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Coração de Urtiga 🌿

Coração de Urtiga 🌿

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Reflexões vivas sobre Terra Corpo como Medicina: eco-filosofia, eco-mitologia, espiritualidade da Terra, herbalismo, movimento, arte e terapia eco-somáticos.

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🌿Estes dias estive a cuidar o meu pequeno jardim. Que na verdade, é só um quintalinho entre as casas bem juntinhas da minha aldeia. Mas insisto em que seja jardim, as muitas (muitas muitas) plantas que lá moram não merecem senão esta total reverência. Geralmente, no fim dos dias de acompanhamento individual e de ensino, preciso de caminhar, ou dançar, ou jardinar, ou cozinhar. O sistema nervoso pede sempre que possamos entrar em ressonância no amparo, mas também que possamos sair da ressonância do social e que possamos retornar ao ritmo orgânico, da relação com o chão, mãos e o silêncio de fazer acontecer na suavidade e sem meta. A regulação nervosa não é necessariamente confortável. Cada dia é um dia. Pede que possamos acolher o corpo de agora, o que está presente neste momento, de forma íntima e única. Não da ideal ou da relaxada. Da forma Mamífera, integral, como é. Neste fim de tarde em particular, ao mudar plantas de vaso, o meu corpo começou a ter pequenos espasmos ao tocar na Terra. Não havia emoções nem pensamentos em particular, apenas um corpo vivo a chegar ao chão, a chegar ao som dos Pássaros, a chegar a si. A descarregar das vísceras a carga que nem se notava que ali estava. A voltar ao seu tempo, quando nem se deu conta de se ter ausentado. A beleza da regulação nervosa é que é prática, nunca está feita, está em processo. Afinal, somos um corpo vivo, num planeta vivo. Onde tudo é teia complexa, dinâmica e em movimento. Uma aluna do Curso de educação eco-psico-somática questionou-me estes dias: e o que fazemos com a educação eco-somática? Praticamos. Uma e outra vez, e a cada vez, chegamos mais a nós e às nossas relações, todas elas, no que o agora nos conta e no entrelaçamento do tempo. Também ele vivo e atravessando os lugares que somos. Eu achava que estava a cuidar a planta que mudava de vaso. Se virmos bem, foi a planta que cuidou de mim. Existimos para nos derramarmos diante da vida, sendo correnteza e margem do mesmo rio que nunca é igual. 🌿Como te tocam estas palavras? 🌿De 12a 14 de Julho acontece a Imersão Eco-somática "Tornar-se Bosque", em parceria com a @edt.portugal De Setembro a Dezembro decorre a jornada Senhoras de Negro, eco-mitologia, práticas somáticas, dança e voz no culto das Senhoras Negras Ibéricas. Serão 80 horas de práticas online e presenciais. Na casa que é colo @hearth.sintra E no Bosque do Monte da Lua Informações em senhoradazenha@gmail.com

🌿É rara a semana em que não crio uma receita nova. A cozinha é na maioria das vezes uma forma de regulação nervosa que me apoia imenso. Tem o ritmo do corpo, da respiração, da Natureza. Traz-me de volta dos lugares onde sem querer me afasto de mim e da presença nas relações humanas e com tudo o que vive. Esta foi uma criação para uma tarde de Verão, numa mesa partilhada com um casal de amigos. Uma amizade longa, que teve um período de afastamento e agora está em reconciliação. As amizades perdidas são lutos da Alma, e as recuperadas e regeneradas são as mais fortes. As que sobreviveram a tempestades mortais e navegaram pelo tempo até à mais profunda vulnerabilidade, honestidade e verdadeira vontade de acompanhar e partilhar a vida uns dos outros. Que vos nutra tanto quanto nos nutriu a nós Lembrando sempre que: é na abundância das colheitas que se cuida o alimento que nos cuidará na estação fria. Parte é para o chão, parte para os pássaros, parte para nós e parte para partilhar com os nossos. Aqui fica uma receita simples de cozinha medicinal, para aquecer o corpo e alentar o coração. Agora vamos lá! BASE: 300gm de amêndoa torrada ou mistura de amêndoa e avelã torradas moídas irregularmente 150gm de farinha de trigo sarraceno 1 colher de chá de canela 2 colheres de sopa de óleo de côco ou manteiga de vacas de pasto 4 colheres de sopa de geleia de arroz PREPARAÇÃO misturar bem e levar a lume brando numa frigideira antiaderente (adoro as do planeta huerto, sem metais pesados nem químicos nocivos) Cerca de 15 minutos, mexendo frequentemente Espalhar numa tarteira untada com um pouco de óleo de côco RECHEIO: Maçã e pêra bem lavadas e escovadas, quantidade a gosto (se sobrar é deliciosa em puré), cortadas em cubos pequeninos 4 colheres de sopa de óleo de coco sumo de 1 limão 1 colher de chá de canela num moinho de café moer: casca de limão 1 colher de chá de bagas de Junipero ( sistema imunitário) Dois cravinhos ( anti-inflamatório) noz moscada ( digestão) erva doce ( digestão e intestino) alecrim ( estômago e cérebro) alfazema (fígado e sistema nervoso) estrela de anis ( intestino ) PREPARAÇÃO: misturar bem e levar a lume brando numa frigideira antiaderente (adoro as do planeta huerto, sem metais pesados nem químicos nocivos) Cerca de 15 minutos, mexendo frequentemente Espalhar numa tarteira untada com um pouco de óleo de côco ou manteiga RECHEIO: Maçã e pêra bem lavadas e escovadas, quantidade a gosto (se sobrar é deliciosa em puré), cortadas em cubos pequeninos 4 colheres de sopa de óleo de coco sumo de 1 limão 1 colher de chá de canela num moinho de café moer: casca de limão 1 colher de chá de bagas de Junipero ( sistema imunitário) Dois cravinhos ( anti-inflamatório) noz moscada ( digestão) erva doce ( digestão e intestino) alecrim ( estômago e cérebro) alfazema (fígado e sistema nervoso) estrela de anis ( intestino ) PREPARAÇÃO misturar bem e levar a lume brando numa frigideira antiaderente (adoro as do planeta huerto, sem metais pesados nem químicos nocivos) Cerca de 20 minutos, mexendo frequentemente Espalhar sobre a base já na carteira e levar ao forno a 160° dez minutos COBERTURA: mistura de amêndoa, avelã e noz torradas partidas irregularmente irregularmente, quantidade a gosto 4 colheres de sopa de açucar panela (rapadura ou demerara, altamente mineralizante) 1 colher de chá de canela 1 colher de chá de flor de alfazema 1 colher de sopa de pepitas de cacau cru gengibre fresco ralado na hora PREPARAÇÃO misturar bem numa tigela deixr o crumble arrefecer 10 minutos depois de saído do forno e espalhar abundantemente por cima e... deliciar-se

🌿Sobre Invocação: a Imersão eco-somática e animista deste fim de semana Traz as tuas lágrimas e vem Com esse corpo antigo Quebrado  Com asas lamacentas Estranhas como anjos Feitos de galhos de velhas árvores e ossos que afinal, sabem carpir. Vem com esses lutos e lutas Essas trevas e brumas De uma fertilidade oculta e proibida  Que te nasce na vulva e na mama Vem com essas garras ferais Adormecidas mas sempre leais Vem com esses ossos que afinal, Sabem parir. Vem com as vísceras rubras e negras Com a carne terna e tenra Com a ferida de uma fera Cuja beleza nunca existiu senão em ti Vem com os silêncios e a solidão  Com o mistério e a imensidão  Com esses ossos que afinal,  Sabem ser chão.  Vem com a voz que não teve espaço  Entre a vergonha,  o medo e o cansaço  Para ser pássaro e poética profecia  Vem que já se fez dia Com o pulsar do sonho e a mão aberta em flor  Vem com esse corpo ancestral e primeiro  Tecido a Rosa, Romã e Urtiga Com os pés que são caminho e são tear Vem com esses ossos que afinal, Sabem cantar. Vem e voa No vôo desnudo e puro  da Loba e da cotovia Da javalina e da estrela guia Da água que só se sabe derramar Vem com esses ossos que afinal,  Sabem dançar.  Com o tempo do vento Com o atravessar E o transbordamento.  Afinal, finalmente  Estes ossos são gente. 🌿 De 12a 14 de Julho acontece a Imersão Eco-somática "Tornar-se Bosque", em parceria com a @edt.portugal De Setembro a Dezembro decorre a jornada Senhoras de Negro, eco-mitologia, práticas somáticas, dança e voz no culto das Senhoras Negras Ibéricas. Serão 80 horas de práticas online e presenciais. Na casa que é colo @hearth.sintra E no Bosque do Monte da Lua Informações em senhoradazenha@gmail.com

🌿 Ninguém nos diz que somos rios. Que transbordamos. Que quanto mais tempo passar menos seremos capazes de coexistir com os muros de barragens impostas sobre os nossos fluxos. Que a nossa liberdade pede retorno à sua verdadeira Natureza. Que choramos com saudades do chão, que nos estrutura e contém, sim, mas que também nos oferece total liberdade para fluir sem qualquer pressão ou aprisionamento mas com todo o respeito pelo abraço à intrepidez da correnteza. Há que parar para honrar de perto a relação intrínseca e inseparável entre ecologia - fisiologia - psicologia - ecologia num contínuo dinâmico e ininterrupto, seja ele consciente ou não. Quem adentra a percepção eco-somatica rapidamente compreende que nos erguemos culturalmente sobre mitos de dissociação sistémica que nos colapsam por dentro. A preocupação em transcender é tão maior quanto maior é a dificuldade em encarnar, ser carne e corpo num mundo onde nós queremos mamíferos, animais, alma, força vital da anima mas onde nos foram secularmente amputando as vias de nós habitarmos plenamente. Como podem o sangue, suor, lágrimas e seivas da sexualidade fluir se nunca testemunhamos águas livres? Se não tocamos com as mãos, o olhar, a boca e o ventre as águas de rios sem domesticação do caudal? Como pode a fisiologia conhecer o que nunca pode testemunhar? E como pode seguir o seu fluxo se o caminho de casa lhe foi cortado? Como pode a psyche aprender o Amor se não viu brotar da Terra a semente que germinou no gélido coração do Inverno? Se não acolheu o beijo do Sol à neve que traz a água ao caudal do rio? Resgatamos pois os ossos para nós regenerarmos enquanto parte de um planeta Vivo. Mamíferos, somos talvez o seu sistema nervoso. A regulação nervosa ou é sistémica ou apenas um pobre paliativo. Não nos enganemos. Toda a reparação de trauma serve para nos re-orientar na direção do vínculo e do afecto. Porque somos parte da Natureza que brota indomável. Até que todos os rios sejam novamente a só correnteza, sistema Cardiovascular da Terra e do corpo vegetal e animal. Até que toda a Terra seja novamente uma só floresta. Até que sejamos parte do Bosque integralmente, de novo, e possamos encontrar amparo na pedra da montanha, na coruja e no carvalho. Esta é a senda do coração. Aqui. Onde a Terra e o Sol se encontram, no Solstício de renascimento da luz Solar e da vida vegetal: um convite a Remembrar a presença no corpo e na Terra e a forja-la ao braseiro alquímico do Inverno, com cantos, contos, orações. De pés no chão e mãos no coração. 🌿 Se te chama ao corpo e ao coração este tema, as inscrições para a Imersão eco-somática Tornar-se Bosque e para a Jornada de 80 horas online e presencial Senhoras de Negro estão abertas. Mais informações aqui: https://escolatranspessoal.com/product/tornar-se-bosque-jul24/ https://earthbodymedicine.com/events/senhoras-de-negro/ 🦉Fala comigo por MP ou senhoradazenha@gmail.com

Este bolo é uma história de Amor. E de humildade, sobretudo. Na casa da minha Madrinha acordávamos ao raiar do dia. Cozinhar logo com o frescor da manhã e o primeiro Sol é por isso dos gestos mais reguladores para mim. Tantas vezes buscamos novas práticas para apoio do sistema nervoso e tantas vezes é igualmente importante resgatar os lugares e os gestos que são recursos intrínsecos e espontâneos de sermos mamíferos e profundamente humanos. O bolo de maçã e noz da minha Madrinha foi um dos muitos sabores que a ela, a minha Avó e a minha Bisavó levaram consigo ao partir. Sei que o mesmo irá acontecer com a partida dos meus Pais. Também sei que por muitas décadas as minhas escolhas alimentares se moveram no sentido oposto, porque de facto eu acreditava que sabia melhor do que estas gentes camponesas e pastoras secularmente, o que é cuidar um ecossistema e o que é cuidar as relações com plantas, animais e saúde. O bolo de maçã é símbolo. De tanto. Tanto. Aprendi a cozinhar sem receitas. No início da perimenopausa (que é para quem não sabe uma fase de vida de transformação hormonal que inicia cerca dos 35 anos e dura décadas, não é o mesmo do que pré-menopausa) desenvolvi alta sensibilidade ao glúten. Por isso, quando fiz esta receita, não esperava conseguir resgatar o sabor do bolo da D. Aninhas. Quando o servi ao meu filho, moveu-se-me o coração em reverência diante do ponto onde o passado e o presente se enlaçam e vemos a memória futura a ser criada. Tão simples e potente este lugar e tão raro poder apreciar. Eu não sei fazer nada sem contar histórias. Por isso finalmente aqui vai a receita, com todo o carinho, do meu coração ao vosso. Primeiro, acordar e desfrutar do silêncio do mundo e da casa. Por o coração nas mãos e deixar que nos guie. Adaptar a receita ao gosto da imaginação. Este é um bolo altamente proteico, que primeiramente tinha a intenção de ser um lanche completo para o meu filho levar para a escola. Ingredientes comuns: 500gm de farinha de trigo sarraceno (que é isento de glúten 1 colher de chá de bicarbonato de sódio 1 colher de chá de vinagre de cidra 1 colher de chá de alfazema 1 colher de chá de alecrim 1 colher de chá de erva doce 1 colher de chá de bagas de zimbro esmagadas 1 colher de chá de noz moscada 1 colher de café de curcuma 1 colher de sopa de canela 300gm de açúcar panela (demerara) Raspa de um limão 2 a 3 maçãs reinetas sem casca e sem caroço 2 a 3 mãos cheias de nozes A seguir temos duas opções, seguir a receita com ingredientes de origem animal ou vegan. 1- Versão de origem animal: 400ml de iogurte integral de animais de pasto 6 ovos 2- Versão vegan: 400ml de leite de côco em lata 3 colheres de sopa de amido de milho 2 colheres de sopa de óleo de côco Preparação: Misturar todos os ingredientes secos com uma colher de pau. Misturar um a um os líquidos. Quando a massa estiver bem mexida misturar a maçã cortada e pedaços finos e as nozes, envolvendo suavemente. Colocar numa forma e levar ao forno a 160 graus, cerca de 20 minutos ou até estar no ponto. Eu faço a versão de origem animal, por ter mais densidade de nutrientes, o que se adequa mais ao meu corpo e às necessidades da minha família. É um bolo altamente anti- Inflamatório. Desfrutar com um delicioso chá de alfazema e verbena, para cuidar o sistema nervoso. E assim vos abraço, com esta doçura que nutre e cura. 🌿 Se quiseres saber mais sobre plantas medicinais e práticas de cozinha herbal eu e a @lilamoreirab temos três formações belíssimas a iniciar entre Setembro e Outubro: o curso de Herbalismo Ancestral ano 1 e 2, o retiro Cozinha das Magas e a Formação de Educadoras de Fertilidade Consciente. Toda a informação aqui: https://feminineconsciousness.com/agenda/ Vem connosco 🥰

De dia 19 a 25 de Junho teremos 7 dias de Setena, dedicados à Senhora do Mel, das Abelhas e dos Pássaros, a Drusuna e também a Belenus e Endovélico. Atravessamos os caminhos da Ibéria Ancestral e sua sabedoria sincrética milenar. Resta 1 vaga para esta Setena. As inscrições para a Setena de Agosto já estão a decorrer, será de 5 a 13, dedicada à Senhora do Pão, da Foice, da Cruz e dos Caminhos. Farejando em silêncio o saber das gentes que com atenção,  presença e criatividade inerente a uma relação espontânea com a vida enquanto sagrada. Cuidando o caminho dos animais e a sabedoria das plantas como bússolas do mistério que tece o tempo e a Alma. Afinal, as magas são as Meigas, ternas e eternas cuidadoras de tudo o que vive e o Bosque é o nosso Templo, e o lugar de ensinamento mais profundo. Percorremos o trilho dos lugares selvagens como sagrados, entre saudade, luto e a potente reclamação do culto dos ossos férteis das terras que nos são casa. Mergulhando na tecelagem viva do xamanismo celtibérico e nas formas sincréticas com que ainda ecoa nestas terras vivas e ressoa em nós. Numa jornada misteriosa, profunda e fecunda abraçamos a Senhora nos seus nomes e aspectos mais primordiais, telúricos e ctónicos. Nos que nos movem e retecem o corpo e o sentir, de volta ao chão coração. Acolhendo  paradoxos fundamentais à vida selvagem da Alma, do Corpo e da Terra. 🪨Todos os dias temos encontro das 18h às 19h, online, com práticas eco-mitológicas, somáticas, animismo e ritual. Informação: https://drive.google.com/file/d/1-YmsxMVBmD6oX_oONBf6P0XMJ8HkeNlV/view?usp=drivesdk

🌿 O QUE É ISTO? Num passado muito muito distante a minha prática de Herbalismo passava por horas a cuidar saquinhos de ervas, para vários fins. No Herbalismo Ancestral o contacto com plantas, no campo mais subtil, acontece também pele e pele, corpo a corpo, no contacto permanente. Estes saquinhos são para evitar e afugentar traças. São compostos por cedro, cravinho, louro, alfazema, alecrim, tomilho e canela. 7 plantas cada uma com uma assinatura alquímica distinta e complementar. Claro que para além de ter esta finalidade realmente prática também tem outros aspectos importantes: os saquinhos de ervas eram usados para desinfectar roupa, armarios, livros. Estas são plantas antissepticas, anti fungicas, anti bacterianas, anti humidade, anti virais. São excelentes para a respiração e actuam como purifucadoras do ar. São também 7 plantas que trabalham com o senso de estrutura, dignidade, integridade e capacidade física, mental, emocional, relacional. A preparação dos saquinhos é em si uma poderosa prática de regulação nervosa através da motricidade fina. Aliás, no nosso Herbalismo Ancestral as práticas herbais, somáticas e animistas surgem sempre em interligação indissociável. Tradicionalmente os saquinhos eram costurados à mão a partir de retalhos de roupa velha. Cada ponto de costura assinala uma chegada ao corpo, ao relaxamento e à presença. Muitas vezes, eram bordados sigilos, símbolos de protecção, abundância, saúde, afecto em cada um. Pequenas obras de arte quase invisíveis que habitavam gavetas, armários, prateleiras e algibeiras desde a noite dos tempos. Para mim, preparar os saquinhos é sempre um ponto de viragem. Tão mais relevante quanto mais assoberdada me sinta com o tanto que as tantas solicitações demandam. Quando o meu sistema nervoso transborda, o caminho das plantas e das mãos devolve-me contenção ao relembrar que existo entrelaçada com um mundo vivo e um tempo orgânico, feito de gestos pequenos, simples, invisíveis mas fundamentais à continuidade da Alma. Onde transbordamos, resgatemos o entrelaçamento que nos devolve ao fluxo em contacto com a margem. Como o Rio. 🌿 Levem a receita e digam-me, como vos tocam estas palavras? 🍂 A cruz de Brigid com que selei o preparado é uma peça de prata da Maravilhosa Marisol, da Athanor (IG)

🌿 Cada passo do caminho do corpo começou na depressão da adolescência. Dis-nos Rudoph Steiner que o primeiro seténio é para chegar ao corpo, encarnar, fazer-se inteiro nesta congruência do corpo, alma e coração. Para chegar ao Corpo começamos por chegar à Terra. Pela brincadeira, experiência, contacto, confiança, relação. Se o intelecto chega demasiado cedo a corporalidade definha e somos mais espectadores de nós mesmas do que a primeira pessoa da história que vivemos e criamos. Assim, aos 13 anos a dança começou devagar a salvar a minha vida, acompanhando um terceiro seténio de treva e turbulência que teve pontes feitas a movimento, coreografadas nos ossos da alta sensibilidade com a entrega de quem nada tem a perder. Para me resgatar (sem saber sequer que era o que estava a fazer) tive que resgatar, como sempre no que me toca, os pedaços partidos e perdidos do corpo que dança neste território. A linguagem proibida, pagã, tornada profana dos mistérios mais profundos, fecundos e primordiais deste lugar. Quis, como sempre, resgatar a espontaneidade da relação directa antes da regra, da regulação, da matemática que separa o que é aceitável e o que não é no corpo que se move e vive e sente, porque é filho da Mãe e de boa gente. Nesta fotografia estava em pós parto, a amamentar. Foi a primeira vez em palco depois do nascimento do meu filho. Agora, no ano em que cumpro 24 anos de prática de corpo pessoal e profissional, faço-vos o convite de adentrar comigo a jornada Senhoras de Negro: corpo, canto e animismo no culto das Senhoras Negras do nosso território. Entre arte, educação eco-somática, Paganismo e animismo fazemos este caminho onde somos fio, tecelã e tear do corpo vivo no chão coração. Vamos? Informações: senhoradazenha@gmail.com Fotografia da minha querida @mize_jacinto

🌿De Setembro a Dezembro teremos um ciclo muitíssimo especial: Senhoras de Negro Práticas eco-somáticas, Dança e Voz no culto das Senhoras da Sombra e Madonnas Negras Na antiguidade o conceito de trauma não só já existia como era amplamente trabalhado em práticas de dança, música e oração em comunidade. O corpo e a voz eram entendidos para muitas culturas como sendo pontes por onde podemos processar toda a intensidade psico-emocional e somática que nos habita. A co-regulação nervosa pela prática artística devocional é uma estratégia profundamente inteligente e reparadora. De pés enraizados no chão, coração nas mãos e olhos tingidos de ocre. Seguimos. Resgatando no corpo as danças, cantos e orações ancestrais das Mulheres sábias da Ibéria, a nossa ancestralidade sefardita e magrebina. Invocando as Senhoras do Bosque, da Pedra, das Águas e do Deserto. Trazendo ao presente as Danças de Ísis e sua tão grande presença na Ibéria. Senhora dos Pássaros, da Noite, da sabedoria e da Magia que tece a fina teia da vida que tudo permeia. Numa exploração que une fios de xamanismo celtibérico, educação eco-somática, anatomia orgânica, eco-mitologia e simbolismo. Através de práticas de movimento, técnica de danças rituais de transe tradicional ancestral, voz, adufe, tambor, cantos devocionais e tradicionais, herbalismo, ecologia espiritual e criatividade. Um mergulho profundo e transformador no nosso corpo mamífero, na psyche e na natureza pela primeira linguagem que temos: o movimento em relação com o chão e o céu, e tudo o que existe no abraço entre ambos. Práticas ancestrais para Mulheres, orientadas para a ciclicidade e o corpo feminino em constante transformação. Encontrando no movimento a possibilidade de ampliar consciência e apurar a qualidade da nossa presença e das nossas relações. Este é um trabalho transformador, que complementa práticas terapêuticas, artísticas, de desenvolvimento humano e de corpo. Uma abordagem única e extraordinariamente rica. Datas: 31 de Agosto e 1 de Setembro 5 e 6 de Outubro 9 e 10 de Novembro 1 e 2 de Dezembro Sábado das 10h às 18h Domingo das 10h às 16h No Hearth, o nosso espaço no coração de Colares e na Serra de Sintra Dia de cerimónia de tambor com Sauna Sagrada: 31 de Agosto, casa do Páteo, Meco, Sesimbra 12h às 18h30 Caminhadas nocturnas na Serra de Sintra: 30 de Agosto 8 de Novembro Das 19h às 21h30 Práticas online semanais: Quartas 17h às 17h50 educação eco-somática 18h às 18h50 movimento e dança As práticas ficam gravadas para quem não possa estar presente Dias: Setembro: 4, 11, 18, 25 Outubro: 2, 9, 16, 30 Novembro: 6, 13, 20, 27 As práticas ficam gravadas para quem não possa estar presente. Vagas muito limitadas Tempo Dedicado: 80 horas Saber mais: https://drive.google.com/file/d/1LstQ4sBHJHs1OQhhjVZwLKZUAx0i-RHw/view?usp=drivesdk

🌿ÚLTIMAS DUAS VAGAS Há muito tempo que venho sonhando esta jornada. 🌱 Invocar é uma das práticas mais potentes do Animismo, Xamanismo e Paganismo, sendo também uma das mais eficazes práticas de regulação nervosa. Nasce da escuta dos lugares selvagens e da forma como se tornam, literalmente, o nosso corpo e edificam a nossa presença.🏺 Na tradição celtibérica, a escuta é o primeiro lugar de sensibilidade e presença: só através dela podemos testemunhar a tecelagem das forças da criação, pelo conto, canto, oração e movimento. Invocar e entoar os nomes das Senhoras Ancestrais traz de volta um senso de pertença e presença único. Resgatar as histórias, cantos e orações bem como aprender a tecer as palavras que os criam permite um entendimento sensorial da continuidade, heterogénea, retalhada, que se borda a fio rubro nos nossos corações e mapas de linhagem. Permite também preencher de sentido os gestos rotineiros do dia a dia e tornar a vida um laboratorium alquímico, onde trabalhamos e oramos na mesma medida. Quanta falta nos faz esta re-sacralização dos tantos e simples gestos quotidianos? 🤲 Recuperamos as ancestrais canções e orações de trabalho, e a capacidade de criar movida pela vontade de expressar afecto reverente aos lugares profundamente sagrados da Terra Viva. Assim, mergulhamos no Bosque Profundo do Monte da Lua, entre Mulheres, para recuperar a Voz e abrir caminho ao sopro de Brigid, Braga: que move as águas, que nutre o fogo, que espalha as sementes. Este é um trabalho transformador, composto por práticas terapêuticas somáticas, artísticas, ecológicas, humanistas e animistas. 🍁 Uma abordagem única e extraordinariamente rica. Será no fim de semana de 15 e 16 de Junho, em Sintra. 🌟O Early Bird é até 20 de Maio e há um valor especial para pessoas que já acompanho. _ ↓ Inscrições e mais informações : senhoradazenha@gmail.com 🌳Na foto, um dos lugares que farão parte desta jornada.