Você já leu o diário de Anne Frank?
Há 80 anos, Anne Frank ganhou de aniversário o diário que a imortalizou. Nascida em 12 de junho de 1929, o presente foi dado pelo seu pai em 1940, no início da Segunda Guerra Mundial. O diário se tornou um dos principais documentos do Holocausto.
🧵 Contexto
Em 8 de julho de 1940, Anne escrevia de dentro do esconderijo organizado pelo seu pai, no prédio em que ele trabalhava, em Amsterdam. O local virou abrigo para sua família e amigos por dois longos anos de guerra e perseguição aos judeus.
No dia 1.º de agosto de 1944, aos 15 anos, ela escreveu pela última vez. Três dias depois, membros da SS, a polícia de Hitler, entraram no prédio e prenderam as oito pessoas que estavam escondidas no chamado Anexo.
Com exceção do pai de Anne, todos morreram no campo de concentração. Anne morreu provavelmente no fim de fevereiro ou início de março de 1945, de tifo, em Bergen-Belsen. Em abril, o campo foi liberado pelas tropas inglesas.
✍ O legado de Anne Frank
Segundo a professora do núcleo de Letras da Universidade Federal de Minas Gerais, Joyce Gonçalves, O Diário de Anne Frank constitui uma referência importante como documento. "Seus registros incluem fatos sociais e políticos de enorme valor para a historiografia. Por meio de sua escrita, ela deu voz a um grupo imenso que não teve a chance de se expressar."
“Ela não foi uma vítima que escreveu. Foi uma escritora vitimada. Há aí uma grande diferença.”, disse Luis Krausz, professor de literatura hebraica e judaica da USP. "A afirmação da subjetividade, da interioridade, da intimidade, das pequenas coisas que fazem um ser humano, em meio a um contexto de aniquilação, isto é, a sobrevivência do indivíduo - e do individual - em meio à tormenta da história. O Diário de Anne Frank é a afirmação do humano num contexto de desumanização".
📖 Por que ler esse diário?
Infelizmente, sempre haverá uma guerra e uma criança registrando seu dia a dia. Na Ucrânia, agora mesmo, deve ter algum diário sendo escrito.
Quando olhamos para as guerras, na história ou hoje nos noticiários, ouvimos “10 mil refugiados”, “150 mortos”,”aquele presidente”, e tudo parece distante. Diários como o de Anne Frank, permitem ver a pessoa que está vivendo a experiência. Em vez de pensar que 150 mil pessoas estão numa cidade, ao ler o diário de uma delas você pode multiplicar essa experiência por 150 mil e terá uma noção melhor de como isso está afetando as pessoas.