visita tardia pede entrada em meus umbrais. É só isto, e nada mais.” E, mais forte num instante, já nem tardo ou hesitante, “Senhor”, eu disse, “ou senhora, de certo me desculpais; Mas eu ia adormecendo, quando viestes batendo Tão levemente, batendo, batendo por meus umbrais, Que mal ouvi…” E abri largos, franqueando-os, meus umbrais. Noite, noite e nada mais. . A treva enorme fitando, fiquei perdido receando, Dúbio e tais sonhos sonhando que os ninguém sonhou iguais. Mas a noite era infinita, a paz profunda e maldita, E a única palavra dita foi um nome cheio de ais – Eu o disse, o nome dela, e o eco disse os meus ais, Isto só e nada mais. . Para dentro então volvendo, toda a alma em mim ardendo, Não tardou que ouvisse novo som batendo mais e mais. “Por certo”, disse eu, “aquela bulha é na minha janela. Vamos ver o que está nela, e o que são estes sinais. Meu coração se distraia pesquisando estes sinais. É o vento, e nada mais.” . Abri então a vidraça, e eis que, com muita negaça, Entrou grave e nobre um Corvo dos bons tempos ancestrais. Não fez nenhum cumprimento, não parou nenhum momento, Mas com ar sereno e lento pousou sobre os meus umbrais, Foi, pousou, e nada mais. E esta ave estranha e escura fez sorrir minha amargura Com o solene decoro de seus ares rituais. “Tens o aspecto tosquiado”, disse eu, “mas de nobre e ousado, Ó velho Corvo emigrado lá das trevas infernais! Dize-me qual o teu nome lá nas trevas infernais.” Disse o Corvo, “Nunca mais”. . Pasmei de ouvir este raro pássaro falar tão claro, Inda que pouco sentido tivêssem palavras tais. Mas deve ser concedido que ninguém terá havido Que uma ave tenha tido pousada nos seus umbrais, Ave ou bicho sobre o busto que há por sobre seus umbrais, Com o nome “Nunca mais”. . Mas o Corvo, sobre o busto, nada mais dissera, augusto, Que essa frase, qual se nela a alma lhe ficasse em ais. Nem mais voz nem movimento fez, e eu, em meu pensamento, Perdido murmurei lento. “Amigos, sonhos – mortais Todos – todos já se foram. Amanhã também te vais.” Disse o Corvo, “Nunca mais”. . A alma súbito movida por frase tão bem cabida, “Por certo”, disse eu, “são estas suas vozes usuais. Aprendeu-as de algum dono, que a desgraça e o abandono Seguiram até que o entorno da alma se quebrou em ais, E o bordão de desesp’rança de seu canto cheio de ais Era este “Nunca mais”. Mas, fazendo inda a ave escura sorrir a minha amargura, Sentei-me defronte dela, do alvo busto e meus umbrais; E, enterrado na cadeira, pensei de muita maneira Que qu’ria esta ave agoureira dos maus tempos ancestrais, Esta ave negra e agoureira dos maus tempos ancestrais, Com aquele “Nunca mais”. . Comigo isto discorrendo, mas nem sílaba dizendo À ave que na minha alma cravava os olhos fatais, Isto e mais ia cismando, a cabeça reclinando No veludo onde a luz punha vagas sombras desiguais, Naquele veludo onde ela, entre as sombras desiguais, Reclinar-se-á nunca mais! . Fez-se então o ar mais denso, como cheio dum incenso Que anjos dêssem, cujos leves passos soam musicais.

"Primeiro luto". 1888 William-Adolphe Bouguereau Adão e Eva descobriram o corpo de seu filho Abel, que havia sido morto por s
"Primeiro luto". 1888 William-Adolphe Bouguereau Adão e Eva descobriram o corpo de seu filho Abel, que havia sido morto por seu irmão mais velho, Caim. A morte de Abel foi a primeira na Bíblia, o que explica o título da pintura. Vortex 💀

"Palhaço Subterrâneo", 2020 Stephen Mackey Vortex 💀
"Palhaço Subterrâneo", 2020 Stephen Mackey Vortex 💀

"Fonte do Amor", c. 1785 Jean-Honoré Fragonard Vortex 💀
"Fonte do Amor", c. 1785 Jean-Honoré Fragonard Vortex 💀

"A Esfinge da Vida", 1891 Fidus. A esfinge da vida, no contexto do mito grego, representa um enigma complexo que exige reflex
"A Esfinge da Vida", 1891 Fidus. A esfinge da vida, no contexto do mito grego, representa um enigma complexo que exige reflexão e compreensão para ser decifrado. A esfinge, um ser com corpo de leão e cabeça humana, colocava um enigma aos viajantes que passavam por Tebas, com a ameaça de devotá-los caso não o resolvessem. Um dos enigmas citados nas obras : Ser que anda de quatro de manhã, de dois à tarde e de três à noite, representava as diferentes fases da vida humana, da infância à velhice. Vortex 💀

"Andrômeda", 1869 Gustave Dore Vortex 💀 De acordo com a mitologia grega, a mãe de Andrômeda se autoproclamou a mais linda en
"Andrômeda", 1869 Gustave Dore Vortex 💀 De acordo com a mitologia grega, a mãe de Andrômeda se autoproclamou a mais linda entre as Nereidas (ninfas do Mar Mediterrâneo). Este fato provocou a fúria do deus grego das águas, Poseidon. Este resolveu inundar o planeta e enviar o monstro marinho Ceto (espécie de baleia) para devorar toda humanidade. Desesperado, Cefeo procurou o oráculo para saber o que fazer. Foi orientado a oferecer sua filha Andrômeda para o monstro Ceto, como forma de salvar o mundo. Ceto aceita e acorrenta Andrômeda numa rocha. O herói Perseu, ao passar pela região, viu a princesa acorrentada e se apaixonou por ela. Foi até o rei e a rainha pediu a mão da princesa em casamento. Estes concordaram desde que o herói salvasse a filha do monstro marinho. Então Perseu, com a cabeça da Medusa em suas mãos, foi até Ceto e a venceu. O monstro, após ser vencido pelo herói grego, foi transformado em um coral. No final do mito, Perseu e Andrômeda se casaram e foram morar em Argos. Lá tiveram vários filhos que foram os governantes de Micenas. Vortex 💀

"Lady Godiva", 1891 Jules Lefebvre. A lenda de Lady Godiva narra a história de uma nobre inglesa que, em protesto contra os a
"Lady Godiva", 1891 Jules Lefebvre. A lenda de Lady Godiva narra a história de uma nobre inglesa que, em protesto contra os altos impostos que seu marido, o conde Leofric, impunha à cidade de Coventry, teria feito uma cavalgada nua pela cidade. A história, embora envolva elementos míticos, teria como base um evento real, que teria sido um protesto contra as dificuldades que a população de Coventry enfrentava. Vortex 💀

Saturno Devorando Seu Filho" é uma pintura de Francisco Goya que faz parte de sua série de murais conhecida como Pinturas Neg
Saturno Devorando Seu Filho" é uma pintura de Francisco Goya que faz parte de sua série de murais conhecida como Pinturas Negras. A pintura retrata a história mitológica de Saturno, o deus romano da agricultura, que comeu seus próprios filhos para evitar que eles o derrubassem. Na pintura, Saturno é mostrado como uma figura monstruosa com uma expressão selvagem e enlouquecida enquanto morde a carne de seu filho. O fundo é escuro e ameaçador, aumentando a sensação geral de horror e violência. Vortex 💀

"Estrela da manhã" Robert H. Hawcridge, ~1893 Vortex 💀
"Estrela da manhã" Robert H. Hawcridge, ~1893 Vortex 💀

"Esboço " (Alexandre Cabanel, 1823 - 1889) Vortex 🌹
"Esboço " (Alexandre Cabanel, 1823 - 1889) Vortex 🌹

Jakub Schikaneder (1855–1924) Artista tcheco, mestre de paisagens urbanas melancólicas . Vortex 💀
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Jakub Schikaneder (1855–1924) Artista tcheco, mestre de paisagens urbanas melancólicas . Vortex 💀

"Prado da Floresta" Hans Thomas, 1876 Vortex 🌹
"Prado da Floresta" Hans Thomas, 1876 Vortex 🌹

"A Garota" - Alexey Ivanovich Korzukhin A pintura retrata uma camponesa de rosto simples, mas expressivo, vestida com roupas
"A Garota" - Alexey Ivanovich Korzukhin A pintura retrata uma camponesa de rosto simples, mas expressivo, vestida com roupas modestas. Seus olhos grandes e levemente tristes e seu cabelo levemente desgrenhado transmitem uma espontaneidade infantil e uma vulnerabilidade tocante. O fundo é feito em tons neutros, o que concentra a atenção no rosto e nas emoções da heroína. O artista evita a idealização, mantendo o realismo na representação da pele infantil e das roupas simples. Este retrato se torna um estudo sutil da alma de uma criança, onde cada detalhe fala de modéstia e pureza interior. Vortex 💀

"Anjo do Inverno" Kinuko Y. Craft (1940–) Vortex 👼
"Anjo do Inverno" Kinuko Y. Craft (1940–) Vortex 👼

"Temporada" Francesco Longo Mancini (1880–1954) Vortex 💀
"Temporada" Francesco Longo Mancini (1880–1954) Vortex 💀

"Juramento de Amor" (Hans Zatzka, 1859 – 1945) Vortex 🌹
"Juramento de Amor" (Hans Zatzka, 1859 – 1945) Vortex 🌹

" A Dama no Boudoir" Frederic Soulacroix Vortex 💀
" A Dama no Boudoir" Frederic Soulacroix Vortex 💀