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52/64) Em 2008 a Rússia, com a Guerra na Geórgia, se mostra reerguida de suas dificuldades na década passada, querendo ser aceita pelo Ocidente por um status de potência. Na Ucrânia, a Rússia mostrava-se ainda com uma visão bem realista do cenário internacional, em que a sua segurança era uma condição sine qua non para sua sobrevivência, dessa forma, agiu para manter seu interesse a qualquer custo em ambos os casos citados (DIAS, 2015). A Rússia, depois de sua instabilidade ressurge no século XXI com novos objetivos de política externa. Depois de tentar ser aceita pelo Ocidente, mas sendo isolada, e já forte economicamente, comparada à década de 1990, buscou seu reconhecimento no sistema internacional.⤵️

51/64) Em 2010, em novas eleições, desta vez sem que houvesse críticas, volta ao poder Yanukovych. O então Presidente desistiu e seguiu uma política de aproximação direta com a Rússia, o que fez com que em novembro de 2013 houvesse manifestações, dessa vez os protestos eram para pressionar o Presidente a ter uma maior aproximação com a União Europeia (DIAS, 2015). Depois de 3 meses de conflitos, de dezembro de 2013 a fevereiro de 2014, Yanukovych e seus opositores assinaram um acordo com intermédio da UE, que visava colocar fim no conflito (DIAS, 2015). O Ocidente reagiu à anexação com sanções impostas à Rússia, mas sanções estas que não tiveram efeito, dessa forma, optou-se por uma aceitação de facto da questão. A União Europeia reagiu mais intensamente que a OTAN, pois para os EUA a Ucrânia é um interesse marginal, dessa forma, os norte-americanos não têm uma estratégia forte no conflito (DIAS, 2015).⤵️

50/64) Em 2004, depois de uma eleição acirrada, Viktor Yanukovych ganhou as eleições com margem de 3% a mais que o seu concorrente Yushchenco (ORTEGA, 2009). Da mesma forma que o Ocidente se envolveu no caso da Geórgia, fizera também na Ucrânia. A Organização para Segurança e Cooperação na Europa(OSCE) denunciou que houve falsificação de votos, intimidações de eleitores e o chamado carrossel, onde se transportava eleitores de um lado ao outro para votarem várias vezes. ONGs ocidentais também se envolveram nos protestos pós eleição e novas eleições foram feitas, desta vez com a vitória de Yushchenco, com 52% dos votos (ORTEGA, 2009). Assim como na Geórgia, a Rússia primeiro seguiu usando a questão enérgica como forma de pressão na Ucrânia (FREIRE, 2008).⤵️

49/64) Em 2004, depois de uma eleição acirrada, Viktor Yanukovych ganhou as eleições com margem de 3% a mais que o seu concorrente Yushchenco (ORTEGA, 2009). Da mesma forma que o Ocidente se envolveu no caso da Geórgia, fizera também na Ucrânia. A Organização para Segurança e Cooperação na Europa(OSCE) denunciou que houve falsificação de votos, intimidações de eleitores e o chamado carrossel, onde se transportava eleitores de um lado ao outro para votarem várias vezes. ONGs ocidentais também se envolveram nos protestos pós eleição e novas eleições foram feitas, desta vez com a vitória de Yushchenco, com 52% dos votos (ORTEGA, 2009). Assim como na Geórgia, a Rússia primeiro seguiu usando a questão enérgica como forma de pressão na Ucrânia (FREIRE, 2008). Em 2010, em novas eleições, desta vez sem que houvesse críticas, volta ao poder Yanukovych. O então Presidente desistiu e seguiu uma política de aproximação direta com a Rússia, o que fez com que em novembro de 2013 houvesse manifestações, dessa vez os protestos eram para pressionar o Presidente a ter uma maior aproximação com a União Europeia (DIAS, 2015). Depois de 3 meses de conflitos, de dezembro de 2013 a fevereiro de 2014, Yanukovych e seus opositores assinaram um acordo com intermédio da UE, que visava colocar fim no conflito (DIAS, 2015).⤵️

48/64) Nos últimos 500 anos a Rússia sofreu várias invasões advindas dessa região. Os poloneses em 1605, os suecos em 1707, os franceses de Napoleão em 1812 e os Alemães na Primeira Guerra Mundial (AMAL, 2017). Um outro motivo dessa grande importância é o acesso ao Mar Negro (DIAS, 2015). Os portos da Rússia nesta região ficam muito tempo congelados. Dessa forma, o Porto de Sebastopol, na Península da Crimeia tem importância vital para os interesses russos. Sendo a Península da Crimeia a única saída russa com águas quente todo o ano. Sem contar que a península tem uma posição estratégica para controle do Mar Negro e saída para o Mediterrâneo pelo Estreito de Bósforo (AMAL, 2017).⤵️

47/64) Nesse mesmo período a Rússia passa a dominar o que é hoje a Bielorrússia, Moldávia, os Bálticos e volta a dominar também a Ucrânia (AMAL, 2017). Com relação a Ucrânia há uma divisão, ou um “problema histórico” como cita Visentini (2015), em outro sentido. Uma parte da Ucrânia esteve há muito tempo sob domínio do Império Austro-húngaro, portanto, protestante e Ocidental, e outra parte católica ortodoxa. Outra questão a ser mencionada é a importância da Ucrânia para a Rússia. Um motivo é que há a Grande Planície Europeia que se estende desde o litoral ocidental da França até os Montes Urais na Rússia. Todo esse percurso pode ser facilmente percorrido sem ter que cruzar fronteiras naturais tais como rios, montanhas ou desertos, facilitando assim a penetração no território russo.⤵️

46/64) AS CRISES NA UCRÂNIA O Caso da Ucrânia tem uma dinâmica mais complexa de entender porque além do ocorrido nas chamadas Revoluções coloridas, a Ucrânia está bem ligada à Rússia, além do mais, tem uma posição geoestratégica importante para a Rússia. Segundo Segrillo(2014), originalmente, russos, bielorrussos e ucranianos eram um povo só, no chamado Estado Kievano (dos séculos IX ao XII). Nos séculos XIII-XV, ao longo do domínio mongol na região, os três povos foram se diferenciando e, depois disso, os rumos de ucranianos e russos foram bem diferentes(Angelo segrillo especial para a Folha - 2014). O começo do grande império russo se tem na Ucrânia, ou como antes chamada, Rus de Kiev, sendo o Berço histórico russo na Idade Média. O nome Ucrânia, inclusive, significa fronteira, que tem sua origem na palavra Krajina, onde também houve disputas territoriais com poloneses, austríacos e turcos (VISENTINE, 2015). No século XVIII, no reinado de Catarina a Grande, a Rússia e a Prússia, hoje Alemanha, invadem a Polônia pela primeira vez e dividem seu território. ⤵️

45/64) Em 2008, com a invasão à Geórgia, a Rússia apresenta uma nova forma de tentar manter seus interesses, desta vez com um pensamento político baseado na "Real Politik", deixando à amostra, para sua antiga zona de influência e para o Ocidente, seu desejo de ser ouvida e ter sua área de interesse respeitada. Assim, a partir de 2008, a Rússia passa a enxergar o mundo como multipolar, reivindicando participação fundamental no cenário internacional(FREIRE, 2008).⤵️

44/64) Na primeira década do Século XXI, a Rússia, Bielorrússia e Cazaquistão começaram uma parceria para uma união aduaneira, avançando e criando a UEE(União Econômica Eurasiana). A intenção é que a UEE seja gradualmente integrada pelos membros das antigas repúblicas soviéticas, reforçando assim a presença da Rússia nesta região(VISENTINI, 2015). Ainda com vistas na manutenção do seu soft power regional. Contudo, mesmo assim a Geórgia se mantinha firme no desejo de aliar-se ao Ocidente. Após a intervenção ocidental na Geórgia, motivada pelas Revoluções Coloridas, restou à Rússia atuar de outra maneira, com a força.⤵️

43/64) Apesar da CEI(Comunidade dos Estados Independentes) não ser um bloco de muita eficiência, resultado de sua atuação ser mais no sentido da formalidades, não deixou de ser um instrumento capaz de delimitar o espaço ex-soviético que a Rússia tentava preservar. Mesmo através da CEI, onde a Rússia não tinha capacidade de interromper os desejos de ex-sátelites, como a Geórgia e a Ucrânia, de fazerem parte da OTAN ou UE, Moscou, com a invasão à Geórgia, pretendeu mostrar sua oposição ao Ocidente, validar a CEI, e também dar sinais de que tem força, influência e algum peso ideológico. Dessa forma, a Rússia remarca sua posição de liderança no espaço do bloco. Ações que resultam numa forma de demarcação da zona de influência russa(FREIRE, 2008).⤵️

42/64) Nesse sentido: "Com esta ação militar, Moscovo[Moscou] pretende travar o alargamento da NATO[OTAN] fazer recuar a presença ocidental na área da CEI, e deixar um sinal de aviso às antigas repúblicas quanto ao seu poder, influência e capacidade de ação [...] a Rússia conseguiu, com a intervenção na Geórgia, ganhos em diferentes níveis: em nível local, com o enfraquecimento da república georgiana, uma dupla vitória face a um apoio ocidental que não se materializou como Tbilissi esperava; [...]regional, com Moscovo[Moscou] a reafirmar-se na área e a sublinhar o seu envolvimento em matérias de interesse estratégico; nível internacional, demonstrando que a política de contenção face ao Ocidente não é mera retórica (FREIRE, 2008, p.53)".⤵️

41/64) Com a ajuda russa, que rapidamente tomou conta da situação, as tropas georgianas foram rapidamente rechaçadas do território, onde a Rússia rapidamente chegou quase à Capital georgiana Tbilisi (RODRIGO FERNÁNDEZ, 2008). A Abecásia aproveitou a movimentação e entrou no conflito. Depois do conflito a Rússia reconheceu as duas províncias como estados independentes. A Rússia aproveitou o conflito para dar sinais de força e influência na região. O conflito serviu para demonstrar o desejo russo de reconhecimento no sistema internacional e para expressão de suas capacidades nesta nova ordem (FREIRE, 2008).⤵️

40/64) Depois do fim da URSS e até 2008, momento da Guerra, haviam missões internacionais, da ONU e da OCSE, e pacificadores russos na Ossétia do Sul que estabeleceria bases militares e embaixadas na região(PILAR BONET, 2018). A Ossétia do Sul sempre teve fortes laços com os russos, já no século XIX, os ossétas foram uma das poucas tribos da zona do Cáucaso que se aliaram ao então império russo (RODRIGO FERNÁNDEZ, 2008). A Ossétia é uma região com muitos nacionais russos. A Guerra na Geórgia, Guerra da Ossétia do Sul ou Guerra dos 5 Dias, conflito russo-georgiano em agosto de 2008, começou quando tropas georgianas invadiram de surpresa a capital Tsequinváli, da Ossétia do Sul, região que, de fato, era separada da Geórgia.⤵️

39/64) A Geórgia, após sua independência, passou por grandes problemas políticos com o governo ultranacionalista de Zviad Gamsakhurdia, o qual negava direito às minorias étnicas. Estas minorias constituíam três repúblicas autônomas: Adjara, Abecásia e a Ossétia do Sul, esta última, importante à Rússia que ao norte travava uma guerra contra a Chechênia. A situação foi estabilizada no governo de Eduard Shevardnadze (1995-2003), todavia com as revoluções coloridas e Shevardnadze sendo substituído por Mikhail Saakashvili, surgiram novos problemas, pois ele endureceu sua posição em relação as repúblicas autônomas(VISENTINI, 2015). Saakashvili passou a ter uma postura mais dura com relação as repúblicas autônomas e, também, buscou maior parceria com a OTAN e EU(VISENTINI, 2015). A Abcásia e a Ossétia do Sul, na época da União Soviética, eram regiões autônomas submetidas à Geórgia. Com as desestabilizações no início da década de 1990 na URSS, as regiões entraram em conflitos com as autoridades de Tbilisi ainda enquanto URSS.⤵️

38/64) Dessa forma surgem novos problemas para os russos na região. Para Freire(2008), a principal dificuldade na antiga região de influência russa surge quando das integrações dos mercados energéticos ao Ocidente, por exemplo a conclusão do oleoduto, Baku-Tbilisi-Ceyhan(BTC), inaugurado em 2006. A Geórgia, mesmo não tendo petróleo, é peça chave na geopolítica da região. O oleoduto BTC, pode levar o petróleo de Baku, Azerbaijão, região do Mar Cáspio até um porto em Ceyhan, localizada na Turquia, que passa primeiro por Tbilisi na Geórgia. O Baku-Tbilisi-Ceyhan(BTC) é o segundo maior oleoduto do mundo e tem a capacidade de bombear 1,2 milhões de Barris de petróleo por dia (NICK AMIES, 2008). A União Europeia seria a principal beneficiadora do oleoduto, e o principal intuito de sua construção era tornar o Ocidente independente das exportações russas(NICK AMIES, 2008).⤵️

37/64) Em 2007, na Conferência de Segurança de Munique, Putin fez duras críticas a situação e consequências advindas: "De acordo com os documentos fundadores, na esfera humanitárias, a OSCE visa assistir países membros na implementação de normas internacionais de direitos humanos, a pedido destes. […] contudo, isto não significa interferência nos assuntos internos de outros países, e em particular a imposição de um regime que determine como estes Estados devem viver e desenvolver-se. É óbvio que tal interferência não promove, de modo algum, o desenvolvimento democrático dos Estados. Pelo contrário, torna-os dependentes e, como consequência, política e economicamente instáveis (PUTIN, 2007 apud FREIRE, 2008, p96)".⤵️

36/64) Os EUA enviaram representantes do governo para falarem diretamente com os presidentes, então em exercícios, na busca de enfatizarem a importância de eleições livres. A Organização para Segurança e Cooperação na Europa(OSCE), enviou observadores aos três Estados que, prontamente, denunciaram fraudes(ORTEGA, 2009). A Rússia em contrapartida, denunciou as revoluções coloridas como formas de substituir os presidentes por aliados Ocidentais, em que estes poderiam discutir suas adesões para entrarem na UE e OTAN (FREIRE, 2008).⤵️

35/64) A UE pretendia aumentar sua presença no Mar Negro e seus interesses no desenvolvimento de uma política europeia no Leste, ações que visavam minar os interesses da Rússia tanto no Mar Negro como no Cáucaso(FREIRE, 2008). Curiosamente, a partir de 2003 houve três revoluções eleitorais na região, mais especificamente na Geórgia, Revolução das Rosas; na Ucrânia, Revolução Laranja e no Quirguistão, Revolução das Tulipas. Todos estes movimentos, consistiram na tentativa de contestar os governos vigentes. Em todos os casos, as derrotas da oposição foram tidas como fraudulentas durante os processos eleitorais e foram seguidas de manifestações populares, com o apoio Ocidental(ORTEGA, 2009). Estas revoluções tiveram influência direta dos EUA e da UE, e não somente no apoio a ONGs.⤵️

34/64) A Rússia é uma das maiores exportadoras de recursos energéticos a nível mundial, por outro lado, a União Europeia carece muito deste recurso, principalmente os países do norte e do centro europeu, sendo assim, a Rússia é a principal e mais importante fornecedora do recurso à UE (PEREIRA, 2017). Lembra das iniciativas para recuperar antigos satélites russos como parte das ambições dos eurasianistas? Desde o início do século XXI, a UE, em seu processo de alargamento, incluiu: Estônia, Letônia e Lituânia, Polônia, Romênia e a Bulgária, todas antigas zonas de influência russa.⤵️

33/64) Enquanto a China atuava para enfraquecer a democracia no Ocidente, Putin ganharia tempo para reestruturar aquela que foi crucial na formação da República Popular da China (RPC) em 1949. O papel da OTAN sob liderança dos EUA e seus aliados. Quando Putin chega ao poder, tem-se a busca por uma Rússia mais independente, e destarte, tem-se uma política mais pragmática, que tem como objetivo a busca de presença nas áreas de antiga influência soviética, e que vai confrontar os interesses da OTAN e da UE. Nesse sentido, Putin busca mais autonomia, já que segundo Visentine(2015) a Rússia ainda tenta uma inserção no Ocidente, mas como enfrenta resistências, busca uma autonomia para poder melhor barganhar com o Ocidente. No caso da UE, tem o gás, que a mesma é totalmente dependente da Rússia em seu abastecimento.⤵️